Boiolar é proibido
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
O Flamengo não tem que se libertar do seu Passado épico, e sim do seu presente trágico.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Mas bateram num conselheiro.
Não conheço pessoalmente nenhum dos protagonistas dos lastimáveis episódios ocorridos recentemente, não privo da intimidade, sequer da convivência, de agressores e agredidos, de forma que não disponho de qualquer elemento que deponha contra a integridade dos indivíduos que ultimamente têm estado na berlinda rubro-negra.
Nem a favor.
Ontem o Flamengo lançou sua terceira camisa. Ficou bonita, não feriu as tradições do clube, vai vender bem, é uma iniciativa louvável e adequada aos novos tempos. Também foi lançada uma linha casual, com algumas peças bastante interessantes. É a marca Flamengo buscando se aproximar do seu torcedor.
Mas bateram num conselheiro.
A empresa que fornece o equipamento esportivo do Flamengo, ao contrário da antecessora, tem buscado fomentar ações que não se restringem ao mero fornecimento de camisas e agasalhos. Nesse escopo, lança-se uma linha completa de produtos, constroi-se um museu, ajuda-se na contratação de jogadores de alto nível, e com um provisório e providencial patrocínio master. Há a contrapartida, claro, mas percebe-se claramente uma visão voltada para uma relação ganha-ganha.
Em troca, batem num conselheiro.
Não contentes, xingam ídolos. Deblateram diatribes burlescas e inflamadas, recorrem às surradas práticas consagradas por Goebbles, difundem teorias convenientemente estranhas, cospem nas glórias que louvaram um dia. Profanam, eivados do mais renitente descaro, a imagem de alguns dos mais sólidos pilares da instituição flamenga. Chutam, pelas costas, a nossa história.
Há dinheiro entrando.
Dirigir o Flamengo não é fácil, dadas as dívidas e a descomunal pressão sofrida, por qualquer aspecto ou ângulo. Mas compensa. Brandir a caneta que distribui aqui e acolá os gordos milhões advindos do recente boom do futebol brasileiro confere um poder inebriante. Sentar naquela cadeira é uma meta árdua, são muitos oponentes, muitos adversários, a concorrência é feroz e selvagem. Vale quase tudo.
Até tentar destruir ídolos.
“Quem vive de passado é museu”. Por aí, a gente sempre ouve essa frase. Imbecil em sua essência. A história nos ensina, nos ajuda a nos entender e nos posicionar, a criar referências e padrões, a nos perceber inseridos dentro de um escopo. Eu torço, acompanho e me emociono por um time que guarda a mesma personalidade do início de sua existência. Doval, Rondinelli, Lico, Fábio Luciano, Moderato suaram o mesmo sangue, morreram a mesma paixão flamenga dentro de campo.
Eles não sabem nem quem foi Moderato.
Daí que há algo muito errado, quando o templo, a sede, o centro de convergência de nossas glórias e sonhos de menino adulto está tomado por pensamentos oportunistas, quando os nossos ídolos, nossos espelhos, a razão de ser de nossa crença flamenga, são enxovalhados por tiranetes e chefetes de aldeia, quando gorilas atacam nossas esperanças a pontapés pelas nossas costas.
Não vou me livrar da Geração 1981.
Não vou me livrar da Geração 1981, não quero me livrar da Geração 1981, e vou continuar disseminando os feitos da Geração 1981. Porque a Geração 1981 me mostrou um Flamengo bom, formado por pessoas capazes de estabelecer uma referência de vida, um clube que pregava e praticava a vanguarda, e que formava e cultivava ídolos. A Geração 1981 não chutava as costas de ninguém. A Geração 1981 era o que o Flamengo tinha de melhor.
Ainda imagino o dia em que poderemos ter o orgulho de torcer, amar e fazer parte da história de um colosso, um Flamengo gigante, capaz de expandir sua vocação vencedora aos rincões mais distantes, arregimentando fãs e torcedores em todos os cantos do mundo, erguendo-se à altura de sua tradição e de sua vocação singulares.
Ah, só pra constar. O Zico não é anjo.
É Deus.
Sempre Flamengo
O time não vence ha nove partidas e o clima ja não era dos melhores. Para piorar, porque sempre pode piorar, pouco antes do evento começar o publicitário e conselheiro do Flamengo, Arthur Muhlenberg, que ja foi nosso colaborador e hoje escreve no Globoesporte.com, foi agredido covardemente pelas costas pelo também conselheiro e chefe de torcida José Carlos Peruano. Aos gritos de "eu faço o que eu quiser" e "se te ver aqui vai entrar na porrada" o chefe da torcida "Urubu Guerreiro" ameaçava o blogueiro como se fosse o dono do clube. Depois de contido por um torcedor, a maior vergonha estava por vir, os seguranças conversavam com ele às risadas, numa tipica cena de nojo explícito.
Passado esse triste acontecimento o evento transcorreu normalmente. Antes das apresentações da Linha Casual e do Uniforme 3 o vice de Marketing Henrique Brandão falou da grandeza e da importância da parceria entre Flamengo e Olympikus. Depois foi a vez do Diretor de Patrimônio, Mauro Chaves falar do andamento das obras do Museu, passando a bola para Tulio Formicola Filho, Gerente de Marketing do Grupo Vulcabrás que apresentou um video com funcionários(a empresa tem
Em seguida foi apresentado outro video, onde curiosamente quem abre falando é o vascaíno Sérgio Cabral, grande jornalista e escritor. Ele que tem 74 anos disse que o time que mais o encantou foi o Flamengo de 81. Na sequencia do video, depoimentos de Roberto Assaf, Mauro Cezar Pereira e dos jogadores Zico, Adilio, Nunes, Rondinelli, Julio Cesar, Raul e Junior. Todos exaltaram a importância que o técnico Claudio Coutinho teve na formação daquela equipe campeã. O falecido treinador estava representad
Na sequencia foi mostrado um terceiro video, dessa vez o velho lobo Zagallo, que visivelmente muito emocionado tentou contar mais uma vez o que representou aquele tricampeonato, aquele gol do Pet aos 43. Mas o velho lobo ta cada vez mais cansado e muito emocionado quase não conseguiu descrever tal situação. Eu vi marmanjo segurando pra não chorar.
Seguindo o evento subiu ao palanque a presidenta Patricia Amorim, que ao ganhar o exemplar numero 1 do livro Sempre Flamengo fez uma piadinha que até agora nem eu nem os jornalistas presentes entenderam. Ela ao pegar o microfone falou: que bom que ganhei o livro porque salario... E ficou aquele clima no ar. Será que ela estaria falando dos salarios dos jogadores atrasados ou estaria reclamando que não ganha salário?
Foram usados atletas do clube como modelos da Linha Casual, uma idéia bacana e que ainda corta custos. Os jogadores Léo Moura em péssima fase, Adryan Tavares de 17 anos e veterano craque Adilio exibiram o Uniforme 3 que particularmente eu achei muito bonito. A Linha Casual também me parece mais bonita que a anterior.
E você rubro-negro, gostou desse terceiro uniforme?
Dão no Twitter: http://twitter.com/dao_tavares
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Uma agressão à liberdade
domingo, 18 de setembro de 2011
O Flamengômetro despencou para 41% após o Flamengo virar o saco de pancadas dos times da parte de baixo da tabela, com uma apatia tão misteriosa que tira até a vontade da gente de escrever. É sintomático que a Gávea tenha em seu "primeiro escalão" estes bacilos que são capazes de desprezar ZICO e JUNIOR. Pra mim falar mal DELES já era por si só motivo para expulsão instantânea dos quadros do clube. Precisamos urgentemente de um antibiótico bem forte para erradicar estes germes nocivos. Difícil comentar sobre um time cercado de tantos fatores extracampo envoltos em mistério.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat"Momento inoportuno"?
Pra não dizer que não escrevi sobre a polêmica da semana
Já faz algum tempo que, em diversas entrevistas sobre outros assuntos, Zico vinha se esquivando de responder quaisquer perguntas sobre o Flamengo. Se limitava a dizer que "sobre o Flamengo, não falo nada", fosse qual fosse o tema em questão - o time, a diretoria, o técnico, qualquer coisa. Mas nesta semana uma boa repórter insistiu um pouco mais e conseguiu que ele desenvolvesse um tantinho os motivos para andar se recusando a falar sobre o clube. E aí veio todo este barulho.
Júnior teve o que dizer sobre o assunto. Doutor Leonardo Ribeiro (foto ao lado), claro, também. Repórteres, colunistas, blogueiros, comentaristas - todos trataram das palavras de Zico. Foi o assunto rubro-negro da semana. Aí chegou a vez de Luxemburgo ser perguntado sobre o tema. E ele, além de dizer que Zico deveria "separar as pessoas da instituição", falou que as declarações foram em "um momento inoportuno".
Será que foram mesmo? Luxemburgo ficou mesmo insatisfeito com toda a repercussão neste "momento inoportuno" ou sentiu algum alívio ao ouvir as pessoas discutindo dois jogadores que pararam de jogar há mais de 15 anos, em vez dos que estão entrando em campo agora e seguem há oito partidas sem vencer, com uma atuação ruim atrás da outra, um esquema que não funciona e falhas semelhantes que se repetem rodada após rodada? Será que ele não gostou de dar e ver divulgadas declarações de amor ao Flamengo e dedicação incondicional à instituição, em vez de explicações táticas e técnicas sobre o momento difícil do time?
Talvez não seja o caso. Mas, se não aconteceu com Luxemburgo, tenho certeza que houve quem gostou desta discussão distorcida, com tantos falando de declarações que Zico, afinal, nem queria dar.
* * * * * * * * * *
Acho triste ver o maior ídolo da história do Flamengo, o meu maior ídolo, falando desta maneira sobre sua relação atual com o clube. Gostaria que ele não lidasse assim com a situação.
Mas já cansei de ver torcedores do Flamengo e de outros times dizendo que estão cansados e se afastando por um tempo de jogos e noticiários, simplesmente por lerem notícias ruins ou presenciarem algum vexame no estádio. Vocês não conhecem nenhum rubro-negro ou tricolor que tenha reagido assim por algum tempo após derrotas pra Santo André ou LDU? Cada um assimila as coisas de seu jeito, mas é compreensível que alguns ajam assim - estão chateados, magoados, ao verem seu tempo e sua dedicação ao clube ser mal retribuída. E estamos falando simplesmente de ver algo que não gostou pela TV ou na arquibancada; agora imagine se estas pessoas, em vez de apenas verem seu time perder, sentissem os que comandam a instituição que amam os atingindo pessoalmente, junto com suas famílias.
É muito fácil falar de fora que "é preciso separar as pessoas da instituição". A instituição, meus caros, é maior que as pessoas, mas é feita por pessoas. É bonito falar do Flamengo como uma força mística e eterna, mas ele é o que é pelo que pessoas, de carne e osso, fizeram dele ao longo de sua história.
E o que os jogadores fazem, o que diretores fazem e o que nós torcedores fazemos hoje vai influenciar não apenas os sentimentos do Zico hoje - é natural, ainda mais pra quem tem relacionamento direto com aquilo -, mas também como o Flamengo será visto ao longo do tempo daqui pra frente. É assim que funciona, para o bem ou para o mal. Se o Botafogo é hoje visto como um clube que valoriza seus ídolos, é porque pessoas que passaram pelo Botafogo (menores que o Botafogo, certo?) agiram assim em diversas oportunidades. E é óbvio ainda que o Vasco é maior que Eurico Miranda, mas Eurico mudou e muito a maneira como o Vasco foi percebido por toda uma geração, em todo o país. Ou não?
É bom então se preocupar com o que pessoas, menores que o Flamengo, fazem com ele. E não apenas para preservar os sentimentos do Zico.
Zico e Júnior não são deuses. São humanos, falíveis. Erram, erraram. Talvez não fossem as pessoas mais indicadas para ocupar os cargos de direção que tiveram por um período curtíssimo de tempo cada um. Mas o que alguns estão tentando fazer é desassociar o Flamengo de pessoas como eles, dando a entender que o clube não é Zico e Júnior - o clube, então, dever ser eles. Eles, que estão sempre lá, é que amam o Flamengo, entenderam? E enquanto Zico, Júnior e outros duram pouco e se afastam, quem age e pensa como dono do Flamengo permanece, por longos e longos anos. Do jeito que a coisa está indo, eles também vão acabar conseguindo, como Zico fez, deixar sua marca na história e na identidade do clube. E ainda aparece jornalista de nome por aí dando força ao discurso oportunista deles - que, não se enganem!, não são um só, ao contrário do que às vezes possa parecer.
A quem isso interessa? Ao Flamengo - que é maior que Zico e Júnior, mas certamente bem maior que eles - é que não é.
• ANDRÉ MONNERAT escreve também no SobreFlamengo (www.sobreflamengo.com.br e twitter.com/sobreflamengo)
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Liberta de 1981: ah, sim, ganhamos com dois gols do Zico
*Por Gustavo de Almeida
No afã desta iconoclastia – que nos dá saudades de verdadeiros iconoclastas, como H.L.Mencken, Paulo Francis e José Guilherme Merquior – o sr. Ribeiro resolveu “alfinetar” Zico e Júnior.
Diria Arthur Muhlemberg, uma das referências da Filosofia Rubro-Negra, que estou “acendendo vela de primeira para defunto de terceira”. Na verdade, queria sair em defesa daquilo que é uma das coisas mais preciosas da vida: a memória.
O que o sr. Ribeiro chama de “Geração de 1981”, com certa desfaçatez, meio que diminuindo, é simplesmente o alicerce do rubro-negrismo de hoje. É o que foi Dida e Evaristo para meu pai, Leônidas da Silva para meu avô. E o que talvez seja Petkovic para nossos filhos. Não estou me referindo a títulos, não me refiro nem mesmo a gols ou a dribles bonitos. Isto sempre tivemos.
Eu me refiro apenas ao sangue. Ao sangue derramado por Rondinelli nos campos inimigos do Mineirão, diante dos chutes covardes dos atleticanos. Ao sangue que corria nas veias de Zico e Junior, ao sangue que escorria dos olhos de Nunes enlouquecido após o gol em 1980, ao sangue que Adílio verteu de cortes no supercílio dados pelo covarde Mário Soto em Santiago do Chile. Ao sangue que corria nas veias de Leandro, de Marinho, Mozer e Lico, ao sangue que verteu do nariz de Lico nos jogos disputados na altitude, ao sangue que Tita derramou quando Chicão entrou de sola no joelho ainda naquela final de 1980.
E ao sangue, sim, de todos nós, que venoso é negro e arterial, vermelho, aquilo que mais Flamengo poderia ser. Nós somos todos um sangue só, eternamente derramado nos campos de batalha.
Diz o sr. Ribeiro que “o Flamengo precisava se libertar da geração 81 e ganhar outra Libertadores, outro mundial”. Quero só ressaltar: não vivo de passado: a vida é que é uma coleção de memórias, sempre. E vocês são uma das melhores memórias que tenho na vida, ao lado da do Natal de 1983 e do dia em que conheci minha mulher.
Bobagem: ganhar outra Libertadores não fará o Flamengo maior. A Lei da Física impede isto: não há como ser maior do que o Flamengo – nem mesmo o próprio Flamengo. Já disse e repito que, mesmo que o Flamengo não tivesse um título sequer, sua camisa ainda seria gigantesca, monumental, sua memória seria vasta e colossal como a de guerras romanas, sua sombra se estenderia por sobre a terra como um apocalipse feito de felicidade.
Que o sr. Ribeiro, autoridade do clube, presidente do Conselho Fiscal, me perdoe, mas quero dizer que jamais vou me libertar da geração de 1981. Porque seria como deixar de ser Flamengo. A geração de 1981 é o que me prende, tal e qual uma corda pela eternidade, aos dias, meses e anos inesquecíveis que vivi com meu pai, de 1979 a 1983, conquistando tudo, festejando todos os meses, aprendendo a ser Flamengo, até que o velho se despedisse da vida em 1984 (ano em que coincidentemente o Flamengo não ganhou nada, mas quem se importa?). A geração de 1981 me ensinou a ter raiva do vexame, a não ver nada melhor no mundo do que o Flamengo campeão, a entender que não podemos ganhar todas – mas que jamais podemos deixar de exercer esta bênção que é ser Flamengo.
Peço desculpas ao Zico, ao Júnior, ao Raul, ao Leandro, a todos os que foram citados. Não tenho procuração para falar em nome de nenhum rubro-negro, a não ser talvez daquele que se foi e que está lá ao lado de Dida e Geraldo Assoviador. Se tivesse, eu diria à geração de 1981: nunca me libertarei de vocês, pois foram vocês que me ensinaram a liberdade.
O Flamengo é muito maior do que Zico
É um colosso, uma força da natureza.
Tire Zico do Flamengo, e o rubro-negro ainda é enorme. Um vagalhão de história e tradição, raça, amor e paixão. Inigualável e épico. Imenso.
O Flamengo é muito maior do que Zico, posto que sem Arthur Antuneas Coimbra, primeiro e único, o Flamengo é Flamengo.
Tire Zico do Flamengo. Sobra ainda o vovô Junior celebrando o gol do penta, a lenda de Dida, a bola decisiva de Ronaldo Angelim e há quem diga até que Zico não foi maior que Zizinho, por exemplo. Ora, roube Zico da história do Flamengo e o clube ainda é imenso.
O que não se pode discutir é que se o Flamengo é maior do que Zico e ainda é gigante sem ele, a ausência do Galinho deixa o Flamengo menor. Gigante, o rubro-negro tem que esticar mais os pés sem Zico.
Para explicar isso, lembro do meu post, Não importa como e nem o porquê!
Porque é como se a cada grito, a cada gol perdido, a cada título que escapasse... a Torcida clamasse pelo retorno do nosso herói. Sim, herói. Porque Zico sempre esteve muito acima do que qualquer ídolo poderia. Sempre foi mais do que atleta, um gênio. E sempre foi muito mais do que um ídolo, foi um exemplo.
E daí está a maior emoção de sua volta. Pouco importa por qual salário, meta ou objetivos ele exigiu. O retorno de Zico é maior do que o próprio fato. Porque traz para mais de trinta milhões de fiéis não apenas o seu maior ídolo, herói e exemplo. A volta de Arthur Antunes Coimbra traz ao Flamengo o Flamengo que a gente sempre quis ver. Traz o Flamengo que nunca renegou seu papel de ídolo e, principalmente, exemplo.
O Flamengo sem Zico, ainda é o Flamengo. Mas queiram ou não, torcedores, ídolos e dirigentes, é um clube menor. Se um pouco ou muito, o tempo dirá.
******
Anos atrás, em um comercial de cerveja, Zico falou sobre o Flamengo. Nas palavras finais: "e se 33 milhões de torcedores resolvessem se unir pelo Flamengo?"
É o tipo de emoção que só Zico causa. Até mesmo em uma rotineira propaganda. É o tipo de palpitação que a torcida não terá por um bom tempo. É bom que tenha valido a pena.
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Saudações flamengas a todos,
O futebol é dinâmico, extremamente dinâmico.
Ninguém, nem o mais renitente pessimista dos torcedores, imaginava que, poucas semanas após a dramática e emocionante vitória contra o Coritiba, o time passaria a vivenciar uma de suas crises mais amargas, em que o resultado não aparece, a vitória não chega, a bola não entra e gols são sofridos de forma quase gratuita.
O que pode estar acontecendo?
Não sei. Não tenho resposta. Há indícios aqui e ali, há rumores acolá, mas tentar teorizar baseado em especulações não me parece produtivo, a menos que sirva para algum tipo de desabafo, natural em nós, torcedores que somos.
Mesmo assim, vou tentar.
As principais conclusões a que se tem chegado para explicar a queda de rendimento do time se fundamentam em três assertivas: a contusão de jogadores, o mau desempenho de alguns titulares e um pretenso “boicote” ao treinador. São essas três premissas que vou abordar nesse texto. Vamos lá:
1 – Contusão de jogadores
A rigor, pode-se colocar nessa lista apenas o Aírton, já que o Alex Silva entrou no time já durante a sequência negativa. Ou seja, os resultados estavam acontecendo mesmo sem o Pirulito, em que pese sua contratação, mais do que desejada, será fundamental para melhorar o sistema defensivo, na minha opinião. Mas, voltemos ao Aírton: estreou contra o São Paulo, atuou em vitórias importantes, contra Fluminense e Cruzeiro (onde foi destaque), e melhorou dramaticamente o desempenho da defesa, ao ponto da equipe passar vários jogos sem sofrer gols. O interessante é que, antes de sua entrada, o time vinha vencendo suas partidas sem jamais convencer. Desfalcou a equipe no histórico 5-4 contra o Santos (jogo completamente aberto e atípico, embora sensacional) e no empate (1-1) contra o Ceará.
2 – Mau desempenho de titulares
Os jogadores mais criticados da equipe têm sido Wellington, Deivid, Leonardo Moura, Thiago Neves e Willians. Não vou me ater aos dois primeiros, porque o futebol deles é esse mesmo, desde que são titulares. O Wellington é jovem, tem algumas qualidades, mas erra e compromete a equipe com uma frequência inaceitável para um jogador profissional. E o Deivid luta demais com suas limitações físicas, não tem força para atuar como referência nem velocidade para jogar como segundo atacante. Penso que o futebol desses dois continua exatamente o mesmo.
Leonardo Moura: quem tem melhor memória há de se lembrar que o Léo Moura sempre se notabilizou por sua irregularidade. Trata-se de um jogador que alterna bons e maus momentos ao longo do ano. Em 2007, por exemplo, era fortemente criticado, até crescer no final da temporada. Em 2009 deu-se algo parecido. E normalmente quando retorna de alguma contusão mais séria o sujeito demora a atuar bem. Não sei se o problema é apenas físico. Ano passado o nosso lateral foi, talvez, o principal jogador da temporada. Um ano apenas faz desabar o rendimento físico?
Thiago Neves: fez um ótimo Estadual, talvez tenha sido o melhor do time na competição. Decisivo, gols em clássicos, um futebol que o levou para a Seleção. Nesse embalo, atuou muito bem contra o Ceará, com dois gols, e mostrou boas partidas no início do Brasileiro. Foi convocado para a Seleção, ainda seguiu com razoáveis atuações (Santos, Grêmio), saiu aplaudido contra o São Paulo. Machucou-se no jogo do Atlético-GO, e depois voltou irreconhecível, inclusive com dificuldades de domínio básico de bola em alguns lances. Parece estar sentindo muito o momento, como se observa em algumas entrevistas.
Willians: muito voluntarioso, dono de uma excepcional capacidade de desarme, mas não é o tipo de jogador que ocupa espaços ou com exata noção de posicionamento. Todas as vezes que atua mais recuado, como primeiro volante ao lado do Renato ou de um dos garotos (Luís Antônio, Muralha), as atuações do time são severamente criticadas, salvo nos 4-0 da estreia do Brasileiro. Inclusive, essa formação havia sido abandonada no meio da competição, e a falta de um primeiro volante “de ofício” obrigou sua retomada, fazendo cair demais o desempenho do jogador, pondo na berlinda seus erros de passe e cobertura, atributos indispensáveis a um “frente-de-zaga”.
3 - “Boicote” ao treinador
Por fim, o tal “boicote”. Não compartilho dessa tese, ao menos não acho que haja algum movimento preponderante. É sabido que existem alguns ruídos entre o Luxemburgo e alguns jogadores, mas isso é diferente de um movimento do grupo para derrubar o treinador, como havia abertamente em 2009 com o Cuca (depois admitido em reportagens na Placar, por exemplo). Eu vi um time acomodado em duas ocasiões: nos jogos do Atlético-GO e do Bahia. No primeiro, o time parecia sentado em cima da invencibilidade, e no segundo o time entrou completamente desconcentrado (dando razão aos defensores da tese). No entanto, a equipe correu nos dois jogos seguintes. Domingo, houve um desânimo após o segundo gol, mas não vi indolência ou corpo-mole. Vi muita gente correndo errado (houve momentos em que havia TRÊS jogadores na lateral-direita do campo).
Luxemburgo é um treinador difícil, é genioso, vaidoso e não é muito fácil de se lidar. No entanto, possui temperamento forte, liderança e capacidade técnica. Isso é respeitado por um grupo de jogadores. Há dois tipos de treinador que a boleirada respeita. O “churrasqueiro”, papaizão, e o cara que “faz acontecer”, o cara que mexe no time e muda um jogo, mesmo errando às vezes. É esse o caso do Luxemburgo, goste-se ou não do sujeito. Outra coisa: o time já viveu vários momentos complicados na temporada, e o cargo do treinador chegou a ser discutido em alguns desses momentos. Curiosamente, o time sempre atuou bem nesses momentos-chave (exemplo? 2-0 no Botafogo, melhor atuação do Estadual).
É isso. Não quero concluir nada daqui, só seguir discutindo, concordando e discordando, e buscando elementos que nos façam sair do mero campo das especulações. Deixo uma última historinha: No início de 1992, um time grande começava muito mal o Brasileiro, foi atuar num clássico. Levou 4-0, jogadores andando em campo, todos falavam que o treinador ia cair, “prestigiaram” o sujeito. Partida seguinte, nova derrota, a quinta seguida. Reunião marcada pra demissão do cara, gente da diretoria falando abertamente em substitutos. Surpreendentemente, a presidência bancou o treinador, que foi mantido com carta branca, nomes foram afastados. E assim Telê Santana se tornou o maior treinador da história do São Paulo.
E assim, tornamos ao início. O futebol é dinâmico. Extremamente dinâmico.
domingo, 11 de setembro de 2011
Liédson é o centroavante do Corinthians. Eu sei, vocês sabem. É o artilheiro do Timão, já jogou no Flamengo, até já atuou pela Seleção Portuguesa. Eu sei, todos sabem. Eu sei que ele tem a função de finalizar os ataques e marcar os gols. Eu sei, a Torcida do Flamengo* inteira sabe. Todos, menos os nossos zagueiros. Por duas vezes, Liédson apareceu sozinho, com ninguém para marcá-lo no raio de três metros. E assim fomos incapazes até de segurar uma vantagenzinha mequetrefe que caiu em nosso colo no final do primeiro tempo. Não merecíamos ganhar, pois não jogamos nada durante os noventa minutos. Nossos únicos lance dignos de nota foram um impedimento mal marcado do Deivid, o chute do Thiago Neves que gerou o escanteio, que gerou um segundo escanteio que terminou no gol, e um lance do R10 que juiz impoluto enxergou mão na bola. Fora isso, apenas chutões pra lateral, erros de passe, erros de chute, enfim essa porcaria que o time vem fazendo. A culpa deve ser mim, que tirei minhas férias em 11 de agosto e não vi o Flamengo vencer uma partida sequer, e conseguiu a proeza de perder 18 pontos. Felizmente minhas férias acabaram ontem. Desculpem.
*"Torcida do Flamengo" = o maior coletivo pleonástico hiperbólico da língua portuguesa.
Estamos assim na segunda curva descendente do ano, e ainda não consigo entender como o time caiu tanto de produção, um time que parecia tão consistente ao longo do ano, mesmo nos momentos piores. Também não entendo como esse time ainda é o melhor ataque do campeonato...
Chegamos à 22ª rodada com o mesmo aproveitamente que tínhamos em 2008, o ano em que lideramos, despencamos, nos recuperamos e acabamos fora da Libertadores graças às lambanças dos últimos jogos, mas estamos acima do patamar em que estávamos em 2007 (vaga na Libertadores) e 2009 (campeões). O que o Flamengo pretende fazer daqui em diante? Há desavenças no elenco? Há conflitos com o treinador? Falta preparo físico? Maratona? Esquemas de arbitragem? Ou apenas ruindade? Cadê o FLAMENGO de verdade? Quando a palhaçada vai acabar?


















