domingo, 31 de janeiro de 2010

Triplex Top Ten


1 - Mengão Fuderosão Picoso das Galáxias: peço licença ao meu amigo Arthur Muhlemberg para parafraseá-lo no tópico 1. Ao fim do primeiro tempo, o desânimo era inevitável. Mas Andrade surpreendeu com 2 mudanças que mudaram a cara do jogo, principalmente pelo "ponta-direita" escalado pra segurar o fraco (e notem: Não deu certo no Flamengo. Sucesso no goiás?? Pela madrugada, que desvio de valores dessa imprensa) Julio Cesar, que jogara o primeiro tempo indo e vindo quando bem entendia. Vinicius Pacheco esculachou com todo mundo, e de seus pés nasceram os gols da virada.

2 - Só Love: Segundo tempo, e eu - me corrijam se estiver errado - ouvi o Garotinho dizendo que o nosso artilheiro furador de defesas bambis estava ajudando na defesa. Enfim, Vagner Love rima com comprometimento, com motivação, com gol. E a vibração do cara mostra que ele veio pra colaborar como manda a cartilha oficial dos Rubro-Negros legítimos.

3 - Defesa: A parada é simples. Uma defesa com proteção não falha. E se falha, tem ali um volante pra ajudar. A perda de Aírton e Maldonado - o segundo temporariamente - diminuiu a qualidade dessa proteção. Até arrumar a casa, vai ser esse balança mas não cai. Mas...com Adriano e Love lá na frente, pode tomar 4 que fazemos 6. Os bambis cariocas que o digam.

4 - O jogo só termina quando acaba: Flamengo dixit.

5 - Vinícius Pacheco: Alguns jogadores do Flamengo tem essa síndrome. Sobem cedo da base, e quando pegam o Manto numa encrenca tremem. VP não foi diferente. Subiram com o garoto, e ele não mostrou seu valor. Viajou, pagou seus pecados, e voltou. Escalado nos primeiros jogos, conto nos dedos quem falou o "agora, vai". Independente disso, ele foi. Foi em direção ao gol adversário e mostrou que podemos contar com ele pro que der e vier. Mudou a cara do jogo, e isso é importantíssimo num ano de Libertadores e Carioca ao mesmo tempo.

6 - Hexagerado: Comprei o livro na sexta. É, é verdade. Achei o Hexagerado numa livraria de Curitiba. Aliás, a Alice achou. Como vocês sabem, ela é fãzaça do Arthur.E começou a gritar na porta da livraria. Fiz meu papel de pai e de rubro-negro. Li ontem. E, réu confesso, me emocionei pra caralho na reta final do livro, quando o título se aproximava. Quem não comprou ainda tá dando mole. Muito mole. Sem querer bancar o jabazeiro, R$ 29,90 tá de graça. Parabéns e obrigado, meu irmão de fé Arthur.

7 - Resing e Zico: Réu confesso de novo. Quando o cara bancava a mãe Dinah nos jogos do grêmio, além de me irritar eu me irritava. Se é que vocês me entendem. Mas, ao ver que o cara realmente era bom, comecei a seguir as reportagens dele. Anunciada durante a semana inteira, a entrevista com Zico foi realmente muito bacana. E é sempre bom ver gols e ouvir as histórias de Deus. Resta saber se o tal convite será feito. Eu torço pra que ELE trabalhe na gestão da Patrícia. Em que lugar? Ah, craque tem vaga em qualquer lugar, só entreguem a camisa pra ele e o resto é o resto.

8 - Fé: Este Top Ten é dedicado ao meu amigo André Dória , que passa por um momento crítico de doença com seu pai. Força aí, amigo, conte comigo pro que precisar.

9 - A Magnética: Sério, essa TORCIDINHA DESVAIRADA dos bambis cariocas acha que pode alguma coisa contra a gente? Em Curitiba, via internet, pela Rádio Globo, eu senti o Maraca tremer. E, acredito eu, o Maraca não foi o único. A arcoirizada deve ter tido espasmos seguidos de diarreia. O Fuderosão chegou, e a Magnética veio no vácuo.

10 - Adriano: 10.

E nada mais digo.

Alex do Triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

Flamengo Fuderosão Picudo das Galáxias x fru


Comente aqui o jogo.


sexta-feira, 29 de janeiro de 2010



EMBAIXADAS DA NAÇÃO – O FLAMENGO ONDE VOCE ESTIVER
Por Vinicius Nagem

Amigos do Blog da FlamengoNet,

Se você está gostando de acompanhar as histórias das Embaixadas da Nação, leia também nosso blog no site oficial do Flamengo denominado VOZ DAS EMBAIXADAS, com noticias atualizadas sobre elas. Acesse http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=6
Entre na comunidade no Orkut destinada aos apreciadores do blog VOZ DAS EMBAIXADAS http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96624271
Contamos com a presença dos amigos em ambos os espaços virtuais.
Essa décima terceira Embaixada que contará a sua história aqui no Blog é a Fla Fortal, localizada na linda Fortaleza. Muita energia, calor humano e fraternidade são as marcas desse povo hospitaleiro, que sabe conquistar e tratar os visitantes como ninguém. A bola está com vocês, FLA FORTAL.

FLAFORTAL – AQUI O SOL BRILHA 365 DIAS AO ANO
Thaís Araújo – Integrante da FLA FORTAL


Éramos 5. Logo nos tornamos 10. Pouco tempo depois chegamos a 20. Algumas semanas se passaram e, de repente, éramos 100, 200, 400, 800... “CHEGA! Fechem as portas! Não cabe mais ninguém!” – disse o dono do restaurante, reduto da Embaixada Fla Fortal. Era um domingo de consolidação. Final do Campeonato Carioca de 2008. Um domingo em que havia sido cravada na terra de Iracema a bandeira rubro negra. E deu outra? Flamengo campeão.
Assim como nosso clube do coração, a Fla Fortal começou com jovens sonhadores, idealizadores de um projeto grandioso que trouxesse mais alegria às vidas dos rubro-negros da cidade. Objetivo principal? Fazer o Flamengo ultrapassar fronteiras, diminuindo a distância que nos separa, pintar as ruas da cidade de vermelho e preto e transformar o reduto da Embaixada no nosso próprio Maracanã.
Mais de 2 anos se passaram da sua criação. Montamos um ambiente familiar, ponto de encontro de flamenguistas de todas as gerações. Formamos um grupo forte, onde a amizade impera em torno de um só elo: Flamengo. Dividimos emoções, compartilhamos choros, risos, tensão e, principalmente, gritos de “é campeão” (a nossa Embaixada definitivamente tem trazido bastante sorte ao nosso Mengão, diga-se de passagem).
E àqueles que acham que nosso amor fica restrito apenas atrás da telinha falo que estão enganados. Pegamos a estrada em excursões para Recife e Natal, nos juntando aos outros nordestinos, para recebermos de braços abertos o time que tanto amamos. Em Fortaleza, fomos anfitriões, acolhemos com todo carinho os nossos ídolos e fizemos uma linda festa no Castelão. Se já não fosse o bastante, cerca de 50 integrantes da nossa Embaixada foram ao Rio de Janeiro para enviar, de pertinho, a energia cearense para que conquistássemos o tão sonhado Hexa.
Apesar de pouco tempo de história, sentimos que a Embaixada Fla Fortal já deixou o seu legado. Ao ver a quantidade de pequenos “Arthurs” que hoje freqüentam a nossa torcida, sabemos que a idéia dos primeiros 5 jovens, de tornar o Ceará um estado mais rubro negro, se tornou realidade. A Fla Fortal hoje é fincada de uma forma tão concreta, tão firme, que sabemos que, para sempre, o flamenguista que estiver no Ceará se sentirá em casa.
Para quem não é, torna-se difícil entender esse sentimento, essa força que nos une a algo tão distante dos olhos. Para quem é, tudo se torna simples, claro e de fácil compreensão. Realmente, tem coisas que só o Flamengo explica e só o flamenguista entende.
Gritar para ser ouvido, mesmo que a incontáveis quilômetros de distância; enfeitar restaurantes de vermelho e preto, assim como se estivesse na arquibancada; tremular bandeiras como se fosse ser visto pelos jogadores; bradar instruções e esquemas táticos para uma simples tela de televisão. Tudo isso em prol de um clube, de uma nação, de um manto, de um mito. Assim vivemos, assim agimos, assim amamos o Flamengo.
Questionados freqüentemente sobre a opção de não torcer por um time da terra, a resposta não demora a aparecer. Povo apaixonado, o cearense é guerreiro e carrega a raça e a vontade de vencer, durante toda a sua história. É carismático por natureza e, por isso, tem a admiração de todos. Pensando assim, existe algo mais cearense do que o Flamengo?

Agradecimentos especiais: ao presidente Diego Herminio, ao Vice-Presidente Eduardo Buccholz, André Ítalo, Valdemar “Kariok” e Rosário Barata.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lobo não come lobo (divagações à espera do Fla-Flu)

Domingo tem Fla-Flu. O único jogo capaz de me fazer voltar no tempo, quando eu era um moleque que pegava a Revista Placar ansioso pela tabela do campeonato, e circulava com caneta vermelha o domingo reservado ao Fla-Flu.

Era uma época sem internet, sem pay-per-view e sem telefones celulares. As pessoas trocavam cartas pelo correio, o futebol ao vivo na televisão era um evento que comemorávamos antes, durante e depois, e ter um telefone fixo (seis dígitos) conferia ao proprietário um certo status. Assim, para saber as notícias do Flamengo, ouvíamos o rádio. Sei que os mais jovens imaginam esse cenário como uma Era Mesozoica, e a nós, jurássicos flamengos, como pesados dinossauros que arrastavam enormes caudas rubro-negras a derrubar sequoias e palmeiras. Era mais ou menos isso aí, mas também ouvíamos rádio e, no dia seguinte aos jogos, recortávamos do jornal O Globo a coluna Penalty, de Otelo Caçador, para sacanear a arcoirizada, que eram chamados nominalmente de bacalhaus, tricolagem e cachorrada. A vida era mais simples. Não havia essa enxurrada de informações de hoje, mas éramos felizes.

O rádio. Eu sempre ouvi a Rádio Globo, mas em 1983 fui surpreendido por um desabafo de Jorge Cury ao final de uma jornada esportiva. Ele estava de saída da emissora, deixando para trás a camisa 1220 e a cabine 10, a cabine Pelé, como ele mesmo dizia. Fiquei em pânico, achando que nunca mais teria as transmissões interrompidas pela voz de trovão que dizia para anotarmos o tempo e o placar no maior do mundo. Logo veio a notícia que Cury apenas trocava de prefixo, era girar o seletor um pouco para cima e achar a Super Tupi nos 1280. O futebol passou a ser com a dobradinha Jorge Cury e Doalcei Camargo. Raul Plassmann pendurou as chuteiras e foi ser o comentarista. Ainda havia Sérgio Noronha e Carlos Marcondes. Um timaço, o da Tupi.

Minha dependência de Jorge Cury fez com que eu só ouvisse a Tupi, até dezembro de 1985, quando o locutor de 9 copas do mundo faleceu tragicamente em um acidente de carro. Deixei de ter uma estação preferida. Às vezes ia de Doalcei, Edson Mauro e Dário de Paula nos 1280, às vezes de Garotinho, Penido e Mauricio Menezes nos 1220, sem esquecer o indivíduo competente Waldir Amaral, que dividia a Nacional com César Rizzo. Isso foi até 1988, quando Penido levou meia Globo para a Tupi, mas aí já é outro assunto.

O que eu quero contar é que mesmo tendo me mudado com Cury para a Tupi, havia um jogo que só podia ser ouvido na Globo: o Fla-Flu. Culpa da vinheta que ouvia desde muito pequeno, que embalava as semanas de Fla-Flu cantando nos meus ouvidos lobo não come lobo, o Fla-Flu é na Globo. Lobo não come lobo, e desfilaram pelo Fla-Flu Zico, Rivelino, Toninho Baiano, Doval, Júnior, Nunes, Uri Geller, Assis, Tita, Mozer, Washington, Raul, Bebeto, Paulo Vitor, Tato, Andrade, Delei, Sócrates, Edinho, Uidemar, Ézio, Bobô, Nélio Marreco, Romário, Renato Gaúcho, Sávio, Roger Maradona e Roger Guerreiro, Liedson, Felipe, Marcão, Zetti, Agnaldo, Petkovic e Adriano Imperador. Mudaram os jogadores, mudou o jogo e alguns dos speakers que contaram páginas do mais belo de todos os clássicos já calaram suas vozes. Já nem ouço mais futebol no rádio, mas basta a tabela dizer que o próximo jogo é um Fla-Flu e pronto, vem a musiquinha. Lobo não come lobo.

Domingo tem Fla-Flu, e enquanto a bola não rola, eu me lembro de Jorge Cury, do gol de cobertura do Lico em 1981, do golaço de Leandro em 1985, das três buchas que Zicão meteu no Paulo Vitor em 1986. Eu me lembro que esse jogo já me fez feliz e triste, mas bem mais feliz que triste. Eu lembro que lobo não come lobo, seja já o que isso signifique, e vamos lá para mais um Fla-Flu na vida de todos nós.


Mauricio Neves no Twitter: http://twitter.com/badsnows

No site oficial do Flamengo: http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=5


MARKETING e marketing

Com certeza a Brazil Foods tem Departamento de Marketing. E os responsáveis seguramente são profissionais competentes, com experiência, sensibilidade, criatividade e profundos conhecedores do mercado e dos consumidores.
O Flamengo é apenas um veículo para a exposição da marca Batavo? Eles sabem que não. Sabem que é O VEÍCULO. A pergunta que me atormenta é a seguinte: por que uma equipe como essa, de profissionais de ponta, usa o melhor veículo possível para multiplicar a exposição de sua marca, e cria um pastiche como o da camisa atual? Será que não tiveram tempo para criar uma arte que integrasse da melhor maneira possível a beleza do manto e a exposição do logotipo? Aliás, por que na camisa do Flamengo, o logotipo veiculado não é o oficial da empresa? Dúvidas? Digitem Batavo no Google e entrem no site da empresa. O logo oficial é aquele que estampava a camisa do Corinthians, ou seja, a holandesa ao lado do nome.
Desculpem, senhores, sabemos todos que o Conselho Deliberativo do Flamengo aprovou. Nem por isso existe obrigação de escolher a pior alternativa possível, não é mesmo? Será que estou delirando e é apenas uma questão de gosto pessoal? Há uma ferramenta ideal para aferir isso: uma pesquisa de mercado. Especialidade dos marqueteiros do mundo inteiro. Tenham dó dos olhos de seus consumidores, dos torcedores do Flamengo, e tentem outra vez. Sugestão de quem quer colaborar para fortalecer a parceria. De grátis.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010









PROPOSTA LANÇADA AQUI NO BLOG PARA RETORNO DO ZICO, COMEÇA A TOMAR CORPO


Não sei se aquele texto que postamos aqui no Blog teve algum tipo de influência (embora algumas pessoas que têm contato direto com o Galinho, enfatizaram a proposta, reenviando o texto por email para ele), mas agora é definitivo: Zico está admitindo a hipótese de FINALMENTE retornar ao Mengão.

E ele apresenta a alternativa: poderia integrar a Comissão Técnica, ajudando ao técnico Andrade na formação da equipe e na revelação de novos talentos.

Seja bem vindo, Rei Zico. Estaremos sempre te esperando de braços abertos!

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Para esquentar a semana do Fla-Flu, deixo a história de um dos mais sensacionais clássicos dessa longa rivalidade. Boa leitura.

“Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa. Aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa Rubro-Negra será uma bastilha inexpugnável.” (Nelson Rodrigues)

O Dia em que o Manto jogou Sozinho

1956. O Campeonato Carioca está no início, sete rodadas disputadas. As principais equipes já se engalfinham pela liderança, ocupada pelo Vasco (13 pontos), seguido muito de perto por Flamengo (12), Fluminense (11) e Botafogo (10), prenúncio de uma bela disputa, especialmente em função da volta dos pontos corridos.

O Flamengo, tido como favorito, mantém a maior parte da equipe tricampeã. Os destaques são Pavão, Dequinha, Joel, Evaristo e Zagalo, além dos garotos Dida, Duca e Babá, que vão ganhando espaço sob a batuta do treinador Fleitas Solich, conhecido como “Feiticeiro”. Mas o rubro-negro ainda se ressentia da saída de Rubens, uma das principais figuras do tricampeonato. Além disso, a defesa não inspirava confiança e o jovem time pecava pela irregularidade. Uma derrota para o Olaria já ligara o sinal de alerta e mostrava que o trajeto seria bem mais pedregoso. E a tabela já marcava o primeiro grande teste. O primeiro clássico. Fla-Flu.

Sem dinheiro para contratações, o tricolor apostou em um time barato, buscando repetir a experiência de 1951, quando conquistou o título com vários garotos desconhecidos. O treinador Sylvio Pirillo tinha jogadores como Jair Santana, Léo, Valdo e Cacá, apoiados pela experiência de Pinheiro, Castilho e Telê. Parecia pouco, tanto que o tricolor voltava a receber a alcunha de “timinho”, sucesso em 1951. Mas o início era promissor. Os resultados mantinham o Fluminense perto da liderança, após dois clássicos já disputados. Se vencesse o Flamengo, o tricolor estaria em ótima situação para assumir a liderança. E a vitória esteve mesmo muito próxima...
O Maracanã está enfeitado e colorido à espera de seu clássico maior. Domingo de sol, bem ao gosto do carioca. O Flamengo veste rubro-negro, o Fluminense, completo, vem de branco. Zagalo é a principal baixa do Flamengo, vai ser substituído por Babá. Dida também está fora por opção de Fleitas, que prefere um ataque mais encorpado, com Evaristo e Paulinho.

Os primeiros minutos mostram que as duas equipes virão pro ataque, pois a vitória é importante para manter-se próximo ao Vasco. O Fluminense mostra notável disposição, ignora sua inferioridade técnica e tenta encurralar o Flamengo. Mas o rubro-negro faz valer o maior talento de seus jogadores e com isso a partida está nivelada. Os goleiros Chamorro e Castilho vão tendo trabalho, especialmente em função da força do ataque flamengo e da fragilidade de sua defesa, onde o estabanado Tomires vai tendo trabalho para conter o perigoso Valdo. A ausência de Zagalo logo é sentida, pois o veloz e driblador Babá não tem a visão tática do titular. Posiciona-se aberto, não fecha espaços no meio, que se torna vulnerável e muito dependente dos passes e lançamentos de Dequinha, o único jogador capaz de pensar o jogo flamengo. O Fluminense começa a perceber que a chave é anular Dequinha, e com isso o tricolor cresce na partida. E é sob forte pressão das Laranjeiras que o primeiro tempo termina 0-0.

Não são permitidas substituições. A torcida rubro-negra espera por uma das conhecidas mágicas do “Feiticeiro”, capaz de alterar um jogo apenas com uma conversa no vestiário. Mas o duro golpe vem logo aos 5’. Dequinha estica a perna, sente dor aguda. Músculo. Distensão. Dequinha, o organizador, o cérebro, o único capaz de fazer a saída de bola e distribuí-la fresquinha ao ataque. O Flamengo se vê à deriva, ilhado, vulnerável, com um a menos. Vai ter que ser na raça.

Mas luta e disposição o Fluminense também possui de sobra. E percebendo o momento favorável o tricolor atira-se com ímpeto sanguinário. Sua torcida enlouquece e empurra. O Flamengo sente o baque, passa a ser acossado por uma saraivada de bolas que zunem atravessando sua área de cima a baixo. Resiste milagrosamente. Os tricolores, afoitos com a vitória que lhes parece sorrir, atiram a esmo, perdem uma chance atrás da outra. Até que o cerrado bombardeio é interrompido por um apito enérgico, que trila implacável, decretando o pior. Pênalti para o Fluminense. Vai bater Pinheiro, zagueiro de seleção, conhecido por sua eficiência e frieza nas cobranças, que raríssimas vezes deixa de aproveitar.

Pinheiro olha para os lados, concentra-se, ignora o silêncio das vaias flamengas e o ensurdecedor ruído no lado tricolorido do estádio. Prepara-se, corre, desfere o costumeiro petardo. O tiro sai com violência impressionante, mas a bola explode no travessão, estalando um tapa na incrédula torcida fluminense. A massa flamenga invoca São Judas Tadeu e celebra o milagre, o inimaginável.

Mas ainda restam 30’. E nessa meia hora a fúria tricolor só aumenta. O time ignora seus cuidados defensivos, arremete-se suicida ao ataque, briga pelos dois pontos que julga seus. O Flamengo se segura, a criticada defesa impõe a lei da bicuda, entrincheira-se em sua área, seus soldados literalmente se jogam aos pés do adversário para impedir o pior, defendem a meta rubro-negra como se fosse a sua casa. A raça do Flamengo arranca lágrimas dos mais descrentes. Mas a pressão parece insuportável. Escurinho, Valdo, Telê, todos vão desperdiçando chances, algumas de dentro da pequena área. A trave de Chamorro estala várias outras vezes. Mas a bola insiste em não entrar. A partida vai seguindo, vai chegando ao seu final, e o Flamengo simplesmente se recusa a ser derrotado. O Maracanã nem pisca.

Quarenta minutos. O Fluminense entra tabelando, a chance agora é clara. A bola é lançada para o atacante Léo, que entra na corrida mas chuta fraco, mascado, nas mãos de Chamorro. Os tricolores já mostram desânimo. Mas não dá pra pensar muito, porque Chamorro já lançou com as mãos o ponta Babá, que está no meio do campo, sozinho. O arisco cearense de 1,56 m, pernas curtinhas como ratinho de desenho animado estica a corrida. Pinheiro e mais um exército de camisas brancas vão ao seu encalço. Mas ninguém vai pegar o pivete Babá. Castilho sai do gol desesperado, imponente. Espera o drible. Aliás, os jogadores esperam o drible, o estádio espera o drible. Babá só sabe driblar. Castilho prepara o mergulho, vai abafar o irrequieto pontinha. Mas Babá, como que tocado por São Judas Tadeu, levanta a cabeça e dá um toque leve, de gênio, faz a bola subir, subir, mansinha, mansinha. A pelota viaja por cima de um aparvalhado Castilho e desce calmamente, sem pressa, acomodando-se preguiçosamente nas redes. Finalmente sai o gol. Mas é Flamengo.

O efeito do sagrado gol de Babá é imediato. A torcida tricolor desiste e toma o rumo de casa. A massa flamenga faz do Maracanã seu habitual caldeirão, e mal percebe o apito trilar forte e implacável, dessa vez decretando o final da partida. De forma inacreditável, Flamengo 1-0 Fluminense.

Após a heróica vitória, Babá de imediato se tornou o xodó da torcida (fazendo parte de uma lista em que figuram nomes como Quirino, Fio, Peu e Obina). Mas o Flamengo não seria o campeão naquele ano, vítima da falta de consistência de sua equipe. De qualquer forma, o Fla-Flu de 1956 ainda seria lembrado por vários anos, viva demonstração da mística e da alma de um manto muito mais que sagrado.

Um manto capaz de jogar sozinho.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Copa Libertadores da América 2010



Nesta terça-feira poderemos ver em ação um dos nossos adversários da fase de grupos da Libertadores. Cólon (Argentina) e Universidad Católica (Chile) jogam a partida de ida, em Santa Fé, com transmissão ao vivo do SporTV 2, às 21h30 (de Brasília). O jogo da volta será semana que vem.

O duelo é válido pela fase preliminar da competição sulamericana. Quem passar cai no nosso grupo, que além do nosso Mengão, tem o Caracas (Venezuela) e a Universidad do Chile.

Ao contrário dos anos anteriores, creio que não teremos moleza na fase inicial, com um agravante que nesta edição, em virtude da gripe suína do ano passado (San Luis e Chivas, do México, já estão garantidos nas oitavas), dois dos segundos colocados não irão avançar para a fase seguinte.

Ah, e não posso deixar de passar batido: bola dentro do Marcos Bráz e da Patrícia Amorim. A Libertadores deve ser vista como prioridade, sim!


COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

‘Faço o que for pela Libertadores’

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Inegavelmente, as primeiras partidas do Flamengo neste início de campeonato Carioca ainda não foram capazes de devolver ao torcedor Rubro Negro aquele clima de confiança na equipe, observado ao final da temporada passada.

O futebol apresentado ainda não é dos melhores, os resultados ainda são magros, as dificuldades frente aos pequenos ainda são perceptíveis.

Mas é importante entender não há nada de tão absurdo nisso por enquanto. Obviamente gostaríamos de um time melhor formado. Mas o que esperar se o tempo de preparação foi curto, ou se além dos jogadores negociados perdemos peças importantes desse elenco em função de problemas médicos (Léo Mora, Willians e Adriano, por exemplo) ou ainda se as reposições demoraram (e ainda demoram) a acontecer?

O Campeonato Carioca é importante sim, sem dúvida, principalmente pela possibilidade de um inédito tetracampeonato.

Porém a caminhada que realmente recebe o grande foco, nesse início de temporada do Flamengo, é a da Libertadores da América. Lá sim o time tem que estar pronto, montado.

Liberadores que começa essa semana, inclusive com o primeiro confronto que define a última vaga em nosso grupo. Amanhã Colón (Arg) e Universidad Católica (Chi) se enfrentam em Santa Fé, partida de ida na fase de pré Libertadores. O vencedor desse confronto será nosso adversário de estréia daqui um mês, 24/02, no Maracanã.

Poucos dias atrás em entrevista ao GE.com, Marcos Braz já deixou claro seus objetivos. Ao ser questionado sobre o dilema de anos anteriores sobre qual competição priorizar – Carioca ou Libertadores – respondeu: “Ainda está cedo e não vou abrir a atitude que tomarei. Mas tenho certeza do que vou fazer. Vão querer me matar, mas faço o que for pela Libertadores.”

O Flamengo tem um compromisso histórico com a vitória, seja ela valendo um campeonato estadual, Brasileiro ou um título Continental. Nunca perderemos essa vontade de buscar qualquer taça. É fato então que o Flamengo vai sim correr atrás também do Carioca.

Mas para todos aqueles que às vezes questionam a falta de planejamento de nossos dirigentes, o objetivo já está traçado, e a prioridade definida.

O time tem é que estar pronto para a estréia da Libertadores. Até lá, com todo respeito a Americano, Fluminense, Olaria e Boavista, nossos adversários nas próximas rodadas, nossa pré temporada segue e estes jogos não passam de treinos de três pontos. São jogos para ajustes, estréias e adaptações. Se for o bastante para levar o Carioca, ótimo.

Existe um foco, um planejamento que envolve um título maior. Chegou a hora de reencontrar o caminho do título da América.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

domingo, 24 de janeiro de 2010


SOBRE LIDERANÇAS E HEGEMONIAS

Disputar liderança, competir para ter o maior destaque e a maior exposição possíveis, atrair o máximo de interesse por parte das pessoas e das empresas, esse parece ser o nome do jogo. Apenas por acaso, trata-se aqui de futebol, mas não é só esse jogo. O principal mesmo é o jogo do poder.
Não é por acaso que o Flamengo serviu de modelo para vários clubes, lá se vão trinta e tantos anos. Ali se antevia uma possibilidade de um domínio longo e duradouro por parte do rubro-negro, em termos de Brasil e, possivelmente, com fortíssimas chances de estender essa influência mundo afora. Aquele que mais se dedicou a estudar e aprimorar as virtudes do nosso trabalho foi exatamente o clube que conseguiu nos alcançar e até ultrapassar. Contaram, é claro, com a decadência contínua de várias de nossas administrações, que se esforçaram para nos apequenar, para nos transformar em nada mais que uma “vaca leiteira”, para usar um termo de marketing bastante conhecido. Só que isso é impossível, por mais que se tente. Se não conseguiram até hoje, não conseguirão mais. E é isso o que, provavelmente, mais inquieta quem está disputando a liderança conosco. Porque bastou uma pequena mudança de atitude interna para retomarmos a hegemonia. E parece que as coisas, mais cedo do que tarde, entrarão no ritmo em que deveriam ter continuado a evoluir, e o potencial, sabemos todos, é ilimitado.
Portanto, não se surpreendam, não se indignem nem acreditem que vai ficar por isso: vamos sofrer muitos outros ataques, diretos ou indiretos. Acredito que a meta é barrar o crescimento do Flamengo. O caso desse zagueiro é o primeiro dessa nova fase da concorrência. Estamos novamente no topo, disputando entre poucos e bons. E nós estamos voltando a ser ótimos.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Triplex Top Ten

1 - Proteção:



Tropas de choquem, PM´s armados...e eis que hoje, conforme a visão de alguns torcedores, sofremos pressão vinda do ilustre time do Bangu. Vejam, ano passado tínhamos Maldonado e Aírton dando segurança pra zaga não ter aporrinhação, e, de quebra, o ladrão de bola do Brasileirão. E de repente, não mais que de repente, nos vemos com Toró, Fernando e Kleberson sendo apresentados no vestiário pra encarar um campeonato depois de 20 dias comendo dobradinha e picanha na brasa. É CLARO que vamos tomar algum sufoco. É ÓBVIO que o sistema defensivo não se visualizará impenetrável em 3 jogos. Portanto, tenham calma. Temos 9 pontos, com média de quase 3 gols por jogo. Devagar que o santo é de barro.

2 - Bruno: Mostrou que está atento, e não com a cabeça na lua. Quando foi preciso, estava no lugar certo.

3 - Andrade: Se tem algo que me deixa otimista é o 4-4-2. Somos o Flamengo, e não nascemos nem vivemos pra jogar em esquemas pra não perder, e depois tentar um golzinho de mão. É fundamental que nossa veia ofensiva tome cada vez mais corpo, pois com essa dupla de área, pode mandar a bola quadrada que eles resolvem.

4 - A ida dos que não vieram: Numa boa, querem discutir que time A foi sacana ao oferecer mais dinheiro, blá, blá, blá, mimimi? Procurem a torcida do arco-íris. Se o cara quiser vir pro Flamengo, como vieram Adriano e o Love, eles virão. Com ou sem grana, com ou sem garantias. É de jogador assim que precisamos, e não daqueles que ficam esperando pela melhor oferta. Esses caras não merecem vestir o Manto, quiçá que se transforme essa questão numa "perda irreparável".

5 - Fernando: Até aqui, uma grata surpresa. E nesse ponto, é de apoio que os jogadores novos precisam. Nada de "ah, mas ele era truculento no time tal". Apoiem, torçam, mostrem pros caras que, se eles colocarem a cara numa dividida, a torcida vai junto.

6 - Adriano: Gostei da participação dele, enquanto teve gás. Mostrou entrosamento com o Love, provando na prática a teoria de que alguns jogadores contam de 1 a 10 de forma mais rápida. Em forma, eles vão dar muito trabalho (pro Dunga, inclusive). E vamos ser justos, as 2 bolas na trave mostraram que o faro tá quase pronto.

7 - Pet: Hoje não entrou bem. Mas o gol de quarta-feira....isso mesmo, o comentário termima com reticências...

8 - O elenco: Mais um meia aqui, um lateral ali, um zagueiro acolá, e estamos prontos. O esqueleto ficou praticamente intacto, e isso nos dá alguns minutos à frente da concorrência. Fora que nós levamos o hexa, enquanto vosotros lutaram pra subir e pra não cair.

9 - A torcida: Maraca na quarta. É pra lá que todos devem ir. Começar a apavorar os adversários desde cedo. Um parêntesis: Falei do Maraca, mas não dá pra deixar de comentar o HORROROSO gramado do Vazião. Quem administra esse estádio? E outra coisa: mal começou o campeonato e já tem corneta gralhando. Alguém aí avisa que fomos Hexa, se faz o favoire.

10 - Love: 10.

E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

Love? Adriano? Pet?


Comente aqui o jogo entre Flamengo x Bangu, realizado no Vazião do Gramadão Ruinzão.

In Love we trust.

E nada mais digo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

A competência e a inércia

* Por Vinicius Paiva

Ao completar cerca de um mês sob nova presidência, já é possível perceber algumas condutas louváveis vindas de certos departamentos do Clube de Regatas do Flamengo, ao mesmo tempo em que se identificam outras, no mínimo, temerárias – pois é cedo demais para se reprovar a atuação deste ou daquele setor.

Agrada-me demais a nova forma de fazer política do vice-presidente de futebol Marcos Braz, especificamente no que se refere à negociação e contratação de jogadores. Se não me engano, o próprio dirigente já revelou, em entrevista, ter em mente uma atuação de bastidores que lembre a do São Paulo, clube que não tem por hábito gastar um real sequer na contratação de jogadores. A estratégia é seduzir aqueles que estejam em fim de contrato com clubes brasileiros, ou oferecer a visibilidade do clube para atrair empréstimos de jogadores pouco aproveitados nos clubes europeus. Vem dando mais do que certo, vide os acertos com Vagner Love, Fernando, Ramon e Michael sem ônus para o clube (além dos salários). Se considerarmos que as dívidas do Flamengo beiram os R$ 400 milhões e que não podermos nos dar ao luxo de jogar dinheiro fora (como no caso de Fierro, cujo contrato se encerra depois da Copa do Mundo, e que gerou um grande endividamento do Flamengo com a Traffic) fica fácil perceber a correção da nova política.

Ao mesmo tempo, me preocupa a adoção de uma política de curto prazo, que vise apenas a Libertadores – com jogadores contratados por seis meses ou menos. Tudo bem que o torneio continental deve ser nossa obsessão, pois já passou da hora de nos sagrarmos bicampeões continentais e mundiais. Mas foi exatamente a política de longo prazo adotada pelo Flamengo a partir de 2005 a grande responsável pela seqüência de títulos verificados nos anos seguintes, culminando com o Brasileirão 2009.

Uma breve retrospectiva ao ano de 2004 nos leva a entender a razão da mudança de postura adotada. Naquela época, um Flamengo de pires na mão (até mesmo sem talões de cheques, como diversas vezes confidenciou Márcio Braga), salários atrasados e torcida impaciente perdia jogadores até mesmo para times pequenos. Ao final daquela temporada, na tentação de trabalharem em clubes de maior profissionalismo, o Flamengo perdeu de graça dois de seus principais ídolos da época: Julio César e Jean. O Flamengo não ganhou um tostão, pois ambos esperaram seus contratos terminarem para assinar contrato com Internazionale de Milão e Cruzeiro, respectivamente. Reiterando, o Flamengo não ganhou um centavo sequer na negociação do melhor goleiro do mundo da atualidade, algo absolutamente inconcebível. No “caso Jean”, vivemos a humilhação suprema de perdermos o jogador de graça e, seis meses depois, contratá-lo por empréstimo – valorizando-o para uma venda que aconteceria meses depois, e da qual se beneficiou apenas o clube mineiro.

Perdendo seus ativos, o Flamengo viveu o pior ano de sua história em 2005. Humilhado no estadual (8º colocado), na Copa do Brasil (eliminação nas oitavas, para o fraquíssimo Ceará) e no Brasileirão (15º, após um rebaixamento quase certo), o Flamengo mudou sua postura. Passou a fechar contratos longos com seus recém-contratados, como Bruno, Leo Moura, Juan, Angelim e Toró, e o resultado todos nós vimos. O próprio fato de Bruno Mezenga ter rodado o mundo e ainda pertencer ao Flamengo é resultado desta política iniciada lá em 2005, e que agora parece se perder. Do time titular, boa parte vê seus contratos se encerrando ao final do ano, e praticamente todos se encerram até o ano que vem. Trata-se de um assunto que exige profunda reflexão.

Outra desagradável constatação que venho tendo – esta na “minha área” – se refere ao departamento de marketing do Flamengo, atualmente presidido pelo vice Henrique Brandão. A impressão que passa é que desde que a antiga diretoria se afastou, o Flamengo não possui mais departamento de marketing. Até mesmo a negociação do patrocínio com a Batavo se deu por uma espécie de “equipe de transição” presidida pelo ex-vice presidente Ricardo Hinrichsen.

A única iniciativa elaborada até agora foi o lançamento de um uniforme (do modelo antigo, defasado!) com o nome de Vagner Love, coisa que qualquer torcedor podia fazer ele próprio. Ao que parece, não há intenção alguma de se explorar comercialmente o uniforme limpo com que o Flamengo vem jogando, sendo que existe uma demanda brutal por uniformes limpos do Flamengo - eles jamais foram vendidos a não ser na categoria retrô. A título de comparação, o São Paulo, ainda sem patrocínio, já anunciou que vai vender camisas limpas, e que pretende comercializar nada menos do que 200 mil peças em um mês. Do Cidadão Rubro Negro - que nestes dois meses de euforia deveria catapultar seu número de associados – nem se ouve mais falar. Vários do partais do site oficial do Flamengo (como a Flapedia) estão defasados, sem uma atualização sequer. E a comunicação com o novo departamento é péssima: tentei contato por e-mail e fui sumariamente ignorado. Se há uma coisa pela qual o antigo vice-presidente era digno de louvor, era sua disposição de atender não apenas a imprensa, mas também blogs , sites e colunistas rubro-negros. Inclusive a mim, por diversas vezes.

Vou parando por aqui, pois o assunto é denso, entediante e meus períodos estão ficando longos demais. Mas que a nova direção do Flamengo, capitaneada pela digníssima presidenta Patrícia Amorim, enxergue estes defeitos e corrija-os rapidamente. Se há uma coisa que não se pode tolerar dentro deste clube, é a involução.

Emails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com



EMBAIXADAS DA NAÇÃO – O FLAMENGO ONDE VOCE ESTIVER
Por Vinicius Nagem

Amigos do Blog da FlamengoNet,

Se você está gostando de acompanhar as histórias das Embaixadas da Nação, leia também nosso blog no site oficial do Flamengo denominado VOZ DAS EMBAIXADAS, com noticias atualizadas sobre elas. Acesse http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=6
Entre na comunidade no Orkut destinada aos apreciadores do blog VOZ DAS EMBAIXADAS http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96624271
Contamos com a presença dos amigos em ambos os espaços virtuais.
Esta décima segunda Embaixada que contará a sua história aqui no Blog é a Fla Passos, localizada no sul de Minas Gerais. Uma curiosidade: todo cidadão que nasce em Passos, já e um pouco rubronegro, porque a própria bandeira do Município é preta e vermelha, levando o triângulo que compõe a bandeira de Minas Gerais aplicado bem no centro da bandeira municipal. Um neném quando nasce na cidade já se sabe que nasceu mais um habitante de uma cidade rubronegra desda a sua bandeira... Mas para contar a história da criação desta fantástica Embaixada, abrimos caminho para o seu Presidente, Alessandro.

FLA-PASSOS – NO PASSO CERTO
* Alessandro F. Teixeira - Presidente da Fla Passos

A FUNDAÇÃO

O FLAMENGO ao longo de sua mais que centenária trajetória, conquistou o maior patrimônio que um clube pode possuir que é a sua inigualável e invejável torcida. Essa conquista se deu por todas as suas glórias, de um passado recheado de títulos, de um presente e um futuro que temos certeza será igualmente promissor.
A força dessa torcida não se mede apenas em termos de números absolutos de torcedores, mas sim pela paixão que nós RUBRO-NEGROS dedicamos ao nosso clube. Essa paixão não tem distância ou obstáculo algum que possa fazer diminuir ou arrefecer o nosso amor.
Desta forma um grupo de abnegados RUBRO-NEGROS, DA CIDADE DE PASSOS/MG, fundou a PRIMEIRA TORCIDA ORGANIZADA DO SUDOESTE MINEIRO, a FLA-PASSOS.
A historia da FLAPASSOS começa quando esse grupo de pessoas saiu de nossa cidade com destino ao Rio de Janeiro no dia 18/07/1992, para assistir o jogo final do brasileiro FLAMENGO x Botafogo, dai surge a FLA-PASSOS, quando o FLAMENGO conquistou o Campeonato Brasileiro pela quinta vez.
Nossa torcida levou para a arquibancada a sua bandeira que marcou a nossa presença no MAIOR ESTÁDIO DO MUNDO, quando comemoramos intensamente esse título. E, diga-se de passagem, somos pés-quentes e estreamos no maior estilo imaginável.
E sempre que podemos fazemos caravanas com vários de nossos associados para o Rio de Janeiro ou outras cidades onde o FLAMENGO se apresentar para acompanharmos de perto o nosso clube.
Ao longo de nossa trajetória a FLA-PASSOS, criou sua comunidade no site de relacionamentos do ORKUT, (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=4614104), no dia 30 de agosto de 2005, contando hoje com 236 membros efetivos. Essa comunidade tem como patrono o grande rubro-negro WASHINGTON RODRIGUES o APOLINHO, comentarista da RADIO TUPI DO RIO DE JANEIRO.
E a partir de 2008 resolvemos de uma vez por todas instituir legalmente a torcida organizada FLA-PASSOS com sede e estatuto próprios, ganhando mais força com a chegada de novos membros.
Assim montamos a nossa primeira diretoria formada pelos sócios, ALESSANDRO FERNANDO TEIXEIRA, VENILTON MAGELA SANTOS, ERICK FREIRE SILVEIRA, ADIRLEI DE TARSO INÁCIO E DANIEL ALEXANDRE.
Com três meses de formação do nosso site próprio já somos mais de 360 cadastrados, e salientamos que o site já recebeu mais de 10.000 visitas (http://www.flapassos.com/), número expressivo considerando o tempo de criação, a quantidade de pessoas com acesso a internet e a população de nossa cidade que é de pouco mais de 100 mil pessoas.
Após a legalização de nossa torcida, passamos a cadastrar os associados com carteirinhas de identificação, camisetas com a marca do clube e de nossa torcida, além de estarmos viabilizando outros projetos ainda em estudos, que num espaço de tempo muito curto, irá nos possibilitar a construção de nossa sede própria para reuniões, deliberações e principalmente para assistir aos jogos do MAIS QUERIDO DO MUNDO.
A nossa torcida para o FLAMENGO, tem a mesma alma apaixonada daqueles fundadores do clube no longínquo ano de 1895. Essa é a alma que nos faz ter a gana, a garra, o élan necessário para sermos verdadeiramente RUBRO-NEGROS DE CORAÇÃO. Só uma incontrolável e inexplicável paixão como a nossa, explica essa MÍSTICA RUBRO-NEGRA.
Apenas no FLAMENGO vemos um time uma torcida se completarem numa integração definitiva e eterna. Qualquer torcedor de qualquer outro clube comemora um gol, como apenas mais um fato do futebol, o torcedor do FLAMENGO não, para o torcedor do FLAMENGO, o gol é a epopéia máxima, o êxtase absoluto, que afeta todas as raízes do seu ser.

17 ANOS DE ESPERA

Após longos dezessete anos, a idade da nossa torcida, o sorriso volta ao rosto da maior torcida do mundo, da forma com que estamos acostumados, ou seja, com sangue, suor e lágrimas.
O jogo final foi típico de uma epopéia bem rubro-negra, com o adversário sem grandes ambições, mas tentando de todas as formas complicar a nossa conquista.
Mas nem toda a vontade da torcida do arco-íris foi capaz de calar as quase 85 mil pessoas que estiveram no Maracanã e vários outros milhões de torcedores espalhados pelo mundo.
Como todo título do FLAMENGO, esse novamente teve contorno de drama, com o adversário saindo na frente, e os nossos craques nervosos, até o instante em de forma bem irônica, quando os craques principais do elenco não conseguiam reverter o marcador, os dois zagueiros do FLAMENGO, Deivid e o verdadeiro Ronaldo, o Angelim, marcaram os gols do título, salientando que nenhum dos dois havia marcado um gol sequer neste campeonato, COISAS DO DESTINO!
Este título coroou o time que, ao longo do campeonato teve partidas brilhantes, sabendo começar uma arrancada incrível e nunca se importar com cara feia ou se estaria jogando dentro ou fora de casa.
Nesse campeonato, Morumbi, Mineirão, Aflitos, Parque Antarctica, tudo virou Maracanã, o FLAMENGO, cresceu durante a competição, e mesmo jogando 07 das últimas 10 partidas fora de casa, superou a tudo e a todos.
Nos últimos anos, o mais querido já vinha dando mostras que uma NOVA ERA DE OURO, pode se iniciar a partir desse título. A conquista do PENTA-TRICAMPEONATO CARIOCA e a arrancada em 2007, no Brasileirão, bem como a conquista da Copa do Brasil de 2006, são exemplos disso.
Em 2009, as peças que faltavam, foram colocadas nesse tabuleiro de xadrez que é a montagem de um time vencedor, e essas peças são a volta de Pet e Adriano e a chegada de Álvaro e Maldonado, sob a batuta do ídolo Andrade, encontramos o equilíbrio que faltava para mostrar um futebol contagiante, ofensivo, limpo e cheio de lances virtuosos e emocionantes.

A REDENÇÃO

A FLA-PASSOS, comemora em seu 17° aniversário, AS GLÓRIAS SUPREMAS DO PENTA-TRICAMPEONATO CARIOCA E DO HEXACAMPEONATO BRASILEIRO.
Levantamos essa taça junto com o FLAMENGO, pois estávamos presentes já na primeira rodada da competição em BH e na última rodada no Maracanã com dois ônibus lotados, e outros milhares de torcedores em nossa cidade que se não estavam presentes fisicamente, estavam presentes com a fé que nos move.
Após os mais longos 90 minutos da história da humanidade a magnética e ensandecida torcida rubro-negra de Passos, tomou de assalto as ruas de nossa cidade, na maior manifestação pública espontânea de nossa história, com mais de 10 mil pessoas de acordo com dados da Polícia Militar.
Vimos o espírito da nossa torcida a cada vitória, pois, desde a primeira rodada quando excursionamos a BH, sentimos que esse time tinha raça, entrega, e aquela mesma forma de impor o próprio jogo que o Flamengo exibiu em todos os títulos anteriores.
A cada rodada a sede tinha mais e mais torcedores e mesmo nos momentos de crise a torcida jamais arrefeceu seu ânimo e certeza de que chegaríamos ao tão sonhado título.
Passavam-se as rodadas e o que era um jogo com presença de 30, 40, 50 torcedores, foi se transformando numa catarse em que no capítulo final contou com quase 300 pessoas ou mais, superlotando a sede, para a inveja dos adversários.
A Glória suprema do hexacampeonato, transformou a FLA-PASSOS, num fenômeno único em nossa cidade, reconhecida por todos e amada por seus membros.
Sempre estaremos empunhando a bandeira, o nome e o MANTO SAGRADO do FLAMENGO, com energia, luta e criatividade, pois onde FLAMENGO estiver, nós estaremos sempre juntos.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Flamengo, o Retorno

Ano novo começa de verdade por esses dias. Colunistas voltando (inclusive este)e, aos poucos, o Flamengo campeão brasileiro também retorna. Apesar da vitória sofrida no último domingo, o gol de Pet parece ser um aviso aos adversários. Um aviso de que o time que jogou o melhor futebol em 2009 está de volta.

Apesar da demora no anúncio de contratações, o clube vem voltando mais forte. Sem fazer loucuras, o Flamengo trouxe o melhor atacante disponível ao preço dos salários. Aos poucos, os novos anúncios revelam poucos "galácticos", mas bons valores que podem formar o time.

Com uma malandragem cada vez mais conhecida, Andrade já prepara o time em um esquema com dois centroavantes. Se vai dar certo só o tempo dirá. Só é bom lembrar que foi nessa proposta de jogo que Bruno Mezenga marcou seu primeiro gol nos profissionais.

É. O Flamengo está de volta. Estava difícil esperar...

******

Obina nos deixou. Sua chegada no Palmeiras coincidiu sobre reclamações sobre falta de carinho, se revelou que ele estava fora de forma no clube (a bagunça do Flamengo não ajuda e nem exime o baiano de culpa) e por aí vai.

Pra muita gente, Obina era melhor do que Dênis Marques e Mezenga. Nem discuto. Só que essa não era mais a questão. Havia um desgaste de Obina com a instituição e com a torcida que dificilmente acabaria porque todos sabemos que Obina se valorizou por uma força mítica que a torcida lhe dava. O encanto não viveria de lampejos. Era a hora da separação amigável, antes que fosse um rompimento amargo.

Porém, não guarde mágoas de Obina. Lembre dos gols do tri, da atuação maravilhosa contra o Coritiba em 2008, da mítica salvação contra o rebaixamento e por aí vai. Não odeie Obina. Torça por ele, mesmo que em menor grau. Porque as vitórias de Obina sempre terão um pedacinho de Flamengo. Um Flamengo que tem Obina como parte de sua história. Um Flamengo que cresce, mas não vai esquecer quem nos ajudou.

Obrigado, Obina. Muito obrigado.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010




TÁ CHEGANDO A HORA DO GALINHO VOLTAR


Após as últimas entrevistas dadas pelo nosso Rei Arthur - com a sua saída do futebol grego -estou com a impressão de que a hora do Galinho voltar a se aproximar definitivamente da Gávea e encerrrar de vez a sua vitoriosa carreira como técnico de futebol, está chegando.
Sei que o grande medo do Zico seria envolver-se com alguma administração na Gávea que pudesse macular todo o patrimônio moral e as boas lembranças que ele solidificou junto à Magnética durante toda a sua existência. Por isso que nunca aceitou ser técnico do Flamengo ou mesmo seu dirigente.

Com um novo clima instalado no mais querido do Brasil - após a posse da Presidente Patrícia Amorim - acredito que haveria um lugar de destaque para o maior ídolo da torcida do Mengão, sem que houvesse uma participação direta dele, na administração do Flamengo: Zico, poderia ser nomeado patrono das Embaixadas da Nação e como SUPREMO EMBAIXADOR DO CLUBE, percorrer cidades do Brasil e do mundo na instalação de Embaixadas recém-nomeadas, descobrindo novos talentos para jogar nos times de divisões de base, representando a marca FLAMENGO, prospectando novos negócios, sem nenhum envolvimento com o futebol diretamente, o que o preservaria de eventuais insucessos do Clube nas suas disputas oficiais.

Essa é uma sugestão que vejo como adequada para preservar a imagem do nosso maior ídolo, que poderia ainda - usando do seu prestígio em todos os cantos do mundo - articular parcerias para construção do nosso CT, buscar patrocínios, conversar com autoridades políticas sobre problemas de dívidas do Clube, enfim, realizar a grande diplomacia que toda entidade necessita no seu dia a dia.

Espero que integrantes da atual administração na Gávea leiam esse texto e façam logo esse convite para que o nosso Galinho retorne em breve ao lugar de onde nunca deveria ter saído, com uma função digna e condizente com a magnitude da sua imagem.

Vinicius Nagem
Presidente da FLAPARANÁ

Utilidade Pública

Tem muita gente reclamando do novo sistema de comentários, mas infelizmente é esse aí ou uma mudança de provedor, algo como o wordpress...

Para ajudar a quem não consegue comentar, seguem 4 ou 5 imagens, e a única coisa mais trabalhosa, que na realidade não dá trabalho algum, é fazer uma conta no twitter. Pra conectar aqui, fica muito mais fácil.

Enfim, vamos às imagens. Depois dessa molezinha, se não conseguir, é melhor pedir ajuda aos universitários do Sílvio.

Imagem 1:



Viram ali? É só clicar no mouse sobre o triângulo ali do lado e...

Imagem 2:



Aí, de posse do login do twitter, ou de qualquer outra conta disponível nas opções, é só logar. Usei a opção do twitter para tal:



Daqui pra frente, é como andar de bicicleta:



E....


E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex





terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Para quem tem curiosidade sobre os primórdios da história flamenga, aí vai a história do primeiro título invicto. Então, boa leitura.

O Bicampeonato Carioca de 1915

1915. A popularidade do futebol se alastra com rapidez impressionante. O remo, que antes monopolizava as atenções do carioca, precisa se adaptar aos novos tempos. As regatas na Enseada de Botafogo, outrora apinhadas de gente, já não atraem tantas pessoas em dias de grandes clássicos no futebol. As moçoilas agora suspiram pelos heróis que pugnam galhardamente pelo domínio da esfera encouraçada. Mas além da alta sociedade, o futebol também atrai gente de todas as classes, que acompanha, se interessa pelos duelos entre os principais times da cidade. E torce.

O Flamengo, a essa altura, possui certamente a melhor equipe do Rio de Janeiro. Ainda tendo como base o grupo rebelde que se divorciou do Fluminense e lutou para criar o Departamento de Esportes Terrestres no natal de 1911, o rubro-negro é o atual campeão e favorito para repetir a conquista. Mas, a despeito de todo o prestígio de seus jogadores, o clube não ostenta o perfil aristocrático de Fluminense e Botafogo, ou segregacionista do América. Na verdade, o futebol do Flamengo ainda não é visto com bons olhos nem dentro do próprio clube, uma vez que os jogadores ainda precisam usar uma camisa cobra-coral para se diferenciarem dos remadores. A falta de estrutura é tamanha que os treinamentos são realizados em um campo de peladas, na Rua do Russell, na Glória.

E cada treinamento flamengo é um evento. No dia e na hora marcados, uma multidão já se apinha nas bordas do acanhado campinho para ver os campeões da cidade, impecavelmente vestidos, fazerem seus exercícios no meio da rua, de improviso mesmo. Cada bola atirada longe é perseguida por um bando de moleques que vai crescendo junto dos seus ídolos. Solícitos e receptivos, os craques flamengos vão angariando cada vez mais a simpatia dos aficcionados (muitos curiosos inclusive ensaiam acompanhar os exercícios junto aos atletas). E sua popularidade vai crescendo junto com o “novo” esporte.

Vai começar o campeonato. Os favoritos são os de sempre. Flamengo, Fluminense, América e Botafogo, na ordem. O rubro-negro tem como destaques o trio defensivo formado pelo goleiro Baena e os zagueiros Píndaro e Nery (os dois zagueiros, inclusive, figuraram a primeira seleção brasileira da história, em 1914), o médio Galo e os atacantes Riemer, Borgerth e Sidney Pullen. A grande parte estuda Medicina, exceto (entre outros) Galo, que, digamos, ainda não encontrara sua vocação. Irreverente ao extremo, Galo se diverte desmanchando penteados e puxando calções de adversários, o que provoca risos da platéia e ajuda a consolidar a imagem da irreverência flamenga, tão ao gosto do carioca.

Curiosa é a história de Alberto Borgerth. Já a ponto de se formar em Medicina, Borgerth é pressionado pela família a largar o futebol e se dedicar à profissão, seguindo o hábito natural da época. Mas, seco de paixão pela bola, vai adiando a despedida. Passa a treinar e a jogar escondido. Pede à imprensa (que cada vez dedica mais espaço aos jogos) que registre sua escalação com o nome de Borges, ou Borja, com receio de que seu severo pai descubra suas incursões futebolísticas. E assim, sob o pseudônimo de Borges e Borja, o bravo Alberto Borgerth segue professando sua paixão flamenga.

No início do campeonato, um susto. Desfalcado de alguns titulares, o rubro-negro empata em 2-2 contra o frágil Rio Cricket, de Niterói. Mas logo se descobre que o adversário escalara um atleta sem prévia inscrição, de forma que o Flamengo ganha os pontos do jogo. A seguir, o Flamengo, mordido, mostra ao Fluminense (cujos adeptos exageraram nas gozações após o mau início rubro-negro) quem manda na cidade, e enfia terapêuticos 5-0 no tricolor, mantendo longa freguesia. Na verdade, desde o primeiro Fla-Flu, o Flamengo nunca mais perdera pro rival das Laranjeiras. E nisso já são três anos de surras sistemáticas.

A seguir, mais uma demonstração de força do futebol. Cerca de 15 mil (público recorde à época) se espremem em General Severiano para acompanhar o Flamengo vencer o Botafogo por 2-1. O time segue vencendo, goleando, passa por cima de América (4-2), São Cristóvão (5-0), Bangu (4-0), sempre comemorando seus triunfos ao som do cavaquinho e do reco-reco, num flagrante contraponto aos bailes formais que sucedem as vitórias do maior rival, o Fluminense.

Súbito, pipoca uma confusão. O Fluminense vai vencendo o América por 2-1, quando o time rubro empata. Mas o árbitro W. Tulk, jogador do Rio Cricket (à época era comum as partidas serem apitadas por jogadores de outros times) anula escandalosamente o gol, o que causa revolta entre os torcedores americanos, que invadem o gramado e exigem a validação do tento. Coagido, Tulk volta atrás e dá o gol, o que gera outra confusão. No fim das contas, o jogo é anulado.

Enquanto isso, o Flamengo entra no segundo turno líder absoluto e o “time a ser batido”. E começa a ter mais dificuldades. Faz 5-2 no Rio Cricket, mas depois empata quatro jogos seguidos (1-1 Fluminense, em mais uma arbitragem confusa, 0-0 Botafogo, 0-0 São Cristóvão e 2-2 América) e permite perigosa aproximação do Fluminense, que chega a empatar em pontos. Falta um jogo para cada time, e ambos estão com 18 pontos.

Ao Fluminense, resta apenas o jogo anulado com o já eliminado América. Os tricolores esbanjam certeza na vitória e no título, ignorando inclusive a hipótese de jogo-extra. Não acreditam mais no Flamengo, tido como decadente. A convicção é tamanha que o clube reserva um lauto banquete de comemoração no elegante restaurante Roma, no centro da cidade, a se realizar após a partida. E realmente o jogo foi vencido sem dificuldades, inteiramente dominado pela equipe vencedora, robustos e indiscutíveis 5-3 para... o América, que faz questão de confirmar a reserva no restaurante e realizar o jantar, sob “vivas” e “hurras” dos flamengos, que fazem do Fluminense o motivo de gozação da cidade.

Ao Flamengo, resta o Bangu. E o último jogo é motivo de festa, pois finalmente o rubro-negro consegue um campo para mandar suas partidas. Não terá mais que ocupar o campo de General Severiano, do rival Botafogo. O clube arrenda um terreno pertencente à Família Guinle, na Rua Paissandu, curiosamente perto das Laranjeiras.

E uma multidão invade as dependências do campo para festejar o novo lar flamengo. O time assimila o entusiasmo do público, enche-se de ânimo e de uma forma bem rubro-negra goleia o Bangu por 5-1, confirmando o bicampeonato carioca, o primeiro título invicto, dando início a um verdadeiro carnaval em pleno finalzinho de outubro, com seus corsos seguidos por um mar de gente.

Após o título invicto, o Flamengo já se prepara para uma nova jornada. O time aceita convite para excursionar ao Pará, para uma série de amistosos.

E a aventura paraense será mais um embrião para o surgimento de uma nação.


CLIMA DE MARACA - O bom irmão.

Com linguagem informal, João Tavares - o Dão - comenta a movimentação dos torcedores antes/durante/depois dos jogos no Maracanã.



Bom dia Rubro Negros do meu Brasil. Tava morrendo de saudades do blog e da galera daqui. Depois daquele dia do Hexa, eu tirei férias forçadas daqui da área, por livre e espontânea pressão, comemorei até o final do ano, com pequenos intervalos apenas para dormir. Depois de uns 20 dias comemorando resolvi escrever o texto sobre o jogo, mas aí a amnésia alcoólica também não me permitia mais contar com detalhes então abortei a missão de vez.

Eu sei que assim como eu a galera daqui adora o campeonato carioca. E desta vez a motivação é maior, é por um tetra campeonato inédito. Tetra esse que vamos ganhar sem esse papo de poupar fulaninho ou siclaninho. Tem que botar essa molambada completa pra jogar e ir entrosando pro restante do ano.

Ao acordar domingo e abrir a internet me deparo com a grande novidade do torneio. Os sábios da SUDERJ em apoio com FEERJ e Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer do RJ resolveram que não se venderia ingresso mais depois das 14 horas, ou seja, 3 horas antes da partida. E os sábios ainda alegam que isso é em benefício do torcedor. Eu não sei se rio ou choro, fato é que ali meu dia tava decretado, Mengão só pela telinha. Eis que me liga o Guido, rubro negro dos bons ali do Leme e me salva com uma entrada, e benção, de estudante. Pronto, minhas preces foram atendidas e partiu Maraca.

Chegando no Chico´s recordei o tempo que não havia choque de ordem nos arredores. O bar estava uma tranqüilidade que até parecia cidadezinha do interior. Eu confesso que prefiro daquele jeito, a cerveja sempre ta gelada e o perrengue para bebê-la é zero. Por outro lado aquilo vazio é sinal de publico fraco no estádio. Não da pra ter tudo nessa vida.

Ao chegar no estádio pude perceber as novas mudanças, torcedores eram abordados e perguntados se estavam entrando com meia entrada e se estavam com a carteira de estudante. Como eu não tinha comprovação de nada dei uma de maluco e me fingi de surdo, entrei. Soube que se o ingresso for comprado com cartão de crédito Master Card paga-se meia também, a partir dos próximos jogos pago meia entrada.

Já lá dentro mais novidades para a Copa do Mundo. As rampas de acesso ao estádio estão pintadas de amarelo com a inscrição “proibida a permanência”. Essa eu duvido que dê certo. Logo ali que eu me refugiava para fumar meu charuto sem incomodar ninguém. Vou ter que baforar no meio da galera. Fora isso de estranho mesmo era um esquisito com a camisa do gremio no meio da amarela. Depois de um tempo com nego falando no ouvido dele ele tirou e mostrou uma tatuagem. Nem vi se era do Flamengo mas ou o esquisito tirava a camisa ou ia embora. Resolveu ir embora. Depois no intervalo soube que ele tinha sido expulso da 40, tava lá no meio da Urubuzada e teve que sair fora também.

Com um Maracanã às moscas (me surpreendi com 17 mil, deviam estar todos escondidos na sombra) e num calor de 50 graus o Flamengo começou sua luta pelo tetra. No outro time estava o famoso Mauro Fonseca, Maurinho para os íntimos, que por tantos anos jogou na gávea, e pasmem, com a 11 de atacante. Confesso que eu não esperava grande atuação de um time quase todo reserva e em seu primeiro jogo, achava até que quem fizesse o primeiro gol ganharia, tamanho era o calor que estava e o entrosamento dos times. Depois de um primeiro tempo bisonho o Mengo voltou com outra cara no segundo e conseguiu boa virada, com destaque para o segundo gol, um golaço 70% creditados para a esticada que o Álvaro deu para o Fierro botar na rede. O Kleberson é um cara que consegue fazer uma jogada genial e uma merda federal no lance seguinte. É impressionante sua irregularidade, mas no meio daquela molambada toda é o homem chave, único capaz de ter um lapso de craque e fazer boas jogadas. Quanto ao Léo Medeiros eu fico com pena desse garoto Jorbison. O muleque tava lá num torneio sub 20, jogando e treinando todo dia, titular, não interessa se com 17 ou 18 anos, ta lá vestindo uma amarelinha, chegar e ver o Léo Medeiros no seu lugar deve dar uma desanimada danada. Força Jorbison, treina forte que essa vaga ta uma teta esse ano.

Gostei da estréia do Fernando, o gêmeo bom da novela. O muleque entrou com bastante vontade, deu carrinho, lutou, foi improvisado de beque, e no fim foi premiado com o gol da vitória. Se essa bola fosse na cabeça do Obina ia nas cadeiras. Vocês jogaram paredão quando muleque? Aquele jogo que você fica com amigos dando chutes fortes com a bola na parede e ela tem que voltar até certa linha, se não voltar você ta fora? Pois é, o Obina me lembrava essa parede, o cara não conseguiu matar uma bolinha jogo inteiro. Desse jogo eu salvo além do Fernando, o David, o Toró e o Fierro.

Não sei se o esqueminha da cerva acabou ou se tava babado por conta do publico fraco, mas senti falta daquela latinha morna de cinco pratas. A saída foi tranqüila e voltamos para o Chico´s pra saidera.

Quarta tem jogo em Volta Redonda, pelo visto com esse mesmo time muquirana com Angelim na vaga do Álvaro. To pensando, mas de repente broto por lá a faço o "Clima de Raulino".

Dão no Twitter: http://twitter.com/dao_tavares


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Roteiro esperado


* Por Alexandre Lalas

Foi mais ou menos como se poderia prever. Uma atuação assim, assim, mas o que importava era a vitória. E ela veio. Na base da força e da vontade. Três pontos na conta, mesmo com o time quase todo reserva.

Dito isto, é bom analisarmos o que aconteceu no jogo de domingo. Andrade escalou mal o time. Apostou em Léo Medeiros na lateral-esquerda e armou o meio com Williams de primeiro volante, Toró a frente deste e Erick Flores na ligação. Fierro na direita, Obina no meio e Kléberson na esquerda. Não funcionou. Erick ficou perdido, Fierro se ressentiu do apoio de Everton Silva e Kléberson ficou torto. Léo Medeiros tampouco arriscou. E Obina ficou isolado na frente, trombando com a zaga. Resultado: poucas chances de gol e 1 a 0 para o Duque de Caxias.

No segundo tempo, Andrade acertou as coisas. Tirou Léo e Erick, levou Everton Silva para a lateral-esquerda e Fierro para a direita. Sem dúvida, esta é a melhor formação enquanto não pudermos contar com Léo Moura e Juan. No meio, Vinicius Pacheco entrou (e bem) no meio e Mezenga foi para o lado esquerdo do ataque, com Kléberson pela direita. A dupla Kléberson/Fierro funcionou bem. Mezenga, embora um tanto lento, pelo menos amplificou a presença ofensiva do time. E Vinicius Pacheco se apresentou para o jogo mais do que o talentoso Erick. Viramos rapidamente e poderíamos ter goleado o time não fosse um erro de passe na saída de bola que resultou na falta necessária cometida por Álvaro e a consequente – e justa – expulsão do nosso xerife. Levamos o empate, mas mostramos força para reagir e ganhamos.

Melhor do que o resultado em si foi poder comprovar o bom estágio físico dos nossos atletas, apesar do pouco tempo de preparação. A quem pudesse se preocupar com um até previsível oba-oba pós hexa, jeito como o time correu no calor senegalês que fez ontem no Maracanã foi animador. Agora é manter o foco e esperar a volta dos titulares. Assim poderemos ter uma ideia melhor de como Andrade pretende armar o time.

Até terça.

Um achado e um conceito

Não se podia exigir muito mais do que isso, um time disposto a correr contra o calor, contra o desencontro de fôlego e cérebro dos primeiros jogos, contra um adversário retrancado. Além disso, era quase certo que levaríamos um gol de Mauro Fonseca (nunca aceitei a intimidade do diminutivo com esse perna-de-pau), e tanto pior que a profecia ("serás poderoso, mas levarás gols de ex-atletas tacanhos") se cumpriu de modo a ficarmos em desvantagem.

O que ficou claro na volta para o segundo tempo foi a questão conceitual. Um time com dois atacantes de área precisa de um armador, e foi isso que Vinicíus Pacheco (!) fez: armou. A virada saiu rapidinho, bom que um tenha sido de Kleberson porque precisaremos dele com moral, justo que tenha outro tenha sido de Fierro, bem demais em sua busca de Copa do Mundo. Mas o mais importante é que precisamos mesmo de um armador, alguém para ser o substituto que Pet inevitavelmente vai pedir em alguns jogos, e embora tenha entrado bem, não creio que Vinicíus Pacheco possa ser esse jogador.

Ainda assim, que o jogo tenha encaixado melhor no segundo tempo, tomamos o empate, que chegou a parecer definitivo. Aí apareceu o Fernando, de quem não se esperava grandes coisas, muito menos gols, menos ainda de cabeça. Apareceu o Fernando e achou uma bola improvável, no segundo andar, cabeceou com estilo de centroavante e a bola entrou cruzada, no canto oposto, na costura.

Bom começar ganhando, e se foi um peladão de início de temporada, valeu pelo conceito da armação e pelo achado do Fernando, de quem eu francamente duvidava. Valeu, Fernando. Que você encontre outras bolas assim pelo caminho.

Mauricio Neves no twitter: http://twitter.com/badsnows

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Começou o Carioca 2010!

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Chega de férias!

Antes de tudo minhas Saudações aos amigos e irmãos Rubro Negros! Estava com saudades de vir ao blog e falar sobre o Mais Querido. Até pensei em fazê-lo nesse período de pré temporada, mas discutir especulações é uma coisa que torra a paciência.

Mas agora a bola rolou, agora é à vera.

E exatamente porque agora vale três pontos que considero o resultado de ontem perfeito. Foi o primeiro jogo em uma importante temporada, o início de um objetivo jamais alcançado pelo Flamengo em sua história. Portanto, "comemorai, ó fiéis", começamos com vitória a caminhada do inédito Tetracampeonato estadual.

Agora, vamos lá: Que o time jogou mal e sofreu na mão do humilde Duque de Caxias é fato, acho que poucos discutiriam isso.

Conversava há pouco com meu amigo Merçon e algumas constatações preocuparam ainda mais do que a atuação:

Porque apenas um atacante contra o Duque de Caxias? Ou porque recuar tanto como fez após o segundo gol?

Esse time da estréia, obviamente, é uma caricatura tanto do hexacampeão Brasileiro quanto daquele que teremos em mais duas ou três rodadas. O time que vimos ontem é tão somente o necessário para uma estréia contra o Duque de Caxias, com o calor que fez essa tarde de domingo. No mínimo valeu pela vontade do segundo tempo e pelo poder de reação e superação, capazes de garantir a vitória.

Mas é bom a partir daí é bom nosso guerreiro Andrade voltar a ter mais juízo do que sorte.

Para não ficar apenas cornetando, elogios a dois dos artilheiros da tarde: Primeiro ao Fierro, que já vem mostrando atuações mais voluntariosas dentro de campo e que marcou ontem seu segundo gol com a camisa do Flamengo. E também ao estreante Fernando, que marcou o gol da vitória e demonstrou ter um bom posicionamento de área principalmente nas jogadas de bola parada. Em comum, o desejo de ambos em mostrar seus valores: O primeiro pela chance de disputar uma Copa do Mundo defendendo as cores de seu país, o segundo pelo desejo de se firmar como titular no atual campeão Brasileiro.

Por ontem já ficou claro, quem ganha com isso é o Flamengo.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

Flamengo Net

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