segunda-feira, 19 de março de 2012

Mais do Mesmo

O que dizer sobre o placar mínimo de Flamengo 1 x 0 Fribuguense? Que está de bom tamanho, por todo o contexto (desfalques, escalação e gestão) e também pelos três pontos. E só, pois criticar o time só tornará o nosso cotidiano ainda mais clichê, haja vista que o embasamento engloba um treinador burro, mas que é sortudo, jogadores tidos como promessas, mas que não vingam, e que o foco é a Libertadores, mas que o time parece não levar a sério esta competição.


Tirando tudo isso, tentando ao menos sair do senso comum, da para se constatar que Léo Moura, hoje, faz uma falta absurda, e que Negueba e Diego Maurício não parecem mesmo ser da linhagem “craque o Flamengo faz em casa”. Pronto, virou clichê novamente!

Bom, mas fora isso, é aquilo mesmo, o Flamengo - em frangalhos - seguindo na maior onda do vâmo-que-vâmo, e parte da torcida – em crise emocional - acreditando que a solução para a inflação é um pinguço. Haja saco pra esse mimimi sobre AAdriano! E olha que ainda nem chegamos à metade do ano...

Ah, mas bom mesmo é queimar a língua e ver que o Kléberson ressuscitou. E eu estou torcendo demais para que o Penta seja, em 2012, o que o Petkovic foi em 2009. São Judas, olhai por nós!


Bruno Cazonatti

domingo, 18 de março de 2012


FLAMENGÔMETRO nº 113
OS DEUSES DEVEM ESTAR LOUCOS

Há muito tempo que um jogo não me deixava tão transtornado como este fatídico jogo contra o Olímpia. Parecia até que o Flamengo tinha sido goleado, ou perdido um título importante. Mas mesmo toda raiva e frustação não vai mudar minha opinião básica sobre o resultado: uma fatalidade, uma triste fatalidade. Se os Deuses do Futebol existem, eles parecem não gostar mais do Flamengo. Poderia ser uma vingança metafísica pelo fato do Flamengo não produzir mais Zicos, Rondinellis e Adílios, mas mesmo naquela Era de Ouro, os tais Deuses do Futebol - se é que eles existem - já eram cruéis conosco. Estes Deuses caprichosos já forjavam Anapolinas, Serranos, Márcios Nunes e Cocadas. Estes mesmos Deuses cruéis deixaram Zico ter sua carreira abreviada em 1985, e permitiram aquele pênalti perdido em 1986. Estúpidas divindades que em Sarriá sepultaram o sonho de uma Copa do Mundo, e que encheram de glórias tantos jogadores medíocres. Mas nos últimos anos, eles têm se superado.
O Flamengo entrou com a melhor escalação possível, considerando as limitações de inscrição e tantos desfalques.Começou meio sonolento e burocrático, como de costume, mas a partir do gol foi melhorando, até chegar aos 3x0 fácil, e com plenas chances de aumentar ainda mais a vantagem. O time fluia bem, aí veio aquela faltinha na risca da área, quase pênalti. O mesmo juiz que não viu um pênalti no Love no primeiro tempo, que assistiu ao time paraguaio bater o tempo todo sem fazer nada, deixando de dar segundos amarelos que expulsariam alguns dos botinudos, deixando até mesmo de expulsar o goleiro ao fazer o pênalti (se ele não é o "último homem", eu não entendo mais de geometria, ou então a ciência euclidiana não se aplica mais ao rude esporte bretão), este impoluto e impávido homem de preto, inventou uma falta inexistente. A partir daí então começou uma sequência enlouquecida de finalizações de precisão milimétrica em cirúrgica. Não sabia que haviam tantos Messis no Paraguai, ainda que um deles fosse primo do melhor jogador do mundo. Também não gostei da entrada do Negueba, mas convenhamos que isso não é motivo para o time tomar 3 gols em 10 minutos. Não entendo esta fixação do Joel pelo sujeito, já que o esquálido atleta não fez nenhum gol decisivo e nem foi responsável por vitórias decisivas, nem pelo quesito de superstição isso se explica. Por isso, não culpo ninguém, nem Joel, nem jogador A ou B. O que aconteceu foi mais dos eventos bizarros que sempre assombram o futebol: uma combinação improvável de acertos e erros, de sorte e azar. Não adianta comparar com os 3x0 do América do México, com o 4x2 para Grêmio e Sport, ou com outros apagões que nos vitimaram. O time estava muito bem até que todas as bolas chutadas começaram a entrar. Lamentável e inexplicável. Só espero que o resultado amargo não sirva como desculpa para Joel barrar jogadores que foram bem, e voltar a seu esqueminha medíocre de 8 volantes. Joel, o time é esse, vamos seguir com ele, para que as qualidades se aprimorem e os defeitos sejam consertados. Em campo, com treinamento, esforço e acima de tudo, coragem.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Atendendo a pedidos, toma o empate!

 *Por Marcellinha


Poderia falar muito sobre o jogo de ontem. Jogo bom, time bem montado, entrosado e com sintonia. Vimos um grupo jogando com a raça e vontade. Bons passes e jogadas. Um jeito Flamengo de ser. Mas o que era pra ser festa e espetáculo terminou em silêncio.

E fica a pergunta: o que aconteceu?

Como não quero ser tachada de corneta, limito minhas palavras ao time apenas no que tange os bons momentos do jogo. Não quero encontrar culpados. Longe de mim decretar caça as bruxas. Não vamos dizer que porque o Negueba entrou o mundo caiu. Não posso atribuir a uma única pessoa o que 11 em campo deixaram acontecer. Pois ontem, depois de muito tempo, atuaram como equipe.

Agora uma coisa é certa: muito cuidado com o que desejas. Torcida que por Adriano clama com empate será contemplada. Esse assunto Adriano já ta virando falta de respeito. Torcida colocar o cara acima de uma competição como Libertadores? Que torcida é essa? Encher um estádio pra exaltar um jogador que no momento não tem nada a fazer pelo flamengo?

E aqueles que ali estavam? Aqueles que fizeram o espetáculo, que lhes proporcionaram gritos de gol, eles eram os personagens principais que, diante de bandeiras e gritos por Adriano, tornaram-se meros figurantes.

É. Assim fica difícil. O resgate de valores que tanto direciono, que é um dever de casa para a diretoria do clube, pode estender à torcida Rubro Negra. Que, depois do que presenciei ontem, digo com toda certeza que nada mais é que reflexo da gestão Amorim de ser.

Eu faço parte dessa nação, mas sou dona dos meus princípios e opiniões. Eu apoio e incentivo quem veste o manto com respeito, quem me retribui com gol, quem ostenta meu deboche.

Não levanto bandeira pra quem precisa muito mais do Flamengo do que o inverso.

Eu sou aquela mesma pessoa que aplaudiu Adriano. Que torceu e muito vibrou. Mas no momento em que ele mereceu minha dedicação, hoje quem merece é quem ta lá em campo dando conta do recado. Se ele voltar (o que já é fato consumado) quem sabe agarre a oportunidade de novamente ser um ícone Rubro Negro.

Por ora, ele nem merece mais meus comentários.

Vamos mudar de assunto?

Cella
#NadaImportaSemOFlamengo
@MarcellinhaRJ

quinta-feira, 15 de março de 2012


FLAMENGÔMETRO nº 112
NEM JEKYLL NEM HYDE

Deixemos de lado a discussão sobre as fases de Adriano, se teremos o nosso grande Imperador Artilheiro de novo, ou se apenas a volta do Pisador de Lâmpadas. O FOCO É A LIBERTADORES, com o Olímpia mais uma vez em nosso caminho. "Até a vitória, sempre",  como diriam Che Guevara e Cláudio Coutinho.

That´s the spirit

Não quero saber de espetáculo.

Tampouco de jogada de letra ou firula.

Quero os 3 pontos, que são a real necessidade de qualquer jogo numa Libertadores.

Show tem que dar a torcida. Show de união, de apoio, de casamento com o time. Com TODO O TIME.

Eu quero a Libertadores. É o título que quero. Que o Flamengo precisa.

E aí, vai casar ou vai gralhar? Vai apoiar ou vai implicar.

A escolha é sua. 

E nada mais digo. 

Eu no twitter: @alextriplex

quarta-feira, 14 de março de 2012

Chatubão Reloaded?

Na semana em que foco deveria ser o jogo desta quinta-feira, contra os paraguaios (para quê?) do Olímpia, o rebuliço da flamengada nas redes sociais – e dos coleguinhas de imprensa – é sobre a estapafúrdia volta de Adriano. Haja paciência! Os informes midiáticos começaram a bombardear notícias enfadonhas que afirmam que o Impera pode voltar ao Mais Querido, após pífia e descompromissada passagem pelo time sem-Libertadores. Fala sério, né? Vão dizer que ele novamente está infeliz? Ora bolas, vai se tratar com especialista porque o Flamengo não é consultório psiquiátrico!


Agradeço por tudo o que ele fez em 2009, mas hoje não acho que o atacante é o cara ideal para voltar ao Flamengo. Mesmo se houver contrato com cláusulas específicas sobre disciplina, não se pode arriscar com quem rasga dinheiro por aventuras etílicas e rabos-de-saia. E nem se o salário dele for pago com bebida e meretrizes. Eu sei que ele poderia nos render um baita patrocínio master, quem sabe do Barra Music, da casa de entretenimento adulto 4x4 e até mesmo da Furacão 2000 no baile do Chatubão. Mas, apesar de ser reduto da tia Patrícia, o Flamengo não pode virar uma espécie de casa da Mãe Joana.

Adriano de hoje está longe de ser aquele Imperador. Se ele fez o que fez num clube que tinha fiscalização até sobre os seus peidos, imagine por aqui, onde churrasco e pagode parecem rolar soltos na concentração? Será que ele viria "recuperar a sua felicidade" de graça? Sim, pois já que se diz muito Flamengo, é cria da Gávea e só fica alegrinho debaixo das asas do urubu, então vem no amor que eu quero ver.

Ué, mas não foi esse mesmo jogador - que se diz rubro-negro até a última gota de pinga -, que abandonou o time em 2010, quando partiu para o Roma? Pois é, aquele mesmo cara que largou tudo após o Hexa, abriu mão do Tetra Estadual e jogou uma Libertadores à moda c@r#lho...
Não gostaria de ver um Flamengo novamente à base do vâmo-que-vâmo. Até hoje há dívidas com São Judas e não podemos contar sempre com a sorte, ou com um Engov antes e depois de uma ressaca. Pois é nítido que há muito tempo Adriano não leva mais o futebol a sério. Não é hora de o Flamengo atrair mais problemas. Senão, correremos o risco de jogarmos campeonatos ao léu por conta de Chatubas e gostosas mulheres-frutas amarradas em árvore. Espero que o ex-Imperador vá balançar seu cuscuz em outros bailes, bem longe da Gávea!



 Ih..., mas se não tiver Baccardi.
                                               Ou licor de maracujá.
Tequila, rum ou caipirinha.
O AAdriano não vai voltar... 
Bruno Cazonatti

terça-feira, 13 de março de 2012

Calúnia do Rúbio Negrão


Sob a chancela do Balão da Informática, a logística mais rápida que o Rubens Barrichello, está no ar a nova Calúnia do Rúúúúúbio... Negrão! [APLAUSOS]
  
A coisa anda feia no Mengão, e o andar não se refere à velocidade do Kleberson, e a feiura, à simetria do Ronaldinho. Nossos jogadores estão caindo feito moscas, e não bastasse a cura da febre de volantes que acomete o Joel ainda não ter sido descoberta, a doença ainda se agravou em razão de uma crise de abstinência causada pela perda de dois dos nossos mais dedicados marcadores, Airton e Willians.

A bem da verdade, que no Brasil às vezes também é dita, apesar do Joel ser um baita retranqueiro, não é o primeiro nem o melhor, e nem sei se almeja tanto. Daí que podia, em vez de volantes, adotar “voltantes”, ou seja, jogadores com características um pouco mais ofensivas, que vão e voltem. Ou que voltem, mas vão.

Porque se o Joel, com toda aquela altura e todo aquele peso tiver medo de Emeleques e Resendes da vida, o Negueba nem devia mais sair de casa.

O que me leva a crer que aquilo que parece simples na prancheta, se mostra mais complicado na vida real. Foi-se a era dos craques, depois a dos bons jogadores, e até a dos tecnicamente limitados. Estamos no limiar de um novo tempo, o dos jogadores intelectualmente limitados, que venderam o Tico pra pagar o Teco, que só sabem ir, ou somente voltar. E, diga-se de passagem, ambas as coisas muito mal e porcamente feitas.

Então surge a pergunta que, já no meado de março, precisa ser respondida: o que esperar em 2012? Pra mim, o fim do ano. Esperar as eleições rubro-negras. Esperar que o mundo realmente acabe. Esperar que escapemos da Série B. Sendo mais ambicioso, esperar até que o Flamengo consiga revelar um ou dois garotos bons de bola no time de cima.

Digo isso com a experiência de quem já comeu pizzas de micro-ondas num rodízio que prometia 35 sabores de redondinhas, e ainda descobriu mais tarde que a tal pizzaria considerava “com sal” um deles.

Direi mais, desta vez com a vivência adquirida em jogos ao vivo do Flamengo diante da minha fidelíssima TV: o time atual tanto pode “encaixar” e ir longe, como pode sofrer uma pane apocalíptica, finalizando de vez o estrago no que restou da Gávea.

Porém, ao menos para mim há algo de positivo no caos e no drama, nem que seja o humor que deles emana. Tragédias são funestas, mas mesmo elas têm seu lado sarcástico. Confesso que há momentos em que chego a lamentar não ser botafoguense!

Mesmo assim, material não me tem faltado, e me chega numa abundância maior do que a do Adriano. Cá pra nós, eu bem que preferiria a aridez criativa de uma goleada retumbante do Mengão sobre o Barcelona de Messi e companhia às piadas prontas e tristes que leio diariamente na tela do meu 386 usado. Mas, fazer o quê? 

Antes que me acusem de masoquista, esclareço que sou daqueles que creem no humor que ri de si mesmo. Então, como eu sou Flamengo, rio do Flamengo, que sou eu. Sei que para muitos não é fácil perder do possante Ceará e reagir gozando as tranças do Negueba, mas para outros, chega a ser um baita consolo.

“Ah”, perguntar-me-ão alguns leitores, “mas e contra o Fluminense?”. E eu responderei-lhes-ão-os: de forma alguma tento diminuir a vitória maiúscula sobre o Tricolor da Série C, e até discordo dos que dizem que os das Laranjeiras jogaram de salto alto. Aquilo lá foi, no máximo, um saltinho anabela. Agora, meus senhores alguns leitores, vocês também hão de admitir a partida contra o Fluminense foi atípica, como reza a nossa nova rotina: um jogo atípico, seis jogos apáticos, um jogo atípico, cinco apáticos...

Mas para que não digam que além de vagabundo sou chato e pessimista, tomarei a liberdade de também dar uma sugestão construtiva: para que os times do Flamengo voltem a ser ofensivos, é imperativo (imperativo”, e não imperador!) fixar o teto salarial do treinador em dois salários-mínimos, para que nunca mais nenhum técnico tenha medo de perder o emprego.


Duplex Toc Zen

1 - Agora, sim!: Contra o FluminenC, o Joel fez muito bem em ter poupado o nosso time reserva.

2 - A tecnologia usada no uniforme do Fluminense foi além do dry fit: As três cores da camisa aparentam ser 20!

3 - E o Kleberson finalmente voltou à ativa: Ativa que, na verdade, é um repouso turbinado.

4 - Contra o Fluminense não valeu a máxima Ronaldinho e mais dez: Foram Dez menos Ronaldinho.

5 - “Em dia de mar agitado, bombeiros resgatam mais de 200 banhistas no RJ”: Agora a mídia vai dizer que a culpa é da bruxa que está à solta na Gávea.

6 - Bruxa à solta: Primeiro, descobriram que o Renato tinha arritmia cardíaca. E agora, que o Negueba tem disritmia cerebral.

7 - Só pode ser: O Negueba é tão ruim, mas tão ruim, que o Joel só o adotou porque pensou que o garoto fosse um volante brucutu.

8 - Dupla Deivid-Love: “Paz e Amor”.

9 - Ronaldinho solo: “Acabou o Amor”.

171 - Ricardo Teixeira não largou o osso: Largou foi um filé-mignon.


11 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

Sou radicalmente contra qualquer tipo de merchan. Por isso, só vão ao Bob's comer Big Bob e beber Coca-Cola se quiserem.

Seria politicamente correto eu pedir pro pivete aqui do meu lado no boteco tirar a mão do meu bolso?

A investigadora motoqueira do filme "Os Homens que Não Amavam as Mulheres" até que é bonitinha de capacete. Capacete fechado, claro.

Parei com o Joel, e nem precisei de 4 volantes ou 3 zagueiros.

"Estudante iraquiano é apedrejado até a morte por ser considerado 'emo'." No Brasil, teria ficado rico e famoso.

Neste Fla 2x0 Flu, o Joel deu ao Abel uma aula de como jogar com 3 volantes.

Adoro usar meu Word com aquela barra vermelha lá no alto, onde se lê "Falha na Ativação do Produto". #ChupaBillGates

A vitória do Flamengo sobre o Fluminense equivaleu à vitória da combalida Saúde Pública sobre os poderosos (e impiedosos) convênios.

O Adriano tem que voltar com um contrato de produtividade que o obrigue a produzir POUCAS lambanças. #Voltaimperador

#Voltaimperador a ser aquele atacante da Inter!

Adriano está no nível do Pelé porque ambos deixaram de disputar uma Copa do Mundo por serem contra o regime. #Voltaimperador

E mesmo sem nada mais fazer, ainda tô mais fininho que o Adriano.

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos. Eis que estou de volta ao blog, após meses de afastamento forçosamente voluntário (se é que isso existe). É que nasceu Alice, minha pequena rubro-negra, e a experiência de “pai de primeira viagem” me absorveu deliciosa e intensamente nesse período. Mas, entre mamadeiras, fraldas, choros e chupetas, pude seguir acompanhando o conturbado início da temporada do Flamengo. Tivemos Ronaldinho e Luxemburgo num atrasado e anunciado “revival” do choque Romário-Luxa de 1995 (aliás, com resultado e efeito parecidos), vivemos o retorno do “Papai Joel” e suas práticas bem sucedidas, posto que medíocres, o acaso começando a forjar um time que, se conseguir passar incólume por alguns momentos cruciais, tem tudo para deslanchar.

Aí aparece o Adriano.

Cogitado para retornar ao rubro-negro após ser enxotado pela enésima vez de um elenco, por conta de seu comportamento agudamente antiprofissional, o Imperador parece vislumbrar, dessa vez, as portas entreabertas por uma diretoria particularmente sensível à voz rouca das ruas, especialmente em um ano cuja temperatura eleitoral deverá beirar o inflamável.
E seria uma boa?

Adriano é um sujeito movido a estímulos, a impulsos, e reage intensamente ao ambiente que o acolhe ou rejeita. Isso foi muito claro em 2009, quando, extremamente motivado pelo retorno ao Flamengo, engatou atuações excelentes, mesmo gordo e fora de forma (estreia contra o Atlético-PR e a goleada sobre o Internacional). Depois começou a cair na rotina e já atuava como um jogador comum quando Dunga acenou-lhe com uma chance real de disputar a Copa do Mundo, ser grande, renascer como Ronaldo em 2002. Os conselhos e esporros do treinador resmungão pareceram funcionar, e Adriano atuou de forma deslumbrante na maior parte do returno daquele Brasileiro (a imagem do “hulk” contra o Coritiba, a atuação de gala no Fla-Flu ainda cintilam na memória e nos corações dos torcedores).

Mas na reta final o Imperador novamente começava a sucumbir ao seu estilo de vida desregrado e pouco dedicado. Mesmo com o time às portas de uma conquista tão vorazmente ansiada pela Nação, Adriano voltou à rotina de faltar a treinamentos, às saídas noturnas, à “busca pela felicidade”. O rendimento voltou a cair. Mas, diferenciado, o Imperador ainda era decisivo, como o foi no Engenhão, no Mineirão, nos Aflitos. Só que, no momento final, nos últimos jogos que exigiram intensidade máxima, um estranho incidente com lâmpadas (motos?) o afastou do time. Queimado, inchado, lacerado, quase indiferente, Adriano viu o time se superar contra o Corinthians e atuou visivelmente sem condições de jogo na grande final contra o Grêmio. O hexa chegou, e Adriano foi fundamental para sua conquista. Mas ao seu modo, e por conta de empurrões providenciais em momentos-chave.

Veio 2010, e o Imperador, já enfastiado e campeão, resolve “ser feliz”. Larga de vez o mínimo de profissionalismo que ainda mantinha, envolve-se em confusões com amantes, traficantes, amizades estranhas. Segue metendo gols, trucida o Fluminense em sua última atuação de gala, forma com Wagner Love um ataque badalado e perigoso, aposta para a Libertadores que é esfarelada pelos sucessivos escândalos imperiais. Adriano chega a ser afastado do time antes de partidas pela mais importante competição do ano, por não reunir a mínima condição de entrar em campo. Começa a se tornar decisivo da forma errada. Perde um pênalti na Final da Taça Rio contra o Botafogo e sua relação com a torcida já não é mais a mesma.

E, já aporrinhado das fofocas, das “pessoas ruins”, da perseguição da imprensa (que vê notícia em seu corpanzil), das vaias que já começam a aparecer e sem qualquer motivação para seguir sua rotina carioca, Adriano aceita retornar à Itália e tentar ser feliz onde era infeliz um ano antes. Seleção? Vai para a lata do lixo, junto com a última oportunidade de atuar em alto nível.

Na Roma e no Corinthians, sua trajetória é atrapalhada por contusões e confusões extracampo. As lesões exigem-lhe dedicação, perseverança. Mas Adriano não funciona a longo prazo, o Imperador quer ser feliz, quer viver o momento, quer carinho mas não quer sacrifício.

Trazer Adriano agora, do ponto de vista meramente gerencial, seria uma temeridade. Trata-se de um jogador extremamente problemático, que só funciona (quando funciona) a curto prazo, coisa de seis meses no máximo (mais ou menos como ocorreu em 2009). Além disso, a administração do elenco já tem sido complicada, o grupo de jogadores acaba de vencer uma queda-de-braço com o disciplinador Luxemburgo. O expoente do time, Ronaldinho, é um jogador que também já não parece muito a fim de viver os sacrifícios de uma carreira de jogador de bola. Trazer o Adriano agora seria passar ao elenco a mensagem de que a diretoria segue disposta a abrir mão de certas práticas. É a famosa gestão “deixa que a gente se garante em campo”, que também não costuma dar muito resultado a longo prazo. (Alguém lembrou 2010 de novo?)

Isso num momento em que, após 20 anos, enfim o Flamengo parece estar revelando uma base sólida e consistente de jogadores. Garotos começam a se assumir titulares e em breve poderão ser a referência e a espinha dorsal de uma equipe que poderá resgatar suas tradições, seus valores. Acompanhar os maiores ídolos faltando a treinos, derrubando treinadores e afundando-se em baladas variadas não parece ser a melhor forma de se forjar uma mentalidade vencedora e competitiva.

Finalmente, há um time em formação. Onde o Imperador se encaixaria? Lembrando que somente agora, com a entrada de jovens como Muralha e L.Antônio, o time parece procurar o caminho para se livrar do ranço e da lentidão de seu jogo. Ronaldinho e Adriano juntos? Vai funcionar? E o Love? Lembrando que o Andrade não conseguiu, em nenhum momento, montar o time com Adriano, Love e Pet em 2010 (depois, nem sem o Pet).

Finalizo com um link para esse post aqui.

São trajetórias que, infelizmente, parecem convergir a cada dia.

Portas abertas, vírgula. Mete um interfone aí.

Adriano jogou muita bola em 2009. Numa engenhosa artimanha de Kléber Leite, Gilmar Rinaldi e o próprio jogador, a Inter de Milão acreditou mesmo que Adriano estava deprimido e liberou o cara. A depressão curou rápido e ele foi o artilheiro do Brasileiro. Voltou para a Itália e ficou deprimido de novo. Mas isso em 2010. Ele jogou bem em 2010?


Foi dito no post anterior que Adriano fez 15 gols em 18 jogos e feita uma comparação com Love. Detalhe não lembrado: Adriano era quem batia os pênaltis, não Love. Outro detalhe, Adriano pediu para ficar fora de dois jogos a fim de se preparar para o clássico decisivo contra o Botafogo. O que ele fez? Perdeu um pênalti, não jogou nada e o time foi eliminado. Nos demais jogos, era figura estática em campo. E faltou mencionar que 10 dos 15 foram no Estadual.

Não quero desmerecer o post, por favor a ideia não é essa. Opinião todos temos e principalmente o direito de expressá-las. Mas as discordâncias existem. Só não quero que pensem que eu estou tentando sobrepujar o post anterior ou desclassificá-lo. É só uma opinião contrária para debatermos.

Dito isso, segue.

Em 2009, Adriano tinha o que para tentar uma volta por cima? Além de jogar no Flamengo, ele era atacante da seleção de Dunga. O técnico realmente apostava no cara para a Copa do ano seguinte. Em forma, era capaz de barrar até Luis Fabiano. E depois de uma semana de treinos na Granja Comary, voltou voando e ajudou demais o Flamengo. Copa do Mundo, saca?

Em 2012 temos o que? Um Adriano tentando provar que sua passagem pelo Corinthians foi um engano e que os caras lá erraram em dispensá-lo? Mas isso já era dito em 2011. O Corinthians errou em mantê-lo este ano. Um salário caro para um jogador amigo dos demais até certo ponto. Ninguém iria correr por ele eternamente, ainda mais após um título conquistado sem ele. O tal gol contra o Atlético acabou sendo mais um, pois seriam campeões da mesma forma.

Lá fora ninguém o quer. No Brasil, dificilmente teria vaga em algum time com um dirigente minimamente esperto. Talvez se alguém realmente acreditasse que ele fosse se curar em Minas ou Porto Alegre, tá vai lá tentar. O caminho natural para ele é o Flamengo. Mas será que é para o Flamengo o melhor caminho?

De que um atacante visivelmente acima do peso e com outros problemas que ninguém tem coragem de explanar pode ajudar agora? O que queremos? Um filme dramático onde um jogador se arrasta em campo ao som de Carruagens de Fogo enquanto a torcida chora e grita "vamos lá, campeão! Você consegue!"? Ou queremos ganhar uma Libertadores da América?

Queremos um jogador que apareça constantemente em notícias e fofocas, verdadeiras ou não, sempre sob o escudo esfarrapado de "ele é solteiro e o que faz da vida não importa" ou "quero jogador para meter gol, não para matar casar com a minha filha"? Ou queremos ganhar uma Libertadores da América?

Lembram 2009, mas lembremos 2010 e como ele faltou a um treino que definiria sua ida para a Copa. Treino, não jogo. Era só treinar e carimbar o passaporte. E ele não foi. Lembremos de 2010, que ele não treinou, não jogou, não fez nada nem no Fla nem na Itália. E ele não estava deprimido. Se dizia feliz e foi embora porque quis. Teoricamente estava com a cabeça no lugar.

E lembro 2012. Adriano sumindo de treinos, se arrastando em campo quando raramente jogou e passando vergonha. As pessoas começaram a sentir pena dele. É um caso claro de uma pessoa que precisa de ajuda. Não de um contrato de risco que já foi oferecido "n" vezes e nunca serviu para nada. De dinheiro ele está bem servido.

Portanto, tenho uma sugestão. Se Adriano quer ir para o Flamengo, e o Flamengo quiser ajudar, então que abra as portas da Gávea e do Ninho para ele treinar separado. Fica lá, leva o próprio staff e vai treinando. O Flamengo vai observando, buscando informações e acompanhando o dia a dia, mas sem incluir o cara no grupo por muito tempo. Lógico que os jogadores conversarão entre si, mas sem participar de coletivo, treinos, concentrações e preleições. Adriano fica à parte, não participa e não recebe, só se recuperando. Alguns minutos diários de convivência e olhe lá.

Com o tempo, vai se avaliando o progresso, se houver. Bota para treinar com juniores um pouco, mas não muito para não contaminar a garotada com ideias mirabolantes de noitadas, e vai sentindo o cara. Os próprios jogadores que são amigos dele tentarão ajudar (acho) para vê-lo na equipe. Lembrando: sem pagar. O Flamengo abre as portas e Adriano tenta se recuperar como achar melhor.

Se em algum momento julgarem que ele pode ser útil, aí sim ofereçam um contrato com todas as cláusulas necessárias. E se ele quiser fazer como o Ronaldo e ir para outro lugar - o que duvido - que vá. Mas desta forma, o Flamengo não sacrifica sua Libertadores. Adriano não serve para jogar hoje e a competição acaba daqui três meses e pouco. Simplesmente não dá.

Lógico que teremos parte da torcida comentendo aquela burrice de pressionar o time enquanto ele estiver treinando. Mas isso já acontecerá no próximo jogo, se não for contratado até lá. Acontece que o Flamengo não pode pensar com a cabeça do torcedor.

Um Adriano em forma pode ser muito útil para o hepta. Mas "em forma" é muito mais do que fazer gol. Tem muito mais por trás. Lembrem daquele negócio de "quero jogador para meter gol, não para casar com a minha filha". Tem um preso que era bem dessa turma.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Portas abertas para o Imperador



*O Blog da FlamengoNet tem como uma de suas premissas a pluralidade de opiniões. Nosso dever é criar a discussão, a polêmica e, why not, soluções. O texto abaixo é de autoria de Rodrigo Rötzsch, amigo da casa, e favorável à volta de Adriano para o Flamengo.

Antes de mais nada, uma pequena introdução sobre o autor deste texto.  Não tenho qualquer ligação com nenhuma torcida organizada ou movimento pró-Adriano nem qualquer simpatia pela gestão Patricia Amorim. Sou apenas um torcedor rubro-negro de quase 30 anos que viveu no dia de 6 de dezembro de 2009 o seu momento de maior felicidade na relação com o Clube de Regatas do Flamengo e atribui grande responsabilidade por essa felicidade a Adriano Leite Ribeiro, também conhecido como Imperador.

Primeiro, é forçoso reconhecer que Adriano é um jogador para lá de problemático. É óbvio que suas passagens pela Roma e pelo Corinthians foram fracassos retumbantes. É patente que ele se esforçou muito menos do que deveria para reverter essa situação.

E aí chegamos ao meu primeiro argumento: não devemos julgar o Adriano pelo que ele fez ou deixou de fazer em outros clubes. Por esse critério, ele jamais deveria ter sido contratado em 2009. O Adriano que nós aceitamos era um Adriano, que, lembremos, tinha fugido da seleção e desistido do futebol. Antes mesmo dessa desistência, já havia sido eleito duas vezes, em 2006 e 2007, o Bidone D’Oro, ou pior jogador da Série A do Campeonato Italiano. Racionalmente, não havia nenhum motivo para a sua contratação. Então para os que dizem que o Adriano de 2012 está longe do Adriano de 2009, eu respondo que o Adriano de 2009 também estava longe do seu auge, e nem por isso deixamos de contratá-lo, e nem por isso deixou de dar certo.

Os detratores de Adriano citam ainda um suposto fracasso no ano de 2010 como argumento contra sua volta ao clube. Mas esse suposto fracasso não resiste a uma análise mais detalhada. Vagner Love, recentemente exaltado em seu regresso, tinha como principal cartel seu retrospecto de 23 gols em 29 partidas de 2010, o que dá uma média de 0,79. Pois bem: Adriano, no mesmo período, marcou 15 gols em 18 partidas, ou 0,83 de média. Ou seja: superior ao fantástico desempenho de Love, mas visto como um fracasso. Isso sem contar que boa parte desses gols foram marcados em clássicos locais e em 3 dos 4 confrontos decisivos na Libertadores. O Flamengo fracassou na Libertadores apesar de contar com Adriano, e não por causa disso.

É claro que há um grande risco de a contratação de Adriano dar errado. Mas aí é que eu faço a pergunta: e se der errado? Será apenas mais uma aposta errada entre tantas que fizemos, o clube não irá acabar por causa disso, nem nossa dívida se tornará mais impagável do que já é. É um risco? É. Mas se der tão certo quanto em 2009, não terá valido a pena corrê-lo?

Claro que o ideal seria que Adriano firmasse o chamado contrato de risco, ou de produtividade, recebendo só se jogasse um número x de partidas e fizesse um número y de gols. Também seria melhor se ele não recebesse um salário astronômico. Não há como não concordar com essas premissas, e creio que isso é perfeitamente negociável.

Acho que ao fechar as portas terminantemente para Adriano, a torcida incorre no mesmo erro do qual acusamos a presidente Patricia Amorim: maltrata seus ídolos. Não dar uma chance para Adriano, para mim, é atitude na mesma linha de expor Zico a uma investigação comandada pelo Capitão Léo e deixá-lo sair do clube, demitir Andrade por não ganhar um Campeonato Estadual ou encostar Pet por seis meses treinando separado na Gávea antes do jogo de despedida.

Adriano precisa de uma segunda chance. Vocês dirão que ele já teve até bem mais de duas. Não no Flamengo. No ano passado, o Flamengo lhe negou a segunda chance. É hora de corrigir o erro.

Afinal, como disse um jornalista rubro-negro no Twitter nesta tarde, “ele nasceu ali, gosta dali e jamais foi feliz em outro lugar”. Nem nós fomos tão felizes recentemente quanto em 6 de dezembro de 2009.

Rodrigo Rötzsch, 29, é jornalista e rubro-negro