domingo, 31 de maio de 2009

Picadeiro de Circo - FLAMENGO x Atlético-PR
Maracanã - 16:00h



Mais um domingo, mais um dia de espetáculo no Gran Circo Perebevitch. Mais uma entrevista bizarra com Bozorovski no picadeiro central, com mais uma estrela da companhia do grande Peréebanos FC, de Duchambe. Depois da entrevista com Ramonovitch, o palhaço-entrevistador - ou entrevistador-palhaço, como preferirem - inverte a jogada pro outro lado do campo: Leomotovisk. Outro lateral que também, em algum momento, conseguiu convencer a poderosa TFF que poderia participar da poderosa Seleção do Tadjiqusitão.

B: Boa noite, Leomotovisk! É uma satisfação ter conosco nesta noite, mais um craque do Grande Peréebanos!

L: Obrigado, Bozorovski! Obrigado!

B: E então, Leo - posso te chamar de Leo, né? - O que esperar do Peréebanos nesta Liga Tajique, que se inicia, uma vez que vocês foram recentemente eliminados da Copa da República?

L: Claro, Bozo! - Posso te chamar de Bozo, não posso? - Sem problemas... Pois é... Tínhamos muita esperança em conquistar a Copa da República, mas afinal, enfrentamos um dos melhores times da atualidade, não é? Afinal, perder para o Internacional de Qurghonteppa não é demérito nenhum, né? Uma das melhores equipes da nação!

B: Pode ser... Mas é duro quando se joga bem duas partidas e não se consegue levar, né? Mas e a Liga?

L: Bem... er.. é... Mas sabe como é, né? Bem... Temos a Liga... A Liga, né? O Peréebanos é uma equipe que entra sempre favorita, né?

B: É, favorita... Há 17 anos favorita... Ano passado parecia que ia, mais até do que ano retrasado...

L: Com certeza, a torcida pode esperar! A Liga é nossa obrigação!

B: Ok, ok... A torcida... Bem, todo ano você brinda a torcida com um jogo impecável. E geralmente, você é muito elogiado pela crônica esportiva por esse jogo, o que lhe rende um salvoconduto pelo resto da temporada... Já estamos no meio do ano, hein?

L: Bem, Bozo. É que eu sou um cara meio discreto, sabe? Não gosto muito de aparecer. Eu acho que a imprensa desportiva gosta muito disso. E já basta minha noiva, que é do show-business... Agora que não há mais jogo decisivo, por enquanto, pode ser que apareça O Jogo do Ano. Ainda tem jogo contra Baruerinsk em Duchambe, não? Minha noiva, que é muito religiosa, tem fé nisso!

B: Mas por que ela? Você não tem?

L: Eu? Eu tenho... Mas eu acho que gasto muito da minha fé, pedindo salários em dia... Também torrei uma boa parte, botando fé no nosso ataque...

B: Ah, mas agora você vai poder economizar... O Czar não estréia nesta rodada, contra o Atletick? E você, joga?

L: Vamos ver o que o Czar nos trás nessa volta, né? Eu, se voltar, pode ser que eu apareça... Ou não... Quem sabe? Me procura lá... (risos com um tapinha nas costas)

B: É isso aí, pessoal! Falamos aqui com Leomotovisk, do Grande Peréebanos Futebol Clube. Fiquem agora com a mulher barbada, o homem elástico e outras bizarrices. Até a próxima entrevista! Tchau pessoal!!!

Se você também não gosta de palhaçada, e como felizmente o rojadirecta não passa jogos do brava Liga Tajique, sugiro LINKS para FLAMENGO x Atlético-PR:

www.rojadirecta.com

Próximo à hora do jogo (16:00h - horário de Brasília)

Será que estaremos livres de palhaçadas?

Nota do Autor: Picadeiro de Circo é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com imagens, nomes, datas ou eventos aqui relatados é mera obra do acaso.

CADERNINHO DO SIMÕES LOPES
Flamengo x Atlético Paraense
Brasileiros (1973-2008)

Jogos: 28 - RJ (12), PR (16)
Vitórias: 11 (39%) - RJ (10), PR (1)
Empates: 5 (18%) - RJ (2), PR (3)
Derrotas: 12 (43%) - RJ (0), PR (12)
Gols pró: 33
Gols contra: 39

Resultado mais comum: 2x1 e 1x1 e 1x0 - 3 vezes
Maior sequência sem perder: 4 jogos -1992 a 1998
Maior seqüência sem ganhar: 5 jogos - 1997 a 2001
Jogador que fez mais gols: Zico e Marcelinho Paraíba - 3 gols

Primeiro Jogo:
Atlético/PR 1x0 Flamengo (29/8/1973)
Último jogo:
Atlético/PR 5x3 Flamengo (7/12/2008)
Maior goleada:
Flamengo 3x0 Atlético/PR (12/5/1983)
Time: Cantarele, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Vítor, Élder e Zico; Adílio, Baltazar (Robertinho) e Júlio César (Figueiredo).
Gols: Zico, Vítor e Zico.
Flamengo 3x0 Atlético/PR (13/6/2004)
Time: Júlio César, Reginaldo Araújo, Fabiano Eller, André Bahia e Roger; Da Silva, Douglas Silva, Íbson (Athirson) e Felipe (Róbson); Jean e Negreiros (Juliano).
Gols: Negreiros, Íbson e Roger.

Jogos memoráveis:

Atlético/PR 1x2 Flamengo - 1974 (foto)
Flamengo 3x0 Atlético/PR - 1983
Flamengo 2x1 Atlético/PR - 1988
Flamengo 2x0 Atlético/PR - 1992
Flamengo 1x0 Atlético/PR - 1996
Flamengo 3x2 Atlético/PR - 2002
Flamengo 2x1 Atlético/PR - 2003
Flamengo 3x0 Atlético/PR - 2004
Flamengo 1x0 Atlético/PR - 2006
Flamengo 2x0 Atlético/PR - 2007
Flamengo 1x0 Atlético/PR - 2008

sábado, 30 de maio de 2009

NOSSO MUNDO É FLAMENGO: O legítimo peruano

Paulo Lima*

Peço licença aos amigos para contar uma história pessoal que ilustra o gigantismo e a mundialidade do Flamengo. Algo que, infelizmente, com o passar dos anos, foi esquecido ou minimizado.

Certamente não é caso raro, mas sempre nos sentimos bem quando somos testemunhas deste rubro-negrismo natural, que transcende fronteiras.

Trabalho em uma repartição do Itamaraty em Nova York. Aqui, todos os funcionários, fãs de futebol, são brasileiros. Menos um.

Peruano de Chiclayo, cidade a 770km de Lima, Dalton Rubio vive nos EUA há 20 anos.

Em uma discussão sobre Libertadores, cruzeirenses, são-paulinos e eu, único rubro-negro da roda e do local de trabalho, falávamos da importância da competição, da catimba sul-americana, etc.

Na conversa, responsabilizávamos todos os vizinhos – inclusive os compatriotas de Dalton – sobre o antijogo visto e sentido há anos pelos rivais brasileiros na competição.

Foi quando perguntaram ao cara:

- Falando nisso, ô Dalton, qual seu time? Cienciano?

- Yo soy flamenguista – retrucou o peruano, para a gargalhada geral e espanto meu.

Convicto e sério, ele estranhou a reação dos outros. Provou então não ser um rubro-negro de araque, como os manés que chegam ao Rio para conhecer o Maraca e vestem o Manto da mesma forma que tiram foto aqui no Empire State com aquela camisa “I LOVE NY”.

Disse acompanhar o time sempre que possível, emendando a escalação da maioria do elenco atual do Flamengo.

Assim, começou a tornar a pilhéria geral em uma ampla curiosidade.

De quebra, Dalton assistiu à final do penta-tri, ocasião em que tirou a foto especialmente para o FlamengoNet, que ilustra este texto.

Ele se uniu a mim como o rubro-negro alvo das piadinhas do serviço. Sim, porque, nas raras vezes em que somos minoria, como acontece aqui, tornamo-nos as vítimas prediletas. Geralmente porque sabem da nossa força e de nossa grandiosidade, e quando se vêem mais numerosos, se gabam como um ex-virgem que acabou de ter a primeira experiência.
Neste nosso caso, as gozações aumentaram, certamente, por perceberem como a magnitude rubro-negra foi capaz de enfeitiçar, espontaneamente, mais um torcedor cativado pelo Flamengo, e bem longe do Brasil. E que perdura até hoje.

Com a palavra, Dalton Carrasco Rubio.

“Descobri-me rubro-negro desde muito pequeno. A TV peruana sempre transmitiu jogos do Brasil, e o Flamengo de Zico me encantou. Nas peladas, queríamos sempre ser jogadores e montarmos times do país. Sempre brigava para ser Zico e estar no Flamengo”

“Eu simpatizava com um time peruano, mas a paixão pelo Flamengo me dominava, sempre foi maior. No Peru, alimentei sempre o sonho de ir ao Brasil apenas para ir ao Maracanã e ver o time jogar. Mas nunca consegui. Só depois que migrei para os EUA e de alguns anos aqui é que pude realizá-lo”.

“E foi em 98. Vi o Flamengo de Romário golear o Corinthians por 4 a 1. E eles, se não me engano, foram campeões” (NR: Eu, Paulo Lima, também fui a esse jogo).

“Aqui nos EUA continuo acompanhando o Flamengo sempre que posso. Bruno é, para mim, o melhor jogador do time. É um goleiro sensacional”.

“Tenho outros amigos brasileiros fora do trabalho que não entendem porque sou flamenguista. Zico e aquele time campeão mundial me fez despertar esse amor, que me faz continuar firme, sempre seguindo o time, convicto. Não consigo explicar, apenas sou rubro-negro, com muito orgulho”.

E como é que tem gente que faz mal a esse Flamengo, que tantos sentimentos e emoções provocam pelo mundo…



















* Paulo Lima, 29 anos, residente em Nova York (NY), é servidor público federal e ex-repórter (Paulo Henrique Caruso Lima, aka "Falquinho") do Diário LANCE! (de 2001 a 2008), e escreve também no Mundo Flamengo (www.mundoflamengo.com)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

E se todas as especulações sobre o Flamengo se tornassem realidade?

2009 começou festivo na Gávea, apesar do clube ter visto a classificação para a Libertadores escapar por entre os dedos na última rodada do Brasileiro do ano anterior. Pra passar por cima da tristeza, Márcio Braga e Kléber Leite conseguiram apresentar, juntos, antes do estadual, a dupla Carlos Alberto Parreira / Ronaldo. 

- Esqueçam essa besteira de festa do hexa - declarou o triunfante presidente rubro-negro. - Já estou encomendando a comemoração do Bi Mundial!

Realmente, um momento de reformulação importante. Enquanto a dupla de astros chegava, acompanhada de Zé Roberto, Léo Moura partia para o CSKA, e Juan se juntava a Thiago Silva para um período de adaptação ao Milan, onde começará a jogar no meio do ano. Kléberson, da mesma maneira, partia para disputar a Libertadores pelo Grêmio. 

O Estadual começou e Ronaldo, mesmo acima do peso, fez seus gols nos Tigres, Resendes e Madureiras da vida - mesmo com o time jogando mal. Veio a conquista da Taça Guanabara vencendo, nos pênaltis, o Botafogo, depois de 0x0 no tempo normal.

Foi o primeiro de uma sequência de oito jogos sem marcar de Ronaldo. Se via que o grande problema era que a bola não chegava - os laterais faziam falta, Zé Roberto não rendia no meio. Pra resolver o problema, foram contratados Roberto Carlos, para substituir Juan,  e Lúcio Flávio, em troca-troca com o Santos por Obina. Com a chegada de Lúcio Flávio, decidiu-se também apostar numa troca de Zé Roberto por Wellinton Paulista, do Cruzeiro. Mas nenhum dos deles se encaixou rapidamente, e a torcida já começava a ficar impaciente com Parreira.

Nas semi-finais da Taça Rio, derrota para o Fluminense. Foi a primeira partida em que Ronaldo teve que ouvir o coro de "Obina!" da torcida, saudosa do antigo ídolo que entrou em campo por poucos minutos na temporada. Parreira não substituía Ronaldo de jeito nenhum, mesmo com ele obviamente fora de forma. Com a falta de oportunidades, também Josiel se mandou, para o Atlético-PR. 

A irritação da torcida com os galáticos rubro-negros teve uma pausa com a conquista do tri-estadual em cima do Botafogo, novamente nos pênaltis - comemorada em clima de euforia com a perspectiva da chegada do Imperador Adriano, que vem pra resolver o problema do ataque. Mas voltou com toda a força com a eliminação da Copa do Brasil, em jogo dramático no Beira-Rio contra o Inter. A classificação escapou em um lance de bola parada no último minuto - D´Alessandro bateu falta da esquerda e Andrezinho, nas costas do desatento Roberto Carlos, marcou o gol colorado.

Foi o bastante pra Kléber Leite convencer Parreira a passar para um cargo de gerência do departamento de futebol. Já estava claro pra todos que juntar Parreira, Ronaldo, Adriano e Roberto Carlos no festivo ambiente da Gávea só podia dar em fracasso. Assim, Cuca chega com a missão de organizar o time para o Brasileiro - já sabendo que não contará com Íbson, um dos poucos poupados pela torcida, que está de partida para o CSKA. Mas aliviado pela contratação dos jogadores que deverão resolver o problema de criação do time: Morais, Marquinhos (trocado por Fierro com o Palmeiras) e Petkovic.

O time-base do treinador deve ser Diego; Júlio César, Dedé e Angelim; Éverton Silva, Willians, Lúcio Flávio, Morais e Roberto Carlos; Adriano e Ronaldo.


E fora de campo?

Sem o patrocínio da Petrobras, a diretoria conseguiu alguns acordos para aliviar a situação de grana do clube. Foi o caso da contratação de Petkovic, com renegociação da dívida; um acordo com antigos credores que, além de perdoarem as dívidas, ainda colocaram dinheiro no clube pra pagar salários (vai entender!); e um misterioso acerto que Kléber Leite anunciou para "garantir os salários em dia até o fim do ano". Especula-se que seja com a Sombra Espionagem, empresa de arapongagem que já tinha ligações nebulosas dentro da Gávea.

Mas isso foi apenas um momento inicial. Com o trabalho na surdina do departamento de marketing, logo o clube conseguiu concretizar a promessa de Márcio Braga em 2008 e tornar o Flamengo o maior arrecadador da América Latina. Foi com orgulho que anunciaram um inovador patrocínio casado de camisa, em que lia-se a mensagem: "abasteça o seu Fiat nos postos Esso". Isso na camisa rubro-negra; num esforço incrível de negociação, ficou acordado que na branca entraria a Texaco. E há conselheiros negociando para que a Petrobras volte ao clube, estampando sua marca no terceiro uniforme que vem sendo desenvolvido pela Olympikus.

Nas costas, Coca-Cola e Vigor; nas mangas, Dafra e Oi; no calção, Olympikus Tube. Juntando todos os contratos fechados, são 100 milhões de patrocínio por ano, fora o contrato de fornecimento de material esportivo com a Olympikus. É pena que a maior parte acabe indo pra Ronaldo, devido aos termos de seu contrato. Mas ainda sobra uma grana boa, que a diretoria agora estuda se gastará no novo CT ou na contratação de Dida, do Milan, desejado por Parreira como substituto de Bruno, de saída para o Benfica.


O elenco do Flamengo para o Brasileiro 2009:

Goleiros: Diego, Marcelo Lomba e Paulo Vítor
Laterais: Éverton Silva, Roberto Carlos e Ernâni
Zagueiros: Ronaldo Angelim, Júlio César, Dedé, Fabrício e Thiago Salles
Volantes: Willians, Aírton, Toró e Lennon
Meias: Lúcio Flávio, Morais, Petkovic, Marquinhos, Éverton e Flamel
Atacantes: Ronaldo, Adriano, Robinho, Wellinton Paulista e Arthuro


• ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Jabá


Galera, finalmente saiu a revista Historia de Torcedor, versão impressa do meu site. Nas bancas de jornais do Rio e São Paulo a partir do dia 3 de junho e pela net, a partir de amanhã. No meu site http://www.historiadetorcedor.com.br/ vai ter um ícone dizendo: compra on-line da revista. É só clicar, pagar e receber pelo correio.


Preço:7,90. Merreca.


Valeu,


Moraes



CADERNINHO DO SIMÕES LOPES XXX

Calma, não é nada disso que estão pensando... XXX é apenas “trinta” em algarismos romanos. Acontece que em 2008 completo trinta anos na minha carreira de torcedor, que começou no augustíssimo campeonato carioca de 1978. Nestes anos já presenciei tanta coisa, que resolvi fazer um resumo do Flamengo (ou dos Flamengos, para ser mais exato) que eu acompanhei ao longo destas três décadas de emoções sempre fortes.

ARMANDO PELO MEIO


A primeira dúvida que me ocorreu seria como dar um título para este post. Nele tentarei dar um panorama de trinta anos de uma posição não muito bem definida. Refiro-me aos meias que não eram o típico “Camisa 10”. Chamá-los de “Camisa 8” seria uma alternativa, mas nem todos usaram esse número. Optei por chamá-los genericamente de “meias armadores”.
Quando comecei a acompanhar futebol, o Flamengo tinha um titular absoluto na posição: Adílio. Driblador, habilidoso, genial em certos momentos. Capaz de dar dois dribles até em cima de um guardanapo, o neguinho bom de bola formava um meio-de-campo com o veterano Carpegiani – que segurava as pontas como um volante – e Zico – que desequilibrava as partidas fazendo gols, gols... e mais gols. Em 1979, Adílio ganhou um concorrente à altura com o retorno de Andrade. Da mesma geração de juniores (então chamados juvenis) que revelara Tita e o próprio Adílio, Andrade voltou de um empréstimo na Venezuela, onde se consagrara como artilheiro. Apesar de seu toque de bola refinado, Andrade demonstrou uma sutil vantagem tática em relação a Adílio: sua capacidade de marcação. Com isto em mente, ao longo de 1979 e 1980, Cláudio Coutinho passou a utilizar cada vez mais Andrade como uma opção para o meio-de-campo, que com ele marcando, liberava Carpegiani para a armação. Adílio tornara-se então uma opção tática para os segundos tempos, ora lançado como um falso ponta-esquerdo ora como um meia mais ofensivo. Com a gradual aposentadoria de Carpegiani em 1981, e sua promoção a técnico, o Flamengo chegou a sua formação clássica de meio-de-campo, que me permitam grafar com maiúsculas: ANDRADE, ADÍLIO E ZICO. Com este trio sensacional, o Flamengo conquistou mais dois Campeonatos Brasileiros, uma Libertadores, um Mundial Interclubes e mais um Estadual. A grande quantidade de jogadores habilidosos e versáteis no elenco (Tita, Lico, Júnior, Leandro) tornava quase desnecessário um reserva na posição, que foi ocupada em 1980 esporadicamente pelo folclórico Peu e pelo polivalente Lico. Em 1983, Zico foi para a Itália, mas Adílio permaneceu absoluto no meio, apenas circunstacialmente ocupando a ponta. Prosseguiu até o início de 1987, quando uma série de contusões fizeram-no perder espaço, e ser vendido ao Coritiba. Lamento que as diretorias seguintes do Flamengo não tenham se interessado no retorno de fantástico jogador que está marcado na história do MAIS QUERIDO. Em 1985, a posição de meia-armador foi ocupada pelo versátil Marco Antônio, ou simplesmente, Marquinho, que vindo do Vasco numa troca pelo volante Vítor, teve bons momentos na Gávea graças ao seu estilo mais formiguinha, que usava um preparo físico invejável para apoiar o ataque, cair pelas pontas, e ainda voltar para fechar os espaços. A partir deste momento, os meias apoiadores passam a ganhar menos espaço, graças ao defensivismo que vai enchendo os times com um número cada vez maior de volantes. Um jogador que acabou por substituir Marquinho fazendo praticamente a mesma função, foi o incansável Aílton, que fez parte do tetracampeonato brasileiro em 1987, e que seguiu no time fazendo às vezes de lateral-direito, até ser vendido ao Guarani, quatro anos depois. Fez sucesso em todos os times por onde passou, mas jamais retornaria ao seu clube de origem. Com a saída de Aílton, sua posição foi ocupada por Zinho, recuado da falsa-ponta-esquerda, e de certa forma pelo fantástico maestro Júnior, que foi o verdadeiro armador nas conquistas de 1991 e 1992. Com a venda de Zinho ao milionário Palmeiras-Parmalat, a jovem promessa Marquinhos ocupou a posição, mas sem jamais se firmar. Em 1993 o Flamengo contratou Casagrande para esta função, mas sua passagem pelo Mengão foi muito rápida. Jogadores como Carlos Alberto Dias e Boiadeiro também tiveram participações fugazes, e a penca de contratações que marcou a Era Kléber Leite incluiu nomes como Branco, Válber, Moacir, Zé Roberto, Palhinha, todos com participações meteóricas. Foi só em 1998, na figura do marrento e raçudo Beto, que o Flamengo chegou a ter um apoiador com uma presença mais consistente, mesmo tendo sido emprestado por um breve período ao São Paulo, mas retornando ao Mengão para ganhar o tricampeonato carioca de 1999-2000-2001. Ao seu lado, e fazendo às vezes a mesma função, tínhamos o sempre irregular e imprevisível Fábio Baiano. Os anos seguintes foram de elencos fracos, e com um excesso de volantes que praticamente deixava o time sem apoiadores, e tivemos uma sucessão de jogadores com passagem um tanto insípida, como Hugo, Marcelo Rosa, Marquinho, Felipe Mello, Igor, Fernando Diniz, Jônatas, Vinícius Pacheco, e outros. Cabe apenas destacar a presença de Renato Abreu, que chegou ao time em 2005 como uma opção de lateral-esquerdo e volante, e terminou garantindo sua posição no meio de campo com seus impactantes gols de falta, e do atual apoiador do elenco, o também marrento Íbson.Atuando de 2003 a 2005 como mais um volante, retornou no final de 2007 para a mesma posição, mas com funções ligeiramente mais ofensivas. É com ele que encerro este passeio por três décadas.

Céu azul para os negócios

Por Vinicius Paiva

Apesar da tristeza pela eliminação da Copa do Brasil na semana passada, começa a clarear o céu que circunda a Gávea. Como costuma dizer um amigo meu, “tá rolando uma esperancinha”. As perspectivas são, de fato, animadoras.

• Começamos a nos livrar de algumas “bombas compositoras de elenco” com salários acima dos R$ 150 mil e custo-benefício horroroso;

• Trouxemos alguns reforços (o maior deles, um atacante de nível mundi, Adriano) e vislumbramos alguns outros que chegariam para o time titular - casos de Morais (?) e Perea;

• Negociamos algumas dívidas antigas, como no caso do Petkovic (sim, eu sou a favor, apenas pelo caráter de “tirar o pai da forca”) e do posto de gasolina (dizem que isto renderia ao Flamengo mais de R$ 10 milhões);

• Estamos para fechar o maior pacote de patrocínios do Brasil, além de aguardarmos o início da melhor parceria com uma fornecedora de material esportivo.


Quanto a este último tópico, cabe nos alongarmos um pouco mais. Esta semana veio à tona a notícia de que, além do fornecimento de material esportivo – que já nos renderá mais de R$ 20 milhões anuais – a Olympikus ainda poderá pagar por um patrocínio-tampão nos três primeiros meses, desembolsando R$ 1 milhão mensais para expor a marca de algum de seus produtos no peito e nas costas do nosso novo Manto. Isso equivale a apenas R$ 12 milhões anuais, é pouco. Mas a oferta beira a uma gentileza, frente às dificuldades que o Flamengo vem enfrentando para fechar com um novo patrocínio. Outras notícias (antecipadas aqui no blog pelo “Sombra”) dão conta de que a mesma Olympikus negociaria o patrocínio definitivo de peito e costas, com valores anuais girando em torno dos R$ 20 milhões. Neste caso, seria uma experiência totalmente nova no futebol brasileiro (e mundial). Uma mesma empresa seria a fornecedora de material e patrocinadora do clube, e desembolsaria para isto nada menos do que R$ 40 milhões anuais.

Na boa, meus queridos, se isto acontecesse, seria “Deus no céu, Olympikus na terra”. Nós teríamos por obrigação, no mínimo, fazer retornar cada centavo do investimento. Vender pelo menos meio milhão de camisas por ano, e outras centenas de milhares de tênis “Olympikus Tube” (que seria o produto a ser exposto em nossa camisa). A se considerar a boa vontade e a enorme expectativa que a torcida rubro-negra criou com relação ao lançamento do novo material, não duvido nada.

De última hora, surgiu ainda o papo de que a Coca-Cola, depois de 20 anos afastada dos patrocínios a clubes brasileiros, estaria no páreo pela condição de patrocinadora do Flamengo. Vejo com ótimos olhos também. Primeiro, porque estaríamos perdendo a maior empresa do Brasil (Petrobras) mas ganhando uma das maiores do mundo. Segundo, porque as cores da Coca-Cola seriam PERFEITAS para nosso uniforme: vermelho, preto e branco. Nada de azuis, verdes ou amarelos! E terceiro porque seria a oportunidade de a Coca-Cola compensar uma fatalidade histórica: a Copa União, quando ela patrocinou TODOS os clubes, menos Flamengo e Internacional. Logo os times que decidiram o torneio! Sacanagem...

Para terminar, existe ainda uma negociação em curso com a operadora Oi, que estaria disposta a pagar R$ 4,5 milhões anuais pelas mangas do nosso uniforme, numa estratégia de marketing que colocaria o atacante Adriano temporariamente com a camisa 31 (código da prestadora).

Quando eu disse, algumas semanas atrás, que qualquer pacote “patrocínio master + mangas” abaixo de R$ 21 ou 22 milhões seria frustrante, me chamaram de maluco! Hoje, estamos para superar em muito este valor. Um dos motivos, vejam vocês, é exatamente a demora para fecharmos os acordos. Foram 5 meses sem receber um tostão, mas em compensação deu tempo de acalmar o mercado financeiro, arrefecer a crise mundial e os dólares voltarem a ser injetados na economia brasileira a doses de mamute.

É a economia, estúpido! (James Carville, marqueteiro da campanha de Bill Clinton em 1992).

****************

Como sempre, nem tudo são flores.

1) Contratações de desconhecidos jogadores do temido Águia de Marabá são quase certeza de tiro n’água. E acabam por levantar suspeitas a respeito da lisura deste tipo de negociação. Dos que chegaram, só respeito minimamente o grandalhão Arthuro. Isso porque ele passou pelo Middlesbrough, da Inglaterra. Só.

2) Endossando a campanha aqui do Blog, os cânticos da nossa torcida andam mesmo lamentáveis. Parece que a Nação só gosta de cantar alto de verdade aquelas musiquinhas da moda. Antes, o estádio todo cantava APENAS a “Onde estiver, estarei”. Agora, o estádio todo canta APENAS “Vamos ser campeões”. Fora este, o que vemos é uma confusão de cânticos diferentes vindos de três torcidas organizadas que NÃO CANTAM JUNTAS – Raça, Jovem e Urubuzada. Resultado: QUALQUER torcideca do outro lado, cantando com coesão, fala mais alto do que a nossa. Foi assim em determinados momentos da final do Estadual, contra o Chorafogo. E foi assim (PASMEM! Eu estava lá e tenho até vídeo gravado) contra o Avaí, no Maracanã – quando 1000 manezinhos fizeram tanto barulho quanto 19 mil rubro-negros, que pareciam estar numa missa. Deu vergonha.

Conclusão 1: ou a torcida toda canta junto, meus amigos, ou vamos ficar passando esse tipo de carão.

Conclusão 2: Musiquinhas da moda são legais, beleza. Mas onde está nossa música mais vermelhoepreta, “Oh meu Mengão”??? Mal se ouve!!! Onde está o grito de “Meeeengoooo”, torcida???

3) CADÊ O PROJETO SÓCIO-TORCEDOR????

Em uma semana, o Bacalhau já conseguiu mais de 19 mil adesões para o projeto recém-lançado por eles. E querem saber? Torço para que eles atinjam mesmo a meta estabelecida de 100 mil sócios. Quem sabe se por vergonha, não fariam nossos dirigentes tomarem alguma atitude. A propósito, minha coluna da semana passada (que levantava sérios questionamentos a respeito de uma suposta não-intenção de o Flamengo lançar este projeto) não apenas foi ignorada pelos responsáveis como ainda faz tempo que não recebo clippings da assessoria de imprensa do clube.

É assim que a banda toca?

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Boa notícia

Saiu no site do jornal português A BOLA: "Ibson é para vender"

A permanência do jogador no Flamengo é cada vez mais certa, não havendo grandes propostas na Europa e dado o interesse do FC Porto em vender.

Ibson está emprestado há 2 anos no Brasil, mas o FC Porto não vê retorno no investimento, por isso esta interessado em terminar o vínculo.

Ótima notícia para as nossas pretensões visando o Campeonato Brasileiro.

Ibson é peça vital no meio campo rubro-negro.

Vamos torcer para que dê tudo certo na negociação.

Perea?

Li ontem sobre o interesse do atacante Perea. Se o seu salário for compatível com a realidade do clube, seria uma boa contratação. O colombiano viria para compor bem o nosso elenco. O que me preocupa, além do salário, é a sua condição física.

Morais?

Boa contratação. Não temos no nosso elenco nenhum jogador com as características do Morais. Um jogador de armação, de certa cadência e com passe vertical.

Hora da arrancada

Domingo tem a estreia do Adriano com um Maracanã para mais de 40 mil pessoas. É a hora de resgatar aquele espírito vivido em 2007, onde a simbiose torcida-time impulsionou o Mengão para o topo da tabela.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Jardim de Infância

Eis que saio do aconchego do meu sofá, de ficar com a minha filha, pra vir aqui, de novo, pedir pras crianças se acalmarem.

Todos sabem que estou de licença no blog. Tento frequentar um pouco menos, mas o vício é grande. É bom vir ao blog...mas ultimamente, está - ipsis litteris - um saco.

Eu cá me pergunto o que leva um ser humano a sentar na frente do computador, perder horas e horas de seu dia com vontade de falar de Flamengo, mas que, no limiar do começo da digitação, resolve aporrinhar a paciência alheia.

Não me venham com essa conversinha de "eu não faço isso". Não me venham com esse papo de "ele começou antes". Pô, tem horas que isso aqui parece aquele site daquele time que está na segundona. É um disse-me-disse, ironias estúpidas, respostas atravessadas, e eu me pergunto: PRA QUÊ?

Sério, tem gente aqui no blog que tem idade pra ser meu pai. Ao mesmo tempo, pra ser meu filho (tenho 40 anos, apenas para constar). SÓ QUE NENHUM DE VOCÊS É MEU PARENTE PRA EU SER OBRIGADO A CHAMAR A ATENÇÃO TODO DIA. Parece uma sala de aula com aquelas crianças alucinadas gritando "Tia, ele mordeu meu braço", ou "tia, ele comeu minha merenda". Pela madrugada, até quando os moderadores e outros torcedores que vem aqui com o simples intuito de falar sobre o Flamengo terão que aturar essa aporrinhação?

Polêmicas? Acho ótimo. Inclusive devo ao Patrick uma discussão acerca do Marketing do clube. Achou a opção tática do Cuca ruim? Excelente, critique....

Mas não. Vocês preferem usar nicks ofensivos, pois sabem que A gosta do Obina, e B não. Preferem o combate ao debate. Preferem usar e abusar da VAIDADE - que no meu entender é pior do que muitas doenças - ao invés de dar o braço a torcer e mudar de opinião.

Acreditem, mudar de opinião faz bem. Eu gostava de ver o Obina com o Manto. Eu tenho um Manto dele, autografado, com meu nome. Mas ele tava mal, e eu mudei de opinião. Machucou? Abriu uma vala no meu braço? Não. Apenas mudei de opinião.

Tudo isso aí em cima deverá servir pra que vocês coloque a cabeça no lugar e pensem. Pois teremos, a partir de hoje, 3 caminhos. 2 de pedras, e um muito fácil.

O primeiro é o sonho de muitos: transformaremos o blog num fórum sem a tecnologia do fórum. E como isso? Vamos moderar o blog, FULL TIME, e aprovaremos as opiniões que forem inerentes ao assunto e que mantiverem um padrão mínimo de qualidade e respeito às opiniões contrárias.

O caminho 2 é mais fácil ainda, principalmente pra moderação: Vamos banir todo mundo que resolver tumultuar ou implantar a baguncinha por aqui. Simples, vai tomar um ban de 3 horas, ou até acalmar. E devo dizer uma coisa aos senhores: se mudar o IP só pra poder entrar com outro nome, levo ao conhecimento que conheço a forma de escrever de cada um aqui. Podem apostar. Além do identificador de IP do Haloscan, eu sei quem é quem. E não é uma ameaça, apenas uma constatação. Estou no Blog praticamente desde os primórdios, e me acostumei a identificar os amigos que visitam a casa.

O caminho 3 é o mais simples de todos: sejam adultos. Se comportem como adultos. Discutam Flamengo com discordância, mas sem ofensas, sem imposição de opinião.

Senão, seremos obrigados a mudar o caminho. E é exatamente isso que não queremos.

Agradeço a todos pela atenção.

Seja na Terra, Seja no Mar (XXXII)


André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites: Arnaldo Branco <www.gardenal.org/mauhumor/ > e André Dahmer - <www.malvados.com.br/



Clique sobre a imagem para ampliá-la.



Marcadores: tirinhas_seja_na_terra

terça-feira, 26 de maio de 2009


Pelos becos da Gávea.


O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.

O Sombra ouviu que a nova patrocinadora do Clube de Regatas Flamengo pode ser a Olimpikus.

Além de ser a fornecedora de material esportivo, a Olimpikus também quer ser a patrocinadora oficial do Flamengo.

O contrato de fornecimento de patrocínio não tem nada a ver com o contrato de material esportivo, que já está fechado.

O valor mencionado na reunião gira entre 20 e 22 Milhões de Reais.

O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.


Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Essa semana, ao invés de relembrar alguma passagem histórica, quero tratar de um tema mais chato, em função de mais uma decisão absurda de mais um dos tribunais que andam infestando os gramados do futebol brasileiro. Tudo bem, a suspensão do Juan até pode ter sido boa para a equipe, mas poderia ter acontecido com outro jogador. O texto abaixo, um exercício de futurologia, pode parecer absurdo, mas há poucos anos atrás também soaria fantasioso imaginar que um jogador poderia ser “expulso” após a partida ser finalizada. Então, boa leitura.

* * *

Um ano qualquer, daqui a um punhado de anos. É a decisão de mais um campeonato estadual, Flamengo e Botafogo, como se tornara hábito desde o já longínquo pentatri de 2009. Na partida final, o Flamengo joga melhor e vence por 1-0 com um gol de pênalti. O herói do jogo é cercado pelos microfones, após o jogo, e declara: “é, jogamos bem, merecemos a vitória, agora é confiar no trabalho da rapaziada do tribunal para gente garantir mais esse título.”

Não há festa na saída do estádio. Todos sabem que o campeonato ainda não está decidido. Ainda na noite de domingo, um procurador do tribunal avisa que vai entrar com representação. Quer anular a partida. Alega ter havido erro na marcação do pênalti. Deseja que o lance seja julgado em plenário.

Logo na manhã de segunda-feira, o tribunal recebe e aceita a representação. O julgamento é marcado para quarta-feira, às 21:50, depois da novela. A Globo vai transmitir ao vivo, para todo o Brasil, menos para o Rio de Janeiro. Começam a aparecer as vinhetas, anunciando a transmissão, “direto da sede do tribunal”. São montados telões, espalhados pela cidade, em grandes áreas cercadas, onde se pode acompanhar a transmissão pelo PFC. O acesso custa R$ 30, mas se pode pagar R$ 15 com meia-entrada. Para evitar confusão, há áreas específicas para cada torcida.

O Flamengo está tranqüilo. Confia em sua estrela, o emérito advogado Arthur Pedrosa, que é o destaque da competição até agora, com a impressionante marca de 25 jogadores absolvidos e dez efeitos suspensivos concedidos, o que lhe valeu o apelido de Mago das Palavras. Do outro lado, o Botafogo aposta em seu emotivo advogado, Lacrímio Buarque, famoso por sua verborragia e eloqüência. O ambiente é tenso, os dois lados evitam declarações polêmicas. Não querem dar munição ao adversário.

Chega o grande dia. O trânsito no Rio de Janeiro é intenso. Vive-se o clima da decisão. A torcida do Flamengo rapidamente lota as áreas colocadas à sua disposição, e se posta nervosa diante dos telões. Já nos locais reservados ao Botafogo são nítidos os espaços vazios. Mas a pequena torcida alvinegra também faz barulho e canta. Parece animada.

Antes do julgamento propriamente dito, o tribunal aprecia algumas questões menores. Um goleiro do Fluminense é suspenso por 30 dias, por ter retardado a cobrança de um tiro de meta. Foi condenado por “atitude antidesportiva”. Um jogador do Bangu recebe cinco jogos de suspensão, por ter reclamado de uma marcação do árbitro, enquadrado por desacato. Um zagueiro do América recebe punição de três jogos, por ter puxado a camisa do atacante adversário na cobrança de um escanteio. E por fim um atleta do Vasco é apenado com dois jogos, por ter tentado cometer falta em um atacante adversário num contragolpe que redundou em gol.

Não houve tempo para julgar todos os casos, pois a vinheta de encerramento da novela já assinala que está na hora da grande batalha. Os julgamentos pendentes são marcados para o dia seguinte. A tensão agora é flagrante entre os representantes dos dois clubes. Executa-se o hino nacional. A transmissão se inicia. Vai começar o processo.

O procurador exibe os motivos que o levaram a oferecer a denúncia. Alega ter dúvidas quanto à marcação do pênalti. Narra que acompanhava a partida pelo canal pago PFC, quando viu o lance, em que o zagueiro botafoguense dá um carrinho por trás do atacante rubro-negro, sem bola. Informa ter tido sérias dúvidas quanto à correção da marcação, pois a equipe de transmissão, formada pelo narrador Ronny Porto e pelo comentarista Pablo Vasconcelos, afirmara categoricamente que o lance fora legal e que o atacante do Flamengo simulara a falta. Nem mesmo o fato do jogador rubro-negro ter sido substituído, saindo contundido após o lance, foi capaz de dirimir suas dúvidas, por isso desejava que a jogada fosse analisada mais detidamente pelo tribunal. Se fosse o caso, a decisão do árbitro poderia ser revertida e a partida anulada.

O primeiro a entrar em campo, digo, no plenário é o advogado botafoguense Lacrímio Buarque. Porte atarracado, expressão séria e compenetrada, quase entristecida. Traja elegante terno preto, camisas brancas e gravata listrada em preto e branco. O modesto público alvinegro saúda seu ídolo, com o grito que já se tornava célebre: “Buáááááááááárqueeee”.

Buarque inicia a sua explanação. Alega ser um absurdo o que estão fazendo com o Botafogo. Eloqüente, afirma que mais uma vez, como vem ocorrendo desde 1910, estão querendo roubar um campeonato do alvinegro. Argumenta que jogadores como Didi ou Nilton Santos tiveram que lutar contra tudo e contra todos para ser campeões, que nunca obteve apoio da Federação contra as arbitragens tendenciosas e escandalosas. Pede a anulação da partida e suspensão para o jogador do Flamengo, cinco jogos por simular infração mais 30 dias por simular contusão. Sua argumentação é loquaz, crescente e impressiona. Vai agitando os braços, teatral. À medida que vai desenvolvendo sua retórica, o rosto de Buarque se crispa. Emociona-se, vai às lágrimas. A torcida botafoguense entra em transe, e o grito “Buááááááááááárqueeee” torna-se mais alto e forte. O mirrado advogado, visivelmente comovido, encerra sua participação com um grito aberto, caudaloso: “GARRINCHAAAA!!!!!”

A torcida do Flamengo está apreensiva. A choradeira, ops, a explanação do representante botafoguense impressionara. Em outros tempos, esse discurso seria motivos de riso, mas o tribunal não era uma ciência exata. Podia perfeitamente se impressionar com a arenga de Lacrímio.

Mas toda a preocupação se dissipou com a entrada em plenário do craque flamengo Arthur Pedrosa, o Mago das Palavras. Com fisionomia altiva, denotava extrema tranqüilidade. Cumprimenta com simpatia, chamando pelo nome, todos os juízes que irão julgar o caso. Seu magnetismo pessoal é irresistível, irradia confiança a cada gesto. Traja terno preto, com camisa vermelha e gravata listrada em rubro-negro. Inicia sua argumentação com objetividade cortante: pede para ver o lance, é atendido. Liga-se o projetor, que passa a exibir para todos a jogada. Pode-se ver, então, que a bola fora lançada ao atacante do Flamengo, que ganha na corrida do lateral botafoguense e entra na área em diagonal. O zagueiro, no desespero, vem na cobertura. Sua única alternativa é o carrinho. Tira os dois pés do chão e acerta por trás o rubro-negro, que armava o chute. O árbitro não titubeia: pênalti. O avante flamengo não pode continuar no jogo. O joelho havia sido atingido.

Pedrosa não diz nada. Deixa as imagens falarem por si. O som está mudo (exigência do advogado flamengo). Após a exibição do lance, o Mago das Palavras olha fixamente em direção aos julgadores, balança suave e negativamente a cabeça e, com semblante grave, comenta, pausadamente: “Uma voadora, senhores magistrados. Uma voadora...”

Os rubro-negros vão ao delírio. Pedrosa está aniquilando os argumentos adversários com a força das imagens. O Mago agora vai falar. Quando todos esperam um discurso eloqüente e cheio de figuras retóricas, Pedrosa apenas elabora uma frase, dita de forma direta, cortante, como uma faca: “Senhores magistrados, a regra é clara.” Cumprimenta a todos e se despede.

Um lance de gênio, que faz a torcida rubro-negra ir abaixo. A massa flamenga agora canta a plenos pulmões, exalta seu ídolo: “Pedroooooooosa, é melhor que Ruy Barboooooooosa”. Todos estão desconcertados, estarrecidos. Que firmeza, que sagacidade, que categoria no manejo das palavras! A parada parece ganha. E com efeito, quando sai o resultado do julgamento, o título do Flamengo é confirmado, com um placar de 6-0 na votação, e a cidade está em festa. “A regra é clara” torna-se um bordão, todo torcedor do Flamengo, ao ver um raro botafoguense, não resiste: “bom dia, a regra é clara!”. Pensa-se em erguer um busto para Pedrosa na sede da Gávea.

* * *

No dia seguinte, o movimento no blog FlamengoNet é um bom termômetro da repercussão do jogão, quer dizer, ahn, do “julgamentão”: o Roberto Silva Gomes exibe o borderô dos telões e reclama das cotas retidas. O Tiago Cordeiro está preocupado com a reposição do elenco jurídico, pois o craque Arthur Pedrosa tem uma proposta irrecusável de um time holandês de Haia e deve sair. O Alex do Triplex lança um “Top Ten” comentando lances do julgamento, e pede para que a torcida passe a gritar apenas “Pedrooooooooosa” nos jogos. O Melo publica uma coluna, onde compara a frase mágica de Pedrosa ao gol de falta do Pet e à cabeçada do Rondinelli. O Lauro Moraes reclama que ainda não recebeu a réplica da gravata do Pedrosa, que ganhou em um sorteio. O Tinhorão coloca uma coluna, argumentando que “chega de ganhar julgamentinho no TJD, o Flamengo tem que pensar grande!”. O Dão divulga fotos exclusivas do julgamento, na coluna “Clima do Tribunal”. O Ballem pede a saída do consultor jurídico do clube (“basta de estagiários”). O Romeiro defende a construção de um Centro de Formação para novos advogados (“todos os clubes já têm o seu”). E vários blogueiros querem ver a foto da Mariana.

Nos jornais, vastas reportagens de página inteira contam a história de Arthur Pedrosa, o ídolo de uma nação. Outras matérias tratam de como nasceu a genial frase “A regra é clara”. E um ou outro periódico mostra uma pequena nota, quase no rodapé, indicando que domingo o Flamengo joga, e o treinador tem dúvidas para escalar o time. E quem se importa?

* Este é um texto de ficção. Qualquer semelhança com nomes e/ou fatos reais terá sido mera coincidência, e espero que assim permaneça.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA - Herminio Correa

Reencontro com a vitória

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Quando o Flamengo voltou de Fortaleza, trazendo a classificação para as quartas de final da Copa do Brasil, havia toda uma preocupação com a seqüência de jogos da equipe. A partir daquele jogo teríamos pela frente duas das melhores equipes do futebol brasileiro no momento, Cruzeiro no Mineirão na estréia do Brasileiro e Internacional em dois jogos na seqüência da Copa do Brasil. Muitos classificavam esses confrontos como a “hora da verdade” para a equipe de Cuca.

As partidas aconteceram e ainda que o Flamengo tenha jogado bem – a exceção da partida contra o Avaí – o resultado final não foi o esperado. Derrota em Belo Horizonte, eliminação pelos gaúchos na Copa do Brasil. A imagem dos mais importantes jogadores do elenco acabou manchada após essa seqüência de partidas. Erros individuais, fatores extra campo, falta de concentração nos momentos decisivos. Os pecados cometidos nessas partidas foram fundamentais para definir os resultados negativos nessas partidas.

A partir daí, o jogo de ontem contra o Santo André estava carregado de grande importância. Não só pelo momento da equipe em uma seqüência de jogos sem vitória, mas também pela urgente necessidade de mostrar algum poder de reação. Isso tudo sem contar ainda com os desfalques para a partida.

E superando tudo isso, o Flamengo foi lá e venceu. Não foi brilhante, não foi aquele time de encher os olhos e recriar as expectativas do torcedor. Mas correu, lutou, buscou a vitória. Conseguiu superar os transtornos pela desclassificação contra o Inter, as fortes críticas sobre o ataque, o desfalque dos laterais. E mostrou que se o caminho da renovação do elenco for a saída para se fortalecer, pode não ser tão traumático quanto parece.

O time demonstra a cada partida que possui um padrão de jogo já melhor definido, de um time bastante voluntarioso na marcação. Ibson continua sendo o principal homem de meio campo, tem atuado com bastante lucidez e compensado no que pode a falta de um verdadeiro camisa 10. E o ataque, enfim, mostrou seu poder de ação. Josiel não é ainda nenhuma unanimidade, mas conseguiu ontem fazer daqueles gols bonitos, que pedem replay. Já seu parceiro de ataque, Obina, fechou seu ciclo na Gávea, pelo menos enquanto. Teve novamente uma atuação apagada e por situações que só futebol explica, está de malas prontas para o Palmeiras. Bom para ele que vai para uma equipe tradicional, bom para o Flamengo que abre mão de um jogador de salário relativamente elevado e já sem qualquer espaço dentro do elenco.

Mais importante do que os três pontos, foi reencontrar o caminho. É se erguer dos maus resultados, é recomeçar, é dar a volta por cima. Torcemos para que essa partida contra o Santo André possa ter sido apenas o primeiro passo, do caminho que leve o Flamengo de volta às grandes vitórias.

Acredito ser esse o desejo na Nação Rubro Negra.

Grande abraço e Saudações Rubro Negras, sempre!

Porteiro da Gávea

Acabei de receber uma ligação do porteiro:

-"Seu tripé, saí do meu posto e fui no banheiro. Na volta, ouvi alguém dizendo que o Lúcio Flávio foi contratado, que está tudo certo. O senhor pode publicar no seu blog?"

Taí, Porteiro. Se for verdade, os créditos são seus. Se for mentira, vou meter seu ip...hehehe.

Vamos aguardar pra ver.

Triplex Top Ten


1 - Bruno: Uso o pensamento do meu amigo - e blogueiro - Ricardo Amorim pra ilustrar: "Bruno, confiança não se pede. Se conquista". Falar menos e jogar mais. Seja sempre o goleiro que fez com que eu escolhesse o seu Manto na promoção que ganhei. Pronto, confiaremos cegamente em você.

2 - Obina: Passei boa parte do fim da noite de domingo discutindo. Resumo do meu entender: Emerson, Obina e Josiel tem o mesmo nível de qualidade. O que os difere: a fase. Josiel vive uma "boa" fase, mas podem ver que ele perde mtos gols. E já vimos o Obina ter "boas" fases também. Emerson chegou, fez alguns gols, mas é irregular. Assim sendo, se Obina realmente não nos serve mais, é simples. Vende o cara, mas chega de pregar o baiano na cruz.

3 - Sistema defensivo: Está arrumadinho, redondo. Mas não podemos dar os moles que demos nos últimos jogos. Faltas na entrada da área, desatenção nos minutos finais, tudo isso vira gol tomado. E todo mundo sabe que o jogo só termina quando acaba. É acertar o branco mental que a coisa fica bonita.

4 - Íbson: Jogando desse jeito, vale a pena comprar. Eu acredito muito na "parceria" dele com o Kleberson ali na meiuca. No meu entender, falta aos 2 uma única coisa: regularidade.

5 - Os alas: Gostei dos 2 Evertons no jogo de ontem. O 22 não foi tão efetivo, mas ele aguentou o tranco ali de lateral, foi a frente, correu, etc...foi "parceiro", comprometido com as necessidades do time. Já o Silva jogou muito. Falei isso na hora do jogo. Se nossos laterais - titulares - fossem inteligentes, estariam na seleção. Muitos reclamam do Cuca, mas vocês repararam como o EV jogou livre hoje? E porque isso? Simples, o esquema tá certinho pra liberar nossos alas e contar com a criatividade deles. Aí, recaio no que vi nos últimos jogos: a omissão, a falta de compromisso com o time, com a torcida, com os companheiros.

6 - Algoz: Hã? Who? Ah, tenho mais o que fazer além de temer o Santo André.

7 - Josiel: Já falei no item 2. Mas o cara fez 2 gols, sendo o segundo um golaço. Entonces, let Jesus play.

8 - As incógnitas: Erick Flores e Fierro. Vejo muitos no blog que pedem por eles. Sobre o Erick, vejo uma marra imensa. E ele não mostrou nada que o permita ser assim. Na realidade, NADA permite que ele seja assim. N-A-D-A. Ainda penso o seguinte: quer jogar no Flamengo? Ok. Primeiro, enfia o moleque numa sala e deixa ele vendo filmes e mais filmes dos jogos e das entrevistas do Zico. Pra eles verem que NADA (olha o NADA de novo aí, gente) justifica atitudes arrogantes. E em relação ao Fierro...bom, o problema dele são as havaianas ou seu comportamento? Cartas para a redação.

9 - Adriano: ....que chegue logo o jogo contra o atlético. Por sinal, eles tomaram uma tunda dentro de casa. Chegarão ao Maraca com uma cobrança imensa. É uma chance de fazermos o placar e ganhar moral pra visitar o Sport na semana seguinte.

10 - 10: Repito. Ainda falta um 10. Ainda sinto falta de um jogador que seja letal no passe, no chute, no momento final. Não podemos depender de lampejos. O Flamengo sempre se caracterizou por ter jogadores assim. E no meu entender, não podemos fugir à tradição, e principalmente, às necessidades do time.

Boa semana a todos.

E nada mais digo.

domingo, 24 de maio de 2009

CADERNINHO DO SIMÕES LOPES
Sobre os Profetas da Imprensa

Lendo as manchetes dominicais do Caderno Ataque, de O Dia, deparei-me com os vaticínios de verdadeiros profetas da bola. Assustando com tamanha inspiração profética, escondi-me embaixo da cama, e não tive coragem de assistir a nenhum jogo. O destino já havia sido traçado pelos imparciais e clarividentes jornalistas! Arrependei-vos, irmãos!

Fluminense:
VOLTA POR CIMA DIANTE DO SANTOS

Botafogo:
NEY ESPERA BOA ATUAÇÃO NO SUL

Flamengo:
CUCA PODE SAIR SE TIME NÃO VENCER

"Vou pintar um arco-íris de energia..."


Picadeiro de Circo - Santo André x FLAMENGO
Bruno José Daniel - 18:30h

O boteco fechou. Por falta de patrocínio e excesso de vergonha na cara, o dono do boteco se encheu, contratou uma retrosescavadeira e botou tudo abaixo. Com o terreno abandonado, um grande empresário do ramo circense viu ali a oportunidade de um novo negócio: um circo!

Lugar de desfile de palhaços, mágicos que fazem desaparecer vultuosas somas, bestas feras que assombram os espectadores, o Gran Circo Perebevitch traz a inovadora atração de gosto duvidoso: um talk-show apresentado por Bozorovski, o principal palhaço da companhia, no picadeiro central, entrevistando sempre uma personalidade, para deleite(?) do público. Ferrenho torcedor do Peréebanos FC, sempre traz uma estrela daquele popular time do Tadjiquistão, que concorre, com galhardia, contra Íbis e Tabajara, pelo título de Pior do Mundo!
O atleta entrevistado de hoje é Ramonovitch. Um lateral que até já defendeu a Seleção Tajique e recentemente se envolveu em polêmicas com a comissão técnica do time tajiquistanês.

Vamos à entrevista!

B: Boa noite, Ramonovitch! Como vai? Diz pra gente como é defender o Grande Peréebanos?

R: Ah, Bozorovski! Pra mim é uma grande honra! Esta torcida apaixonada, lotando o Estádio Nacional de Dunshanbe, gritando "Ah! O Nacional é nosso!", é mágico... É mágico...

B: Mas a torcida tem pegado um pouco no seu pé, não?

R: Pois é... E eu não entendo o porquê. Eu faço o meu melhor todo o jogo. Até mais! Até dar bronca no jogador adversário que quer mostrar que joga futebol, eu dou! Na verdade, eu acho que esses caras não entendem é nada de futebol, sabe?

B: Bem, pode ser... Mas você não acha que você está se contradizendo?

R: Por que? Eles não entendem nada mesmo!

B: Er... bem... ok... E seu relacionamento com a Comissão Técnica? Como vai?

R: Uma maravilha! Nunca esteve melhor! Por quê? O que você quer saber, hein? Hein?!

B: Nada, nada! Se você está dizendo... O que acha do trabalho dela?

R: Muito bom. Muito bom. Não me dá muito trabalho, não. Também, quando dá, eu trato logo de colocar ela em seu devido lugar, e pronto. Sabe como é, meu empresário me dá todo o respaldo.

B: E o ritmo dos treinamentos? Você acha que é muito puxado? Recentemente você perdeu um pênalti num jogo muito bom do Peréebanos pela Liga Tajiquistanês, e acaba de entregar uma bola capital, na recente eliminação na Copa da República...

R: Pois é Bozorovski... Isto é que eu não entendo da torcida e da Comissão Técnica! Eu fiz tudo o que treinei! Ou treinei tudo o que fiz. Não importa a ordem... O que mais eles querem que eu faça??

B: Bem... Realmente eu é que não sei... Mas e agora, na Liga vocês vão enfrentar o Sankt-Andrelov, em que o retrospecto do Peréebanos é desfavorável. Você não joga, não? O que esperar desse jogo?

R: Verdade, verdade! O Tribunal Penal Internacional reclamou porque eu quis botar moral no Mikhailsuelovsky... Esses caras não sabem nada de futebol... Eu agi em legítima defesa da honra futebolística! Como é que o cara pode querer botar marra pra cima de mim? Mas o time vai bem! Treinou bem na quarta-feira passada. A gente ganha quando quiser...

B: E a seleção? Quando volta?

R: Bem, eu sei que tenho feito o meu melhor e o que mereço. Talvez meu agente só tenha que mexer os pauzinhos certo$ junto à Comi$$ão Técnica da TFF...

B: Ok, ok, Ramonovitch... Pra terminar, conta pra gente quem é o seu ídolo de todos os tempos, no futebol?

R: Ah, essa é fácil: em futebol, nada mais justo que falar em Romário... O brasileiro era fo...Piiiiiiiiii!!: Baixinho, marrento, e enquadrava uma comissão técnica como ninguém. A diretoria comia na mão dele. E batia um bolão! Tem até uma música, que parece que é dele, que canta mais ou menos assim: "Treinar pra quê-ê-ê, se eu já sei o que fazer?" Eu não sei porque, mas eu me identifico muito com ele...

B: É isso aí, pessoal! Falamos aqui com Ramonovitch, do Grande Peréebanos Futebol Clube. Fiquem agora com a trupe de palhaços e até a próxima entrevista! Tchau pessoaaaaaal!!!

Se você também não gosta de palhaçada, e como, felizmente, o rojadirecta não passa jogos da brava Liga Tajique, sugiro LINKS para Sto André e FLAMENGO:

www.rojadirecta.com
Próximo à hora do jogo (18:10h - horário de Brasília)

Será que estaremos livres de palhaçadas?

Nota do Autor: Picadeiro de Circo é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com imagens, nomes, datas ou eventos aqui relatados é mera obra do acaso.

sábado, 23 de maio de 2009

Nosso Mundo é Flamengo – A NBA é aqui

Max Amaral*

Você sabe como funciona o campeonato de basquete da NBA?
Não é complicado:
Os 30 times são separados em duas “Conferências”, a Leste e a Oeste. Mesmo separados, todo mundo joga contra todo mundo, cada time fazendo 82 jogos na temporada regular.
Terminada essa fase é que o bicho pega de verdade: Os 8 melhores de cada conferência disputam os playoffs, em um sistema simples de chave (1o contra 8o, 2o contra 7o...), em uma melhor de 7 jogos. Os vencedores de cada Conferência, no final, disputam outra melhor de 7 jogos para saber quem é o campeão do ano.





Simples, não?
O problema é que, esse ano, já estava tudo preparado para a final entre o Cleveland Cavaliers e o Los Angeles Lakers. Desde antes do começo dos playoffs, comerciais na TV já mostravam os dois principais jogadores de cada time (LeBron James e Kobe Bryant), todo mundo já esperava o grande confronto, a festa já estava armada.
Só esqueceram de avisar aos adversários.
As duas séries-melhor-de-7 estão empatadas em 1 x 1, cada um dos favoritos perdeu um jogo em casa e vão jogar agora duas partidas fora. A imprensa esportiva está histérica, os torcedores não sabem o que pensar.

Bão, deixa eu fazer um paralelo agora:
Os Cleveland Cavaliers seriam o Internacional. Ou melhor, seriam o Internacional que a imprensa baba-ovo e a torcida gaúcha gostariam que ele fosse: um time praticamente perfeito, com os melhores jogadores do campeonato, um esquema tático irrepreensível e que atropela todo mundo em seu caminho inevitável ao título. Aliás, vejam aqui a incrível cesta de 3 pontas feita por LeBron James no último segundo do jogo de ontem contra o Orlando Magics, que empatou a série:





Os Los Angeles Lakers seriam o São Paulo. Um time que conhece o caminho do título mesmo quando não joga tão bem. Tem dinheiro e fama, pode contratar os jogadores que quiser, mas a torcida é aquela coisa: o estádio nunca está cheio no começo do jogo e o povo também sai antes dele acabar. Mas esteve em 29 finais nos últimos 49 anos (!!!), é o time da moda (com direito a Tom Cruise e Jack Nicholson em praticamente todos os jogos) e, ao contrário dos Bambis, têm jogado bem e bonito.
Orlando Magic, os adversários dos Cavaliers seriam, talvez, um Cruzeiro. Um time bem arrumado, é regular, está com o elenco e o esquema tático redondinhos, mas não tem aquela “cara” de finalista. Pode surpreender, está sempre na lista dos melhores, mas não é a primeira opção de ninguém.
E, finalmente, os adversários dos Lakers: os Denver Nuggets.
E vou me deter nos Nuggets por que quero fazer um paralelo com o Flamengo (você já estava achando que eu não iria falar do Fuderosão, né?!)
Minha primeira idéia era comparar o time do uniforme azul-calcinha com o Sport. Um time duro de ser batido em casa mas que nunca ganhou nada realmente importante – e se você falar do Brasileiro de 1987, é melhor parar de ler esse texto agora. Um time no qual, sinceramente, ninguém acreditava.
Mas em novembro de 2008, com o campeonato já em andamento, aconteceu um fenômeno interessantíssimo com os Nuggets: eles negociaram a “estrela” do time, Allen Iverson, por um jogador veterano, coincidentemente nascido aqui mesmo em Denver, Chauncey Billups.
Iverson é aquela coisa: um craque. Mas que só joga para si mesmo, e quando está a fim.
Billups é um líder. Imagine um Fábio Luciano mais rápido, mais inteligente e mais calmo.
Dizem que um jogador precisa de um tempo para se adaptar a um novo time. Billups precisou de 4 horas, que foi o tempo que durou o vôo de Detroit até Denver. Já chegou aqui e acertou o time inteiro, fortalecendo a defesa, arrumando o ataque. E dando caráter ao time. Com ele em quadra, os outros jogadores mostram uma vontade de vencer impressionante, sangue nos olhos o tempo todo. Não tem partida perdida, não tem jogada sem dividida.
O resultado é que os Nuggets chegaram aos playoffs, atropelaram os New Orleans Hornets (com direito à maior diferença de placar na história da NBA em um dos jogos), não tomaram conhecimento dos Dallas Mavericks (o Botafogo, cheio de chororô contra a “dureza” dos Nuggets) e, nas duas partidas que já fizeram contra os Lakers (em Los Angeles), jogaram de igual para igual contra os favoritos. Dominaram todo o primeiro jogo, perdendo por 2 pontos nos 30 segundos finais e, na quinta, venceram o segundo embate com autoridade.

Mas, no fim das contas, o que é que isso tudo tem a ver com o Flamengo, porra?!

O Flamengo hoje é um time desacreditado, embora ainda deva ser temido. Fala sério, ninguém nos coloca como favoritos reais ao Brasileirão. Nem nós.
Mas, como os jogos contra o Cruzeiro e Internacional mostraram, o time está quase lá. Falta alguma coisa, uma peça, um ajuste, e poderemos aspirar a vôos mais altos. Falta nos livrarmos de alguma estrela do time que mais nos prejudica do que ajuda, e falta entrar um jogador que ligue o time para sermos praticamente imbatíveis. Falta o nosso Billups.
Se vai ser o Adriano, o Arthuro, o Flamel, o Morais, o Petkovic ou o Zé das Couves que o Kleber Leite ainda vai contratar do Itapipoca, eu não sei. Mas estou rezando para ele chegar logo.
Eu não quero pensar nos Nuggets como o Sport. Quero que o Flamengo seja esse time surpreendente e que enche sua torcida de orgulho com a luta ensandecida até o último segundo.
A camisa do Flamengo merece isso.

Max Amaral, 43 anos, arquiteto, mora em Denver, Colorado (EUA) e escreve também no Mundo Flamengo (www.mundoflamengo.com)

DOIS FLAMENGOS

O debate sobre a recuperação financeira do Flamengo cada vez esquenta mais. O último round começou com aquela entrevista do Leonardo e a tal sugestão de “VENDE”, que ele teria sinalizado como sendo a única saída para o clube. Acredito que ele falou realmente sobre uma quebra de paradigma, muito mais que uma estratégia específica e pré-determinada.
Com tudo o que se publicou na seqüência, esse caminho deve ser levado a sério, fazendo os ajustes que sejam necessários para que se consiga unir todo mundo em benefício do rubro-negro. Uma das idéias é a da Sociedade Empresária, tese de campanha do presidente Márcio Braga. O POST do Vinícius Paiva trouxe mais elementos para a discussão inclusive nos COMMENTS.
Uma coisa me parece muito clara: existem dois Flamengos. O que nos interessa, aquele sobre o qual estamos debatendo interminavelmente desde a criação do BLOG da Flamengonet não é a Pessoa Jurídica Clube de Regatas do Flamengo, com CNPJ, instalações e equipamentos esportivos e recreativos, salões, escritórios, etc.... Enquanto os dirigentes dessa entidade não entenderem isso, vamos ouvir essas justificativas, desculpas e argumentações esquisitas para não fazer o que precisa ser feito.

Imaginem se Portugal se recusasse a aceitar a independência do Brasil, com base no fato de que a colônia era propriedade da Coroa, e que tivesse armas ( jurídicas e/ou militares ) para fazer valer essa discordância. Os brasileiros iam deixar barato? Seríamos colônia até hoje? Óbvio que não!

O Flamengo que nós discutimos é uma colônia do Clube de Regatas do Flamengo. Só que é muito, muito maior do que parece que os mandatários do CRF gostariam que fosse. A independência é uma necessidade urgente, inadiável. Pode e deve ser feita, preferencialmente de forma amigável, inteligente, criativa e benéfica para ambas as partes. Já passou da hora de termos uma entidade Flamengo profissional, independente, altamente competente e inserida na realidade do FOOTBALL BUSINESS. Uma coisa que consiga crescer e se tornar uma potência futebolística mundial a curto e médio prazos. E, não menos importante, liberando o Clube de Regatas do Flamengo Pessoa Jurídica, dos problemas e amarras que emperram a vida normal de um clube recreativo como dezenas ou centenas de outros pelo Brasil afora, todos bem montados, modernos, atuais, bem freqüentados, com suas finanças em dia e sua realidade própria. Exemplos há aos montes, como o Minas, o Pinheiros, o Monte Líbano, o Tijuca e tantos, tantos outros. Aqui, no interior de São Paulo, na cidade onde moro, com pouco mais de 200 mil habitantes, há dois clubes desse tipo, independentes, pujantes: A Prudentina e o Tênis Clube. E outros menos votados também. A Prudentina tinha futebol. Depois que parou, o clube disparou e hoje é um orgulho para seus associados.

Então, o que está faltando? O grito do Ipiranga, o dom Pedro I do Flamengo, aquele que vai chegar às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, gritar a seus acompanhantes o “laços fora” e proclamar a Independência do Futebol do Flamengo. E convocar a Nação para defender esse direito. Porque é de DIREITO que se trata. O DIREITO de cada rubro-negro voltar a ter orgulho de sua camisa e de seu time. O DIREITO de cada flamenguista de conquistar tudo, com a força de seus 35 milhões de torcedores apaixonados, abandonados pelos que comandam esse organismo, porque o Flamengo hoje é isso, um organismo esdrúxulo, uma criatura que, por ser um híbrido, é por conseqüência, estéril. O DIREITO de participar ativamente, através de um projeto que envolve apenas o futebol, que é praticamente a única paixão que move a maioria absoluta desses torcedores espalhados mundo afora.
Ninguém pode nos impedir de nos tornarmos sócios-torcedores, cidadãos rubro-negros, flamenguistas contribuintes ou seja lá que nome se dê a esse tipo de participante. Ninguém tem esse direito. Nem os poderes constituídos do clube que, se forem contra, não são torcedores do futebol do Flamengo. Sendo o futebol independente, para esses milhares ou milhões de rubro-negros deixa de ser importante ter ou não direito a voto no CRF. Basta ter gente profissional e competente construindo o projeto de futebol do Flamengo para conquistar o mundo, com o apoio financeiro dessa massa motivada. E os atuais sócios vão continuar a votar com exclusividade para comandar o clube recreativo, faze-lo crescer e modernizar-se.
Será que não é claro o bastante para todos que essa é a solução ideal para todo mundo?

sexta-feira, 22 de maio de 2009


PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib

É galera, está difícil de digerir a derrota de quarta. Pra falar a verdade, já não sei mais se é melhor perder jogando bem ou se é mais fácil de aceitar quando nos comportamos como mulambada. Fato é que fomos superiores ao Inter nas duas partidas, mas a classificação não veio mais uma vez fruto de erros bobos e individuais.
Estou tentando virar a página, já que é preciso, pois o Brasileirão está aí e creio que se tivermos o mesmo comportamento que nessas duas partidas, temos sim boas chances.
Tudo bem que Mengão é muito mais, concordo plenamente, mas futebol é um jogo, e como tal, tudo pode acontecer, não há muita justiça. Por isso, não condeno o pensamento de que caímos de pé, pois foi o que realmente ocorreu. Poderíamos perfeitamente ter conseguido a classificação e aí, vilões seriam heróis. Portanto, mesmo estando com a cabeça bem inchada, mesmo muito frustada com tudo que tem acontecido com o Flamengo nos últimos anos, minha paixão não permite jogar a toalha e por isso temos que acreditar e apoiar sempre ,seja o time que for, porque se nós, apaixonados torcedores, não apoiarmos, quem irá fazer?
É claro que gostaria de levantar o caneco em todas as competições, é claro que gostaria de ser mais que hexa, mas não iremos ganhar sempre, e por isso mesmo que a disputa é tão emocionante, tão valorizada, porque temos também grandes adversários, e temos que reconhecer isso também. Pra mim, o Mengão é, como diz o Arthur, o Fuderosão, o melhor do Mundo, o maior, o inatingível, mas isso, pra mim, ou melhor, pra nós, apaixonados torcedores. Fato é, que o Mengão só é tão grande, por ter batido no decorrer desses mais de 100 anos, adversários também grandes, que honrraram nossas conquistas.
Conordo também que precisamos de reformulações já. Mas já vejo alguns avanços no modo de gerir o clube. Como já disse aqui anteriormente, não gosto muito de opinar com relação a direção do Fla, já que não estou no dia a dia do clube, mas vejo coisas boas ,como por exemplo a manutenção de um time base, por mais que agora tenhamos críticas a fazer em relação a alguns jogadores, muitas coisas boas já conseguimos com eles. E anteriormente, essa era uma crítica nossa, se montava e desfaziam times como se num piscar de olhos.
Atualmente, nosso ponto fraco tem sido o ataque, e pra isso melhorar, temos agora a chegada do Imperador, o que poderia ser melhor que isso?? Acho que melhor só se surgisse um novo Zico na Gávea, coisa que hoje em dia é cada vez mais difícil de ocorrer.
Portanto galera, me desculpem se pareço apenas uma torcedora otimista, mas pra mim sempre será assim. Críticas sim, mas apenas as construtivas, porque pra derrubar o Mengão já tem muita gente por aí.
Eu quero é torcer, vibrar, comemorar, me divertir e estar ao lado do Mengão sempre, na alegria e na tristeza.
Vamos Flamengo...


Pelos becos da Gávea.

O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.

Sobre as contratações que o Flamengo vem fazendo nas últimas semanas de jogadores desconhecidos de times de menor expressão, O Sombra ouviu uma conversa onde esses jogadores vem para o Flamengo ganhando o mesmo salário que recebiam nos times de origem.

Durante 3 meses eles treinam no Flamengo e tentam, como o Sombra ouviu da boca de um dirigente do alto escalão: "comer a grama nos treinos".

Caso sejam efetivados, o Flamengo compra 50% do passe desses jogadores e os outros 50% continuam com o clube anterior. Caso não, voltam para seus clubes.

Atrás de mais informações, o Sombra descobriu que os salários geralmente não passam de R$ 10 mil . É o caso de Aleíson e Flamel.

Sobre Petkovic, o sombra também ouviu da boca do jogador que ele "vai correr muito pra ser titular, porque ele sabe que nesse elenco do Flamengo, se ele quiser, ele é titular, pois é um dos meias mais habilidosos do futebol brasileiro".

O Sombra tudo sabe.
O Sombra tudo vê.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O bom e o ótimo

Não tem como deixar de ressaltar que o time foi guerreiro. Lutou, buscou, não se acovardou. Foi melhor do que Internacional nas duas partidas, ressaltando as boas atuações de todo o sistema defensivo. Mas, principalmente no jogo do Rio, não teve um ataque competente nas conclusões e agora está fora da Copa do Brasil. Justo? Não cabe mais discutir essa questão. A verdade é que quem foi competente seguiu, quem não foi está voltando para casa.

Com a visão de quem esteve em Porto Alegre vendo o time de perto, sofrendo no estádio, espremido no ridículo espaço destinado ao torcedor Rubro Negro, não consigo me contentar com os aplausos à bravura da equipe ou me apoiar na idéia de que “caímos de pé”. Tudo isso é muito pouco para a grandeza do clube.

Futebol é resultado, é conquista, não apenas intenção, vontade.

E por isso, mesmo ainda com a dor da derrota bastante evidente, vale a pena refletir um pouco sobre o que podemos esperar desse Flamengo.

Ainda que uma ou outra peça não esteja mais no clube, penso que o auge da base dessa equipe e principalmente desse sistema de apoio dos laterais ocorreu na Copa do Brasil em 2006. De lá para cá já temos alguns tropeços, uns significativos, outros nem tanto, mas que vão pouco a pouco minando a paciência, a credibilidade, a confiança de quem torce pelo time.

E algo que eu mesmo demorei a perceber e que hoje vejo com muito mais clareza, é que o torcedor do Flamengo em geral está se contentando com o “bom”. O momento não é dos melhores para tal, mas é necessário reviver certos fantasmas para refletirmos sobre.

Libertadores 2007. O Flamengo joga em Montevidéu uma de suas piores partidas nos últimos tempos. Perde para o aguerrido, mas limitado time do Defensor por 3 x 0, fora o olé. No jogo da volta, o Flamengo foi valente, correu, suou, esbarrou na retranca adversária e na péssima atuação do arbitro. Fim de jogo, desclassificação. E o sonho de mais uma libertadores foi embora. E não aconteceu mais nada, simplesmente abaixamos a cabeça, aceitamos que “foi bom, quase deu”, e a vida seguiu.

E a vida seguiu novamente na famosa arrancada do Brasileirão. Saímos da zona de rebaixamento ao terceiro lugar, conquistamos de forma brilhante uma vaga na Libertadores do ano seguinte. “Que bom”, “Que recuperação”, “Joel é nosso salvador”, comemoramos!

E seguiu pós vexame contra o América do México.

E já estamos seguindo pelo mesmo caminho após mais essa desclassificação para o Internacional.

Mas “O time foi guerreiro” - E foi mesmo, muito!


Mas “O time segurou o poderoso Inter” - Sim, com extrema competência do quarteto Angelim, Toró, Airton e Willians.


Mas “Quase deu”- Mas o fato é que não deu.


Não concordo mais com essa postura. Precisei estar no estádio ontem e ver isso pessoalmente para ter essa consciência. E gostaria que entendessem que essa mentalidade é sim muito aquém do que é (ou pelo menos deveria) ser Flamengo em essência.

Não tenho a menor moral para vir aqui e ditar como cada um deve enxergar sua forma de torcer pelo clube. Mas, reflitam: O Flamengo é muito maior do que esse “nada” que estamos nos acostumando a comemorar. Lutar dentro de campo em partidas decisivas, chegar em terceiro na principal competição nacional, fugir de zona de rebaixamento, ou fazer duas boas partidas contra a melhor equipe do Brasil no momento, tudo isso diante da grandeza do Flamengo, não é rigorosamente nada.

Estamos nos contentando com o que parece ser bom e deixando de pensar no que é ótimo.

Solução? Só vejo uma. O Flamengo precisa se refazer. Esse time tem uma base formada há algum tempo, e altamente dependente de um único padrão de jogo, que é atuar com os laterais. Se fosse apenas isso, já seria um enorme problema, não seria fácil alterar esse padrão tendo os jogadores que o elenco do Flamengo proporciona, com as características que cada um possui. Mas pior do que isso é a marca que muitos desses jogadores estão deixando.

Todos têm grandes qualidades, não se pode questionar isso. Muitos estão valorizados, com o mercado europeu mostrando interesse e talvez nem permaneçam após a janela de transferências.

Mas já que não os vejo levantando taças dignas com a grandeza do Flamengo, já que não marcam o imaginário do torcedor fazendo, a nosso favor, o gol da classificação aos 44 do segundo tempo de um jogo dificílimo, fica a imagem do cara que perde pênalti, abandona treino em semana decisiva, mostra desatenção em partida decidida em detalhes, do goleiro que toma gols discutíveis, do jogador que fez uma falta desnecessária, do jogador que perdeu todas as divididas na partida, entre outras.

Para essa base, e prefiro não citar nomes pois me parece muito óbvia, quero crer que o ciclo no Flamengo tenha acabado definitivamente. Não consigo mais criar expectativas sobre o futebol destes. E o máximo que conseguimos sentir é essa sensação do “quase”, a de que, mais uma vez, “faltou pouco”.

Se o Flamengo não quer ver o dourado da estrela que, com muito orgulho carrega no peito, se desbotar cada dia mais, precisamos urgentemente de renovação, dentro e fora de campo!

Precisa de verdadeiro gosto por títulos, gana de vencedor.

Precisa voltar a ser Flamengo.


Grande abraço e Saudações Rubro Negras, sempre!

Queremos respostas
Por Vinicius Paiva

Foi com o mais absoluto estarrecimento que abri, no sábado passado, a revista FUT, vinculada ao diário Lance. Nela, consta excelente reportagem de capa a respeito da difusão dos projetos de sócio-torcedor entre os clubes brasileiros. Antes de explicar o porquê da minha indignação, relatemos um pouco das informações contidas na reportagem, apenas para termos ideia da magnitude dos números envolvidos.

Naturalmente o foco central da reportagem é o Internacional de Porto Alegre (logo quem, hein?). Os colorados, que afirmam terem ultrapassado a casa dos 83 mil sócios-torcedores, encabeçam o ranking dos projetos de sucesso deste gênero no país. Em muitos casos, o torcedor sequer pisa no estádio, como acontece com a garotinha Clarice, associada de Campina Grande, na Paraíba. A intenção destes torcedores é se aproximar e colaborar de fato com aquele clube que, a partir de 2003, passou a tratar sua torcida como um verdadeiro cliente, oferecendo estrutura, conforto e comodidade. E títulos. O número de associados pulou de 5 mil em 2003 para os 83 mil atuais, e as receitas do clube cresceram em proporção geométrica. Em 2006, os sócios geraram R$ 11,9 milhões anuais ao Inter, saltando para R$ 25 milhões em 2008 e com a expectativa de se atingir a marca de R$ 34 milhões em 2009. Os frutos colhidos pelo clube nas competições, após esta verdadeira onda colorada, eu absolutamente me abstenho de comentar. Principalmente hoje.

Mas não é só do Beira-Rio que vem o exemplo. No quadro abaixo, compilo um resumo dos projetos de associados pelos grandes clubes brasileiros em diversos estados:


Clube/Nº de torcedores/Nº de Associados/% de Associados/Mensalidade
AtléticoPR/900 mil/22 mil/2,4%/R$ 50
Botafogo/2,7 milhões/12 mil/0,44%/R$ 55
Fluminense/2,2 milhões/7 mil/0,32%/R$ 30 a R$50
Grêmio/6,4 milhões/50 mil/0,78%/R$ 30
Santos/4,9 milhões/4 mil;/0,08%/ R$ 53
Corinthians/24 milhões/20 mil/0,08%/R$ 6 a R$ 75


Isso sem contar o Avaí – o pequeno e simpático time de Floripa – que mal ultrapassa a marca de 100 mil torcedores, mas que já atingiu a fabulosa quantidade de 10 mil sócios-torcedores. Isto representa cerca de 10% de sua torcida cadastrada e associada. Um assombro.

Fora do Brasil, então, nem se fala. Foi lá que surgiu o modelo, e é lá que os clubes mais colhem os frutos desta verdadeira sinergia clube-torcedor. Na Inglaterra, a taxa de ocupação do estádio nos jogos do Manchester United atingiu os 97%. São 75.000 torcedores em média por jogo, gerando uma receita por partida de aproximadamente seis milhões de euros (quase R$ 17 milhões). Nada mau se considerarmos que até a temporada 1992/1993 – anterior à criação deste tipo de projeto por lá – o campeão de bilheteria atraía apenas 37 mil torcedores por jogo. De Portugal, vem outro exemplo de vulto: o Benfica, campeão mundial em número de associados, com 178 mil apaixonados. A visão do torcedor como cliente é tão aguçada que, por lá, se oferecem vantagens quase que inacreditáveis aos torcedores. O benfiquista que quiser comprar um automóvel da Citroen ou da Suzuki, por exemplo, ganhará, respectivamente, abatimento de 21% e 10% no valor do carro.. Isto equivale, no Brasil, a comprar um automóvel Citroen C3 de R$ 35 mil reais com SETE MIL REAIS DE DESCONTO. Vale ou não vale a pena?

Diante disto tudo, não haveria dúvidas a respeito do quão valiosas são as parcerias entre os clubes e suas torcidas, justificando de maneira indefectível a adoção de projetos de sócio-torcedor por todo e qualquer clube brasileiro, certo?

Errado.

Na reportagem, há um quadrinho que trata especificamente da “questão Flamengo”. Do porquê o clube com maior torcida do Brasil – e portanto, maior potencial de alavancagem de receitas – não possuir um projeto do tipo.

E foi aí que eu não acreditei no que li.

Segundo Luis Fernando Pozzi (who?), gerente de marketing do Flamengo, “Criar um plano de associados não é interessante para nós”. Não para por aí. “Fizemos uma pesquisa para ver se um programa desses valeria a pena. Chegamos à conclusão que daria prejuízos”. A reportagem conclui dizendo que “o Flamengo estuda lançar o programa Cidadão Rubro-Negro, um cartão de fidelidade para os fãs fora do Rio de Janeiro, cujos pontos acumulados nas compras na rede credenciada poderão ser trocados por prêmios”.

Deixe-me ver se entendi. O máximo que o Flamengo faz é cogitar lançar um projeto de troca de pontinhos por prêmios? Projetos de sócio-torcedor estão descartados pelo clube?? Ora, mas não foi bem isso que o sr. Ricardo Jorge Hinrichsen Junior, VICE PRESIDENTE DE MARKETING DO FLAMENGO, afirmou, em entrevista à minha pessoa, no dia 01/02/2008. A íntegra pode ser conferida no link: http://www.flamengorj.com.br/coluna.asp?codColuna=276 . Transcrevo, pois, a parte em que o vice-presidente do Flamengo trata da questão do projeto “Cidadão Rubro-Negro”:

“(...) Temos um projeto que vislumbro há quase dois anos, desde que entrei, chamado “Cidadão Rubro-Negro”. Não se trata apenas de um projeto de sócio-torcedor, vai muito além, pois eu queria algo totalmente diferente, que fosse muito mais do que um simples nome e cadastro do torcedor. O projeto se baseia em tecnologia, e por conta disso já foi modificado várias vezes. Com as novas tecnologias, como as que utilizam celular como meio de pagamento, eu acho que finalmente agora vai. Temos que ser cuidadosos para não acontecer o que aconteceu com outros clubes que lançaram projetos de sócio-torcedor e não foram bem sucedidos exatamente por conta de ter havido uma precipitação.”

Fica bem claro que o senhor Ricardo Hinrichsen trata o projeto “Cidadão Rubro-Negro” como um projeto de sócio-torcedor. Ou mais do que isso, já que o intuito era “ir além”. Considerando que um gerente de marketing seja um subordinado ao vice-presidente de marketing, ficam as perguntas:

1) Como pode um subordinado contradizer as palavras de seu próprio superior hierárquico?
2) De fevereiro de 2008 até o presente momento, a vice-presidência de marketing do Clube de Regatas do Flamengo mudou de opinião com relação ao lançamento de um projeto de sócio-torcedor, é isto?
3) Que diabos de pesquisa é esta que concluiu que um projeto de sócio-torcedor no Flamengo “não valeria a pena”? Foi encomendada a quem? Por que a mesma não teve a devida publicidade?
4) ATÉ QUANDO A DIRETORIA DO FLAMENGO VAI REMAR CONTRA OS ANSEIOS DA IMENSA MAIORIA DE SUA TORCIDA, ÁVIDA POR SE ASSOCIAR AO CLUBE, GERAR RECEITAS E NOS RECOLOCAR NO CAMINHO DAS VITÓRIAS E DOS TÍTULOS DE IMPORTÂNCIA?????


Se o Flamengo atingisse míseros 0,08% de sócios-contribuintes, como no caso do Santos e do Corinthians - e considerando um valor fictício R$ 50 (cobrado por boa parte dos clubes), arrecadaríamos R$ 1.400.000,00 mensais. Quase R$ 17 milhões anuais. Já se atingíssemos um percentual de 1,5% da torcida (próximo ao conseguido pelo Internacional, onde 1,7% dos torcedores são sócios), o projeto nos catapultaria a receitas de R$ 26 milhões mensais, R$ 315 milhões anuais. Dívida paga em um ano.

Este exercício está longe de ter semelhança com aquela velha lenga-lenga de “se cada torcedor do Flamengo der um real, blá blá bla”. Não. Baseei-me em fatos. Em percentuais empiricamente verificados nos projetos de sócio-torcedor de outros clubes brasileiros. Excluí, na melhor das hipóteses, 98,5% dos torcedores do Flamengo da amostra daqueles que estão decididamente dispostos a contribuírem com o clube, pois é assim que estes projetos funcionam. Diante destes números, e dos questionamentos elencados acima, este espaço está aberto a possíveis direitos de resposta.

Isto se houver um mínimo de preocupação com relação às demandas da torcida do Flamengo, naturalmente.

E que sejam bons argumentos. Não topamos qualquer negócio.

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com