quarta-feira, 31 de março de 2010




PROLEGÔMENOS

Recapitulando algumas coisas que vi ou que li por aqui mesmo:
1) Quando Petkovic foi contratado, falou-se que ele se ofereceu ao Flamengo porque pretendia encerrar a carreira na Gávea e, embora a diretoria fosse CONTRA, o Delair bancou a contratação porque na conversa surgiu a oportunidade de conseguir um abatimento na dívida que o Flamengo tinha para com o sérvio.
2) Logo que ele chegou e começou a treinar, ainda nos primeiros jogos, em que a maioria de nós ainda torcia o nariz para a “utilidade” dele, em função da idade, ele teria dito que ao final do prazo do contrato o Flamengo ia procura-lo para renovar, mostrando que tinha confiança em se destacar e voltar a ser o Pet de que a torcida tinha saudade ( pelo futebol, sejamos claros ).
3) A participação dele, dentro e fora de campo na campanha do Hexa é inquestionável. Nunca o vi tão participativo, entrosado, apoiando os companheiros, mesmo quando fora de campo, quanto no 2o. semestre de 2009.
4) Ele foi um dos “garotos-propaganda” dos novos uniformes da OLK e demonstrou entusiasmo e identificação com o manto, pelo menos aparentemente.
5) Ele foi um dos porta-vozes do grupo que “bancou” a manutenção do Andrade, quando se chegou a pensar que o Tromba não ia dar conta do recado.
6) As coisas iam tão bem que o nova diretoria, inclusive o Marcos Braz, bancou a reapresentação dele para 2010, depois dos demais, após a celebração do natal ortodoxo na Sérvia.
7) No ano passado Adriano já tinha as regalias que continua tendo e isso nunca foi motivo para ele se aborrecer publicamente nem para demonstrar algum desconforto com a situação.
8) Com a contratação do Love, mesmo que tenha sido dito que ele se juntava ao Adriano e apenas os dois teriam privilégios, não me consta que o ex-palmeirense tenha abusado e/ou criado saias justas para a diretoria do Fla, a não ser no tal episódio do vídeo com escolta armada. O que nem pode ser considerado. ( privilégio é treinar menos, chegar atrasado, faltar aos treinos, etc ).
9) Todo mundo na Gávea ( principalmente o Andrade, que sempre esteve lá ) sabia e sabe como é o gênio do Pet, como ele se relaciona com as pessoas, com o grupo e com os dirigentes e como ele reage. Da mesma forma que os privilégios do Adriano, portanto, quando o contrataram sabiam o que fazia parte do “pacote”.

Isso tudo posto, não era o caso da Patrícia e do Braz entrarem no circuito e darem uma “acochambrada” nessa renovação, para bem do grupo que vai permanecer até perto do fim das Libertadores? Que tal propor o tal reajuste e o prazo que ele quer, mas vinculado a resultados ou metas? Por que, sair, com certeza mesmo, só o Love ( acho que não tem como segurar ) e o Airton ( que já foi ), o resto da equipe do Hexa continua aí, com alguns nomes que ainda merecem ser melhor testados e algumas caras novas que podem ir sendo preparadas ( como o Carlyle, o Saba, o Camacho, o Rafael Galhardo e o Diego Maurício ). O Adriano, se o Fla chegar às finais da Libertadores, duvido que não seja convencido a adiar sua ida para a Europa até o fim do ano. Ou alguém acha que ele não vai querer ganhar a Libertadores e jogar a copa de clubes?

Vamos lá, gente, um pouquinho mais de jogo de cintura. Além disso tudo, tem um hepta pra buscar.

terça-feira, 30 de março de 2010

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Vasculhando meus alfarrábios, acabei descobrindo um texto que redigi ano passado. O Flamengo havia derrotado o Atlético-MG por 3-1 no Maracanã, resultado que efetivou o Andrade no comando. Mas, além disso, a vitória contra os mineiros teve outro significado. Relendo agora, achei que ficou legal e por isso publico aqui. Então, boa leitura.

O Maracanã e as Mil Vitórias

Que o Maracanã é a casa do Flamengo todo mundo sabe. Que o gigantesco e mitológico estádio tem sido o palco perfeito para a celebração da simbiose de carne e sangue entre o time e sua apaixonada torcida, isso tem sido demonstrado através dos anos e é de conhecimento comum. O que poucos sabem é que esse casamento perfeito, que vem desde o longínquo ano de 1950, acaba de produzir o seu milésimo fruto. Sim, o Flamengo completou 1.000 vitórias no Maracanã.

Mil vitórias, mil batalhas em que o bastião rubro-negro foi fincado como uma estaca no território inimigo... (ok, às vezes nem tão inimigo assim), mil ocasiões em que a massa rubro-negra se fez ouvir mais alto, forte e feliz, mil vezes, falando assim parece algo intocável, inatingível.

Tudo começou com um prosaico amistoso contra o Bangu, que havia acabado de contratar Zizinho, o maior ídolo flamengo. Estávamos em 1950, havia apenas uma semana que o Brasil vivera o maior trauma da história de seu futebol. O triunfo por 3-1 marcou o início da “Era Maracanã” para o Flamengo, e desde então o time sairia vitorioso em pouco mais da metade das partidas disputadas no templo. No seu templo.

Mil vitórias. Quem já provou sabe que enfrentar o Flamengo no Maracanã costuma ser um inferno. Vários craques estelares podem ostentar essa marca em seu currículo. Gente como Pelé, Garrincha, Beckenbauer, Puskas, Maradona, Eusébio, Nilton Santos, Carlos Alberto Torres, Dino Zoff, Altafini, Romário, Ronaldo, Didi e Rivelino, entre outros gigantes, que viveram a experiência de enfrentar e ser derrotada pelo Flamengo no Maraca. Equipes como Juventus de Turim, Atletico de Madrid, Boca Juniors, Benfica, River Plate, New York Cosmos, Peñarol, times de 19 países diversos. Todos os clubes de expressão do Brasil, espalhados por 22 estados, todos eles subjugados pela magia de uma equipe que se agiganta quando está diante de seu povo, de sua gente, de sua torcida.

Mil triunfos. Há vitórias simples em jogos amistosos (ou quase), nessa lista entram jogos-treino, partidas de importância menor, mas há também triunfos decisivos, que valeram o grito de “é campeão”. Como esquecer a cabeçada de Rondinelli, a falta de Petkovic, o gol maroto de Nunes que deslocou João Leite, o toque certeiro de Bebeto se antecipando a Taffarel, o gol-relâmpago de Zico contra o Santos, a bomba de Obina que abriu o caminho da Copa do Brasil contra o Vasco, entre outros tantos gols que ajudaram a encher a Sala de Troféus da Gávea? Ser campeão é maravilhoso, com vitória no jogo final melhor ainda, e se essa vitória é conquistada em sua casa, aí beira a perfeição. Pois, nessas 1.000 vitórias, o Flamengo fez sua torcida gritar “é campeão” em Campeonatos Brasileiros, Copa do Brasil, Estaduais, Torneio Rio-SP, Taças Guanabara, entre outros títulos menos cotados.

Mil jornadas vitoriosas que consagraram diversos personagens, que com seus pés escreveram cada página dessa história. Gente como Fio Maravilha, que com seu “gol de anjo, um verdadeiro gol de placa” marcado contra o Benfica em 1972 ganhou até música. Ou como Silva, o Batuta, que semanalmente arrombava as redes do estádio com suas raquetadas, na inesquecível temporada de 1965. Ou Almir, que meteu a cara na lama pra sacramentar mais uma peleja vencida, contra o Bangu em 1966, ou como Índio, Doval, Nunes, Gaúcho, Edílson, Bebeto, Romário, Cláudio Adão, Evaristo, Paulinho, Henrique, Adriano, artilheiros que ajudaram a inchar bastante essa lista de vitórias. E o que dizer de Dida, que honrou por oito anos o manto flamengo, colecionando gols a ponto de se tornar o segundo maior artilheiro de sua história?

Mas nenhum jogador, de nenhuma nacionalidade ou posição, em nenhuma época foi tão íntimo, esteve tão à vontade e viveu com tanta intensidade a força da aliança entre o Flamengo time e o Flamengo torcida quanto Zico. O Maracanã era o seu teatro, era o palco onde dedilhava suas melhores notas, onde escolhia os melhores acordes para entoar para o público nos seus concertos semanais de 90 minutos. No auge da “Era Zico”, o Flamengo chegou a acumular uma série de 82 jogos sem derrota para intrusos (equipes de fora do RJ) no estádio, em um período de 1 ano e 8 meses (março de 1980 a novembro de 1982). Do total de mil vitórias no Maior do Mundo, o Galinho de Quintino foi o comandante de pouco mais de 20%, uma marca assombrosa. No estádio, anotou mais de 300 gols, de cabeça, de perto, de longe, de placa, de pênalti e de falta, os seus preferidos, que também deram até música (“é falta na entrada da área, adivinha quem vai bater...”). Para os adversários, o Maracanã era um assustador desafio. Para Zico, era seu lar.

Mil batalhas. Cada vitória, desde a mais fácil até a mais sangrenta, assinala a marca da defesa bem-sucedida do solo sagrado flamengo, de sua demonstração de força e caráter guerreiro. Viradas históricas, reversões inacreditáveis, como os 4-3 sobre o Vasco em 1963, salvando-se da eliminação e abrindo caminho para a arrancada do título estadual. Outro 4-3 célebre foi conseguido nas semifinais contra o perigoso e atrevido Coritiba em 1980, que fez dois gols relâmpago e obrigou time e torcida a virarem juntos o placar. Já que é pra falar de 4-3, que tal a “virada da poeira” contra o galáctico Fluminense em 2004, que deu a moral que o time precisava para o título daquele ano? Há mais viradas heróicas, há os 3-2 dos campeões do mundo sobre o São Paulo na abertura da temporada de 1982, ou os incríveis 2-1 sobre o Sport em 2008, conquistados nos seis minutos finais, debaixo de muita chuva.

Mil “cala-bocas”. Não foram poucas as vezes em que os lutadores flamengos entraram em campo cercados de desconfiança e descrença, contra um oponente considerado muito superior, e em momentos de histórica superação construíram vitórias retumbantes, como os 3-1 sobre o Bangu, “queridinho da cidade”, invicto e favorito em 1963, os 2-0 da garotada comandada por Bebeto e Aldair sobre o Vasco de Roberto, Geovani e Romário na decisão do Estadual de 1986, 2-0 da meninada de Sávio e Magno em cima do poderoso Palmeiras de Rivaldo, Evair, Edmundo e Roberto Carlos em 1994, ou as sucessivas vitórias sobre o forte Vasco na trilogia 99-2001, entre vários e fartos exemplos de superação.

Mil bailes. Às vezes os guerreiros flamengos defenderam sua cidadela de forma tão intensa que as linhas adversárias acabaram se rompendo com inesperada facilidade. E aí sobrevieram os dilúvios de gols, para lavar a alma da massa rubro-negra. Jogos como os quase inverossímeis 12-2 sobre o São Cristóvão, impostos pelo “Rolo Compressor” em 1956, naquela que foi a maior goleada da história do Maracanã. Aliás, como era bom de gol aquele “Rolo”! 4-1 no Vasco (1954, janeiro), 4-1 no Vasco de novo (1954, maio), 4-1 no Botafogo (1954), 5-2 no Fluminense (novamente em 1954), 6-1 no Fluminense (1955), 4-0 no Atlético-MG (1955), entre outras vítimas. Outros momentos divertidos, em outras épocas, foram os 9-2 no Cerro Porteño (1960), os 9-0 em cima da Portuguesa-RJ (1978), e as biabas de 8 aplicadas no Olaria (1958), Bangu (1973), Sampaio Correa (1976), Fortaleza (1981), Madureira (1982) e Minerven, da Venezuela (1993), entre tantas outras surras. Mas, de todas as goleadas, uma vale como um título. Aliás, talvez nenhuma das mil vitórias tenha sido tão emblemática quanto os 6-0 sobre o Botafogo em 1981, um massacre que fez a massa flamenga explodir em festa, emoção, delírio, e principalmente alívio pelo fim de uma era de gozações e sofrimento.

Enfim, entre tantas vitórias épicas, goleadas impiedosas, triunfos de azarões, consagração de goleadores, mitos, craques e ídolos, foi forjada a identidade flamenga, a expressão de uma nação que se transfigura na face e na alma de cada torcedor, que se identifica e se vê representada pela multidão que ocupa cada pedaço de seu templo, seu espaço, sua casa, seu Maracanã e conclama seus representantes para a eterna batalha pela vitória, pela defesa de sua gente, de seu chão, de seu território. Do sagrado espaço do Maracanã.

Do Estádio das Mil Vitórias.



segunda-feira, 29 de março de 2010

A ÚLTIMA NOITE

Por Armando Nogueira (crônica da despedida do Zico publicada no Jornal do Brasil em fevereiro de 1990)

"Maracanã, enfeita de bandeiras tuas arquibancadas que hoje é dia de festa no futebol. Encomenda um céu repleto de estrelas. Convida a lua (de preferência, a lua cheia). Veste roupa de domingo nos teus gandulas. Põe pilha nova no radinho do geraldino. E, por favor, não esquece de regar a grama (de preferência, com água-de-cheiro).

Avisa à multidão que ninguém pode faltar. É despedida do Zico e estou sabendo, de fonte limpa, que, hoje à noite, ele vai repartir conosco a bela coleção de gols que fez nos seus vinte anos de Maracanã. Eu até já escolhi o meu: quero aquela obra-prima, o segundo gol do Brasil contra o Paraguai nas Eliminatórias do Mundial de 1986. Lembro-me como se fosse hoje. Zico recebe de Leandro um passe de meia distância já na linha média dos paraguaios. Um efeito imprevisto retarda a bola uma fração de segundo. Zico vai passar batido - pensei. Pois sim. Sem a mais leve hesitação, sem sequer baixar os olhos, ele cata a bola lá atrás com o peito do pé, dá dois passos e, na mesma cadência, acerta o canto esquerdo do goleiro paraguaio.

Passei uma semana vendo e revendo no teipe aquele instante mágico de um corpo em harmonioso movimento com o tempo e com o espaço. E a bola, coladinha no pé, parecia amarrada no cadarço da chuteira.

Um gol de enciclopédia.

Se o amável leitor aceita uma sugestão, dou-lhe esta: escolha um dos gols que Zico fez graças à sua arte singular de chutar bola parada.

Chutar a bola de falta à entrada da área é um talento que Deus lhe deu mas não de mão beijada, como imaginam os desavisados. Zico trabalhou seriamente, anos e anos, para alcançar a perfeição dos efeitos sublimes. À tardinha, quando terminava o treino, ele costumava ficar sozinho no campo do Flamengo - ele, uma barreira artificial, uma bola e uma camisa caprichosamente pendurada no canto superior das traves. A camisa era o alvo.

Zico passava horas sem fim, chutando rente à barreira e derrubando a camisa lá de cima das traves.

Chegava o domingo, na cobrança da falta, a bola já estava cansada de saber onde ela tinha que entrar.

Não tenho dúvida em dizer que tardará muito até que apareça alguém que domine como Zico o dom de cobrar falta ali da meia-lua.

Celebremos, querido torcedor, a última noite do maior artilheiro da história do Maracanã. Será uma despedida de apertar o coração. Se te der vontade de chorar, chora. Chora sem procurar esconder a pureza da tua emoção. Basta uma lágrima de amor para imortalizar o futebol de um supercraque.

Cantemos, Maracanã, teu filho ilustre, relembrando em comunhão os dribles mais vistosos, os passes mais ditosos, os gols mais luminosos desse fidalgo dos estádios que tem uma vida cheia de multidões.

Louvemos o poeta Zico que jogava futebol como se a bola fosse uma rosa entreaberta a seus pés."

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Uma das grandes crônicas de Armando Nogueira que nos deixou na manhã desta segunda-feira. Obrigado por tudo, Mestre!
*Por Tiago Bosco

Sofrimento desnecessário

*Por Victor Esteves, direto do Buteco do Flamengo

Amigos rubronegros, o jogo de hoje devia servir de exemplo de como o time não deve jogar se quiser ir mais longe em qualquer campeonato, tanto no Estadual como na Libertadores. É verdade que tivemos pênaltis não marcados, faltas inexistentes que foram marcadas e pelo menos um cartão amarelo injusto.

Mas isso não refresca nada. O time jogou mal e fez os minguados espectadores se arrependerem de terem ido ao estádio. Como é que um time com 11 em campo toma sufoco de um time que teve dois jogadores expulsos ? Como é que o Flamengo pode ter feito mais faltas e finalizado um número menor de vezes que o adversário, se tinha esta vantagem numérica ?

Para começar, a zaga não se entendeu em campo. Estabanados, falhando seguidamente, Fabrício e David não parece ser uma boa combinação. Pelo menos o Angelim não perde a cabeça deste jeito. Se para alguma coisa serviu o jogo de hoje, na minha opinião, pelo menos, foi para provar que a zaga precisa mesclar um jogador mais experiente com um mais jovem. Os dois garotos juntos, só se treinarem muito, e usarem estes jogos do Estadual para se acertarem.

O meio campo esteve irreconhecível. Mesmo dando um passe lindo na primeira vez que tocou na bola, nem o Pet se salvou hoje. Pachequinho mal, Toró com a grossura de sempre, Kleberson dando razão aos seus críticos, e as substituições funcionando pouco e não mudando o panorama do jogo. Espero que a ameaça de folga de dois dias não se concretize. Depois de uma performance como essa, contra um adversário fraquíssimo, devia ser obrigatório treino de manhã e de tarde, durante toda a semana. Acho que vou ficar conhecido por bater na mesma tecla toda semana, mas é inadmissível que este período de jogos “fáceis” não sirva para treinar o time e acertar de uma vez por toda essa ligação entre defesa e ataque. Ainda acho o Andrade a melhor opção neste momento, mas se ele perder o encanto (escala mal mas substitui bem), não vão faltar pessoas dizendo que ele perdeu a mão e que não aproveita o tempo para dar a famosa “liga” nesta equipe. Hoje as substituições não trouxeram o efeito esperado.

Por fim, que bom que ainda temos Love e Adriano. É maravilhoso ter uma dupla que disputa a artilharia com 23 gols no campeonato. Mas quem lembrar bem, vai lembrar também das inúmeras jogadas desperdiçadas, por preciosismo do Love ou mau jeito do Adriano. É o que temos de melhor no time (o ataque), mas esse desperdício todo ainda vai fazer falta.

O problema não é o jogo de hoje. O problema é que em uma competição como a Libertadores, este desempenho não nos garante nada. A não ser mais sofrimento. E o de hoje era completamente desnecessário. Nada perdido, vamos em frente, e que São Judas Tadeu não nos abandone.

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Deu para o gasto (de novo)

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Comentar esse Flamengo e América é tornar repetitivo o discurso de outras tantas partidas do Flamengo nesse Campeonato Carioca. O time entra lento, apresenta alguns erros, toma certo sufoco até que aparece Adriano ou Vagner Love (ou os dois, como ontem) e resolvem a parada.

Flamengo 2 x 1 América pode ser resumido dessa maneira.

Mesmo não jogando aquilo que o torcedor espera, garantimos com a vitória de ontem nossa classificação às semifinais da Taça Rio. E mesmo não mostrando muita motivação - ainda mais em partidas contra os considerados pequenos - não perdemos nesse segundo turno.

E assim, na base da qualidade técnica principalmente de sua dupla de ataque (artilheiro e vice artilheiro da competição) e na boa fase do goleiro Bruno, principal garantidor dos números que tornam a defesa menos vazada da Taça Rio, o Flamengo chega a uma fase em que todos os jogos ganham proporção decisiva.

A partir de agora, à exceção do cumprimento de tabela no próximo domingo, contra o Friburguense, a chapa vai esquentar tanto no Carioca quanto na Libertadores.

Um fato preocupante que observei nesses últimos jogos foi que o Flamengo, ao tomar gols durante as partidas, sempre teve que correr atrás para garantir a vitória – quando conseguiu. É diferente, por exemplo, de tomar um gol já com a partida resolvida. Foi assim contra Macaé e Caracas (quando levamos o gol de empate, mas conseguirmos vencer), contra Tigres e América (quando saímos atrás e conseguimos a virada) ou contra Universidad e Botafogo (quando saímos atrás e não conseguimos vencer).

Enquanto houve espaço para toda essa sonolência e desorganização tática, deu certo. Agora não dá mais. Em momento decisivo não se brinca.

Entrevista do Petkovic

Polêmica. Nem tanto pelo que foi dito, afinal disse muitas verdades, mas pelo seu momento tanto dentro quanto fora de campo. Petkovic não tem sido a unanimidade de 2009, não tem correspondido em campo com a mesma importância que teve no Hexacampeonato. E nesse contexto turbulento, ainda mais em semana de negociações de renovação (ou não), não me pareceu conveniente criar mais esse clima entre ele e comissão técnica, demais companheiros e diretoria.

Ainda que tenha explicitado verdades cruas relacionadas ao clube, só poupou a torcida. Tenho minhas dúvidas sobre sua postura construir algo de positivo nesse momento.

Vamos acompanhar.

Reflexão

Se eu não estiver enganado, essa semana fará um ano do fim da parceira com o antigo patrocinador master. Tempo esse em que se abandonou a obrigatoriedade de certidões federais para recebimento de valores, até alcançar nos dias atuais um somatório em receitas de patrocínio entre os maiores das Américas, com valores comparáveis ao mercado europeu.

É apenas uma pequena reflexão da dimensão de um ano bem trabalhado e sua interferência na história do clube.

Grande Abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

domingo, 28 de março de 2010

No game, no top ten

Pois é, rapaziada. Resolvi tirar o domingo de férias do mundo, e só soube do resultado quando liguei o computador, isso às 7 da noite.

Não quero ser culpado por isso. Se a mediocridade desse campeonato carioca desestimula o carioca propriamente dito, imagine eu, aqui em Curitiba, filha de 1 ano falando kkkkk(é como Alice se reporta ao carro do papai). Obedeci às ordens de minha filhota, e vazei pra um passeio que só terminou na hora supracitada.

Mas, pra não passar em branco, quero tecer alguns comentários aqui, uma espécie de top algum número da semana. Vamos lá:

1 - O balé clássico: Sério, mas muito sério mesmo. O futebol tá ficando coisa de viadinho. O jogador reclama de qualquer coisa, os jornais pregam na capa com aquele toque de sensacionalismo exarcebado. Futebol é pra macho. Jogador que gosta de sair aos 15 minutos do segundo tempo serve pra balé, pra aulas de jazz ou pra ser o viadinho do bbb. O cara que tem sangue nos olhos tem mais é que sair enfurecido, de cabeça quente. Isso é o que torna um time vencedor. Time que acha que tá tudo fácil cai do cavalo sem ser anunciado. Portanto, deixem os caras ficarem irritados, nervosos, etc. No meu time, quero jogador afim de ganhar. E não mocinhas que se ofendem com um xingamento na lateral e pedem pra trocar de profissão.

2 - Elenco: Sou fã do Pet e do Kleberson. Quem acompanha minhas opiniões aqui no blog sabe disso. Mas hei de concordar com meu amigo Arthur. Ambos estão jogando patavinas. Qualidade eles tem. Falta o quê? Motivação? Jogos grandiosos, e não amistosos contra times que acabaram de subir da segundona? Enfim, é obrigação deles mostrar o que sabem e o que não sabem. A Magnética espera muito mais do que isso aí que temos visto.

3 - Adriano: Quantos gols mesmo nos últimos jogos? 5, 6? Deixem o cara lá que ele resolve. O império do amor tá com 23 gols. Reclamar do quê? Ah, sim, concordo. Urge a necessidade deles mostrarem isso aí na Liberta também.

4 - Correspondente/Blogueiro: Já fiz jabá pra uma porrada de gente aqui. Hoje é dia do auto-jabá. A partir de abril serei o blogueiro oficial do Terra para a Copa de 2014, no que diz respeito à cidade de Curitiba. O endereço é http://deolhoem2014.terra.com.br. No primeiro campo do menu tem blogs, e o meu deve aparecer a partir do dia 1 ou 2. Vou falar de obras, de orçamentos, de características da cidade e do povo, entre outros assuntos. Espero a visita de todos, e que Deus me permita estar à altura do esperado pelo Portal. Claaaaaro que eu conto com milhares de visitas lá. If not, vou banir todo mundo..hahahaha.

Um grande abraço a todos, e boa semana.

E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

sexta-feira, 26 de março de 2010


PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib

Enquanto a Liberta não vem, tem Mequinha domingo no maior do mundo. Como prometi que nessa Taça Rio só daria as caras nas finais, essa é mais uma oportunidade para honrar meu PPV e ver o Império bombar na artilharia.
Fechar o carioca com nossa dupla empatada na artilharia seria realmente muito bom, principalmente se a briga continuar nesse ritmo. Ganha o Mengão, ganha a Nação e chora o povão.
Como o mundo anda cheio de pessoas ruins, sabemos que ainda teremos qe enfrentar muitas crises até chegar a hora de gritar É Campeão. Mas não importa, afinal não é todo ano que somos os atuais campeões Brasileiros disputando um tetra carioca e um bi da América, e tome galho de arruda.
Com relação a escalação para domingo, achei justa a volta do Pacheco apesar de ser fã inconteste do gringo. Vale esse revezamento e a busca da escalação ideal e pra isso Andrade vai ter que testar, testar, testar. E o Maldonado??? A galera pediu, o cara se recuperou, voltou, entrou como titular mas nada mais justo que reconquistar a posição no dia a dia, isso virá naturalmente.
Com o elenco diversificado e bom que temos, imagino que seja tarefa árdua para o Andrade administrar os egos e optar pelo melhor para o Mengão.
O objetivo tem que ser garantir a classificação, pois teremos uma semana sem jogo onde o Andrade poderá fechar o time para o jogo do dia 07, esse sim um jogo de máxima importância, pois ganhando recuperamos a liderança do grupo da Liberta. Com a classificação garantida no domingo, poderemos treinar tranquilos na semana e até mesmos poupar alguém no jogo contra o Friburguense. E aí galera, é lotar o Maraca na sequência.

SRN


Twitter: http://twitter.com/luzogaib
Futeblog : http://luzogaib.wordpress.com/

quinta-feira, 25 de março de 2010

Em busca dos ídolos

O time de vôlei do Sesi-SP contratou José Montanaro Júnior, um dos grandes nomes do voleibol nacional, como supervisor das categorias de base das equipes masculina e feminina de voleibol e já tinham o bom e velho Giovane como técnico. A rede Globo privilegia os jogos do Corinthians na grade porque sabe que o gordo carrega pontos de audiência e marketing para onde quer que vá.

Não há dúvida: ídolos são indispensáveis a qualquer clube grande hoje em dia. Mesmo que a infraestrutura seja melhor para a instituição, não duvide que as torcidas prefiram muito mais ver grandes nomes com a sua camisa.

No Flamengo, todos sabemos como a vinda de Adriano foi importante. Em seu primeiro jogo, marcou um gol e colocou vários jogadores do time na capa da imprensa internacional. O quanto Vinícius Pacheco não se valorizou ao dar um passe para o gol do Imperador na noite de ontem?

Por isso, é louvável que o clube pense em Ronaldinho Gaúcho como novo alvo das contratações com a quase inevitável saída do Império do Amor. Afinal, "o dentuço" é estrela de primeira grandeza que traria praticamente o mesmo nível de holofotes que Adriano trouxe. E na troca de um garoto-problema por outro, o Flamengo manteria o mesmo nível de custo-benefício. Ao menos, na teoria.

Tudo isso para manter o valor da marca Flamengo. E aí é um ponto que devemos refletir. No ano passado, muitas pessoas comemoraram o fato de um Instituto de Pesquisa avaliar que estamos em primeiro lugar como o clube mais valioso. Porém, poucos perceberam que torcidas diametralmente inferiores estavam próximas demais do nosso quinhão. É uma proximidade ameaçadora.

Contratações como a de Adriano são exceções que dependem de muito planejamento, condições de mercado e uma boa dose de sorte. É só ver que antes do Imperador um nome do mesmo nível foi possível láaaa pelos idos de 95 quando o clube trouxe o então maior jogador do mundo.

Por isso, mais do que ídolos o Flamengo precisa buscar um caminho para que sua marca valha no mesmo tamanho da sua torcida. Mais do que nomes consagrados, precisamos também de mais infraestrutura, projetos de marketing (o Vinícius Paiva fala bem melhor a respeito disso) e, pasmem, um estádio nosso com a nossa bandeira e nosso símbolo, que será divulgado em qualquer evento que ocorrer lá. Perdemos uma oportunidade de ouro com a Copa do Mundo. Não vamos perder mais chances: o que o clube planeja em relação às Olimpíadas?

Somos um clube forte no futebol e em outros esportes, disputamos várias competições temos história e temos a maior torcida do Brasil. É hora de começar a inverter o jogo e tornar a marca Flamengo mais valiosa para trazer nomes consagrados ao invés de depender exclusivamente dos ídolos para valorizá-la.

Porque o Flamengo é maior do que tudo. E do que todos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Flamengo x alguém


Comente aqui o jogo.


terça-feira, 23 de março de 2010

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Há algumas semanas, falava aqui das coincidências que envolveram a carreira do lateral Márcio Nunes, que quase encerrou a carreira do nosso Zico. Retorno àquele episódio para mostrar que, a partir dali, o Galinho sempre teria o mesmo adversário em seu caminho em alguns momentos-chave de sua carreira. Nos negritos, há vídeos. Boa leitura.

P.S. – antes de iniciar o post, quero fazer um jabá rápido. Não gosto de jabás, mas não posso deixar de indicar os dois livros do Arthur Muhlenberg, o “Manual do Rubro-Negrismo Racional” e o “Hexagerado”. Comprei os dois juntos, leitura deliciosa, relaxante e que prende (a história do surgimento do urubu é sensacional). Recomendo. Mesmo.

Zico e os Fla-Flus

1985, Taça Guanabara. Após o coice de Márcio Nunes, Zico passa todo o resto da semana no Departamento Médico. Apesar da gravidade de sua lesão (danos nos ligamentos do joelho esquerdo, torção no mesmo joelho e entorses nos dois tornozelos, entre outros ferimentos), o Galo, de forma inacreditável, consegue trotar. Tem presença confirmada no domingo seguinte, contra o Fluminense (o jogo do Bangu havia sido na quinta). Mas no Fla-Flu Zico anda, manquitola, arrasta em campo o peso de sua dor. Sua presença intimida os zagueiros tricolores, que o marcam à distância. Mas Zico padece, mal participa do jogo. Na verdade, duas partidas estão em andamento. Há o Fla-Flu, corrido, pegado, truncado, que vai terminar num monótono 0-0. E há a batalha de Zico, que arde para mostrar a si mesmo que não está fora de combate. Como um leão ferido, permanece os 90’ em campo. No vestiário, o joelho inchado e desfigurado já prenuncia o cortante veredicto. Cirurgia. Afastamento. 1985 acaba para Zico.

Apesar de delicada, a cirurgia não elimina todos os problemas. A lesão é tão complexa que se decide não recompor os ligamentos, pois o risco de alijamento dos gramados é muito alto. O paliativo é proteger o joelho por meio de reforço na musculatura local. Só que qualquer pisadela em falso pode reviver o drama. Mas não há opção. Ou isso, ou o fim.

1986. Passam-se quatro meses, quase cinco. Após dois amistosos no Oriente Médio, Zico está pronto para retornar aos gramados de forma oficial. Irá se reencontrar justo com o Fluminense, último adversário antes da cirurgia, agora ostentando um arrogante tricampeonato. Estréia de Sócrates no Maracanã, jogo muito falado. Mas o espetáculo é de Zico, que exala toda a energia acumulada por meses de sofrimento e flutua em campo, enlouquecendo 84 mil privilegiados espectadores, que testemunham uma das maiores exibições individuais da história do Maracanã. Um iluminado Zico faz com que a bola deslize aveludada, cintilante, refulgente. Há, entre os outros 21 em campo, nomes consagrados, experientes, plenos de talento puro. Mas naquela tarde Zico está em outro plano. Seu futebol exuberante beija a perfeição, é algo quase divino, etéreo, infinito. Zico desmonta, tijolo por tijolo, a soberba do adversário, erige contundentes 4-1 e silencia todas as vozes bichadas de frustração e inveja. Ovacionado, desce ao vestiário. E chora lágrimas de titã.

O Galinho seguiria alternando momentos mágicos (na Seleção, destroça a Iugoslávia num amistoso, com direito a dois gols de placa) com a angústia de conviver com um joelho pouco confiável, sensível a cada buraco, cada giro em falso. Aos trancos, vai à Copa e é exposto à sanha dos eternos derrotistas. Retorna ao Brasil, o Estadual no Segundo Turno. E lá está Zico, profissional exemplar, exibindo seu talento e expondo seu delicado joelho aos buracos da Rua Bariri e do Godofredo Cruz. Vem o Fla-Flu. Vitória crucial para o Flamengo. Zico alinha com o resto do time. Mas só resiste sete minutos. Um giro em falso, o costumeiro estalo, o inchaço instantâneo. Mais uma vez, fora de combate. Traumatizada com a surra da Guanabara, a torcida tricolor reluta em festejar. Não adianta, apanha do mesmo jeito, o Flamengo faz 1-0 e segue seu trajeto rumo ao título que irá conquistar mais à frente. Mas será sem Zico.

Após sair de campo no Fla-Flu, Zico segue sua enfadonha rotina de recuperação nas salas de musculação. Prepara-se pro Brasileiro. Mas num treino bobo, a dias da estréia contra o Paysandu, pisa em falso e vê novamente seu joelho inflar. As semanas de recuperação são jogadas fora. É o basta. Zico resolve se submeter a uma arriscadíssima cirurgia para reparar os ligamentos. Terá que suportar uma rotina ainda mais dura de recuperação. E as chances de retorno não são muitas. Mesmo assim, o guerreiro ferido vai pra luta. É dado por acabado.

1987. ONZE meses após o fatídico Fla-Flu, lá está Zico de volta, recuperado da cruel lesão nos ligamentos. A cirurgia é um sucesso, embora ainda existam meniscos feridos, o que faz com que Zico tenha que evitar saltar. O tão aguardado retorno é contra um velho conhecido. O Fluminense. Taça Rio, jogo “amistoso”, os dois times sem chances. Domingo de manhã, Caio Martins, TV pra todo o Brasil. Zico atua todo o tempo, novamente mostra diferenciar-se dos demais com toques limpos e agudos. Tem boa atuação, apesar da falta de ritmo. Pênalti para o Flamengo. A transmissão da TV faz onda, cria uma tensão desnecessária. Zico vai lá, faz seu trabalho e converte, como de costume. O jogo termina 1-1, mas Zico é o grande vitorioso do dia. Está de volta. E dali a um mês, estará erguendo mais uma taça de campeão, a primeira após o seu retorno. Dessa vez, é o título do Terceiro Turno. O adversário? O Fluminense, naturalmente, abatido por 1-0 na decisão, gol de Marquinho, após cruzamento do próprio Zico.

1987 marca a redenção definitiva do Zico. A conquista do tetra brasileiro silencia de vez seus críticos, cujas vozes se marginalizam ao ridículo, clamorosamente desautorizadas pelos fatos. O Galinho se torna uma lenda viva do futebol brasileiro, admirado por adversários e cultuado pela nação flamenga. Nos dois anos seguintes, realiza a última cirurgia corretiva (agora nos meniscos), bem mais amena, convive com problemas musculares, mas segue atuando com regularidade. Ao final do seu último contrato, no alto de seus 36 anos, decide encerrar a carreira. A despedida será na penúltima rodada do Brasileiro. Contra o Fluminense.

1989, Juiz de Fora, dezembro, tarde de sábado. Pela última vez, Zico estará em campo vestindo a camisa 10 do Flamengo numa partida oficial. O adversário é um fragilizado Fluminense, dirigido por Telê Santana. Naquele dia, uma nação inteira engalana-se, quer mostrar-se bonita pra seu astro maior, enche o acanhado estádio mineiro, entoa cânticos de amor, mas está ferida. O Flamengo realiza atuação de gala, voa em campo, todos querem mostrar serviço. O resultado é um massacre, o Flamengo faz 5-0 com espantosa naturalidade. Mas é uma goleada estranha. A massa flamenga sorri amarelo, não tripudia o adversário, não enaltece o time. Está triste. Após um último gol de falta e uma bonita atuação, Zico deixa o campo num rastro de luz. A partir daquele momento, pertence à história.

Não deixa de ser curioso constatar que o adversário preferido de Zico era o Botafogo (o Galinho sempre admitiu que tinha prazer especial em derrotá-los). O oponente contra quem ganhou mais taças foi o Vasco. Mas, no zênite de sua carreira, todos os momentos-chave envolvendo afastamentos e retornos sempre tiveram o Fluminense como coadjuvante, numa espantosa cadeia de coincidências. Algo que parece místico.

Se bem que dizem que mística é a marca de um Fla-Flu, não é mesmo?

(créditos vídeos youtube: aleflamengo, jogosdobrasil, alrossi, crespobm)



segunda-feira, 22 de março de 2010

A razão da bola murcha é a falta de treinamento

*Por Victor Esteves, do Buteco do Flamengo

Ia ser uma grande injustiça sair de campo derrotado. Mais um 2 a 2 para a história recente do clássico. Mas ninguém pode reclamar que o jogo não teve emoção. O que se perdeu de gol foi uma grandeza ! Parece que todo mundo acreditava que podia resolver o jogo sozinho. O número de tentativas erradas de um mesmo jogador devia soar um alarme de “simancol”. O cidadão jogador erra 5 seguidas ? Custa na sexta passar a bola para alguém ?

Mas isso se explica, a meu ver, pela falta de treinamento. Esse time aí, com os dois laterais trocados, nunca jogou nem treinou. Se o Ramon vai entrar em algum jogo, ele precisa ser lançado nos treinos na posição para ganhar algum entrosamento. Ninguém pode dizer que faltou raça, nem que o Kleberson afundou o time. Mas o Adriano continua fora de forma, e o Vagner Love inverteu as estatísticas, mesmo sendo o artilheiro do campeonato, ele já errou mais do que acertou. O Pet teve alguns lances lúcidos, mas o meio campo não esteve dominado para facilitar sua maneira de jogar. Pode ser só a minha opinião, mas um bom time titular do Flamengo só pode ter um dos dois escalados : ou Toró ou Willians. Que venha alguma explicação, porque eu não tenho a informação correta da razão do Maldonado não ter começado a ganhar ritmo de jogo ainda.

A semana que começa traz um jogo contra o Tigres no meio da semana e contra o América no domingo, antes de receber o UChile. Dois bons treinos para botar o time jogando bem. É melhor uma semana com dois jogos do estadual do que jogo do estadual e jogo da Libertadores, as vezes com viagem e tudo. É a semana que o Andrade tem para cobrar dos seus preparadores físicos um programa de recuperação dos jogadores e de treinos bem pensados. O jogo foi emocionante, mas só porque o Flamengo não vem treinando junto, por absoluta falta de tempo (há quantas semanas jogamos 2 vezes a cada 7 dias ?), e por licenças exageradas.

Esse time, treinado e com fôlego, ganha 8 em cada 10 partidas contra este time do Botafogo. O Botafogo teve um bom Caio e uma marcação boa em cima do Pet e do Kleberson, dificultando a armação de jogadas. Mas não serve como referência nem treino pra Libertadores. Penso que as duas partidas seguintes podem servir como treino não pelo grau de dificuldade, que não se compara com o que vamos ter pela frente na competição sul americana, mas sim pela possibilidade de testar as diversas formações de combate do Flamengo. Pet ou Vinicius já é uma variação válida, de acordo com o jogo ou com o adversário. Mas e as demais opções que o time precisa ter ? O Alvim, depois da boa estréia, quer contrariar o Mozer. Por enquanto o marrentinho que mais apanha do futebol brasileiro ainda tem preferência. Ele parte para cima, faz isso nos últimos anos seguidamente, e o time ganha uma real alternativa pela esquerda, ainda que sacrificando o setor defensivo deste lado.

Não tem nada perdido e tomara que a semana seja dedicada ao tratamento dos jogadores lesionados e da forma física dos atletas e não ao bate boca de novas notícias extra campo. O Mengão é maior que tudo isso e é hora da imprensa respeitar isso. Vamos falar de futebol !

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Balanço pós maratona

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Na verdade não teve ainda o “fim da maratona”. Mal acabou o clássico, já temos o Tigres pela frente na próxima quarta. Depois virá o América para só então ter uma semana de folga para trabalhar. Mas é inegável que a pior parte era essa inicial, com duas viagens ao exterior e dois clássicos por disputar.

Pela Libertadores, apesar do ótimo resultado na Venezuela, a derrota contra o Universidad na última quarta feira serviu para ligar o alerta do grupo. A forma como perdemos para uma equipe que respeitou e deixou o Flamengo jogar e a gritante desorganização da equipe, já evidenciavam a necessidade de ajustes no meio campo e na proteção à defesa.

Com a derrota, o jogo de volta contra os Chilenos ganha contornos de decisão. Só a vitória interessa, ou passaremos a depender de outros resultados. É o jogo para se retomar a liderança, ou a derrota no Chile terá nos custado muito mais caro do que parece.

Já nos clássicos pela Taça Rio, jogamos mal o primeiro e ganhamos. Já o segundo foi um bom jogo, mas só conseguimos arrancar o empate nos acréscimos.

Essa partida contra o Botafogo é daquelas de deixar o torcedor pensativo pelos aspectos positivos e negativos apresentados pela equipe.

O time teve maior posse de bola. E melhor do que isso - bem ao contrário do que se viu em Santiago - errou poucos passes, tendo um aproveitamento de 92% (segundo scout site www.rankingfutebol.com). E Adriano, pivô de tantas discussões extra-campo nas últimas semanas, mesmo que completamente fora de forma física e técnica, conseguiu fazer dois gols.

Como nosso amigo André Monnerat muito bem demonstrou em seu texto de sexta feira, estivesse o Adriano com a forma em dia, seria ainda mais decisivo do que tem sido. É esse Adriano que o Flamengo tem que recuperar, devolver a alegria de jogar e colocar em campo.

Mas voltando ao jogo, ontem alguns problemas se tornaram ainda mais evidentes. E o principal destes está à frente da defesa.

Seja com Petkovic ou com Vinicius Pacheco, o meio campo não oferece combate. Quando a equipe adversária avança, quase sempre chega à intermediária de defesa do Flamengo carregando a bola com liberdade. Isso tem sobrecarregado nossa linha de zaga.

Temos dois cabeças de área roubadores de bola, Toró e Willians, mas nenhum deles sem muita inspiração para dar velocidade e qualidade a essa saída para o ataque. Além disso, seja por excesso de vontade ou sobrecarga na função, quase sempre saem de campo no mínimo com um cartão amarelo, comprometendo a marcação durante as partidas.

Para corrigir isso, a melhor opção parece ser a volta de Maldonado. Já é o momento do técnico Andrade dar ritmo de jogo ao Chileno (provavelmente no lugar do Toró), mantendo dessa forma um bom nível de proteção à defesa e mais qualidade na saída de bola da defesa.

O ataque também carece de melhorias. Quando o meio campo não consegue fazer a bola chegar, alguém (Love) recua e busca fazer essas ligação. Mas as jogadas tem esbarrado no “homem de referência”, já que temos um Adriano sem ritmo, sem mobilidade, que não consegue dar seqüência. E assim o time parece engessado, exatamente no setor onde, no papel, tem sua maior força.

A fórmula é a mesma e parece urgente: Colocar em forma. Com Maldonado e Adriano jogando o que sabem, o time volta a ter equilíbrio. Agora, como administrar isso com jogos quarta e domingo, deixo na mão da comissão técnica.

América e Friburguense são jogos para dar oportunidade a Maldonado e tirar o Adriano para recuperar sua forma ideal.

Essa é a minha aposta.

Grande Abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

domingo, 21 de março de 2010

Censura Sem Cura



Não entrarei no mérito do certo e do errado. Ninguém é perfeito, e todos aqui já tem umas continhas a pagar com o cara lá de cima.

Enche o saco me sentir em 1968, mesmo tendo vivido, à essa época, meus primeiros dias de vida.

Os tanques invadindo o sítio de Jango não existem mais. Polícia distribuindo porrada em estudantes? Talvez num congresso aqui, ou num trote ali.

Mas o que a imprensa tem feito, na sua falta do que fazer, é lamentável. A opinião é minha, não do blog. Minha, do Alex do Triplex.

E aqui vou parafrasear 2 amigos meus, pra mostrar que, apesar da minha indignação, concordo que algumas atitudes devem ser tomadas no clube.

Primeiramente, me preocupo com a imagem do clube. Isso é fato.

E segundamente, como diria Odorico, acredito que alguns desses caras que prestaram juramento de jornalista deveriam, obrigatoriamente, cobrir um tiroteio, ou até mesmo entrevistar a mãe de um traficante assassinado. Eles acham que esse tipo de jornalismo é bacana, é legal ter o poder de fuder com a vida de alguém. Mas, talvez pela falta de conhecer efetivamente o que é o sofrimento alheio, eles caguem e andem pra vida.

É isso aí.

O jogo? Ah, empate aos 48 do segundo tempo. O que vocês querem que eu avalie? Tive que tomar 10 copos de água com açúcar pra parar de rir. O único comentário é mais um pedido: "Volta, Maldonado".

E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

Flamengo x botafogo


Comente aqui o jogo.


sexta-feira, 19 de março de 2010


PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib

Adriano bebe demais. Adriano bate em mulher. Adriano avança sinal. Adriano dirige mal. Adriano não treina. Adriano isso, Love aquilo, Bruno também. É tanto blá, blá, blá que essa semana fiquei de saco cheio de tudo isso e não li e não vi mais que 45 minutos de futebol. Ainda para completar tivemos aquela derrota patética no meio da semana que desanimou ainda mais. Como naquela quarta Joaninha completava 1 aninho, vibrei por ter algo mais interessante para fazer do que escutar tanto trololó e ver aquele apagão em campo.
Eu sou fã do Pet e pra mim ele tem vaga nesse time fácil. Pode ser vovô, não estar 100% mas acho uma peça importante mas para entrar de início. Se for o caso de cansar aí sim substitui e entra o gás novo do Vinícius que fez boas partidas mas perde tecnicamente para o sérvio.
Adriano é fato, tem q entrar em forma e para isso vai precisar se empenhar um pouco mais nos treinamentos afinal a Copa está aí e apesar de ser mais Mengão que Brasil ele é peça importante nas duas frentes.
Quanto ao Juan não acho que esteja comprometendo não. Sou fã do cara, acho que ele se entrega mas temos que considerar que estamos desguarnecidos pois falta Maldonado e eventualmente falta Willians ou Toró.
Kleberson é que está destoando. O penta além de poder jogar mais está difícil de aturar, na quarta errou TUDO.
Mas estamos vivíssimos na Liberta e a vitória no jogo da volta já nos coloca novamente na liderança do grupo. Portanto agora é foco no joguinho de domingo lá no estádio sem glamour. Para este talvez tenhamos um grande desfalque, Leo Moura, quem tem sido o melhor em campo nos útimos jogos. Mas, não tem chororô, é ganhar ou ganhar.

SRN


Twitter: http://twitter.com/luzogaib
Futeblog : http://luzogaib.wordpress.com/

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Adriano e o pacote contratado


O Flamengo finalmente perdeu um jogo, depois de tentar bastante. E, por conta do resultado, várias opiniões mais críticas sobre determinados aspectos do time começam a aparecer por aí - na imprensa, em blogs, no Twitter. Me chamou a atenção especificamente a quantidade de comentários reclamando de Adriano. "Pesadão", "sem ritmo", "tem que treinar mais" e por aí vai.

Vejam bem: se as faltas a treinos, as regalias e os problemas extra-campo fazem parte do pacote contratado para ter Adriano no time (e todos já concordam com isso, e repetem várias vezes que "se não fosse assim, ele estaria na Itália"), eu já estou chegando à conclusão que também esta sua forma meia-bomba faz parte do acordo - até porque ela é consequência exatamente de outros pontos negociados no contrato. Pode ser que, em eventuais momentos de maior empolgação do Imperador, ele dê um upgrade ocasional. Mas, de modo geral, é isso aí mesmo que dá pra esperar; é o que ele mostrou na maior parte do tempo em que esteve por aqui.

Muitos vão dizer que não é bem assim, que o Flamengo foi Hexa graças a ele, jogando bem mais do que agora. E é verdade; quando Adriano entrou em forma, foi fundamental para a arrancada do time rumo ao título. Porém, como já escrevi aqui algumas vezes, isso aconteceu em uma fase específica do campeonato, quando ele voltou realmente bem fisicamente da primeira convocação para a Seleção. Diria que aquele Adriano, o verdadeiro Imperador, entrou em campo entre os jogos contra o Sport, na 24a. rodada, e o contra o Botafogo, na 31a. Um intervalo, portanto, de oito rodadas apenas - sendo que ele esteve ausente nos jogos contra Vitória e São Paulo, por estar na Seleção.

Já mencionei aqui que, até aquela convocação, Adriano andava fazendo gols, era importante, mas não fazia do Flamengo um time vencedor. Lembrei que ele esteve em campo, impotente, nas goleadas sofridas para Sport, Coritiba, Avaí e Grêmio, na fase ruim do time. Mas vou fazer diferente agora e relembrar alguns relatos do ano passado, pra vocês verem que isso não é só revisionismo meu.

Primeiro, para ilustrar a visão que eu tinha do Adriano pré-Seleção:

Devo dizer que me impressiona o estágio atual da forma física de Adriano, tanto tempo depois de sua volta ao futebol, sem contusões no meio do caminho. Ele diz que está próximo do ideal, mas realmente não acho que quem o vê em campo concorde. O cara é melhor que os outros tecnicamente, está claro, e até em termos de inteligência em campo se diferencia. Mas ainda está muito mais lento do que o seu normal, e até agora nada da bomba de esquerda dar as caras.
(...)
De novo: ele é importante em campo, como não - não vou discutir. E, como lembram muito, o artilheiro do time, inclusive.
Mas, pra colocar as coisas em perspectiva, quero lembrar que Obina fez, até agora, apenas um gol a menos que Adriano no campeonato.

Este texto foi exatamente antes da ida de Adriano para a Seleção, quando o Flamengo estava longe de ser considerado candidato ao título. Ele voltaria a jogar apenas contra o Sport, no Maracanã, de volta de seu spa comandado por Dunga. E esta já foi uma bela atuação, a sua melhor no Flamengo até então, em que a diferença de seu físico já chamava a atenção:

(...) a produção do time na frente poderia ter sido ainda melhor - mas, ao menos pro nível do adversário, a bela atuação de Adriano compensou com tranquilidade. Hoje o Imperador pareceu mais leve, se movimentou bem e, fora os dois gols, fez várias outras belas jogadas.
A impressão se confirmou na rodada seguinte, contra o Coritiba - mais uma grande atuação de Adriano, em que  ficou claro para todos que a sua forma física era outra:

Mas quem pode não se empolgar com um gol como este que os dois nos apresentaram hoje? A movimentação, o lançamento, o toque por cobertura - tudo perfeito. E Adriano ainda fez questão de tirar a camisa na comemoração, pra levar o cartãozinho besta, mas mostrar como anda seu físico.
O time seguiu bem nas rodadas seguintes, foi se aproximando da liderança. Na 31a. rodada, Adriano decidiu contra o Botafogo, ganhando no físico dos zagueiros adversários para fazer o gol da vitória - "embolou-se com a bola na maior parte de seus lances, mas decidiu o jogo em uma só jogada". Na rodada seguinte, contra o Barueri, sem Petkovic, não esteve bem e o time teve uma noite péssima. Contra o Santos, o time voltou a vencer, com gol de cabeça de Adriano. Mas Bruno teve que pegar dois pênaltis, o time passou perrengue no Maracanã e a forma do Imperador já não era a mesma, algo que quem via os jogos no estádio podia notar com clareza:

O time, na verdade, sofreu com o cansaço de suas principais peças ofensivas a partir de um determinado momento (...).
Adriano - que já não está mais naquela forma exuberante em que foi devolvido pela Seleção há um tempo atrás - até partia para algumas arrancadas em contra-ataques, mas acabava concluindo mal os lances pela falta de pernas. Numa delas, deu um pique realmente incrível para ganhar na velocidade de um adversário - e, depois de ter ficado com a bola, simplesmente passou a bola para um jogador do Santos. A vista do cara deve ter embaçado.
E fica aqui um parêntese: faltam só cinco rodadas. É hora de conscientizar todo mundo do momento de decisão que a equipe vive. As férias vão chegar logo logo, todos vão poder descansar o quanto puderem. É hora de todo mundo - todo mundo! - treinar, todo dia, dando seu máximo, para estar no melhor de sua forma. Quem acha que merece as regalias que ganha poderia deixá-las um pouquinho de lado numa hora dessas.

O jogo seguinte foi a épica vitória contra o Atlético-MG, no Mineirão. Adriano fez novamente um gol de cabeça (o terceiro do time), mas esteve apagado a maior parte do jogo. Quem foi ao Mineirão notou que ele já não se movimentava bem em campo - caso de meu amigo Max, que em nossas conversas nunca deixou de achar Adriano importantíssimo para o time e a compreensão sobre o tal "pacote contratado". Max viajou para ver o time de perto e registrou sua impressão sobre o Imperador em um e-mail da época: "E o Adriano nao treinou hoje de novo. Foda... Ele podia dar um gás ao menos nessa reta final. Tá gordo e quase não se mexe em campo".

Pois é: àquela altura, o Adriano que se via não era muito diferente do que se vê hoje - talvez estivesse até pior. O Flamengo acabou Hexa, vocês sabem, mas não sem sofrimento e com atuações bem abaixo daquelas do auge da arrancada. Todos se lembram do dramático jogo contra o Grêmio, em que Adriano jogou ainda com bolha no pé, esteve mal e perdeu várias oportunidades de marcar. Mas mesmo antes da tal queimadura numa lâmpada de jardim que o tirou da partida contra o Corinthians, na penúltima rodada, ele já havia decepcionado no empate contra o Goiás, no Maracanã, quando muitos sentiram o título escapando por entre os dedos:

(...) na boa: no fim do jogo o cara parecia não ter forças nem pra tocar a bola de lado - era até constrangedor.

* * * * * * * * * * * * *

Tudo isso é pra dizer o seguinte: o Adriano decisivo, impressionante, Imperador, de que todos se lembram na campanha do Hexa, não durou muito. Uma meia dúzia de partidas, talvez. Na maior parte do tempo, tanto em 2009 quanto em 2010 (a atuação contra o Universidad não foi muito diferente do que se viu, por exemplo, contra o Vasco - mas houve um pênaltizinho que deu a Adriano a chance de "passar seu recado" e mudou um tanto o tom dos comentários sobre ele no dia seguinte), o Flamengo teve um atacante acima da média, que sabe usar seu porte físico e sua técnica superior para concluir bem as chances de gol que lhe aparecerem; mas que se mantém longe de sua melhor forma física, costuma cansar no segundo tempo e que não resolverá a parada com frequência quando o time como um todo não estiver funcionando bem. Um jogador de bom nível em relação à concorrência, capaz de fazer muitos gols e dar alegrias, mas não um excepcional, fora de série. Um belo centro-avante, mas não tão diferente assim de outros por aí que sabem deixar sua marca quando o time lhe servir bem. Melhor que Washington ou El Loco Abreu, mas não muito mais decisivo do que um Kléber ou um Fred, por exemplo.

É mais do que a maioria dos times por aí têm. Mas é menos do que muitos rubro-negros acham que podem contar. Pelo que eu já percebi, o pacote contratado é este. E talvez, se não fosse assim, ele estivesse na Itália.


* * * * * * * * * * * * *

E, considerando tudo isso, faz pouco sentido vermos Adriano saindo tanto para buscar o jogo enquanto Vagner Love joga o tempo dentro da área. Não só é esquisito pelas características dos dois, como ainda não combina com o fôlego de Adriano. Não é de se estranhar que, no fim da partida em Santiago, suas arrancadas fossem neutralizadas com tanta facilidade pelos zagueiros chilenos.

- ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing em Internet e escreve também no SobreFlamengo (sobreflamengo.blogspot.com e twitter.com/sobreflamengo).

quinta-feira, 18 de março de 2010

Pra quê elenco?

Enquanto boa parte dos jogadores entrava em um jogo semidesimportante no domingo, Ramon, que entrou bem nos últimos jogos, nem no banco ficou. Adriano jogou muito mal, apesar do gol, fazendo a gente pensar se não era melhor manter o esquema do hexa e poupar o Imperador para que ele treinasse e tivesse uma atuação melhor do que o papelão desta quarta. Ver o cara perder na corrida pra um jogador desconhecido foi meio humilhante, não?

O que irrita nisso tudo não é a derrota. Faz parte do esporte não ganhar sempre. O que chateia é termos um elenco de qualidade e durante uma maratona insistirmos com o time titular, como se não houvesse uma diferença de ANOS-LUZ em termos de importância nas duas competições que disputamos.

É possível deixar o Love no comando de ataque, Ramon como articulador das jogadas, Michael ou Gil como pontas no lugar de Pacheco e por aí vai. Será que se começássemos o clássico com a zaga Angelim e David seria tão ruim? Não seria até uma forma de estimular quem esquenta um banco e vê os titulares se matarem nessas viagens e nem relacionado é?

Era óbvio que nessa maratona e ainda viajando no dia, o time ia sentir o desgaste. Como a viagem no mesmo dia do jogo era inevitável (o que diabos a confederação espera pra tirar os jogos de um país com terremotos?) então alguns jogadores precisavam ser poupados nessa semana.

Então ficamos marromenos assim:

Libertadores/jogos importantes: Bruno, Léo Moura, Álvaro e Fabrício, Juan (alvim), Maldonado e Kleberson (willians), Pet e Pacheco, Love e Adriano

Estadual: Lomba, Everton Silva, David e Angelim, Alvim (Juan), Lennon, Willians e Toró, Ramon, Michael (Gil), Mezenga (Dênis Marques)

Pode ser, pessoal? Vamos priorizar a libertadores e parar com essa hipocrisia de que todo jogo tem a mesma importância?


EMBAIXADAS DA NAÇÃO – O FLAMENGO ONDE VOCE ESTIVER
Por Vinicius Nagem

Amigos do Blog da FlamengoNet,

Se você está gostando de acompanhar as histórias das Embaixadas da Nação, leia também nosso blog no site oficial do Flamengo denominado VOZ DAS EMBAIXADAS, com noticias atualizadas sobre elas. Acesse http://www.flamengo.com.br/site/blog/blog.php?id=6

Entre na comunidade no Orkut destinada aos apreciadores do blog VOZ DAS EMBAIXADAS http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=96624271

Contamos com a presença dos amigos em ambos os espaços virtuais.

A vigésima Embaixada que contará sua história aqui no Blog é a FLA-LAGES, situada na bela cidade de Lages, localizada na não menos bela e santa Catarina. Com a palavra, a FLA-LAGES, uma das 5 embaixadas pioneiras.


Fla-Lages – Em Santa Catarina quem comanda é o Mengão
* Fernando Augusto – Diretor da FLA-LAGES


A história da Fla-Lages está intimamente ligada à trajetória de um rubro-negro lageano: Renato Tadeu Furtado Ramos.

Ainda menino, na década de 60, Renato - hoje com 52 anos - achou no chão um chaveiro com o distintivo do Flamengo. O encanto daquelas cores e a força do nome fez com que ele decidisse que o Mengão seria o time da sua vida.

Ressalte-se que o pai e os irmãos de Renato torciam por um rival do Flamengo, um adversário que ao longo dos anos se especializou em vice-campeonatos. Assim, Renato não teve a influência de ninguém de sua família para se devotar ao Mais Querido: foi a própria grandeza do clube e o seu destino de glórias que atraíram o jovem torcedor.

Renato cresceu ouvindo pelo rádio os gols de Dida, Silva, Almir, Arílson, Doval... Bons tempos aqueles onde as ondas da Rádio Globo AM, cruzavam o Brasil de norte a sul e faziam milhões de apaixonados torcedores rubronegros sentarem-se ao lado dos seus rádios TRANSGLOBE da Philco, para imaginarem as histórias batalhas que se travavam no maior estádio do mundo. Tudo narrado pela dupla de ouro do rádio Jorge Cury e Waldir Amaral, com comentários de João Saldanha e análise técnica da arbitragem do valente Mário Viana.

Bons tempos...

Os anos se passaram, Renato se casou e teve dois filhos, Fernando e Fábio, os quais herdaram a paixão do pai. Fernando nasceu quatorze dias antes de o Flamengo arrasar o Liverpool em Tóquio.

Fábio é hoje o organizador das excursões da torcida para assistir aos jogos. Torcida que iniciou como Fla-Ramos, formada pelo Renato e pelos filhos, mas que cresceu e atraiu outros rubro-negros, formando-se então a Fla-Lages

As viagens para jogos do Flamengo começaram em 1994, ainda pelo sul do país, para logo ganhar outras fronteiras. Anualmente, a Fla-Lages se desloca pelo menos uma vez ao Rio de Janeiro, além de promover festas grandiosas na cidade onde já foram trazidos inúmeros ídolos do passado.

A FLALAGES foi nomeada uma das 5 embaixadas pioneiras em 2008 e sente orgulho da sua bandeira que está tremulando na frente da Gávea, juntamente com as bandeiras das demais Embaixadas co-irmãs.

Neste ano, para fugir um pouco da rotina (já que todo ano fazemos festa em Lages) estamos planejando comemorar o aniversário do Mengão na Gávea, levando um grupo da nossa Embaixada. E preparando o passaporte para ir a Dubai ver a decisão do título mundial.

Triplex Top Ten

1 - Bruno: Ter crédito não significa que pode errar como errou hoje. Não é pra pregar na cruz, mas esse tipo de erro, numa competição como a Libertadores, pune. Reitero, não é pra pregar, mas que sirva de lição. Mesmo com o erro, ainda pegou umas 2 bolas difíceis, evitando algo pior.

2 - Léo Moura: era um dos melhores até sair machucado. Achou o equilíbrio com a cobertura do Willians.

3 - A derrota: É matemática a parada. Quando ganha, ganham todos. Quando perde...time mal, parecia cansado, e o resultado foi justo. Eles chutaram 4 bolas e fizeram 2. Nós chutamos umas 10, e fizemos um. Aproveitamento maior, vitória deles. Parece comentário do lofredo, mas é simples assim mesmo.

4 - Fabrício: Numa boa, Libertadores é pra gente grande. Tem jogo que chama por experiência. Hoje, por exemplo, eu entraria com o Angelim. Mas é aquela coisa. O SE não existe no futebol. Não posso assegurar, jamais, que isso mudaria o resultado.

5 - Juan / Alvim: Vinham bem no primeiro tempo, fazendo um bom rodízio na marcação e nas idas ao ataque. Sumiram no sufoco dos 5 minutos finais, e mesmo com o gol do Alvim, não foram bem no segundo tempo. Mas é um equilíbrio interessante pra arrumar a avenida que estava no lado esquerdo.

6 - Maldonado: Deveria ter começado esse jogo. Se analisarmos friamente, jogamos sem um volante clássico de contenção. Era o Alvim saindo, o Willians idem, e o Kleberson morto, correndo feito uma barata bêbada cheia de bayer nas idéias. Tem que botar o cara pra jogar. Simples assim.

7 - Pet: Não pode ficar de fora. Vinicius Pacheco vinha bem, mas repito: Libertadores é pra gente grande. O jogo começou cadenciado, o time deles deixou jogar, e uma cabeça pensante mataria o jogo a nosso favor. Andrade demorou pra colocar o gringo. Independente de Libertadores ou Carioca, ele sempre será titular no meu time.

8 - Adriano: Morto. Gordo. Se é pra entrar assim, só pra justificar, deixem o cara emagrecer, e só escalem-no quando estiver em condições físicas perfeitas.

9 - Love: Muito mal no jogo também. Não deixou de lutar, mas perdeu gols bobos, que ele não costuma perder.

10 - A torcida: Vem cá, vocês vão queimar Joana D´Arc na fogueira? Quarta rodada, Maraca, é jogo pra pegar a liderança de volta. Vai apoiar ou vai cornetar, vaiar?

E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: http://www.twitter.com/alextriplex

quarta-feira, 17 de março de 2010

Comente aqui o jogo

A pouco mais de 4 horas do jogo, desejo boa sorte ao Mengão Fuderosão das Galáxias.

O enviado internacional Dão já está lá, e acabou de me chamar no rádio pra dizer que o clima está tranquilo, com vários torcedores circulando próximo ao estádio.

Pra quem não leu ainda, segue o link da reportagem.

Boa sorte pra gente.

FAITH!!!!

terça-feira, 16 de março de 2010

O PAPELÃO DOS NOSSOS E A HISTERIA DOS RECALCADOS

*Por Oswaldo Tinhorão

Há muita viadagenzinha em torno dos dois episódios -- lamentáveis em si, diga-se de início -- envolvendo os rubro-negros Adriano e Vagner Love. Deixemos já assentado que eu não acho a menor graça em ver jogador do meu time confraternizando com bandido, que sou dos que subscrevem a tese de que bandido bom é, se não bandido morto, ao menos bandido preso, sem progressão de regime por bom comportamento e outras benesses que o constituinte canalha de 1988 consagrou, e que, no meu mundo ideal, a vida privada de jogador do Flamengo só seria objeto do noticiário para sabermos exatamente que vagabunda famosa ele anda furando. É deselegante, mas tem o efeito educativo de distinguir bem, aos olhos do público, o atleta do Flamengo de atletas do São Paulo e do Curíntia, mais chegados a ser furados (ou, com muito boa vontade, a furar o que não merece ser furado, no segundo caso).

Deixemos tudo isso assentado para que se não me acuse de estar defendendo o que não defendo. Como cidadão privado, torcedor do Clube de Regatas do Flamengo que sinceramente quer bem aos srs. Adriano Leite Ribeiro e Vagner Silva de Souza, fico triste e envergonhado pelo papelão que nos proporcionaram. E entendo e subscrevo as preocupações dos que acham que esse comportamento pode prejudicar o futebol do Flamengo -- pelo risco de rachar o elenco ou de os excessos comprometerem a boa forma física e mental de nossos atletas.

Dito tudo isso, permito-me voltar ao meu ponto inicial: há muita viadagenzinha em torno dos episódios envolvendo Adriano e Vagner Love. Não por parte de nossa torcida, que, como demonstrei, tem legitimidade para preocupar-se com os efeitos desse comportamento; nem por parte dos que, rubro-negros ou não, assumem o comportamento legítimo de lamentar que figuras públicas, admiradas por crianças e jovens, dêem o mau exemplo que estão dando.

Ultrapassados esses limites, no entanto, tudo o mais que se disse sobre esses dois casos foram manifestações mais ou menos explícitas de ódio e recalque pelo que o Flamengo e o Rio de Janeiro representam. Alguns foram muito mais inábeis (e muito mais engraçados) do que outros. É ler, por exemplo, o desabafo histérico do sr. Marco Aurélio d’Eça (que eu, até então, jamais vira mais gordo), intitulado O Flamengo parece um antro de marginais. Como expliquei, não conheço e nem pretendo conhecer o palpiteiro do site Imirante.com (patrocinado -- uma visita rápida à homepage o revela -- pelo governo da srª. Roseana Sarney), mas os que comentam a coluna dão conta de que se trata de vascaíno militante, como tal com a cabeça inchada desde domingo (ou desde Petkovic em 2001, ou desde Rodrigo Mendes em 1999, ou desde Rondinelli em 1978, de Valido em 1944, desde a inauguração da freguesia em 1923).

Trata-se, como se vê, de um pobre coitado, cujas sandices podem e devem ser relevadas por virem de quem vêm (um palpiteiro de um site absolutamente periférico, e ainda por cima vascaíno) e por estarem tão patentemente inspiradas pelo ódio e pelo recalque. É ler essa bobajada (e.g., “Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado”) e morrer de rir, pelo quanto o Flamengo continua incomodando um ex-rival diminuto a quem nós há muito não damos a menor pelota.

Noutra categoria se enquadra, no entanto, o sr. Reinaldo Azevedo. É inegável que se trata (façamos-lhe essa concessão) de formador de opinião, e de cujas opiniões, no mais das vezes, eu não discordo. Mas é paulista, e diria mais: trata-se do paulista quintessencial, o arquétipo do paulista, quase um Idealtypus -- um sujeito tão babaca que, no ano da Graça de 2010, ainda usa chapéu. Um sujeito tão acostumado a uma visão paulistocêntrica do mundo que é incapaz de enxergar as razões do ressentimento que o país nutre pelo arraial de São Paulo de Piratininga. Não é que discorde delas: ele simplesmente não as enxerga, e quando confrontado com elas sai-se com bobagens do gênero “a participação de São Paulo no PIB caiu na última década” (ignorando o fenômeno do boom das commodities, que aumentou a participação no PIB de estados como Goiás e Mato Grosso, de modo inteiramente alheio à vontade dos sucessivos governos chefiados por paulistas). Um sujeito que se pretende comentarista de política nacional, mas se permitiu ignorar quase por completo o grande assunto político, não diria da semana, mas do semestre, que é o roubo que o Deputado cassado Ibsen Pinheiro pretende perpetrar contra o Rio de Janeiro (Azevedo tratou do tema numa única coluna protocolar, que versava muito mais sobre o choro do Governador Sérgio Cabral do que sobre o assalto a unidade da Federação).

Não sei que preferências futebolísticas tem o sr. Reinaldo Azevedo, mas fico cá com a impressão de que se trata dessas figuras que não sabem quem é a bola, para usar uma imagem de Nelson Rodrigues. E, por se tratar do paulista quintessencial, o desprezo que mostra pelo Flamengo há de ser o desprezo que deve ter pelo Rio de Janeiro, que teima em constituir obstáculo à plena babaquização do Brasil sob a regência ilustrada de São Paulo. E o Flamengo é o Rio de Janeiro por metonímia.

Vejam a enormidade do que diz o sr. Azevedo: ele contesta a afirmação do Dr. Michel Asseff Filho segundo a qual Vagner Love é homem barbado e, portanto, livre para freqüentar o ambiente que bem entender, inclusive a Rocinha; contesta a opinião do advogado de que o Flamengo nada tem com as escolhas pessoais do atleta e opina que o jogador “desfilar em companhia de bandidos [...] é, sim, um problema [...] do Flamengo”.

Não sei que mecanismos lógicos o sr. Azevedo utilizou para chegar a essa conclusão, e a verdade é que já fiz suposições demais sobre o que o motiva neste caso. Fato é que ele não explica, além da platitude habitual segundo a qual é problema do Flamengo porque “o artilheiro do time mais popular do Brasil carrega a força da representação e do exemplo”. Não sei se acha que é problema do Flamengo porque acha que o Flamengo é time de bandido. Há 115 anos carregamos esse destino de ser o time mais popular em todas as camadas da população, dos santos aos bandidos. Mas Reinaldo Azevedo dixit, é problema do Flamengo, sim, e estamos conversados.

Sendo problema nosso, pergunto-me exatamente que medidas o sr. Reinaldo Azevedo pretende que tomemos. Que apliquemos uma multa ao Vagner Love por não cumprir a contento o papel de role model que esperamos dele, apesar de essa obrigação não estar prevista em contrato? Melhor: que rescindamos o contrato por isso? Que juiz trabalhista deste país o sr. Reinaldo Azevedo imagina que nos daria ganho de causa numa ou noutra hipótese, no inevitável processo que se seguiria?

Isso no que diz respeito ao Flamengo. Quanto ao Vagner Love, como bem observou o Dr. Asseff, trata-se de homem barbado capaz de fazer suas próprias escolhas. Ainda não nasceu, acho eu, o delegado ou promotor capaz de indiciá-lo ou processá-lo por gostar da companhia de bandidos armados. Que me conste, a conduta do Vagner Love não se enquadra em tipo penal algum, por mais desgosto que nos cause (e me causa particular desgosto, reitero). O sr. Marco Aurélio D’Eça há de discordar. Do alto de sua sabedoria jurídica, ele a qualifica ligeiramente como “associação para o tráfico”, ignorando que o tipo penal enquadra apenas e tão-somente a conduta nele descrita: “associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34” da Lei nº 11.343 de 2006 (o que, naturalmente, não abrange o ato de andar em companhia de, ou interagir amistosamente com bandidos armados). Mas quem é que dá a menor pelota para o que pensa o sr. Marco Aurélio D’Eça?

Com o sr. Reinaldo Azevedo o negócio é diferente. Justa ou injustamente, dão-se-lhe ouvidos, e, se não me importo com o que ele pensa ou deixa de pensar do Adriano e do Vagner Love, naturalmente não acho a menor graça em vê-lo criticar o Clube de Regatas do Flamengo por algo de que o clube não tem culpa no cartório. Ainda mais por ser paulista. Ainda mais por ser o paulista quintessencial.

Nada disto há de ser interpretado como contemporização minha com o comportamento, que acho reprovável, do Adriano como do Vagner Love. Mas os que bradam histericamente, como parece fazer o sr. Reinaldo Azevedo, por alguma medida drástica do clube contra seus atletas parecem ignorar que jogador de futebol, no Brasil, costuma vir de ambientes os mais difíceis. Que o fato de ganharem fortunas não necessariamente há de alterar, em essência, quem são, de onde vêm e com quem preferem interagir. E que quem pretender administrar futebol, no Brasil, ignorando essas verdades fundamentais estará flertando com o fracasso e a irrelevância. Dois pecados que não estão no DNA do Flamengo.


O limite da intolerância

*Por Vinicíus Paiva

Prezados amigos do Blog da Flamengo Net,

A boa fase pela qual atravessa o Clube de Regatas do Flamengo dentro de campo contrasta com um momento extremamente delicado vivido - pelo menos na figura de seus jogadores – fora das quatro linhas. É fato público e notório que alguns dos jogadores do Flamengo por vezes tomam atitudes que não condizem com a condição de ídolo do maior time do futebol do mundo, ao cabo que é ainda mais flagrante a má vontade que muitos veículos da mídia tem perante o clube, sempre tentando aumentar ou mesmo cultivar crises no seio do elenco rubro negro. A linha entre o certo e o errado é, por vezes, tênue. Seria Vagner Love um bandido simplesmente por ter crescido numa comunidade pobre e conhecer traficantes destes morros? Adriano seria um lunático capaz de mandar amarrar a noiva em uma árvore ou simplesmente teve uma briga normal com a noiva, aumentada diversas vezes pelo fato de ele ser a celebridade que é? E o goleiro Bruno achar normal “sair na mão com uma mulher”? É aceitável?

Cabe a nós tacarmos pedras ou afagarmos egos e personalidades como estas?

Confesso que não sei. Só sei que por muitas vezes parece fácil atirar pedras no telhado do vizinho quando o nosso próprio telhado é de vidro.

Independente dos inúmeros hipócritas que posam como “guardiões da moralidade” da sociedade brasileira, a coisa se torna muito séria quando um destes idiotas possui nas mãos um veículo de mídia onde suas palavras se tornam públicas e atingem um grande número de leitores Brasil afora.

Refiro-me ao senhor Marco Aurélio D’Eça, colunista de política (!!) do portal da TV Mirante, afiliada da Rede Globo (!!!) no estado do Maranhão – uma das empresas do império dos Sarney.

Este senhor, no auge de uma petulância que beira o racismo, escreveu – frisa-se, num portal vinculado à Rede Globo – uma coluna de ataque explícito ao Clube de Regatas do Flamengo e à sua torcida, que pode ser acessada no link a seguir: http://colunas.imirante.com/marcosdeca/2010/03/15/o-flamengo-parece-um-antro-de-marginais/

É importante deixar claro que se trata de um alienígena no que tange ao comentário esportivo da TV Mirante, pois, como demonstram os links a seguir, os despautérios escritos por este indigente costumam se limitar à análise política do seu estado:

http://colunas.imirante.com/marcosdeca/

http://imirante.globo.com/blog/

Transcrevo, pois, alguns dos absurdos:

O Flamengo parece um antro de marginais” (título da coluna)

O centro-avante Adriano é um cachaceiro marginal e descontrolado, protegido pela mídia flamenguista”

Wagner Love é marginal mesmo – no sentido social do termo - destes que participam de festas com traficantes e acham normal a convivência”

“Até os dirigentes do clube – incluindo a atual presidente – têm o sotaque da gíria malandra carioca, de gente que gosta de bagaceira e festança baixo nível. Este é o Flamengo, parece um antro de marginais”.

O sr. Marco Aurélio foi tão irresponsável em suas palavras que chegou a ofender a torcida do Flamengo, por meio de palavras censuradas pelo próprio autor posteriormente, como pode-se verificar na nota de rodapé:

Texto modificado às 16h55 por conter agressões injustas e desnecessárias à torcida do Flamengo. Mantêm-se a opinião apenas em relação aos jogadores. à Torcida, minhas desculpas

Arrependimento? Qual o quê! No dia seguinte (hoje, 16/03/2010), o autor, já num tom mais ameno, tentou ratificar suas verborragias com o seguinte texto:

http://colunas.imirante.com/marcosdeca/2010/03/16/as-verdades-sobre-os-jogadores-do-flamengo-doeram-na-alma/

Neste, o colunista tenta se defender por meio de um discurso de intolerância ao tráfico de drogas e à conivência com o mesmo. Idéias que poderiam até ser consideradas corretas, não tivesse o autor, mais uma vez, se descontrolado e demonstrado todo o ódio que sente pela torcida do Flamengo, por meio da seguinte frase: “Se a torcida do Flamengo acha isso normal e até gosta, tudo bem - não se pode exigir muito dela”.

Se não se pode esperar vida inteligente num conglomerado de mídia que pertence a uma das últimas oligarquias brasileiras, a torcida do Flamengo pode, e deve, protestar contra tamanho despautério partindo de uma afiliada da TV Globo, parceira histórica do Flamengo e de todos os grandes clubes do Brasil.

O e-mail do infeliz é marcoaureliodeca@mirante.com.br . Mas se eu puder fazer uma sugestão, seria a de não darmos mais tanta mídia a este deslumbrado. Apenas demonstrar nosso repúdio perante suas contratantes (TV Mirante - http://imirante.globo.com/paginas/emails.asp e Rede Globo - http://falecomaredeglobo.globo.com/).

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com