sexta-feira, 31 de julho de 2009

Qual o melhor técnico?

Comparação rápida entre o pouco que sei e os nomes que se cogitam:

Andrade: ídolo e um dos grandes jogadores da melhor geração que o clube produziu. Foi craque, cracaço mesmo, mas nunca se revelou um grande estrategista. A comparação com o Carlinhos ainda me parece mais folclore do que realidade. Ao seu favor o fato de já chegar com a torcida ao seu lado (o que significa que se vier um novo nome já terá a torcida contra) e de estar mais próximo do estilo paizão que os mais influentes do elenco gostam.

Eu não quero Andrade. Acho que ele pode ficar, mas cedo ou tarde vai sair por baixo. Prefiro que ele seja protegido, mas vai ver que não é isso que ele ou que o destino quer. Vai saber...

Geninho: desde que começou a carreira a regra é fugir do rebaixamento. Houve exceções, mas no geral é técnico de time pequeno. Dizendo ou não que o clube atrasa salários não é técnico pro Flamengo.

Mancini: no Santos eram dois zagueiros e dois volantes mais fixos com dois laterais ofensivos, três meias e um centroavante. Dois meias funcionavam como pontas encostando no ataque (Mádson e Neymar) e um meia conduzia mais as jogadas e ajudava nas inversões (Paulo Henrique). O esquema deu certo no campeonato estadual e naufragou no Brasileiro.

Deu muito certo no Vitória. Até gosto da forma como arma seus times, mas não consigo ver jogadores no elenco para ele formar o esquema assim. Chutando um time dele: Bruno, Léo Moura, Angelim e David, Juan, Willians e Kleberson (que não me convence como meia), Éverton, Adriano e Emerson.

Sérgio Guedes: estranhamente é o que menos conheço, mas o que mais me agrada. O Santo André sempre teve padrão de jogo - mesmo perdendo -, joga em um esquema simples e com jogadores por quem ninguém dava mais nada ou que marcam mal: Marcelinho Carioca, Cicinho e Gustavo Nery, por exemplo. Soa familiar? Chutando um time dele: Bruno, Léo Moura, Angelim e David, Juan, Airton e Willians, Kleberson e Sei lá, Emerson e Adriano.

Carpegianni: olha, deixando o passado corinthiano do cara, eu acho incoerente pra caramba você demitir um técnico que inventa por outro que inventa mais ainda. Carpegianni não emplaca um trabalho que me convença desde, sei lá, a Seleção do Paraguai em 98. Seria caro, não é tão bom quanto dizem (ainda acho que em 81 ele aproveitou um esquema que o Coutinho criou, embora isso seja mais feeling do que constatação) e acho difícil que fique até o fim do ano. Chutando um time dele: Bruno, Léo Moura, Airton, David e Angelim, Juan, Willians e Kleberson, Éverton, Adriano e Emerson. Mas chutar um time do Carpegianni é semiimpossível.

LIGA


Grande vitória. Descontando apenas a segunda parte do segundo tempo, em que todo mundo “morreu” e a saída do Toró simplesmente desarrumou completamente a defesa, o time mostrou uma coisa fundamental – compromisso, coesão, parece que todos estão fechados com o Andrade. Tudo indica que deu liga. A última vez que vimos isso foi com o Papai Joel.
Apenas dois alertas:
1) O jogo foi num campo pesado, os dois times sentiram, tanto que o ATL-MG teria que fazer 5 substituições se fosse possível. Mas está dando pinta de que a preparação física caiu, não está dando para 90 minutos. O Adriano, por exemplo, perdeu um gol por que não teve arranque para fazer aquela virada por trás do zagueiro e sair cara a cara com o gol. A virada ele até fez mas ficou pregado no chão e a bola foi embora. Tem que dar o devido desconto dos jogos no meio e no fim de semana já tem algumas rodadas, mas é bom ligar o pisca-alerta. Só para lembrar novamente: a seleção de vôlei começa a treinar todo dia às 7:30 da manhã. E vai direto. Por isso os caras são oito vezes campeões da Liga Mundial, campeões olímpicos, e entra novato, sai veterano, o padrão do time não cai.
2) O jogo de domingo é contra o Náutico, último colocado, estamos numa curva ascendente, o time parece motivado mas... cuidado e canja de galinha não fazem mal a ninguém. O Flamengo adora entregar essas rapaduras. E Toró não joga. Tem que aprender com os trocentos casos semelhantes recentes e fazer diferente desta vez.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mesa de Bar - FLAMENGO x Atlético-MG
Maracanã - 21:00h

Tenho um colega de trabalho, mineiro do interior e atleticano. Gente boa e fanático por seu time, está curtindo a liderança do Atlético e até o fenômeno de público da torcida. Não entro no mérito se o ingresso é barato ou não. Se o Flamengo estivesse com uma campanha um pouco mais consistente, eu sei do que a nossa torcida é capaz. Não preciso de matéria de jornal para provar.

Esse colega está, desde o início do ano, falando desse jogo. Resultado do fiasco do ano passado, quando pela n-ésima vez depositávamos a esperança de que o time, enfim, tomaria vergonha na cara e partiria em busca do objetivo que A TORCIDA almejava.

Pois foi no dia da decisão da Libertadores desse ano, que me aparece no corredor um engravatado, também oriundo das Minas Gerais, de passagem pelo Rio, e começa a conversar com um tricolete ao lado da minha mesa:

- "Pois é... Eu sou atleticano mas não tenho isso de torcer contra, não. Eu quero que o Cruzeiro ganhe. Eu só torço contra um time: o Flamengo! Eles com aquela torcidinha (sic) que está na miséria, não é essas coisas todas que pensam e acham que são os melhores. (...) Esses eu torço contra mesmo! Até comemoro!"

O tricolete, que já se vê nos horrores, corroborava, destilando suas frustrações.

Minha vontade foi de responder a tamanha audácia, mas lembrei que sou acima de tudo, civilizado, esperando que o time resgate em campo a melhor lição que ele pode dar a tão recalcadas criaturas. Abri um sorriso meio ingênuo, de canto de boca, enquanto tratava de, acintosamente, deixar a mostra meu mouse-pad, com o escudo rubro-negro já bem desbotado, mais velho que o Tetra-tri.

Ah! Como eu queria um time capaz de dar-lhe esta resposta... A resposta que a torcida espera desde o ano passado!

"O que tiver de ser, será! Pobre coitado de ti!"
Pedinte grego, no Parthenon, para o personagem Laio - Novela Mandala - Meados dos anos 80.

Link para o jogo: www.rojadirecta.com
Links liberados próximo à hora do jogo (horário de Brasília), no quadro à esquerda, lembrando que os links do justin andam com limitações.

CADERNINHO DO SIMÕES LOPES
Flamengo x Atlético Mineiro (Brasileiros 1971-2008)

Jogos: 42 - RJ (20), MG (21), DF (1)
Vitórias: 15 (61%) - RJ (11), MG (4)
Empates: 10 (22%) - RJ (4), MG (6)
Derrotas: 17 (17%) - RJ (5), MG (11), DF (1)
Gols pró: 49
Gols contra: 60

Resultado mais comum: 1x1 - 7 vezes
Maior sequência sem perder: 5 jogos -1987 a 1990
Maior seqüência sem ganhar: 6 jogos - 1982 a 1987
Jogador que fez mais gols: Zico - 4 gols

Primeiro jogo
:
Flamengo 0x1 Atlético/MG (21/8/1971)
Último jogo:
Flamengo 0x3 Atlético/MG (11/10/2008)

Maior goleada
:
Atlético-MG 0x3 Flamengo (22/9/2002)
Time: Júlio César, Felipe Mello, Flávio, André Bahia e Athirson; Jorginho (André Dias), André Gomes, Iranildo (Andrezinho) e Fábio Baiano (Ânderson Gils); Zé Carlos e Liédson.
Gols: Liédson, Zé Carlos e Liédson.

Jogos memoráveis:

Flamengo 1x0 Atlético/MG - 1972
Flamengo 2x1 Atlético/MG - 1976
Flamengo 3x2 Atlético/MG - 1980 (final)
Flamengo 2x1 Atlético/MG - 1981
Flamengo 2x1 Atlético/MG - 1982
Flamengo 1x0 Atlético/MG - 1987 (semifinal)
Atlético/MG 2x3 Flamengo - 1987 (semifinal)
Flamengo 2x0 Atlético/MG - 1988
Atlético/MG 2x4 Flamengo - 1997
Flamengo 3x2 Atlético/MG - 1998
Atlético/MG 1x2 Flamengo - 2000
Atlético/MG 0x3 Flamengo - 2002
Flamengo 3x2 Atlético/MG - 2003
Flamengo 1x0 Atlético/MG - 2007

O Blog FlamengoNet abre espaço para os frequentadores do nosso sistema de comentários. Os textos podem ser enviados para a Administração, mas serão publicados conforme nossa grade. Informamos também que os textos serão aprovados (ou não) pela equipe da Administração, e devidamente editados, caso necessário.

A hora é agora.

Temos um jogo em casa, contra o segundo colocado na tabela. Um adversário notoriamente histórico, que vai encarar o jogo como um batalha. Ingredientes não faltam para que o Atlético-MG queira sair daqui com uma vitória. O Palmeiras venceu ontem. Tardelli, ex-jogador do Flamengo e recém convocado para a seleção vai querer mostras que tem valor para tal. Some-se a isso todo o histórico de derrotas em jogos importantes impostas pelo Flamengo, principalmente na década de 80 e está pronto o embate.

Todos falam da arrancada de 2007. Da simbiose entre jogadores e torcida. Entre o time e a Nação. E a cada jogo que passa, lemos, vemos e ouvimos os jogadores que estavam naquela arrancada e que ainda estão no atual elenco dizendo que o Flamengo tem que repetir o feito. Tem de aproveitar e próximo jogo e novamente disparar na tabela. Infelizmente, dpeois de cada jogo, vemos, lemos e ouvimos que não ainda foi dessa vez.

Pois bem.

Eu digo que a hora é agora.

Vindo de uma vitória histórica dentro da Vila de virada. Hoje temos um técnico que, mesmo tendo limitações, sabe o que é o Flamengo, sabe o que é jogar (e vencer) contra o atlético. E acima de tudo, sabe o que é preciso pra ser Campeão. Diferente do antigo treinador, Andrade parece ter o elenco com ele. Parece que esses que hojem vestem o Manto "compram o barulho" do treinador.

Então a hora é agora. É hora de aproveitar que alguns fatores estão alinhados e fazer a arrancada de 2007 se repetir 2 anos depois. É preciso que aquela simbiose aconteça novamente. E para isso os dois lados precisam fazer a sua parte.

O time precisa mostrar que está afim, que quer vencer, que veio pra suar sangue e não sair com nada diferente da vitória.

A torcida precisa apoiar. Apoiar acima de tudo. Nada de vaias (pelo menos durante o jogo). Vamos cantar,fazer aquio que nos diferencia de todas as outras. Vamos mostrar porque nos auto-proclamamos Nação. Porque vencemos jogos sozinhos (ou alguém esquece o Fla 1x0 Flu de 2007, com menos 2 em campo). Vamos a campo fazer a nossa parte e mostrar pra esses jogadores que eles, em conjunto consoco, são imbatíveis.

Chegou a hora.

SRN!


Gerson do Amaral é Designer Digital, carioca e tem 31 anos.

3 notícias, 3 comentários breves

1 - A venda de Cristian: conversei com muita gente. Sou consciente, e acredito eu, como todos, da falta de dinheiro na Gávea (insolvência é uma palavra cheia de boniteza, mas prefiro a simplicidade dos termos). Na engenharia financeira, deixamos de ganhar alguns royals (Muhlenberg, Arthur, 2008 in Urublog). Minha opinião: por mais que tenha sido pra sanar alguns incêndios, não consigo - de forma alguma - defender KL e DD. KL, nem preciso desenhar. DD? Tanto se criticou o dossiê do setorista, e DD fez a mesma coisa. Chutou cachorro morto. Portanto, não me peçam pra apoiar qualquer um dos candidatos, tampouco pra abrir espaço pra eles no blog. Se depender de mim, discuto até novela ou seriado da FOX.

2 - A taça de bolinhas: Mais uma vez, MAIS UMA VEZ, essa diretoria mostrou que gosta muito de colocar o nome da Instituição no limbo. Por ocasião do penta bambi, esses caras fizeram barulho, "vou fazer, vou acontecer", e nada. Eis que a CBF, na surdina, decretou sua decisão, como informou o blog do Gilmar Ferreira (não, não vou linkar, não tenho filho desse tamanho). E aí, como bem lembrou meu amigo Lucas Dantas, vai aparecer um dizendo que o jurídico já está tomando conta disso. Sim, está tomando conta desde 87, e até agora?? N-A-D-A.

E pensar que o genérico pernambucano só parou no G13 graças ao senhor KL....

3 - Esse link me dá uma esperança. Não acredito em nada para amanhã, mas uma costura bem feita pode determinar um futuro promissor. Se tanto esperamos por ELE, quem sabe não chega logo a hora. Deixemos que eles se acertem, e que, de uma vez por todas, uma nova geração de administradores tome conta da Gávea. Não custa nada sonhar.

4 - Flamengo x galo: Vencer, Vencer, Vencer, Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer. Que seja esse o lema do jogo de hoje.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Pelos becos da Gávea.

O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.

O Sombra viu a diretoria fechar todas as bases contratuais com Jorginho, auxilixar técnico da Seleção Brasileira. Contratos e salários estavam fechados, e tudo estava certo para a vinda do ex-lateral direito, mas o técnico Dunga vetou e tudo foi por água abaixo.

E O Sombra ouviu os nomes que a diretoria tenta trazer nesse momento. A ordem de interesse e conversas é Luxemburgo, Carpegiani e Mancini.

O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.

terça-feira, 28 de julho de 2009


Andrade de treinador ? Não neste Flamengo....



Depois do jogo do Santos, ao ver o trabalho do Andrade e, principalmente, sua homenagem ao Zé Carlos e a demonstração do que é ser Flamengo, eu cheguei à conclusão que ele ainda não pode ser o treinador do atual time do Flamengo.


E por uma única questão: poucos nesse elenco respeitam e entendem a relação de Andrade e o Flamengo, como bem ilustrada no post abaixo.


Saudações Rubronegras.


Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Peço desculpas se meu post volta a falar do Andrade, mas eu não tive alternativas, após assistir ao vídeo da entrevista em que o Tromba dedica a vitória de domingo ao Zé Carlos. Há muito tempo eu não me emocionava com um fato emanado da Gávea. A declaração daquele homem simples e humilde foi um tapa na minha cara, eu que sempre fui (e sou) um crítico contumaz do Andrade treinador. Mas antes do treinador, do auxiliar, vem o Andrade homem, o Andrade Flamengo, e é dele que quero falar agora, render minhas homenagens. Nos trechos em negrito, links para vídeos. Então, boa leitura.

O Príncipe Flamengo

Quem vive o dia-a-dia dos treinos da Gávea, ou assiste às fugazes aparições de Andrade na imprensa pode ter certa dificuldade em entender que está diante de um monstro sagrado. De fato, aos desavisados soa estranho, quase inverossímil crer que aquela figura simples e tímida, que parece pedir licença até mesmo para se expressar, aparentemente incapaz de causar algum tipo de dano, seja um dos mais espetaculares jogadores que já honraram o imaculado manto flamengo. Um dos poucos homens que se sentiram inteiramente à vontade recobertos pelo sagrado pano rubro-negro, ostentando-o com a reverência dos mestres e com a naturalidade dos príncipes.

Andrade não foi um gênio, como Zico (mas aí é covardia, ninguém foi como Zico). Mas foi Craque. Assim, com “C” maiúsculo. E os mais novos que me perdoem a pretensão, mas utilizo a palavra Craque com todo o seu peso intrínseco, não com a pecha que é impingida a qualquer garoto bem assessorado que, após um ou dois brilharecos, vai encontrar seu eldorado em outro hemisfério.

Jogava como volante, ou médio-volante, como se dizia à época, sempre com a camisa 6. Dotado de técnica extremamente refinada, era incapaz de maltratar a bola. Raramente recorria a bicos (mas também os dava, quando a nação se via em perigo), a cabeça sempre ereta, passes verticais, laterais, curtos, longos, sempre cirúrgicos. Os mais apressados hão de dizer: “é, mas provavelmente não marcava direito.” Ledo engano. Andrade era um marcador implacável, capaz de cobrir dois laterais extremamente ofensivos (Júnior e Leandro, e mais tarde Jorginho e Leonardo), grudar no camisa 10 adversário, ser o responsável pela saída de bola do time e ainda chegar à frente como elemento surpresa. Tudo isso com a cabeça levantada, sem sujar o calção. Uma de suas marcas registradas era um desconcertante tipo de desarme, que ocorria quando ele se antecipava à jogada adversária (um lançamento, um drible etc) e dava apenas um toque, que servia ao mesmo tempo para tomar a bola do oponente e armar um contragolpe para a equipe.

A gente o vê hoje na TV com sua fala mansa, sua postura silenciosa e humilde, convivendo com todo tipo de jogador, dos medíocres aos pretensamente craques. Será que esses caras o viram em campo? Será que a nossa torcida ainda se lembra do mitológico dia 08 de novembro de 1981? Nesse dia, Andrade, o príncipe negro Andrade, alforriou milhões de rubro-negros, tornou-se o libertador de uma nação, ao enterrar nas redes botafoguenses o sexto olho, o sexto dente e fazer o placar do Maracanã reluzir para toda uma eternidade o doce momento de uma goleada. Somente esse feito, independente de toda a sua vasta e gigantesca obra, já seria suficiente para coroar-lhe de louros, faixas, placas e um lugar cativo em uma seleta galeria de notáveis.

Mas Andrade fez mais, muito mais. Os craques de 1981 foram saindo de cena, às voltas com contusões, transferências, aposentadorias. Ele mesmo viveu alguns momentos difíceis, mas seguiu em frente, até encontrar o seu ápice, seu auge, no biênio 1987/1988.

Foi fundamental na conquista do tetra brasileiro em 1987. Já não havia Adílio, mas um vigoroso Aílton compensava sua limitação técnica com muito pulmão. Mais livre, Andrade saía mais para criar. E foi um dos grandes jogadores daquele Brasileiro, arredondando de forma primorosa o meio-campo armado por Carlinhos. Naquele Brasileiro, recebeu vários prêmios de “melhor em campo”, “melhor volante do campeonato” etc, mas sua láurea maior sem dúvida foi o passe milimétrico, a laser, dado a Bebeto no gol que deu o título ao Flamengo.

Nessa época, muita gente boa já considerava Andrade o melhor jogador do país em atividade. Mesmo a imprensa paulista, normalmente avessa a jogadores que se destacam fora de suas divisas, rendera-se ao talento de Andrade, derramando-lhe elogios a cada domingo. Talvez em função disso (os deuses do futebol são marotos...), o Tromba tenha guardado seu momento mais brilhante justamente para o Pacaembu, já no final da Primeira Fase. O Flamengo enfrentava o Corinthians, e vinha arrancando um empate em 1-1 que se ajustava perfeitamente aos seus planos de classificação. Mas no final do jogo, Andrade recebe de Zico, abre com Aílton e recebe de volta, já na área, pelo alto. O esforçado Wilson Mano vai desesperado e atabalhoado para o desarme. Andrade, sem sair do lugar, mata a bola no peito e aplica um humilhante chapéu em Mano, curtinho, com extrema leveza. Depois, sussurra à bola, manda-lhe repousar no canto direito, mas a pelota, essa rebelde, sai de forma sedosa pela linha de fundo. O Pacaembu, assombrado, divide-se em silêncio, alívio e palmas.

Em 1988, no embalo do título brasileiro, o Flamengo ganhou a Taça Guanabara, invicto (ok, perdeu um Fla-Flu na última rodada, mas já era campeão por antecipação). E, de forma unânime, Andrade foi o grande jogador dessa conquista. Sua qualidade chamou a atenção de Carlos Alberto Silva, que o chamou para a Seleção Brasileira, e da Roma, que o tirou do Flamengo. E quis o destino que Andrade vivesse o grande momento individual de sua carreira em uma partida pela Seleção. Foi em Viena, num amistoso contra a Áustria, no belíssimo Estádio Ernst Happel, um dos mais bonitos da Europa, com um gramado recendendo a bilhar.

O time austríaco era forte, um dos melhores da Europa (chegaria à Copa, dois anos depois). O jogo foi duro, seguiu num 0-0 até o segundo tempo, quando Edmar abriu o placar para o Brasil. O time do Brasil tinha Taffarel, Jorginho, Geovani, Romário, entre outros. A partida, truncada, chegava ao seu final, cheia de cartões, jogador expulso, enfim, com pouca coisa de amistosa. Aí apareceu Andrade, que até então vinha tendo uma atuação discreta e eficiente. Bola com Ademir, daí a Andrade, que olha para os lados e se vê sem opções de jogo, todos marcados. Então, o craque decide seguir com a bola, passa por um adversário, por dois, e a marcação segue forte, nada de espaço para o passe. Andrade continua com a bola e avança. Vai procurando espaço, e se livrando de quem aparece pela frente. Já está dentro da área. O público se levanta, pressente que vem coisa grande. Chega mais um zagueiro, Andrade dribla-lhe com humilhante classe. Só resta o goleiro, que parece resignado com seu destino e marcha, avança em direção ao príncipe, simplesmente para ter a honra de receber o derradeiro drible. Aristocrático, o nobre guerreiro negro apenas faz a bola cruzar a linha do gol e repousar placidamente nas redes austríacas, sem alarde, sem algazarras, como convém a um lorde. E o exigente público austríaco, acostumado a Mozart, Schubert e Strauss, irrompe em ensurdecedoras palmas, vai abaixo diante da criação de uma obra-prima ali, diante de seus olhos. Tímido, o príncipe retoma seu lugar no campo, talvez assombrado com a beleza de seu próprio jogo.

E assim encerro. Sinto-me feliz e aliviado por finalmente ter tido a oportunidade de escrever algumas linhas sobre esse monstro. Numa época em que é tão comum encontrar “craques” em cada esquina, sinto-me feliz de poder exprimir a felicidade de ter tido a oportunidade de me deleitar com o futebol maravilhoso de Andrade. Um homem que, do alto de sua simplicidade, foi, e é grande. Muito grande. Como jogador, como homem.

Um príncipe Flamengo.

* * *

Aproveito o post para render, triste, a última homenagem ao nosso querido Zé Carlos, na forma de uma lembrança.

1987, jogam Bahia x Flamengo, Campeonato Brasileiro, Fonte Nova lotada, Flamengo precisa da vitória. Jogo disputado, o time da casa engrossa, 0-0. Córner para o Bahia. Cruzamento, a zaga afasta mal. A bola quica e sobra limpinha para o ponteiro Sandro, “me chuta”. Tiro forte, assobiando, queima-roupa, no cantinho, o estádio urra o gol. Mas ninguém acredita, Zé Carlos salta alado e estala a mão direita na bola, espalmando-a a escanteio. Os jogadores baianos levam as mãos à cabeça, incrédulos.

O jogo seguiu, o Flamengo ganhou por 2-0 e seguiu na sua caminhada para o tetra.

Foi a maior defesa que meus olhos presenciaram em um estádio de futebol.

Obrigado por tudo, Zé. Seja em qual esfera de luz e de paz você esteja, saiba que você ajudou a tornar a minha adolescência mais feliz.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XXXVIII)




André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites: www.gardenal.org/mauhumor e André Dahmer - www.malvados.com.br/

Clique sobre a imagem para ampliá-la.


Marcadores: tirinhas_seja_na_terra

Que seja Andrade!
*Por Lucas Dantas

Eu entendo e concordo com quem diga que o Flamengo precisa de um treinador do tamanho de suas tradições para poder fazer frente a equipes que hoje estão mais estruturadas e preparadas para uma competição como o Brasileiro. Mas aí quando leio nomes como Mancini, Guedes e quejandos nos noticiários por aí, dá um desânimo.

Repito a pergunta de Andre Monnerat no seu ótimo Sobre Flamengo : Que currículo tem Vagner Mancini pra eu poder afirmar que ele realmente é melhor que o ex-volante do Flamengo?

Realmente, por que não ficarmos com o Tromba? Eu só vejo vantagens.

1) É mais barato. Ponto.

2) Conhece os jogadores e suas manias, pois convive com eles desde 2005, no mínimo, data que os mais “velhos” do elenco chegaram.

3) Sabe como funciona o esquema interno do clube, salários atrasados, políticas...

4) Conhece a estrutura e não vai ficar reclamando de mijo de rato ou buraco no gramado da Gávea, essas coisas de responsabilidade da diretoria que adora fingir que não existem .

5) Tem moral técnica para chegar num jogador e falar “é assim, que se faz, amigo”.

6) Tem o apoio das primadonas e dificilmente será sacaneado por esse grupo.

7) Tem o respeito da torcida.

8) A Velha Guarda de craques toda o apóia e sempre estará do seu lado sem nenhuma nota dissonante.

9) Não tem inimigos na imprensa, portanto não terá ninguém fazendo dossiês a seu respeito ou tentando derrubá-lo para emplacar amigos.

10) Não vai abandonar o clube por qualquer proposta das arábias.

11) Possui experiência com a influência da política no time e tem chances de conseguir manter o time afastado do conturbado momento.

12) Já disse que é barato?

Algumas pessoas sugerem uma comissão conjunta dele e Fábio Luciano. Isso era idéia do ex-vice, e não desaprovo totalmente. Mas o Fabio Luciano é do tipo de berra pelo time com os dirigentes e acredito mesmo que, nessa hora, o que a equipe mais precisa é de paz.

Os salários, pelo que sei, estão em dia graças aos três meses do OLK Tube na barriga. O time conseguiu um resultado importante não só pelo lado histórico, mas para a caminhada no campeonato. A letra que o Bruno mandou no final da partida deixou claro que havia “entreguismo” sim contra o Cuca e que os jogadores agora se sentem à vontade com o Andrade.

Na boa. Já que são eles que mandam e o Andrade é amigo, além de mais barato e rubro-negro de verdade, por que não continuar assim? Título eu não espero mesmo. Mas se o caso for sobreviver até 2010 até que uma nova diretoria assuma e comece a implantar sua filosofia, pra que inventar com treinador sem currículo com nenhum conhecimento de Flamengo?

Bom, é o que eu acho.

As Lágrimas de Andrade


Não, eu não escrevo este post para pedir a efetivação de Andrade. Para falar a verdade, neste exato momento, pouco me importa quem será contratado como timoneiro rubro-negro, pois só consigo pensar nas lágrimas de Andrade ao final do jogo contra o Santos. De tudo que o Flamengo fez ou deixou de fazer no jogo de ontem, só quero reter aquele momento.


O estado atual de coisas na Gávea consegue transformar qualquer vitória num acontecimento banal e desprovido de encanto, já que os três pontos conquistados não guardam nenhuma relação com a qualidade do time ou com o prazer que ele nos proporciona. Se dependesse apenas de jogadores e dirigentes, a pequena conquista teria se limitado aos clichês odiosos, como "tivemos atitude de vencedores" ou "a vitória dá moral para os jogadores". Se não me engano, o Bruno disse algo semelhante.


Ganhamos sem que o meio campo conseguisse acertar um passe, e num jogo em que a defesa nos remetia aos piores momentos do Flamengo na luta contra o rebaixamento. Banalidade nas palavras, banalidade no jogo, banalidade na definição do Flamengo como instituição. Nada do que aconteceu ontem parecia despertar a mais remota centelha de excitação no torcedor, até que a câmera focalizou Andrade chorando.


Naquele choro, estava a recusa da banalização e do clichê. Era a irrupção inesperada de um Flamengo subterrâneo, que teima em espirrar autenticidade e emoção genuína na cara das figuras que apenas emulam, de modo farsesco, a tal pele rubro-negra. Andrade não finge nada, não joga para torcida, não beija camisa e não faz juras de amor. É como se ainda vivesse naquele tempo em que o Flamengo tinha uma "aura", uma qualidade única que se materializava a cada jogo no Maracanã e portava uma carga gigantesca de prazer, tesão, aventura e drama.


Hoje tudo é tédio, e os pequenos prazeres que o Flamengo nos proporciona são exatamente isto: pequenos, como cápsulas de alegria destinadas ao esquecimento logo após a próxima rotina de vexames na Libertadores, ou no Estadual. Tipo um carnaval de 3 dias em Manchester. As lágrimas de Andrade lutam contra isso, como a querer provar que o Flamengo é um oceano de prazer, gozo, risco e drama. Naquele breve momento, ser Flamengo foi novamente BOM.

Triplex Top Ten

1 - A vitória: Tomamos um gol na metade do segundo tempo e viramos o jogo, graças ao nosso artilheiro Adriano e a uma jogada do garoto Bruno Paulo. Com uma atuação fraca como a de ontem, convém "comemorar" os 3 pontos, ainda mais que estávamos numa insalubre faixa da tabela. E vejam, ontem estávamos perto da ZR. Hoje, estamos perto do G4. Ao longo do texto, desenrolo algumas opiniões.

2 - Bruno Paulo: Ouvi e li muitas críticas aos garotos que correram a Copinha no começo do ano. Normal, tendo em vista que o time não foi bem. Porém, cabe aqui uma mea culpa acerca deste torneio. De alguns anos pra cá, poucos craques da Copinha se tornaram jogadores de ponta. E quando a garotada começou a ser escalada para o banco, foi natural a crítica, e principalmente, o medo. Confesso que não me lembro se o garoto jogou estava em janeiro. Mas o fato é que ele entrou bem nos 2 últimos jogos, e se eu fosse o treinador, jogaria o garoto na fogueira - no bom sentido - contra o atlético mineiro. Se fosse um jogador de defesa, eu pensaria. Mas um garoto cheio de vontade, e aparentemente, de bola pra fazer a meiuca...não custa nada tentar.

3 - O efeito Íbson: Kleberson tá mais perdido do que cego em tiroteio. Não duvido da qualidade dele, mas a baranguice dos outros jogadores do meio está desqualificando o nosso penta. É torcer pra ele achar o lugar certo na hora certa, e voltar a ser o jogador que chegou à seleção.

4 - Tabela: Mais uma chance de fazermos pontos. Atlético mineiro e Náutico em casa, e o Goiás no Serra Dourada, que é quase uma segunda casa. Vocês acham impossível?

5 - Everton: Pelo amor de Deus. Vou criticar o jogador defendendo-o. Era atacante de ofício aqui no Paraná clube. Vai para o Flamengo e vira lateral esquerdo. No dia de São Nunca, na parte da tarde, ele vai se dar bem. É cegueira ou alguém tá forçando a escalação dele? p.s. ´tem 5: do triumvirato não falo mais. Cansei.

6 - Adriano e Emerson: 13 gols sem um meia pra colocá-los na cara do gol. Alô, diretoria, um meia, se faz o favoire. Se a bola chegar redonda, a tendência é que essa produção aumente. Ou, se não tem grana pra investir, usem o Bruno Paulo, uma chance pro menino não vai matar ninguém, vide Renato Augusto.

7 - Novo treinador: Não importa o nome que chegar. O que realmente importa é a necessidade da diretoria blindar o cara contra os mandos e desmandos de alguns jogadores. Se é pra contratar um treinador pra ele ser obrigado a escalar A ou B, ou até mesmo ter que engolir marra e xilique de outros, melhor deixar a nau à deriva, assim não temos mais um prejuízo financeiro com demissões. Eu mesmo, que nem diretor sou, já desisti de criticar o triumvirato do elenco.

8 - Imprensa: Enquanto escrevia o texto, conversava com o Juan Saavedra que não escreveria mais sobre a imprensa. Até ler isso aqui. Após essa leitura, acredito que posso parar de vez com o assunto. Parabéns, Jorge Eduardo, por falar o que boa parte da torcida gostaria de ler em algum veículo de comunicação de massa. Não se trata de defender o Cuca, e passo longe disso. Mas de defender a instituição Flamengo, que todo dia é banalizada por este elemento. E criticar a COVARDIA, pois dar porrada em alguém que nem mais é colaborador do clube é de uma falta de caráter imensa. Ser homem de dizer na cara?? I guess not.

9 - A turbulência: O que mais ouvi nos últimos dias foi a tal "jogada política de KL". Como assim? "Eu saio, o time começa a cair, ali por outubro me chamam de volta, eu arrumo a casa, e em seguida, lanço meu candidato. Nos elegemos, e eu volto como VP de futebol, e com mais força". Se será assim ou não, não sei. Mas estou longe de torcer por isso. Muito pelo contrário. Torço pra que não seja necessária sua volta, até pelo fato de que, pra isso acontecer, tem que combinar com os jogadores. E os jogadores, bem ou mal, deram uma resposta ontem. Na bola, no campo.

10 - Zé Carlos: Está sendo cuidado nosso Papai do Céu. Que Deus ilumine sua família, dando-lhes muita harmonia, paz, e força, muita força, pra superar este momento. Perdemos um grande jogador, perdemos um ídolo, mas Deus há de ajudar os seus parentes. Oxalá te proteja, Zé Carlos.

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Novos tempos

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Ontem não foi só o fim do tabu, mais do que isso foi o fim de uma perturbação. Todo jogo em Santos, era a mesma história: Nunca o Flamengo ganhara na famosa Vila Belmiro. Mas a verdade era essa mesma, mesmo com “Flamengos” melhores ou “Santos” piores, sair de lá sem os três pontos já não era novidade. Mas ontem o tabu caiu e o jogo que tinha tudo para ser apenas mais um, se tornou histórico.

Mas o panorama antes desse confronto, por todos os acontecimentos da última semana, não parecia dos melhores. Não bastasse a seqüência de mal resultados, tivemos a queda do até então técnico Cuca, dossiê polêmico expondo problemas internos, renúncia da cúpula do futebol e nomeação de um novo VP de futebol tão ou mais contestado. O Flamengo dessa última semana escancarou problemas dos mais graves. E claro que havia o temor de que tudo isso fosse a campo nessa partida. Não foi.

O Flamengo de ontem não foi muito diferente do que tem sido nos últimos jogos. Ainda que tenha jogado melhor, que tenha mostrado mais vontade durante a partida, mostrou os mesmos problemas estruturais de uma equipe que não possui um meio campo que faça o time jogar, que distribua o jogo, que auxilie em uma saída de bola. Continua sendo um time refém de chutões para frente ou do recuo de seus atacantes e isso não parece ter solução a não ser com novas contratações.

E ainda assim, no milésimo jogo do Flamengo em campeonatos Brasileiros – a primeira equipe a alcançar tal marca – conseguimos uma vitória triplamente importante: Pela marca alcançada, pela quebra desse incômodo tabu e pelos importantíssimos três pontos. Certamente valeu demais a virada de ontem em Santos.

Quem sabe, mesmo com tantos problemas, não seja essa uma vitória que inaugure novos tempos na Gávea?

“Novos tempos”, pelo menos dentro de campo, dependeria de uma boa seqüência de resultados. E isso sugere vencer o líder do campeonato na próxima quinta feira, no Maracanã. Esse já seria um excelente motivo para entrar motivado dentro de campo.

Motivação

Morei muitos anos em Belo Horizonte, sei do que vou falar. Há uma diferença grande na forma que Flamengo e Atlético encaram um encontro entre eles.

Para o Flamengo, à exceção de partidas decisivas e, claro, levando em consideração que todo jogador sempre entra em campo com o objetivo de vencer, é um jogo importante, mas sem um atrativo maior. Tem toda a historia, são dois grandes clubes, duas grandes torcidas mas acaba sendo mais um que vale três pontos.

Para os atleticanos não é bem assim. Há uma ferida eterna aberta naquele clube por tudo o que lhe imputamos, principalmente na década de oitenta. Um jogo contra o Flamengo não é apenas uma partida, é um clássico - para muitos chega a ser “O” clássico. Quantas vezes não ouvi a seguinte definição: “Não gosto do Cruzeiro, que é nosso rival. Mas do Flamengo eu tenho é ódio”.
Pode parecer papo de torcedor, mas aventure-se a ler a imprensa mineira nessa semana, busque o conteúdo das entrevistas com os jogadores, ouça a rádio Itatiaia falando sobre a partida. E não se assuste ao descobrir que o clima formado, entre torcedores, imprensa e jogadores, será o de um verdadeiro clássico.

Porque comento isso, qual a importância disso?

Lógico que todo jogador entra em campo buscando a vitória, mas há como negar que no clássico a motivação é maior?

É esse o motivo. O Flamengo precisa de um algo mais. Não é transformar o Atlético em um odiado rival do dia para a noite, mas precisa enfrentar o líder do campeonato dentro de nossa casa, com um algo mais do que um simples compromisso pela 15ª rodada. Os dois querem a vitória, se precisamos de afirmação no campeonato eles precisam se manter na liderança. Então vontade de vencer apenas pode ser pouco para os três pontos.

De alguma maneira o próximo jogo deve ser visto também por nós com o mesmo clima dos grandes clássicos. É a nossa chance de se afirmar na competição, a busca por um concorrente direto, a oportunidade de se aproximar dos líderes. E para isso o Flamengo vai ter que se impor, jogar com muita raça e mostrar a velha força de uma época em que os mineiros começaram a sentir tamanho ódio e temor por esse Manto Rubro Negro.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

domingo, 26 de julho de 2009

Com a palavra, o goleiro Raul

O twitter nos proporciona algumas oportunidades bacanas. No habitual bate papo sobre o Flamengo na ferramenta, perguntei ao Raul se ele responderia algumas perguntas para o FlamengoNet. Uma tremenda cara de pau minha, mas ele se prontificou a respondê-las, como fez por ocasião do milésimo jogo do Júnior. À época, eu e Juan Saavedra fomos até a rádio CBN, em Curitiba, e batemos um longo e animado papo com o goleiro.

Raul, obrigado por sua atenção, e quando quiser, o Blog FlamengoNet estará de portas abertas para você

1 - Como bom contador de história, nada melhor do que uma pra começar este papo.

"Personagem" à sua escolha, se bem que eu escolheria naturalmente o Peu. (Essa história Raul nos contará numa próxima conversa.

2 - De todos os gols que você viu lá de trás, escolha os gols que:

2.1 - Você gostaria de ter feito.

O gol de falta cobrado por Zico contra o Cobreloa em Montevideo, Copa Libertadores.

2.2 - você sentiu o Maracanã tremer mesmo no gramado.

O Maraca me arrepiava!

2.3 - você sentiu o estádio adversário calar.

Olímpico em Porto Alegre 1982, Decisão do brasileiro.

2.4 - você teve vontade de sair do gol e comemorar com os jogadores na bandeirinha de escanteio da nossa torcida.

Várias vezes.

3 - Qual sua maior emoção com o Manto Sagrado?

No primeiro jogo, um FLA X FLU em La Coruña, Espanha.

4 - Confirma sua maior identificação com o Flamengo em relação ao Cruzeiro? Por que?

Cada um com sua grandeza. Foram e sao importantes pra mim.

5 - Uma pergunta do torcedor Lauro Moraes, de Manaus: o que você acha do Bruno?

Ótimo goleiro, vai melhorar mais com o tempo.

6 - Como torcedor do Flamengo, o que você acha que falta para esse time decolar, tendo em vista que o nível dos outros times não está tão acima quanto dizem?

Teria que escrever 100 páginas, para falar dos problemas e soluções.

7 - Apesar da promessa de não ter bola dividida, vai uma bola na fogueira: Zico e Leonardo na direção do clube te levaria à política do Flamengo? Ou, pelo menos, ao futebol do clube?

Já disse que o Flamengo poderia escolher alguns jogadores da velha guarda como conselheiros, mas parece que a ideia nao agrada os diretores.

8 - Vinicius Paiva, colunista do blog, pergunta quanto vc acha que a sua geração fez crescer a torcida do flamengo no paraná, e como se encontra hoje? maior ou menor do que no seu tempo?

O Fla cresce todo dia, os times de 78/até 92 ajudaram muito O Flamengo tem 750 mil torcedores no Estado do Parana, pesquisa feita.

9 - Lucas Dantas, colunistas do blog, pergunta se você considerava justos os pedidos da imprensa pelo rogerio ceni na seleção, enquanto o JC pegava tudo na Itália?

Acho que o Rogerio deveria ter estado mais vezes na seleção. Agora não há necessidade o Julio esta lá e ainda temos outros tantos com condições.

10 - E emenda: pq hoje os goleiros pegam mais penaltis do que antes? Você acha justa a paradinha?

O Goleiro brasileiro evoluiu e os cobradores regrediram. Cada um executa como quiser. É Penalidade!

11 - Tirando a qualidade técnica, qual era o grande diferencial do time da década de 80?

Personalidade e sabíamos do que eramos capazes e nao havia máscara, nimguém se acha o bom, mas éramos.

12 - Você acredita que os times de hoje treinem fundamentos como se treinava antigamente? Te pergunto isso em face do alto número de passes errados, dos poucos gols de falta, dos laterais que parecem não saber mais cruzar; isso foi uma "evolução" causada pelo futebol força ou falta mesmo este tipo de treino nos clubes?

Quando não se tem talento tem que ter força . É isto que o futebol atual nos dá. Força e velocidade. Hoje os jogadores sao atletas e alguns jogam bola.

13 - Como seria a escalação do seu time dos sonhos, inclusive com técnico?

Zé Carlos, Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adilio, Tita, Zico, Nunes e Lico.

Com a permissão de nossos amigos Mauricio Neves e Juan Saavedra

No site oficial do Flamengo:

Que não se fale mais em Vanderlei

26/07/2009 19:29

Adriano: quebra de tabu
(foto: Maurício Val/VIPCOMM)

Em texto para a Agência Fla, Mauricio Neves comenta a quebra do tabu na Vila Belmiro.

* Mauricio Neves de Jesus

O Flamengo não ganha do Santos na Vila Belmiro desde 1976, dizia o tabu, repetido na imprensa ano após ano. Desde 1976, mas ninguém dizia que o Santos ficou anos sem mandar seus jogos contra o Flamengo no Urbano Caldeira.

Ignorava-se na história do tabu que vencemos o Santos na estreia do campeonato brasileiro de 1980, gol de Zico, no Morumbi lotado. E também no Morumbi, pela Libertadores de 1984, goleamos por 5x0. No mesmo ano, no mesmo Morumbi, pelo nacional, vencemos por 1x0, gol de Tita do meio da rua. Em 1996, em São José do Rio Preto, vencemos por 2x1 com direito a gol de Aloísio Chulapa.

Mas o tabu era de jogos na Vila, e a cada ano se renovava a ladainha, relembrando uma vitória em um amistoso obscuro com um inusitado gol de Vanderlei, assim mesmo, ainda sem W e sem Luxemburgo no nome. Tão obscuro que não há imagem de arquivo, que o próprio Luxemburgo não se recorda do gol e que hoje, na transmissão da televisão, o narrador disse que o jogo foi em 1973 e perguntou a Júnior se ele havia participado. E Júnior respondeu que não, que só subiu para o time titular em 1974.

De fato Júnior não participou, mas porque estava com a seleção brasileira que disputava os Jogos Olímpicos de Montreal. A vitória do Flamengo sobre o Santos em 1976 foi um jogo que ninguém viu e era preciso enterrá-lo em sua insignificância, vencendo um jogo de verdade na Vila Belmiro.

Quando o Santos abriu o placar na tarde de hoje, e Wanderley, o mesmo que não se recorda do gol de Vanderlei, vibrou intensamente, cheguei a duvidar que pudéssemos pôr um ponto final nessa chatice de tabu. Não que o Santos estivesse melhor em campo, mas haveria de se fechar na defesa e nossas reduzidas possibilidades estavam em um lampejo de Adriano ou em um lance fortuito.

Aconteceram ambos, e o fim de tarde que se perdia na melancolia da derrota ganhou cores rubro-negras, porque tanto quanto enterrar o jogo de 1976 nós precisávamos vencer no nosso milésimo jogo em campeonatos brasileiros, para que Andrade se emocionasse e oferecesse a vitória a Zé Carlos, assim emocionando trinta e cinco milhões de pessoas.

Que não se fale mais no gol de Vanderlei. O que entra para a história é que, no jogo de número 1000 em campeonatos brasileiros, calamos a Vila Belmiro com um petardo de Adriano e com um gol impessoal, obra do Manto Sagrado em homenagem a Andrade, a Zé Carlos e à nossa vitoriosa história de cinco vezes campeões do país do futebol.

* Mauricio Neves de Jesus é advogado e professor universitário em Lages. Tem 36 anos e é um dos responsáveis pelo site www.flamantosagrado.com. Tem textos publicados no livro 'Ser Flamengo' (Editora Folha Seca, 2006). Colaborou nos hotsites do Flamengo 'Rei do Rio' (www.flamengo.com.br/reidorio) e 'Força, Zé Carlos' (http://mkt.flamengo.com.br/hotsite/zecarlos/)

Sobre o "Dossiê Cuca"

Eu já falei sobre a forma como gente que "solta" informações usa a imprensa segundo seus benefícios. Cada jornalista tem a obrigação de tomar cuidado com as informações que publica para não ser usado. Todo jornalista.

O Dossiê Cuca foi algo que me chamou a atenção nesse sentido. O repórter Eduardo Peixoto publicou uma extensa matéria citando causas e mais causos sem nenhuma fonte que se identique. Todos os fatos foram descritos por pessoas que permanecem anônimas e o mais interessado só pôde dar seu lado quase 24 horas depois da matéria publicada. Ouvir os dois lados é o beabá de qualquer jornalismo, esportivo inclusive.

Pergunto: quais foram as fontes do repórter?Por que elas não se identificam? Por que não dão a cara à tapa e explicam todos esses problemas? Quem foi que passou a informação de que Cuquinha ouvia as conversas por trás da porta? Será que muitos profissionais transitam na Gávea e são capazes de ver essa cena? Ou será que foi alguém do alto escalão? Por que o ex-técnico não foi ouvido e deu sua versão para cada um dos fatos citados na matéria?

Perguntas que ninguém faz, mas já geram outros argumentos : "Temos que separar jornalistas esportivos de fofoqueiros".

Finalizando, meses atrás já tinha ouvido esse papo de que o Cuca falava mal abertamente de jogadores pra repórter. Cheguei a confirmar isso por e-mail a um leitor do blog. O conteúdo da entrevista que o técnico deu para Renato Maurício Prado sobre o Adriano já era de conhecimento todo mundo que cobria a Gávea. Cuca pisou na bola feio em querer desabafar com repórteres. Isso explica seu desgaste, mas não justifica a tentativa de criarem um bode expiatório. Tem bem mais gente culpada pela nossa situação. E eles querem que você pense que são a solução.

A imprensa esportiva podia nos ajudar a saber quem são eles. E não tornarem isso mais difícil.

Mesa de Bar - FLAMENGO 1000 jogos
Campeonato Brasileiro
Santos x FLAMENGO
Vila Belmiro - 16:00h

Um jogo histórico é para se comemorar.

O passamento precoce de um ídolo é para se homenagear a altura.

E o que temos?

Um time paneleiro e chinelado que (não) treina quando quer, que comanda e dá pitaco na comissão técnica e seu trabalho. Credores e protegidos por seus empresários, que estão cagando e andando para a torcida, pois NÃO é ela que paga seus salários.

Um técnico ídolo, em mais um mandato tampão, que não goza de prestígio entre o elenco - que não o respeita nem pelo seu passado - e que a rigor só assume como interino por amor ao Flamengo, e talvez pela tênue ilusão de que sua hora vai chegar.

Uma diretoria pusilânime, em sua sede, fome e tesão por poder, que é capaz de empurrar goela abaixo do clube um ex-jogador - ídolo, é verdade - em atividade, com uma cláusula leonina e lesiva à instituição, sob o argumento que será uma excelente contratação para o Estadual 2010, e que já demonstrou por várias vezes que está cagando e andando para a torcida, que NÃO é sua prinicipal fonte de receitas.

Um ex-dirigente, rico e fanfarrão, com mais sede de poder do que qualquer um, multiplicador de dívidas, iniciador do balcão de negócios do Flamengo, amigo de um ex-jogador e pseudo-técnico desagregador, polêmico, credor e endividado. Grande atuador de bastidores, mais efetivo quando contra o clube, do que a seu favor (alguém, como eu, vai ficar mais atento ainda às arbitragens, agora?), e que há anos está cagando e andando para a opinião da torcida, também.

Um presidente licenciado que "costurou" uma "pseudoaliança" entre os diversos poderes do Flamengo, e que a rigor nunca se preocupou com a opinião da torcida, senão em declarações à imprensa pois ele deve satisfações ao clube e a seus sócios - o que em tese, ele não está totalmente errado - e o que impediria qualquer um dos presidentes em pensar num programa de "Sóciotorcedor", que possa dar poder à "turba ignara" e, talvez, baní-los de vez dos poderes do clube.

Uma torcida apaixonada, maltratada, vilipendiada - cagada e pisoteada -, que só é ouvida pela imprensa, por várias vezes humilhada por muitos dos citados acima, que colocam seus interesses acima da instituição.

O Flamengo é o retrato do Brasil.

Era um jogo para Zico, Pelé e Cia disputarem. Pelo bem do Flamengo e pela homenagem ao Zé Carlos.

Valei-me, São Judas Tadeu!

Links para o jogo: www.rojadirecta.com
Links liberados próximo à hora do jogo (horário de Brasília), no quadro à esquerda, lembrando que os links do justin andam com limitações.

Nota: Depois de tanta escatologia e caminhadas, eu já redobro a atenção no juiz nesse jogo - assim como nas colunas do Renato Maurício Prado - agora que o Kleber Leite está "fora" da gestão do clube.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Descanse em paz, Zé...


Faleceu nesta sexta-feira o nosso querido Zé Carlos, vítima de câncer.

Em nome de todos os membros do Blog FlamengoNet, mando condolências à família do ex-goleiro.

Nesse momento difícil, o que vale são as lembranças positivas e a Fé - para quem acredita.

Defendendo o Flamengo:

Campeonato Carioca: 1986, 1991, 1996
Taça Guanabara: 1988, 1989, 1996
Taça Rio: 1985, 1986, 1991, 1996
Campeonato Brasileiro: 1987
Copa do Brasil: 1990

Pela Seleção Brasileira:
Copa América: 1989


CADERNINHO DO SIMÕES LOPES
Flamengo x Santos - Brasileiros (1971-2008)
Jogos
: 46 - RJ (25), SP (20), DF(1)
Vitórias: 17 (37%) - RJ (13), SP (3), DF (1)
Empates: 13 (28%) - RJ (6), SP (7)
Derrotas: 16 (35%) - RJ (6), SP (10)
Gols pró: 49
Gols contra: 52

Resultado mais comum: Flamengo 1x0 - 7 vezes
Maior sequência sem perder: 8 jogos -1983 a 1991
Maior seqüência sem ganhar: 5 jogos - 2002 a 2004
Jogador que fez mais gols: Zico - 6 gols

Primeiro jogo:
Flamengo 1x0 Santos (12/09/1971)
Último jogo:
Santos 2x2 Flamengo (17/08/2008)

Maior goleada:
Flamengo 3x0 Santos (29/5/1983)
Time: Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior; Vítor, Adílio e Zico; Élder, Baltazar(Robertinho) e Júlio César(Ademar).
Gols: Zico, Leandro e Adílio.
Flamengo 3x0 Santos (23/9/2000)
Time: Júlio César, Maurinho, Fernandão, Gamarra e Leonardo Inácio (Bruno Carvalho); Leandro Ávila, Rocha e Petkovic ; Edílson, Adriano (Roma) e Denílson (Lê).
Gols: Adriano, Petkovic e Fernandão.

Jogos memoráveis:

Flamengo 1x0 Santos - 1971
Flamengo 1x0 Santos - 1980
Flamengo 2x0 Santos - 1980
Flamengo 2x1 Santos - 1982
Flamengo 2x0 Santos - 1983
Flamengo 3x0 Santos - 1983 (foto)
Flamengo 3x1 Santos - 1992
Flamengo 3x0 Santos - 2000
Flamengo 2x1 Santos - 2005
Flamengo 3x1 Santos - 2008

MIL VEZES FLAMENGO
O próximo jogo será o de número 1000 do Flamengo em Brasileiros, o primeiro time a atingir esta marca.

O Fim de Uma Era?
Por Arthur Muhlenberg

Hoje a chapa no Mengão não está brincadeira, galera. Quentaça. Lá na Gávea confusão pouca é bobagem. Olhaí mais um desejo da torcida tornado realidade. O famigerado e popular Kleber Leite, vice-presidente de futebol do Mengão, pediu pra sair. Derrotado na queda de braço política com Delair, que está com mais caneta, o mandarim do futebol rubro-negro convocou coletiva pra explicar porque pipocou. Certamente alegará razões políticas e divergências administrativas para ter ligado o foda-se de maneira tão tresloucada.

Queria muito estar nessa coletiva pra poder perguntar se o Kleber se demite sozinho ou se a equipe que ele montou (supervisores, gerentes, etc.) abandona o barco junto com ele. Não quero nem pensar em quem o substituirá, ouvi falar no experiente Marcos Braz, que até outro dia tava dando uma força pro time de basquete. Medo.

Mas tenho outra pergunta que eu quero fazer pra torcida mesmo. Agora que o Cuca foi demitido, que o Marcio Braga está licenciado e o Kleber Leite saiu saindo a quem é que vocês pensam em culpar por algum eventual mau resultado? Respondam com educação.

Liga Urublog: http://cartolafc.globo.com/cartola/liga/detalhesLiga.ssp?leagueId=185041

Urublog no Twitter: http://twitter.com/Urublog

Comunidade do Urublog no Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=39866197

Mengão Sempre

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Parreira e Fábio Luciano? Ou Fábio Luciano e Parreira?

Não adianta: o assunto do momento é quem será o novo técnico do Flamengo. Por um tempo, tudo apontava para Vagner Mancini. Ontem à noite, no Sportv, ouvi a afirmação de que o nome estava descartado, pois a diretoria queria alguém "experiente" - e gelei, pensando em algo como Geninho. Mas hoje, o papo forte é em torno de Carlos Alberto Parreira, com Fábio Luciano também vindo para assumir um posto como o de "coordenador".

Bem, se é por aí mesmo, vou dar minha sugestão: por que não o contrário?

Não vou ser o primeiro nem segundo a escrever aqui que o grande problema do Flamengo não é o técnico, seja quem for. A falta de estrutura física, a confusão política, o ambiente de trabalho deteriorado e a pura e simples ausência de dinheiro minam o trabalho de qualquer um por lá. Difícil imaginar Parreira dando certo como treinador neste cenário. Nessa sua última passagem pelo Fluminense, a impressão que ficou para todos os que acompanham as Laranjeiras é de que ele já não tinha o menor tesão de enfrentar a zona que impera por lá. E o cara é tricolor! Na verdade, somando isso à recusa dele ao convite do Flamengo no início do ano, já fico mesmo com dificuldade de imaginar ele topando ir à Gávea pra ficar na beira do gramado, só à espera de ouvir o inevitável "adeus Parreira" sendo entoado pelas arquibancadas.

Por outro lado, embora hoje já seja visto por muitos como ultrapassado e não consiga emplacar um bom trabalho como técnico há muito tempo, Parreira tem experiência de sobra no mundo do futebol. Já trabalhou na Europa, na Arábia, na África, no Rio, em São Paulo, no Sul, com seleções de vários níveis, em clubes como Bragantino ou São Paulo. Ele sabe muito bem o que existe de estrutura pra se trabalhar no mundo, o que se oferece por aí. Pra mim, é o nome certo justamente pra ocupar um cargo fora do campo. Dêem a ele a função de ver o que o Flamengo tem, levantar o que precisa ter, definir as prioridades, e ir tocando essas mudanças que o clube precisa pra realmente construir o seu futuro. Como ele fez no próprio Fluminense, há anos atrás, quando o clube penava na série C - e ele deixou um legado no departamento de futebol que ajudou os tricolores a terem resultados mais razoáveis nos anos seguintes (mas que ficou parado no tempo e, agora, já está mais que defasado). Como treinador, Parreira até podia ter um tanto deste papel, claro; mas teria que se dividir com o campo, onde não sei se é capaz de conquistar a confiança destes caras, e desviar o foco de onde ele pode ser mais útil.

Já Fábio Luciano ocupando um cargo de coordenador, gerente, diretor ou seja lá que nome se dê, me parece mais é uma medida populista. Qual seria exatamente sua função? Ele ia ser responsável pelo quê? Sua presença por lá ia dispensar a do Kléber Leite no dia-a-dia? Ou a do Isaías Tinoco? Seria ele um aspone ou um relações públicas?

Sinceramente, eu confiaria mais nele numa função de treinador (afinal, bem ou mal ele sabe o que é um treino de um time de futebol - o que ele entende de administração? ) do que em mais um cargo indefinido a ser criado no departamento de futebol, como outros tantos que já inventaram por lá e só fizeram criar a confusão de ninguém saber quem manda em quê. Sou até capaz de dizer que acredito que ele, com seu bom relacionamento com os jogadores e com um Parreira por cima pra criar o clima de "agora estamos trabalhando sério", faria o grupo render melhor no curto prazo do que um outro técnico qualquer, seja quem for, que chegue pra trabalhar no mesmo esquema que já deu errado na Gávea nos últimos, ahn, 15 anos, sei lá. E eu acreditaria que algo está sendo feito pra realmente resolver os problemas mais sérios do Flamengo.

É isso: querem Parreira/Fábio Luciano? Proponham aos dois Fábio Luciano/Parreira.

Isso, claro, se alguém por lá realmente se importa com essas besteiras de "estrutura" de que a gente tanto fala aqui. Se não, se é só pra trazer um treinador acreditando nessa de levar este time aí à Libertadores este ano no esquema de trabalho de sempre, aí sei lá. Não tenho nenhuma sugestão pra dar com convicção.

Como já falei, pode ser até eu.


• ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Sobre os últimos acontecimentos

A saída de Cuca era iminente. Não acredito que resultado algum seguraria ele. Não que eu fosse contra ou a favor. Na realidade, tentei ser racional todo tempo, mesmo quando suas substituições eram estapafúrdias, mesmo quando ele metia o time pra frente pra tentar empates ou viradas.

No meu entender, Cuca é um bom técnico. Pode melhorar muito. É a minha opinião. Eu sempre cobrei dele mais pulso. Mais atitude. Mas isso é complicado dentro de um Flamengo. É complicado fazer isso num clube que tem vários caciques pra poucos índios, e ainda jogadores que se acham as rainhas da cocada preta. Jogadores que não respeitam o técnico, não respeitam dirigente, não respeitam O CLUBE, e não respeitam você, torcedor.

O grau de profissionalismo desses caras é ZERO. Não há como cobrar nada deles. Principalmente por serem acobertados por empresários e dirigentes que - provavelmente - não viram a Época de Zico. Sim, se tivessem visto, não considerariam alguns desses aí craques.

Me entristeceu muito a saída do Cuca. Não a saída em si, mas mais uma vez nossa diretoria mostra que não existe planejamento. Perdeu? Manda embora, dane-se. Eu não, eu sou dirigente, eu fico. Não é uma tristeza pelo Cuca. Mas sim pela visão de desorganização. Por ver que a vaidade manda no Flamengo. Falta humildade em gol, repito, para todos. Falta-nos vergonha na cara. Falta ter um mínimo de bom senso. Mas o Flamengo é o Flamengo, não podemos descer do pedestal jamais.

Enfim, não vou entrar no mérito de "quero fulano", ou "Deus me livre de beltrano". O estrago tá feito. E mais uma vez, quem fica impune? Ah, claro, a culpa é toda, SEMPRE, do treinador. Jamais de quem não se planejou pra parada do Fábio Luciano, pra quem não se planejou pra comprar o Íbson, pra quem acoberta pseudo jogadores que se acham os deuses do futebol.

E apenas para completar, me entristece e incomoda essa postura panfletária de parte da torcida. Quando vejo torcedor vibrando com a saída do técnico, vejo que o pensamento é pequeno. Que falta uma visão macro da situação. Me sinto num congresso da UNE, entoando gritos de guerra e, meses depois, reclamando de uma mudança que aconteceu só no papel.

A torcida precisa colocar os pés no chão. Aceite quem aceitar. Vista a carapuça quem quiser. É a minha visão. Tem gente séria, mas tem muita gente querendo tumultuar. E eu sou do seguinte partido: não quer ajudar, não vem atrapalhar.

Boa sorte ao Andrade, e que São Judas Tadeu abençoe nosso novo treinador.

Ainda existem boas notícias?
Por Vinicius Paiva


O caos instalado no Flamengo - após a série de resultados ridículos no campeonato brasileiro – é algo que realmente nos desanima. Dá pra enxergar alguma coisa boa mediante tamanha maré de incompetência? É técnico fraquejando de um lado, são medalhões realizando partidas risíveis do outro lado, e pra piorar, garotos da divisão de base sendo jogados no fogo, e rendendo bastante abaixo do esperado (apesar da boa surpresa do lateral Jorbison, mal substituído por Cuca, que aliás, insistia no inútil Erick Flores, que eu tenho certeza que não vai dar em nada). Bom, dane-se. Já dei meus pitacos futebolísticos, e aqui no blog tem muita gente mais bem preparada do que eu para isso.

Por incrível que pareça, e apesar da fragilidade institucional que dilacera o clube em tempos de ebulição-política-pré-eleitoreira, a semana teve, sim, boas notícias no extracampo. Pra começar, a aprovação do contrato com a Bozzano renderá aos nossos combalidos cofres a razoável quantia de R$ 2,5 milhões por seis meses de contrato. A lamentar, apenas o fato de o Flamengo ter caído na vala comum dos contratos de conveniência, que se dão por menos de uma temporada. No peito do nosso uniforme, o Olympikus Tube será exposto por apenas três meses, sendo possivelmente substituído pela bandeira de postos de gasolina Ale, a ser estampada por mais três meses; Não estávamos acostumados com isso, após décadas de parceria estável, mas o que se pode fazer? Se esta for a nova configuração dos negócios envolvendo patrocínio no pais, cabe a nós apenas maximizarmos nossas receitas, de modo a buscarmos melhores resultados dentro de campo. O Corinthians, cuja camisa virou um pavoroso outdoor ambulante, mas que vem obtendo excelentes retornos esportivos por conta disto, serve de modelo.

Outro acontecimento digno de nota é a picuinha política – culminando em insultos e arremessos de cadeiras – que vem fazendo situação e oposição se engalfinharem a favor e contra a parceria com a Bozzano. Eu realmente gostaria de entender o porquê de considerarem as exigências da Bozzano tão ruins (estampar sua marca nos backdrops, explorar a imagem do Flamengo e possuir preferência na renovação do contrato). Ora, será que realmente estamos em condição de demonstrar tamanha soberba com relação a um contrato de patrocínio de mangas que, proporcionalmente, é o maior do Brasil (pois equivale a R$ 5 milhões anuais)? Posso realmente estar falando bobagem, e aqueles que vivem o dia-a-dia e os bastidores do Clube de Regatas do Flamengo tem a total de liberdade de me explicarem melhor as circunstâncias desta negociação.

Bom, continuando com as boas notícias, a tão propalada venda dos jogadores Cristian e André Santos pelo Corinthians para o Fenerbahce vem mostrar a vantagem que se pode auferir ao colocarmos “jogadores nossos” em outros clubes de grande visibilidade nacional e internacional. Cristian, que ao negociar sua saída do Flamengo ano passado continuou atrelado a nós na proporção de 33%, agora nos renderá a quantia aproximada de R$ 6,3 milhões. É um dos melhores negócios já feitos pelo Flamengo, e isto não é um exagero. Ao contrário dos clubes do Rio, falidos e sem poder de barganha, os clubes de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul costumam vender seus jogadores por valores bastante superiores. Se por ventura Cristian tivesse jogado bem na Gávea, fatalmente receberia propostas inferiores, entre metade e um terço dos vultosos 7 milhões de euros que os turcos pagaram.

Mas não parou por aí. O mecanismo de solidariedade da Fifa (que infelizmente contempla apenas negócios internacionais, o que fez com que não recebêssemos nada na venda de Felipe Melo, da Fiorentina para a Juventus, por R$ 70 milhões), desta levará o Flamengo a receber um trocado pela transferência de André Santos do Corinthians para o Fener. A legislação, que destina 5% do valor das transferências aos clubes onde os jogadores atuaram entre os 12 e os 23 anos (http://esportes.terra.com.br/futebol/brasileiro/2009/interna/0,,OI3866302-EI13759,00-Entenda+como+funciona+o+mecanismo+de+solidariedade+da+Fifa.html), resultará em quase R$ 70 mil para o Flamengo (0,5% do valor total). Não é nada, não é nada, mas paga pelos menos os atrasados da portaria do clube...

Pra terminar, as novas raspadinhas dos clubes cariocas, lançadas em parceria com a empresa Hebara, são um estrondoso sucesso. Segundo o site do jornalista Sidney Rezende e a coluna “De Prima” do Lancenet, já teriam sido comercializadas 720 mil raspadinhas desde o dia 10 de julho. O Flamengo, como sempre, lidera as vendas, com 35,1% do total, seguido pelo Vasco (23,4%), Fluminense (20,8%) e Botafogo (20,7%). Mantendo este ritmo, o Flamengo arrecadaria R$ 600 mil em um ano, isto sim, nada desprezível. Portanto, cabe a torcida, como sempre, dar aquela força e fazer com o Flamengo abra mais vantagem sobre os rivais. É a prova de que iniciativas deste gênero podem ser bem sucedidas, noves fora o fracasso da Timemania até o momento.

Bom, é isso.

Mas que a conquista de apenas 2 pontos em 9 disputados em pleno Maracanã é algo de matar, isso é....

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Novidade no blog

A partir de hoje, o Blog FlamengoNet abrirá espaço para os frequentadores do nosso sistema de comentários. Os textos poderão ser enviados para a Administração, mas serão publicados conforme nossa grade. Informamos também que os textos serão aprovados (ou não) pela equipe da Administração, e devidamente editados, caso necessário.

Estatuto

* Por Pedro Migão, frequentador do Blog FlamengoNet

"Muito se fala sobre mudanças no Estatuto para que o clube possa evoluir administrativamente.

Trago aqui algumas pequenas idéias que nem precisam, necessariamente, da troca de Diretoria ou de reformas estatutárias para serem implementadas:

1) Gerenciamento de Contratos:

Esta é uma idéia simples e que evita muitas dores de cabeça. Trata-se de manter um controle de todos os contratos que o clube tem, com principais cláusulas, datas de pagamento e de término do contrato.

Evitaria, por exemplo, o problema com o fornecedor anterior de material esportivo. Bastava ter notificado judicialmente o mesmo na primeira falta de material. Na hora em que quis romper o contrato, bastava apresentar as mesmas;

2) Planejamento Plurianual:

No início de cada gestão, estabelecer metas e previsões orçamentárias para cada setor do clube, com a respectiva cobrança, para os três anos.

Assim se evita o "barata voa" que ocorre todo meio de ano no futebol, onde acaba-se contratando sem critério e se gastando muito mais;

3) Adequação Orçamentária:

Não se tem como montar um time caro e estar cheio de penhoras. Listar as despesas fixas - dívidas, penhoras, estrutura et alli - e, a partir daí, determinar o teto orçamentário do futebol.

Se o clube só tem grana para uma folha salarial de R$ 500 mil, que seja.

Outro ponto é respeitar o orçamento anteriormente feito, ou fazer um se não houver.

4) Estrutura:

Um CT se faz fundamental, para dar tranquilidade de trabalho, evitar os corneteiros e se trabalhar em tempo integral. O espaço já temos, o Ninho do Urubu.

Ah, não tem dinheiro ? Busca através de parcerias, ou de sócio torcedor. O marketing está aí para isso. E nem se precisa de algo muito luxuoso, campos de treinamento, uma cozinha industrial e um alojamento limpo já são um excelente começo.

5) Profissionalizalização das pessoas:

Se não dá para profissionalizar a gestão, pelo menos as pessoas. Contratar por competência. Afastar pessoas que tenham outros interesses no futebol.

6) Marketing:

Trazer realmente o torcedor para junto do clube. Fazer "visitas guiadas" à Gávea. Estabelecer um bom relacionamento com os parceiros do clube, estruturando uma relação "ganha-ganha".

7) Buscar novas fontes de recursos:

Trabalhar o torcedor a fim de que este possa consumir produtos do clube. Buscar estrutura através de parcerias.

8) Estudar os "benchmarks":

Quem são os líderes do processo aqui no Brasil? São Paulo e Inter. Conhecer, visitar, aprender, ver o que pode ser feito e o que podemos aprender com cada um deles.

9) Um bom projeto de sócio-torcedor:

Um projeto de sócio torcedor que dê prioridade e descontos em ingressos, descontos em produtos oficiais do clube e em produtos de parceiros e direito de voto pode angariar por baixo 50 mil novas inscrições, tomando por base os números do projeto vascaíno.

Cobrando-se uma taxa de inscrição de R$ 100 (parceláveis) e uma mensalidade de R$ 50, são, por baixo, R$ 2,5 milhões mensais de receita, com R$ 5 milhões de entrada imediata.

Resolve-se o problema do CT e se banca boa parte dos custos do clube, sem depender de outras fontes de renda.

Outra possibilidade, que não exclui a do sócio-torcedor, é a criação de um "torcedor oficial', com mensalidade mais baixa, carteirinha e descontos em produtos oficiais, em menor escala que o sócio-torcedor.

10) Transparência e Governança corporativa

Transparência de gestão. Controles internos. Contas na internet. Isso é o básico, pois traz credibilidade.

(Pedro MIgão, 34, é economista, rubro negro e publicou este texto originalmente no blog Ouro de Tolo - http://pedromigao.blogspot.com/ )


Ser rubronegro


Eu vejo a propaganda da Olimpykus sobre a torcida do Flamengo e me emociono. Me emociono porque parece que hoje, somente a empresa fornecedora de material esprotivo reconhece e sabe o que é ser Flamengo.


A diretoria, comissão técnica e alguns jogadores sequer sabem o que é ser Flamengo, devem estar mais preocupados com o campeonato de rachões e para o planejamento do tetra carioca, o único campeonato que realmente parece importar.


O clube, como um todo, precisa de uma urgente reformulação, pois de nada adianta trocar treinador se o time não treina, se não lhe dão condição de trabalho e principalmente de comando. E olha que eu sequer sou fã do Cuca, mas desde já eu digo que do jeito que o Flamengo está, nem o Muricy ou o Felipão durariam 3 meses com um elenco cheio de primas donas intocáveis.


Enquanto isso é rezar pro Emerson ir salvando a gente de vexames maiores.


Saudações rubronegras.

Ressaca de Ontem

Ontem depois do jogo fiquei só lendo aqui. Nem tive forças pra teclar uma letra. Agora eu faço:

Leo Moura, jogadorzim duma figa (pra não ofender o quanto gostaria), o Juim não joga e você acumula as ruindades. O pênalti do Marlon foi metade seu. No fim do primeiro tempo, você soube chutar pra escanetio uma bola igual, só que aquela era toda sua...

Kleberson, pede pra ficar na seleção full-time. Faça-nos este favor, se a melhor coisa que você faz no Flamengo é dar chutão pra frente ou pro alto.

O impressionante é que o Barurei por N vezes chegava ao nosso gol, com dois toques (coisa de time que treina, profissional, e não faz só rachão).

Os nossos jogadores recebiam a bola, ciscavam pra cá, pra lá... 200 toques, e tome bola da intermediária adversária até o Bruno. Depois, chutão pra frente (coisa de time que não treina, cheio de peladeiros...).

Nunca um time que não treina vai ganhar de um time que treina, por maior que seja a diferença da "tradição".

NUNCA GANHARÁ! JAMAIS!

Pelo menos a molecada, junto com o Emerson, deu uma lição nos merdalhões. Vamos torcer para que não seja lampejo de estreia, como outros já foram.

Nota: Só falo mal de técnico se eu achar que a diretoria não tenha grande parcela de culpa pela performance do time.

Flamengo Net

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