quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XLVII)
André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites: www.gardenal.org/mauhumor e André Dahmer - www.malvados.com.br/

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Hoje sigo contando a história da conquista do Brasileiro de 1983. A primeira parte pode ser acessada aqui. Então, boa leitura.

Campeonato Brasileiro de 1983 – Parte 02

Após garantir a classificação para a Segunda Fase, jogando um futebol nada convincente, o Flamengo deu uma pausa no Brasileiro para a sua estréia na Libertadores. E até conseguiu um bom resultado, ao sair do Olímpico com um empate em 1-1 contra o Grêmio, num belo gol de Baltazar.

Voltando à competição nacional, agora viria a Segunda Fase, com 32 equipes, em 8 grupos de 4. Ao Flamengo, cabia a companhia do pouco cotado Tiradentes/PI (que havia levado 10-1 do Corinthians, a maior goleada da história dos Brasileiros), do perigoso Americano e do badalado Palmeiras. Tudo indicava uma classificação tranqüila, com disputa da liderança contra os paulistas.

A estréia do time aconteceu em Teresina. Em mais um estádio nordestino apinhado de torcedores flamengos, sessenta mil felizes espectadores contemplaram uma exibição inspirada de Zico, que com dois gols foi a principal figura em campo da vitória por 3-1 (Andrade marcou o outro gol).

Após a boa atuação no Piauí, o Flamengo foi a São Paulo, enfrentar o Palmeiras, no Morumbi. A equipe paulista vinha embalada. Seu treinador, o veterano Rubens Minelli, vinha obtendo êxito na montagem de uma equipe recheada de excelentes jogadores, como o zagueiro Luís Pereira, os volantes Batista e Rocha, os meias Cléo e Jorginho e os atacantes Enéas e Carlos Alberto Seixas, além de jovens talentosos, como o zagueiro Vagner Bacharel e o atacante Barbosa. O time havia feito uma Primeira Fase impecável, classificando-se tranqüilamente de forma invicta. A torcida palmeirense vinha motivada e esperançosa em se livrar do incômodo jejum de títulos que se arrastava desde 1976.

Já o Flamengo encarava a partida no Morumbi como a oportunidade para afirmar de vez a sua equipe, mas Carpegiani ganhava um sério problema: Andrade havia sofrido grave contusão no joelho e estava fora do campeonato. Assim, Vítor ganhava a posição de titular, adiando a efetivação de uma idéia que o treinador vinha acariciando há algum tempo: colocar Andrade e Vítor juntos no time.

Quarta-feira, 70 mil no Morumbi. O Flamengo começa bem, pressiona e com apenas 6’ abre o placar, numa cobrança de escanteio que Zico escora de cabeça para Adílio marcar. Mas a equipe não resiste ao futebol mais robusto e competitivo dos donos da casa, que fazem uma marcação pesada em Zico e Adílio, soltam o arisco Carlos Henrique em cima de Leandro e se impõem de forma contundente, virando o jogo para 3-1, numa noite em que Carlos Henrique (ex-Flamengo) ganhou todos os prêmios de melhor em campo. Se a partida em São Paulo era encarada na Gávea como um jogo-chave, o resultado não poderia ter sido pior.

Após a derrota, a crise se instalou de vez no Flamengo. Jogadores, diretoria e comissão técnica não se entendiam. A torcida começou a protestar de forma mais veemente, cobrando um futebol mais compatível com a grandeza flamenga. Uma mensagem de um torcedor enviada a uma revista semanal é eloqüente: “É inadmissível uma equipe com tantos craques estar jogando assim. É preciso mais seriedade, entusiasmo e empenho. Os jogadores têm que pensar na galera que enche os estádios, pagando com sacrifício os ingressos pra ver seu time jogar sem garra e com excesso de otimismo.”

Mas o problema da equipe estava longe de ser apenas falta de entusiasmo. Na verdade, a concepção de jogo implantada por Coutinho, adaptada por Carpegiani e utilizada, de certa forma, por Telê Santana na Seleção havia sido destruída em 1982, quando Paolo Rossi e sua turma mostraram ao mundo como montar um time certinho e aplicado taticamente, e assim abater, à base de muita marcação e rápidos contragolpes, equipes virtuosas. O Flamengo, com sua receita de laterais que só apoiavam, apenas um volante e vários meias-atacantes, agora era neutralizado por equipes que enchiam o meio de volantes e colocavam jogadores velozes nas costas de seus laterais. Os jogos em São Paulo, contra Santos e principalmente Palmeiras, mostravam que, para se manter na ponta do futebol brasileiro, o Flamengo teria que rever sua forma de jogo e atualizar vários conceitos. E nesse contexto a contusão de Andrade não poderia ter vindo em pior hora.

Carpegiani, apesar de ter vislumbrado essa necessidade (pensava em colocar Andrade e Vítor juntos) não tinha mais o respaldo da diretoria, da torcida e de alguns jogadores. Visivelmente abatido com as más atuações recentes, não conseguia mais motivar o grupo. Assim, o desfecho não poderia ser outro: após dois anos de um trabalho espetacular e muito bem sucedido, Paulo César Carpegiani não era mais o treinador do Flamengo.

Enquanto a diretoria resolvia se entregava o comando técnico da equipe a alguma aposta ou a um treinador consagrado (falava-se em Telê, Menotti etc), Carpegiani ainda dirigiu o time nas duas partidas seguintes, ambas no Maracanã, contra o Americano (boa vitória por 3-0) e o Tiradentes, um pálido 2-0 (dois de Zico) recheado de vaias, que marcou a estréia de mais uma jovem promessa trazida da Bahia, o mirrado e extremamente talentoso atacante Bebeto. Os públicos dessas partidas (12 mil e 6 mil) dão uma boa idéia do ceticismo da torcida em relação ao time.

Após alguns debates, a diretoria resolveu manter a política de apostar em treinadores “da casa” e efetivou Carlinhos, o Violino, um dos maiores jogadores da história recente do clube, que vinha fazendo um bom trabalho nas divisões de base. Na base da conversa, Carlinhos tentou tranqüilizar o grupo e não mexeu na formação padrão do time (Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho, Júnior, Vítor, Adílio, Zico, Robertinho, Baltazar, Lico), o que foi seu principal erro. No jogo seguinte, 80 mil torcedores foram ao Maracanã dar seu apoio, em busca da vitória, da revanche e da classificação contra o Palmeiras, que seguia triturando os outros adversários. O Flamengo, revigorado, começou bem, abriu o placar com Baltazar, mas cedeu terreno e, após alguns ajustes de Minelli em sua equipe, fez um segundo tempo desastroso, onde sofreu o empate, e por muito pouco não saiu do Maracanã derrotado. Para piorar, Lico machucou-se gravemente, e também estava, a exemplo de Andrade, fora do campeonato. As fortes vaias mostravam que a crise ainda não havia passado. Pior, com o 1-1 agora até a vaga para a Terceira Fase estava ameaçada.

Vinte mil ingressos foram colocados à venda e rapidamente esgotados no acanhado Estádio Godofredo Cruz, para Americano x Flamengo. O Americano, embalado, brigava por uma vitória, que o deixaria a um ponto do Flamengo, e com um jogo a menos que o rubro-negro. E o time passou um sufoco terrível no esburacado gramado. Sofreu um gol logo no início, empatou com Baltazar, levou outro gol e já na segunda etapa chegou ao novo e definitivo empate, mais uma vez com Baltazar. Com os 2-2, o Flamengo estava na Terceira Fase, a duríssimas penas.

O funil ia apertando. Agora restavam 16 equipes, divididas em quatro grupos. A chave do Flamengo era difícil, com Goiás, Guarani e Corinthians. A imprensa paulista apostava abertamente em Corinthians e Guarani como favoritos às duas vagas. E a crise na Gávea parecia sem fim. O time vai à Bolívia fazer dois jogos pela Libertadores. Segura um sofrido 0-0 contra o fraquíssimo Blooming e leva um vareio do frágil Bolívar (1-3), resultados que derrubam Carlinhos. De volta ao Rio, Carlinhos ainda comanda o time na opaca vitória por 2-0 sobre o Goiás, no Maracanã, jogo em que o time, visivelmente abatido, teve sua tarefa facilitado pelo excesso de respeito dos goianos. A seguir, já comandado pelo interino Cléber Camerino, o Flamengo vai a Campinas, sofre grande pressão mas consegue sair de campo com um 0-0 que, até ali, dá a liderança do grupo ao time. Mas no domingo a parada é muito mais indigesta: o Corinthians de Sócrates, no Maracanã.

Já se avançava pelo mês de abril. Praticamente fora da Libertadores e fazendo uma campanha opaca no Brasileiro, o Flamengo parecia afundar no desânimo das más atuações e dos resultados ruins. Poucos ainda acreditavam que aquela base, já visivelmente desgastada com boa parte da torcida, fosse capaz de esboçar alguma reação, ainda mais com a perda de alguns jogadores importantes. Mas o marasmo da Gávea logo seria varrido por um vendaval, uma enxurrada que iria colocar abaixo todas as convicções e vaticínios, fazer páginas e mais páginas de jornal, litros de tinta, palavras, profecias, previsões, tudo isso ser atirado ao lixo. Porque estava chegando de Nova York o homem que iria mudar toda a história do Campeonato Brasileiro de 1983.

Senhoras e senhores, surgia o redentor: Carlos Alberto Torres.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

NOSSO MUNDO É FLAMENGO: A fome de Flamengo


Paulo Lima*

Quando estamos longe do que verdadeiramente gostamos, qualquer longínquo sinal é valiosamente valorizado. Quando se trata de Flamengo, a emoção transcende. Especialmente ao se deparar com qualquer vestígio de rubro-negrismo num subúrbio de Nova York, em um país que repulsa o futebol, é ingrediente que contribui ainda mais com algo cujo significado ultrapassa a palavra saudade.


Ser Flamengo no exterior é ouvir o coração palpitar só de ver pessoas vestidas com roupas listradas de vermelho e preto. É quase não dormir ao ver gringos com o Manto - sim, em pouco mais de um ano vi dois nativos, sim, nativos, com a camisa do Flamengo. Infelizmente não tive a chance de indagá-los, conhecê-los, entrevistá-los, convidá-los para um chopp regado a partida do Mais Querido.


Imagine então todo este flamenguismo incubado ao receber humildes, mas verdadeiras lembranças. Meu pai chegou do Rio hoje pela manhã, e me aproximei do abrir de sua mala como uma criança que espera ansiosa pelo brinquedo:


- Cadê? - indaguei.


Era ele. O Manto Sagrado, novinho em folha. Não o mais atual, já que não tinha as horríveis mangas da Bozzano. E de longe um dos mais feios que já vi. Não importa. Ele estava lá. Manto é Manto. Em Copa, em Eastchester ou na Groenlândia. Existe para ser usado e dele se sentir orgulhado. Jamais julgado.


Junto ao Manto, mais "doces" - dois livros do Flamengo (o "Rei do Rio", do Celso Unzete, e a "História do Mais Querido em quadrinhos", do Mestre Ziraldo), o DVD do Penta Tri e um chaveirinho que não só exibe o escudo mas canta parte do Hino. Ah! E um par de revistas com Adriano na capa, assim como um jornal "Vencer" de algumas semanas atrás.


Pode parecer mera bobagem. Mas essa pequena injeção de Flamengo é o que renova, o que nos mantém vivos. A aproximação em função da TV a cabo e da internet é inevitavelmente um advento fantástico. Mas são os pequenos detalhes que afirmam a conexão clubística. São as REFERÊNCIAS.


Jamais terei como ensinar minha filha a SER Flamengo assistindo a um jogo de futebol. Mesmo os adultos fãs do esporte têm dificuldades de se concentrar nas pelejas atuais, imagine uma criança de 3 anos.


Mas uma fã de quadrinhos como ela já é, certamente vai se interessar em acompanhar os primeiros passos do Flamengo, e suas glórias, com as páginas de Ziraldo. Voltarei a este espaço para relatar a experiência.


Diante de tudo isto, fica a pergunta:


Como um clube de vocação mundial como o Flamengo não mantém uma política específica com o pessoal de fora do Brasil, ou mesmo de lugares mais distantes do Rio?


Queremos nos alimentar de Flamengo. Mas a comida, se já não é escassa, certamente ainda é muito pouco nutritiva. Temos fome de Flamengo. Não quero só diversão e arte.


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Ah sim, sobre o jogo? Faltou o snorkel e o pé de pato. 0 x 0 que até poderia ter sido melhor para o Flamengo, em condições secas. Paciência. Ao menos, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Agora, colocar o Juan foi muita irresponsabilidade.


* Paulo Lima, 29, é jornalista de formação, rubro-negro de coração e servidor público por opção. Mora em Eastchester (NY) e só sente saudades do Brasil e do Rio pela distância do Flamengo.

Coluna de Segunda Feira – Hermínio Correa

Previsível

Olá pessoal,

Honrando suas tradições e origens, o Flamengo ontem mostrou porque é, antes de tudo, Clube de Regatas, se mostrou bravo diante das condições adversas para a partida e arrancou um empate no “Dentro do rio. Claro que, considerando todo esse contexto para a partida qualquer outro resultado seria anormal, mas ainda assim valeu pela disposição e até mesmo pelas possibilidades de gol criadas.

Torna-se improdutivo tentar fazer uma análise tática e técnica nesse jogo. Tampouco tecer críticas, mesmo àqueles que não conseguiram mudar sua forma de jogo e tentaram carregar a bola naquelas condições. O que vimos ontem foi uma partida entre duas equipes que perderam para a chuva e o gramado e empataram entre si, nada mais do que isso.

A lamentar a expectativa frustrada. Esse era o momento, o divisor de águas aguardado pelo torcedor Rubro Negro. Seria o jogo da arrancada, aquele que colocaria ou não o Flamengo dentro do campeonato. Era conseguir uma vitória para afirmar de vez o bom momento da equipe. Tudo isso foi, literalmente, por água abaixo. E por maior que tenha sido o espírito de luta, um ponto acaba sendo pouco.

Não que um empate em Porto Alegre seja mau negócio. O problema é mais pelo momento do campeonato que sugere superação e uma vitória faria muita diferença. Além disso, os outros resultados não nos favoreceram muito, ainda que a disputa pelas vagas na Taça Libertadores ainda esteja em aberto.

Para isso, torna-se obrigatório vencer o clássico no próximo domingo. Não pelo momento do Fluminense, mas pela nossa necessidade de permanecer vivos na disputa. E se engana que esse será um jogo tranqüilo. Vale o raciocínio: da mesma forma que muitos hoje classificam uma eventual vitória tricolor como a motivação necessária para a equipe tentar escapar da série B, uma boa vitória no clássico também dará ao Flamengo a confirmação da boa fase e a moral necessária para seguir em busca do G-4.

Com isso o Fla x Flu ganha toda a carga de emoção. E não duvido que possamos ter recorde de público no próximo domingo.

Semana passada discutiu-se muito e classificamos o confronto contra o Internacional como sendo decisivo. Agora é a vez do Fla x Flu. E assim será, rodada após rodada, até o final do campeonato.

Se o dever for feito dentro e fora de casa, ainda dá para sonhar.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras sempre!

domingo, 27 de setembro de 2009

Mesa de Bar - Inter x FLAMENGO
Beira-Rio - 16:ooh

Um resultado adverso no Sul não é nada fora do normal, ainda mais contra esse time do Internacional. No entanto, com as recentes atuações do time sob comando do Andrade, atrevo-me a dizer que este será o primeiro jogo do resto de nosso campeonato.
Quem viver, verá!
Links para o jogo: http://www.rojadirecta.com/
P.S.: Ainda bem que o Evandro Roman foi suspenso por favorecer, pela n-ésima vez, um time paulista. Arbitragem brasiliense, com um bandeira paranaense no meio. Seja o que Deus quiser!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

O time para o jogo de domingo

Andei escrevendo no SobreFlamengo, depois do jogo de domingo passado, sobre a importância que esta partida contra o Inter terá como um teste do que o Flamengo pode fazer ainda neste Brasileiro. Se as vitórias contra Santo André, Sport e Coritiba no Maracanã eram obrigatórias, é incontestável que o time venceu e convenceu. Agora, é questão de ver como esta equipe pode se sair contra adversários mais fortes - e eles serão muitos, até o fim do campeonato.

E eu também chamava a atenção para isto: se o Flamengo quer sonhar com G4, é preciso arriscar e tentar vencer sempre - independente do adversário, independente do estádio. Empatezinhos que seriam bem vistos em outras situações, neste momento, seriam inócuos e suficientes apenas para o time se manter numa posição medíocre na tabela.

Pois bem: depois desta matéria publicada no LanceNet, ficou parecendo que eu havia escrito depois de conversar com Andrade. Se antes ele falava sobre a necessidade de ser mais cauteloso fora de casa e acenava com um empate no Beira-Rio, o discurso mudou totalmente. Se será posto em prática, vamos ver no domingo.

Hoje, o treino tático no Ninho do Urubu foi secreto, e os jogadores evitaram falar no que foi treinado. Me permitam aqui especular que, de repente, as ideias de Andrade possam estar em sintonia com as minhas não só nos objetivos e posturas, mas de repente também na parte tática. Com a volta de Juan (pelo menos ao banco de reservas) e as seguidas más atuações de Dênis Marques no ataque, quem sabe o treinador não esteja preparando a utilização, ainda que seja durante os jogos, daquele 4-3-3/4-4-2/4-5-1 sobre o qual já escrevi aqui?

Eu não me surpreenderia - a não ser que ele venha de início de jogo. De começo, a escalação deve ser mesmo quase a mesma que iniciou a última partida, apenas substituindo o suspenso Bruno por Diego. A única alteração que não me causaria surpresa nenhuma seria a entrada de Zé Roberto no lugar de Dênis Marques - uma opção que me parece bastante possível.

* * * * * * * * * * * * *

O Inter entrou na última partida pela Sul-Americana no 3-5-2. Não com aquele discurso manjado de liberar os alas - não era o caso; a ideia era mesmo reforçar a defesa, que vem tomando muitos gols ultimamente. Não deu certo; o time ficou carente na armação, dependendo só de D´Alessandro; nessa, Guiñazu, Fabiano Eller e outros começaram a querer avançar para ajudar a resolver, os espaços apareceram e o Universidad saiu na frente. Tite logo desfez o sistema e lançou Andrezinho como um segundo meia armador, o que melhorou muito a produção ofensiva do time.

Ninguém tem certeza de qual será a escalação do Inter para domingo, até porque D´Alessandro andou sentindo uma contusão. Caso Tite repita o esquema que iniciou o jogo de quarta, a receita pra parar o Inter é até bem simples: vigiar de perto o único meia armador do time, de preferência marcando zona, para que sua movimentação não carregue alguém junto pra qualquer lado e abra espaço para a chegada de trás dos volantes. Foi o que o Universidad fez e o Inter não conseguiu andar, até mudar seu esquema. Se o Colorado vier com D´Alessandro e Andrezinho, a situação complica um pouco mais - até porque o ex-rubro-negro joga muito pela direita do ataque, o que daria a Éverton um trabalho defensivo bem maior do que teve até hoje nesta sua fase de lateral.

Eu também não me surpreenderia se Tite der novamente a vaga de titular a Táison, que tem ficado no banco. Ele poderia ser opção para os lugares de Edu, Alecsandro ou mesmo D´Alessandro, e em qualquer hipótese poderia deixar o time mais perigoso. Esperemos que as dicas defensivas do espião Álvaro ajudem Andrade a matar qualquer arma secreta que Tite possa ter.


- ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Um esclarecimento e um pedido

Primeiro, o primeiro. O post de hoje não reflete o meu apoio ao candidato Areias. Foi parte de um pedido, que não vi problema em publicar. Esclarecido?

Segundamente falando, conforme parabolizaria Odorico, quero dizer que fiz o primeiro contato com 3 candidatos desta nossa eleição, e estou no aguardo da resposta dos 3, a respeito de uma entrevista com perguntas feitas pelos blogueiros do FlamengoNet.

Se eles vão topar, não sei. Os que toparem, responderão à vossa sabatina.

Portanto, com "pergunta pro candidato" escrito no campo assunto, enviem suas perguntas pro e-mail da adm. Selecionaremos 10 perguntas, que serão a base da entrevista para os candidatos.

Fecharemos o pacote promocional da sabatina no sábado à tarde.

E agora, publicamente, e mais uma vez, agradeço ao apoio de todos. Fico feliz de saber que, mesmo não conhecendo pessoalmente, posso considerá-los amigos.

SRN.

E nada mais digo.

E o blog resolveu se envolver
Apenas para constar, é meu dever de torcedor informar. O blog está aberto para todo e qualquer candidato. Nosso objetivo é entrevistar todos, mas depende da disponibilidade e vontade dos mesmos. Nosso papel de divulgar plataformas será feito, independente de ser situação ou oposição.
Raça, Amor e Gestão

Todos sabem que este ano a eleição do Flamengo vai ser a mais disputada de todos os tempos.

No momento, os 8 candidatos estão brigando na garimpagem, entre menos de 1600 sócios elegíveis, para conseguir 160 sócios para a chapa do Conselho Deliberativo.

Algumas chapas já estão sendo formadas há um bom tempo e quem chega mais tarde tem mais dificuldade pra cumprir todas as formalidades eleitorais.

O último candidato a se lançar nessa corrida foi o João Henrique Areias. Como o Areias está chegando com uma turma toda nova e não tem nenhum ex-presidente ou cartola das antigas o apoiando, a Fla21 está procurando sócios para completar a tarefa, até o dia 30 desse mês.

Se você é sócio laureado, patrimonial, ou contribuinte ou conhece alguém que seja, não deixe de conhecer no site do Areias (www.fla21.com.br) o Programa do Fla21.

E se você decidir que quer fazer parte do time que pretende trazer o Flamengo pro século XXI envie um email para adesao@fla21.com.br.

Rubro-Negro, a hora é essa.

O futuro é este momento

Muita coisa errada ocorreu nessa campanha. Assim como não podemos esquecer disso e repetir tudo em 2010 não dá pra discutir isso agora. A hora é outra.

São cinco jogos, confronto direto com concorrentes ao G4 e um título pra lá de improvável. Não sei o que o Flamengo ainda pode aspirar nesse campeonato, mas sei que esses jogos vão definir. Aconteça o que acontecer, o elenco tem potencial para repetir o desempenho dos últimos cinco jogos quando conseguiu dez pontos em doze, afastando quase totalmente a possibilidade do rebaixamento. Dez pontos em doze nos próximos jogos muda tudo. Muda o campeonato, muda os times, muda o G4 e muda o time do Flamengo. E nada disso é o mais importante.

O fundamental é que um desempenho positivo traz novamente a torcida para o lado do time, coisa que se perdeu desde aquele jogo contra o América-MEX. Desde então, a torcida volta e cumpre a sua obrigação, mas ainda não é aquele pacto quando todos esperávamos uma vitória e um recorde de público.

Só depende desses jogadores. Uma vitória no domingo lota o Maracanã na semana seguinte e pode criar as condições para outra arrancada como a de 2007. O Flamengo não pode viver de lampejos, mas não vamos resolver isso agora. Se brilhos ocasionais é o que podemos ter, então que a gente ponha fogo nesse torneio. Não tem como esperar mais.

O futuro é agora. O Inter que se cuide.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009




ADRIANO FORA DA SELEÇÃO

Se o Mengão vencer o Inter (tenho fé de que vai acontecer) nós passaremos a ser CONCORRENTES DIRETOS pelo título, sendo fundamental preservar todas as peças dentro de campo.

Portanto, a NAÇÃO com toda a sua força tem que começar a ENCHER todos os sites e blogs de esportes pelo Brasil afora e também colocando faixas no Maracanã com os seguintes dizeres: DUNGA NÃO CONVOQUE O ADRIANO PARA OS PRÓXIMOS JOGOS! O FLAMENGO PRECISA DO IMPERADOR PARA SER HEXA!

Se convocarem o Adriano vamos ficar sem ele nos jogos mais importantres da disputa direta pelo título e pela vaga no G4: São Paulo no Maraca e Vitória no Barradão.

Precisamos nos unir e mostrar o desejo da Nação: ADRIANO COM A CAMISA DA SELEÇÃO, SÓ NO ANO QUE VEM!

A campanha começa aqui...

TEXTO DA SEMANA - Mariana


Mariana, desde que aprendeu o que é a linha de impedimento, desfila pelo blog com uma percepção equlibrada do que é o futebol e, claro, das coisas relacionadas ao "Mais Querido do Mundo". Ainda está devendo umas cervejas ao Dão depois de perder uma aposta. E garantiu que se uma dia for colunista do blog, todos vão poder ver sua foto aqui pelo menos uma vez por semana.


Chegou a hora!



Tudo no Flamengo é muito exagerado. Torcedores, críticos, imprensa, jogadores, técnico, dirigentes, enfim, ninguém escapa. Nós, torcedores, merecemos um capitulo a parte. Num dia, estamos xingando o time inteiro e fazendo as contas para fugir do rebaixamento. Após duas ou três vitórias maiúsculas, estamos exaltando esse mesmo time e fazendo contas para ver de quantos pontos precisamos para conseguirmos a classificação para a Libertadores, com aqueles mais otimistas fazendo contas pensando ainda em título.

Parodiando aquela famosa frase, digo: Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno. Mesmo com resultados ruins, nunca acreditei que cairíamos para a segunda divisão. Pra falar a verdade, acredito que isso nunca vá acontecer. Mas, por causa desses mesmos resultados ruins, penso que o título de campeão brasileiro está bem longe da gente. Até mesmo a vaga na Libertadores é difícil. Temos uma seqüência de jogos bem complicada: São 13 jogos, sendo que 5 destes serão em casa, no Maracanã e 8 serão fora, incluindo o jogo contra o Botafogo, que será no Engenhão.

Vejamos:


Internacional x Flamengo


Flamengo x Fluminense


Vitória x Flamengo


Flamengo x São Paulo


Palmeiras x Flamengo


Botafogo x Flamengo


Barueri x Flamengo


Flamengo x Santos


Atlético Mineiro x Flamengo


Náutico x Flamengo


Flamengo x Goiás


Corinthians X Flamengo


Flamengo x Grêmio



Teremos pela frente os seis times mais bem colocados no campeonato até agora. Os jogos que teremos no Maracanã são contra adversários fortes, afinal todos sabemos que São Paulo e Grêmio são muito mais times do que Santo André e Coritiba. Os jogos fora de casa são contra adversários que estão na briga pelo título e pela vaga na Libertadores, fora o Náutico, que virá com tudo para fugir do rebaixamento.

Calma! Não pensem que eu estou sendo pessimista! Muito pelo contrário! Pra mim, chegou a hora de jogadores e técnico mostrarem onde querem chegar. Chegou a hora da verdade! A hora onde saberemos a diferença entre homens e meninos. O time está num momento favorável, fazendo uma curva ascendente e jogadores que não estavam jogando bem começaram a achar seu jogo, casos de Everton, Angelim, Leonardo Moura (que ainda está muito longe de suas melhores atuações pelo Flamengo, mas já começa a dar sinais de melhoras), Zé Roberto e Fierro. A chegada de Álvaro e Maldonado deu estabilidade ao setor defensivo, Petkovic está calando a boca de muitos com excelentes atuações e Adriano, nosso Imperador, está desfilando toda a sua habilidade porque quer uma vaga no ataque da seleção brasileira.

Os únicos jogadores que estão devendo boas atuações são Bruno e Denis Marques. Bruno está há 4 jogos sem tomar gols mas, para mim, isso é mais mérito da defesa do Flamengo do que dele. É inadmissível que um goleiro que já foi festejado como o melhor goleiro do Brasil e teve o nome cogitado para as seleções brasileira e portuguesa continue espalmando aquelas bolas pro meio da área. E ainda não me esqueci das bolas altamente defensáveis que ele deixou passar em jogos anteriores. Torço para que Diego feche o gol contra o Inter e tenha uma atuação de gala para tirar o Bruno da posição de intocável. Já o Denis Marques me parece ser um jogador útil, mas que ainda não se adaptou. Está parecendo o Josiel quando chegou por aqui e eu teria um pouco mais de paciência com ele.

E o Andrade... Bem, o Andrade não é unanimidade na torcida como técnico mas, agora, com o grupo quase completo além dos reforços que chegaram, ele está conseguindo dar um padrão ao elenco. Resta saber como será a postura dele nesses próximos jogos e como ele irá armar o time. Por favor, Andrade, nada de retranca, nada daqueles esquemas medrosos. O Flamengo tem que jogar como tal e não pode se acovardar nunca. E você sabe, como poucos, o que é o Flamengo.

É difícil? É! Mas não é impossível.

Para o Flamengo, nada é impossível.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XLVI)


André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites: www.gardenal.org/mauhumor e André Dahmer - www.malvados.com.br/

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Dando continuidade à série “Saga do Penta”, inicio a história do Campeonato Brasileiro de 1983, conquista que coroou uma trajetória cheia de altos e baixos, onde a crise bateu várias vezes à porta da Gávea. Tempos dourados? Sim, mas com problemas. Há links para vídeos nos negritos. Então, boa leitura.

Campeonato Brasileiro de 1983 – Parte 01

1983, recomeço. Essa era a palavra de ordem na Gávea. Ao contrário do ano anterior, onde o retorno das férias havia sido em clima de festa pela conquista do planeta, dessa vez o elenco tinha que juntar os cacos, após a perda da Libertadores (numa derrota inacreditável para o Peñarol, em pleno Maracanã) e do Estadual. Erros de avaliação do elenco, contratação de apostas que não vingaram (Zezé, Jasson, Wilsinho) e o início de atritos entre jogadores e Carpegiani haviam minado a trajetória rubro-negra no segundo semestre de 1982. Agora, era a hora de dar a volta por cima e reiniciar a caminhada, mostrar aos críticos que a equipe ainda não chegara à sua curva descendente. Mas a desmotivação e a apatia pairavam de forma ameaçadora sobre a Gávea. Para piorar, o supervisor Domingos Bosco, ícone de competência querido por todos, havia falecido no final do ano, causando choque semelhante ao da perda de Coutinho. Decididamente, a fase não era das melhores.

O Campeonato Brasileiro estava para começar. Houvesse Bolsa de Apostas à época, ela fervilharia em direção às equipes de São Paulo. O futebol paulista, com o renascimento do Corinthians e sua democracia (campeão paulista praticando um belíssimo futebol) comandada por Sócrates, Zenon, Casagrande e Wladimir, vivia uma febre de contratações sem precedentes. O Palmeiras, disposto a quebrar um jejum que vinha de 1976, abriu os cofres e montou uma verdadeira seleção, trazendo os volantes Batista e Rocha, o meia Cleo, o lateral Perivaldo e os atacantes Enéas e Carlos Henrique (ex-Flamengo). O Santos reforçou sua já forte base com o meia Paulo Isidoro e o atacante Serginho. O São Paulo apostava no atacante Careca, contratado para o lugar do Chulapa. E por fim o Corinthians trazia para o gol ninguém menos que Emerson Leão, eliminando assim um ponto fraco de seu elenco. A grande maioria dos analistas acreditava que dificilmente o título sairia de São Paulo, especialmente em função da má fase de Cruzeiro e Internacional, do desmanche no Atlético-MG e da prioridade que o Grêmio já sinalizava conceder à Libertadores, cuja disputa se iniciaria no primeiro semestre.

E no Rio de Janeiro? Fluminense e Botafogo viviam grave crise financeira e estavam fora da briga pelo título. O Vasco, embalado pelo título estadual, trazia o meia Elói, em grande fase, para reforçar o elenco e era considerado um dos candidatos. Já o Flamengo resolvera emprestar Nunes ao Botafogo e Tita ao Grêmio. Nunes não resistiu aos seguidos atritos com Carpegiani, e a uma crônica má fase que insistia em não passar. Já Tita, que notoriamente não gostava de atuar deslocado pela direita, cansou-se de ser o alvo preferencial das vaias da torcida e pediu para ser negociado. Para seu lugar, o Flamengo trazia o ponta Robertinho, um dos destaques do falido Fluminense, e para substituir Nunes veio Baltazar, que também estava desgastado no Sul e foi envolvido na troca com Tita (essa transação duraria apenas um semestre).

A fórmula de disputa do campeonato seguia sem novidades. Na Primeira Fase, os 40 times eram divididos em 8 grupos de 5, passando os três primeiros de cada mais quatro repescados, que se juntariam a quatro equipes “promovidas” da Taça de Prata, formando assim a Segunda Fase com 32 times. Ao Flamengo, coube uma chave com Santos, Paysandu, Rio Negro-AM e Moto Club do Maranhão. Nada que assustasse.

A estréia foi contra o Santos, velho conhecido e freguês, no Maracanã. Um bom público, cerca de 68 mil pagantes, foi conferir de perto a nova formação flamenga, com Raul, Leandro, Figueiredo, Marinho e Júnior, Andrade, Vítor e Zico, Robertinho, Baltazar e Lico. De forma, apenas Adílio, contundido. E a equipe não decepcionou, impondo seu futebol desde o início, sem tomar conhecimento do bom time adversário e criando várias chances, com um futebol agradável e uma boa partida do estreante Robertinho. E o primeiro gol saiu logo aos 14’, marcado por Baltazar (que assim estreava de fato), num frango sensacional, verborrágico, despudorado, do goleiro Ademir Maria, que substituía Marola. Na segunda etapa, Zico concluiu uma bonita tabela e selou a vitória por 2-0, que poderia ter sido mais elástica, não fosse a afobação de Baltazar, que desperdiçou inúmeras chances de gol. O começo parecia animador. Parecia.

Vem a partida seguinte, contra o inexpressivo Moto Club do Maranhão, no Maracanã. Lico está fora, Carpegiani põe o garoto Edson em seu lugar, preferindo assim atuar com dois pontas abertos. Mas o abusado treinador do Moto, Zé Eduardo, que havia derrotado o Flamengo atuando como jogador pelo Botafogo-PB em 1980, armou forte bloqueio em sua intermediária e escalou dois pontas velozes para explorar as costas de Leandro e Júnior. Com isso, o time maranhense deu um nó no rubro-negro e mereceu sair na frente do marcador, para irritação do público presente no Maraca. Zico empatou em seguida, mas quando todos esperavam que a equipe partiria para a virada, o Moto se trancou atrás e o Flamengo, engessado e previsível, não foi capaz de vencer a partida. Numa zebra monumental, o time empatava em 1-1 com o Moto Club em pleno Maracanã, debaixo de pesadas vaias.

Jogo seguinte, mais sufoco. Adílio e Lico voltavam, mas o Flamengo quase derreteu dentro do caldeirão do Estádio da Colina e não conseguiu acompanhar a infernal correria do Rio Negro. Saiu de Manaus com um empate em 1-1 (gol de Zico), arrancado a duríssimas penas. Seguindo no Norte, o rubro-negro voltou a vencer, dessa vez contra o Paysandu, mas uma vitória sofrida, por 3-2, conseguida com um gol de Baltazar já perto do final (os outros foram de Lico e Leandro).

Para fechar a mini-excursão ao Norte-Nordeste, restava São Luís e o jogo contra o Moto, já pelo returno. Animada pelo milagroso empate no Rio, a imprensa local tentou criar um clima de guerra para a partida, incutindo no público local a noção de que seria possível vencer o Flamengo agora que o Moto estava atuando em seus domínios. Quer dizer, mais ou menos, pois a ampla maioria dos 47 mil torcedores era flamenga. E viu um time mordido pelas críticas e pelas provocações dos maranhenses abrir três com pouco mais de meia hora de jogo e fechar a conta em 5-1, num jogo que poderia terminar tranqüilamente em nove ou dez não fosse o egoísmo e a ansiedade de seus atacantes, notadamente Baltazar e Edson, que perderam gols inacreditáveis.

De volta ao Rio, o Flamengo recebe o Rio Negro no Maracanã. Desconfiada, a torcida coloca apenas 25 mil no estádio. E quem não foi perdeu um massacre. Após um início preguiçoso, em que chegou a sofrer um gol, o Flamengo demorou um pouco, mas partiu com uma agressividade incomum, uma necessidade de trucidar e moer, que assombrou os valentes amazonenses, e em quatro minutos enfiou três gols. Na segunda etapa, o time seguiu retalhando o adversário, e o coletivo de luxo terminou em 7-1. Destaque para o jovem meia Júlio César, lançado como titular, e para o lateral-direito Cocada, autor de dois belos gols (Leandro atuou como zagueiro).

A penúltima partida da fase foi contra o Paysandu, no Maracanã. Tudo indicava mais uma vitória tranqüila, o Mengo abriu 3-0, os três de Baltazar, seria a terceira goleada seguida, que devolveria de vez a paz à Gávea. Mas, mostrando incrível displicência, o rubro-negro cedeu dois gols ao adversário e teve que suportar uma terrível pressão nos minutos finais. Fim de jogo, vitória por 3-2 sob muitas vaias e críticas. O Flamengo estava classificado. Mas não engrenava.

Para terminar a Primeira Fase, o Santos, no Morumbi. Carpegiani mantinha Cocada na lateral e Leandro na zaga. No meio, outro garoto tinha sua chance, o meia Élder. Mas o Santos estava completo. E motivado. E turbinado por 110 mil pessoas, abriu 3-1, numa atuação consagradora de Serginho e do ponta Serginho Dourado, que enlouqueceu a defesa rubro-negra com suas arrancadas e dribles. Quando uma goleada do time da casa não pareceria absurda, o Flamengo achou um gol no final com Edson e saiu de São Paulo com uma derrota (2-3) e ferimentos leves, tal o nível do atropelamento. O time terminava a Fase em segundo, atrás do Santos, e perdia a invencibilidade. Contudo, ainda não havia encontrado, salvo em alguns momentos esporádicos, nem um arremedo do futebol que encantara o país pouco tempo antes. Mesmo Zico, sua estrela maior, que seguia sendo o principal destaque e referência, não rendia tudo o que podia. A equipe parecia ter perdido a alegria de jogar, a competitividade, atuava de forma burocrática. Algo estava errado. Alguma coisa precisava ser feita, o time precisava de uma chacoalhada.

E ela logo viria.

(Créditos vídeos: www.flamuseu.blogspot.com e www.youtube.com.br/user/alrossi)

segunda-feira, 21 de setembro de 2009


CLIMA DE MARACA - E o Pet também voltou.

Com linguagem informal, João Tavares - o Dão - comenta a movimentação dos torcedores antes/durante/depois dos jogos no Maracanã. Link para os videos em negrito.


Fala galera Flamenga, hoje todo mundo feliz né, o Manto desfilou sozinho pelas ruas. Eu aqui num Rio de Janeiro chuvoso vesti meu "passeio completo" do Mengão de 2006 e saí pra rua, agora ta na corda, secando.

E o jogo ontem, que beleza. Fechei com 2 amigos e fomos buscar 2 colombianas que estavam doidas pra conhecer o Maraca na torcida do Mengão, a mais bonita e mais cheirosa do Rio. Depois de pegar as "mujeres" fomos pro estadio, todos sem ingresso e com menos de duas horas pra partida.

Chegando lá papai fez coisa feia, comprou ingresso com cambista. E se querem saber a consciência ta limpinha. Faltavam 1 hora e meia pro jogo, as filas de todas as bilheterias estavam em mais de 500 metros e ameaçava um toró. Como eu não sou mais estudante não tem razão nenhuma pra eu ficar passando perrengue em fila, pago os mesmos 30 merréis na mão do cara. Enquanto o Flamengo não fizer um programa de sócio torcedor eu vou comprar ingresso em bilheteria somente quando estiver vazia ou quando comprar antecipado.

Ingresso na mão e fomos degustar aquela Antárctica(pode fazer propaganda?) no ponto de encontro de 9 a cada 10 Rubro Negros que gostam de uma geladinha. O Bar do Chico's ta a cada jogo mais cheio. E foi bebendo umas geladas que acompanhamos o flu tomar mais uma piaba, os gaúchos martelaram o primeiro prego no caixão tricolor.

Dentro do estadio a festa tava muito bonita, como gosto de fazer, cantei com 15 minutos um publico de 50 mil presentes. Errei por 552 pessoas. Assisti o primeiro tempo na 42 com outra galera e vi uma torcida cantando forte e unida durante os primeiros 20 minutos, mas aí aquela torcida que fica atrás do gol começou a cantar suas musicas que em nada empurram o time e bagunçou a festa.

Do jogo eu gostei muito. To vendo um time mais arrumado em todos os setores. O cabeludo lá da frente que continua destoando do resto do time, muito fraquinho, parece que tem medo de fazer gol. Que saudade do Emerson. Mas nego até esquece um pouco do "Oséas" quando se tem um Pet jogando o fino e Adriano se deslocando pra receber.
E o Airton? Será que só eu percebi que com o Maldonado ao seu lado o cara pegou mais coragem para passar uma bola pra frente ao invés de lateral, de chegar mais perto do gol do adversário tanto que só não fez seu primeiro gol porque não quis, naquela bola que ao invés de encher o pé ele tentou fazer bonito. Se não fosse por mais um cotovelão solto(num lance que eu gostaria de ver pela tv) eu dava nota 10 pro camisa 5. Mas e o Pet? Ahh o Pet, que saudade que eu tava de um camisa 10 que sabe botar um molambo na cara do gol. Nota 10 pra vc sérvio.
Uma pequena ressalva, eu não livro a cara do Adriano por causa de um golaço não. Ta jogando muito, fez um belo gol mas pra mim tirar a camisa pra comemorar é multa no salário. Isso deveria constar em contrato.

Ja no meio do segundo tempo me juntei aos amigos de origem e ao indagar Caroline, uma das colombianas, sobre o que ela tinha achado do jogo, vem o ninja Willians(by Arthur Muhlenberg) e acerta aquele petardo no ângulo. Favela em festa, não precisou nem que ela desse a resposta. As meninas são pé quente e podem voltar ao maior do mundo sempre que quiserem.

Na volta correu tudo tranquilo, aquela paradinha para a saideira e a ultima resenha do jogo. Agora deixa eu arrumar minha mala que não vou passar minhas férias nesse Rio de Janeiro chuvoso não, vou me mandar pro nordeste. O Clima de Maraca volta daqui duas semanas, espero que martelando mais um preguinho naquele caixão tricolor.

PS: Fotos 4 e 6 e os 2 videos, créditos para Paulo Martins JR.

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Volta por cima

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Mais do que simplesmente dar a volta por cima, o Flamengo parece ter encontrado o caminho do bom – e eficiente – futebol. Com uma seqüência de quatro jogos sem derrota sendo de três vitórias em casa e um empate fora (ainda que com discutível atuação), nove gols marcados e nenhum sofrido, aproximando-se do G-4, jogando bem, com Adriano inspirado, artilheiro do campeonato, Petkovic iluminado...

Se considerarmos como “ponto zero” a derrota sofrida em Florianópolis, cinco rodadas atrás, o Flamengo conseguiu avançar em vários aspectos, mas citarei especificamente dois destes: O time passou a ser, de fato, um time. E o segundo ponto foi o fato de se recuperar dentro do campeonato.

Podemos citar “N” fatores aqui: Falta de comando, falta de vontade de jogadores, excesso de desfalques, falta de padrão tático, excesso de pressão sobre os mais jovens, o que seja. Tudo isso parece ter chegado ao extremo nos 3x0 levados contra o Avaí.

Mas de lá para cá o time deu a volta por cima.

Menos problemas internos, maior entrega de jogadores (cito o Léo Moura, Fierro e Zé Roberto como exemplos. Já é outro comportamento em campo – parte técnica é outra história), menos desfalques, o time está organizado, mais experiente (Álvaro e Maldonado acertaram o sistema defensivo).

Três personagens merecem maior destaque:

Petkovic chegou ao Flamengo carregando o peso da desconfiança da viabilidade de sua contratação. Chegou por um acordo financeiro, por um acerto de dívidas. Chegou sem fôlego para sequer um tempo inteiro. Hoje é o cérebro desse time, indispensável. E me perdoem os menos “românticos” mas que coisa maravilhosa aquela comemoração de ontem, peculiar a quem está se divertindo em poder desfilar sua categoria com tamanha competência.

Adriano, o “imperador” voltou. E com ele os problemas extra campo. As saídas, os atrasos aos treinos, os privilégios. Arrumou um cartão maroto, ficou mais uma rodada sem atuar e se mandou para a seleção. O Flamenguista tem um trauma de convocações, ultimamente temos visto a ida para a seleção como uma forma de estragar o futebol de quem lá se apresenta. Mas na volta da seleção Adriano, O Imperador, ressurgiu. Voltou com vontade, com garra dentro de campo, voltou artilheiro, voltou com golaços. Motivado pela possibilidade de voltar a uma Copa? Pode ser. Mas o faz provando dentro de campo, ser capaz.

E por último o tromba. Pela falta de opção no mercado, ficou incumbido de segurar o rojão. E depois de externar seu incontestável amor ao clube ao sair de campo em Santos, com lágrimas nos olhos homenageando ao ídolo Zé Carlos, foi efetivado. E mesmo sem a devida competência, confiou aos jogadores o seu cargo. Pediu pela união, “pelo todos por um”. Não é ainda o incontestável técnico dos sonhos. Mas de alguma forma conseguiu arrumar a casa. De alguma forma teve o mérito de suportar toda a pressão no momento ruim. Já é outro time, outra cara, outra motivação. E que não haja dúvida: Contestável ou não, o torcedor torce pelo seu trabalho, simplesmente por saber que esse sucesso será a nossa alegria.

A afirmação dentro do campeonato parece ser fato. Nos afastamos definitivamente da zona de rebaixamento e com certa dose da combinação sorte / competência, encostamos no G-4. Essa etapa de recuperação parece alcançada.

Porém, é chegada a hora da afirmação, da superação. A hora do “DCF”.

Nas quatro últimas rodadas enfrentamos times da parte de baixo da tabela. Exceto pelo jogo em Curitiba, nos demais as atuações foram incontestáveis, e as vitórias vieram de forma contundente.

O próximo desafio será contra o Internacional, em Porto Alegre. È o momento de enfrentar um candidato direto pela vaga à Libertadores. Hora de mostrar que pode também jogar para vencer mesmo fora de casa.

Superação, e o G-4 é logo ali.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

Frase da semana

"Não aprendi tanto o português para achar as palavras para descrever a torcida do Flamengo".

PETKOVIC, Dejan.

domingo, 20 de setembro de 2009

Triplex Top Ten

1 - Pet: No jornal A Gazeta do Povo deste domingo, todo o foco de preocupação deles era com Adriano e Pet. Eles acertaram. Mas erraram ao acreditar que uma marcação cerrada pararia os 2. O gol de falta do gringo foi lindo. Cheguei a perguntar se valeria gol de mão. Uma obra prima. E o passe pro gol do Adriano? Ah, nem vou comentar, vocês viram. Eu, que tanto pedia um meia, posso dizer que, agora, estou feliz. O gringo mereceu ser ovacionado hoje, mereceu muito.

2 - Adriano: Estou me sentindo o redator do pleonasmo repetitivo redundante. Adriano em forma significa gol. E o gol dele foi mais uma pintura. Preciso falar mais alguma coisa? Nopes.

3 - Dever de casa: 10 pontos em 12. Zero gol tomado. Pra quem vinha numa "curva" irregular, podemos pensar positivo. Agora vem a encrenca. Inter em PoA. Será a prova de fogo de nosso "novo" setor defensivo. E tenho fé que passaremos.

4 - Maldonado: Meu amigo Alexandre Lalas chama o Willians de pereba. Sim, pois o rei do desarme é o rei dos cartões. E Maldonado explica um pouco dessa teoria. Você não vê o cara dando carrinhos aloprados e tomando cartões imbecis. Sóbrio, sabe dar o bote, e - até que nos prove o contrário - dá segurança pra nossa zaga. Até agora, tem se mostrado uma boa contratação.

5 - Bruno: Quanto mais eu prometo não escrever sobre ele, mais motivos tenho. Tomou um cartão imbecil. Se tivermos direção no futebol, tem que multar esse cara. Fora que continua rebatendo bola pro meio da área. Tá descontente, tá afim de ir embora? Tudo bem, respeitarei. Mas se quer ficar, peço que arregace as mangas, pois tá feia a coisa.

6 - Torcida: Que idéia bizarra é essa de que "estamos disputando com o vasco"? Eu lá me meto com gente da segunda divisão? Vê bem se eu tenho tempo pra me meter em disputinhas com eles. E outra coisa: porque diabos precisamos copiar essa idéia tosca de cantar música de Mamonas Assassinas. Temos o grito de guerra mais avassalador de todos, e nego esqueceu disso. Metemos 50 mil num dia de chuva, fazemos a nossa parte, mas me permitam a sinceridade: essas musiquinhas copiadas são tristes. Nego vai ficar bolado comigo? Sei lá. Gritem MEEEENGOOOOO que eu não reclamo mais.

7 - Futebol Flamengo: Jogamos e deixamos jogar. Isso sim é Flamengo. Esse é o meu Flamengo. Gostei de ver a bola correndo de pé em pé, do Pet dono da bola, e da qualidade nas finalizações. O que realmente vale a pena é finalizar bem. Se chutarmos 5 e metermos 4, está ótimo. Bem melhor do que chutar 100 vezes e errar todas.

8 - A pergunta do dia: Você vai de Fierro ou de Zé Roberto? Cruel, muito cruel esse Alex do Triplex (Oliveira, Januario de, 1986, in Tv Educativa).

9 - Pontos: Estamos a 5 pontos do G-4 ou a 8 de escapar do rebaixamento? Eu estou a 5 do G-4. Não podemos olhar pra baixo, pra cima sempre. S-E-M-P-R-E.

10 - Um pedido: O responsável por meu rubro-negrismo está hospitalizado, prestes a colocar 3 safenas. Sim, meu pai. Por isso, peço uma oração, uma reza, um pensamento positivo.

Um grande abraço a todos.

Mesa de Bar - FLAMENGO x Coritiba

Maracanã - 18:30h

Time sem vergonha é assim: consegue um resultado histórico numa pseudoarrancada que nunca passa do segundo jogo, e logo no primeiro embate, devolve a vingança, sem dar qualquer chance da torcida curtir e mantendo a ridícula escrita de ser humilhado no Sul.

Eu espero que o Andrade tenha conseguido mudar esse panorama. Para que a torcida seja feliz pelo menos em casa.

Links para o jogo: www.rojadirecta.com

sábado, 19 de setembro de 2009

Nosso Mundo é Flamengo - A Calmaria

Por Max Amaral*

Há pouco mais de um mês, nós havíamos acabado de perder para o Goiás e eu escrevi o mais pessimista dos textos aqui no FlamengoNet, dizendo que deveríamos dar o ano por encerrado.

Depois disso, além de uma magra vitória contra os Gambás, tivemos as tristes derrotas para Grêmio, Cruzeiro e Avaí e, então, começamos uma lenta subida ladeira acima com as vitórias contra Santo André e Sport e o empate contra o Atlético-PR.

Uma campanha bem medíocre, o que explica nossa posição no meio da tabela.

Mas, ao mesmo tempo, o time deixou de ser aquele bando desesperado em campo, Andrade aparentemente acertou a nossa defesa, tivemos a estréia de bons reforços (Álvaro e Maldonado) e a volta de um sem número de jogadores que estavam machucados ou suspensos. Até o Zero Berto chegou a jogar bem uma partida, vejam vocês! E o Fierro começou a mostrar alguma utilidade.

Infelizmente, sendo bem realista (e chato), não é motivo para comemorações desenfreadas. A 14 rodadas do fim do campeonato, pode já ser tarde demais.

E é exatamente isso o que o meu lado racional fica me dizendo. Que é para eu parar de ficar namorando a tabela do campeonato e sonhando com o G4. Que é para eu me manter fiel às minhas idéias anteriores e acreditar que esses 14 jogos serão uma excelente pré-pré temporada, a montagem de um esqueleto de time que pode vir a nos dar reais alegrias em 2010. Que, seja lá qual for o presidente eleito no final do ano, ele vai ter um mínimo de seriedade e colocar o time no rumo correto, com profissionalismo e seriedade. Que é para eu esquecer o Brasileirão 2009.

Mas eu sou Flamengo, logo, esse meu lado racional não consegue se fazer ouvir com muita força. Eu ainda faço a matemática para o título. Eu ainda espero que o time vá começar a dar shows. No fundo, bem lá no fundo, eu ainda acho que dá.

Mas estou calejado. Já tive muitas decepções recentes esperando esse mágico momento do “agora vai”. Então, mesmo com o coração batendo forte, esperando o começo do próximo jogo, o rosto se mantém impassível, o discurso discreto, as expectativas sob controle.

E acho que está todo mundo agindo da mesma maneira. Isso explica como o blog andou parado essa semana, como não houve grandes discussões, brigas, comentários sem fim como sempre. Estamos todos parados, nessa calmaria, esperando para ver quais serão os ventos que soprarão sobre nós a partir de amanhã: Constantes e amigáveis brisas, nos levando com segurança de volta para nosso porto natural – a parte de cima da tabela – ou uma nova tempestade, que nos deixe mais uma vez perdidos, avaliando os estragos e rezando para que tudo acabe logo.

*Max Amaral mora nos Estados Unidos e, sendo Flamengo, está começando a desenvolver uma personalidade esquizofrênica e paranóica. E também escreve no Mundo Flamengo (http://www.mundoflamengo.com).

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Meu time para o jogo de domingo

Na semana passada, propus para o jogo contra o Sport uma alteração no esquema de jogo do Flamengo: a ideia, parecida com o que Mano Menezes implantou no Corinthians do primeiro semestre, era passar para um 4-3-3 que, quando o time perdesse a bola, variaria para um 4-5-1 - e, mesmo na hora de atacar, poderia ganhar a cara de um 4-4-2, com os pontas se revezando na tarefa de recuar e ajudar Petkovic na criação no meio-campo. Vocês podem ver a ideia no texto anterior, mas a linha de frente seria formada por Fierro, Adriano e Éverton.

Andrade até mandou o time a campo realmente no 4-3-3 - mas com uma escalação diferente da que eu propunha, colocando Dênis Marques e Zé Roberto ao lado do Imperador. E funcionou, ao menos contra aquele adversário. Para a próxima rodada, ele não vai poder repetir a escalação, pois Zé Roberto está suspenso; de qualquer forma, tenho sérias dúvidas se aquela formação teria as mesmas facilidades domingo, contra o Coritiba.

Isso porque não acredito que Ney Franco vá ser tão bobo quanto foi Péricles Chamusca, que chegou no Maracanã acreditando que o Flamengo teria dois meias de criação e simplesmente não conseguiu enxergar, durante os 90 minutos, que o esquema não era o que ele pensava e o único criador no meio-campo rubro-negro era Petkovic. Com certeza o gringo não vai conseguir passear livremente pelo gramado como aconteceu na última rodada; naquele dia, Zé Roberto não participou da criação no meio e o atacante que mais recuava pra fazer esta função era, vejam vocês, Adriano. Se Andrade não criar opções para dividir as tarefas criativas com Pet, o time pode ter problemas pra andar.

O time provável - embora eu tenha lido alguns comentários por aí de gente temendo que Andrade voltasse a escalar três volantes, o que eu não acredito que ele volte a fazer ao menos no Maracanã - é com Fierro no meio-campo, o que já pode ser uma ajuda; na última partida dele, já gostei mais de sua movimentação à frente, dando bastante opção de jogada pela direita. Mas isso foi mais na hora de pegar a bola no ataque; no duro, em todas as chances que teve ele foi sempre muito discreto na hora de armar o jogo; parece sempre preso, arriscando pouco nos passes e errando muito quando decide algum toque um pouco mais ousado. Vamos ver se o cara consegue se soltar um pouco mais, mas seria bom ter mais opções na manga para que o ataque consiga ser bem abastecido.

Enfim: não desgosto da escalação que Andrade deve usar, e entendo que a hora pode ser mesmo de tentar aproveitar ao máximo o que vem dando certo. Mas desconfio que, com a iminente volta de Juan e algumas declarações falando sobre o aproveitamento de Éverton no meio, algo mais parecido com a minha ideia pode vir a aparecer em breve - nem que seja no meio dos jogos.


* * * * * * * * * * * * *


Já são três jogos sem levar gol e a defesa parece estar se acertando. O Coritiba está próximo à zona do rebaixamento e tem apenas o 14o ataque da competição, mas já poderá ser um teste mais forte do que Santo André e Sport. Mesmo sendo previsível que joguem mais atrás, esperando o Flamengo, é provável que Ney Franco escale Pedro Ken, Ariel e a dupla de paraíbas Marcelinho e Carlinhos, quatro jogadores bem ofensivos para puxar os contra-ataques.


- ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e toca o SobreFlamengo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Lançamento



Nosso amigo Juan Saavedra pede passagem com o lançamento de mais um quiosque oficial do Flamengo.

Proposta aos candidatos à presidência do Flamengo

Caríssimos senhores, como todos vocês estão interessados no bem estar do clube e jamais se candidatariam em nome de uma vaidade que prejudicasse a instituição porque todos não se sentam na mesa e discutem metas em comum? Não se preocupem com a limpeza da piscina ou a reforma na caixa d'água. Vamos falar do que todos concordam que é imprescindível para o futuro do Flamengo:

- Compromisso de deixar o clube com menos dívidas do que vai encontrar.

- Prioridade na construção de um CT para as categorias de base e para os jogadores profissionais.

- Contratação de profissionais consagrados no mercado para trabalhar no marketing do clube visando metas que aumentem a nossa receita.

Que tal todos vocês darem o exemplo para todos os dirigentes que passarem e garantirem o futuro do clube, independente do nome? O candidato que topar um acordo assim já merece o meu respeito.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Uma luz rubro-negra
Por Juca Kfouri às 14h50
http://blogdojuca.blog.uol.com.br/

São, por enquanto, oito as chapas que devem concorrer na próxima eleição do Flamengo, em dezembro.

Oito chapas para um clube com dívidas na casa dos R$ 400 milhões!

Sete são mais do mesmo, com nuances, é claro.

Uma, porém, tem João Henrique Areias na cabeça.

Primeiro diretor de marketing do Clube dos 13, em 1987, quando a entidade existia de fato, Areias foi quem, ao assumir os esportes olímpicos do Flamengo, conduziu o basquete rubro-negro ao título do Novo Basquete Brasil neste ano.

Trata-se de um cara educado, decente, capaz, e que, se tivesse se acumpliciado, poderia estar milionário.

E não está, muito ao contrário.

Ele promete o futebol-empresa no Flamengo, além de tornar o estatuto do clube algo mais contemporâneo.

Basta dizer que só há cerca de 5 mil sócios em condições de votar no clube mais popular do país e, em regra, não comparecem mais de 1.500.

O Flamengo tem uma chance rara de mudar.

Para melhor.

Muito melhor.

Basta dizer que nenhum dos ex, ou atuais presidentes do clube, os que fizeram a dívida, o apoiam.

_______________

Eu concordo com ele. E vocês?

Passaporte Rubro Negro

Se há benefício pelo qual o torcedor Rubro Negro aguarda é o de poder contribuir com o clube enquanto sócio e ter como contrapartida o direito de ingresso aos jogos.

Ainda que sem a devida divulgação – conforme nosso amigo André Monnerat já havia anunciado em seu blog (http://sobreflamengo.blogspot.com/2009/09/o-cidadao-rubro-negro-esta-escondendo-o.html), um meio termo desse benefício já existe: Trata-se do “Cidadão Rubro negro” em sua categoria “Ouro”. Todos os detalhes sobre o benefício podem ser consultados através da própria home do programa (www.cidadaorubronegro.com.br) ou ainda pelo site da "Ingresso Fácil", www.ingressofacil.com.br.

Observação interessante: O benefício está mais bem exposto no site da "Ingresso Fácil" do que no site do “Cidadão Rubro Negro”. Com maior destaque, maiores explicações, etc.

Estamos quase lá: Agora posso ter um nível de fidelidade “X” com o clube que me permita, como contrapartida, direito prioritário a ingressos. Observe que o torcedor não terá direito ao ingresso e sim prioridade em ter o ingresso.

Ou seja, ainda é pouco. Mas não deixou de ser um avanço.

Vale à pena comentar sobre um produto similar oferecido pelo mesmo parceiro comercial: O “Cartão IF”.

Consiste em um cartão, comercializado a R$ 29,90 (Aqui a uma controvérsia quanto ao valor, que poderia ser ainda menor, R$ 15,00. Até o momento não consegui contato com a Ingresso Fácil para confirmar exatamente o valor). Com ele o cliente pode ir a qualquer casa lotérica e adquirir seu ingresso, com dois dias de antecedência em relação à venda nos postos oficiais. Além disso, desde que devidamente comprovado no momento da compra do cartão, possibilita o benefício de meia entrada para estudantes. Há uma tarifa por operação que pode variar de R$ 1,25 a R$ 2,50 – dependendo de alguns critérios no momento do carregamento do crédito - e atualmente pode ser utilizado em apenas dois estádios no Brasil: Pacaembu e Maracanã.

Ou seja: De um lado temos o “Cidadão Rubro Negro” categoria ouro, contribuindo mensalmente em R$ 33,00 com o clube. Do outro o “Cartão IF”, com custo anual de R$ 29,90, taxa de R$ 1,25 a R$ 2,50 por compra de ingresso, com possibilidade de meia entrada para aqueles que tem direito ao benefício.

Ambos com prioridade na compra de ingressos em relação à venda nos postos oficiais. Ambos podendo ser carregados em casas lotéricas. (Nesse ponto há um diferencial ao “Cidadão Rubro Negro” que é poder carregar também pela internet).

Você torcedor do Flamengo, que sempre vai ao Maracanã e que agora vê a possibilidade de adquirir ingressos com muito mais facilidade, com prioridade: Prefere pagar R$ 33,00 mensais sendo “Cidadão Rubro Negro Ouro" ou adquirir o “Cartão IF” ao custo anual de R$ 29,90 e taxa de, no máximo, R$ 2,50 na compra de cada ingresso?

O meu desejo aqui era o de encerrar o tema solicitando uma resposta, a ser dada pelo Flamengo. Porém, não custa sugerir, abrir alternativas: Qualquer outro clube no país, à exceção daqueles que apenas comercializam espaços vip’s (como por exemplo o “Setor Visa”) concedem descontos reais aos seus sócios para adesão em determinada categoria.

Em todos os clubes, sem exceção: O sócio é de fato beneficiado financeiramente por sua fidelidade ao clube. Não se trata de simples prioridade em filas.

Prioridade em fila, a “Ingresso Fácil” possibilita. E ela não tem qualquer outro vínculo, a não ser o comercial, com o torcedor do Flamengo.

O Flamengo precisa tratar seu sócio torcedor como patrimônio. Mais do que respeito, vai conseguir ganhar mais dinheiro com isso. Podem apostar.

O espírito de quem joga na lateral/ala

Após muito tempo vi o Leo Moura atuar contra o Sport, no último sábado, como um lateral/ala de verdade.

Quem joga pelos lados de campo deve priorizar sempre as jogadas pelas pontas, chegando à linha de fundo e cruzando para área. Podem reparar que é a maneira mais fácil para se chegar ao gol adversário.

Torço muito para que o nosso camisa 2 mantenha essa tendência e não volte a afunilar as jogadas pelo meio.

Outro que deve retornar é o Juan. Este deve analisar o VT da partida do último sábado e se inspirar no Leo Moura.

Afinal, lateral/ala não é para parar a jogada, cadenciar o jogo. Jogador dessa posição é para ser o mais objetivo possível.

Temos que aproveitar as jogadas de lado de campo, pois não é qualquer equipe que tem na frente o centroavante do quilate do Adriano, bom com os pés e pelo alto.

Muitos falam que o nosso esquema com os dois alas já está batido. Em partes eu concordo. Leo Moura e Juan pensando o jogo, dando toquinho para o lado, realmente não dá mais.

Mas esses dois atuando como jogadores objetivos e de lado de campo é plenamente viável.

É viável graças a presença de Maldonado. Sem muito alarde ele assumiu a titularidade e hoje, para mim, é peça determinante no sistema defensivo.

É o chileno que pode proporcionar mais uma chance dos nossos alas voltarem a jogar o bom futebol.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XLV)




André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites: www.gardenal.org/mauhumor e André Dahmer - www.malvados.com.br/

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Essa semana, encerro a segunda parte da Saga do Penta, com o capítulo final da conquista do Brasileiro de 1982. Todas as partes podem ser lidas aqui. (o Brasileiro de 1980 está disponível aqui). Há links nos negritos. Então, boa leitura.

Campeonato Brasileiro de 1982 – Final

Após superar o Guarani, o Flamengo estava novamente nas finais do Brasileiro. Após uma década perseguindo o título, o rubro-negro começava a estabelecer uma intensa intimidade com as decisões de títulos nacionais, o que ainda duraria cerca de uma década. Mas, nesse campeonato de 1982, o desafio seria duríssimo. O Campeão do Mundo estaria de frente com aquela que talvez fosse a única equipe capaz de realmente ameaçar sua conquista, o Grêmio de Ênio Andrade.

O multicampeão treinador gaúcho havia implementado uma mentalidade vencedora e altamente competitiva no Grêmio, que alinhava com uma das melhores equipes de sua história. O meia Paulo Isidoro e o volante Batista, no auge, comandavam o elenco, juntamente com o zagueiro uruguaio De León e o goleiro Leão, apontado por unanimidade o melhor goleiro do campeonato e que só não estava na Seleção por opção de Telê Santana. Além do quarteto, o time mesclava a experiência do zagueiro Vantuir e do atacante Tarciso com a juventude dos laterais Paulo Roberto e Paulo César, além dos volantes China e Bonamigo. Fora a cereja do bolo, o “artilheiro de Deus” Baltazar, atacante perigosíssimo. Um time capaz de tropeçar contra Maringá, Vitória e São José em jogos sem importância, mas que, nos momentos decisivos, eliminara Vasco e Fluminense, além de atropelar o Corinthians de Sócrates nas Semifinais, com duas vitórias contundentes (2-1 e 3-1). Equipe que atuava com a mesma desenvoltura no Olímpico, Morumbi ou Maracanã. Não por acaso, o atual campeão brasileiro.

Primeiro jogo da Final, o Maracanã borbulha de gente, 138 mil. O Flamengo vem completo, com Figueiredo, agora titular, na zaga. O Grêmio, também sem problemas, com o jovem Tonho ganhando de vez a posição na ponta no lugar de Júlio César “Uri Geller”, que não vem em boa fase. A partida começa tensa, truncada, e assim segue por todo o primeiro tempo. Desde o início, a torcida e o time se dão conta de que terão muita dificuldade para superar o bloqueio montado por Ênio. Se no jogo contra o Guarani o ataque flamengo entrava na defesa adversária como faca quente em manteiga, dessa vez o time mal consegue atravessar a intermediária. O Grêmio não cede nenhum palmo de grama. Cada jogador flamengo que recebe a bola tem que se livrar de um ou dois antes de pensar. É uma marcação implacável, quase desumana. Cauteloso, Carpegiani não solta de vez a equipe. Receia os contragolpes mortais, que abateram Flu e Corinthians. E o Flamengo vai vivendo seu drama, mal consegue criar chances de gol, bate na parede gremista. Mas não pipoca, briga por cada bola. O gremista Vantuir entra desatento numa dividida. Quebra a perna. Sai, entra Newmar, a defesa segue sólida. Acaba o primeiro tempo, um denso 0-0. Segundo tempo, Carpegiani começa a abrir o time, sai Lico, entra Chiquinho. O Flamengo melhora um pouco, começa a se aproximar da área gremista, arrisca chutes de longe, mas Leão está bem na partida. O tempo vai passando, as chances de gol são escassas e forçadas, o Grêmio não sai de sua defesa, parece acuado, vai montando sua armadilha. Agora Adílio dá a Chiquinho, que acerta lindo passe a Zico, o Galinho fuzila, mas a bola faz beicinho e sai por cima. A torcida finalmente se inflama, o time vai pra cima, parece a senha pra mais uma vitória dramática. Mas o adversário está calmo. E sente a hora do bote. Bola perdida no ataque flamengo, lançamento rápido a Paulo Isidoro. O Tiziu bate Andrade na corrida, entra na área, chuta cruzado, Raul espalma, o garoto Tonho vem na corrida, aproveita o rebote, pica, inocula a peçonha. Faltam sete minutos, o Grêmio cala o Maracanã. O Flamengo, tal como o São Paulo em 1981, cede ao seu entusiasmo, abre a guarda e leva duro golpe do traiçoeiro inimigo.

Falta pouco tempo, mas ainda há tempo. Os jogadores flamengos enchem-se de brios, pegam a bola no fundo do gol e vão à luta. Na hora, a torcida rubro-negra percebe e diz presente, começa a gritar. Carpegiani manda a cautela às favas. O time vai todo à frente, não tem mais defesa. Vai exercer uma pressão que costuma ser insuportável. Mas o Grêmio suporta, seu sistema defensivo é uma casamata. Chiquinho cruza, Zico ajeita de cabeça, o próprio Chiquinho mergulha, Leão faz bela defesa. Agora, Tita se livra de três botinadas, dá a Zico, que mete uma caneta em Newmar, deixa com Adílio, novamente Zico, daí a Chiquinho, que livre chuta pra fora. A nação enlouquece, agora não tem mais tática, é só coração. Só resta um minuto. A caravana gaúcha, até então calada, começa a cantar, sente a vitória ali pertinho. Apenas mais uma volta no relógio. “ai, ai, ai, ai, tá chegando a hora...”, cantam. Não se canta vitória contra o Campeão do Mundo. Júnior é lançado na esquerda, ganha na raça de Paulo Roberto. Cruza. Zico aparece. Não o craque, não o gênio, mas o deus, que levita, flutua no ar para ganhar de Newmar e, num lance de absurda habilidade, emendar de rosca na saída de Leão, pra implodir a parede gremista, empatar o jogo, ensandecer todo um povo e fazer os gaúchos engolirem o “ai, ai”. 1-1, a decisão continuava empatada. Agora, a pedreira no Olímpico.

O Grêmio tinha o favoritismo do mando de campo, mas a sensacional reação do Maracanã dera moral ao Flamengo. Experimentado, o time não temia o Olímpico. E soube trancar a partida, da mesma forma que os gaúchos haviam feito no Maracanã. É bem verdade que o Grêmio criou as melhores chances, exigiu de Raul, chegou a mandar uma bola na trave, mas o time de Carpegiani mostrou que também sabia atuar de forma competitiva, imprimindo forte marcação, e com boa atuação de sua defesa, segurou o empate em 0-0, frustrando os 74 mil que superlotaram o estádio. Pelo regulamento, seria necessária uma terceira partida para, enfim, decidir o campeão.

“1-0, gol de Nunes”. Zico espalhava, pra quem quisesse ouvir, seu palpite pra decisão. O Flamengo, nos três dias que antecederam a final, saiu de Porto Alegre e foi relaxar em Canela, com direito à presença das esposas dos jogadores. Os gremistas seguiam confinados em sua concentração, acumulando a já insuportável tensão de uma final que se arrastava. E o resultado do estratagema flamengo logo se faria sentir. Surpreendendo a todos, Carpegiani mandou o time partir pro ataque desde o início, como se no Maracanã estivesse. Os gremistas, que esperavam um adversário acuado, sentem e, nervosos, começam a distribuir pontapés a rodo. O Flamengo, solto e leve em campo, passa a fustigar o gol de Leão, criando chances. O goleiro gremista, tenso, acerta cotovelada em Nunes, que lhe mete o dedo na cara. O clima é hostil, a pancadaria parece inevitável. Tita recebe passe na esquerda, dois gremistas, ávidos de porrada, acertam-se mutuamente, mas um terceiro voa na canela de Adílio. Falta cobrada rápido, bola com Zico, que atravessa o meio das pernas de Vilson Tadei e rola macio, serve um prato de caviar em bandeja de prata a Nunes, que vai repetir 1980 e se tornar o verdugo dos sonhos adversários, com um tiro áspero e rascante, desenhando no gramado do Olímpico um rastro de fogo, carbonizando a ilusão gaúcha de se tornar maior do que o maior do mundo. Nunes, o artilheiro, o enviado, cumpre sua missão, faz virar realidade a premonição do divino Zico e dá outro título brasileiro ao Flamengo.

Mas calma, ainda tem jogo. E o tricolor gaúcho atira-se ao ataque com fúria embrutecida, a sanha dos animais selvagens. Leandro sente, dá lugar ao garoto Antunes. O time de Ênio Andrade acossa a cidadela flamenga, mas tropeça em sua ansiedade e nas defesas de Raul, em grande tarde. O jogo parece sob controle, a não ser pela atuação de um garoto, que substitui Tarciso, vetado de última hora. Um menino, quase estreante, 19 anos, que dá enorme trabalho a Júnior. Seu nome, Renato Portaluppi, dono de uma agilidade que parece incompatível com seu corpanzil. Mas mesmo Renato não é capaz de superar a volúpia da defesa flamenga, a sede de um time que não parece nunca saciado com títulos, sempre quer mais. E o jogo vai se encaminhando pro final. Num último suspiro, o Grêmio ataca. Córner. Bola na área, cabeçada forte, Raul faz (mais) uma bela defesa, espalma. Na sobra, Paulo Isidoro briga, dá de calcanhar, a zaga tenta afastar, Renato chega aos esbarrões e empurra a bola pra cima. A partir daí, irrompe uma sinfonia de socos, chutes e empurrões, uma disputa medieval pela bola, que apenas flutua sobre o inacreditável sururu armado na pequena área. Cerca de DEZ jogadores se engalfinham, é briga de rua, e ali está sendo decidido o título. Em uma fração de segundos, todo o estádio se levanta, caem flamengos e gremistas empilhados dentro do gol, corpos em batalha. Marota, a bola apenas assiste ao rebu, até ser esmurrada por um desesperado Raul, que num soluço consegue mandar ao inferno a ameaça à vitória e ao título flamengo. Depois do animalesco lance, os gremistas se convencem de que não ganharão nem na marra. E esmorecem. E viverão o trauma da derrota em casa, que amargam até hoje. Soa o apito, 1-0, e o Flamengo é mais uma vez campeão brasileiro. Um título merecido e anunciado desde a primeira rodada, após a virada histórica sobre o São Paulo. Título pro melhor jogador, longe, do campeonato, Zico, de quebra ainda artilheiro com 21 gols. Título que consolida a força do melhor time do mundo, o auge da Era Zico, e que marca uma façanha jamais igualada no futebol brasileiro.

Sim, porque nesses tempos de estratégias de marketing e intensas tentativas de autopromoção, onde tríplices coroas e números bonitinhos (seiquelá-3-3 etc) se espalham com a velocidade do pensamento, até hoje nenhum, rigorosamente nenhum time foi capaz de acumular tantos títulos em seqüência, simultaneamente. Campeão Estadual, Brasileiro, Continental e Mundial. Campeão de todas as esferas, universal, onipotente e onipresente campeão.


O verdadeiro e autêntico Campeão de Tudo.