sexta-feira, 24 de julho de 2009

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Parreira e Fábio Luciano? Ou Fábio Luciano e Parreira?

Não adianta: o assunto do momento é quem será o novo técnico do Flamengo. Por um tempo, tudo apontava para Vagner Mancini. Ontem à noite, no Sportv, ouvi a afirmação de que o nome estava descartado, pois a diretoria queria alguém "experiente" - e gelei, pensando em algo como Geninho. Mas hoje, o papo forte é em torno de Carlos Alberto Parreira, com Fábio Luciano também vindo para assumir um posto como o de "coordenador".

Bem, se é por aí mesmo, vou dar minha sugestão: por que não o contrário?

Não vou ser o primeiro nem segundo a escrever aqui que o grande problema do Flamengo não é o técnico, seja quem for. A falta de estrutura física, a confusão política, o ambiente de trabalho deteriorado e a pura e simples ausência de dinheiro minam o trabalho de qualquer um por lá. Difícil imaginar Parreira dando certo como treinador neste cenário. Nessa sua última passagem pelo Fluminense, a impressão que ficou para todos os que acompanham as Laranjeiras é de que ele já não tinha o menor tesão de enfrentar a zona que impera por lá. E o cara é tricolor! Na verdade, somando isso à recusa dele ao convite do Flamengo no início do ano, já fico mesmo com dificuldade de imaginar ele topando ir à Gávea pra ficar na beira do gramado, só à espera de ouvir o inevitável "adeus Parreira" sendo entoado pelas arquibancadas.

Por outro lado, embora hoje já seja visto por muitos como ultrapassado e não consiga emplacar um bom trabalho como técnico há muito tempo, Parreira tem experiência de sobra no mundo do futebol. Já trabalhou na Europa, na Arábia, na África, no Rio, em São Paulo, no Sul, com seleções de vários níveis, em clubes como Bragantino ou São Paulo. Ele sabe muito bem o que existe de estrutura pra se trabalhar no mundo, o que se oferece por aí. Pra mim, é o nome certo justamente pra ocupar um cargo fora do campo. Dêem a ele a função de ver o que o Flamengo tem, levantar o que precisa ter, definir as prioridades, e ir tocando essas mudanças que o clube precisa pra realmente construir o seu futuro. Como ele fez no próprio Fluminense, há anos atrás, quando o clube penava na série C - e ele deixou um legado no departamento de futebol que ajudou os tricolores a terem resultados mais razoáveis nos anos seguintes (mas que ficou parado no tempo e, agora, já está mais que defasado). Como treinador, Parreira até podia ter um tanto deste papel, claro; mas teria que se dividir com o campo, onde não sei se é capaz de conquistar a confiança destes caras, e desviar o foco de onde ele pode ser mais útil.

Já Fábio Luciano ocupando um cargo de coordenador, gerente, diretor ou seja lá que nome se dê, me parece mais é uma medida populista. Qual seria exatamente sua função? Ele ia ser responsável pelo quê? Sua presença por lá ia dispensar a do Kléber Leite no dia-a-dia? Ou a do Isaías Tinoco? Seria ele um aspone ou um relações públicas?

Sinceramente, eu confiaria mais nele numa função de treinador (afinal, bem ou mal ele sabe o que é um treino de um time de futebol - o que ele entende de administração? ) do que em mais um cargo indefinido a ser criado no departamento de futebol, como outros tantos que já inventaram por lá e só fizeram criar a confusão de ninguém saber quem manda em quê. Sou até capaz de dizer que acredito que ele, com seu bom relacionamento com os jogadores e com um Parreira por cima pra criar o clima de "agora estamos trabalhando sério", faria o grupo render melhor no curto prazo do que um outro técnico qualquer, seja quem for, que chegue pra trabalhar no mesmo esquema que já deu errado na Gávea nos últimos, ahn, 15 anos, sei lá. E eu acreditaria que algo está sendo feito pra realmente resolver os problemas mais sérios do Flamengo.

É isso: querem Parreira/Fábio Luciano? Proponham aos dois Fábio Luciano/Parreira.

Isso, claro, se alguém por lá realmente se importa com essas besteiras de "estrutura" de que a gente tanto fala aqui. Se não, se é só pra trazer um treinador acreditando nessa de levar este time aí à Libertadores este ano no esquema de trabalho de sempre, aí sei lá. Não tenho nenhuma sugestão pra dar com convicção.

Como já falei, pode ser até eu.


• ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo.

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