quinta-feira, 30 de abril de 2009

SPC

Só acredito quando ver em campo, vestindo o Manto.


E concordo com quem disse que não é hora de discutir Adriano, e sim final contra o botafogo.


Que senhora falta de foco, hein? Não bastasse o jogo de ontem, e continua a mesma coisa.


E nada mais digo.

Seja bem vindo novamente, Imperador!



Flamengo dribla obstáculo financeiro e fecha com Adriano

Ela quer ser Musa do Mengão. Você acha que merece?


Bom dia galera, saudações. Bem eu também não gostei do resultado de ontem. O Cuca tinha que fazer um desenho de um golzinho na parede e fazer esses caras chutarem um dia intero nele, nunca vi tanta finalização ruim. Falaram que o goleiro adversário teve trabalho quando na verdade quem mais teve trabalho foram os gandulas, e talvez o dono do carro que teve o vidro quebrado por aquela bola que o Josiel chutou pra fora o estadio.

Mas eu não vou falar de futebol, vou falar de outra paixão nacional, mulher. Não escondo de ninguém que a minha candidata a Musa do Mengão no concurso da globo é a Suellen Vale, mas a partir de hoje vou abrir espaço para outras candidatas mostrarem o porque merecem ser musa do clube mais querido do Brasil. Serão 11 perguntas para os cuecas conhecerem melhor o sentimento Rubro Negro de cada uma, e quem sabe assim a galera relaxa um pouco e para de picuinha no sistema de comentários. A cada semana uma moça será apresentada.

Vamos abrir os trabalhos com essa bela morena. Betania tem 27 anos e é moradora de Vargem Pequena, bairro da Zona Oeste do RJ. Solteira, cursa o sétimo período de Nutrição na Faculdade Gama Filho. E se vocês pensam que torcida organizada só tem marmanjo atrás de confusão, saibam que a gata é musa da Jovem Fla. 92 de busto, 64 de cintura e 95 de quadril são as medidas da criança. (clique na foto para aumentar)

Então vamos ao que interessa:

1) Como se tornou Flamengo?

Betania - Desde que nasci ja nasci flamenguista, não virei!

2) Quais são as lembranças do primeiro jogo no Maracanã?

Betania - Quando a noite caiu e os refletores acenderam. Nossa ficou marcado. Achei lindo demais. Muita emoção, quando a torcida cantou o hino eu me virei de costas para o campo, para olhar para cima(fui de cadeira) nossa, nunca tinha visto nada igual.

3) Qual foi a maior alegria e tristeza como rubro-negra?

Betania - A maior alegria, ahhh dificil, a cada gol comemorado, cada hino cantado no estadio lotado, cada taça conquistada, dificil dizer apenas uma. E a tristeza, acho que a palavra que se emprega melhor é decepção, a decepção com o Ronaldo.

4) Gol inesquecível?

Betania - Ahhh, eu estava lá, gol do Pet aos 45 do segundo tempo de falta em cima do Vasco. Eu abraçava todo mundo, todo mundo abraçava todo mundo. Mais uma taça pra gente, mais uma em cima do freguês.

5) Qual o clássico do qual você mais gosta? Por quê?

Betania - Flamengo e Vasco, sempre! Preciso justificar?

6) Maior ídolo rubro-negro?

Betania - Zico, mas não vi jogar, que eu tenha visto jogar foi o Romário, ele é o cara!

7) Quem deveria sair do elenco atual? E por quê?

Betania - Hummm, Zé Roberto.

8) Quem é o melhor jogador do elenco atual e por quê?

Betania - Bruno! O cara é o melhor do Brasil! O cara é foda!

9) Maracanã lotado em dia de jogo do Flamengo é...

Betania - Lindo!

10) Ser Musa do Flamengo, para você, significa...

Betania - Representar uma paixão, uma torcida apaixonada, da qual eu faço parte. É levar o escudo do meu time no coração com muito orgulho, e dizer, sem demagogia: eu represento e sou inspiração de uma nação apaixonada!

11) Mande uma mensagem aos leitores do Blog da FlamengoNet.

Betania - Amigos. votem pra eu ser a Musa do Brasileirão! Votem todos os dias! http://www.8p.com.br/musadoflamengo/betbet/perfil
Cliquem em: É seleção, Camisa 10 e Que folego, e confirmem para que seus votos sejam computados! Beijocas em todos.

Prioridade

Você trocaria o Penta Tri Carioca por uma Copa do Brasil?

Eu trocaria.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XXIX)



André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites:

Arnaldo Branco <www.gardenal.org/mauhumor/ > e André Dahmer - <www.malvados.com.br/


Clique sobre a imagem para ampliá-la.


Marcadores: tirinhas_seja_na_terra

Vacilos do passado servem para alertar o presente

Não. O raio não pode cair três vezes no mesmo lugar.

Que raio é esse? É o raio que vem atrapalhando o Flamengo nos dois últimos anos entre as decisões do Campeonato Carioca.

O jogo de hoje é muito importante. Não podemos vacilar. Não tomar gols dentro de casa já seria boa coisa.

Se em 2007 e 2008 a principal competição no primeiro semestre era a Libertadores, em 2009, a Copa do Brasil é destaque e deve ser encarada com muita seriedade.

Porque não adianta comemorar estaduais se o time vacila nas principais competições...

terça-feira, 28 de abril de 2009

Com licença...

Por motivos profissionais e alguns pessoais, estarei licenciado do blog a partir de amanhã.

O blog ficará nas mãos de 4 moderadores, todos devidamente orientados e conscientes do que deve ser feito para manter a ordem: Dão, Tiago Cordeiro, Tiago Bosco e Hermínio.

O ditador entra de licença, mas estará sempre de olho nesta casa que tanto preza. Conto com a ajuda de todos para manter o blog no padrão que lhe é pertinente.

Abraços a todos, e até qualquer hora.

P.S.: Minha coluna continuará, of course.

E nada mais digo.

Promessa? Profecia? Coincidência?







Matéria publicada no jornal Lance! dia 2 de agosto de 2004.
Clique na imagem para amplia-la.

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos,

O texto dessa semana é inspirado em um comentário feito outro dia pelo colega Lauro Moraes, que com certa razão alegava que os anos pós-92 tinham pouco a lembrar de positivo. Sem querer entrar no mérito dessa questão, trago aqui uma agradável recordação de uma partida que nem faz tanto tempo assim, onde o Flamengo goleou o poderoso Real Madrid. E o torneio em que foi disputado esse jogo acabou tendo uma importância maior do que parece à primeira vista. Então, boa leitura.

“Baile al Madrid” e o prelúdio do tetra-tri

1997. O Flamengo não vivia bom momento no Campeonato Brasileiro. Após três derrotas consecutivas e o fiasco no Torneio Centenário de Belo Horizonte (onde, após golear o Benfica por 5-2, acabou eliminado por um time de reservas do Cruzeiro), o treinador Sebastião Rocha (o “Tião”) foi demitido, entrando em seu lugar Paulo Autuori. Curiosamente, na despedida de Tião do comando técnico da equipe, o Flamengo talvez fez sua melhor partida até então, massacrando o Atlético-MG em pleno Mineirão com categóricos 4-2 (estava 4-0 até cinco minutos antes do final).

Autuori teria uma boa oportunidade de conhecer o elenco. Em uma das pausas do Brasileiro, o Flamengo obteve permissão para disputar alguns amistosos na Espanha. Ele herdava do limitado Tião (uma malsucedida tentativa de reeditar a experiência com Carlinhos) uma equipe arrumadinha, feijão-com-arroz, mas pouco criativa e muito dependente de contragolpes. Sem muito tempo para implantar alguma alteração relevante, o novo treinador já tinha uma “pedreira” pela frente, o forte Real Madrid, em Palma de Mallorca, num torneio que ainda contaria com a participação do Mallorca (o anfitrião) e do Vitória-BA, que vinha desenvolvendo uma agressiva estratégia de marketing com o patrocínio do Banco Excel-Econômico e trazia como atrações os atacantes Bebeto e Túlio.

O time merengue ainda não era formado pelos “galácticos”, mas possuía uma verdadeira constelação de craques, um dos times mais fortes da Europa, formado por jogadores como o talentoso atacante espanhol Raúl, o incansável volante holandês Seedorf, o cerebral meia iugoslavo Mijatovic, o croata Suker, atacante letal que estava no auge (seria artilheiro da Copa do Mundo no ano seguinte) e o vigoroso lateral italiano Panucci. Todos titulares absolutos de suas seleções nacionais, coadjuvados por alguns bons nomes, como os zagueiros Sanchis e Karanka (que estreava naquele jogo), o goleiro Cañizares (depois titular da seleção espanhola) e o atacante Amavisca. Esse time era o atual campeão espanhol e um dos favoritos à conquista da Copa dos Campeões da Europa, hoje UEFA Champions League (confirmaria o favoritismo ganhando o título europeu daquele ano).

Hoje, parece inacreditável que um time escalado com um meio-campo formado por Jamir, Jorginho, Maurinho e Lúcio possa um dia ter feito frente ao poderoso Real Madrid. Mas era isso que Autuori tinha à mão, além de uma zaga com Júnior Baiano e Luís Alberto, as laterais com Fábio Baiano e Gilberto, e o ataque com Sávio e Renato Gaúcho, que aliás voltava para sua quarta passagem pelo clube, substituindo Romário, que voltava ao Valencia após seis meses de empréstimo ao Flamengo.

O início do jogo mostrou um Real Madrid mais agressivo, determinado, tocando bem a bola, tomando a iniciativa da partida e levando perigo em vários momentos ao gol de Clemer. O Flamengo parecia assustado com o poderio do adversário e por vezes apelava para a violência. Uma bonita tabela entre Raul, Suker e Mijatovic, redundando num forte arremate de Amavisca rente à trave, arrancou aplausos do público. O gol merengue parecia questão de tempo.

Mas, aos poucos, o rubro-negro foi encaixando a marcação e entrando no jogo. E, com inteligência, começou a aproveitar as falhas da defesa adversária, explorando principalmente a ótima fase de Sávio, que começou a impor uma correria alucinada em cima do seu marcador, o fraco lateral português Secretário (um dos poucos reservas naquele jogo). E foi justamente numa jogada de Sávio, aos 22 minutos, que o Flamengo abriu o marcador. Ele apanhou uma bola na esquerda, passou por Secretário e cruzou na cabeça de Maurinho, inapelável, sem defesa. O Flamengo fazia 1-0, para surpresa do público presente em Mallorca.

O Real Madrid não absorveu o golpe, pareceu sentir o gol. O time avançou suas linhas e passou a pressionar o Flamengo em seu campo, mantendo uma absurda posse de bola, com toques rápidos, um jogo realmente bonito de assistir. Mas os comandados de Autuori já estavam no jogo, e o gol deu maior motivação ao Flamengo. Com muita disciplina tática, os brucutus Jorginho e Jamir, ajudados por Fábio Baiano e Maurinho, que pouco subiam, montaram um verdadeiro “cinturão” na intermediária flamenga, de forma que os merengues tinham a bola, mas não conseguiam chegar na área brasileira. Era o tal “falso domínio” de terreno.

E assim o Real foi se desequilibrando, desconcentrando, caindo na armadilha do Flamengo. Até que, aos 35’, Secretário (ele de novo...) tenta sair jogando e perde a bola para Gilberto. O lateral, com velocidade fulminante, avança e serve a Lúcio, que só tem o trabalho de tocar mansamente por entre as pernas de Cañizares. O Flamengo fazia 2-0, e o placar já começava a fazer justiça pela consistência tática do time.

O segundo gol esfriou o time espanhol, e pouca ação foi vista ainda no primeiro tempo. Mas, no retorno do intervalo, o Real Madrid voltou com muita volúpia, disposto a impor uma blitz no início. E realmente criou várias chances de gol, obrigando Clemer a trabalhar intensamente. Numa delas, houve um incrível bate-rebate na área flamenga, onde os madridistas tiveram CINCO chances claras de gol na mesma jogada, sem conseguir marcar. Mas o Flamengo continuava perigoso nos contragolpes. Sávio era um tormento constante, levava o pobre Secretário à loucura. O Real Madrid coloca Zé Roberto (que hoje defende o Bayern Munique) em campo, para tentar compactar mais o meio, mas o Flamengo continua sólido. A zaga, especialmente Júnior Baiano (na melhor fase de sua carreira), corta todas, por cima e por baixo. Jamir chuta até a bola. O time está competitivo, concentrado, e disposto a sair de Mallorca com a vitória.

O Real Madrid vinha sentindo a marcação flamenga, não esperava ser superado de forma tão flagrante pelo adversário. E o que era desequilíbrio começou a se tornar descontrole. O badalado Suker, que vinha dando trabalho, mas estava rendendo pouco, irritou-se com a forte marcação que recebeu e acabou expulso por jogo violento (aliás, Renato Gaúcho, que pouco produzia, mas era útil prendendo os zagueiros, vinha dando uma aula de catimba). Enquanto isso, Sávio deitava e rolava no ataque, arrancando risos dos espanhóis. Só faltava o gol. E ele veio, já aos 30’ da etapa final, quando Lúcio lançou Sávio, que foi derrubado na área por Secretário (sempre ele!). Aliás, o comentarista Mário Sérgio, “empolgado” com a atuação de Secretário, mandou essa: “esse não vai ser chefe nunca!”. Enfim, Sávio cobrou com categoria, no ângulo, decretando o placar, luminoso, brilhante, estelar, com todas as letras: FLAMENGO 3-0 REAL MADRID.

Depois do terceiro, o Real desistiu do jogo e fechou o time para não aumentar o vexame e o Flamengo se deu por satisfeito. Mas ainda houve tempo para Lúcio perder um gol feito, sozinho diante de Cañizares, e do árbitro anular equivocadamente um gol de Maurinho. De qualquer forma, o Flamengo se impunha, mostrando à Europa a força do seu nome. “Baile al Madrid”, “Lección de Savio e de conjunto carioca”, “Flamengo siempre superior a Real” foram algumas manchetes de jornais espanhóis no dia seguinte.

Depois dessa partida, o Flamengo acabou vencido pelo salto alto e pelo bom time do Mallorca (que terminaria o Espanhol em quinto e seria finalista da Copa do Rei), por 0-2. Mas aquele torneio ainda teria alguns desdobramentos que poucos perceberam à primeira vista. A “exibição” de Secretário apressou a contratação de Roberto Carlos pelo Real Madrid, fazendo Panucci voltar à posição de origem. A atuação de Sávio também selou a sua contratação, no final do ano, pelo próprio Real Madrid, em transação que envolveu os jogadores Rodrigo Fabbri e Zé Roberto. E Sávio ainda repetiria o “show” uma semana depois, ao enfiar 3 gols no Valencia, com Romário e tudo.

Mas a história ainda aprontou outra. Humilhado pela derrota contundente, o Real Madrid mandou os reservas para a decisão do terceiro lugar, contra o Vitória. E nesse jogo, um jogador comeu a bola, fez dois gols (um deles de placa, após driblar a defesa toda) e foi disparado o melhor em campo na goleada de 5-1 dos espanhóis. Seu nome? Dejan Petkovic.

Em vias de perder Bebeto, que já conversava com o Cruzeiro para a disputa do Mundial Interclubes, a diretoria do Vitória interessou-se por aquele irrequieto sérvio, mandou um representante a Madrid e, com surpresa, constatou ser possível levar o jogador para Salvador, o que efetivamente aconteceu ainda naquele ano.
Pois bem, isso leva à seguinte conclusão: se o Flamengo não tivesse imposto aquela surra ao glorioso Real Madrid, o time merengue iria à final com o Mallorca com o time titular. Petkovic não teria a oportunidade de aparecer, não chamaria a atenção do Vitória e dificilmente teria vindo ao Brasil. São as armadilhas que o destino prega.

Sim, porque naquele despretensioso torneio amistoso, disputado em terras européias, pode-se dizer que teve início a trajetória de Petkovic no Brasil e conseqüentemente no Flamengo.

Assim, de certa forma, ali começou a ser escrita uma história.

A história do tri.

Links no youtube:

segunda-feira, 27 de abril de 2009


Afastado do blog por motivos profissionais, Gustavo de Almeida nos envia este texto sobre o principal assunto do jogo de ontem. Gustavo, a casa é sempre sua.

Papo de segunda-feira

Por Gustavo de Almeida

Senhores, pra variar venho de longa ausência e provocado mais pela necessidade da JIHAD discorrer sobre determinados assuntos do que por algum motivo futebolístico – para quem não é Flamengo, possivelmente as finais do Estadual seriam tema para textos e mais textos da JIHAD. No entanto, urge deixar claro que comemorarei espartanamente – talvez um cinema com minha senhora – o pentatricampeonato rubro-negro, uma vez que vejo tratar-se de MERA OBRIGAÇÃO a vitória contra este lacrimejante e deprimente time do Botafogo.

Já disse a interlocutores que, se Estadual realmente valesse alguma coisa, teríamos cagado e andado para a terrível tragédia rubro-negra que se abateu na Libertadores do ano passado – a derrota para o América do México aconteceu três dias depois de um título destes contra o Botafogo. Que um time já experiente em segunda divisão como o Botafogo ache grandes merdas conquistar o Estadual (principalmente contra o Flamengo) é mais do que natural. Agora, não podemos sequer comparar a importância até financeira de estar na Libertadores com o marasmo dos Cabofrienses e Tigres da vida. Querer comparar uma Libertadores com estes torneios é como dar importância a um ranking de Sovaco mais Musical da rua.

Não que eu vá torcer contra ou torcer menos – nada disto. A importância de ficar com 31 títulos, acima do clube da Lê Boy, é capital. Mas finda esta missão, reitero, é papel de cada rubro-negro recolher-se a uma espartana comemoração, moderada como convém o feito do próximo domingo. Ganhar do Botafogo deveria até nos causar certo constrangimento – igual ao que sente um pai depois de sentar a porrada no filho de oito anos após tê-lo pego fazendo meinha com um amiguinho.

Mas depois desta longa elocubração, quero abordar o assunto principal do texto da JIHAD: a pagada geral do lateral Juan ao babaquara Maicossuel. Devo dizer, senhores, que imediatamente após o lance, companheiros rubro-negros de boa cepa condenaram a atitude antidesportiva do lateral. No entanto, tive de me limitar a fazer silêncio. Ainda não tinha uma leitura suficiente do episódio para analisar.

No entanto, ao presenciar o início de um gigantesco chororô no Canil (escrevo canil com C maiúsculo por respeito ao clube), seguido da clássica e habitual condenação de colunistas éticos e bem-comportados. Sem contar gente chamando o irregular lateralzinho rubro-negro de “canalha”. Seguem-se os cansativos discursos de “Juan não gosta do futebol-arte” como se ele próprio jamais tivesse dado dribles do mesmo jeito que Maicossuel.

Faltou na imprensa globulizada mencionar, por exemplo, o biltre Leonardo Gaciba, que em 2002 puniu o jogador Jabá, então no Coritiba, com o cartão amarelo por este ter feito firulas diante do adversário. Este, sim, é o fator contra o tal futebol-arte que preconizam estes defensores da moralidade.

Deste os tempos imemoriais que zagueiro fala no ouvido de atacante. Cabe ao atacante AMARELAR ou não. O ato de dar um esporro ou ameaçar cobrir de porrada jamais deve ser encarado como uma “maldade com o pobrezinho do atacante” e sim como parte integrante de um esporte heterossexual masculino. Havia atacantes que optavam por NÃO AMARELAR, como é o caso do João Danado Nunes, o Artilheiro das Decisões. Foi Nunes que, em 1981, ao ver o ladrilheiro Roberto Passos sendo fustigado por jogadores do Vasco, chamou todos para a porrada tendo este convite sido recusado com tremores nos joelhos dos bacalhaus. Foi Nunes que em 1980 em pleno Mineirão saiu dando porrada em jogadores do Galo das Alterosas quando o hediondo Éder tirou nosso Rondinelli de campo na base de chutes nas mandíbulas.

Por que será que Nunes nunca reclamou com a imprensa de “estarem tolhindo seu futebol-arte” com ameaças? E mais: as porradas dadas por jogadores como Juninho e Alessandro – ambos absolvidos pelo STJD – talvez preocupassem o João Danado. Mas certamente este não iria amarelar. Faria a opção de partir para dentro.

Aos que insistem em ver arte no futebol de Maicossuel, peço que revejam o que aconteceu DEPOIS da ameaça feita por Juan. Ele se recolheu. Fez a outra opção. Não devemos condená-lo por isto, apenas aceitar que ele tem o direito de amarelar.

Agora, imaginem se nas décadas de 70 ou 80 a imprensa esportiva desse pitis de mãozinha na cintura a cada vez que o parrudo Moisés dissesse a um atacante que iria cobri-lo de porrada fora do estádio se ele viesse de gracinha. E o que dizer de Junior Baiano preventivamente sentando a mão nos cornos do ignóbil Edmundo naquele Flamengo x Vasco de 1992 que ganhamos NA BOLA E NA PORRADA?

Por tudo isto, senhores, é que estranho o escandalozinho, os pruridos bichescos de grande parte da mídia tupiniquim diante de uma cena que a meu ver é tão parte do futebol quanto a bola ou as traves: a intimidação do atacante adversário – ou sua tentativa, pelo menos. A continuar esta onda de frescura a se abater sobre o país e em breve teremos zagueirinhos-kaká atuando na zaga da Seleção Brasileira em Copas do Mundo, e não um sujeito capaz de dar uma cabeçada no nariz do colega de time para ver se ele toma jeito de homem.

Até o Brasileirão.

Ilustrando o post anterior

domingo, 26 de abril de 2009

Hoje, no Maraca...




















Maracanã, 26 de Abril de 2009, 16:15.



Ei, cadê você?, cadê você?
Cadê você?, cadê você?...
Ei, cadê você?, cadê você?
Cadê você?, cadê você?,
No Maraca nunca vi,
No Engenhão não tava lá...
Seus jogadores todos choram,
Não têm torcida pra apoiar...

Triplex Top Ten


Em face do Hermínio ter ido a Rio para o jogo, adiantarei o TTT, e amanhã à tarde ele voltará com sua coluna.

1 - Tava na beira do caos: Em face da nossa péssima e paupérrima apesentação, eles tiveram a chance de matar a decisão. Não o fizeram, e agora ouço o treneiro deles falando besteiras nas tv´s fechadas. DCF!!!

2 - Léo Moura: Cuca acerto em tirá-lo do jogo. E isso não deve ser tratado como um "finalmente". O nosso treinador já deixou claro que o jogador estava mal e ele simplesmente fez a alteração. Simples. É assim que devemos tratar o assunto, e não transformá-lo num cataclisma. E que o cara jogue o que sabe no domingo que vem.

3 - Willians: The Man.

4 - Emerson (o deles): Só pode ser rubronegro, 2 gols em 2 jogos. Vamos contratar o cara pra fazer dupla com qualquer um de nossos atacantes.

5 - Cuca: Quando é para elogiar, o faço. Hoje, acredito que parte da nossa má atuação foi responsa dele. Escalar 3 zagueiros de ofício, sem qualidade na saída e bola - exceto o Gamarra nordestino - é chamar o time adversário para nosso campo. Eu, Alex, teria iniciado com o Everton, e deixado o LM solto. Tomamos um certo sufoco e tivemos menor posse de bola no primeiro tempo graças a este fato. E Cuca: o Zé Roberto tá morto. Entra com o Erick Flores. Dê a meia esquerda ao garoto, e deixa o resto com a torcida, que vai dar a moral necessária.

6 - Bruno: Fez 2 defesas cruciais. Concentrado, fecha o gol. Keep it going.

7 - Time (de uma forma macro): Demorou demais pra acordar. Com essa empáfia de "eles são o foguinho", perdemos até pro Íbis. Ou entra babando, ou já era pro penta. Sangue nos olhos, rapaziada.

8 - Fortaleza: Que seja um Vedi, vini, vinci. Sejamos letais em VR pra podermos viajar tranquilos depois do titulo.

9 - 2x2: Eita sina de sofrimento. Parece que o Flamengo só gosta das coisas que se tornam dficeis.

10 - A Torcida: É o reflexo da alma do time. Movemos, mas são os jogadores que acendem o primeiro fósforo. E pela madrugada, a torcidinha deles REALMENTE se borra de medo. Quantas cabeças foram do lado de lá? Uns 500? É, é nosso dever mostrar quem manda no Maraca. Nos comentários do post anterior, leio que alguns membros das organizadas bateram em torcedores. É por essas e outras que eu não piso mais em estádios. Lugar de marginal é na cadeia, não nos campos.

Boa semana a todos.

E nada mais digo.

Primeiro jogo da decisão

Torça, grite, grite gol, e seja Flamengo, mesmo à distância.

Que São Judas Tadeu nos abençoe.

Links para o jogo no site http://www.rojadirecta.com

A hora de mostrar o que é Flamengo

Ano vem, ano vai, e os campeonatos cariocas mostram sempre a mesma coisa - no que diz respeito ao nosso Mengão, é claro: Ganhamos um turno, patinamos no outro, mas quando DC, F! E convenhamos, disputar um título desta forma, chegando de "penetra" na festa, é muito melhor.

Li algumas análises comparativas sobre os times. Até concordo quando dizem que o poder ofensivo deles é melhor. Mas aí me vem o velho ditado Buda, erroneamente pontuado no dia-a-dia dos brasileiros, mas que serve para ilustrar: "Uma andorinha só não faz verão"(sic). Maicossuel é um bom jogador, com poder de decisão. Mas só o vejo nessa condição de criador. Se anular o 10 deles, a coisa fica boa.

Por outro lado, vejo no Flamengo 4 jogadores com poder de criação, apesar de nenhum deles ser um meia esquerda de ofício: Léo Moura, Juan, Ibson e Kleberson. Na minha opinião, e convém sempre deixar isso bem claro, se os 4 estiverem "naqueles dias", é babáu pro time dos chorões.

O fato é que precisamos ser mais Flamengo do que nunca. Como bem diria um grande amigo meu, urge a necessidade de ser Flamengo. E os jogadores precisam entender isso quando saírem da concentração. Quando passarem por um 268, um 233 da vida. Seja qual for a linha, estará socada de rubronegros rumo ao Maraca. E é com esse espírito de sangue nos olhos que devemos entrar em campo. A bola, um prato de comida. O gol, a vida. A vitória, a felicidade.

CCM!!!!
VDM!!!!
DCF!!!!
SRN!!!!

sexta-feira, 24 de abril de 2009


PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib

O Maraca é nosso!!!

Mesmo com edital vetando a participação dos clubes, não adianta, o Maraca é e sempre será nosso. Não tem como negar que o Mengão é o único time capaz de lotar o maior do mundo não somente em finais de Libertadores. Isso já provamos em diversas ocasiões e, em vista do que ocorre no Vazião, é com eles mesmo o fim que vão dar ao Maracanã.
Mas, será que não chegou a hora de nossos dirigentes darem de vez uma solução para o problema da falta de um estádio próprio?? Desde que me entendo por gente, essa é a questão que todo Rubro-Negro espera ver resolvida. Se nosso querido América conseguiu construir o seu, porque não usar de nosso apelo como clube de maior torcida no Mundo para conseguirmos bons investidores que queiram explorar não só um estádio mas um Museu, um centro de treinamento, enfim, tudo que um grande clube merece.
Em véspera de um penta Tri, da hegemonia Carioca, é lamentável que ainda estejamos tão atrasados nessas outras questões. Não tenho grandes conhecimentos do que se passa no dia-a-dia da diretoria do nosso clube. Não me acho a pessoa mais indicada para dar grandes opiniões a respeito mas, como torcedora, daquelas que compra os produtos oficiais e frequenta o estádio desde sempre, gostaria muito de ver nosso clube em patamares muito maiores.
Recentemente em visita a La Bombonera, pude constatar que aquele que é visto como o grande alçapão da América do Sul, não passa de um estádio pequeno e bem ruinzinho. Mas, o Boca soube usá-lo para ganhar inúmeros títulos e projetar o clube deles Mundialmente. Hoje, a Bombonera faz parte de todos os roteiros turísticos daqueles que visitam Buenos Aires e com isso, eles arrecadam muitos pesos.
Certamente temos dentro do Flamengo pessoas muito capacitadas, Rubro-Negros convictos que, com uma boa dose de boa vontade e abrindo mão das vaidades pessoais possam dar esse título a toda torcida. Sem dúvida, uma estrutura de primeira seria um dos maiores títulos que poderíamos conquistar.

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Maracanã - casa do Flamengo?

Há quantos anos os senhores leitores não vêm ouvindo falar sobre o edital de "privatização" do Maracanã? O assunto existe há alguns anos e a licitação já teve seu prazo anunciado e adiado algumas vezes. Neste período, a perspectiva de que o Flamengo pudesse assumir o Mário Filho entrou nas discussões sobre a participação na licitação do Engenhão, da revitalização da Gávea e de outros papos sobre um possível novo estádio do Flamengo.

Pois é: a licitação saiu. O edital, com o contrato de Parceria Público-Privada e 22 anexos (com a descrição do complexo do Maracanã, plano de negócios, recomendações técnicas etc. etc. etc.), está disponível para download pelos possíveis interessados no site do Governo do Estado do Rio de Janeiro. E, supresa!, o Flamengo tá fora da parada.

Diz o texto do edital:

Por fim, o presente Edital de PPP veda a participação dos clubes de futebol como licitantes (individualmente ou em consórcio). Com efeito, o Estádio do Maracanã tem vocação inafastável de servir democraticamente, no interesse de toda a sociedade, a todos os clubes de futebol que possam utilizá-lo, incluindo as grandes equipes cariocas, bem como a todas as suas torcidas, haja vista constituir patrimônio cultural e esportivo de todo o povo brasileiro. A concessão do Complexo Maracanã, dessa forma, não poderia propiciar a vinculação do Estádio a uma única equipe de futebol ou respectiva torcida, sob pena de gerar grande frustração a todo o restante da sociedade carioca e brasileira e, assim, contrariar o interesse público. Em adição, constata-se que a possibilidade dos participantes da licitação se consorciarem com clubes de futebol, ou mesmo com a CBF -Confederação Brasileira de Futebol, apenas induziria a uma redução indevida da competitividade do certame, haja vista que a singularidade da CBF e o pequeno número de clubes com grandes torcidas e sem estádio próprio na Cidade do Rio de Janeiro acabaria por inviabilizar a participação dos demais interessados que não lograssem compor tais consórcios.


O Flamengo, portanto, não pode tentar "comprar" o Maracanã, tampouco participar como um dos sócios de algum consórcio que pretenda entrar na disputa. Em outro trecho, o edital também proíbe que o novo administrador faça qualquer obra que possa caracterizar o estádio como de propriedade de um ou mais clubes específicos - ou seja, nada de escudão do Flamengo no gramado ou outros sonhos que a galera já teve para o estádio.


Fica a expectativa para os concorrentes deste processo. Se ele realmente chegar ao seu fim, com certeza a relação dos clubes com o novo proprietário vai mudar. Mas o fato é que qualquer clube, hoje, precisa poder usar o estádio onde joga para gerar dinheiro além da bilheteria. Camarotes, ações de marketing, venda de bebidas, comidas, produtos diversos - tudo isso faz parte da receita de matchday, uma das de maior peso nas contas dos grandes clubes europeus, especialmente os ingleses. No Brasil, isso ainda está engatinhando - mas clubes como o São Paulo, que têm seus estádios, já estão começando a andar nessa direção. Será que o Flamengo terá a chance de jogar o mesmo jogo de seus concorrentes sem poder participar da administração do Maracanã?

É conhecido o exemplo de Internazionale e Milan, que dividem o mesmo estádio público em Milão. Seria interessante para o Flamengo agora, em vez de simplesmente chorar pelos termos do edital publicado pelo governo, ir conhecer este modelo italiano para se inspirar para o seu futuro.

E volta aquela discussão: afinal, o Maracanã é, necessariamente, a casa do Flamengo? Ou o clube deve pensar mais seriamente em ter seu próprio estádio?


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É bom dizer que já foi avisado, há tempos, que no ano que vem o Maracanã voltará a fechar para obras. Assim, Flamengo e Fluminense devem procurar outra casa para chamar de sua enquanto as reformas durarem - coisa de dois ou três anos.

Por enquanto, está todo mundo contando que ambos usarão o Engenhão - e o Botafogo já se prepara para faturar em cima disso. A minha sugestão é outra: que se parta para a construção de uma nova casa, possivelmente em parceria com os tricolores. É o que foi feito na época da Arena Petrobras, na Ilha - mas na época o tempo era curto, tanto pra preparar o estádio, quanto para utilizá-lo, já que o período sem Maracanã era de poucos meses. Mas, se começarem a trabalhar em cima da idéia agora, com a perspectiva de usar o novo espaço por um período bem maior, tudo pode ser muito mais bem feito e lucrativo - há tempo para procurar o melhor espaço, encontrar parceiros, pensar nas melhores maneiras de utilização e construir a estrutura. E seria dar um gostinho aos clubes de como é ter seu próprio estádio e utilizá-lo 100% para gerar receitas - quem sabe eles não gostam e resolvem ter pra sempre?

Mas, pra isso, seria necessário começar a trabalhar com antecedência. E ano eleitoral não é lá muito propício pra isso.


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Enquanto isso, o Maracanã é a casa do Flamengo. Domingo, tá na cara, será mais um dia de maioria absoluta de rubro-negros no estádio, empurrando o time pra cima do Botafogo. Muito provavelmente, mais uma vez a tática de Ney Franco será esperar em seu campo para tentar os contra-ataques. Cuca deve saber disso, e deve estar pensando em como transformar o domínio em mais chances, e em como se expor menos aos contra-golpes do Botafogo.

Vamos ver se ambos conseguem melhorar o trabalho de seus times, pra partida desta semana ser um tantinho menos sem-vergonha que a do domingo passado.


• ANDRÉ MONNERAT trabalha com marketing e Internet e escreve também no SobreFlamengo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Parcerias e possibilidades
Por Vinícius Paiva

A passos de cágado caminham as negociações de patrocínio envolvendo o futebol profissional do Flamengo – problema que não se verifica nos esportes amadores, muito bem conduzidos pelo dirigente João Henrique Areias. Um mês após o basquete rubro-negro (ilha de excelência no Clube de Regatas) fechar um pequeno patrocínio com a Loterj, ontem foi fechado com celeridade um novo patrocínio para a camisa do basquete: Trata-se da Cia do Terno, empresa especializada em ternos e roupas sociais a preços acessíveis. Informações veiculadas no site “Máquina do Esporte” deram conta de que esta negociação aconteceu porque problemas técnicos viriam inviabilizando a exposição da marca da rede de loterias na camisa do time de basquete. Acredito que haja um equívoco na notícia, uma vez que o escopo dos dois patrocínios é diferente. A Loterj não negociou exposição em camisa, seu patrocínio contemplava apenas placas de publicidade e iniciativas de marketing, o que explicaria o baixo valor (R$ 80 mil em 4 parcelas). Já a Cia do Terno fechou negócio por dois meses (até o fim da Liga de Basquete), por R$ 400 mil, valor suficiente para bancar a folha salarial pelo período. Todos esperamos que o patrocínio vingue e que a empresa renove por períodos mais longos. Os valores são excelentes, pois equivalem a R$ 2,4 milhões anuais – 15% daquilo que se negocia para o time de futebol. Trata-se de uma proporção respeitabilíssima.

A rapidez nos esportes olímpicos (todo o negócio com a Cia do Terno foi fechado em 5 dias) contrasta com o arrastar das negociações do futebol. Também pudera, segundo o presidente em exercício, seriam quatro as negociações em andamento: uma com um banco, uma com uma empresa de laticínios, uma com a Fiat e outra com a favorita Cosan, maior produtora de derivados de cana-de-açúcar no mundo. Confesso que a representatividade mundial deste segmento de mercado (em tempos de valorização do etanol brasileiro) tornam atraentes as possibilidades de um desfecho positivo deste patrocínio. Expor a marca de um banco brasileiro, seja qual for, também não seria mau negócio: passaram incólumes à crise bancária mundial e se tornaram modelo de administração e proteção contra o risco. É sempre importante alinhar a imagem do clube a marcas vencedoras e respeitáveis. Empresas de laticínios encontram-se alguns degraus abaixo neste suposto “ranking de respeitabilidade”. Já a Fiat, por mais que seja uma das maiores montadoras do mundo (e também um modelo de empresa blindada contra a crise mundial, estando prestes a tomar controle da americana Chrysler) nunca teve um histórico de parcerias longas com clubes brasileiros. Já patrocinou diversos deles, mas a grande maioria por apenas uma temporada. Não acho vantajosos patrocínios deste tipo, que não permitem a solidificação da parceria, e atrapalham todo e qualquer planejamento que não o de curto prazo.

De qualquer maneira, o importante é que o Flamengo evolua e acerte por valores acima dos recebidos em temporadas anteriores, de modo a tomar o rumo do maior patrocínio esportivo do Brasil, ou algo próximo a isto – principalmente porque tudo indica que outra parceria se dará para exposição de patrocínio nas mangas. Qualquer valor inferior a R$ 22 milhões anuais na soma patrocínio principal + patrocínio de mangas será considerado por mim um grande revés. Até porque, urge que o Flamengo faça valer de seu poder de barganha (uma vez que vem sendo “disputado” no mercado privado) e minimize os vultosos prejuízos resultantes destes quatro meses sem receber um tostão sequer. O rombo financeiro, que já fez nossa dívida ultrapassar a casa dos R$ 300 milhões de reais e que resulta no atraso de até cinco meses nos direitos de imagem dos atletas, pode estar fazendo sua primeira vítima. Caiu como uma bomba na manhã de hoje a notícia de que Leonardo Moura estaria prestes a se transferir para o Inter. Não, não a Inter de Milão, mas o de Porto Alegre, simplesmente nosso provável adversário das quartas-de-final da Copa do Brasil. E o mais humilhante da história é que o objetivo do Inter é exatamente enfraquecer um adversário direto na luta pelo título, uma vez que por já ter jogado pelo Flamengo no torneio, Leo Moura não poderia defender o Colorado. Se isto acontecer mesmo, ficará mais do que claro que os tenebrosos anos pré-2006 – quando jogadores inexpressivos recusavam o Flamengo – estão de volta.

Todos esperamos que o fim do mundo não esteja tão próximo.

PS: Peço desculpas pela ausência deste espaço nas duas últimas semanas, por questões particulares.

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

terça-feira, 21 de abril de 2009

CLIMA DE MARACA - Dale Emerson.

Com linguagem informal, João Tavares - o Dão - comenta a movimentação dos torcedores antes/durante/depois dos jogos no Maracanã.


Fala Rubro Negrada, saudações. O Clima de Maraca tarda mais não falha. Domingão de sol no Rio de Janeiro e parto rumo ao Maraca com a galera. Final vocês sabem como é né, todo mundo vai. Meu bonde tava completo, tinha amigo e amiga que nunca vai, tinha cunhada, namorada, amigo de amigo, tinha até tricolor que dizem por aí ter se convertido depois do jogo. Mas também tinha aquela galera que sempre comparece o ano todo, faça chuva ou faça sol.

Faltando duas horas pro jogo começar e simplesmente o Bar do Chico´s já tava abarrotado, nunca tinha visto tanta gente aportada ali. Como sempre encontrei com diversos brothers, dentre eles o Arthur, que até que enfim resolveu dar o ar da graça no agradável buteco da esquina de Luiz Gama com Canabarro. Pré jogo é coisa séria e só depois de 20 ampolas bem geladas rumamos ao Mario Filho.

Lá dentro arquibancada cheia, fomos lá pra cima tentar fuigir daquele solzão na lata, claro que em vão. Cabe dizer aqui que se não fosse o belo espetáculo da torcida corria o risco de nego cochilar durante a partida, que foi bem ruinzinha tecnicamente. Mas a nossa torcida deu aquele show, a UBZ além do já tradicional papel picado distribuiu uma bandeira no tamanho A3 para cada assento da amarela que deu um belo visual assim que o Bandeirão saiu. A Raça e a Jovem também ajudaram no visual com balões e durante o jogo todo apoiaram o time. Quanto as vaias para Léo Moura e Zé Roberto, fazer o que né? Duas lástimas no jogo, o Léo então bizarro, não acertou nada. Mas eu tenho até preguiça de vaiar esses caras, nessa hora eu economizo as cordas vocais. Que bom que o zagueirinho deles nos deu a alegria de disputar esse Penta Tri Campeonato. Mas eu gostei mesmo foi quando a torcida gastou o gogó pra dar uma moral pro Cuca, importante o cara ter a confiança da galera.

Alguns contratempos no setor aonde estávamos, como duas bombas tipo cabeção de nego, em que uma estourou bem próximo a nós, o que gerou certo pânico na mulherada e outra graças a Deus falhou. Depois do jogo terminado algum sábio daqueles bem sábios acendeu aquela bomba de fumaça, amarela, e jogou na arquibancada para fuder com a paciência de quem ta ali pra curtir.

Na saída tudo tranqüilo partimos então para o Baixo Gávea para bater aquele rangão clássico pós jogo e comemorar né, porque não é todo dia que a gente ganha uma Taça Rio e nesse caso que nos da a oportunidade de um Tri Campeonato do Carioquinha, aliás Penta Tri, não podemos esquecer. E como não podia ser diferente o BG tava lotadão de Rubro Negro, choque de ordem travando a birita da camelozada, aquele fuzuê todo. Para a alegria da rapaziada, meia dúzia de meninas que tocam no “Mulheres de Chico” estavam com seus instrumentos a postos e fizeram um samba Flamengo até a madrugada. Pra quem achava que só tricolor gostava de Chico Buarque...


Alfarrábios do Melo

Olá, saudações rubro-negras a todos. Essa semana vou pegar um gancho no post da nova colega de blog, a Raysa Himelfarb, cuja descrição do retrospecto entre Flamengo e Botafogo me fez lembrar de uma das mais dramáticas conquistas de toda a história rubro-negra. Então, boa leitura.

O Campeonato Carioca de 1927

1927. “Eu teria um desgosto profundo, se faltasse o Flamengo no mundo.”

Esse trecho do hino popular do Flamengo, que todo rubro-negro conhece, ainda não havia sido criado (Lamartine Babo somente o comporia em 1945), mas essa era a sensação que dominava todos os torcedores flamengos no início daquele ano. Sim, porque o Campeonato Carioca estava para começar, e o Flamengo simplesmente não poderia disputá-lo.

Não, não se tratava de rebaixamento, repescagem ou coisas do tipo, com as quais a turma arco-íris possui tanta intimidade. Pelo contrário, os anos 20 vinham sendo extremamente positivos para o clube, que vinha aumentando vertiginosamente sua popularidade, pois estimulava o contato e a aproximação de um público cada vez mais interessado pelo futebol (o que a empáfia aristocrática de Fluminense, Botafogo e América, e a arrogância do novo-rico Vasco inibiam). Além disso, vinha de vários títulos, só naquela década já colecionara três conquistas.

Então, por que o Flamengo estava fora do campeonato?

Para entender, vale lembrar que na época o futebol era praticado de forma amadora, mas esse amadorismo agonizava, pois com o aumento do interesse do público, as competições se tornavam mais renhidas, a cobrança mais forte, os interesses já surgiam nos bastidores (por exemplo, o Fluminense havia sido, com todas as honras, o ÚLTIMO colocado do campeonato de 1921 e deveria ser rebaixado, mas a revolta entre seus associados foi tamanha que o clube pressionou junto à Federação e conseguiu disputar uma repescagem com o campeão da Segunda Divisão, o Vila Isabel). Com o aumento da repercussão dos jogos, algumas equipes passaram a lançar mão de artimanhas para driblar o amadorismo reinante. O exemplo mais célebre é o do Vasco, que recorreu a jovens de ótimo porte físico, que perambulavam pelas ruas fazendo biscates, jogando futebol nas horas vagas. Os portugueses deram-lhes empregos “de fachada”, pagando-os para treinar em tempo integral, o que nenhuma outra equipe fazia. Esse artifício deu ao bacalhau o título de 1923 e eternizou uma cascata que até hoje é muito repetida pelos lados de São Januário, a tal “abertura democrática para os negros”. Era o “amadorismo marrom”, pra inglês ver, resultado de um anacronismo que logo iria estourar em cisões, boicotes e campeonatos com asterisco.

Algumas escaramuças entre clubes e federações já vinham acontecendo. Por exemplo, a Federação Paulista resolvera admitir a prática do “amadorismo marrom” sob certas condições, cedendo às pressões dos clubes de lá. Mas o Paulistano, justamente o clube mais tradicional de São Paulo na época, recusou-se a aceitar as novas regras e liderou a fundação de uma Liga paralela. Por conta desse ato de rebeldia, foi suspenso por um ano de todas as competições nacionais. Solidário com o co-irmão paulista, o Flamengo, que também era adepto do amadorismo puro, cedeu o campo onde mandava seus jogos, na Rua Paissandu, para o Paulistano disputar alguns amistosos. Por causa disso, o Flamengo também foi suspenso pela CBD (precursora da atual CBF) por um ano de qualquer competição nacional. Estávamos no final de 1926, e isso significava que o clube estava alijado da disputa do Campeonato Carioca de 1927, que teria início em maio.

Foi com um misto de apreensão e inconformismo que o público encarou a perspectiva de não ter a presença do Flamengo no Carioca de 1927. Sem o Flamengo a competição perdia a graça, o charme. Os jogos do Flamengo sempre eram disputados em campos apinhados de gente, os resultados do time sempre tinham maior repercussão. Não, a punição era um absurdo e tinha que ser revogada. E, finalmente, após grande pressão do público, da crônica, dos dirigentes e mesmo dos clubes rivais a CBD atenuou a pena, reduzindo-a a um prazo suficiente para que o Flamengo pudesse disputar o Campeonato Carioca daquele ano.

Mas o período em que esteve suspenso e a incerteza quanto à sua participação no campeonato deixara seqüelas. O fantástico time campeão de 1925 havia sido praticamente desmontado. Vários jogadores, diante da perspectiva de ficarem inativos, resolveram desistir da carreira ou foram defender outros clubes. A poucas semanas do início da competição, o Flamengo estava praticamente sem time. O vexame estava batendo à porta.

Entre os jogadores remanescentes das conquistas anteriores, havia atletas a nível de seleção brasileira, como o goleiro Amado, o zagueiro Hélcio e o atacante Moderato (o melhor de todos). Também seriam efetivados de vez jogadores razoáveis e de certo talento, como o zagueiro Hermínio, o meia Benevenuto e os atacantes Vadinho e Fragoso. Mas era pouco para encarar a disputa de um campeonato com jogos duríssimos, por vezes violentos. Faltava um elenco. Vários garotos tiveram que ser aproveitados, dos quais o mais famoso seria o jovem meia Flávio Costa (que anos mais tarde seria famoso treinador). O nível de desespero chegou a tal ponto que o goleiro Amado começou a rodar pela cidade atrás de garotos que quisessem atuar pelo Flamengo. Consta que até mesmo Oscar Niemeyer, que à época batia sua bolinha nos juvenis do Fluminense, foi convidado mas recusou, pois não queria seguir carreira como jogador. O clube ainda conseguiu trazer três jogadores do Bangu (os meias Frederico e os atacantes Cristolino e Pastor), mas a impressão geral é que o Flamengo estava aos pedaços. Ninguém apostava um vintém na equipe.

E essa impressão não se desfez após os primeiros jogos do novo time, que em amistosos e nas primeiras rodadas sofreu várias goleadas, algumas delas humilhantes. Mesmo as vitórias contra times pequenos eram verdadeiras epopéias, como nos 3-2 contra o fraco Andaraí (aquele da música do Don-Don, que aliás jogava nessa época). Coberto de descrédito, o time chega a ocupar a quinta colocação nas primeiras rodadas.

Mas, apesar das limitações, o time nunca deixa de brigar. Mostrando incomparável espírito de luta, os garotos do Flamengo empolgam sua torcida com suas semanais demonstrações de bravura. Comandado pelas defesas de Amado, a força física de Hélcio, os dribles e arrancadas de Moderato e os gols de Vadinho, o time vai começando a vencer seus jogos. Numa partida-chave, o Flamengo toma a liderança do Fluminense, ao vencer o tricolor por 1-0, mesmo sendo bombardeado durante todo o jogo. A raça flamenga já é o assunto da cidade. O time, totalmente desacreditado, está à frente de equipes estelares, como Fluminense, Botafogo e América. Mas ainda sofreria um duríssimo golpe, o maior de todos.

Empolgado e embalado pela liderança, o Flamengo atropela o Vasco, impondo ao bacalhau categóricos 3-0, com três gols de Vadinho. O centroavante se entende às mil maravilhas com Moderato, completando com eficiência as fantásticas jogadas do ponta-esquerda, que até então vinha sendo a referência e o ponto de desequilíbrio nos jogos. Mas, justamente nessa partida contra o Vasco, Moderato começou a sentir dores agudas no abdômen. Corajoso, resistiu até o final da partida, mas a seguir estava lívido, suava frio, a barriga acusava inchaço e estava quente. Vai ao médico e o diagnóstico é cruel: Moderato está com apendicite supurada (estourada), o caso é grave, requer cirurgia urgente. Hoje em dia uma operação desse tipo é rápida, mas em 1927 a coisa não era tão simples. Moderato, o craque do time, ídolo da torcida, melhor jogador da competição, estava fora do campeonato. E ainda faltava todo o segundo turno.

Os torcedores rivais passaram a zombar do Flamengo, e parecia que a “alegria iria durar pouco” mesmo. O time perde para América e Botafogo, volta a exibir nítidos sinais de fragilidade técnica, os gols de Vadinho escasseiam. O Flamengo ganha só de 1-0 de um dos sacos-de-pancada do torneio, o SC Brasil (que sediava seus jogos na Praia Vermelha, na Urca). O SC Brasil tomou 75 gols nesse campeonato, pra se ter uma idéia de sua debilidade.

Mas o torneio é muito equilibrado. Os jogos vão se sucedendo, SEIS times estão separados por poucos pontos, e a três, quatro rodadas do final ninguém arrisca o campeão. O Flamengo vai se mantendo entre os primeiros. Empata com Fluminense e São Cristóvão, outros concorrentes diretos, sempre na raça, sempre no sufoco. Vence o Vasco por 2-1 num jogo épico e vai pra última rodada dependendo somente da vitória para conquistar o título. A partida é contra o América, que também disputava o título, junto com Fluminense e Vasco. Um desfecho sensacional, que deixou a cidade em polvorosa. E torcendo pro Flamengo, comovida com a superação da equipe.
Ainda não se tinha visto nada. Ninguém, absolutamente ninguém, acreditou quando os onze jogadores do Flamengo entraram no campo da Rua Paissandu para enfrentar o favorito América. Entre eles, estava Moderato, convalescente da delicadíssima cirurgia de apêndice, que naquele momento deveria estar de cama, em repouso absoluto. Pois Moderato meteu uma cinta na barriga, pediu a camisa e negou-se a ficar de fora da decisão.

A presença de Moderato em campo inflamou os milhares de torcedores presentes àquela partida. Palmas, urros e cantos eram entoados em estímulo ao Flamengo. O time, mais do que nenhum outro, MERECIA o título. Mas tinha que mostrar em campo. Moderato se esquece da cicatriz e joga com muita raça. Corre como um maluco, contagia o time. O Flamengo se multiplica. O América, mais técnico, não resiste à correria inicial rubro-negra. É acuado pela simbiose entre um time e uma cidade. O Flamengo, em pleno 1927, já é raça, amor e paixão, já é superação. Depois de tanto sofrimento, não vai perder agora essa taça. Vai pra cima, vai pra dentro, pras cabeças. O atacante Nonô faz 1-0, a massa explode. Antes que o América consiga reagir, o iluminado Moderato dribla um zagueiro, a cicatriz, as dores lancinantes e chuta forte, para fazer história e virar mito. Flamengo 2-0, o acanhado estádio “vai abaixo”.

O América se recompõe, tem um bom time, cadencia o jogo e a poucos minutos do final ainda diminui. Mas naquele dia ninguém ganharia do Flamengo. Ninguém derrotaria aquele grupo de jogadores que suportara a humilhação e o descrédito, passando por cima de adversários muito mais qualificados no papel. Ninguém tiraria o sabor de vitória da boca de uma torcida que dera a mão aos seus jovens representantes, empurrando-os e incentivando-os em cada pontinho conquistado. E, principalmente, ninguém ganharia de Moderato, o craque que, mais do que nunca, já nos longínquos anos 20, entendeu como ninguém o que é Ser Flamengo, escrevendo com sangue o seu nome na galeria dos imortais de um clube que, após essa dramática, sofrida e finalmente vitoriosa saga, transcendia de uma vez por todas a sua simples condição de agremiação esportiva.

Passava a ser uma nação.

* Em tempo: Moderato atuou pelo Flamengo até 1930, ano em que encerrou a carreira. Ainda em 1930, disputou pela Seleção Brasileira a Copa do Mundo no Uruguai, e apesar da pífia campanha do time, foi um dos seus poucos destaques e marcou dois gols.

segunda-feira, 20 de abril de 2009


Hegemonia, Eu Quero Uma Pra Viver

Passada a euforia pós-conquista de mais uma Taça Rio destinada a juntar poeira em nossa magnífica e, como o universo, em permanente expansão, Sala de Troféus lacustre, chegou a hora de dar uma analisada na consciência sobre a finalíssima do Carioca 2009. Se temos críticas, reclamações ou contribuições a dar ao nosso time o momento pra meter a boca é agora. Nem precisamos falar que no domingo o único comportamento socialmente aceitável aos integrantes das hostes rubro-negras é o apoio cego e incondicional ao sanguinário esquadrão vermelho e preto rumo ao Penta TRI.

Em consonância com a minha proverbial ignorância futebolística vou me abster de cornetar o Cuca e sugerir a escalação de fulano ou sicrano. Tais observações me parecem desnecessárias a essa altura do certame, pois se até um analfabeto tático como eu só precisou de 3 jogos pra se certificar que o Sheik Emerson não é um homem de referência na grande área, é óbvio que o nosso cerebral e equilibrado treinador também o percebeu.

Se essa percepção se traduzirá numa nova armação do nosso ataque só o tempo nos dirá, mas a partida de ontem deu a impressão de que Cuca finalmente tem o grupo nas mãos e já é capaz de explorar da melhor maneira as características de cada jogador. A entrada do jovem azougue Erick Flores na final da TR, no momento e no lugar certo e com muito espaço pra mostrar seu jogo veloz e vertical, é a maior prova do controle de Cuca sobre o elenco.

Ainda que admita a importância de todos esses detalhes táticos, técnicos e estratégicos creio que os fatores determinantes para o triunfo numa decisão sejam menos objetivos. Sei que vão achar essa conversa meio parecida com aquela caôzada de treinador de time de basquete de high school americana, mas no Flamengo sempre foi assim. Se não houver comprometimento, raça e vontade inabalável de vencer o campeonato não vai pra Gávea.

No Flamengo não temos o costume de ganhar nada de graça, é sempre tudo muito batalhado, muito sofrido. No domingo que vem o placar começa zerado, mas a verdade moral dessa partida é que o Flamengo entra em campo muito mais pressionado que o Foguinho. Não sejamos hipócritas e não ofendamos ao adversário com a desonra da piedade, eles não merecem esse esculacho.

Vamos falar objetivamente, o Foguinho é o underdog da disputa. Possui menos títulos, menos torcida, menos tradição e um elenco mais fraco. Logicamente que a obrigação de vencer é do Flamengo, que é maior, mais bonito, mais famoso e mais amado. Essa violenta pressão pelo êxito não torna nossa tarefa mais fácil, pelo contrário. Ainda que essa demanda constante pelos triunfos seja naturalmente assimilada pelos torcedores rubro-negros, nem sempre os nossos jogadores compreendem a gravidade do compromisso que assumem ao envergar o Manto.

Não quero ficar botando terror, mas o Flamengo, e quando digo Flamengo falo de todos no clube, do roleteiro da entrada da Mário Ribeiro ao Josiel, precisa se conscientizar da importância desse título. Ao contrário do Foguinho, que tem como motivação apenas a quebra de uma incômoda seqüência de vice-campeonatos, as raízes do título de 2009 para o Flamengo estão muito distantes, quase obscurecidas pelas brumas do tempo. Por isso os nossos motivos para vencer são melhores e mais importantes.

Não é preciso ter aberta a veia mediúnica para perceber no estrondo do Penta Tricampeonato o eco dos guerreiros ancestrais como Baena, Píndaro e Galo, pioneiros no flamenguismo sobre o gramado, e da longa seqüência de Pais da Nação que vem desde Domingos Marques de Azevedo, Felisberto Laport e Alberto Borghert. Digo isso pra não apelar citando os Validos, Didas, Zicos e Pets que construíram com seu talento e seus gols o magnífico paredão de títulos onde a turma de agora tenta, na humildade, colocar mais um tijolinho.

A hegemonia absoluta no futebol do Rio de Janeiro, condição honorífica que buscamos sem cessar durante os últimos 98 anos, encontra-se agora ao nosso alcance. O torcedor racional (uma paradoxo em termos) não exige vitória. Mas faz questão absoluta que o suor que gerações de rubro-negros deixaram em gramados, arquibancadas e gerais desde 1912 para nos aproximar da tão sonhada hegemonia seja respeitado.

O grupo que hoje representa o Mengão tem a rara oportunidade de entrar para a História pela porta da frente, como heróis. As recompensas por esse feito são incalculáveis, os guerreiros que o realizarem serão, mui justamente, lembrados e citados pela eternidade. Até por quem diz que o Carioca não vale nada. Mas nós sabemos que só não vale nada pra quem não é capaz de vencê-lo. Felizmente, esse não é o nosso caso.

VDM
CCM
SRN
DCF

Mengão Sempre

Triplex Top Ten

Geralmente escrevo o TTT ali pelas 11 da manhã, isso no dia seguinte aos jogos.

Mas não dá pra esperar até amanhã, até por saber que mal terei tempo de respirar. Entonces, se alguma coisa mudar de hoje até o horário no qual este post for publicado, me perdoem.


1 - Cuca: Ainda é alvo de críticas. Na decisão contra o time de lá, eu critico apenas a demora em tirar o Zé Roberto. Fora isso, me perdoem os críticos, ele foi muito bem. Anulou os três principais jogadores deles, e sem o revezamento de faltinhas que a cachorrada fez contra a gente. Foi na bola, na tática e na vontade. Isso ilustra, para mim, que o grupo está fechado com as convicções do técnico. E cá pra nós, é um caminho que nos aproxima de muitas coisas boas.

2 - A torcida: Peraí, galera. Faltando um pouco mais de 2 horas, abri um portal e li algo como 40 mil apitos e sei-lá-quantas mil faixas. Sério...foi sério isso? 40 mil apitos? Cada torcedor deles deve ter recebido uns 10 apitos por cabeça. E eu não ouvi apito algum durante o jogo. Sabem o motivo? Somos a MAIOR TORCIDA DO MUNDO, e isso não será JAMAIS superado por um festival de vans cheias.

3 - As ameaças
: Tal qual domingo passado, nosso time foi ameaçado em lances isolados. Em momento algum eu pude dizer algo do gênero "eles estão gostando do jogo". Eles não gostaram nunca, pois abafamos com nossa marcação cerrada, e isso tira qualquer time do sério. Mostramos, dentro de campo, que somos superiores. E a torcida deles acusou o golpe.

4 - A imprensa especializada: Vai aqui meu "Hello" para os secadores de plantão. Nem citarei nomes. Todos que frequentam a casa sabem pra quem é o meu cumprimento. E ao comentaristazinho posicionado ao lado do Lofredo no Redação Sport, que disse que a Taça Rio foi um título meramente ilustrativo, minha resposta: Meramente ilustrativo ESC.

5 - Só falta um jogo: Passei a semana inteira ouvindo isso. A torcidinha de 5 vans deles só sabia falar nisso. Agora, porém, faltam 2 jogos pros 2 times. Lutamos pra chegar, e agora, DCF (Muhlemberg, Arthur, 2009 in Urublog).

6 - O foco: Minutos antes do jogo, o time deles tirava foto pro poster. O nosso, se unia numa corrente que chegou às arquibancadas. Preciso dizer mais alguma coisa?

7 - O jogo: Fraco tecnicamente. Mas esse tópico segue o que escrevi sobre o Cuca. Nos propusemos a jogar assim, marcação muito forte, não deixar os caras jogarem, e apertar, apertar, apertar. Acuamos o time deles, mas não soubemos traduzir isso em gol. Temos que ser mais letais nos ataques. E, no meu entender, a vitória poderia ser mais fácil se usássemos os lados do campo. Contra um time fechado e que saía somente nos contra-ataques, tentar entrar pelo meio era a senha pro jogo terminar 0x0. O gol veio numa bola parada, mas o lance se originou via "ponta" esquerda. Simples.

8 - Vossa Senhoria, o Juiz: poderia ter amarelado alguns deles antes, quando eles fizeram um festival de revezamento de faltas "leves". Mas, no contexto geral, foi bem. E é bom que isso aconteça, assim o chororô deles perde a justificativa, e não somos obrigados a ouvir as explicações ridículas para as derrotas.

9 - O foco - parte 2: Acabou a decisão da Taça Rio. Agora é pensar no domingo que vem, descansar, treinar, e manter o grupo fechado e sem NINGUÉM da diretoria abrindo a boca pra falar asneiras. Deixa assim que tá bom.

10 - E no domingo que vem: Lotar as arquibancadas, amarelas, verdes, azuis, vermelhas, brancas, etc. Mais do que nunca, mostrar que a torcida faz a diferença. E eu pergunto: que tal tirarmos da gaveta aquelas cornetas das decisões contra o nosso vice eterno? Vamos mostrar pra cachorrada como se faz barulho de verdade.

Não posso deixar de agradecer ao nosso Padroeiro, São Judas Tadeu.

E um pedido: Sportv, será que vocês NÃO VÃO LIBERAR MESMO O SINAL DAS FINAIS PARA TODO PAÍS? Mesmo que seja no sportv2, mas pela madrugada, campeonato francês enquanto se decide o Carioca 2009 é uma tremenda falta de respeito com quem lhs dá ibope de verdade. Pensem com carinho.

Boa semana a todos, e nada mais digo.

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA - Herminio Correa

Parabéns Mengão, campeão da Taça Rio 2009

Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

O clássico prometia. Era uma única chance de o Flamengo garantir outros dois jogos finais. Do lado de lá, a chance de resolver de uma vez o campeonato. Casa cheia, Maracanã bonito. Muita expectativa.

A obrigação da vitória em nossas mãos. O jogo, em tese, todo para eles. Podiam partir pra cima da gente sem qualquer preocupação, sem qualquer compromisso. Se ganhassem fechavam o caixão, se perdessem encaravam as finais. Isso, antes da bola rolar, me preocupava.

Começa a partida e o Mengão domina facilmente o meio campo, tem maior posse de bola, mas não consegue acertar o passe final. E o adversário, aproveitando de nossos erros, tentando sair em disparada no contra ataque. Tiveram chances, na verdade as melhores do primeiro tempo, colocaram uma bola na trave, mas só.

Tínhamos mais posse de bola, mas faltava ser mais perigoso. Nosso Emerson - que jogou bem - sempre saindo da área e armando boas jogadas, porém sem a chegada de um homem de meio campo para arrematar. A decisão que prometia ser um jogaço não passou de um jogo morno e de muitos erros em seus 45 minutos iniciais.

No segundo tempo uma nova postura. O Flamengo entrou com muito mais vontade. Percebeu a covardia e a fraqueza de um Botafogo que parecia indisposto – ou incapaz - de decidir de uma vez o campeonato. E o Mengão se impôs na partida, continuou dominando as ações, continuou mostrando determinação.

Até que sai o gol, que resume bem o que foi o adversário, e que premia quem teve um mínimo de vontade de jogar. Um time que mostrou superioridade em todo tempo e que não teve necessidade de fazer uma grande partida. Se o Flamengo de ontem não foi espetacular, teve o mérito de jogar o bastante para ser campeão, de maneira incontestável.

Se fôssemos compartilhar do ufanismo botafoguense de que jogar contra o Americano é mais difícil do que jogar contra o Mais Querido do Mundo, então poderíamos prever o que virá nessas finais. Mas o que o Flamengo precisa é manter o foco e jogar sério, deixar falar o que quiserem, o melhor momento para soltar a voz será na hora de gritar por mais um tri estadual.

A história dos dois próximos confrontos dificilmente será parecida como a de ontem. Agora recomeça tudo do zero, dois jogos, duas decisões. As perspectivas são boas, o time tem encontrado um melhor padrão de jogo na hora certa, o que pudemos observar tanto no estadual quando na Copa do Brasil. Além disso, o grupo mostra a devida consciência de seus reais objetivos: nada de bicho extra pela Taça Rio, nada de churrascaria para comemorações. Ainda que essencial para a sobrevida no campeonato, foi apenas o título do segundo turno. E há conquista maior por vir.

Bom, pelo menos continuamos em nossa costumeira trajetória: A de expandir a sala de troféus. Seria bom deixar mais um espaço reservado, pois com raça, disposição e vontade, muito em breve teremos mais uma na galeria.

Aproveite torcida do Mengão, hoje - como sempre - é mais um dia de mostrar a alegria de ser Rubro Negro.

Até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

domingo, 19 de abril de 2009

Seja na Terra, Seja no Mar (XXVIII)



André Dahmer e Arnaldo Branco são os autores da série de tirinhas "Seja na Terra", publicada durante o primeiro semestre no jornal rubro-negro Vencer. Os cartunistas gentilmente cederam ao Blog da FlamengoNET o direito de reprodução do trabalho aqui no Blog. Para saber mais sobre a dupla, visite os sites:
Arnaldo Branco <
www.gardenal.org/mauhumor/ > e André Dahmer - <www.malvados.com.br/


Clique sobre a imagem para ampliá-la.


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Fortaleza é uma cidade
























E fica no Ceará, e é Rubro-Negra. Aré domingo!
No mais, dá-lhe Emerson! 

Final da Taça Rio

Que São Judas Tadeu nos guie e nos abençoe.

Que meus Orixás nos levem à final.

Comente aqui a final da Taça Rio.

sábado, 18 de abril de 2009

Post meramente ilustrativo


Não é coca-cola, mas é isso aí, Flamengo. Unidos, somos fortes e cada vez mais fodásticos (Muhlemberg, Arthur, 2008 in BlogFlamengoNet).


Fonte: Globo.com

Vocês pediram...

Abro espaço para o velho Lobo de imprensa Osvaldo Tinhorão, que solicitou espaço para seu pensamento sobre o episódio Leonardo. Segue o texto, e que a discussão tome corpo, que não acabe, pois é esse o nosso objetivo: ver o Flamengo grande, soberano, e acima de tudo, viável.


O FLAMENGO DO LEONARDO E O FLAMENGO DO KLÉBER LEITE

Por Osvaldo Tinhorão


Reconheço de antemão que este é um momento complicado para eu tornar a dar as caras aqui. Às vésperas de uma final da Taça Rio, que muita gente boa acredita ser grandes merdas, minha conhecida impaciência com os pernas-de-pau que hoje compõem o Flamengo (jogadores e dirigentes, cada um na sua área) há de ser motivo suficiente para que se me acuse de corneteiro. Paciência.

Vou passar ao largo da pelada de domingo, cuja única serventia é a de permitir-nos passar à frente de um rival de dimensões meramente municipais numa competição idem. Tudo bem, há quem se emocione com essas coisas.

Se rompo meu silêncio de quatro meses para falar agora é porque fui levado a isso pelos recentes pronunciamentos do Leonardo, de uma lucidez atordoante. Não que a essência do que ele diz constitua grande novidade. Leonardo vem defendendo algo assim como a privatização do Flamengo há pelo menos seis anos. A única coisa que mudou agora foi a repercussão da coisa, com faniquitos histéricos de quem tem culpa no cartório por o Flamengo ter-se tornado essa instituição que só aspira ganhar campeonatinhos cariocas.

Nas poucas rodas em que me é dado opinar sobre assuntos rubro-negros, tenho defendido idéias semelhantes às do Leonardo há não pouco tempo. Ao mesmo tempo, confesso que há muito sinto certa exasperação com o Leonardo a cada vez que o ouço bater na mesma tecla, como que numa discussão meramente acadêmica, sem envolver-se minimamente na briga política indispensável para levar o projeto adiante. Ele lá alega que a estrutura viciada do Flamengo inviabilizaria de antemão qualquer esforço seu nesse sentido. Mas defende-se afirmando que tem conversado a respeito com dirigentes do clube. Em resumo: o valoroso Leonardo parece esperar que a mesma estrutura viciada que ele denuncia, por pura e simples persuasão racional, produza as mudanças que permitam a privatização do Flamengo.

Muito bem. Sem deixar de subscrever essas críticas que fiz ao Leonardo, sou forçado a reconhecer que, desta vez, o nosso valoroso ex-camisa 4 conseguiu algo realmente produtivo. Muito pela forma radical como se expressou -- a manchete d’O Globo era “Abre o clube, vende o Flamengo” --, pôs o tema na agenda de todo o mundo disposto a pensar o Flamengo para além da escalação do próximo jogo. Os conseqüentes ataques de pelanca dos dinossauros que ainda hoje comandam o clube ajudaram a dar ainda maior credibilidade à proposta: tornam patente que os mais enfáticos na oposição à idéia são justamente os personagens que fazem do Flamengo o que ele é hoje.

É pena que, em suas declarações posteriores, Leonardo tenha tentado contemporizar com o que ele próprio, na entrevista ao Globo, chamou de “estrutura viciada”. Reconhece abnegação e boas intenções nos que se ofenderam tanto com suas palavras e suas idéias. No entanto, um pouco mais adiante, não sei se por desatenção ou por extrema habilidade, pôs em questão todas essas boas intenções ao denunciar o pouco-caso com que a atual gestão deitou a perder o salva-vidas da Timemania: “Por que que o Flamengo foi inadimplente? Porque ele sabe que não vai dar nada. A dívida vai só aumentar, vai passar para o próximo Presidente e vambora e a gente vai.”

Diante de juízos assim incisivos, os que hoje esperneiam em público deviam refletir se de fato convém dar a cara a tapa, assumindo a culpa por ter tornado a endividar o clube sem nem ao menos trazer qualquer título de expressão em troca. Cá do meu lado, eu dou graças a Deus por esses personagens darem a cara a tapa. Quanto mais espernearem, tanto mais os termos da discussão assumem os seguintes contornos: que Flamengo você quer no futuro, o do Leonardo ou o do Kléber Leite?

Diante de uma discussão dessa transcendência, qualquer coisa que aconteça no domingo devia ser mera nota de rodapé na história rubro-negra.



PAPO DE SEXTA - Luciana Zogaib

O papo de sexta retorna já na madruga de sábado e entre uma mamada e outra de Joaninha... O fato é que, após completar um mês de vida nesta sexta, Joana já vai enfrentar sua primeira decisão e a mamãe aqui aproveita este momento para firmar o retorno ao blog e também a confiança de que este será o primeiro fim de semana da série de pauladas na cachorrada.
Depois de uma quinta-feira de comédia na tela do sportv, com flor e bota nos fazendo morrer de rir, a confiança só aumentou. Diante da capacidade de lotação do vazião pela torcida alvinegra já podemos prever também o massacre que se dará nas arquibancadas e cadeiras do Maraca... Ai ai ai que saudade...
Mas o importante é o Mengão manter a pegada do último jogo, botar o pé na forma e não dar mole nenhum para o Maicosuel e para as bolas paradas do Juninho, pra mim, os dois maiores perigos do Bota. A eliminação precoce da Copa do Brasil, faz eles também colocarem todas as fichas nesse Carioca mas, pra nós, vale o penta tri, e isso é história, é glória e portanto, é pra deixar pulmão e muito sangue no gramado, só isso é que podemos esperar e espero que todos estejam realmente com este espírito.
Despedida de capitão à parte, é o TRI, mais um, e é também a supremacia Carioca em jogo, dando Adeus ao flor. Sábado de concentração máxima e domingo de gala, é para isso que eu e Jo estamos nos preparando. E, pra galera que vai ao Maraca, que nos represente com toda classe.
SRN

Flamengo Net

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