quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Feliz Mengo Novo
Eu estava na arquibancada do Couto Pereira, vendo o Flamengo desmoronar diante do Coritiba, e - perdão, meu São Judas Tadeu - cheguei a pensar: - Esse resto de 2009 será longo e sofrido...
Mas ainda havia muito Flamengo para acontecer em 2009. Tanto, e de tal modo, que sentiremos saudade. O ano do penta-tri, do bi no basquete, da volta de Adriano e da ressurreição de Petkovic. O ano do hexa. O ano, como outros velhos anos, do deixou chegar, fudeu.
Por isso, é hora de desejar um feliz ano novo. Na verdade, um feliz Mengo novo. O time será outro, inevitavelmente outro. Airton Sparta já foi, Zé Boteco quase indo, e os mexicanos chegaram uma caçamba de grana no Everton. Será preciso reconstituir um pedaço do time vitorioso, e no futebol, reconstituir pode ser mais difícil do que constituir.
Que seja um Mengo feliz como foi esse da reta final do Brasileiro, esse que calou o Parque Antártica e o Mineirão e fez cantar o Maracanã tantas vezes.
Mas recordar é viver, pois não? Deixo aqui um presente para todos os rubro-negros. É a foto que fiz na final, lá atrás do gol, no alto da arquibancada. Eu nem estava tirando fotos do jogo, havia tirado uma única até então, mas quando o Pet ajeitou a bola no córner, liguei a câmera e foquei na grande área. Fiquei olhando por cima do visor e, quando a bola pingou na muvuca, cliquei. Só vi que tinha feito a foto um tempo depois, quando virei para Alex do Triplex, ainda enxugando as lágrimas, e disse: - Olha a foto que eu fiz!
A foto virou banner do nosso blog, e hoje @eusouflamengo tuitou a foto. Pego emprestado o link e divido com vocês a foto em alta, aqui.
E assim, me despeço de 2009. Irmãos rubro-negros, bom demais estar com vocês nessa história toda. E feliz Mengo novo para todos nós.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Olá, saudações HEXACAMPEÃS a todos. Com o desfile de craques do Jogo das Estrelas de domingo passado, foi impossível deixar de lembrar outro momento maravilhoso, ocorrido há pouco menos de 15 anos atrás. No final, há link para um vídeo com imagens do jogo. Aproveito para desejar a todos um Feliz 2010, com muita paz, saúde, e que o Mengão continue nos fazendo felizes. O primeiro Flamengo x Amigos do Zico 1985. O Rio de Janeiro está mais lindo. A cidade está em festa, tingida de vermelho e preto, o sol brilha mais forte, as festas são mais barulhentas e animadas, uma atmosfera de alegria e felicidade parece permear a tudo e a todos. Não se fala noutra coisa. Zico voltou. Após uma delicada negociação que durou meses e penou repleta de idas e vindas, finalmente se conseguiu viabilizar o retorno de Zico ao Flamengo. Com o apoio de várias empresas e contando com a decisiva vontade do jogador (que recusou propostas de clubes como Barcelona e Borussia Dortmund), montou-se uma ousada operação, o chamado Projeto Zico, para que o Galinho retornasse ao seu recôndito, à sua casa. Confirmada a contratação, a cidade literalmente parou para abraçar seu ídolo, com direito a estrondoso desfile em carro aberto, emocionada entrevista de retorno, produção de um filme alusivo ao evento (tudo bem, um filminho prosaico, vá lá...), música nova de Moraes Moreira e principalmente a realização de um amistoso cuja renda serviria para amortizar os custos da contratação. Nesse jogo, o Flamengo, turbinado pela presença de seu novo reforço, enfrentaria uma seleção de craques. Antes disso, Zico mostrou estar em plena forma, comandando a Seleção na difícil campanha das Eliminatórias para a Copa, onde o Brasil eliminou o forte Paraguai e a perigosa Bolívia, com direito a um gol antológico na partida em Assunção, um dos mais belos de sua carreira, ao receber um passe na corrida e corrigir o quicar rebelde da bola com um suave meneio de calcanhar e, sem interromper a passada, emendar de primeira sem defesa para o incrédulo Fernandez. Classificação para a Copa carimbada, era hora de voltar ao Flamengo. O rubro-negro retornaria à disputa da Segunda Fase do Campeonato Brasileiro, após a paralisação para as Eliminatórias. A equipe estava em uma chave onde o adversário mais temido era o Bahia, sensação da Primeira Fase. Os demais, Brasil de Pelotas e Ceará, não assustavam. No entanto, o time não vinha convencendo. Após um bom início, onde conseguiu a classificação
para a Segunda Fase, o time de Zagallo caiu muito de produção e passou a acumular preocupante número de derrotas. O setor mais criticado era o ataque, onde o limitado Chiquinho (artilheiro do Campeonato Paulista em 84, contratado para substituir Nunes) sentia o peso da camisa e não engrenava, o experiente Tita vivia problemas de relacionamento com alguns jogadores e já não era tolerado pela maior parte da torcida e o jovem Bebeto ainda não conseguia exibir regularidade compatível com seu reluzente talento. O início na Segunda Fase também não havia sido animador, com difíceis empates no Nordeste contra Ceará (1-1) e Bahia (0-0) e uma pálida vitória no Maracanã (1-0) contra o Brasil de Pelotas. Era pouco, muito pouco para uma equipe que possuía um dos melhores elencos do país. Faltava alguma coisa, uma chama, uma centelha. E é nesse contexto que Zico aparece. O amistoso de reestréia é marcado para uma sexta-feira à noite, encaixado na marra em meio ao Brasileiro. De um lado, o Flamengo de Zico, agora novamente com Zico. Do outro, um timaço com as presenças de craques como Falcão, Sócrates, Toninho Cerezo, Edinho, Branco, Júnior, Roberto Dinamite e Éder. Praticamente a Seleção de 1982 remontada, com um reforço de peso: Diego Maradona. No banco, Telê Santana, naturalmente.
Cerca de 40 mil pessoas, um público excelente (pouquíssimos jogos no Brasileiro superaram essa marca), vão ao Maracanã saudar o retorno de seu ídolo maior. Os Amigos de Zico entram em campo com um sugestivo uniforme de camisas amarelas e calções azuis, lembrando a Seleção Brasileira. E realmente em campo está uma seleção, uma constelação de craques. Todos em pleno ritmo de jogo, às voltas com a disputa do Brasileiro ou das Eliminatórias, encerradas recentemente. Mas, ao iniciar a partida, é o Flamengo quem esquece o cansaço (atuara dois dias antes pelo Brasileiro) e parte pra cima. Todos estão vivamente motivados com a presença do seu Camisa 10, que parece nunca ter saído do time. Encaixa-se como uma luva à equipe. Craque se encaixa em qualquer lugar. Começa a distribuir passes refinados e lançamentos açucarados, que Chiquinho se esmera em desperdiçar, levando ao desespero a animada Nação. O trio Andrade, Adílio e Zico está lá, novamente junto, dando as cartas e não tomando conhecimento do estelar adversário, fazendo o goleiro Paulo Victor trabalhar intensamente. Até que o Galinho pega uma bola pela direita e faz menção de bater a gol, mas a bola sai mascada e Chiquinho (novamente) não consegue aproveitar a sobra, mas Tita está atento e empurra pro gol. Flamengo 1-0. Feliz, a torcida parece rever um filme maravilhoso, que ficara dois anos guardado em alguma prateleira empoeirada. E canta, como se fosse o último jogo de sua vida. O jogo segue, o Flamengo continua fazendo a sua melhor partida do ano. Nem nos 6-1 contra o Botafogo (mais obra da absurda atuação de Adalberto) a equipe havia mostrado uma evolução tão desenvolta, tão perfeita técnica e taticamente. Amplia, com Marquinho. Falcão, Júnior, Sócrates e Maradona parecem apenas garotos promissores perto do volume de jogo flamengo. Não fossem Paulo Victor e Chiquinho, os Amigos de Zico estariam sofrendo uma goleada nada amigável. Zico, inteiramente à vontade em sua nova velha casa, segue pintando seus quadros e servindo manjares aos companheiros. E fazendo Paulo Victor sofrer. Vem a segunda etapa e as alterações naturais e esperadas. O ritmo do jogo cai. Zico permanece em campo, mas agora está circundado por Hêider, Júlio César, Nem, Vinícius e Ronaldo Torres (que anos mais tarde seria preparador físico). Os Amigos do Zico começam a pressionar o gol de Cantarele (que entra no lugar de Fillol). Mas, quando o gol adversário parece iminente, há uma falta na extrema esquerda. Um “córner de calça curta”, diriam os cronistas. Zico ajeita, o natural é cruzar. Mas o Galinho tem outros planos.
Quando soa o apito, o Camisa 10 da Gávea inova e assombra. Bate fechado. A bola parece ir no primeiro pau, mas no meio do caminho muda de idéia e se dirige ao gol, obediente. Aparvalhado, o goleiro Gilmar Rinaldi (que substitui Paulo Victor) não sabe como ir na bola, que entra serelepe na exata forquilha do primeiro pau, precisa, incisiva, geométrica. Um espetáculo inacreditável, um gol de falta absurdo. Flamengo 3-0. Zico está, definitivamente, de volta. Após o escandaloso gol de Zico, pouco há mais a fazer, a mostrar. Os jogadores sentem o desgaste e passam a tocar bola e tentar lances de efeito. E o amistoso se encaminha para um tranqüilo desfecho, quando de repente irrompe na beira do campo o atacante Jacozinho, do CSA de Maceió-AL. Picaresco e folclórico, Jacozinho é objeto de várias reportagens humorísticas no Globo Esporte da época, que o alçam à condição de celebridade instantânea. O irrequieto nordestino entra no lugar de Falcão e, logo em seu primeiro lance, recebe de Maradona na corrida, dá belo drible em Cantarele e toca pro gol vazio. A torcida flamenga, que andava meio acomodada, vibra e ri com a ousadia de Jacozinho, que aproveita intensamente seus quinze segundos. E, após esse breve sobressalto, nada mais acontece e o jogo termina mesmo em 3-1 para o renascido e renovado Flamengo.
Abre parênteses: a participação de Jacozinho na partida gerou várias reclamações de Zico e dos organizadores do evento, visivelmente incomodados com a presença do jogador. Isso gerou vários comentários eivados de ressentimentos e recalques, dando conta de que o Galinho estaria “enciumado” com o sucesso de Jacozinho. Mas o que as cassandras ignoravam, ou fingiam esquecer, é que a irritação decorreu do fato de Jacozinho ser um “produto” da TV Globo, colocado “na marra” para participar de um evento promovido pela TV Manchete, que participou ativamente do “Projeto Zico”. O Galinho, ciente da manobra, chiou muito após o jogo. Mas com Jacozinho não houve ressentimentos, tanto que o Flamengo, semanas depois, enfrentou o CSA em Maceió e os dois posaram sorridentes para fotos. Ah, Zico devolveu a gentileza, comeu a bola e o Flamengo meteu 4-0. Fecha parênteses. Desde aquele 12 de julho, Zico foi arrebentado, renasceu, perdeu pênalti, foi dado como morto, ressuscitou de vez na epopéia do tetra brasileiro, despediu-se de sua Nação, abriu caminhos no Japão, foi secretário, ministro, cartola, treinador, e agora reúne anualmente um grupo de exemplares da mais alta estirpe da bola para 90 minutos de uma celebração ao amor, ao lirismo, à poesia e ao talento em estado bruto. Futebol sem limites, sem amarras, bem ao gosto dos amantes da bola.segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Missão Adriano 2010
Eu sei, não é hora de falar coisas sérias. Passamos semanas e mais semanas pensando só no Flamengo. Ou, para ser mais justo, pensando no Flamengo e nos tropeços de nossos adversários. Somos Hexa, é hora de descanso e de amenidades, de comentar a bela festa do Zicão que levou 70 mil pessoas ao Maracanã, de assistir as retrospectivas de nossos títulos conquistados em 2009. Então, se você não quer pensar em coisa séria, pare por aqui. Mas foi justamente assistindo o jogo do Rei Arthur que me veio a preocupação que passo a dividir.
Adriano chegou ao Maracanã em cima da hora hoje. Claro, ele não respeita os horários durante o ano, não será nas peladas festivas que se transformará em um pontualíssimo lorde britânico. Mas isso me fez lembrar de um assunto que estamos varrendo para baixo do tapete, entre os confetes e serpentinas do Hexa. Como controlar Adriano em 2010? O momento não é propício, porque as resenhas das revistas especializadas estão justamente exaltando o quanto o Flamengo foi compreensivo com Adriano e o quão necessário é deixá-lo livre para as festas na laje, para percorrer as vielas da Vila Cruzeiro na garupa de uma moto e para faltar os aborrecidos treinos de meio de semana.
Embora eu esteja muito grato ao Adriano, devo confessar que não acredito que foi essa liberdade dada pelo Flamengo que o tornou artilheiro do campeonato. Estou convencido de que as convocações para a seleção brasileira e, principalmente, a vontade do Adriano de estar na seleção brasileira foram os fatores responsáveis pelas doses de disciplina que o levaram a fazer a diferença no campeonato nacional. Ainda que a seleção tenha efeitos colaterais desagradáveis, como as contusões - o que muito nos prejudicou em 2009, pouco com Adriano, bastante com Kleberson e imensamente com Maldonado -, é pacífico que o Imperador se esforçou para mostrar ao Dunga que merece uma vaga na Copa.
Quando acabou o ano oficial da seleção, fora os amistosos para os quais Adriano sabia que não seria convocado, acabou o motivo da disciplina. Foi quando voltaram os atrasos para os treinos, e a história da carochinha do pé queimado numa lâmpada. A festa pelo título encobre a lembrança de que perdemos nosso principal jogador em uma semana decisiva. Essa é a minha tese: sem o freio da seleção brasileira, Adriano desembestou ladeira abaixo. Rememore-se, além da queimadura, as atuações apagadas em jogos fundamentais, contra Goiás e Grêmio.
2010 é ano de Copa, e isso por si só deverá bastar para Adriano se comportar de um modo minimamente profissional, e fazer os gols que precisaremos na Libertadores. Assim espero. Porém, já vazou aqui e ali que Dunga não gostou nem um pouco do comportamento de Adriano após o fim das eliminatórias, o que merece toda a atenção do Flamengo. Não podemos controlar Adriano cobrando respeito aos horários ou multando por atraso. Clubes bem mais estruturados falharam, e nós falharemos também. Só o que pode controlar Adriano é a sua vontade de jogar a Copa do Mundo, que deverá demonstrada na Copa Libertadores. É nisso que ele precisa acreditar. É isso que precisamos que aconteça.
sábado, 26 de dezembro de 2009
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Por Vinicius Nagem
Amigos do Blog da FlamengoNet,
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É Natal! Um sentimento de união e fraternidade percorre o mundo e nesta data tão significativa iremos apresentar a Embaixada que está localizada na capital potiguar - Natal. Esta oitava Embaixada que irá contar a sua história hoje aqui é a FLAPOTIGUAR , que iniciou suas atividades, preliminarmente, com o nome de FLANATAL.
Assim, aproveito a oportunidade para desejar a todos os irmãos rubronegros espalhados pelos diversos cantos do planeta, um Natal festivo e um 2010 HEXAGERADO de bom!
Natal - Uma paixão pé quente
* Assis Menezes Neto e Lucas Mesquita – Dirigentes da FLAPOTIGUAR
O ano era 2007 e o Flamengo freqüentava a zona de rebaixamento do campeonato brasileiro. Mesmo com alguns jogos a menos, não havia esperança de uma boa campanha. Apesar da situação desfavorável, um grupo de rubro-negros de Natal-RN decidiu reunir-se para ver os jogos do time em um bar e torcer pela salvação do maior do Brasil.
Um pequeno grupo se formou e, diferente de tantos outros, os integrantes cantavam o tempo inteiro, como se estivessem no estádio. Gritos, cantos, alguns mais exaltados que outros, provocando olhares de surpresa nas pessoas ao redor. Estava nascendo um movimento diferente na cidade: um grupo que transformava um simples boteco em um verdadeiro Maracanã.
Para surpresa de todos, o Flamengo reagiu no campeonato, em uma arrancada impressionante. A cada jogo, o número de torcedores aumentava. O bar ficava mais cheio, com duas, três, quatro mesas lotadas de rubro-negros, todos cantando, gritando e torcendo juntos.
A galera de Natal também faz a festa nos estádios. Contra o América-RN, no Brasileirão de 2007, 25 mil rubro-negros invadiram o estádio Machadão e fizeram o Flamengo se sentir no Maraca. Em Recife, nos jogos contra Náutico e Sport, o Flamengo sempre joga em casa, com o apoio de torcedores de todo o Nordeste, sempre com a participação dos potiguares.
Coincidência ou não, o Flamengo nunca mais foi o mesmo. Desde 2007, o time sempre esteve na frente na principal competição nacional, foi tricampeão estadual e montou ótimos times, sendo premiado com o grandioso e emocionante hexacampeonato brasileiro. Centenas de natalenses estavam no Maracanã no último dia 6 de dezembro, entre eles 13 da embaixada Fla-Potiguar. Fomos testemunhas de um momento histórico.
A embaixada
Em 2008, surgiu a grande chance de nos tornarmos uma Embaixada da Nação. Com o mesmo espírito que nos unimos em 2007, nos candidatamos com êxito para essa diplomação. A experiência de ir à Gávea, conhecer todas as dependências, ver de perto grandes rubro-negros como Márcio Braga e Evaristo de Macedo; conhecer a boca maldita, o campo da Gávea, a sala de troféus, o auditório de tantas apresentações de grandes jogadores, registros históricos de Zico e da geração de 80, foram sensações indescritíveis.
Ao receber o diploma do Sr. José Carlos Dias, depois de um discurso emocionado, aumentou ainda mais nosso orgulho de ser rubro-negro!E mais do que nunca, poderemos dizer “Conte comigo Mengão, acima de tudo Rubro-Negro”!
Um feliz Natal a todos e um 2010 com muito mais glórias para o mais querido!
São os votos da nossa Embaixada Fla-Potiguar/RN! (Natal/RN)
Saudações Rubro-Negras!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
O presente de Natal que não chega!
A torcida não suporta mais a demora em Zidane assinar contrato para ser reserva de Petkovic muito embora as negociações com Drogba tenham dominado o noticiário. Apesar disso, Palácio ainda é o nome favorito para fazer dupla com o imperador e reencontrar seu colega do Boca, Dátolo, na Gávea.
Tudo isso já seria o bastante se a diretoria não surpreendesse com a manutenção de apenas Mezenga como reserva de Adriano. Brás agiu rápido e ao que tudo indica Eto'o vem aí para fazer sombra ao artilheiro do brasileiro. Não chega a ser um nome ruim, mas ainda preferia que a diretoria insistisse com um pouco mais de carinho para a vinda de Messi. Seria bonito ver uma família junta nessa época do ano, né Maxi?
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É compreensível que a torcida esteja impaciente, que queiramos reforços, mas lembrem-se: já temos uma boa base. Mantendo 90% do elenco (e ao que tudo indica é o que ocorrerá) e com quatro reforços bons nosso time é fortíssimo em qualquer competição. Não esquentem com os reforços dos adversários.
Nos preocupemos apenas com o Flamengo.
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Uma coisa que preocupa nas negociações é a repetição do Efeito Wagner Love. Em 2008, Kléber Leite tentou insistentemente por um mês trazer a dupla Felipe - Love para substituir Renato Augusto & Marcinho. Melhor teria sido trazer gente com menos nome, mas que chegasse mais rápido. Da mesma forma, é melhor termos bons jogadores no início da temporada do que selecionáveis chegarem no meio e demorarem a pegar ritmo. Essa é minha única e pequena reclamação.
Na verdade, este é um natal muito feliz. Meu presente chegou mais cedo e ainda alegra minhas manhãs. Obrigado, Papai Noel Angelim.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Só pra não passar em branco
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Olá, saudações HEXACAMPEÃS a todos. Nessa semana, posto mais um episódio para a série “Grandes Jogos Internacionais”, dessa vez com o amistoso entre o Flamengo e o mitológico Honved, de Puskas, ocorrido em 1957. No final, um vídeo precioso, uma raridade que recomendo a todos. Então, boa leitura. Série Grandes Jogos Internacionais Flamengo x Honved – 1957 Imaginemos uma enquete: “qual a melhor seleção de todos os tempos?”, mas com uma ressalva: não vale nenhuma Seleção Brasileira. Certamente uma das mais lembradas será a Hungria de 1954, que apavorou o planeta. E se essa máquina de jogar bola, ou pelo menos a sua espinha dorsal, enfrentasse o Flamengo? E se o jogo fosse num Maracanã lotado? 1957, janeiro. O Rio de Janeiro ferve intensamente, vive o clímax do verão, prepara-se para o Carnaval que está logo ali. Mas antes dos festejos de Momo, um acontecimento já mobiliza a cidade: o Honved da Hungria irá excursionar ao Brasil. A antológica seleção húngara trucidou tudo o que encontrou pelo caminho entre 1950 e 1954, quando estabeleceu a espantosa marca de 32 jogos invicta, foi campeã olímpica e tornou-se célebre por massacres, biabas de sete, oito, nove em quem aparecesse. Na Copa de 1954 goleou todos os seus adversários (inclusive o Brasil) até esbarrar no destino e na Alemanha na final, naquela que é tida como a maior zebra da história das Copas.
Em 1956, os húngaros, mais amadurecidos, eram favoritos para a conquista da Copa de 1958. E a base de sua seleção era o Honved, time das Forças Armadas do país, que vivia sob sistema comunista. Seus principais nomes eram o goleiro Grosics, uma verdadeira parede, os habilidosos médios Boszik e Lantos e seu ataque devastador, comandado pelo irrequieto ponta-direita Budai, o rápido e driblador ponta-esquerda Czibor e o mortal atacante Kocsis, artilheiro da Copa de 1954 e especialista no jogo aéreo. Mas a grande estrela era ninguém menos que Ferenc Puskas, o Major Galopante, um dos maiores talentos que o futebol já produziu em todos os tempos, dotado de uma obscena intimidade com a bola, uma aguda capacidade de pensar o jogo e dono de duas verdadeiras armas nas pernas, capazes de disparar indefensáveis projéteis a gol, tornando a vida de goleiros adversários um escaldante inferno. No entanto, enquanto o Honved excursionava pela Europa, rebentou uma rebelião na Hungria, prontamente sufocada pelos tanques soviéticos. Revoltados, os jogadores húngaros não quiseram retornar ao seu país natal. Pressionada pelo governo magiar, a FIFA acenou com a ameaça de desfiliação do clube. Alguns países europeus se recusaram a receber a equipe. O jeito foi se voltar para praças alternativas. Assim, surgiu a oportunidade para o Honved se exibir em terras brasileiras. E o seu primeiro adversário seria o Flamengo. O rubro-negro vem em processo de renovação. Seu treinador, o paraguaio Fleitas Solich, enfrenta o desafio de remontar a equipe, que é apenas uma caricatura do Rolo Compressor tricampeão carioca, e que no ano anterior perdera a chance de conquistar o tetra. Para piorar, no início do ano algumas peças-chave estão fora de combate, como o médio Dequinha, o ponta-direita Joel e o ponta-esquerda Zagalo. O jeito é recorrer a garotos, como os jovens Milton, Luís Roberto, Edson e Moacir, completando a base formada pelo bom goleiro Ari, o aguerrido defensor Pavão, os velozes pontas Paulinho e Babá e os goleadores Evaristo e Henrique. Parece pouco, muito pouco para enfrentar os melhores do mundo. E com efeito, poucos imaginam algo diferente de uma sonora goleada do Honved, diante de um Flamengo improvisado. Causa arrepios a perspectiva de contemplar o tosco Tomires, zagueiro voluntarioso e dado a bicudas que nem sempre acertam apenas a bola, exercendo marcação sobre o cintilante Puskas. Ou do miúdo Babá, do alto de seu metro e meio, conseguindo algo diante dos cavalos de raça europeus. Vários críticos consideravam uma temeridade expor o nome flamengo à humilhação diante de sua torcida e de todo o país. Sábado, sol, 113 mil no Maracanã. Mais do que um jogo, temos um acontecimento social. Presentes às tribunas, o presidente Juscelino Kubitschek, o prefeito
Negrão de Lima e o Cardeal Dom Hélder Câmara, entre outras autoridades, celebridades e bicões. O público parece resignado a apenas assistir aos húngaros. Torce só para que o Flamengo faça papel digno. Mário Vianna apita. Imagina-se que os húngaros partirão pra cima, conhecidos que são por abrir logo dois gols de vantagem em seus jogos. Mas é o Flamengo quem agride. Ninguém entende nada, o rubro-negro começa a criar uma chance atrás da outra. Fleitas Solich, paraguaio que conhece a alma flamenga como poucos, arma o time numa tática suicida. Quer o Flamengo pressionando, sufocando. Afinal, o jogo é no Maracanã. Valentes, os comandados do “Feiticeiro” cumprem seu plano à risca e transformam em estupefação o que era apenas surpresa. O jovem Moacir surpreende Grosics e abre o placar. Com o gol, o Flamengo passa a evoluir em campo, inteiramente à vontade. A garotada rubro-negra toca uma correria alucinada e harmônica, que transtorna a defesa européia e frustra os abutres da crônica esportiva. O Flamengo não tem um maestro, ninguém que pense o jogo. Em compensação, atira-se à bola com a volúpia dos conquistadores. A magnitude e a grandeza do adversário, longe de intimidar, serve de combustível para a meninada de Don Fleitas. Atônitos, os húngaros, acostumados a serem recebidos com reverência e pavor, não conseguem lidar com a sufocante pressão de um bando de pivetes. Sim, senhores. O Manto Sagrado está jogando sozinho, empurrando, massacrando, bombardeando a meta de Grosics. E vai empilhando gols: o mortífero Evaristo e o certeiro Henrique ampliam, ensaiam a goleada. Num lance isolado, os húngaros diminuem, mas o primeiro tempo termina com vistosos 3-1 a favor do Flamengo. A numerosa platéia não sabe como reagir. Viera preparada para contemplar os gringos, mas assiste a um show flamengo.
“Vão virar, os húngaros são os bons”, alguns corvos ainda praguejam. Mas no segundo tempo Fleitas Solich dá o golpe de misericórdia. Lança a dupla Dida e Duca, vai aumentar a correria (em amistosos, substituições eram permitidas). Mas o Honved, refeito do susto, volta mais precavido, começa a mostrar seu belo futebol, repleto de passes de efeito, deslocamentos em velocidade, lançamentos longos. Realmente se trata de uma monumental equipe, de futebol muito refinado. O jogo se torna um maravilhoso duelo entre os virtuosos húngaros e os intrépidos, velozes e destemidos flamengos. E, em que pese o talento de Pavão e a volúpia quase assassina de Tomires, as defesas são inteiramente dominadas pelos ataques. E assim começa o espetáculo: cada vez que o Flamengo retoma a bola, de imediato solta sua cavalaria. Dida, Duca, Paulinho e Babá fazem cada húngaro sentir saudade de sua terra natal. Principalmente Babá, o xodó da torcida. O minúsculo cearense incorpora um personagem de desenho animado, arrasta a bola como um camundongo, rabisca afrescos pelo meio de uma floresta de pernas e chuteiras adversárias. A zaga do Honved tenta pará-lo com chutes, vassouradas, porretes, tiros de revólver. Mas Babá é uma barata chata, recusa-se a morrer. E arranca caudalosas risadas de uma torcida que já não se incomoda em torcer e vibrar por seus heróis. E os gritos da nação flamenga são decisivos, inebriam o time, volta a se estabelecer o imbatível elo entre o Flamengo e sua gente, que nada nem ninguém é capaz de derrotar.
E a magia flamenga volta a se traduzir em gols. Paulinho e Dida ampliam, o Honved desconta, mas Evaristo, um dos mais letais atacantes que o futebol brasileiro já produziu, crava o sexto punhal nas redes magiares. O Flamengo vai vencendo por imorais, devassos, despudorados SEIS a DOIS. Atiram-se chapéus para o alto, desconhecidos se abraçam, gargalham. Humilhado em seu amor-próprio, o Honved parte pra cima como uma besta ferida de morte. E silencia os mais apressados com minutos da mais pura arte da bola. Puskas endemoninha-se, marca dois gols, o Honved agora é todo pressão, o Flamengo responde em contragolpes, os minutos finais se tornam uma épica batalha, uma ode ao futebol bonito e bem jogado, o merecido clímax de um verdadeiro espetáculo. Mário Vianna fecha as cortinas. Final, Flamengo 6-4 Honved. Flamengo e Honved ainda iriam se enfrentar mais quatro vezes (duas vitórias húngaras, uma flamenga e um empate, esses dois últimos na Venezuela). Mas esse primeiro jogo do Maracanã deixaria marcas profundas. Um grupo de jovens jogadores flamengos, defendendo com ardor seu Manto Sagrado, mostrava que, livre do medo e do respeito excessivo, o futebol brasileiro era bem mais do que mero coadjuvante. Era o melhor do mundo.sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Aqui é assim. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. E pra todos terem noção do poder do cara, olha quem ganhou um dos primeiros exemplares do livro.
Por Vinicius Nagem
Amigos do Blog da FlamengoNet,
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FLAJOINVILLE – O FLAMENGO COM SOTAQUE ALEMÃO
* Mauricio Koech Branco - Presidente da Flajoinville.
Como começar um texto em que devo falar de um grande acontecimento? De uma nova fase para o maior clube do Brasil? Fase essa que fez renascer um pouco do CRF em cada cantinho do país? Muitas das atuais Embaixadas começaram pequenas, algumas com 100, 200 torcedores somente , sem muita idéia de que chegariam a colocar num mastro instalado na frente da Gávea, a bandeira de cada representação regional. Não imaginávamos que esse movimento que começou inicialmente com 5 Embaixadas nomeadas e depois foi se ampliando até chegar nas 34 atuais, teria tanto reconhecimento e expressão mundial. Ninguém tinha a menor expectativa de que seria fechado pelo Flamengo, um patrocínio sólido e pé quente que nos trouxe logo o Hexa no primeiro ano de parceria e que hoje as Embaixadas fazem parte dos planos de marketing da Olympikus para um futuro próximo.
A história do fundador da Flajoinville começa em 13/09/1982 quando nasceu em Vitória no ES: Mauricio Koech Branco, como não era pra ser diferente, veio ao mundo Flamenguista, assim como seus pais, irmãos e vários amigos.
Depois de passar por Mogi Das Cruzes-SP, Florianópolis-SC, chegou em Joinville em agosto de 2002, para residir definitivamente. Enquanto andava pela cidade ficava impressionado com tanto flamenguista que via trajando o manto sagrado pelas ruas, parecia que estava circulando por qualquer bairro do Rio de Janeiro.
Saudações Rubro Negras.
RUMO AO HEPTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!!!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Meus parabéns, Andrade. Você renovou. Essa era a melhor decisão não só para o Flamengo, mas para a sua carreira. Sei que não é justo que justamente (sic) com você comecem a controlar os salários de profissionais na Gávea, mas veja pelo lado bom: há menos motivos para atrasos salariais e um pouquinho menos de pressão nas suas costas.
O próximo ano promete.
Apesar de todos os problemas estruturais o Flamengo nunca começou um ano tão bem. Temos uma base campeão brasileira, a torcida está feliz e apaixonada como nunca e o clube parece unido politicamente como nunca vi antes.
O desafio da diretoria é estruturar o clube, acabar essa novela chamada CT, manter os salários em dia e, principalmente, conseguir segurar 90% do elenco hexacampeão. E só então precisaremos de reforços.
O seu desafio, Andrade, é provar que o seu sucesso não foi acaso. Com mais tempo de clube, fazer o time melhorar ainda mais. E fazer a diretoria aumentar seu salário em 2011. Quer saber? Você vai conseguir. Estou certo disso.
Boa sorte, Andrade. 2009 foi o ano da sua consagração como treinador, que 2010 seja o ano da consolidação do seu nome e do Flamengo. A gente vai torcer muito. Juntos.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Material encontrado na net
Um tal de Alex fez uns filminhos, que reproduzo aqui.
Antes que perguntem, não sou eu o dono da idéia.
http://www.grapheine.com/bombaytv/movie-br-de44cdc3e716e05686623b6db02c5b78.html
O FUTURO DO PRESENTE E O PRESENTE DO FUTURO.
Nesta próxima segunda feira, por antecipação, Patrícia Amorim assume o poder na Gávea. Quem se lembra do estado em que o Flamengo estava quando o presidente Marcio Braga assumiu o primeiro de seus dois últimos mandatos há de concordar que ela é uma privilegiada, guardadas as devidas proporções, já que estamos falando do Flamengo e do verdadeiro tsunami administrativo e financeiro que quase acabou com o clube. Não quero eximir o presidente de alguns erros que cometeu, mesmo porque não é provável que tenha havido algum mandatário na história do Flamengo que não tenha cometido os seus.
Alguém, como o Melo por exemplo, poderia, no futuro, contar em detalhes e com documentos reais, a Saga de Márcio Braga, com seus erros e acertos em tantos mandatos e fazer justiça verdadeira a esse cidadão que se retira do comando do clube com pelo menos um trunfo incontestável: o de maior ganhador de títulos importantes pelo rubro negro e líder de um grupo que colocou o Flamengo na vanguarda e liderança do futebol, atrás do qual, só então surgiram as atuais potências do futebol brasileiro, algumas delas, como o São Paulo, assumidamente seguindo os passos daquele sistema inovador de administrar o clube que o Flamengo implantou e parece que depois esqueceu. O nosso amigo Mário Cruz é uma testemunha desses fatos e pode ajudar nesse trabalho, que fica aqui como sugestão.
Nesse meio tempo, enquanto não assume oficialmente, Patrícia já se vê envolvida no rumoroso caso da renovação do técnico Andrade. Concordo com alguns participantes que ela faria uma entrada triunfal caso conseguisse mediar esse impasse e chegar a um acordo que seja bom para ambas as partes. Forçar Andrade a ficar insatisfeito, a meu ver seria ruim. Dar um passo maior que as pernas, para uma administração que se anuncia como PROFISSIONAL, em busca do equilíbrio econômico e da recuperação do clube, seria ainda pior.
Fico por aqui. Não conheço os fatos, e o Arthur Muhlemberg tem feito uns COMMENTS onde avisa que tem gato nessa tuba. Portanto, não vou dar nenhum palpite. Depois que tudo se resolver, para o bem ou para o mal, com certeza saberemos exatamente o que aconteceu. Será possível, então, julgar e condenar ou absolver uns e outros. Por enquanto, vamos torcer para que o final seja o melhor para o Flamengo.
De tudo isso, fica um fato positivo: acabou a angústia e o desespero acumulado em 17 anos. Voltamos ao topo e temos tempo para planejar e executar um trabalho de alto nível para colocar o Flamengo de forma definitiva na liderança do futebol brasileiro, desta vez, se Deus quiser, para sempre. Boa sorte a todos nós, Feliz Natal a todos e que 2010 seja o primeiro ano da nossa eterna felicidade, com hegemonia do Flamengo que amamos tanto!
terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Erguei as mãos
*Por Mauricio Neves, no blog do site oficial do Flamengo
Olá, saudações hexacampeãs a todos. Essa semana inicio uma nova série aqui no blog, em que quero contar alguns dos momentos em que o Flamengo mostrou-se à altura das grandes potências mundiais. É a série “Grandes Jogos Internacionais”. Para começar, o dia em que o Flamengo deu um chocolate no legendário Arsenal da Inglaterra. Boa leitura.
Série Grandes Jogos Internacionais
Flamengo x Arsenal – 1949
1949. Estamos às vésperas da IV Copa do Mundo de Futebol. E o Rio de Janeiro, às voltas com as obras do monumental Estádio Municipal, já se prepara para o evento. Não se fala outra coisa na Capital Federal, especialmente porque a Seleção Brasileira parece enfim inspirar confiança, até por ter conquistado, meses antes, o Campeonato Sul-Americano de Futebol (hoje Copa América). Para aumentar a intensidade da expectativa, é confirmada a presença em gramados cariocas, para uma curta excursão, do poderoso Arsenal, da Inglaterra.
O futebol inglês povoava a imaginação de mentes e corações, com sua aura intocável de inventores do futebol. Mas, independente disso, o Arsenal realmente possuía uma bela equipe, uma das
melhores da Europa (trazendo a dias de hoje, ao nível de Manchester United ou Barcelona, por exemplo). Havia conquistado o Campeonato Inglês do ano anterior sem dificuldades. Com vários jogadores na Seleção Inglesa, tinha como principais destaques o legendário goleiro Swindin (que se destacava por sua liderança), o seguro zagueiro Barnes, o vigoroso médio Macaulay, o velocíssimo ponta Logie e sua estrela maior, o truculento atacante McPherson, conhecido pela pouco alvissareira alcunha de “Coice de Mula”. Um time coeso e experiente, que ao desembarcar no Rio de Janeiro foi logo mostrando o cartão de visitas, ao trucidar o Fluminense com impiedosos 5-1. Mas o confronto que vinha mobilizando toda a cidade e servindo de assunto em todos os bares, botequins, praças e pontos de encontro era, evidentemente, a partida marcada contra o Flamengo.
O rubro-negro não atravessava um bom momento. Vivendo um jejum de títulos que já chegav
a ao quarto ano (ainda iria se prolongar até 1953), a equipe dependia muito de Zizinho, seu craque maior (que estava fora de combate, com apendicite, e não iria jogar contra o Arsenal), e tinha no mirrado Jair da Rosa Pinto um dos poucos parceiros de qualidade. No mais, os destaques eram o experiente médio Biguá (talentoso e extremamente raçudo), o clássico médio Modesto Bría, o corpulento zagueiro Juvenal (que seria titular da Seleção em 1950) e o goleador Durval. O restante da equipe era formado por jogadores esforçados e/ou medianos. Mesmo assim, a torcida flamenga vivia um momento de especial euforia, pois estava confirmada a contratação do goleiro paraguaio Sinforiano Garcia, que havia sido o grande destaque do Sul-Americano, inclusive com uma atuação sobre-humana no triunfo do Paraguai sobre o Brasil (2-1), naquela que seria a única derrota dos brasileiros na competição. Atordoado com a qualidade de Garcia, o radialista Ari Barroso (que era um misto de torcedor, corneteiro e dirigente) tomou um avião para Assunção e garantiu a vinda de Garcia ao Flamengo. Recebido com estardalhaço no Rio (com direito a desfile em carro aberto), Garcia iria estrear justamente na partida contra os ingleses.
A partida entre Flamengo e Arsenal foi marcada para domingo. Na sexta-feira, todos os 25 mil ingressos colocados à venda pelo Vasco (o jogo seria em São Januário, o principal estádio da cidade) esgotaram rapidamente. Ainda era possível encontrar entradas nas mãos de cambistas, a preços exorbitantes. No dia do jogo, as ruas nos arredores do estádio já estão intransitáveis às 9 da manhã. Os portões abrem às 11, e em duas horas já não cabe mais ninguém. O jeito é arrombar, e a polícia, apesar da farta distribuição de cassetetes e coronhadas, não consegue conter a multidão. Estima-se que cerca de 40 mil pessoas conseguem entrar no acanhado estádio. Outros tantos permanecem fora, mostrando que o Flamengo precisa mesmo de um templo maior para acomodar sua imensa torcida. A superlotação é tão evidente que é necessário acomodar alguns torcedores à beira do campo.
Os times entram perfilados, à européia. A diferença física é cômica, os jogadores flam
engos parecem juvenis diante dos armários ingleses. Mário Vianna trila o apito, começa a partida. O Arsenal dá a saída, bola com Daniels, daí a Macaulay, que deixa com Lodge. O ponta encara a marcação do jovem Beto e subitamente arranca para a linha de fundo. Sozinho, olha o movimento na área e cruza com mortal precisão na cabeça do atacante Goring, que testa forte, fora do alcance de Garcia. Não temos nem um minuto de jogo, o Flamengo ainda não tocou na bola, e o Arsenal já está vencendo.
Parte do estádio vibra, alucinado. São os vascaínos, aboletados nas sociais. Irritados, vários rubro-negros pulam o alambrado e vão tirar satisfações. A polícia intervém e na base da porrada consegue acalmar as coisas. No campo, o Flamengo parece mais tranqüilo, e tenta encaixar seu jogo. Agora temos 8’, o rubro-negro tem uma falta a seu favor. Parece longe, mas Jair ajeita a bola assim mesmo. Vai mandar direto.
Ao contemplar aquela figura esquálida, os cambitos que não sequer sustentam os meiões, os ingleses se entreolham e não conseguem conter o riso. Swindin recusa-se a armar barreira. Não sabe com quem está mexendo. Jair não perde a calma e faz cafuné na bola. Toma distância e manda o tiro raso, faiscante. No trajeto, a primeira curva. Swindin ajeita o corpo e se prepara para encaixá-la. Mas, ao se aproximar do goleiro, a bola esboça um malicioso sorriso, faz outra curva e rebenta, às gargalhadas, na rede do aparvalhado arqueiro inglês, que, incrédulo, está de joelhos. O Flamengo empata o jogo, e o estádio agora dança.
Com o gol, o Flamengo se solta, perde o medo, resolve brincar de bola. O Arsenal parece um andaraí, um bonsucesso. Os grandalhões ingleses são reduzidos a camundongos que, bêbados, tentam em vão acompanhar a louca correria flamenga. Alucinado, Jair faz de seus marcadores meras testemunhas. Os ponteiros Luizinho e Esquerdinha são uma eterna ameaça à integridade dos ingleses, prestes a vergar e quebrar no meio diante de seus dribles. O goleiro Swindin faz defesas absurdas, que arrancam palmas entusiasmadas dos espectadores. E é graças ao goleiro inglês que a primeira etapa termina em 1-1.
Mas não duraria muito. No segundo tempo, o Flamengo impõe uma pressão ainda maior. Jair, possuído, joga por si e pelo ausente Zizinho. Parece estar em uma pelada em Barra Mansa, driblando seus parceiros. 8 minutos. Jair (ou Jajá) recebe de Luizinho e avança. Vem pelo meio. Faz a bola correr em linha reta e vai pedalando, tirando zagueiros de sua frente como quem espanta moscas. Passa por Barnes, abre para a direita, seu pé cego. Manda de direita mesmo, o chute sai mascado, a bola ganha altura, novamente faz uma curva marota, ri da cara de Swindin e vai repousar nas redes. O Flamengo vira e faz 2-1.
Irritados com a derrota, a festa da torcida e principalmente com o futebol moleque do Flamengo, o Arsenal manda a fleugma pro espaço e começa a apelar. E mostra grande talento na arte de bater, espanca sem dó os irrequietos rubro-negros. McPherson tenta passar por Biguá, que lhe segura a camisa. O Coice de Mula, nervoso, acerta violento pontapé no médio flamengo, o que dá início a um forte rebu. Mais tarde, Garcia faz difícil defesa, e o atacante Bryan dá-lhe um pau. Nova confusão, dessa vez é Biguá quem dá na orelha de um inglês.
No entanto, se nas brigas ainda existe certo equilíbrio, na bola só dá Flamengo. O rubro-negro agora põe na roda, a torcida não para de rir. O gol de Swindin é objeto de um massacre, um bombardeio, uma verborragia. E o jogo não terminaria sem mais uma cipoada no lombo inglês. O médio Luís Rosa descobre o atacante Durval livre na área. Sem cerimônia, o avante flamengo domina e executa o brioso Swindin, que estaca exangue no chão enquanto a bola toma o rumo das redes pela terceira vez. O mitológico Arsenal é reduzido a pó.
Termina a partida, Flamengo 3-1 Arsenal. Os números, nada frios, contam 20 defesas (13 milagrosas) de Swindin, contra seis de Garcia. Nos chutes a gol, espantosos 51 arremates flamengos, contra 28 dos ingleses. A multidão, inebriada com o chocolate, desce num festivo cortejo que vai parar na sede antiga, na Praia do Flamengo, num carnaval extemporâneo que vara a madrugada.
Nos jornais, o fim da Revolução Chinesa, com a entrada de Mao Tse-Tung em Xangai, é notícia em todo o mundo. Mas no Rio, o acontecimento histórico leva um chega-pra-lá e vai ocupar as páginas secundárias, enxotado pelo Flamengo e seus heróis, que demoliram um gigante.
Mas, pensando bem, o gigante ali era o Flamengo.







