A razão e a falta de razão do torcedor

* por Victor Esteves, direto do Buteco do Flamengo
A razão e a falta de razão do torcedor

Não importa como e nem o porquê!
O retorno de Zico é algo assim tão emblemático que faltariam palavras ao melhor dos cronistas para descrever o que significa. Se pensar em Flamengo é se pensar em Zico em um grau muito maior do que qualquer identificação de qualquer jogador com outra camisa.Vergonha

Flamengo x Gremio
6 meses atrás, era outro o nosso espírito para um jogo contra os gaúchos esquisitões.
Era outro o Flamengo, era outra a organização em campo, era outro o momento do campeonato.
Mas tem algo que nunca muda: o Flamengo continua o Flamengo, mesmo que em campo tenhamos o Dimba ao invés do Zico.
Vamos prá cima deles, e que São Judas nos ajude.

PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André MonneratO tempo de esperar já passou. A hora de agir também!
Em todos os meus 30 anos como flamenguista não me recordo de uma transferência de mandato tão tranquila e cordial como a que Patrícia Amorim teve. O clube era hexacampeão, o então presidente chamou a eleita para conversar um mês antes da data de sua posse e fez de tudo para antecipar sua gestão e a imprensa fez uma extensa cobertura positiva elogiando o fato de termos a primeira presidente mulher (na verdade, a primeira foi no Corinthians, mas seria apenas uma "laranja" de seu marido). Independente da falta de quadros no clube, ela chegou no nosso melhor momento em 17 anos. Aliás, me arrisco a afirmar que nem em 92 o clima era tão bom.
E apesar de todo esse cenário positivo, Patrícia conseguiu transformar um ano que tinha tudo para ser tranquilo e de consolidação da nossa longa retomada após 17 anos em um ano de crises. Entre dois fla-flus ela viu a crise surgindo e se omitiu (a hashtag dessa gestão) de resolvê-la. Pelo contrário, deixou o fogo aumentar e suas únicas ações foram tão benéficas quanto fechar o registro do hidrante em frente a um incêndio.
Há aqueles que pedem calma, paciência e argumentam que o Flamengo não vai virar um clube estruturado de um dia para o outro. Concordo. Porém, o clube avançou - e muito - desde o período em que destruímos um time campeão brasileiro(era Velloso), montávamos um time a cada semestre (era Kléber Leite) e acreditamos em soluções fáceis que quase nos destruíram (era Edmundo CPI) . Não é razoável que o clube retroceda no quesito formação de elenco para só então evoluir em todos os pontos. Me parece bem óbvio que o mais fácil é manter uma base campeã enquanto se corrige outras falhas. Você não começa do zero, mantém o que está certo e melhora o que está ruim.
O tempo de esperar passou, presidente. Você teve cinco meses de mandato e outras semanas de bônus da gestão passada. Tempo suficiente para pôr em prática seu plano para o futebol, se é que ele existe. Manter o vice de futebol anterior foi decisão sua e não serve como desculpa para lhe eximir do ineditismo em perder um clássico em que estávamos invictos há dois anos e um título que dominávamos há três.
O tempo de agir também já passou. Nossa dupla de ataque, o ponto forte de 2010, vai embora sem que você, presidente, tenha mostrado um mínimo de profissionalismo e contratado substitutos com um mínimo de competência ao invés de apostar em um menino que precisa ser preparado para crescer e não punido por sua omissão. Em cinco meses você viu o time do hexa se fragmentar e não fez absolutamente nada para manter o nível exceto afirmar que trabalhava em silêncio. O silêncio, presidente, não é o escudo dos competentes, mas o discurso de quem não tem o que falar.
Como se o acaso fosse seu admirador pessoal(ou, quem sabe, um líder de certas organizadas), ele deixou um buraco na temporada para que o técnico (um de verdade, não o dos juniores que foi mais fácil de colocar lá) prepare um time que receba os reforços após o início da competição em que não apenas disputamos, DEFENDEMOS um título brasileiro. Sua omissão, presidente, nos custou muito caro e nos atrasou demais. Demais! Ainda assim, o destino lhe deu uma segunda chance de compensar seus erros - compensar, não apagar. Sua incompetência neste período já é histórica - e tentar encerrar os seus 2 anos e meio no cargo de forma que faça jus às tradições do clube e ao seu papel emblemático como a primeira líder da Nação. Faça jus a isso, Patrícia. Ou você e seus aliados serão lembrados por isso pelo resto da vida.
E lembre-se: você não se reelegerá como vereadora apenas com os votos da turma da bocha.
So what?
Olá, saudações rubro-negras a todos. Como bom torcedor flamengo, já penso no heptacampeonato brasileiro. No entanto, em função da reformulação que se aproxima (o Adriano já está indo embora) e principalmente pelo calendário bizarro que vai parar o Brasileiro para a Copa do Mundo, é impossível mobilizar-se completamente para esses joguinhos aperitivos, que vão mesmo servir, ao que parece, para mostrar o valor de alguns garotos da base, como o Diego Maurício, que mostrou serviço na estréia. De qualquer forma, não é disso que tratarei nessa e nas próximas semanas. Uma vez que a Copa do Mundo está chegando, e irá monopolizar a cobertura e as atenções de todos nos dias vindouros, preparei uma série com as participações de heróis flamengos nas edições dos Mundiais, desde 1930. Espero que gostem. Boa leitura. O Flamengo nas Copas – Parte 1 1930 – A Tardia Descoberta de Moderato 1930. A preparação brasileira para a primeira Copa do Mundo da história já se inicia da pior forma possível. Ocorre que a CBD (a Confederação da época, precursora da atual CBF) não aceitou a “sugestão” da APEA (a Federação Paulista de Futebol da época), que queria indicar um de seus membros para a comissão técnica. Em retaliação, a APEA negou-se a fornecer qualquer jogador paulista para a Seleção, que assim foi formada por 23 jogadores cariocas e apenas um paulista (Araken, que estava em litígio com o Santos). O Flamengo contribuiu com dois nomes, o médio Benevenuto e o atacante Moderato.
Benevenuto foi um dos heróis da espetacular conquista do Carioca de 1927 (o ano em que as camisas jogaram sozinhas, link aqui). Um dos grandes nomes flamengos da década de 1920 (estava no clube desde 1923), voltava ao rubro-negro após rápida passagem pelo Atlético-MG. Mas, diante da fase exuberante do vascaíno Fausto (a Maravilha Negra) não teria chances de atuar na Copa (anos mais tarde, o próprio Fausto exibiria seu futebol refinado no Flamengo). Já a história do atacante Moderato é diferente. Atuando no Flamengo também desde 1923, este gaúcho extremamente aguerrido logo caiu nas graças da torcida, participando ativamente das conquistas de 1925 e principalmente 1927, quando, num ato de extremo heroísmo, atuou na partida decisiva ainda convalescendo de uma cirurgia de apendicite (detalhes no link acima). Mas Moderato já havia perdido boa parte de seu vigor, e decidira encerrar a carreira após a Copa. Enfraquecida, a Seleção não atua bem contra a Iugoslávia, e acaba derrotada (1-2). Sem uma preparação física adequada, os jogadores sucumbem ao pesado frio do inverno uruguaio. Se bem que, segundo algumas testemunhas daquela partida, não só de frio os brasileiros teriam tremido... De qualquer forma, a derrota para os iugoslavos faz com que a Seleção, já eliminada para a partida final contra a Bolívia, seja bastante modificada. Somente a linha média é integralmente mantida. A defesa, muito criticada, e principalmente o ataque são totalmente reformulados para a partida final. Ao todo, são seis alterações na equipe, em que somente Fausto e o atacante tricolor Preguinho agradaram.
Moderato é um dos beneficiados com as mudanças. Entra no lugar do opaco atacante Teófilo, do São Cristóvão. E se torna a grande figura da partida contra a Bolívia. Sua entrada dá mais agressividade e movimentação ao time, em que pese a fragilidade do adversário. Marca dois gols na goleada por 4-0 (Preguinho, que realmente vivia grande fase, completou o placar), que faz com que a Seleção se despeça da Copa de forma honrosa. Muita gente chegou a afirmar que, se Moderato estivesse em campo contra os iugoslavos, as chances de vitória brasileira teriam aumentado bastante. Mas nem tudo foram lamentos. A torcida paulista havia se mobilizado vivamente para acompanhar a Copa e torcer... contra a Seleção, a ponto de soltar fogos e comemorar a eliminação do “scratch carioca”. Enfim, ao final do Mundial, Moderato, como havia anunciado, encerrou a carreira e Benevenuto ainda atuou no Flamengo até o final do ano, sendo a seguir negociado.
1934 – O Caos 1934. O Flamengo vive o mais prolongado e pior inferno astral de sua história. Indefinido entre manter-se no anacrônico amadorismo ou aderir ao profissionalismo, esfacelado em diversas correntes políticas, que viviam brigando entre si (a ponto de dois presidentes renunciarem no mesmo ano), o clube vai empilhando participações ridículas nos campeonatos que disputa, chegando a amargar um jejum que duraria DOZE anos. Além disso, sem dinheiro, não tem mais como manter a sede na Rua Paysandu, que é devolvida à Família Guinle (ao menos ganha o direito de uso de um terreno no longínquo bairro da Gávea, em 1931). Como se não bastasse, perde seu maior ídolo, o goleador Nonô, que morre vítima de tuberculose. Definitivamente, é a chamada “década maldita”.
Num cenário desses, não é de se admirar que, dos 17 jogadores convocados pelo treinador Luiz Vinhaes (campeão carioca por São Cristóvão e Bangu), nenhum jogador pertença ao Flamengo. E isso diante de mais uma cisão (dessa vez uma briga entre profissionais e amadores), onde a Seleção novamente não é representada por todos os seus melhores jogadores. De qualquer forma, a preparação da Seleção para a Copa de 1934 conseguiu ser ainda mais caótica do que no Mundial anterior, com jogadores viajando de navio, praticamente sem treinar, e desembarcando muito acima do peso (houve caso de jogador com nove quilos acima do ideal). Num cenário desses, a Seleção foi presa fácil para a forte Espanha (à época um dos melhores times do mundo), sofrendo três gols ainda no primeiro tempo (derrota por 1-3). Destaque apenas para Leônidas, que a CBD contratou a peso de ouro, tirando-o do Vasco. Como curiosidade, a campeã acabaria sendo a Itália, após as “carinhosas” palavras de Mussolini ao seu treinador (“é importante que a Itália vença esta Copa, até pela sua segurança pessoal”). Depois reclamam da pressão no futebol de hoje em dia... Assim se resume a pálida participação flamenga nas duas primeiras Copas. Mas, dali a quatro anos, o quadro iria se modificar radicalmente. Em 1938, o Flamengo, já sob a gestão de um dos maiores presidentes de sua história, estaria sob forte reestruturação, que a recolocaria no papel de protagonista do futebol nacional. E, de quebra, ainda veria um dos maiores times de sua história.Foto em foco
Créditos: Celso Pupo, do nosso parceiro Blog Fim de Jogo
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André MonneratA política do atraso
*Por Alexandre Lalas
FORA, BRUNO
Os ingredientes para a motivação
*Imagem gentilmente emprestada do Urublog
Nada além de tudo

Convocação para Flamengo x brasília
res contratados. Ao invés de investir os quase inexistentes recursos em nomes “bons” (???) e baratos (tipo Adrianinho, Marcos Dener, Márcio Guerreiro e quetais), começam a desembarcar na Gávea jogadores com algum histórico em equipes de ponta, ou pelo menos acostumados com o brilho dos holofotes. Em baixa, é verdade (não há dinheiro), mas rodados. Nesse contexto, chegam nomes como Leonardo Moura (ex-Botafogo, Vasco, Fluminense, São Paulo e Palmeiras), Renato (ex-Corinthians), Obina (grande destaque no Brasileiro de 2004), entre outros. No ano seguinte (pão de queijo à parte) a estratégia é repetida, e desembarcam na Gávea Juan (ex-Fluminense e São Paulo), Ronaldo Angelim (eleito o melhor zagueiro do Brasileiro de 2005), o jovem Toró (ex-Fluminense) e o goleiro Bruno (ex-Corinthians e Atlético-MG). Nos anos seguintes, essa seria a base de jogadores que formaria a espinha dorsal da equipe do Flamengo, com algumas idas e vindas (Ibson, Souza, Fábio Luciano, Adriano etc) que não mudariam sua essência. Os resultados são indiscutíveis e falam por si. O Flamengo deixa de
freqüentar a obscura região habitada por mortos-vivos como Brasiliense, Ipatinga, América de Natal e Botafogo, e volta a exercer sua habitual vocação de protagonista no futebol brasileiro. Dois títulos nacionais (entre eles o tão perseguido hexa), um tri estadual (e a conquista da tão almejada hegemonia), além de sucessivas classificações para a Libertadores. Tudo isso poderia fazer com que nomes como Leonardo Moura, Juan, Bruno, Toró e Ronaldo Angelim fossem tratados como heróis, redentores, saudados com uma reverência quase mitológica pela grande nação rubro-negra, certo? Errado. Todos os supracitados, sem exceção, já foram, estão sendo ou ainda serão fortemente criticados, vaiados, massacrados, até hostilizados. E nem vou entrar aqui na questão da “falta de memória” ou “falta de reconhecimento” do brasileiro, pois não é isso o que quero discutir. Porque esses mesmíssimos heróis, redentores etc, também são os responsáveis por alguns dos maiores vexames da história flamenga. E com dois agravantes: uma repetição bizarra de eventos, e uma sádica capacidade de vivê-los sempre no Maracanã, preferencialmente lotado.
Assim, nos últimos quatro, cinco anos cada torcedor flamengo sempre tem estado exposto a uma alucinante e mortal gangorra, uma roleta-russa que empilha a glória e o escárnio de forma quase simultânea. À arrancada para a Libertadores de 2007 se contrapõe o Cabañas, ao lado do tri estadual se perfila o Resende, vitórias históricas (Fla-Flu com nove, virada no Sport em três minutos, pau no SPFC invicto e arrogante do Muricy etc) e derrotas inesquecíveis (Atlético-MG no jogo do Sambueza, 3-3 Goiás...). Tudo isso com praticamente o mesmo grupo de jogadores. O grupo do hexa. Esses jogadores não têm perfil de vencedores, haverão de dizer. Talvez, mas como explicar que todo ano eles sempre trazem uma ou duas taças novas para enfeitar a Sala de Troféus da Gávea? Essa turma aí talvez só seja superada (de longe, é verdade) pela Geração Zico em termos de conquistas. Têm medo do Maracanã lotado e tremem, dirão outros. Pode ser, mas este mesmo Maracanã foi fundamental na arrancada de 2007, sempre cheio, sempre ensurdecedor, e sempre vitorioso. Ou no hexa, ou no tri, ou em outras batalhas. São frios e não “estão nem aí”, outros sustentam. Tudo bem, mas como explicar então o choro convulsivo de Leonardo Moura após cada taça conquistada (só procurar no youtube), ou o pranto incontrolável do Bruno após o jogo do Cabañas? Será mesmo que falta brio, falta alma a esses caras?
Enfim, muitas são as teorias. Eu acredito que esse é um perfil inerente à própria tradição flamenga (brilhar na adversidade plena e quedar vítima da lassidão quando sua superioridade é exposta), que de alguma forma esses jogadores absorveram com uma intensidade talvez inédita na história do clube. O fato é que, para um Bruno, um Juan, um Leonardo, o bálsamo das glórias e o açoite humilhante do escárnio sempre caminharão de mãos dadas, arrebatando e maltratando os corações de todos os que soçobram na vã tentativa de tornar racional o estado da arte da emoção que é ser Flamengo. Concluindo, e quanto à pergunta do início? Afinal de contas, como esses jogadores serão lembrados? Bruno será o herói dos pênaltis, a muralha fundamental do hexa, ou um frangueiro boquirroto? Leonardo Moura será o velocista capaz de destruir defesas ou um omisso pipoqueiro? Juan, guerreiro ou um encrenqueiro folgado? Angelim, o herói do hexa ou um zagueiro meia-boca que teve sorte? Deixemos a história, sábia como ela, decidir no tempo adequado. Enquanto isso, a mesma história coloca diante desses mesmos heróis-vilões mais uma oportunidade única para que mostrem seu valor, seu brio. O adversário está invicto. Joga em casa. Alçapão. Lotado. Pode até perder. Está com a moral nas alturas. Virtualmente classificado, com a vaga na mão. É nesse tipo de cenário que o Flamengo costuma ser mais Flamengo.
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