sábado, 31 de outubro de 2009
Mesa de Bar - FLAMENGO x Santos
Maracanã - 18:30h
Por Max Amaral*
No dia seguinte ao apagão de Barueri, o Nelson Bata escreveu aqui no blog da FlamengoNet que a culpa pela derrota pode ter sido dele. Uma história estranha sobre a mãozinha que São Judas teria oferecido e que ele recusou, alguma coisa assim.
Bão, o Flamengo tem razões que a própria razão desconhece e o fato de o Juan ter errado tudo o que tentou, o Léo Moura não ter tentado nada, o Willians ter corrido desnorteado pelo campo todo e o Adriano estar pensando mais na próxima consulta com o dentista dele em Porto Alegre que em um possível título de campeão brasileiro pode ter um outro culpado: Eu mesmo. Sim, eu confesso. A culpa teria sido do meu pé-frio.
Não que eu tenha sido sempre pé-frio. Eu me descobri Flamengo aos 5 aos de idade, no longínquo 1971, e acompanhei a ascenção, o apogeu e a glória de Zico e companhia. Vi alguns dos melhores jogos de futebol da história do time da Gávea pela televisão ou pelas palavras de Jorge Cury e Waldir Amaral. Vi até mesmo alguns jogos ao vivo, no Maracanã, no Mineirão ou no Mané Garrincha. Chorei de alegria por esse time mais que de tristeza.
Mas o tempo passou, e foi ficando cada vez mais raro ver alguém usando a camisa 10 que foi do Zico com um mínimo de dignidade – alguém consegue pensar facilmente em algum nome que não o do Pet? E o time andou chafurdando em péssima companhia na área de irrelevância do futebol brasileiro por tempo demais.
Finalmente, começamos uma tímida reação: 3a colocação em 2007, 5a em 2008 (o campeonato mais fácil da história mas que deixamos escapar por razões que nem é bom lembrar aqui) e, esse ano, depois de um momento constrangedor, onde eu até mesmo cheguei a defender a idéia de que deveríamos desistir e pensar apenas em 2010, o Andrade pegou o time pelas mãos e nos fez ter esperanças de novo.
E, de novo, quando ficamos cheios de esperança, um tropeço. Perdemos do Barueri.
Do Barueri.
Mas, tudo bem. Vamos ter calma. Dois dos times que estavam na nossa frente também tropeçaram na mesma rodada, e outros ainda vão ter seus maus momentos.
Só nós é que não podemos nos dar ao luxo de vacilarmos de novo.
Então, vamos torcer para que os jogadores entendam a paixão que essa torcida imensa nutre por essa camisa rubro-negra e voltem a jogar o futebol que nos fez parar de pensar na zona de rebaixamento e nos fez sonhar com o título.
É um sonho distante, difícil. Mas é melhor que não ter nenhum motivo para sonhar.
Ah, sim. E onde entra o meu pé-frio nessa história toda? Bom, a temperatura desabou por aqui e, na hora do jogo de quarta feira, nevava sem parar na minha cidade. Gelo para todo lado, gente ilhada dentro de suas casas, carros escorregando e batendo ou simplesmente atolando, um pandemônio. E eu fui lá fora, idiotamente, um brasileiro deslumbrado com aquela coisa branca e bonita que caia do céu e fiquei brincando de tirar a neve da calçada. O resultado foi que meus pés congelaram, e passei o jogo – e o resto da noite – tentando fazê-los voltar a temperatura normal.
Felizmente, a previsão do tempo para sábado é de um dia de muito sol. Peço desculpas pelo vacilo e prometo não abusar mais.
Max Amaral mora no Colorado, nos Estados Unidos, onde o clima é completamente maluco. E também escreve no Mundo Flamengo (www.mundoflamengo.com).
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André MonneratO time para o jogo de amanhã
Enquanto começo a escrever este texto, ainda não há notícia confirmando se Petkovic terá ou não condições de jogo amanhã, contra o Santos. Depois da péssima atuação de anteontem, ficou a convicção em todos do tamanho da importância do gringo. As entrevistas de Andrade são todas sobre como o time precisa aprender a jogar sem ele, as conversas dos rubro-negros são sobre o que deve ser feito se ele realmente não puder entrar em campo.
Todos já devem ter se dado conta de que a série invicta do Flamengo coincidiu com a série de jogos seguidos com Petkovic em campo. Tenho certeza que não foi só a presença dele que fez o time embalar; o seu retorno, na época, coincidiu com a volta de outros jogadores e com a chegada de Álvaro e Maldonado, que deram um belo upgrade na defesa. Mas quero dividir com vocês alguns números sobre o Fator Pet, pra vocês verem o quanto o ataque, mesmo com Adriano em campo, produz consideravelmente menos sem um armador no meio-campo. Pode ter algum errinho na conta, mas é por aí:
- Sem Petkovic em campo, a média de gols do Flamengo (apenas nos jogos com Adriano jogando) é de 1,43 gols por jogo - 23 gols em 16 partidas. Projetando esta média para as 32 rodadas já disputadas, o time teria feito 46 gols - o bastante para ter o décimo melhor ataque do campeonato.
- Com Petkovic jogando - com ou sem Adriano -, a média sobe para 1,76 gols por jogo. Com este desempenho em 32 rodadas, seriam 56 gols - o time teria o segundo melhor ataque da competição, dois abaixo do Grêmio. A conta começa na partida contra o Náutico, no Maracanã, a primeira em que Petkovic jogou um tempo inteiro.
* * * * * * * * * * * * *
Se Pet não jogar, o que fazer? O Flamengo até teria dois jogadores que poderiam ajudar a diminuir o tamanho da ausência de seu grande armador, mas infelizmente eles também estão fora, sem data pra voltar: Éverton e Kléberson.
No lugar de Andrade, simplesmente usaria Camacho em seu lugar. É o único entre os reservas que tem jeitão de meia, de bom passador. É garoto, mas já entrou em diversos jogos no ano - 7 só com Andrade, bem mais tempo do que o treinador já deu, por exemplo, a Erick Flores. Sei que, nestas oportunidades, ele não teve ainda nenhuma grande exibição. Mas sua entrada seria uma maneira de manter os demais jogadores nas funções em que se sentem melhor.
Há outras opções. Já ouvi a sugestão de retornar ao antigo esquema que vem da era Joel, soltando os alas e forçando o jogo aéreo para Adriano; também há os que gostariam de ver Éverton Silva na lateral e Léo Moura no meio-campo. Futebol não é uma ciência exata. Certo é que, na partida passada, o time não funcionou bem e, infelizmente, o tempo disponível pra treino entre um jogo e outro praticamente inexistiu. Que Andrade saiba usá-lo para treinar da melhor maneira possível a opção que escolher e passar para os jogadores um pouco de confiança - que eles acreditem que sim, é possível jogar bem sem Petkovic.
Mas pode ser que Pet jogue. Na verdade, estou apostando nisso. E, se ele estiver disponível, Andrade já sabe bem qual é seu time titular.
Só é bom não acreditar que o simples retorno do 43 vá bastar para o time apresentar um grande futebol. É bom dizer: o primeiro tempo contra o Palmeiras e o jogo contra o Botafogo já haviam tido momentos bem complicados, mesmo com Petkovic. Inclusive com o problema que ficou mais evidente contra o Barueri: a dificuldade na saída de bola quando o adversário adianta sua marcação. De um jeito ou de outro, é bom que Andrade chame a atenção de seus jogadores: o Flamengo ainda está na briga e tem potencial para se dar bem nessa reta final de Brasileiro. Mas, pra isso, tem que jogar o seu máximo.
E quero chamar a atenção para um detalhe: a escalação do banco de reservas. Contra o Barueri, Andrade fez Mezenga e Dênis Marques sentarem juntos. Não é muito fácil imaginar uma situação em que a entrada dos dois juntos pudesse ser útil.
Se Petkovic puder jogar, há a questão do limite de estrangeiros (que não existia na última partida); caso contrário, eu levaria Maxi para o Maracanã.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Matematicamente dá. O campeonato já provou que o imprevisível é o mais previsível.
Andrade errou ontem. Teve sua noite de Ney Franco (e não foi a primeira). Escalou um time que precisava vencer com três volantes, dois meias e um atacante. No intervalo tirou um meia e botou um centroavante. Inacreditável essa predileção por volantes. Ironicamente, o golpe de misericórdia foi tirar um volante, mas justamente o melhor de todos, e colocar um garoto que deveria estar entrando sempre no fim dos jogos e pegando confiança ao invés de ser jogado na fogueira.
Andrade já calou bocas. Inclusive a minha.
O elenco do Flamengo se comportou miseravelmente como em outros vexames, que só seriam esquecíveis em caso de um título do tamanho do clube. Há três anos a mesma turma só joga quando quer, só treina quando quer e só dá certo com o treinador que quer. O peso da derrota ontem no campeonato é bem menor do que as lembranças que essa derrota traz. Torcida presente, time pequeno, vitória necessária e quase iminente e... Naufrágio.
Aconteça o que acontecer, a torcida está sempre ao lado do Flamengo. Mesmo que quem vista a camisa não mereça. E, queira você ou não, quem vai responder a pergunta acima não sou eu e nem vocês. Quem vai responder essa pergunta são os jogadores. E então?
Acabou?
CULPADO?
Quer saber? acho que a culpa de ontem foi é minha. Toda vez que eu escrevo num POST sobre uma preocupação com um determinado jogo, meu medo acaba se confirmando. Sábado, véspera do jogo com o Botafogo, num trecho do POST “A Dois passos do Paraíso” eu escrevi:
Depois, tem outra. Ontem, no POST da Mesa de Bar, poucos minutos antes do começo do jogo, eu fiz um comment sobre “A mão de São Judas Tadeu”. Acho que nego nem leu, era meio comprido. Em resumo eu contava que cheguei em casa à noite e fui “preparar” minha imagem de São Judas, quando a mão da estátua caiu e sumiu. Pensei: “não vai adiantar pedir uma mãozinha ao santo, ele vai argumentar que está sem mão para ajudar”. Fiz uma blitz até achar o pedaço, escondido num local improvável, e conseguir restaurar a imagem a poucos minutos do começo do jogo. Falhou. Agora estou achando: será que São Judas fez a mão cair num sinal de que estava me dando a mãozinha necessária e eu estraguei tudo devolvendo ela à estátua?
Sei lá, talvez a culpa tenha sido do oba-oba, ou do cansaço, ou da mala branca.
Ou será que foi minha?
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Mesa de Bar - Barueri x FLAMENGO
Arena Barueri - 21:50h
No dia de São Judas Tadeu, que tal retribuirmos, prestando-lhe a devida homenagem?
Valei-me, Guerreiros Flamengos!
Link para o jogo: www.rojadirecta.com

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Olá, saudações rubro-negras a todos. No embalo da reta final do emocionante Brasileiro desse ano, em que míseros três pontinhos nos separam por enquanto do paraíso, deixo aqui o derradeiro capítulo da história do tricampeonato de 1983. Os links pros capítulos anteriores estão aqui. Nas partes em negrito, há acesso a vídeos. Então, boa leitura.
Campeonato Brasileiro de 1983 – Final
Flamengo e Santos iriam decidir o Brasileiro de 1983. Final justíssima, pela trajetória das duas equipes. O Flamengo havia começado vacilante, enfrentou sérias turbulências, mas após a chegada de Carlos Alberto Torres o time se reinventou e reencontrou a magia do seu futebol, numa arrancada sensacional. Já o Santos tinha um elenco muito compacto e um time sólido, muito bem treinado por Chico Formiga. A base formada pelos “Meninos da Vila” de 1978, de Pita, João Paulo e Marola estava pronta para chegar ao topo, encorpada com jogadores de qualidade, como o lateral Gilberto, o volante Lino (ex-Flamengo), os zagueiros Márcio e Toninho Carlos (que vinham sendo observados pelo novo treinador da Seleção, Carlos Alberto Parreira) e os seus dois expoentes, o encrenqueiro atacante Serginho Chulapa e o habilidoso meia Paulo Isidoro. O equilíbrio do time se traduzia em sua campanha sóbria, em que passou sem sustos por todas as fases, sempre em primeiro lugar em seus grupos (inclusive contra o próprio Flamengo, na Primeira Fase), e grandes atuações, como os 5-0 sobre o Cruzeiro. Era um time dificílimo de ser batido, que havia perdido apenas duas vezes em todo o campeonato. Muitos inclusive apontavam o Santos como favorito, uma heresia quando se tinha do outro lado o Flamengo de Zico.
Após sorteio, definiu-se que a segunda partida seria no Maracanã. Não haveria vantagem de empate. Em caso de dois resultados iguais, uma prorrogação definiria o campeão no segundo jogo, o que não deixava de ser uma pequena vantagem para o Flamengo.
Para o primeiro jogo, o rubro-negro perdeu Vítor, contundido. Em seu lugar, Torres voltou a confiar em Bigu, deixado de lado desde a má atuação contra o Corinthians. O restante da equipe era o mesmo que vinha atuando, sem alterações.
O Morumbi apanhou um público de cerca de 115 mil torcedores para a primeira partida. E o futebol apresentado foi de primeira qualidade. Sem se intimidar com o mando de campo adversário, o Flamengo tomou a iniciativa do jogo desde o início e passou a criar várias chances de gol,
quase todas desperdiçadas pelo afoito Baltazar. O goleiro Marola, em grande fase (havia sido o herói das Semifinais), também fazia grandes defesas. Mas, quando tudo indicava que o Flamengo abriria o marcador, o Santos consegue um escanteio. Camargo cobra, a zaga rebate e Pita emenda de sem-pulo, uma raquetada que Raul não consegue alcançar. Santos 1-0. O Flamengo sente o gol, mas o Santos não aproveita e o primeiro tempo termina mesmo com a vantagem mínima dos paulistas.Na segunda etapa, Carlos Alberto Torres tira Júlio César e surpreende, pondo o garoto Bebeto, que não sente a pressão e melhora o poder de fogo do ataque. O Flamengo volta a pressionar e a criar chances, especialmente por meio de passes preciosos de Zico, que Baltazar insiste em desperdiçar. O “Artilheiro de Deus” perde uma chance atrás da outra. E logo vem o castigo: Toninho Oliveira cobra falta rápido a Pita, que entra livre na desatenta defesa flamenga e devolve a Toninho, que bate rasteiro. Raul espalma, mas a sobra vai a Serginho, que entra livre e, mesmo desajeitado, só empurra pro gol, abrindo preocupantes 2-0 no placar, tudo o que o Santos queria e precisava.
O Morumbi explodia, e na comemoração do segundo gol, um morteiro atingiu Serginho. O atendimento ao jogador paralisou o jogo por alguns minutos (no fim, apenas uma queimadura leve, e o Chulapa seguiu em campo), pausa providencial para o Flamengo recompor sua tranqüilidade. O time agora vai todo ao ataque. Escanteio. Júnior bate no segundo pau, Mozer joga na área, Marinho apara e Baltazar finalmente acerta, metendo uma cabeçada fulminante, sem chance para Marola. Gol importantíssimo que esfria o Santos e reduz a sua vantagem.
Os últimos minutos são agitados, pois o Santos parte com tudo em busca de mais um gol. O time paulista sabe que no Maracanã a história é outra, precisa aumentar. Aí aparece Raul, que faz uma, duas, três defesas dificílimas e segura os 2-1 até o final. O Flamengo perde, mas vai confiante para a decisão do título no seu templo.
Para a grande final Vítor volta, mas Mozer está fora, contundido. Figueiredo entra em seu lugar. O treinador do Santos repete à exaustão aos seus jogadores e à imprensa que precisa parar os 15’ iniciais do Flamengo e anular Zico. Se conseguir, ele acredita no título.

Tarde ensolarada de domingo, a torcida do Flamengo desconcerta os analistas e se derrama em peso no Maracanã. São 155.523 almas, que estabelecem pela última vez o recorde absoluto de público em jogos do Campeonato Brasileiro.
Sob um barulho infernal e gritos de “Meeeengô, Meeeengô”, começa a partida. O Flamengo dá a saída. Adílio parte pra cima, esbarra na defesa, sobra com Zico, mas Joãozinho espana pro alto. Figueiredo escora mal, Serginho fica com a bola, Élder vem de ladrão e lhe toma a redonda. Dá a Júlio César, que manda com força a Júnior, o Capacete arredonda, limpa um e deixa com Vítor. O volante enxerga Júlio César escapando na ponta esquerda e lança, o galego entorta Toninho Oliveira e bate rasteiro pra área. Baltazar tenta o giro, a zaga corta, Júnior vem na sobra e chuta, Marola espalma nos pés de Zico, e é GOL! Quarenta segundos de jogo! O Flamengo faz 1-0! Que loucura o Maraca!
Bastou menos de um minuto para esfarelar todo o plano de jogo de Formiga. Talvez por isso o Santos se descontrola, seus experientes jogadores não assimilam a tensão do jogo, as divididas são ríspidas, as discussões ásperas. Arnaldo César Coelho tem arbitragem confusa, irrita Zico e João Paulo com pênaltis não marcados, um pra cada lado. O Flamengo está na frente, mas precisa de mais um gol para evitar a prorrogação. Zico está vigiado, e quem começa a sobressair é Adílio. O Neguinho da Cruzada vai dando um vareio, enlouquece a defesa adversária com deslocamentos inteligentes, passes cortantes e arrancadas em velocidade. Pega uma bola na intermediária, risca como faca toda a faixa do meio, abre com Zico, que cruza mas Baltazar isola. Aliás, Baltazar dá início a nova série de chances perdidas, o que vai irritando e deixando a torcida nervosa. O tempo vai passando, o 1-0 se mantém. Mas o Flamengo ataca, sente o momento. 39’. Adílio pega uma sobra pela ponta direita, tenta passar por Toninho Silva, que o desarma. Mas quando o volante pensa em sair jogando, o Neguinho bate-lhe a carteira com sorrateira leveza e o desmoraliza com um drible humilhante. Só resta a Toninho Silva arremessar Adílio ao chão. Falta, Zico cobra dando um passe na cabeça de Leandro, que fecha de surpresa no primeiro pau. Cabeçada à queima-roupa, é gol, é 2-0, é Flamengo!

O Santos vai às cordas. Antes do fim do primeiro tempo, o Flamengo tenta o golpe de misericórdia, Leandro manda uma varada de longe, a bola explode no travessão. A nação em êxtase já pula e canta. Fim da primeira etapa, o Flamengo já tem a vantagem de que precisa.
Mas no segundo tempo o Santos parte desvairado ao ataque. Começa a criar várias chances, preocupa. Na mais aguda, Batistote cruza e Serginho não alcança a bola, diante do gol vazio. Raul, manhoso, reclama com a zaga, retarda tiro de meta, ganha tempo. Mas o Flamengo tem Adílio, em tarde de gala. O nº 8 é decisivo até em cobrança de lateral, onde deixa Júlio César na cara do gol, mas Marola se antecipa. Mais tarde, o impossível Adílio entra pelo meio, escora cruzamento de Júlio César, Marola faz sensacional defesa.
Torres perde a paciência com Baltazar e coloca Robertinho. Tira o cansado Júlio César e coloca mais um garoto, o lateral Ademar, indo Júnior pro meio. O jogo se aproxima do final, o Santos sempre preocupa, o desfecho é imprevisível. Até Zico catimba, para o jogo com faltinha na intermediária do Santos. Agora falta um minuto, mais acréscimos. A torcida começa o “É campeão”, mas enquanto isso o couro come no campo. João Paulo, Serginho Dourado, Paulo Isidoro, Élder e Robertinho travam batalha selvagem pela bola.
No fim, Robertinho consegue avançar, chama Gilberto pra dançar e cruza. Adílio vem na corrida e pula, voa, dá o salto de sua vida, protagoniza o grande momento de sua existência flamenga, levita ao encontro da bola e da glória. A pelota enrosca-se gostosamente nas redes, a Nação explode em felicidade e Adílio, o eterno menino Adílio não ouve nada, não sente nada, apenas corre, grita e é sufocado por uma nuvem de companheiros, novamente donos do Brasil como ele.Não há tempo pra mais nada, salvo uma grossa pancadaria que rebenta entre o exaltado time santista e alguns jornalistas que invadem o campo em busca de melhores ângulos. É mais um episódio conturbado na tumultuada carreira de Serginho, um dos protagonistas do sururu.
Termina a partida, Flamengo 3-0 Santos, placar categórico que põe o Flamengo, pela terceira vez em quatro anos, no topo do futebol brasileiro. Um título suado, sofrido, com várias páginas amargas, em que o time conviveu com o desânimo, a descrença e o escárnio, até encontrar forças para dar a volta por cima e novamente encantar todo um país com uma arrancada inacreditável nos jogos decisivos.
Mas a festa pelo título logo ficaria em segundo plano. Porque ainda na semana dos festejos pela conquista, a Nação, chocada, tomaria contato com a hecatombe, o terror, o desastre.
As tardes de domingo ficariam mais tristes nos dois anos seguintes.
VÍDEOS:
Melhores momentos – Flamengo 3-0 Santos (vídeo de 10 minutos)
CLIMA DE MARACA - Os donos do engenho.
Com linguagem informal, João Tavares - o Dão - comenta a movimentação dos torcedores antes/durante/depois dos jogos no Maracanã.
Bom dia Rubro Negros, o clima de Maraca hoje passa reto pelo maior do mundo e vai até o Estádio olimpico João Havelange, mais conhecido como Vazião, ou Engenhão para os íntimos.
Chega o domingo e acordo pilhadão pro jogo, ligo pra um amigo, pra outro, e a peidação é geral. Já tava pronto pra encarar um trem sozinho no maior estilo do guerreiro molambo quando aos 45 do segundo tempo meu amigo Arthur Muhlenberg liga e me repassa um camarote. Eu fico meio assim com esse negócio de camarote, fico pensando quem vai estar, se vou poder xingar o Léo Moura e o Juan do jeito que eu gosto, entre outras coisas, mas convite de amigo né, não tem como recusar. E como era duplo levei minha companheira que sempre que pode também invade o Maraca comigo.
Após uma rápida corrida de taxi chegamos ao entorno do estádio por volta de 15:3
Uma das poucas coisas legais do estádio é que pra tomar uma gelada é só atravessar a rua. O governo incentivou aos vizinhos a venderem bebidas e comida e a galera faz a festa. A casa em frente a entrada leste faturou, o maluco esvaziou tudo quanto era isopor, só latão a 3 pratas. E para as meninas que estão consumindo a tia ainda quebra o galho e abre o banheiro de casa.
Comecei a
Fiquei surpreso também com o contingente policial. Nunca vi tanto policial trabalhando junto, seja humano, cachorro ou cavalo. Aliás tinha mais PM do que botafoguinho, que mais uma vez fizeram vergonha num jogo contra nós.
E o que falar da diretoria alvinegra? Quando comprei ingresso na terça feira a informação é que tinha acabado o da leste superior, que era a metada do preço da inferior, quando na verdade mentiam sobre os 3 setores, cadeiras azuis vazias era o que mais se via em todos os setores. Mais um mico pra coleção desses caras.
Ficamos acomodados
Depois de um primeiro tempo razoável onde podíamos ter matado o jogo se nosso chileno não fosse genérico, o Flamengo fez um segundo tempo horroroso em que os caras só não fizeram um gol por pura incompetência. Esse time do botafogo é pareo duro em termos de ruindade com o das laranjeiras. E com toda sinceridade, sou fã do Andrade, mas botar o Gil foi de lascar. Não era jogo pro cara, que não agüenta ainda um pique de 15 metros.
Na saída encontro o Delair na fila dos elevadores. Gostei, pelo menos não é daqueles que vêem jogo em PPV, botou a cara, mesmo sendo de camarote ta valendo. A galera deixou o estádio ao som de: "o engenhão é nosso, aha uhu!!" Descolei uma carona esperta pra gente sair dali e partimos para o chopinho clássico da comemoração, mas longe daquela bagunça.
Sábado o Clima de Maraca volta ao maior do mundo, espero que com 54 pontos e lutando por uma liderança. Libertadores o caceta, esse ano é focar nesse hexa.
O Dão também está no Twitter: http://twitter.com/dao_tavares
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Exterminando o “oba–oba”
Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!
Meu irmão, que sufoco!
Depois de toda polêmica, toda pressão sobre local da partida, venda de ingressos, ocupação de torcidas, enfim o clássico. O Mengão em sua fuderosa sequência de nove jogos sem derrota no Brasileiro. Eles, ainda que vindo de uma derrota contra o Cruzeiro, demonstrando uma leve melhora no comportamento da equipe. Vale lembrar que o Botafogo teve uma seqüência terrível o campeonato de 10 jogos entre empates de derrotas quando, há poucas rodadas, conseguiram duas vitórias seguidas, frente a Goiás e Atlético Mineiro.
Por melhor que seja a fase do Flamengo ou por pior que seja a do Botafogo, trata-se de um clássico. Nesse caso, com a rivalidade ainda mais acirrada pelos três últimos campeonatos estaduais.
Se há algo digno de elogios para o Mengão ontem é o comportamento defensivo e a valentia dos jogadores. Zaga reserva? Não parecia. Airton e Fabrício deram conta do recado e olha que a pressão foi enorme. E não se pode virar as costas para a valentia dos jogadores, vontade não faltou em nenhum momento. Time campeão também é feito de raça quando se faz necessário suprir a carência física ou técnica.
Tão importante quando a vitória é o fato de que o clássico deixa também suas lições: O Flamengo ontem abusou de um artifício dos mais perigosos no futebol: Recuar.
Não é novidade a velocidade com a qual o time tem conseguido sair para o contra ataque. É uma virtude dessa equipe. Porém essa arma precisa ser usada com um mínimo de percentual de acerto. Ontem foi zero.
Zé Roberto, Fierro e Gil – já no último lance - poderiam ter mudado o resultado da partida. Mas é importante ressaltar que não erramos apenas o arremate final: Faltou qualidade também no penúltimo passe, trazendo dificuldades da saída de bola da equipe. Algo que não pode ocorrer se a proposta de jogo é atrair o adversário para seu campo de defesa.
Outra impressão é a do cansaço. O segundo tempo do Flamengo foi bem abaixo do que normalmente tem jogado nas últimas partidas. E essa semana promete um esforço extra com dois importantes jogos na quarta (Barueri) e sábado (Santos). Mais um momento de superação para esse elenco.
Foram mais três pontos importantíssimos na busca pelo hexa. E o Mengão teve a competência de conquistar a vitória mesmo jogando menos do que gostaríamos. Há no mínimo o mérito de ganhar o clássico e de ter feito o seu papel ao se mater vivo na disputa pelo título.
Para finalizar, palavras já conhecidas por nós Rubro Negros:
"Para qualquer um a camisa vale tanto como uma gravata. Não para o Flamengo. Para o rubro-negro a camisa é tudo! Já tem acontecido várias vezes o seguinte: quando o time não dá nada, a camisa é içada, desfraldada por invisíveis mãos. Adversários, juízes, bandeirinhas, tremem, então, intimidados, acovardados, batidos. Há de chegar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa aberta no arco. E diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável."
Nelson Rodrigues
Se ontem o time não deu nada, cansou e passou sufoco. Se ontem as mexidas não surtiram efeito, se o adversário pressionou bastante ou se o árbitro tentou dar sua contribuição com marcações duvidosas, não importa. Era o Manto Rubro Negro sendo defendido, carregando o amor, as cores e o sonho de milhões de torcedores Flamenguistas.
Faltam sete batalhas. E a bastilha Rubro Negra parece cada dia mais inexpugnável.
Boa semana para todos e Feliz dia do Flamenguista, Nação Rubro Negra!
Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!
domingo, 25 de outubro de 2009
Engenhão - 18:30h
Estamos incomodando. E como! O arcoíris já começou a se engraçar. São e-mails tentando ridicularizar o Mais Querido. São bravatas postadas na internet. São hordas de infiéis aproveitando cada deslize para desmerecer a caminhada de um Titã.
É um atleticano aqui, que lembra do jogo no Maracanã do ano passado, pra desancar o Márcio Braga, e reclamar que os programas de resenha esportiva só falam do Flamengo. É um São Paulino ali, falando do assédio Rubro-Negro para o Barueri mudar o local do jogo para um estádio maior. É um botafoguense acolá, para dizer que o Flamengo tem medo do Vazião cheio (sic) de chorões. E até um vascaindo, favorito a ser campeão do Vice-Campeonato nacional a menosprezar a chamada "DCF". Tricolor? Esse, cabisbaixo, fica ali, meio de lado, só falando "Ééé..." e balançando a cabeça como que concordando com os demais, com um sorriso amarelo, meio escondido, com aquela tênue esperança de que ainda há salvação para que ele possa "zoar um pouquinho também"...
É por essas e outras que sou contra dirigente abrir a boca para falar asneiras. Vide 2008. Não precisa falar. Trabalhem para pagar em dia, para poderem cobrar atitudes. Defendam o clube nos bastidores quando ele for realmente injustiçado. O Flamengo não reclamou de jogar contra o Palmeiras no Parque Antártica...
Então, que se deixe os pequenos usarem seus estádios, pois assim como contra o Fluminense, basta ao time, motivado como realmente deve ser, fazer valer sua condição de time que luta pela sua vaga entre os 4 melhores do campeonato.
Deixem a natureza seguir seu curso. Afinal, qual o retrospecto do Flamengo no Engenhão? E o do mandante?
Links para o jogo: www.rojadirecta.com
sábado, 24 de outubro de 2009
Paulo Lima*
Há pouco menos de dois meses, o pensamento era praticamente consensual: esperávamos ansiosamente pelo fim de uma temporada, perdida, e que 2010, muito mais próspero, deveria começar a ser desenhado.
A surpreendente sequência positiva – levante a mão aqui os que realmente acreditavam nesta arrancada! – nos fez congelar tudo: intrigas, polêmicas, debates acalorados sobre o futuro a médio prazo, choque de gestão…eleições…isto é bom. Ou não.
Tudo parou, por conta do imediatismo gerado pelos resultados alcançados, pelas atuações apresentadas e principalmente pela busca do objetivo maior: a vaga na Libertadores e quiçá, o hexa brasileiro. Tamanha é a nossa sede pelo retorno à hegemonia nacional, pelo resgate do Flamengo realmente temível, que simplesmente esquecemos aquilo que deveria ser nossa meta permanente, nosso norte incontestável: o(s) passo(s) definitivo(s) rumo ao futuro.
Antes que me taquem pedras em escala internacional, aviso: este não é um discurso pessimista. Torço muito, como um doido, por nossos triunfos no maior grau possível: Libertadores, título, artilharia do Adriano, prêmios individuais, coletivos, recordes, Oscar, whatever. Mas, se tanto foi falado aqui em choque de gestão, ele não deve sequer ser secundarizado. Para o que tragamos de volta, proponho um choque de realidade.
A vitória sobre o Botafogo é mandatória. Assim como pelo menos outras quatro (e um empate) nos outros sete jogos, isso para falar apenas para a vaga na Libertadores. Não podemos esquecer que o Palmeiras ainda é o líder, o São Paulo tem time para acordar na reta final, o Atlético-MG está impossível e o Internacional fará de tudo para não bobear mais. Sem contar o Cruzeiro, que também vem como um rolo compressor, embora com atuações não tão plásticas como a nossa (o que não enche barriga de ninguém).
Isso quer dizer que, da mesma forma que Libertadores e hexa são possíveis, também é perfeitamente possível que ocorra o contrário: sem título e com uma mera vaguinha na Sul-Americana. O que seria perfeitamente natural há dois meses, época em que ainda falávamos incessantemente do futuro, terá ares de desastre se acontecer agora.
Objetivos imediatistas e esplendores momentâneos fazem uma perigosa combinação. Especialmente em se tratando de Flamengo. Não podemos achar que em 2010 Petkovic fará a diferença em todos os jogos na Libertadores, que Zé Roberto irá ser tão decisivo como agora, que a renovação do Adriano se dará por “música” apenas por sua vontade expressa de ficar aqui….
Ou seja, o que quero dizer é que falta ao Flamengo a serenidade de buscar, fora de campo, o planejamento necessário para o ano que vem seja qual for o resultado final. Não podemos, por exemplo, sobrevalorizar o ZR, entrar numa novela de renovação e esperar o mercado aquecer e se movimentar para aí, quando os rivais já pegarem os bons-que-derem-sopa, começar a procurar uma alternativa para o meio-campo (se é que ele seria a primeira opção). Assim como para o ataque, ao lado do Imperador, para a zaga, caso Alvaro não renove…and so on.
Fora de campo, as tais metas permanentes têm de ser ainda mais buscadas. O Flamengo não pode parar por conta da eleição. A diretoria deve se mexer para procurar uma alternativa ao Engenhão. Já deu para notar que ficar na mão do Botafogo para procurar abrigo é cair no ridículo. Para jogos de médio porte, é preferível ir para o Raulino ou outra coisa qualquer. O Maracanã fechará por PELO MENOS três anos. Isso se não for re-reformado para 2016. o que é bem provável. Temos de ter uma casa nova. O Flamengo não sobrevive sem o Maracanã. Não podemos ficar à mercê de ninguém. Pela escassez de planejamento, passaremos como andarilhos em 2010. Mas se a nova diretoria já começar a agir logo, isso poderia mudar já em 2011.
Cito o estádio como uma das metas permanentes, apenas para falar de uma delas. Todos aqui as conhecem de cor e salteado (dívida, política de pratas-da-casa, plenajemento estratégico para o futebol, política de ingressos, etc, etc, etc, etc). Será que vale a pena para por isso por conta de um objetivo que tanto queremos mas que não há qualquer certeza de que vamos conseguir.
2010 vai chegar, de uma maneira ou de outra. O mundo não vai parar se fomos hexa ou se nem à Libertadores formos. Eleição não é desculpa.
*Paulo Lima é jornalista esportivo, mas atualmente cedido à Pátria Futebol Clube. Reside em Eastchester, suburbio de NY, e se diverte, ao passear os cachorros, em observar os ianques perna-de-pau jogando sóquer no campo de futebol americano da high school vizinha à sua casa. E aflito por talvez não ver o jogo de domingo…
Não vou cometer a hipocrisia de dizer que eu sabia, que tinha tanta confiança. Depois do jogo contra o Atl-PR eu confesso que cheguei a entregar os pontos, passei a pensar em 2010. Até escrevi sobre isso ao Mario Cruz. Aí, Mario: desconsidere aquele email, manda pra lixeira do Outlook.
Também não vou dizer que tinha 100% de confiança no Andrade: apesar de não vê-lo como um erro total como alguns chegaram a fazer, eu achei que ele não passaria deste fim de CB. Só que o cara me desmentiu com a mesma classe com que dava seus passes e fazia a armação das jogadas em sua época de ouro.
Mas como sou um cara sempre precavido, estou no time dos que preferem o low profile, ficar fora do oba-oba é fundamental. Esse jogo de amanhã equivale a um teste em bicicleta ergométrica na velocidade máxima para um paciente com suspeita de problema cardíaco. Tem que monitorar os 90 minutos, com atenção de médico, não pode descuidar um minuto, sob pena de um infarto fulminante.
Outra coisa: o jogo na Arena Barueri me parece ainda mais perigoso, dadas as várias demonstrações de vacilo do time nos últimos anos, frente a clubes equivalentes. Não sei qual a estratégia para manter o foco e a concentração da equipe, mas é fundamental que ninguém baixe a guarda nem por um segundo, sob pena de levar um uppercut e ir à lona para não levantar mais.
Por último e especialmente importante: todo grande objetivo alcançado nestes últimos anos resultou sempre de uma simbiose completa entre o time e a torcida. Pegar a equipe no colo, apoiá-la por todos os 90 minutos de cada partida, daqui até o fim do campeonato, pode ser a diferença entre chegarmos ou não, seja ao G4 ou ao ainda utópico título. Que se vier....bom, melhor não falar disso ainda.
Para encerrar o POST, que começou com a Blitz, encerro com ela também:
Que felicidade ( que felicidade ), que felicidade ( que felicidade )......
SDSRN
CCM
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André MonneratO time para o jogo de domingo
Bruno, Léo Moura, Álvaro (Fabrício), Aírton e Juan; Maldonado, Toró, Fierro e Petkovic; Zé Roberto e Adriano. Este é o time que eu imaginaria que estivesse na cabeça de Andrade para o clássico de domingo, contra o Botafogo. Mas o treinador segue na moda do mistério e, no pouco de treino que permitiu que a imprensa assistisse, partiu para outras soluções - e não parece improvável que ele vá com três volantes para o jogo, entre Maldonado, Toró, Aírton e Lennon.
Realmente não gosto da ideia. Se já não fico muito satisfeito com o rendimento de Willians quando joga mais avançado, vejo menos características ainda para a função nos outros todos. Depois de Fierro ter entrado razoavelmente bem contra o Palmeiras no lugar de Toró, imaginei que o lugar seria dele nesta partida - e pode ser que seja mesmo, já que a imprensa não pôde ver a primeira parte do treinamento.
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Que o Flamengo é hoje mais time que o Botafogo, e vive um melhor momento, é óbvio pra todo mundo. Mas não estou esperando nenhuma facilidade para o jogo de domingo, um dos que parecem mais difíceis entre os que restam até o fim do campeonato.
O Botafogo está lá embaixo da tabela, mas isso se deve muito a uma fase esquisita, em que foi prejudicado pela arbitragem seguidamente. Só os pontos que perdeu naquela época já seriam suficientes para deixar o time em situação tranquila agora; mas aquilo ainda fez com que a equipe, empacada no fundo da tabela, se desestabilizasse e tivesse mesmo uma queda grande de rendimento em determinado momento.
Hoje, eles já estão em uma fase de recuperação. Nas últimas quatro rodadas, os confrontos foram todos contra times em boa situação na tabela - e vieram duas vitórias categóricas, um empate em que saiu perdendo de 2x0 e mostrou poder de recuperação e uma derrota apertada, na casa do adversário, em que pressionou até o fim em busca do empate. E, com a vitória do Santo André sobre o Palmeiras, o clássico ganhou um jeitão de final pros dois lados.
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O Botafogo tem jogado com três atacantes de ofício ultimamente e é bem provável que um deles caia por ali o tempo todo - talvez Jobson, que andou chamando a atenção pela velocidade e facilidade no drible. Eles não têm grandes laterais, mas o que sempre me pareceu melhorzinho - Alessandro, que ao menos é de correr e se apresentar muito - também joga por ali. É com este setor que Andrade deve estar mais preocupado na montagem do time. É bom ainda evitar as faltas de bobeira em torno da área. Juninho já teve fase melhor em suas cobranças, mas continua sendo perigoso, e há ainda Lúcio Flávio.
Mantendo a defesa segura, as chances do Flamengo se dar bem na frente são boas. O grande ponto fraco do Botafogo é justamente o miolo de sua zaga - quem viu o jogo contra o Cerro Porteño pôde conferir o festival de furadas, faltas tolas e bolas mal afastadas. Com certeza haverá marcação especial em Petkovic, mas o Botafogo precisa atacar e não deve jogar retrancado. Haverá espaço - é questão de Pet, Adriano, Zé Roberto e os outros estarem num dia inspirado para aproveitá-lo.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Olá, saudações rubro-negras a todos. Essa semana segue a penúltima parte da história da conquista do Brasileiro de 1983, dentro da série “A Saga do Penta”. Aliás, será que Pet, Adriano & Cia irão me obrigar a mudar o nome dessa saga? Tomara que sim.
Os outros capítulos (todos já ilustrados com fotos) estão aqui. Nos negritos, links pra vídeos (os vídeos dessa semana estão muito bons). Boa leitura.
Campeonato Brasileiro de 1983 – Parte 05
A classificação obtida após as duas batalhas épicas contra o Vasco aumentou ainda mais a moral dos comandados de Carlos Alberto Torres. A Gávea, que algumas semanas antes andava pesada, séria, agora exalava confiança e alegria. Os treinos tornavam a ser descontraídos, leves, com a presença de mulheres e crianças, como esse aqui.
O Brasileiro chegava à Fase Semifinal. Num dos jogos, o renovado Atlético-MG enfrentava o forte Santos, um confronto bastante interessante, pois o time mineiro, após um início vacilante, vinha atropelando. Os mineiros já sonhavam em reencontrar o Flamengo numa eventual final. Mas o Santos possuía uma equipe mais experiente e qualificada.
Na outra partida, o Flamengo iria duelar com a grande zebra da competição, o Atlético-PR. O rubro-negro paranaense havia montado uma equipe certinha, cuja base era formada por jogadores experientes, como o goleiro Roberto Costa, o lateral Sóter, o meia Nivaldo e o atacante Capitão. Mas o grande destaque era a dupla formada Assis e Washington, jogadores rejeitados em suas passagens anteriores em outros clubes. O time atravessara as duas primeiras fases aos trancos e barrancos, à beira da eliminação, em grupos fracos. Deu algum sinal de melhora na Terceira Fase, mas era considerado completo azarão contra o São Paulo. Venceu por 2-1 em Curitiba. No Morumbi, quando todos imaginavam que o São Paulo não teria dificuldades para sair classificado, os paranaenses venceram novamente, por 1-0 com gol de Assis (que assim conseguia sua vingança particular contra o ex-clube), jogo em que Roberto Costa pegou até pensamento.
Apesar do grande favoritismo flamengo, o Atlético-PR, nos dias que antecederam a primeira partida, tornou-se uma espécie de xodó da grande imprensa. Grande destaque era dado aos gols da dupla Assis-Washington, além das defesas de Roberto Costa. Enorme badalação cercou o time de Curitiba, pouco acostumado a esse tipo de assédio. Enquanto isso, o Flamengo treinava...
Primeiro jogo, Maracanã. O péssimo regulamento dava a vantagem de dois empates ao Atlético-PR, pelo melhor retrospecto nas Quartas (na campanha geral, o Flamengo somava 31 pontos e os paranaenses 26...). Noite de quinta, 110 mil no estádio. O Flamengo não tem Raul, suspenso, Cantarelli entra em seu lugar. O Atlético perde Assis, substituído por Peu (ex-Flamengo).
Logo no início, as equipes já mostram claramente o que pretendem. Não há estudos. O Flamengo parte pro campo do adversário, quer exercer pressão absoluta. Os visitantes buscam esfriar o jogo e partir em contragolpes. Confiam em seu goleiro, em excelente fase. E Roberto Costa logo justifica essa confiança, com grandes defesas. O Flamengo vai pra dentro, movimenta-se bem, faz boa marcação, domina amplamente a posse de bola. O primeiro gol já é questão de tempo. Zico começa a se destacar, faz grande partida. Mas a bola teima em não entrar. A nação flamenga cumpre seu papel, grita cada vez mais alto, mais forte. Mas Roberto Costa parece reeditar sua atuação no Morumbi. Vai pegando simplesmente tudo. Júnior e Leandro abandonam de vez as laterais, viram pontas. Vítor e Élder vão trocando de posição, confundem a marcação adversária. O time gira alucinadamente em campo, cria uma chance atrás da outra. Zico aumenta a intensidade de seu jogo, pede todas as bolas, municia brilhantemente o ataque. O teimoso 0-0 é frágil, mas renitente. Culpa de Roberto Costa.
Trinta e nove minutos, o primeiro tempo já se aproxima do final. Júnior vem pela meia direita e cruza. A zaga rebate, sobra com Júlio César na ponta esquerda. O galego devolve de cabeça pra área, onde está Zico. O Galinho está parado, a bola vem fraca, um zagueiro o acossa. Pouco há a fazer. Pros jogadores normais. Mas para os gênios, tudo é possível. Sem se mexer, Zico joga a cabeça pra trás e consegue acertar um golpe cirúrgico na bola, jogando-a no cantinho direito de Roberto Costa, que voa, procura, estende mãos, braços e tudo o mais, só que a bola já está repousando dentro do gol. Com um lance desconcertante e quase sobrenatural, Zico abre o placar para o seu Flamengo, após longo parto de quase 40 minutos.
A porteira parece querer abrir. Empolgado com o gol e a festa que só a torcida flamenga sabe fazer, o time parte alucinado à frente, e ainda na primeira etapa cria duas chances cristalinas de gol. Numa delas, Zico manda um foguete, mas Roberto Costa espalma de forma espetacular.

Segundo tempo, segue a pressão, segue o inferno, seguem as defesas de Roberto Costa. Mas há Zico, que desfila em campo, exibe a plenitude de seu talento, o total domínio dos fundamentos da bola, que gira de um lado a outro, sempre servil ao comando do craque. Ninguém consegue mais parar Zico. Seus marcadores (sim, são dois) literalmente batem cabeça com os dribles e passes cortantes do camisa 10 da Gávea. O gênio vem pelo meio. Lança Marinho com uma precisão de arrancar lágrimas dos céticos. A bola cai exatamente no pé direito do zagueiro, que está no meio de dois beques. Mas o estabanado Marinho perde o gol, chuta por cima. Agora são 9’, Élder rouba uma bola e dá a Zico. A área está superpovoada, há uma mata cerrada de atacantes e zagueiros que se esbarram. Mas onde 110 mil enxergam tumulto, Zico vê uma cratera. É covardia misturar Zico com os outros 21, desnivela. Pois Zico manda a bola de primeira, sem titubear, sem vacilar, pro meio da fenda que só ele vê. A bola sai dócil, obediente, macia, aveludada, e encontra Vítor, completamente livre. Agora todos podem enxergar a cratera. Zico mostrou o caminho. “me chuta, me bate, me arromba”, implora a bola. E o volante flamengo não decepciona, estoca um balaço, a pelota passa gritando pelo agora impotente Roberto Costa e se espatifa nas redes. Flamengo 2-0.
Torres manda o time continuar em cima. “Mata o jogo, mata a vaga”, exige. O Flamengo segue em cima, segue triturando. Não é mais um mero jogo de futebol. É um massacre, um ritual de execução. Zico vem com a bola em incrível velocidade, flutua, etéreo. Vê Robertinho (entrara no lugar de Baltazar) na direita, dá mais um passe manhoso.
O ponta dá um drible da vaca no adversário e leva um pescoção. Pênalti. O estádio acende, pois Zico tem diante de si o iluminado Roberto Costa. Mas Zico é de outro planeta. Cobra com aguda perfeição, faz o goleiro beijar o poste direito enquanto a bola entra calmamente no lado esquerdo. São 16 minutos, o Flamengo faz 3-0.Preocupado, o treinador atleticano tranca o time, que é beneficiado ainda com uma expulsão tola de Mozer. O Flamengo perde ímpeto, mas ainda há tempo para Zico mostrar mais. Não é possível o que Zico está jogando, não pode ser real. E sempre em Semifinais, como em Curitiba (1980) e Campinas (1982). O Galinho agora mete uma bola de 50 metros exatamente no peito de Leandro, que entra na área e fuzila, mas Roberto Costa pega mais uma. O Flamengo ainda cria mais algumas oportunidades, mas o jogo termina mesmo em 3-0, sob calorosas palmas ao time e principalmente a Zico, o dono e senhor supremo da partida.
Poucos acreditavam que o Atlético pudesse reverter a vantagem contra o poderoso Flamengo em Curitiba. Mas essa possibilidade quase se materializou. Diante de 60 mil torcedores, que quebraram o recorde de público do Couto Pereira, o Atlético, com
Assis de volta, apertou, pressionou, abusou do abafa e das bolas alçadas, e após cerca de 30 minutos marcou dois gols relâmpago, ambos de Washington, ambos em bolas vindas da ponta direita. O Flamengo parecia anestesiado, e poderia ter sofrido o terceiro gol, quando o meia Nivaldo entrou completamente livre e mandou uma bomba no ângulo, mas Raul (de volta ao time) fez uma defesa espetacular, mandando a escanteio as esperanças paranaenses.No segundo tempo, quando todos esperavam a pressão atleticana, o Flamengo melhorou, colocou a bola no chão e a cabeça no lugar,
ajustou a marcação sobre os perigosos Nivaldo e Assis e soube cozinhar, com toda a sua experiência, a partida. O Atlético, que tinha uma equipe aguerrida mas limitada, não conseguiu sair da teia armada por Torres, de forma que o jogo ficou nos 2-0. O Flamengo estava novamente na Final do Campeonato Brasileiro.E o Atlético-MG não teria a sua sonhada revanche. O time mineiro novamente foi traído pelos nervos e não conseguiu passar pelo Santos, que ganhou a primeira por 2-1 (em jogo cheio de falhas individuais dos atleticanos) e segurou na raça o 0-0 num Mineirão lotado. Flamengo e Santos, rivais na primeira fase, iriam se encontrar novamente.
Mas agora o cenário era bem diferente.
Créditos vídeos: http://www.youtube.com/user/bcpand, http://www.youtube.com/user/alrossi, http://www.youtube.com/user/alekmurdoch)








