quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Redenção - 2009: O ano que começou em 2006

Final da Copa do Brasil. Depois de um vexame pecaminoso para nossos autos, o Flamengo derrota os vices eternos e conquista a Copa do Brasil. De forma avassaladora, sem ficar com aquela dúvida de "será que eles mereceram?"

Ali, para quem gosta um bocado de superstição, começava a ser desenhado o Hexa em 2009.

Tá maluco, Alex, 2006??

Sim. Nada que conquistamos é mole, é com ajuda de juiz ou com incompetência alheia. Nossas conquistas requerem luta, sangue, quase um terrorismo digno dos filmes B de Hollywood.

Pois bem. Em 2007 já íamos pra outra barbárie. E então, de repente, não mais que de repente, alçamos um vôo que parou na Libertadores, e só não virou título porque começamos tarde.

Ihhh, Libertadores qualquer dia tamoaeeeee...e bufa. Caímos com tudo ganho. Veio o fantasma das grandes derrotas, mimimi, e o time resolveu tornar 2008 um porre. Era pro repeteco da Liberta, e até me atrevo a dizer que o Hexa não seria injusto. Mas não veio, e uma derrota absurda na Arena fechou o ano com chave de lixeira.

Paralelo a isso tudo, o time mostrava uma incomensurável vontade de sacanear o botafogo. 3 anos, 3 vices pra eles. Parte da torcida achava a parada sinistra, parte queria o tal do algo mais.

Começa o brasileirão. A mesmice de todo ano, derrotas pra qualquer torcedor comum abandonar o time.

Ei, não somos nem nunca seremos torcedores comuns. Somos a Magnética. Somos os fuderosões, como gosta de dizer meu amigo Arthur Muhlemberg. E então, a abóbora virou carruagem.

10 de outubro. Flamengo x bambis. Naquele jogo, exatamente naquele jogo, vi que o destino tinha mudado de ares. Que poderíamos, sim, sonhar com o Hexa. A memória que tenho daquela tarde é o gol do Zé Roberto. É a comemoração em êxtase de todo mundo, nego abraçando gente que nunca viu na vida. Ali, eu me lembrei de 2006, quando precisávamos mostrar ao mundo que o ano anterior tinha sido um deslize. Enorme, mas um deslize.

Pois o Flamengo é maior do que tudo. O Flamengo não existe à toa. E mostramos, demos nosso recado.

Essa lenga-lenga toda aí de cima pra mostrar que NUNCA devemos desistir dos sonhos. E mesmo nas horas aporrinhativamente difíceis, não devemos desistir.

NUNCA.

E a Fé, amigos, é nossa amiga eterna. A Fé move montanha. A Fé nos leva a lugares antes considerados impossíveis.

Não deixem de sonhar, de desejar em 2010.

Paz, saúde, prosperidade e muita harmonia pra vocês todos.

São os votos de Alex, Mari e Alice.

SRN!!!

DCF!!!

CCM!!!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz Mengo Novo

Eu estava na arquibancada do Couto Pereira, vendo o Flamengo desmoronar diante do Coritiba, e - perdão, meu São Judas Tadeu - cheguei a pensar: - Esse resto de 2009 será longo e sofrido...

Mas ainda havia muito Flamengo para acontecer em 2009. Tanto, e de tal modo, que sentiremos saudade. O ano do penta-tri, do bi no basquete, da volta de Adriano e da ressurreição de Petkovic. O ano do hexa. O ano, como outros velhos anos, do deixou chegar, fudeu.

Por isso, é hora de desejar um feliz ano novo. Na verdade, um feliz Mengo novo. O time será outro, inevitavelmente outro. Airton Sparta já foi, Zé Boteco quase indo, e os mexicanos chegaram uma caçamba de grana no Everton. Será preciso reconstituir um pedaço do time vitorioso, e no futebol, reconstituir pode ser mais difícil do que constituir.

Que seja um Mengo feliz como foi esse da reta final do Brasileiro, esse que calou o Parque Antártica e o Mineirão e fez cantar o Maracanã tantas vezes.

Mas recordar é viver, pois não? Deixo aqui um presente para todos os rubro-negros. É a foto que fiz na final, lá atrás do gol, no alto da arquibancada. Eu nem estava tirando fotos do jogo, havia tirado uma única até então, mas quando o Pet ajeitou a bola no córner, liguei a câmera e foquei na grande área. Fiquei olhando por cima do visor e, quando a bola pingou na muvuca, cliquei. Só vi que tinha feito a foto um tempo depois, quando virei para Alex do Triplex, ainda enxugando as lágrimas, e disse: - Olha a foto que eu fiz!



A foto virou banner do nosso blog, e hoje @eusouflamengo tuitou a foto. Pego emprestado o link e divido com vocês a foto em alta, aqui.

E assim, me despeço de 2009. Irmãos rubro-negros, bom demais estar com vocês nessa história toda. E feliz Mengo novo para todos nós.


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Aviso


O sistema de comentários do haloscan acabou, e pedimos aos amigos que tenham paciência, pois estamos na transição para um novo sistema.

Como dependemos da disponibilidade de pessoas pra resolver isso, talvez demore alguns dias, mas acreditamos que logo estará tudo ok.

Agradecemos a todos.

SRN.

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações HEXACAMPEÃS a todos. Com o desfile de craques do Jogo das Estrelas de domingo passado, foi impossível deixar de lembrar outro momento maravilhoso, ocorrido há pouco menos de 15 anos atrás. No final, há link para um vídeo com imagens do jogo.

Aproveito para desejar a todos um Feliz 2010, com muita paz, saúde, e que o Mengão continue nos fazendo felizes.

O primeiro Flamengo x Amigos do Zico

1985. O Rio de Janeiro está mais lindo. A cidade está em festa, tingida de vermelho e preto, o sol brilha mais forte, as festas são mais barulhentas e animadas, uma atmosfera de alegria e felicidade parece permear a tudo e a todos. Não se fala noutra coisa. Zico voltou.

Após uma delicada negociação que durou meses e penou repleta de idas e vindas, finalmente se conseguiu viabilizar o retorno de Zico ao Flamengo. Com o apoio de várias empresas e contando com a decisiva vontade do jogador (que recusou propostas de clubes como Barcelona e Borussia Dortmund), montou-se uma ousada operação, o chamado Projeto Zico, para que o Galinho retornasse ao seu recôndito, à sua casa.

Confirmada a contratação, a cidade literalmente parou para abraçar seu ídolo, com direito a estrondoso desfile em carro aberto, emocionada entrevista de retorno, produção de um filme alusivo ao evento (tudo bem, um filminho prosaico, vá lá...), música nova de Moraes Moreira e principalmente a realização de um amistoso cuja renda serviria para amortizar os custos da contratação. Nesse jogo, o Flamengo, turbinado pela presença de seu novo reforço, enfrentaria uma seleção de craques.

Antes disso, Zico mostrou estar em plena forma, comandando a Seleção na difícil campanha das Eliminatórias para a Copa, onde o Brasil eliminou o forte Paraguai e a perigosa Bolívia, com direito a um gol antológico na partida em Assunção, um dos mais belos de sua carreira, ao receber um passe na corrida e corrigir o quicar rebelde da bola com um suave meneio de calcanhar e, sem interromper a passada, emendar de primeira sem defesa para o incrédulo Fernandez. Classificação para a Copa carimbada, era hora de voltar ao Flamengo.

O rubro-negro retornaria à disputa da Segunda Fase do Campeonato Brasileiro, após a paralisação para as Eliminatórias. A equipe estava em uma chave onde o adversário mais temido era o Bahia, sensação da Primeira Fase. Os demais, Brasil de Pelotas e Ceará, não assustavam. No entanto, o time não vinha convencendo. Após um bom início, onde conseguiu a classificação para a Segunda Fase, o time de Zagallo caiu muito de produção e passou a acumular preocupante número de derrotas. O setor mais criticado era o ataque, onde o limitado Chiquinho (artilheiro do Campeonato Paulista em 84, contratado para substituir Nunes) sentia o peso da camisa e não engrenava, o experiente Tita vivia problemas de relacionamento com alguns jogadores e já não era tolerado pela maior parte da torcida e o jovem Bebeto ainda não conseguia exibir regularidade compatível com seu reluzente talento. O início na Segunda Fase também não havia sido animador, com difíceis empates no Nordeste contra Ceará (1-1) e Bahia (0-0) e uma pálida vitória no Maracanã (1-0) contra o Brasil de Pelotas. Era pouco, muito pouco para uma equipe que possuía um dos melhores elencos do país. Faltava alguma coisa, uma chama, uma centelha.

E é nesse contexto que Zico aparece. O amistoso de reestréia é marcado para uma sexta-feira à noite, encaixado na marra em meio ao Brasileiro. De um lado, o Flamengo de Zico, agora novamente com Zico. Do outro, um timaço com as presenças de craques como Falcão, Sócrates, Toninho Cerezo, Edinho, Branco, Júnior, Roberto Dinamite e Éder. Praticamente a Seleção de 1982 remontada, com um reforço de peso: Diego Maradona. No banco, Telê Santana, naturalmente.

Cerca de 40 mil pessoas, um público excelente (pouquíssimos jogos no Brasileiro superaram essa marca), vão ao Maracanã saudar o retorno de seu ídolo maior. Os Amigos de Zico entram em campo com um sugestivo uniforme de camisas amarelas e calções azuis, lembrando a Seleção Brasileira. E realmente em campo está uma seleção, uma constelação de craques. Todos em pleno ritmo de jogo, às voltas com a disputa do Brasileiro ou das Eliminatórias, encerradas recentemente.

Mas, ao iniciar a partida, é o Flamengo quem esquece o cansaço (atuara dois dias antes pelo Brasileiro) e parte pra cima. Todos estão vivamente motivados com a presença do seu Camisa 10, que parece nunca ter saído do time. Encaixa-se como uma luva à equipe. Craque se encaixa em qualquer lugar. Começa a distribuir passes refinados e lançamentos açucarados, que Chiquinho se esmera em desperdiçar, levando ao desespero a animada Nação. O trio Andrade, Adílio e Zico está lá, novamente junto, dando as cartas e não tomando conhecimento do estelar adversário, fazendo o goleiro Paulo Victor trabalhar intensamente. Até que o Galinho pega uma bola pela direita e faz menção de bater a gol, mas a bola sai mascada e Chiquinho (novamente) não consegue aproveitar a sobra, mas Tita está atento e empurra pro gol. Flamengo 1-0. Feliz, a torcida parece rever um filme maravilhoso, que ficara dois anos guardado em alguma prateleira empoeirada. E canta, como se fosse o último jogo de sua vida.

O jogo segue, o Flamengo continua fazendo a sua melhor partida do ano. Nem nos 6-1 contra o Botafogo (mais obra da absurda atuação de Adalberto) a equipe havia mostrado uma evolução tão desenvolta, tão perfeita técnica e taticamente. Amplia, com Marquinho. Falcão, Júnior, Sócrates e Maradona parecem apenas garotos promissores perto do volume de jogo flamengo. Não fossem Paulo Victor e Chiquinho, os Amigos de Zico estariam sofrendo uma goleada nada amigável. Zico, inteiramente à vontade em sua nova velha casa, segue pintando seus quadros e servindo manjares aos companheiros. E fazendo Paulo Victor sofrer.

Vem a segunda etapa e as alterações naturais e esperadas. O ritmo do jogo cai. Zico permanece em campo, mas agora está circundado por Hêider, Júlio César, Nem, Vinícius e Ronaldo Torres (que anos mais tarde seria preparador físico). Os Amigos do Zico começam a pressionar o gol de Cantarele (que entra no lugar de Fillol). Mas, quando o gol adversário parece iminente, há uma falta na extrema esquerda. Um “córner de calça curta”, diriam os cronistas. Zico ajeita, o natural é cruzar. Mas o Galinho tem outros planos. Quando soa o apito, o Camisa 10 da Gávea inova e assombra. Bate fechado. A bola parece ir no primeiro pau, mas no meio do caminho muda de idéia e se dirige ao gol, obediente. Aparvalhado, o goleiro Gilmar Rinaldi (que substitui Paulo Victor) não sabe como ir na bola, que entra serelepe na exata forquilha do primeiro pau, precisa, incisiva, geométrica. Um espetáculo inacreditável, um gol de falta absurdo. Flamengo 3-0. Zico está, definitivamente, de volta.

Após o escandaloso gol de Zico, pouco há mais a fazer, a mostrar. Os jogadores sentem o desgaste e passam a tocar bola e tentar lances de efeito. E o amistoso se encaminha para um tranqüilo desfecho, quando de repente irrompe na beira do campo o atacante Jacozinho, do CSA de Maceió-AL. Picaresco e folclórico, Jacozinho é objeto de várias reportagens humorísticas no Globo Esporte da época, que o alçam à condição de celebridade instantânea. O irrequieto nordestino entra no lugar de Falcão e, logo em seu primeiro lance, recebe de Maradona na corrida, dá belo drible em Cantarele e toca pro gol vazio. A torcida flamenga, que andava meio acomodada, vibra e ri com a ousadia de Jacozinho, que aproveita intensamente seus quinze segundos. E, após esse breve sobressalto, nada mais acontece e o jogo termina mesmo em 3-1 para o renascido e renovado Flamengo.

Abre parênteses: a participação de Jacozinho na partida gerou várias reclamações de Zico e dos organizadores do evento, visivelmente incomodados com a presença do jogador. Isso gerou vários comentários eivados de ressentimentos e recalques, dando conta de que o Galinho estaria “enciumado” com o sucesso de Jacozinho. Mas o que as cassandras ignoravam, ou fingiam esquecer, é que a irritação decorreu do fato de Jacozinho ser um “produto” da TV Globo, colocado “na marra” para participar de um evento promovido pela TV Manchete, que participou ativamente do “Projeto Zico”. O Galinho, ciente da manobra, chiou muito após o jogo. Mas com Jacozinho não houve ressentimentos, tanto que o Flamengo, semanas depois, enfrentou o CSA em Maceió e os dois posaram sorridentes para fotos. Ah, Zico devolveu a gentileza, comeu a bola e o Flamengo meteu 4-0. Fecha parênteses.

Desde aquele 12 de julho, Zico foi arrebentado, renasceu, perdeu pênalti, foi dado como morto, ressuscitou de vez na epopéia do tetra brasileiro, despediu-se de sua Nação, abriu caminhos no Japão, foi secretário, ministro, cartola, treinador, e agora reúne anualmente um grupo de exemplares da mais alta estirpe da bola para 90 minutos de uma celebração ao amor, ao lirismo, à poesia e ao talento em estado bruto. Futebol sem limites, sem amarras, bem ao gosto dos amantes da bola.

O melhor presente de um Monarca aos seus súditos.

Vídeo: A trajetória de Jacozinho (lances do jogo a partir do minuto 02:30)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Para encerrar o ano

Depois da ópera que assisti ontem, pensei em abrir mão da promessa e fazer um Top Ten sobre o jogo das estrelas.

Só que meus irmãos de Fé Arthur Muhlemberg e Lucas Dantas foram mais rápidos, e creio eu, muito mais precisos do que eu conseguiria ser. Este é um post em homenagem à velha guarda do blog, com 2 textos com a essência do que aconteceu ontem.

Nos títulos, os links com a url original.

Se não nos falarmos mais, Feliz 2010 a todos.



* Por Arthur Muhlenberg


A semiótica é um saber muito antigo, que estuda os modos como o homem significa o que o rodeia.

Após a dionisíaca conquista do nosso épico hexa, nada mais parecia ser capaz de emocionar um rubro-negro em 2009. Nada que fosse relacionado ao universo esportivo. E depois de intermináveis 21 dias de pausa emocional, onde a veia operística da Magnética se manteve anomalamente contida e ao mesmo tempo distensionada, chega o Jogo das Estrelas para fazer os corações rubro-pretos baterem em outro ritmo.


Emi se indignou com a bandeirinha.

A própria presença de mais de 70 mil pessoas no Maracanã em um domingo escaldante já é algo assombroso. Não é necessário dizer que só mesmo a gente, Nação Rubro-Negra, pra fazer algo dessa magnitude. É tão reconfortante saber que até mesmo uma pelada amistosa nos dá motivos tão fortes para confirmar que somos os maiores. Mas não pensemos apenas em nosotros. Regozijemo-nos também pela ajuda que chegará à família de Zé Carlos e às mãos de Washington, nosso carrasco florminensista nos longínquos anos 80. Além de ser tudo que já é, o Flamengo, através de seu maior evangelista, Zico, ainda tem o poder de fazer de cada um nós seres humanos melhores.

Falando em seres humanos, que magnífica constelação de craques Zico conseguiu reunir. Fico até receoso de citá-los nominalmente e cometer a injustiça de esquecer o nome de alguém. Ma também não há como não me levantar da cadeira e digitar de pé os nomes de Adílio, Andrade, Junior, Zinho e Charles Guerreiro. Quando esses caras começam a trocar passes transformam aqueles 450 gramas de couro inflado esfericamente em uma prodigiosa máquina do tempo que anula dimensões. A bola correndo pelo gramado, sendo tocada por aqueles pés sagrados era uma imagem comovente. Tão comovente e bela que nem mesmo as despropositadas vaias ao Tetra Campeão Renato Gaúcho conseguiram avacalhar com as minhas sinceras lágrimas internas.

Pai, eu vi o Zico!

Como entusiasmado puericultor amador que sou é evidente que levei minhas crias ao Maraca. Não poderia ser tão irresponsável e desnaturado a ponto de negar-lhes o privilégio de ver Zico e Romário fazendo gols pelo Flamengo em uma mesma tarde. Ter nascido no século XXI não serviria de justificativa para que elas nunca tivessem cantado que Zico é o nosso rei e que Romário vem aí e o bicho vai pegar. Com a ajuda desses craques prodigiosos essa lacuna na formação intelectual de minhas meninas foi devidamente preenchida.

E durante essa tarde memorável de exaltação ao belo, ao bom e ao verdadeiro muitas vezes me passou pela cabeça o questionamento sobre como os olhos das minhas meninas interpretavam aquilo que estavam vendo no gramado. O que significa pra Emilia aquela matada no peito do Romário antes de suspender o balão e colocar o Ibson na cara do gol? Um questionamento nada original, que já foi abordado consistentemente por Platão, Aristóteles e Plotino nos seus estudos sobre estética e que Peirce sistematizou como Categorias do Pensamento e da Natureza, ou Categorias Universais do Signo.


Para Peirce a Primeiridade é a qualidade da consciência imediata é uma impressão (sentimento), invisível, não analisável, frágil e irrepetível. Quando o Baixo escraviza a redonda no peitoral e a Emilia se vira e me diz: – Que bonito isso que o moço fez com a bola, pai. isso é Primeiridade. Quando a Camila atalha com: – Foi bonito, mas não foi gol isso é Secundidade pura. É a Secundidade que dá a experiência seu caráter factual, de luta e confronto entre o sentimento e a lógica.

E temos, finalmente, a Terceiridade, que corresponde à camada de inteligibilidade, ou pensamento em signos, através da qual representamos e interpretamos o mundo. Aos meus olhos já cansados a matada no peito ganhava em significados. Era a Terceiridade que expressava a minha interpretação de tão belo gestual. Aquela bola amaciada no tórax romariano naquele exato momento, naquele preciso lugar, significava que em nosso reino a paz estava selada. Que na imensa nação flamenga, onde o sol nunca se põe, havia terminado para sempre um ignóbil conflito de gerações.

Não posso conceber domingo mais perfeito para encerrar um ano dourado. Obrigado, Maracanã, templo e academia da minha vida. Obrigado, Zico. Obrigado, Magnética. Obrigado Cami e Emi, foi através de seus olhinhos que eu tive certeza de que a chama não se apagará.



*Por Lucas Dantas


Dizem que se Jesus perdoou, todos devemos fazer o mesmo. Não sou católico e não quero cometer nenhuma blasfêmia, mas hoje eu digo que Ele perdoou de verdade. Zico, o Messias, estendeu a mão e em nome da solidariedade e do espetáculo, aceitou em seu convívio o maior camisa 11 da história do futebol. E Romário, o Cara, aceitou. Sorte de quem viu.

Por muito tempo, os recalcados de plantão usavam o discurso surrado do Romário e atacavam a seleção de 1982 chamando-a de perdedora, e esquecendo que ídolos de seus times não tiveram sequer a oportunidade de figurar numa equipe tão magistral. Ela não ganhou a Copa, e como diria o outro, azar da Copa. Mas ganhou a paixão do mundo. O que dirão esses idiotas agora?

Hoje Romário mostrou que as imbecilidades do passado devem ficar por lá e dois ídolos da maior torcida do mundo, segundo o próprio, não podem mais viver uma celeuma idiota. A melhor forma para acabar com isso foi com a bola em campo, os dois lado a lado.

Eu já me peguei sonhando inúmeras vezes em como seria se Romário e Zico tivessem jogado juntos pelo Flamengo. Quando Pelé e o Galinho fizeram uma única parceria, o pavoroso Galo mineiro foi trucidado no Maracanã. Como seria então o 10 e o 11 figurando num mesmo time, com Bebeto caindo pela ponta direita, Júnior e Leandro nas laterais, Andrade, Adílio e Djalminha na meuica e Juan e Aldair garantido a paz de Julio Cesar lá atrás?

É um sonho, jamais será realizado num jogo à vera, mas hoje deu para ter um belo aperitivo. Trajando uma camisa vermelha que mais lembrava o América do que o Flamengo (justo, dada a identificação da família Antunes e do próprio Romário com o time da Tijuca) e jogando uma partida onde a competitividade foi deixada de lado, a emoção rolou com a bola e o gramado do Maracanã voltou a ser bem tratado.

Convidado de honra, Romário deu um show. Mostrou com poucos toques e um talento absurdo que é muito fácil fazer o que Adriano parecia ter uma dificuldade incomensurável. O Imperador chegou na cara de Carlos Germano (goleiraço e raro exemplo de jogador vascaíno sangue bom) e se fartou de perder gols. Romário apresentou a velha frieza dentro da área. Incrível como ele joga naquele espaço com a mesma tranquilidade que eu mexo açúcar dentro de uma xícara.

O Baixinho tinha noção do tamanho da festa e de sua responsabilidade perante os súditos do Rei ArthurZico 1º (e único). Mas o dono da partida não poderia ser outro senão Ele. Zicão meteu três, deu passes, dribles e reverenciou a torcida que o ama mais do que qualquer outra jamais poderá idolatrar qualquer jogador. Já disse antes e repito: times tem ídolos, muitos, mas sempre encontramos discussões sobre o maior. Só o Flamengo tem Zico. E por mais que tentem com patéticos argumentos atacá-Lo, jamais conseguirão.

Zico conseguiu num jogo beneficente enfiar mais de 70 mil pessoas no Maracanã. Muito time brasileiro não consegue esse público em partida oficial há muito tempo. Tem equipe de primeira divisão que fez isso uma ou duas vezes na vida!

A imagem do Galinho agradecendo a torcida é na verdade um espelho. Nós é que agradecemos. Mesmo quem nunca O viu jogar diz todos os dias “obrigado, Zico, por tudo o que você fez pelo Flamengo”.

Mas hoje quem está agradecendo também é o Romário. E pensando “se eu tivesse nascido um pouco antes, quem sabe não teria ido pro Flamengo e chegado logo aos 1000 gols”?

Missão Adriano 2010

Eu sei, não é hora de falar coisas sérias. Passamos semanas e mais semanas pensando só no Flamengo. Ou, para ser mais justo, pensando no Flamengo e nos tropeços de nossos adversários. Somos Hexa, é hora de descanso e de amenidades, de comentar a bela festa do Zicão que levou 70 mil pessoas ao Maracanã, de assistir as retrospectivas de nossos títulos conquistados em 2009. Então, se você não quer pensar em coisa séria, pare por aqui. Mas foi justamente assistindo o jogo do Rei Arthur que me veio a preocupação que passo a dividir.

Adriano chegou ao Maracanã em cima da hora hoje. Claro, ele não respeita os horários durante o ano, não será nas peladas festivas que se transformará em um pontualíssimo lorde britânico. Mas isso me fez lembrar de um assunto que estamos varrendo para baixo do tapete, entre os confetes e serpentinas do Hexa. Como controlar Adriano em 2010? O momento não é propício, porque as resenhas das revistas especializadas estão justamente exaltando o quanto o Flamengo foi compreensivo com Adriano e o quão necessário é deixá-lo livre para as festas na laje, para percorrer as vielas da Vila Cruzeiro na garupa de uma moto e para faltar os aborrecidos treinos de meio de semana.

Embora eu esteja muito grato ao Adriano, devo confessar que não acredito que foi essa liberdade dada pelo Flamengo que o tornou artilheiro do campeonato. Estou convencido de que as convocações para a seleção brasileira e, principalmente, a vontade do Adriano de estar na seleção brasileira foram os fatores responsáveis pelas doses de disciplina que o levaram a fazer a diferença no campeonato nacional. Ainda que a seleção tenha efeitos colaterais desagradáveis, como as contusões - o que muito nos prejudicou em 2009, pouco com Adriano, bastante com Kleberson e imensamente com Maldonado -, é pacífico que o Imperador se esforçou para mostrar ao Dunga que merece uma vaga na Copa.

Quando acabou o ano oficial da seleção, fora os amistosos para os quais Adriano sabia que não seria convocado, acabou o motivo da disciplina. Foi quando voltaram os atrasos para os treinos, e a história da carochinha do pé queimado numa lâmpada. A festa pelo título encobre a lembrança de que perdemos nosso principal jogador em uma semana decisiva. Essa é a minha tese: sem o freio da seleção brasileira, Adriano desembestou ladeira abaixo. Rememore-se, além da queimadura, as atuações apagadas em jogos fundamentais, contra Goiás e Grêmio.

2010 é ano de Copa, e isso por si só deverá bastar para Adriano se comportar de um modo minimamente profissional, e fazer os gols que precisaremos na Libertadores. Assim espero. Porém, já vazou aqui e ali que Dunga não gostou nem um pouco do comportamento de Adriano após o fim das eliminatórias, o que merece toda a atenção do Flamengo. Não podemos controlar Adriano cobrando respeito aos horários ou multando por atraso. Clubes bem mais estruturados falharam, e nós falharemos também. Só o que pode controlar Adriano é a sua vontade de jogar a Copa do Mundo, que deverá demonstrada na Copa Libertadores. É nisso que ele precisa acreditar. É isso que precisamos que aconteça.

sábado, 26 de dezembro de 2009

ELE merece

Demorou, demorou, mas at last, but not at least, o Maraca - mais uma vez - se rendeu aos seus verdadeiros donos, no caso a Magnética Fuderosona, e resolveu homenagear seu maior artilheiro, O CARA, THE MAN, GOD, DEUS DA NAÇÃO,...enfim, Zico.




Emociona vê-lo até em pelada. To longe, mas amanhã estarei grudado no sportv pra assistir a mais um baile no Maracanã.

Foto de Cristina Dissat, do excelente Fim de Jogo, e com quem tive a honra de dividir as orientações antes da primeira promo da Ale, no dia em que comemos carne de bambi com Pet esculachando o ceni.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009



EMBAIXADAS DA NAÇÃO – O FLAMENGO ONDE VOCE ESTIVER
Por Vinicius Nagem

Amigos do Blog da FlamengoNet,

Se você está gostando de acompanhar as histórias das Embaixadas da Nação, leia também nosso blog no site oficial do Flamengo denominado VOZ DAS EMBAIXADAS, com noticias atualizadas sobre elas. Acesse http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=6
Entre na comunidade no Orkut destinada aos apreciadores do blog VOZ DAS EMBAIXADAS http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96624271
Contamos com a presença dos amigos em ambos os espaços virtuais.

É Natal! Um sentimento de união e fraternidade percorre o mundo e nesta data tão significativa iremos apresentar a Embaixada que está localizada na capital potiguar - Natal. Esta oitava Embaixada que irá contar a sua história hoje aqui é a FLAPOTIGUAR , que iniciou suas atividades, preliminarmente, com o nome de FLANATAL.
Assim, aproveito a oportunidade para desejar a todos os irmãos rubronegros espalhados pelos diversos cantos do planeta, um Natal festivo e um 2010 HEXAGERADO de bom!


Natal - Uma paixão pé quente
* Assis Menezes Neto e Lucas Mesquita – Dirigentes da FLAPOTIGUAR


O ano era 2007 e o Flamengo freqüentava a zona de rebaixamento do campeonato brasileiro. Mesmo com alguns jogos a menos, não havia esperança de uma boa campanha. Apesar da situação desfavorável, um grupo de rubro-negros de Natal-RN decidiu reunir-se para ver os jogos do time em um bar e torcer pela salvação do maior do Brasil.

Um pequeno grupo se formou e, diferente de tantos outros, os integrantes cantavam o tempo inteiro, como se estivessem no estádio. Gritos, cantos, alguns mais exaltados que outros, provocando olhares de surpresa nas pessoas ao redor. Estava nascendo um movimento diferente na cidade: um grupo que transformava um simples boteco em um verdadeiro Maracanã.

Para surpresa de todos, o Flamengo reagiu no campeonato, em uma arrancada impressionante. A cada jogo, o número de torcedores aumentava. O bar ficava mais cheio, com duas, três, quatro mesas lotadas de rubro-negros, todos cantando, gritando e torcendo juntos.

A galera de Natal também faz a festa nos estádios. Contra o América-RN, no Brasileirão de 2007, 25 mil rubro-negros invadiram o estádio Machadão e fizeram o Flamengo se sentir no Maraca. Em Recife, nos jogos contra Náutico e Sport, o Flamengo sempre joga em casa, com o apoio de torcedores de todo o Nordeste, sempre com a participação dos potiguares.

Coincidência ou não, o Flamengo nunca mais foi o mesmo. Desde 2007, o time sempre esteve na frente na principal competição nacional, foi tricampeão estadual e montou ótimos times, sendo premiado com o grandioso e emocionante hexacampeonato brasileiro. Centenas de natalenses estavam no Maracanã no último dia 6 de dezembro, entre eles 13 da embaixada Fla-Potiguar. Fomos testemunhas de um momento histórico.

A embaixada

Em 2008, surgiu a grande chance de nos tornarmos uma Embaixada da Nação. Com o mesmo espírito que nos unimos em 2007, nos candidatamos com êxito para essa diplomação. A experiência de ir à Gávea, conhecer todas as dependências, ver de perto grandes rubro-negros como Márcio Braga e Evaristo de Macedo; conhecer a boca maldita, o campo da Gávea, a sala de troféus, o auditório de tantas apresentações de grandes jogadores, registros históricos de Zico e da geração de 80, foram sensações indescritíveis.

Ao receber o diploma do Sr. José Carlos Dias, depois de um discurso emocionado, aumentou ainda mais nosso orgulho de ser rubro-negro!E mais do que nunca, poderemos dizer “Conte comigo Mengão, acima de tudo Rubro-Negro”!

Um feliz Natal a todos e um 2010 com muito mais glórias para o mais querido!

São os votos da nossa Embaixada Fla-Potiguar/RN! (Natal/RN)

Saudações Rubro-Negras!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

O presente de Natal que não chega!


A torcida não suporta mais a demora em Zidane assinar contrato para ser reserva de Petkovic muito embora as negociações com Drogba tenham dominado o noticiário. Apesar disso, Palácio ainda é o nome favorito para fazer dupla com o imperador e reencontrar seu colega do Boca, Dátolo, na Gávea.

Tudo isso já seria o bastante se a diretoria não surpreendesse com a manutenção de apenas Mezenga como reserva de Adriano. Brás agiu rápido e ao que tudo indica Eto'o vem aí para fazer sombra ao artilheiro do brasileiro. Não chega a ser um nome ruim, mas ainda preferia que a diretoria insistisse com um pouco mais de carinho para a vinda de Messi. Seria bonito ver uma família junta nessa época do ano, né Maxi?

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É compreensível que a torcida esteja impaciente, que queiramos reforços, mas lembrem-se: já temos uma boa base. Mantendo 90% do elenco (e ao que tudo indica é o que ocorrerá) e com quatro reforços bons nosso time é fortíssimo em qualquer competição. Não esquentem com os reforços dos adversários.

Nos preocupemos apenas com o Flamengo.

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Uma coisa que preocupa nas negociações é a repetição do Efeito Wagner Love. Em 2008, Kléber Leite tentou insistentemente por um mês trazer a dupla Felipe - Love para substituir Renato Augusto & Marcinho. Melhor teria sido trazer gente com menos nome, mas que chegasse mais rápido. Da mesma forma, é melhor termos bons jogadores no início da temporada do que selecionáveis chegarem no meio e demorarem a pegar ritmo. Essa é minha única e pequena reclamação.

Na verdade, este é um natal muito feliz. Meu presente chegou mais cedo e ainda alegra minhas manhãs. Obrigado, Papai Noel Angelim.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Só pra não passar em branco

Não nasci pra chorar por termos "perdido" o tal do Marquinhos, um cara que se dá bem nos paranás e avaís da vida.

Outra coisa: quando esteve na Gávea, não jogou nada.

Senhores, se é pra contratar só por contratar, só pra aparecer no jornal, prefiro o anonimato. Criticar o Braz pelo erro de rotina na contratação?

Pela madrugada, o cara arrumou a casa do futebol, sejam justos.

E perder esse jogador aí é, no meu entender, um favor.

Na boa, parem de ler esses portais de factóides, comemorem o Hexa, comemorem o que é digno de ser comemorado.

"Ah, Alex, os outros times estão contratando um monte".

Grande lixo, grande porcaria. Temos um esqueleto montado, temos 2 craques de ponta no time, e, REPITO, é melhor contratar pouco e bem a sair na 25 de março e comprar tudo que se encontra pela frente.

E nada mais digo.

Ah, digo sim, um Feliz Natal pra todos, com muita paz, harmonia e saúde pra vocês e suas famílias. Em nome do FlamengoNet, agradeço a todos pelo ibope, pelas milhares de visitas diárias.

O Blog da FlamengoNet existe por vocês e para vocês.

E agora sim, nada mais digo.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações HEXACAMPEÃS a todos. Nessa semana, posto mais um episódio para a série “Grandes Jogos Internacionais”, dessa vez com o amistoso entre o Flamengo e o mitológico Honved, de Puskas, ocorrido em 1957. No final, um vídeo precioso, uma raridade que recomendo a todos. Então, boa leitura.

Série Grandes Jogos Internacionais

Flamengo x Honved – 1957

Imaginemos uma enquete: “qual a melhor seleção de todos os tempos?”, mas com uma ressalva: não vale nenhuma Seleção Brasileira. Certamente uma das mais lembradas será a Hungria de 1954, que apavorou o planeta. E se essa máquina de jogar bola, ou pelo menos a sua espinha dorsal, enfrentasse o Flamengo? E se o jogo fosse num Maracanã lotado?

1957, janeiro. O Rio de Janeiro ferve intensamente, vive o clímax do verão, prepara-se para o Carnaval que está logo ali. Mas antes dos festejos de Momo, um acontecimento já mobiliza a cidade: o Honved da Hungria irá excursionar ao Brasil.

A antológica seleção húngara trucidou tudo o que encontrou pelo caminho entre 1950 e 1954, quando estabeleceu a espantosa marca de 32 jogos invicta, foi campeã olímpica e tornou-se célebre por massacres, biabas de sete, oito, nove em quem aparecesse. Na Copa de 1954 goleou todos os seus adversários (inclusive o Brasil) até esbarrar no destino e na Alemanha na final, naquela que é tida como a maior zebra da história das Copas.

Em 1956, os húngaros, mais amadurecidos, eram favoritos para a conquista da Copa de 1958. E a base de sua seleção era o Honved, time das Forças Armadas do país, que vivia sob sistema comunista. Seus principais nomes eram o goleiro Grosics, uma verdadeira parede, os habilidosos médios Boszik e Lantos e seu ataque devastador, comandado pelo irrequieto ponta-direita Budai, o rápido e driblador ponta-esquerda Czibor e o mortal atacante Kocsis, artilheiro da Copa de 1954 e especialista no jogo aéreo. Mas a grande estrela era ninguém menos que Ferenc Puskas, o Major Galopante, um dos maiores talentos que o futebol já produziu em todos os tempos, dotado de uma obscena intimidade com a bola, uma aguda capacidade de pensar o jogo e dono de duas verdadeiras armas nas pernas, capazes de disparar indefensáveis projéteis a gol, tornando a vida de goleiros adversários um escaldante inferno.

No entanto, enquanto o Honved excursionava pela Europa, rebentou uma rebelião na Hungria, prontamente sufocada pelos tanques soviéticos. Revoltados, os jogadores húngaros não quiseram retornar ao seu país natal. Pressionada pelo governo magiar, a FIFA acenou com a ameaça de desfiliação do clube. Alguns países europeus se recusaram a receber a equipe. O jeito foi se voltar para praças alternativas. Assim, surgiu a oportunidade para o Honved se exibir em terras brasileiras. E o seu primeiro adversário seria o Flamengo.

O rubro-negro vem em processo de renovação. Seu treinador, o paraguaio Fleitas Solich, enfrenta o desafio de remontar a equipe, que é apenas uma caricatura do Rolo Compressor tricampeão carioca, e que no ano anterior perdera a chance de conquistar o tetra. Para piorar, no início do ano algumas peças-chave estão fora de combate, como o médio Dequinha, o ponta-direita Joel e o ponta-esquerda Zagalo. O jeito é recorrer a garotos, como os jovens Milton, Luís Roberto, Edson e Moacir, completando a base formada pelo bom goleiro Ari, o aguerrido defensor Pavão, os velozes pontas Paulinho e Babá e os goleadores Evaristo e Henrique. Parece pouco, muito pouco para enfrentar os melhores do mundo.

E com efeito, poucos imaginam algo diferente de uma sonora goleada do Honved, diante de um Flamengo improvisado. Causa arrepios a perspectiva de contemplar o tosco Tomires, zagueiro voluntarioso e dado a bicudas que nem sempre acertam apenas a bola, exercendo marcação sobre o cintilante Puskas. Ou do miúdo Babá, do alto de seu metro e meio, conseguindo algo diante dos cavalos de raça europeus. Vários críticos consideravam uma temeridade expor o nome flamengo à humilhação diante de sua torcida e de todo o país.

Sábado, sol, 113 mil no Maracanã. Mais do que um jogo, temos um acontecimento social. Presentes às tribunas, o presidente Juscelino Kubitschek, o prefeito Negrão de Lima e o Cardeal Dom Hélder Câmara, entre outras autoridades, celebridades e bicões. O público parece resignado a apenas assistir aos húngaros. Torce só para que o Flamengo faça papel digno. Mário Vianna apita. Imagina-se que os húngaros partirão pra cima, conhecidos que são por abrir logo dois gols de vantagem em seus jogos. Mas é o Flamengo quem agride. Ninguém entende nada, o rubro-negro começa a criar uma chance atrás da outra. Fleitas Solich, paraguaio que conhece a alma flamenga como poucos, arma o time numa tática suicida. Quer o Flamengo pressionando, sufocando. Afinal, o jogo é no Maracanã. Valentes, os comandados do “Feiticeiro” cumprem seu plano à risca e transformam em estupefação o que era apenas surpresa. O jovem Moacir surpreende Grosics e abre o placar.

Com o gol, o Flamengo passa a evoluir em campo, inteiramente à vontade. A garotada rubro-negra toca uma correria alucinada e harmônica, que transtorna a defesa européia e frustra os abutres da crônica esportiva. O Flamengo não tem um maestro, ninguém que pense o jogo. Em compensação, atira-se à bola com a volúpia dos conquistadores. A magnitude e a grandeza do adversário, longe de intimidar, serve de combustível para a meninada de Don Fleitas. Atônitos, os húngaros, acostumados a serem recebidos com reverência e pavor, não conseguem lidar com a sufocante pressão de um bando de pivetes. Sim, senhores. O Manto Sagrado está jogando sozinho, empurrando, massacrando, bombardeando a meta de Grosics. E vai empilhando gols: o mortífero Evaristo e o certeiro Henrique ampliam, ensaiam a goleada. Num lance isolado, os húngaros diminuem, mas o primeiro tempo termina com vistosos 3-1 a favor do Flamengo. A numerosa platéia não sabe como reagir. Viera preparada para contemplar os gringos, mas assiste a um show flamengo.

“Vão virar, os húngaros são os bons”, alguns corvos ainda praguejam. Mas no segundo tempo Fleitas Solich dá o golpe de misericórdia. Lança a dupla Dida e Duca, vai aumentar a correria (em amistosos, substituições eram permitidas). Mas o Honved, refeito do susto, volta mais precavido, começa a mostrar seu belo futebol, repleto de passes de efeito, deslocamentos em velocidade, lançamentos longos. Realmente se trata de uma monumental equipe, de futebol muito refinado. O jogo se torna um maravilhoso duelo entre os virtuosos húngaros e os intrépidos, velozes e destemidos flamengos. E, em que pese o talento de Pavão e a volúpia quase assassina de Tomires, as defesas são inteiramente dominadas pelos ataques.

E assim começa o espetáculo: cada vez que o Flamengo retoma a bola, de imediato solta sua cavalaria. Dida, Duca, Paulinho e Babá fazem cada húngaro sentir saudade de sua terra natal. Principalmente Babá, o xodó da torcida. O minúsculo cearense incorpora um personagem de desenho animado, arrasta a bola como um camundongo, rabisca afrescos pelo meio de uma floresta de pernas e chuteiras adversárias. A zaga do Honved tenta pará-lo com chutes, vassouradas, porretes, tiros de revólver. Mas Babá é uma barata chata, recusa-se a morrer. E arranca caudalosas risadas de uma torcida que já não se incomoda em torcer e vibrar por seus heróis. E os gritos da nação flamenga são decisivos, inebriam o time, volta a se estabelecer o imbatível elo entre o Flamengo e sua gente, que nada nem ninguém é capaz de derrotar.

E a magia flamenga volta a se traduzir em gols. Paulinho e Dida ampliam, o Honved desconta, mas Evaristo, um dos mais letais atacantes que o futebol brasileiro já produziu, crava o sexto punhal nas redes magiares. O Flamengo vai vencendo por imorais, devassos, despudorados SEIS a DOIS. Atiram-se chapéus para o alto, desconhecidos se abraçam, gargalham.

Humilhado em seu amor-próprio, o Honved parte pra cima como uma besta ferida de morte. E silencia os mais apressados com minutos da mais pura arte da bola. Puskas endemoninha-se, marca dois gols, o Honved agora é todo pressão, o Flamengo responde em contragolpes, os minutos finais se tornam uma épica batalha, uma ode ao futebol bonito e bem jogado, o merecido clímax de um verdadeiro espetáculo.

Mário Vianna fecha as cortinas. Final, Flamengo 6-4 Honved.

Flamengo e Honved ainda iriam se enfrentar mais quatro vezes (duas vitórias húngaras, uma flamenga e um empate, esses dois últimos na Venezuela). Mas esse primeiro jogo do Maracanã deixaria marcas profundas. Um grupo de jovens jogadores flamengos, defendendo com ardor seu Manto Sagrado, mostrava que, livre do medo e do respeito excessivo, o futebol brasileiro era bem mais do que mero coadjuvante.

Era o melhor do mundo.

(créditos www.youtube.com/user/marcelohirie)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

He´s the MAN!!!

Se existe um cara que prende e manda soltar, esse maluco é meu amigo Arthur Muhlemberg.

Não contente em soltar na praça o Manual do Rubro-Negrismo Racional, agora o cara publica HEXAGERADO, que por conta do nosso Hexa Campeonato de futebol masculino heterossexual brasileiro, tem tudo pra se tornar um grande sucesso de vendas entre idosos, adultos, adolescentes e crianças. Se quiser mais detalhes, clica aí no link que já tá rolando reserva pra parada.

Com o Arthur, a parada é simples (e sinistramente fodástica, como ele parafrasearia): não tem essa de pedir jabá.

Aqui nessa casa, brother, você manda.

E pra quem acha que o livro é só pra nós, que ralamos nos estádios, vai aí uma dica: pode presentear qualquer um que seja participante da Magnética. Pra catequisar as crianças, por exemplo, nada melhor do que saber como chegamos ao Hexa através das palavras do Arthur.

Aqui é assim. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E pra todos terem noção do poder do cara, olha quem ganhou um dos primeiros exemplares do livro.



Comprem logo, e parem com essa conversa fiada de presentear agenda e xícara de natal.

E nada mais digo.


EMBAIXADAS DA NAÇÃO – O FLAMENGO ONDE VOCE ESTIVER
Por Vinicius Nagem


Amigos do Blog da FlamengoNet,

Se você está gostando de acompanhar as histórias das Embaixadas da Nação, leia também nosso blog no site oficial do Flamengo denominado VOZ DAS EMBAIXADAS, com noticias atualizadas sobre elas. Acesse http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=6
Entre na comunidade no Orkut destinada aos apreciadores do blog VOZ DAS EMBAIXADAS http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96624271
Contamos com a presença dos amigos em ambos os espaços virtuais.

A sétima Embaixada que irá contar a sua história aqui é a FLAJOINVILLE – uma irmã de sangue da FLAPARANÁ – haja vista que o seu Presidente iniciou as atividades de formação da torcida, conosco. Parabéns ao espírito empreendedor do Maurício KB, que teve a iniciativa de estender para a bela e Santa Catarina, somando-se aos companheiros da FLABRUSQUE e da FLALAGES, o movimento que já eclodia no Paraná. As Embaixadas do Sul do Brasil estão cada vez mais unidas e fortes realizando ações em prol do Mengão e marcando presença num território que nem sempre é acolhedor e simpático aos flamenguistas. Porém, ser Flamengo é uma profissão de fé e mesmo com as adversidades, fincamos a bandeira da nossa imensa Nação em terras sulistas. Se a gente gostasse de derrota, iria torcer pro Botafogo...


FLAJOINVILLE – O FLAMENGO COM SOTAQUE ALEMÃO
* Mauricio Koech Branco - Presidente da Flajoinville.

Como começar um texto em que devo falar de um grande acontecimento? De uma nova fase para o maior clube do Brasil? Fase essa que fez renascer um pouco do CRF em cada cantinho do país? Muitas das atuais Embaixadas começaram pequenas, algumas com 100, 200 torcedores somente , sem muita idéia de que chegariam a colocar num mastro instalado na frente da Gávea, a bandeira de cada representação regional. Não imaginávamos que esse movimento que começou inicialmente com 5 Embaixadas nomeadas e depois foi se ampliando até chegar nas 34 atuais, teria tanto reconhecimento e expressão mundial. Ninguém tinha a menor expectativa de que seria fechado pelo Flamengo, um patrocínio sólido e pé quente que nos trouxe logo o Hexa no primeiro ano de parceria e que hoje as Embaixadas fazem parte dos planos de marketing da Olympikus para um futuro próximo.

É...cada torcida tem com certeza a sua verdade e uma história de luta de algum grupo de apaixonados pelo Flamengo, que não mediram esforços para crescerem juntos.
A história do fundador da Flajoinville começa em 13/09/1982 quando nasceu em Vitória no ES: Mauricio Koech Branco, como não era pra ser diferente, veio ao mundo Flamenguista, assim como seus pais, irmãos e vários amigos.
Depois de passar por Mogi Das Cruzes-SP, Florianópolis-SC, chegou em Joinville em agosto de 2002, para residir definitivamente. Enquanto andava pela cidade ficava impressionado com tanto flamenguista que via trajando o manto sagrado pelas ruas, parecia que estava circulando por qualquer bairro do Rio de Janeiro.

Em 2005 seus pais se mudaram para Curitiba, onde com as visitas de fim de semana para casa e sempre acompanhando o Flamengo, conheceu num dos bares da cidade a Flaparaná do grande amigo Nagem. Rapidamente virou um participante ativo da Flaparaná e nela esteve presente por uns 2 anos, e com o tempo foi criando um vínculo ainda maior com esses companheiros e também com os diretores do CRF.

Até que com o apoio incondicional do Vinicius e demais amigos da Flaparaná, Flalages e Flabrusque foi incentivado para começar na maior cidade de Santa Catarina uma torcida também. Foi aí que tudo começou...

A Flajoinville-SC teve início em um dia ruim para o Flamengo, derrota de 3 a 2 pro Botafogo no Maracanã, mais precisamente no dia 16/3/2008. Quando numa Chopperia no centro da cidade, percebi - depois de 6 anos morando aqui - que faltava algo que juntasse esses milhares de flamenguistas que se espalhavam em diversos bares de Joinville.

Após o jogo, reuni 3 Flamenguistas que ali estavam e comentei da tal Embaixada da Nação que iria ter sua primeira diplomação ainda. Começamos então o projeto de fazer uma torcida local, onde pudéssemos também um dia , sermos oficializados. Todos abraçaram a idéia, e no dia seguinte já tínhamos desenhado o emblema do urubu que é o mesmo até hoje, nossa logomarca oficial. Começamos a divulgação no Orkut, rapidamente atingindo 100, 200 pessoas...foi algo que ninguém esperava.

Com o cadastro de e-mails (hoje quase 1000) para contato, estruturação de uma diretoria, produção de material, contato com demais amigos de cidades próximas, atingimos várias metas que não havíamos planejado. Nosso sonho estava se concretizando mais rápido do que o esperado. No dia da diplomação das cinco primeiras Embaixadas no Rio de Janeiro, eu fui junto com a Flaparaná na excursão deles levando um pedido de oficialização da Flajoinville ao amigo Alexandre Moraes, e também uma camiseta da nossa torcida, de presente à ele, Márcio Braga e Mário Cruz. Pelo menos, a partir daquele momento, os dirigentes do Flamengo já saberiam da nossa existência.

Daí pra frente foi só aguardar chegar o dia em que o Clube fizesse a segunda diplomação. E foi no dia 15 de novembro de 2008, aniversário de 113 anos do CRF, com menos de um ano de existência, que a Flajoinville foi reconhecida, e tivemos a honra de receber junto com mais 12 embaixadas o diploma oficial da Nação das mãos a do nosso presidente Márcio Braga.

Hoje a Flajoinville se destaca no cenário local, não se fala mais de Flamengo sem falar da Flajoinville na cidade. Jornais ligam, aparecem em eventos, rádios fazem entrevistas e a divulgação está cada dia mais forte.

Depois de passar por alguns bares como SEDE, há 4 meses a Flajoinville se insatalou no Budega Bar, local que veio atingir seu recorde de público no jogo contra o Grêmio, onde mais de 600 pessoas se espremeram em telões e televisões, para depois de 17 anos gritar novamente "Campeão Brasileirooooo".

A emoção foi grande, muitos choravam, se abraçavam na comemoração, realmente foi algo que não imaginávamos dar tão certo no sul do país, onde o Flamengo detém seus menores índices de proporcionalidade de torcida em comparação aos demais estados da Federação.

Nesse momento, gostaria de fazer um registro especial e um agradecimento ao Alexandre Moraes – Diretor do Projeto Nação Rubronegra - que foi o primeiro do Flamengo a vir conversar comigo sobre a Flajoinville no Bar do Chicos, ainda no campeonato carioca de 2008, me perguntando o que era essa torcida? E com muita atenção me deixou o seu cartão e começou o contato resultando hoje nessa grandiosa Embaixada que nos orgulha a todos.

Agradecer também ao Mário Cruz e à Letícia Melo que são os que plantaram essa semente das Embaixadas. E ao nosso Presidente Márcio Braga que como todos nós se emocionava em cada diplomação, fazendo todos nós chorarmos juntos. E agradeço aos demais embaixadores que fazem um belo trabalho em suas cidades e a cada um dos integrantes da Flajoinville que nunca mediram esforços para crescermos cada dia mais.

Um grande abraço a todos, Feliz NATAL, Feliz ANO NOVO, e que em 2010, a gente possa novamente comemorar o título brasileiro, e é claro a Libertadores e o Mundial.
Saudações Rubro Negras.

RUMO AO HEPTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

2010: o ano de Andrade. E do Flamengo.

Meus parabéns, Andrade. Você renovou. Essa era a melhor decisão não só para o Flamengo, mas para a sua carreira. Sei que não é justo que justamente (sic) com você comecem a controlar os salários de profissionais na Gávea, mas veja pelo lado bom: há menos motivos para atrasos salariais e um pouquinho menos de pressão nas suas costas.

O próximo ano promete.

Apesar de todos os problemas estruturais o Flamengo nunca começou um ano tão bem. Temos uma base campeão brasileira, a torcida está feliz e apaixonada como nunca e o clube parece unido politicamente como nunca vi antes.

O desafio da diretoria é estruturar o clube, acabar essa novela chamada CT, manter os salários em dia e, principalmente, conseguir segurar 90% do elenco hexacampeão. E só então precisaremos de reforços.

O seu desafio, Andrade, é provar que o seu sucesso não foi acaso. Com mais tempo de clube, fazer o time melhorar ainda mais. E fazer a diretoria aumentar seu salário em 2011. Quer saber? Você vai conseguir. Estou certo disso.

Boa sorte, Andrade. 2009 foi o ano da sua consagração como treinador, que 2010 seja o ano da consolidação do seu nome e do Flamengo. A gente vai torcer muito. Juntos.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Material encontrado na net

Um tal de Alex fez uns filminhos, que reproduzo aqui.

Antes que perguntem, não sou eu o dono da idéia.

http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-br-de44cdc3e716e05686623b6db02c5b78.html


Não consegui usar o embed...mas vale a pena ver.

O FUTURO DO PRESENTE E O PRESENTE DO FUTURO.


Nesta próxima segunda feira, por antecipação, Patrícia Amorim assume o poder na Gávea. Quem se lembra do estado em que o Flamengo estava quando o presidente Marcio Braga assumiu o primeiro de seus dois últimos mandatos há de concordar que ela é uma privilegiada, guardadas as devidas proporções, já que estamos falando do Flamengo e do verdadeiro tsunami administrativo e financeiro que quase acabou com o clube. Não quero eximir o presidente de alguns erros que cometeu, mesmo porque não é provável que tenha havido algum mandatário na história do Flamengo que não tenha cometido os seus.
Alguém, como o Melo por exemplo, poderia, no futuro, contar em detalhes e com documentos reais, a Saga de Márcio Braga, com seus erros e acertos em tantos mandatos e fazer justiça verdadeira a esse cidadão que se retira do comando do clube com pelo menos um trunfo incontestável: o de maior ganhador de títulos importantes pelo rubro negro e líder de um grupo que colocou o Flamengo na vanguarda e liderança do futebol, atrás do qual, só então surgiram as atuais potências do futebol brasileiro, algumas delas, como o São Paulo, assumidamente seguindo os passos daquele sistema inovador de administrar o clube que o Flamengo implantou e parece que depois esqueceu. O nosso amigo Mário Cruz é uma testemunha desses fatos e pode ajudar nesse trabalho, que fica aqui como sugestão.
Nesse meio tempo, enquanto não assume oficialmente, Patrícia já se vê envolvida no rumoroso caso da renovação do técnico Andrade. Concordo com alguns participantes que ela faria uma entrada triunfal caso conseguisse mediar esse impasse e chegar a um acordo que seja bom para ambas as partes. Forçar Andrade a ficar insatisfeito, a meu ver seria ruim. Dar um passo maior que as pernas, para uma administração que se anuncia como PROFISSIONAL, em busca do equilíbrio econômico e da recuperação do clube, seria ainda pior.
Fico por aqui. Não conheço os fatos, e o Arthur Muhlemberg tem feito uns COMMENTS onde avisa que tem gato nessa tuba. Portanto, não vou dar nenhum palpite. Depois que tudo se resolver, para o bem ou para o mal, com certeza saberemos exatamente o que aconteceu. Será possível, então, julgar e condenar ou absolver uns e outros. Por enquanto, vamos torcer para que o final seja o melhor para o Flamengo.
De tudo isso, fica um fato positivo: acabou a angústia e o desespero acumulado em 17 anos. Voltamos ao topo e temos tempo para planejar e executar um trabalho de alto nível para colocar o Flamengo de forma definitiva na liderança do futebol brasileiro, desta vez, se Deus quiser, para sempre. Boa sorte a todos nós, Feliz Natal a todos e que 2010 seja o primeiro ano da nossa eterna felicidade, com hegemonia do Flamengo que amamos tanto!

HEXACAMPEÃO

*Pelo grande amigo - se assim me permitir - José Eustáquio Cardoso.

Baixada a poeira levantada pelo país inteiro, e quiçá pelo mundo, e devidamente deglutida pelos adversários de todos os matizes, pela torcida arco-íris, a altissonante vitória, cumpridamente atroada por trinta e cinco milhões de gargantas roufenhas e assoberbadas por outros trinta e cinco milhões de corações ansiosos de uma ansiedade de dezessete anos, talvez já nada restasse por ser dito.

Mas eu tenho que dizer, deixem-me dizer! Eu tenho que dizer da minha particular felicidade, permitam-me fazê-lo. Como não dizer que meu filho e meu amigo, dessa e de outras jornadas, despencou lá da altura do mapa, lá de Washington, DC, em uma impensável viagem de avião que lhe demandou mais de trinta horas, entre voos, conexões e esperas, para o aconchego e o brilho de meu olhar flamengo como o dele e para a certeza da glória num Maraca tão lotado como deveria e só poderia estar? Como não dizer que eu próprio, no breve de uma tímida racionalidade absolutamente incompatível com o momento de paixão, o repreendi, dizendo-lhe do impensado do gesto? Como não dizer que o brilho de seu olhar e a doce irresponsabilidade desse gesto me arrastaram como torrente irresistível do caudaloso rio de amor que tomou conta da cidade, do país, para o desaguadouro natural de tanta emoção junta? Como não dizer do insano trabalho para se conseguir a bênção de dois simples ingressos, àquela altura irremediavelmente esgotados? Como não dizer da longa e penosa espera em uma interminável fila, tão mais interminável quanto menor a educação dos que ousavam furá-la, sob um sol que lhe queimava o pescoço e me ardia na careca? Como não dizer da alegria, de mistura com a ansiedade por entrar, com o medo de não entrar, de se estar irmanado a tanta gente vestida de vermelho e preto com apenas um sonho no olhar? Como não dizer do júbilo por vencer todos os obstáculos e estar, finalmente, na rampa das arquibancadas, em ascensão rumo à infalível explosão de alegria? Como não dizer do inusitado e incompreensível conforto de duas simples e duras cadeiras amarelas a descortinarem um palco verde de tanta história de glórias e conquistas? Como não dizer do sensível e até audível compasso de um coração ao meu lado, um coração já nem mais filho, mas simplesmente irmão? Como não dizer do pulsar aflito de oitenta e cinco mil corações juntos e irmanados? Como não dizer da indizível beleza das bandeiras que se desfraldavam, das camisas que se agitavam, das bolas vermelhas e pretas que subiam em conhecido mosaico rumo ao céu? Como não dizer de um canto e um grito em uníssono? Como não dizer dos milhares de esperançosos sorrisos de todos os sexos, tamanhos e idades, de todos os credos e cores, mas afinal de uma só crença em duas cores juntas?

Como não dizer de tudo isso, meu Deus? Eu tinha de dizer para quem quisesse ou não quisesse ouvir. E afinal o digo. Digo do desencanto do gol adversário, a suscitar, todavia, o mesmo canto de fé e esperança: “Vamos, Flamengo! Vamos ser campeão, vamos, Flamengo!” E digo da aflição dos minutos seguintes, a culminarem, no entanto, com o berro de um estádio inteiro e do Brasil inteiro: “Gol! Gol do Mengão! Mengo! Mengo! Mengo!”

Mas não era bastante: os telões do estádio anunciavam em altas e más letras que o adversário, o verdadeiro adversário, fazia a sua parte da festa e da angústia, vencendo e estando prestes a nos roubar o que de direito nos pertencia. Por isso digo da sombra que se abateu em pleno sol sobre arquibancadas, cadeiras e gramado. E digo do sofrimento e da ansiedade do infindável intervalo: era preciso voltar logo e vencer e acabar com aquilo, porra!

Voltamos todos, jogadores e torcedores: todos no estádio, todos no campo: “Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe, ô! Mengão do meu coração!” Ora, quem poderia resistir a um time de oitenta e cinco mil jogadores com outros trinta e quatro milhões, novecentos e quinze mil no banco? Nem todos os times do mundo! E eis que após mais vinte e quatro minutos de angústia e sofrimento, explode e retumba o estádio inteiro, a cidade inteira, o país inteiro, o mundo inteiro na magistral e certeira, indefensável e inalcançável cabeçada de nosso Ronaldo, o Ronaldo da nação, o Ronaldo do Flamengo, o Ronaldo Angelim, gente! É gol do Mengão, o Mengão vence, o mundo inteiro se rende e se enfeita, a vida já tem sentido, não existe dor, só existe gozo, um múltiplo e inumerável orgasmo coletivo! Como ainda não dizer disso? Ora, pelo resto da vida direi! Direi aos meus netos, que dirão aos seus netos...

E direi sobretudo da ternura de um menino – que para mim sempre o será – chorando ao meu lado, primeiro de aflição, por constatar que o tempo passava e o gol não vinha, depois de pura felicidade, por berrar todo o mundo que o gol veio, e mais depois por clamar aos céus, de braços abertos, como em prece de pura gratidão: – Hexacampeão!
E direi, por fim, dos soluços que altos me sobrevieram e imperiosos me assoberbaram, banhados de santas lágrimas e iluminados de aparentemente destoantes e contrastantes sorrisos. Sim, permitam-me dizer deste sexagenário que outra vez se fez menino ao olhar feliz de seu menino. Como não dizer? Chorei, sim. Chorei e solucei e como ele abri os braços para o céu. Eu mereço. Junto com trinta e cinco milhões de corações e junto sobretudo com o coração de meu menino, que veio de tão longe para outra vez multiplicar minha felicidade, eu pude gritar e gargalhar e outra vez gritar, de rosto colado a um outro, que mais se colava ao meu pelas lágrimas comuns: – Hexacampeão! Mengão do meu coração!

E deixem-me ainda dizer, mesmo que não pareça importante, que dias antes meu menino dissera: – Eu não posso deixar de estar ao seu lado nesse dia, Pai.


Niterói, 15/12/2009

terça-feira, 15 de dezembro de 2009


Erguei as mãos

*Por Mauricio Neves, no blog do site oficial do Flamengo


Supõe-se que as alegrias se parecem. Mas a verdade é que a alegria rubro-negra não se parece com nenhuma outra. Não sei se é mais funda, santa ou dilacerada. Só sei que é diferente. Quanto Airton enfiou o terceiro gol, eu vi, perto de mim, um crioulão cair de joelhos. Ele erguia os braços para o céu. NELSON RODRIGUES

Foi a vitória da nossa fé contra a objetividade. Os matemáticos chegaram a cravar três por cento de chance de título. Jogadores de outros times declararam que o Flamengo estava fora da briga pelo campeonato. E mesmo quando a virada já estava em curso, quando a Magnética (MUHLENBERG, Arthur in Urublog) se fazia ouvir até nos estádios dos adversários, a voz comum dizia que Andrade e seus comandados chegariam no máximo à Libertadores.

Ah, a voz comum. O que sabe de nós a voz comum? O que pode contra nós a voz comum, se a nossa voz é o berro ensandecido das arquibancadas? Enquanto os outros faziam contas, nós enchíamos os estádios para cantar que o Imperador voltou, que o Flamengo é a nossa maior paixão e que estaríamos com ele em todos os lugares, que é o Pet, que o Maraca é nosso e que ia começar a festa. Cale-se, voz comum. Conte comigo, Mengão.

Quando eu me vi no Maracanã absolutamente rubro-negro, lotado duas horas antes do jogo final, percebi que o mundo todo entenderia, afinal, qual é a maior de todas as armas flamengas: o Flamengo é gigante porque é do tamanho da nossa fé. As filas para entrar no estádio começaram a se formar desde as onze horas da manhã, porque não estávamos lá para ver um jogo de futebol. Estávamos lá porque queríamos cantar a tarde inteira a alegria de ser rubro-negro. Os outros vão aos estádios aplaudir e vaiar chutes. Nós vamos para celebrar a nossa fé.

Talvez isso explique a reação que veio do gramado e se espalhou pelas cadeiras e arquibancadas após o segundo gol. O time começava a voltar para o seu campo, para reiniciar o jogo. Angelim, abraçado por David, erguia os braços para o céu. Toró admirava a festa de todos nós e erguia os braços para o céu. Léo Moura, de joelhos, olhava para o alto e erguia os braços para o céu.

Eu tinha acabado de abraçar o meu pai, que voltava ao Maracanã depois de 25 anos, e olhei ao redor. Gente de todas as idades, com Mantos de todas as épocas, pais e filhos, amigos de uma vida inteira, amigos que acabaram de se conhecer, todos tinham no olhar o brilho da fé, o brilho de quem acreditou o tempo todo. E de fora a fora, nos anéis das cadeiras e das arquibancadas, vários de nós erguiam os braços para o céu.

E foi o que eu fiz, pedindo pela eternidade daquele momento. Ergui os braços para o céu.

Parabéns, hexacampeões. Gigante mesmo é a nossa fé.

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações hexacampeãs a todos. Essa semana inicio uma nova série aqui no blog, em que quero contar alguns dos momentos em que o Flamengo mostrou-se à altura das grandes potências mundiais. É a série “Grandes Jogos Internacionais”. Para começar, o dia em que o Flamengo deu um chocolate no legendário Arsenal da Inglaterra. Boa leitura.

Série Grandes Jogos Internacionais

Flamengo x Arsenal – 1949

1949. Estamos às vésperas da IV Copa do Mundo de Futebol. E o Rio de Janeiro, às voltas com as obras do monumental Estádio Municipal, já se prepara para o evento. Não se fala outra coisa na Capital Federal, especialmente porque a Seleção Brasileira parece enfim inspirar confiança, até por ter conquistado, meses antes, o Campeonato Sul-Americano de Futebol (hoje Copa América). Para aumentar a intensidade da expectativa, é confirmada a presença em gramados cariocas, para uma curta excursão, do poderoso Arsenal, da Inglaterra.

O futebol inglês povoava a imaginação de mentes e corações, com sua aura intocável de inventores do futebol. Mas, independente disso, o Arsenal realmente possuía uma bela equipe, uma das melhores da Europa (trazendo a dias de hoje, ao nível de Manchester United ou Barcelona, por exemplo). Havia conquistado o Campeonato Inglês do ano anterior sem dificuldades. Com vários jogadores na Seleção Inglesa, tinha como principais destaques o legendário goleiro Swindin (que se destacava por sua liderança), o seguro zagueiro Barnes, o vigoroso médio Macaulay, o velocíssimo ponta Logie e sua estrela maior, o truculento atacante McPherson, conhecido pela pouco alvissareira alcunha de “Coice de Mula”. Um time coeso e experiente, que ao desembarcar no Rio de Janeiro foi logo mostrando o cartão de visitas, ao trucidar o Fluminense com impiedosos 5-1. Mas o confronto que vinha mobilizando toda a cidade e servindo de assunto em todos os bares, botequins, praças e pontos de encontro era, evidentemente, a partida marcada contra o Flamengo.

O rubro-negro não atravessava um bom momento. Vivendo um jejum de títulos que já chegava ao quarto ano (ainda iria se prolongar até 1953), a equipe dependia muito de Zizinho, seu craque maior (que estava fora de combate, com apendicite, e não iria jogar contra o Arsenal), e tinha no mirrado Jair da Rosa Pinto um dos poucos parceiros de qualidade. No mais, os destaques eram o experiente médio Biguá (talentoso e extremamente raçudo), o clássico médio Modesto Bría, o corpulento zagueiro Juvenal (que seria titular da Seleção em 1950) e o goleador Durval. O restante da equipe era formado por jogadores esforçados e/ou medianos. Mesmo assim, a torcida flamenga vivia um momento de especial euforia, pois estava confirmada a contratação do goleiro paraguaio Sinforiano Garcia, que havia sido o grande destaque do Sul-Americano, inclusive com uma atuação sobre-humana no triunfo do Paraguai sobre o Brasil (2-1), naquela que seria a única derrota dos brasileiros na competição. Atordoado com a qualidade de Garcia, o radialista Ari Barroso (que era um misto de torcedor, corneteiro e dirigente) tomou um avião para Assunção e garantiu a vinda de Garcia ao Flamengo. Recebido com estardalhaço no Rio (com direito a desfile em carro aberto), Garcia iria estrear justamente na partida contra os ingleses.

A partida entre Flamengo e Arsenal foi marcada para domingo. Na sexta-feira, todos os 25 mil ingressos colocados à venda pelo Vasco (o jogo seria em São Januário, o principal estádio da cidade) esgotaram rapidamente. Ainda era possível encontrar entradas nas mãos de cambistas, a preços exorbitantes. No dia do jogo, as ruas nos arredores do estádio já estão intransitáveis às 9 da manhã. Os portões abrem às 11, e em duas horas já não cabe mais ninguém. O jeito é arrombar, e a polícia, apesar da farta distribuição de cassetetes e coronhadas, não consegue conter a multidão. Estima-se que cerca de 40 mil pessoas conseguem entrar no acanhado estádio. Outros tantos permanecem fora, mostrando que o Flamengo precisa mesmo de um templo maior para acomodar sua imensa torcida. A superlotação é tão evidente que é necessário acomodar alguns torcedores à beira do campo.

Os times entram perfilados, à européia. A diferença física é cômica, os jogadores flamengos parecem juvenis diante dos armários ingleses. Mário Vianna trila o apito, começa a partida. O Arsenal dá a saída, bola com Daniels, daí a Macaulay, que deixa com Lodge. O ponta encara a marcação do jovem Beto e subitamente arranca para a linha de fundo. Sozinho, olha o movimento na área e cruza com mortal precisão na cabeça do atacante Goring, que testa forte, fora do alcance de Garcia. Não temos nem um minuto de jogo, o Flamengo ainda não tocou na bola, e o Arsenal já está vencendo.

Parte do estádio vibra, alucinado. São os vascaínos, aboletados nas sociais. Irritados, vários rubro-negros pulam o alambrado e vão tirar satisfações. A polícia intervém e na base da porrada consegue acalmar as coisas. No campo, o Flamengo parece mais tranqüilo, e tenta encaixar seu jogo. Agora temos 8’, o rubro-negro tem uma falta a seu favor. Parece longe, mas Jair ajeita a bola assim mesmo. Vai mandar direto.

Ao contemplar aquela figura esquálida, os cambitos que não sequer sustentam os meiões, os ingleses se entreolham e não conseguem conter o riso. Swindin recusa-se a armar barreira. Não sabe com quem está mexendo. Jair não perde a calma e faz cafuné na bola. Toma distância e manda o tiro raso, faiscante. No trajeto, a primeira curva. Swindin ajeita o corpo e se prepara para encaixá-la. Mas, ao se aproximar do goleiro, a bola esboça um malicioso sorriso, faz outra curva e rebenta, às gargalhadas, na rede do aparvalhado arqueiro inglês, que, incrédulo, está de joelhos. O Flamengo empata o jogo, e o estádio agora dança.

Com o gol, o Flamengo se solta, perde o medo, resolve brincar de bola. O Arsenal parece um andaraí, um bonsucesso. Os grandalhões ingleses são reduzidos a camundongos que, bêbados, tentam em vão acompanhar a louca correria flamenga. Alucinado, Jair faz de seus marcadores meras testemunhas. Os ponteiros Luizinho e Esquerdinha são uma eterna ameaça à integridade dos ingleses, prestes a vergar e quebrar no meio diante de seus dribles. O goleiro Swindin faz defesas absurdas, que arrancam palmas entusiasmadas dos espectadores. E é graças ao goleiro inglês que a primeira etapa termina em 1-1.

Mas não duraria muito. No segundo tempo, o Flamengo impõe uma pressão ainda maior. Jair, possuído, joga por si e pelo ausente Zizinho. Parece estar em uma pelada em Barra Mansa, driblando seus parceiros. 8 minutos. Jair (ou Jajá) recebe de Luizinho e avança. Vem pelo meio. Faz a bola correr em linha reta e vai pedalando, tirando zagueiros de sua frente como quem espanta moscas. Passa por Barnes, abre para a direita, seu pé cego. Manda de direita mesmo, o chute sai mascado, a bola ganha altura, novamente faz uma curva marota, ri da cara de Swindin e vai repousar nas redes. O Flamengo vira e faz 2-1.

Irritados com a derrota, a festa da torcida e principalmente com o futebol moleque do Flamengo, o Arsenal manda a fleugma pro espaço e começa a apelar. E mostra grande talento na arte de bater, espanca sem dó os irrequietos rubro-negros. McPherson tenta passar por Biguá, que lhe segura a camisa. O Coice de Mula, nervoso, acerta violento pontapé no médio flamengo, o que dá início a um forte rebu. Mais tarde, Garcia faz difícil defesa, e o atacante Bryan dá-lhe um pau. Nova confusão, dessa vez é Biguá quem dá na orelha de um inglês.

No entanto, se nas brigas ainda existe certo equilíbrio, na bola só dá Flamengo. O rubro-negro agora põe na roda, a torcida não para de rir. O gol de Swindin é objeto de um massacre, um bombardeio, uma verborragia. E o jogo não terminaria sem mais uma cipoada no lombo inglês. O médio Luís Rosa descobre o atacante Durval livre na área. Sem cerimônia, o avante flamengo domina e executa o brioso Swindin, que estaca exangue no chão enquanto a bola toma o rumo das redes pela terceira vez. O mitológico Arsenal é reduzido a pó.

Termina a partida, Flamengo 3-1 Arsenal. Os números, nada frios, contam 20 defesas (13 milagrosas) de Swindin, contra seis de Garcia. Nos chutes a gol, espantosos 51 arremates flamengos, contra 28 dos ingleses. A multidão, inebriada com o chocolate, desce num festivo cortejo que vai parar na sede antiga, na Praia do Flamengo, num carnaval extemporâneo que vara a madrugada.

Nos jornais, o fim da Revolução Chinesa, com a entrada de Mao Tse-Tung em Xangai, é notícia em todo o mundo. Mas no Rio, o acontecimento histórico leva um chega-pra-lá e vai ocupar as páginas secundárias, enxotado pelo Flamengo e seus heróis, que demoliram um gigante.

Mas, pensando bem, o gigante ali era o Flamengo.

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