domingo, 31 de outubro de 2010

Breve Balanço de 2010

Saudações Flamengas, galera do FlamengoNet. Domingão sem Mengão é sempre monótono, mas em compensação podemos nos dedicar a outras tarefas, e até tirar eventuais "atrasos", seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal.

O ano de 2010 tá acabando, e o saldo no futebol é negativo. Há algum tempo nós rubro negros não sabíamos o que era passar uma temporada sem nenhuma conquista, e mais, com nossos fregueses locais aspirando metas superiores em relação às nossas no Brasileirão. 
Quando Patricia Amorim lançou sua candidatura, lembro bem que houve um certo temor de que ela voltasse suas atenções para os esportes olímpicos em detrimento do Futebol. Lembro também que muitos, como eu, pensaram que era loucura, pra não dizer outra coisa, um(a) presidente do Flamengo deixar de lado aquele que é o trem pagador do clube. Ninguém em sã consciência poderia sequer pensar nisso.  Aos que quiserem saber da proposta de Patricia antes de se eleger, é só ouvir o programa "A Voz da Nação", do dia 11/09 do ano passado (a data é mera coincidência).

Pois bem, depois de um 2009 proveitoso, no qual avançamos, embora em passo de tartaruga, em alguns aspectos, vemos nesta temporada a coisa toda voltar à estaca zero. O museu, que era pra estar pronto no nosso próximo aniversário, terá estranhamente sua pedra fundamental lançada na data festiva. O time campeão foi desmantelado, o que evidenciou a total falta de uma política de manutenção da equipe e de reposição de jogadores. Pelo menos o time de basquete foi mantido e reforçado, e esperamos que os guerreiros da quadra mais uma vez honrem o Manto, como eles vêm honrando desde que passaram a defender nossas cores heróicas (Detalhe: nessa administração nosso time de basquete conseguiu ser vice para o Vasco do basquete, o Brasília).

Zico veio, e em pouco tempo sucumbiu perante o angustiante e aparentemente insolúvel caos administrativo do clube. Apesar de ser Zico, deu pra perceber que ele era apenas uma "andorinha", e que uma só, como se sabe, não faz verão. Faltou apoio, faltou mais gente trabalhando pelo Flamengo. Faltou seriedade para conduzir o projeto por parte de outras esferas da instituição.

A saída do Galo deixou algumas lições. Uma delas, a de que a torcida do Flamengo precisa encontrar meios de se agregar, e ter voz dentro do clube. Sei que uma corrente de rubro negros daqui do FlamengoNet é mais conservadora, e não vê outra possibilidade de mudança que não seja pela via associativa. Já disse que concordo, e penso até que esta seja a maneira ideal para que o Flamengo mude para a melhor. Mas penso também que há um sistema viciado funcionando nas entranhas da instituição, o que dificultaria enormemente qualquer grupo de oposição que tente mudanças mais profundas no status quo. Zico foi um exemplo disso.

Acredito que só um forte clamor da Nação, um movimento organizado de forma séria e profissional, que conte com rubro negros que conhecem os problemas do clube, mas sem o passado obscuro de muitos que estão atualmente dirigindo o Flamengo, em conjunto a pessoas de fora do Flamengo, e que estejam dispostas a trabalhar em prol do  nosso engrandecimento material e institucional,  seja talvez a nossa derradeira tábua de salvação. Afinal, o Messias foi obrigado a recuar, e enquanto ele não retorna definitivamente, a única força capaz de evitar uma hecatombe futebolística somos nós. 

Esse movimento, amigos, está em vias de se tornar algo real. Chama-se Associação dos Amigos do Flamengo, e em breve estará pronto para reunir a maior quantidade possível de rubro negros que queiram encampar essa luta, a de tornar o Flamengo grande por fora e por dentro.

                        Patrícia Amorim já tem um mérito em sua gestão...

                                   ...a reforma do parquinho infantil.

Julio Cesar publica o blog "Tua Glória é Lutar"

AVANTE FLAMENGO!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Quem é que manda?

Os principais veículos de imprensa anunciaram, nesta sexta-feira, que acabou o contrato de Toró com o Flamengo e, pelo desacordo nos salários, haverá o distrato - ou como queiram chamar.

Este fato me remete à pergunta título: Quem manda na Gávea? Empresário? Jogador? Procurador??

Sim, pois presidente e diretor de futebol, pelo jeito, não mandam nada.

Antes de continuar minha linha de pensamento, devo dizer que o clube agiu bem. "Não quer ganhar X. Ok, feel free". É assim que deve ser.

Mas, voltemos. Há algum tempo leio que os principais contratos de jogadores do Flamengo terminam em maio, junho, e outros meses estranhos. Não consigo entender como o clube permite que isso aconteça. Ah, Alex, é por causa da janela!!!

Então, me façam um favor. Prestem atenção, pois não pretendo desenhar. O clube tem que direcionar a renovação para o fim da NOSSA temporada. Sim, pois se um jogador A estiver muito bem no brasileirão, e chegar um clube da europa com grana, vai ter que dobrar, triplicar, pois o jogador está no meio do contrato. Agora, se o clube europeu chega aqui em maio, todo mundo negociando contrato...bom, já se sabe o que acontece.

Nessas horas, me pergunto o motivo pelo qual os famosos conselhos do clube não se metem. Gostam tanto de falar, de gralhar, mas quando é pra fazer algo decente pelo clube, ninguém faz. É proibido encarar de frente empresários e procuradores?

Sério, insubstituível no Flamengo só houve um. Essa reversão de valores de que "não podemos perder o Willians" tem que acabar. Senão, continuaremos escravos de caras que talvez nem tenham título de sócio do clube. (P.S.: Citei o Willians, mas meu pensamento serve para todos os jogadores do elenco, com todo respeito que eles mereçam).

E só pra terminar, quero falar de uma parada aqui: O FlamengoNet continuará, SEMPRE, emitindo suas opiniões. Doa a quem doer. Está dado o recado. Ou melhor, estou respondendo ao recado. Papagaiada se trata com seriedade. E, de seriedade, nós entendemos. Não chegamos aqui por picaretagem ou por impor nossa vontade.

E nada mais digo.

Alex do triplex no twitter: @alextriplex

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

O que o Flamengo tem hoje, o que precisará no ano que vem

Sei bem que o risco de rebaixamento ainda não acabou para o Flamengo. Na frieza dos números, a distância em relação aos primeiros que estão na terrível zona não é confortável. Mas não adianta: não consigo mais esquentar a cabeça quanto aos resultados ou ao futebol que o time está apresentando este ano. No que se refere ao Flamengo dentro de campo, só está me restando esperar o fim de 2010.

É bom que lá dentro estejam bem concentrados no trabalho atual, para não correr nenhum risco de susto desnecessário ao fim do campeonato. Mas já devem também estar pensando bastante no ano que vem. Luxemburgo mesmo deve estar fazendo divertidos exercícios imaginando as contratações que fará para o ano que vem.

Bem, segue abaixo um exercício de análise do elenco atual, pra ajudar a pensar no que o time precisará em 2012. É bom estar de olho nas durações dos contratos de quem está lá.


Goleiros:
Marcelo Lomba, o titular, dá conta do recado e tem contrato até o final de 2012. Fora ele, no momento o Flamengo só tem um goleiro no profissional em condição de estar ao menos no banco em toda a próxima temporada: Paulo Victor, que sinceramente não conheço e tem contrato até março de 2013. Vinícius, o outro reserva contratado este ano, tem seu empréstimo se encerrando no fim de 2010.

- É preciso verificar se o goleiro da base tem condições de ir pro profissional. Caso contrário, é preciso contratar alguém para a reserva.


Zagueiros:
Os dois mais jovens do elenco, Wellinton e David, estão garantidos para 2011 – seus contratos vão até a metade de 2014. Fora isso, a diretoria terá que se mexer. Há Jean, com contrato até o fim de 2011, mas está claro que ele não tem condição de estar no elenco. Gosto muito de Ronaldo Angelim, o manteria no elenco – apesar de saber que o tempo passa para todos -, mas há uma renovação de contrato no meio do caminho: seu vínculo com o Flamengo acaba em junho de 2011. E é o único zagueiro canhoto do elenco.

- O ideal seria contratar pelo menos um zagueiro canhoto em condições de ser titular e mais alguém para o banco.


Laterais
Na lateral direita, embora ainda seja bastante elogiado por várias atuações, vejo o tempo passando para Léo Moura. Mas ele tem contrato até o fim de 2011 e ainda tem condições de jogar esta temporada. Além dele, para a direita, há o promissor Rafael Galhardo (contrato até julho de 2012) e o esforçado Éverton Silva, que quebra um galho para a reserva na lateral esquerda (com contrato até dezembro de 2013).

O problema está na esquerda. Juan, que vem jogando mal faz tempo, tem o contrato encerrando no fim deste ano. Além dele, só há no elenco gente que não inspira qualquer confiança para assumir a posição: Rodrigo Alvim (contrato até janeiro de 2013), Jorbison (até fevereiro de 2012) e Uendel (até dezembro de 2011). Dá até pra pensar em Egídio para o banco – ele tem contrato até dezembro de 2012, vinha jogando como titular no Vitória e volta de empréstimo no fim desta temporada –, mas não como titular. Ou seja: há quatro jogadores com contrato para a posição ano que vem, e nenhum que dê conta do recado. Embora exista uma boa chance de Juan ficar, mas eu não me animo com a ideia.

- É preciso contratar um lateral esquerdo para ser titular, e dar um jeito de encontrar o que fazer com o monte de reservas que estão lá. E eu não renovaria com Juan.


Volantes
O principal volante do elenco, Maldonado, tem seu contrato se encerrando já em dezembro deste ano. Sua saída seria uma grande perda, mas eu até vejo condições em Correa de ser titular – só que seu contrato se encerra em junho de 2011. Willians tem muito físico, é bom ladrão de bolas e pode ter sua vaga como primeiro volante, mas precisa aprender a se posicionar e passar a bola; o contrato vai até janeiro de 2014 (mas o Santos vem ensaiando um interesse em sua contratação). E tem Toró, de quem não gosto e que está negociando renovação agora, mas pode até ser reserva - li agora que o Flamengo desistiu de sua renovação e o liberou. Não sentirei muita falta.



Mas, pra jogar como segundo volante, só há mesmo Kléberson (que raramente joga nesta posição, onde eu o usaria, e tem contrato até o fim de 2012). Fernando, graças a Deus, encerra seu contrato este ano. Há ainda as voltas de empréstimo de Lenon e Romulo (contratos até 5/2011 e 12/2012), mas os dois, além de não terem um futebol animador, levam mais jeito de primeiros volantes mesmo.

(O garoto Antônio, vejam vocês, não aparece no BID registrado pelo Flamengo.)

- Que se renove com Maldonado. Se não der, o ideal seria trazer um bom primeiro volante, capaz de ser titular. Seria interessante ainda trazer um bom segundo volante, para ser titular ou reserva de Kléberson. Não conheço as opções da base para a posição.


Meias
O Flamengo não tem hoje um meia clássico, camisa 10, em condições de ser titular. Há apenas Petkovic, que não tem rendido bem nem entrando durante os jogos (e tem contrato até o fim de 2011) e o garoto Camacho, que pra mim tem futuro, mas não pode receber hoje esta responsabilidade (seu contrato é até 2013). Vitor Saba, outro garoto meia que subiu (contrato até 2015), eu sinceramente não conheço.

O resto dos meias do elenco são daqueles de jogar de terceiro homem, ou como meias abertos. São os casos de Renato (que tem contrato se encerrando no meio de 2011), Marquinhos (fim de 2011) e Fierro (agosto de 2012). Michael, outro que se encaixa nisso, está de saída – contrato se encerrando no fim deste ano.

- O ideal é contratar um camisa 10 pra ser titular – Camacho pode ser seu substituto. Para a outras vagas no meio-campo, Marquinhos e Fierro podem ganhar mais oportunidades, assim como Vitor Saba. Outro reforço no nível destes seria desnecessário.


Atacantes
Diego Maurício (contrato até setembro de 2012), hoje, parece uma boa aposta. Mas a dupla Deivid (contrato até o fim de 2012) e Diogo, que deveria formar um ataque indiscutível, ainda não convenceu. Pode ser que, com uma pré-temporada bem feita, eles engrenem – mas Diogo tem seu empréstimo acabando em junho de 2011 e a renovação não deve ser simples ou barata. Além destes, restam Val Baiano (contrato até dezembro de 2011), que é daqueles centro-avantes grossos que dependem da maré para não irritar a torcida, e Cristian Borja, que dizem que mostrou algum valor no sub-23, mas tem seu contrato se encerrando no meio de 2011.

- No meio do ano, é provável que o time sinta falta de um bom atacante – ou vão correr atrás de renovar com Diogo, ou procurarão algum reforço. Isso pode começar a ser visto com mais antecedência. Mas, dependendo do esquema de Luxemburgo, o uso dos meias abertos que o elenco já tem pode diminuir esta necessidade.
- ANDRÉ MONNERAT escreve também no SobreFlamengo (www.sobreflamengo.com.br e twitter.com/sobreflamengo)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Carta aberta a PATRICIA AMORIM - II

Vou repetir sua frase quando de sua posse:

Eu vim para arrumar a casa e equacionar as
dívidas e modernizar o clube”. Serei objetivo e muito
claro: esta negociação do chamado “Posto de Gasolina”
no terreno do Flamengo, não está me parecendo que as
coisas caminhem corretamente, é só ler a proposta de aluguel
anexa ao processo que tramita nos Poderes.

Os pareceres da Comissão de Finanças e Jurídica, do Conselho Deliberativo e a opinião de alguns consultores próximos a sua diretoria, me deixam assustado indicando uma má negociação.

Por favor, em nome da sua seriedade, em nome de seu passado olímpico, político e em respeito as suas palavras que iniciam esta carta aberta, mande rever seriamente os meandros jurídicos, negociais da possível cessão de um novo Posto de Gasolina no terreno pertencente ao nosso clube.

Este terreno é do Flamengo, foi solicitado à justiça que cancelasse o antigo Posto para uso exclusivo de nossas necessidades internas.

Reflita bem presidente, e acabe definitivamente com o loteamento que estamos fazendo da nossa propriedade na Gávea.

Crie um plano e um projeto diretor da Gávea e vamos realizar juntos, uma bonita obra, decente e eterna para o Flamengo.

Basta de Posto de Gasolina encerre a possibilidade de fazermos um shopping ou outros negócios não afetos aos interesses do Flamengo.

De seu recente admirador,

Paulo Cesar Ferreira
Conselheiro e sócio-proprietario

Revolução no televisionamento?
Por Vinicius Paiva

Desde que o CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, determinou pelo fim do direito de preferência da Rede Globo nas negociações de televisionamento do futebol no Brasil, os bastidores do setor pegaram fogo. Fruto de um processo que corria há treze anos pelos corredores da autarquia, a decisão, na prática, faz com que a Globo tenha que participar da próxima concorrência (que será referente ao período de 2012 a 2014) apresentando envelopes fechados, assim como seus concorrentes. É assim que ocorre em qualquer processo licitatório no Brasil ou no mundo, e não tinha por que ser diferente neste caso. Por haver preferência na renovação do contrato, a Rede Globo simplesmente tinha o direito de analisar as propostas das concorrentes e decidir se as cobriria ou não.

Agora não, é tiro no escuro. Win or wall. Vitória ou muro.

Outra interessante determinação do CADE é que, além do fim da preferência da Globo, caiu também a negociação conjunta das diversas mídias que possuíam os direitos do futebol. Antes, a Globo batia o martelo e levava um pacotão com os direitos de TV aberta, TV fechada, pay per view, internet e celular. A partir da próxima negociação, cada segmento será vendido em separado, aumentando as chances de que diferentes conglomerados de mídia detenham diferentes autorizações.

Entre os analistas especializados, há quem diga de tudo: desde de “tudo vai mudar” até "fica tudo como está". Só vendo para crer. Mas o fato é que, ao menos nos bastidores, diversas correntes vem atuando como nunca fizeram anteriormente. A TV Record, por exemplo, promete entrar com tudo, fazendo uma proposta bastante superior aos valores atuais. Isto, obviamente, é tudo o que deseja o Clube dos Treze, que segundo informações da Máquina do Esporte, deseja ver os R$ 550 milhões atuais se tornarem R$ 1 bilhão por temporada. Além do mais, a Record afirma que manterá os adiantamentos de cotas, flexibilizará as transmissões - citando o nome de patrocinadores e beneficiando os naming rights, algo que a Globo não faz - e trará as partidas de quarta-feira à noite para o horário das 20:30 hs. Por um lado, esta última medida reduziria a audiência do futebol em cerca de 20%, por conta da concorrência com as novelas (mulher também assiste futebol) e pelo fato de algumas pessoas ainda não terem chegado do trabalho. Por outro, aumentaria o público nos estádios e valorizaria o espetáculo.

Eu, particularmente, vejo vantagens nas intenções da Record. Por outro lado, confesso alguns temores. Se a Rede Globo, empresa carioca, hoje já é tão criticada pelo bairrismo e pela sardinha puxada pro lado dos times de São Paulo, imaginem uma emissora paulistana da gema, frequentemente acusada de propagar o malfadado "processo de corintianização do Brasil"? A Record já sinaliza que, caso vença o leilão, transmitirá duas partidas por rodada, ao contrário da Globo, que atualmente transmite três (uma sempre envolve algum time gaúcho ou mineiro, apenas para suas regiões de interesse). As duas partidas da Record provavelmente envolveriam um time paulista e outro carioca, apenas. O medo advém de um Avaí x Corinthians que seja transmitido "para todo o Brasil, menos o Rio de Janeiro, que fica com Náutico x Flamengo". Já imaginaram? Olha que, pior que tá, fica.

Existe uma outra sugestão que será levada ao Clube dos 13 pela Rede TV, e esta sim me agrada bem mais, apesar de as reduzidas chances de ser levada a cabo. Segundo o Radar Online, da revista Veja, a emissora irá propor que os jogos dos times de maior apelo sejam exibidos por quem fizer a melhor proposta, liberando os outros jogos de menor expressão para outras emissoras interessadas. Acho até bastante justo, mas confesso que o que mais me interessa é outra coisa. Este tipo de negociação, caso seja aplicada também ao pay per view, abriria a possibilidade de um dia, as partidas de um clube (ou de um conjunto deles) serem desatreladas do pacotão. Em outras palavras, imaginem-se pagando apenas por um pacote com partidas do Flamengo no PPV? Ou ainda, por pacotes "Times do RJ", "RJ + SP" ou "12 Grandes"? Afinal de contas, qual é o apelo e a audiência proporcionada pelo clássico Grêmio Prudente x Atlético-GO? Esta seria a lógica. Pagar pelo que usar. E pagar menos, naturalmente, aumentando o número de pacotes vendidos e a lucratividade das empresas detentoras dos direitos.

A ideia exposta acima ainda soa como um devaneio, mas eu tenho convicção de que há de se chegar a uma situação próxima a isto, um dia. E o primeiro passo foi dado pelo CADE, ao modernizar o sistema e implantar as premissas da defesa da concorrência onde ela ainda inexistia.

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Consta que, nos próximos dias, será lançado o tão falado projeto dos "Tijolinhos do CT". Segundo veiculado, o objetivo da diretoria seria a venda de 23 mil kits (tendo 18 mil deles no lote inicial) a R$ 250 cada, gerando uma arrecadação de R$ 5,75 milhões totalmente revertida à construção de uma parte do CT Ninho do Urubu.

O problema é que eu não vejo diferença entre uma péssima ideia, e uma grande idéia utilizada em um péssimo momento.

Primeiro, porque o projeto é audacioso demais. Mesmo que a torcida estivesse vivendo uma lua-de-mel com o time, a demanda qualificada de torcedores do Flamengo (aqueles dispostos a pagarem um montante alto como este) nunca foi testada. R$ 250 é quase o valor de duas camisas oficiais, é bom lembrar.

Além do mais, longe de uma lua-de-mel, a torcida está em litígio com o Flamengo. Não o Flamengo como instituição, mas com sua diretoria. Após o desgaste da saída de Zico, a péssima administração de Patrícia Amorim conseguiu enterrar toda e qualquer confiança que o torcedor pudesse vir a depositar nela. Basta conversar com qualquer flamenguista e descobrir que a maioria absoluta afirma não contribuir nem com um real, enquanto estes que aí estão perdurarem.

Não que eu torça por isto, até porque tenho um acesso interessante à diretoria de marketing do clube, composta por alguns profissionais competentes e de boa índole. Mas temo por estarmos diante do maior fiasco do marketing de um clube de futebol nos últimos anos. Não pelo projeto em si. Mas pelo momento em que ele será lançado.

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Feliz Dia do Flamenguista!


E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Respeite uma nação: pergunte-me como

Hoje é dia do Flamenguista. Infelizmente, não vou falar do último jogo ou dos meus sonhos para 2011. Vou aproveitar a data para pedir respeito. Respeito a 35 milhões de torcedores. Respeito a quem tornou o Flamengo o que ele é: a torcida. E, acima de tudo, vou pedir transparência.

Recentemente surgiu na internet um blog Autodefesas Unidas do Flamengo, com a intenção de abordar os bastidores do clube. O espaço tem posts que repercutiram bastante na internet, em especial o que aborda o maior fracasso do clube no século 21: a saída de Zico do cargo de diretor-executivo. Não tem como negar quem quer que escreva naquele espaço é alguém (ou "alguéns", vai saber) com ótimo estilo e que deve saber bastante coisa da instituição. O problema é outro.

O Autodefesas Unidas do Flamengo já foi moderado e banido do blogspot uma vez e retornou em um novo endereço. Não sei se isso ocorreu por decisão judicial, mas não me importa. O que incomoda é ver um espaço falando dos bastidores do clube sem que o(s) autor(es) se identifique(m), ainda que os textos nos dêem uma idéia bem clara de qual ex-presidente apóia. É um símbolo da desunião e politicagens que fazem o campeão brasileiro brigar para não cair.

Trabalho com redes sociais há quatro anos (você pode conferir uma apresentação a respeito aqui) e sei que um dos maiores valores para começar o trabalho é a transparência. Já perdi trabalho porque disse ao cliente que ele não estava pronto para começar um trabalho assim. Não sei se o Flamengo está. Mas sei que não é com textos anônimos que vão construir o clube que a torcida quer, por mais que sejam opiniões verdadeiras.

Sou a favor que todas as alas do Flamengo tenham um blog. No ano passado, os principais candidatos criaram perfis no twitter para divulgar suas campanhas (o que melhor utilizou a ferramenta foi Plínio Serpa Pinto), mas simplesmente abandonaram depois da eleição. Seria ótimo todos os flamenguistas saberem o que pensam e o que planejam as alas políticas do clube. Mas, por favor, façam isso com respeito e transparência.

Não tentem manipular 35 milhões de apaixonados. A nação exige respeito.



São Judas Tadeu, glorioso Apóstolo,
fiel servo e amigo de Jesus,
o nome do traidor é causa
de serdes esquecido por muitos,
mas a Santa Igreja honra-vos
e invoca-vos universalmente
como padroeiro
de casos desesperados e sem remédio.
Intercedei por mim, que sou tão miserável;
ponde em prática, eu vo-lo rogo,
o privilégio particular que vos é concedido,
a fim de trazer ajuda pronta
e visível onde isso é quase impossível.
Vinde valer-me nesta grande aflição
para que eu possa
receber as consolações
e socorros do Céu
em todas as minhas necessidades
e sofrimentos
(aqui dizer a graça que se deseja obter),
e que eu possa bendizer a Deus convosco
e com todos os eleitos por toda a eternidade.
Eu vos prometo,
bem-aventurado S. Judas Tadeu,
ter sempre presente esta grande graça
e não cessar de honrar-vos,
como meu especial e poderoso padroeiro
e farei quanto possa para espalhar
a devoção para convosco. Assim seja.

S. Judas Tadeu, rogai por nós
e por todos os que vos honram e vos invocam.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010


Calúnia do Rúbio Negrão


Como diria o Luxemburgo, todo mundo aí dando aquela piscadinha antes do jogo?

E nada mais digo.

Duplex Toc Zen

1 - Vaso Cagama: Pegamos o vasquim, uma lua que não tem luz própria, e que só consegue um brilhareco muito do fugaz quando nos enfrenta. Aí, após meses no mais profundo olvidamento, seu técnico e jogadores ressurgem do limbo e passam a existir para a mídia. Dão entrevistas e, sabe-se lá, otras cositas más. Zoam que têm um título que nós não temos, se esquecendo de que também temos um que eles não têm. Espero que tenham recarregado as baterias para mais uns meses, pois só voltarão a pegar carona na nossa fama ano que vem, pelo Carioquinha. Mas o Flamengo é generoso até com aqueles que vivem no lado errado da Força.

2 - E outra: Por falar em Vaso Cagama, jogar contra times de Série B é prejuízo certo: os caras falam dislates e disparates, entram rachando pra quebrar as pernas dos nossos players, jogam a sua final particular de Copa do Mundo, e ainda nos tiram pontos...

3 - Piscadinha: Daqui a pouco pegaremos o Corinthians, num jogo de 6 pontos mesmo: nós não podemos cair, e eles não podem deixar de ser campeões. Partida importante para ambos os Clubes. E por estar um pouco acima do peso (inclusive para se candidatar a Rei Momo), Ronabo será o fiel da balança: se com Luxa o buraco é mais embaixo, com Ronabo é mais atrás.

4 - Globo.cum 1: “Nesta segunda-feira, o Fenômeno sequer treinou com bola no CT Joaquim Grava, no Parque Ecológico, participando apenas de uma atividade à parte no Parque Proctológico Andréia Albertini.”

5 - Globo.cum 2: “O segundo jogo de Ronaldo contra o Flamengo no Rio, de novo, deve ter na plateia um travesti contratado por torcedores rubro-negros apenas para incomodá-lo.” Tudo errado. Desde quando se sacaneia um cachorro enchendo ele de linguiça?

6 - Asa Negra: Da “Asa Branca”, do Luiz Gonzaga, todo mundo gosta. Mas de asa negra, poucos. Apesar de o Tiago Rubens preferir esperar a gente devolver aquela enfiada de 3x0 antes que o Avaí caia, eu quero mais é que ele vaze logo, e direto pra Série D. Por uma simples razão: é nossa asa negra, como já foram Bahia, Ameriquinha, Portuguesa, Paraná, etc. Se botar a camisa do Flamengo no time do Barcelona completo, com o Messi fazendo uma exibição de gala, o Avaí ainda vai conseguir arrancar um empate.

7 - Os 70 anos do outro Negão: Apesar de não ser um negão tão cheiroso e bem apanhado quanto eu, Pelé soube ganhar mais dinheiro e mulheres. E completou 70 anos. Como parte dos festejos, Alex postou, sábado passado, um vídeo sobre a partida histórica em que os dois maiores jogadores de futebol do mundo em suas respectivas épocas, Pelé e Zico, jogaram juntos pelo Flamengo. Teve até pênalti. O que me fez pensar: “Ah, bons tempos em que a torcida podia escolher entre Zico e Pelé pra bater um penal...”

8 - Ronabo! Ronabo! Sempre ele!: (Assim diria o Penidaço.) O que é o peso da idade na carreira de um jogador, hein? Quando jovem, jogava enfiado, todo pimpão. Agora, mais maduro, joga abrindo nos dois lados, pois já deu o que tinha que dar.

9 - Pra pensar: Por trás de um grande homem há sempre uma grande mulher, vírgula, somente se esse grande homem não for boleiro. Ser for, tem que verificar se a tal da grande mulher não é um traveco.

10 - Zico: Apenas retificando a gafe da Calúnia passada.

11 - Idiotia: “O Flamengo é dos sócios, será gerido pelos sócios, para os sócios e em benefício dos sócios. A torcida que se foda. Se os sócios decidirem que o futebol ficará em segundo plano, assim será feito.” Assim “repercutiu” o excelente blog Autodefesas Unidas do Flamengo, que prima por dar nome aos bois e às vacas. Não sei quem foi o gênio que cunhou a declaração acima, mas pergunto: se a torcida DO FUTEBOL parar de gerar receita para o Clube, que dinheiro vocês vão roubar? Ou vocês acham que o Flamengo tem 35 milhões de torcedores de ginástica olímpica? Pior que um idiota de marca, só mesmo um idiota genérico.

12 - MEP 1: Pra quem ainda não sabe, Mírdia Escrotiva Paulicha. Vira e mexe, aparece um Homo sapiens dizendo bobagens, e nós, os Hétero sapiens, temos que ficar calados porque não se contraria maluco. Justo quando eu pensava que todos os desse naipe já tinham se assumido pacientes ou detentos, eis que ouço um “jornalista” paulista dizendo que o Flamengo é penta brasileiro. Porra, que saco! Como eu disse diversas vezes, isso ou é problema mental, ou de caráter, ou ambos, ou sexual. Só lamento não ser rico. Se fosse, veicularia um anúncio naquela emissora só pra esse “jornalista” dar um longo e emocionado “testemunhal” em homenagem ao hexa brasileiro do Mengão.

13 - MEP 2: E outra: minha resposta padrão pra qualquer retardado e/ou mau-caráter que insiste no não-hexa do Mengão é uma singela perguntinha: por que o Internacional não topou disputar a “unificação dos títulos” dos Módulos Verde e Amarelo? Como foi o vice, não tinha nada a perder, só a ganhar.

14 - Turnos da matina, vespertino e da madruga: Antes que eu me esqueça, e passe recibo de fanfarrão, faço questão de agradecer aos co-comentaristas do Echo pela moral que me dão, tolerando estoicamente o meu humor pobre e semichulo. Apesar de eu não passar de um humilde (financeiramente falando) calunista, vocês conseguem extrair algo de útil das Calúnias, chegando a chamá-las de “pérolas”! Está provado que a beleza está nos olhos de quem lê. Mas fiquem sabendo: vocês também não me ficam atrás, mas nem phodendo!

15 - Camisa personalizada: É só impressão minha, ou o número 9 estampado na camisa corintiana tem o orifício um pouco mais largo?

terça-feira, 26 de outubro de 2010






FLAMENGÔMETRO nº 21
CHORORÔ FOREVER
Apesar do empate ruim para ambos os times, o Flamengo segue melhorando em seu aproveitamento, e agora chegamos aos 59% (3 vitórias, 7 empates e 1 derrotas). Perdemos mais uma vez a oportunidade de nos distanciar da zona perigosa, e ainda vimos o humilde Ceará abrir mais dois pontos de diferença. Cabe aqui um pequeno parênteses para o vergonhoso espetáculo de chororô protagonizado pelos nossos rivais da Cruz de Malta. Reclamações, denúncias, acusações, e como diria, Alex do Triplex, muito mimimi depois do jogo. Como uma imagem vale mais que mil palavras, vejam a sequência abaixo e cheguem às suas conclusões.

NOTAS FLAESTATÍSTICAS

1- Petkovic e Renato Abreu chegam a 93 jogos em Brasileiros, com Toró estacionando nos 99 Será que ele vai renovar o contrato, ou descolar uma transferenciazinha?
2- Renato Abreu atingiu com seu golzinho salvador a marca de 27 gols, um a menos que o glorioso Obina.
3- Com 34 gols somos agora o quarto pior ataque da competição ficamos à frente de Prudente (31), Ceará (27), e Guarani (31) e igualamos Vitória e Goiás, estando a um gol de igualar Vasco e Atlético/PR, e a dois de empatar com o Palmeiras.
4- Os jogos restantes serão todos perigosos e com alto teor de taquicardia, já que enfrentaremos times medianos com a obrigação absoluta de vencê-los (Atlético/PR e Guarani), adversários enjoados mesmo sendo em casa (Cruzeiro, Corinthians) e dois jogos onde a vitória será um sonho (Atlético/MG e Ceará) por serem times que vêm embalados e sabendo ganhar bem em seu território. O último jogo contra o Santos, a única incógnita, já que o time praieiro só pleiteia brigar pelo título, garantido que está no Z-4. Poderemos enfrentá-los na Vila Belmiro com eles já sem nenhuma pretensão, o que não sei se será bom ou ruim.





Promoção FlamengoNet Olk


O gatilho mais rápido do oeste foi da Karoll Chaves, que nos respondeu via e-mail.

A resposta é 24 de julho de 1931.

Aguardem novas promoções.

Promoção relâmpago Olk FlamengoNet

Rápido e rasteiro.

Vale somente para moradores do Rio de Janeiro, para os filmes Tropa de Elite 2 ou Comer, Rezar e Amar.

Simples assim: SOMENTE SERÁ CONSIDERADO A PRIMEIRA RESPOSTA ENVIADA PARA O e-mail do Blog: blogdaflamengonet@gmail.com

SOMENTE PARA O E-MAIL. Respostas enviadas pelo sistema de comentários serão invalidadas.

Aproveitamos para convidar os frequentadores da casa a conhecerem o projeto que a BOCA está realizando para a Olympikus, chamado A Copa das Pessoas. Vale a pena uma visita no endereço www.acopadaspessoas.com.br

Para faturar os 2 ingressos, é só responder em que dia faleceu o atacante rubro-negro Nonô.

Aguardo a primeira resposta certa no e-mail.

E nada mais digo.

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações flamengas a todos. Aproveitando o atual momento de marasmo no ambiente rubro-negro e tendo em vista que, no fundo, esses últimos jogos estão mesmo servindo é para antecipar a pré-temporada de 2011, quero deixar um post diferente essa semana.

Seguinte: gostaria de contar com a ajuda de vocês para apurar qual o melhor jogo do Flamengo de suas vidas. Aquela partida mais dramática, mais disputada, ou aquele jogo tecnicamente perfeito. Não dei muita atenção às goleadas históricas, isso vai ser assunto de outro post. De qualquer forma, queria que vocês deixassem nos comentários seu jogo inesquecível. A partida que for mais lembrada vai ser assunto de um post aqui nos Alfarrábios.

Para refrescar a memória e ajudar na escolha, aí vão minhas sugestões, o meu top-5. Os jogos que listo a seguir foram, na minha opinião, os mais sensacionais a que assisti com o Flamengo em campo. Sendo que a nº 1 foi a maior partida de futebol que meus olhos já acompanharam. Nada superaria o que aconteceu naqueles 90 minutos.

Mas essa é a minha opinião. Cada um tem sua lista. Vejam, concordem, discordem e votem.

TOP 5 DO MELO – OS MELHORES JOGOS

5 – FLAMENGO 4-3 PALMEIRAS (1999, Final Copa Mercosul, 1º Jogo, Maracanã/RJ)

Traumatizado com o melancólico final do Brasileiro em 99, com direito a um escândalo envolvendo prostitutas que culminou na demissão de Romário, o elenco flamengo demonstrou notável capacidade de superação, chegando à final da Copa Mercosul contra o poderoso Palmeiras de Felipão. E nesse primeiro jogo time e torcida protagonizaram um espetáculo inesquecível, um thriller sufocante onde cada gol era imediatamente respondido em questão de segundos. Numa atuação fantástica de Caio e Reinaldo, o Flamengo se impôs ao Palmeiras e marchou para a conquista da Copa Mercosul.
VÍDEO

4 – SÃO PAULO 3-4 FLAMENGO (1982, Campeonato Brasileiro, 1ª Fase, Morumbi/SP)

O jogo valia a liderança da chave, e o título de “melhor time do país”, embora o Flamengo já tivesse o mundo a seus pés. Talvez por isso, o rubro-negro não tomou conhecimento do São Paulo e do Morumbi lotado, e numa exibição de gala deu um verdadeiro vareio de bola, em uma das mais perfeitas partidas da Era Zico. A equipe chegou a abrir 4-1 no marcador, mas relaxou e cedeu espaço para a reação do time da casa, o que tornou a partida mais emocionante. Mas o Flamengo sempre esteve mais próximo da goleada que o São Paulo do empate. Jogo de primoroso nível técnico, com metade da Seleção Brasileira titular que encantaria o mundo meses mais tarde, na Copa.
VÍDEO

3 – FLAMENGO 3-2 ATLÉTICO-MG (1980, Campeonato Brasileiro, Final, Maracanã/RJ)

A mais dramática e catimbada das seis finais do hexa, essa partida até hoje é lembrada por cariocas e mineiros. O Atlético-MG, apesar de possuir um bom time, tentou ganhar o título “na marra”, recorrendo fartamente ao antijogo e à catimba. Valente, o Flamengo soube se superar na bola e no grito, sem se intimidar com o adversário. Mesmo assim, o Maracanã lotado e nervoso presenciou uma final espetacular, onde o maior volume de jogo rubro-negro encontrava dificuldades para deter as investidas do traiçoeiro atacante Reinaldo. No fim, Nunes, numa jogada meio sobrenatural, incorporou Garrincha, justificou o apelido de Artilheiro das Decisões e colocou o Flamengo, pela primeira vez, no topo do Brasil.
VÍDEO

2 – VASCO 1-3 FLAMENGO (2001, Campeonato Estadual RJ, Final, Maracanã/RJ)

A mais espetacular final de Campeonato Estadual de todos os tempos foi definida a dois minutos do fim, quando a torcida vascaína já entoava cânticos e comemorava o título. Precisando de dois gols para reverter a inesperada e imerecida derrota do primeiro jogo, o Flamengo esteve no fio da navalha todo o tempo, por conta da tática ultra-ofensiva armada por Zagallo, que expôs a equipe e fez com que Júlio César operasse várias defesas antológicas, em uma de suas melhores atuações com a camisa flamenga. Partida difícil, muito aberta, chances dos dois lados, até que Petkovic ajeita a bola diante de um estádio trêmulo e contrito em sua fé. A trajetória é sinuosa, sagrada, mística. É o tri.
VÍDEO

1 – ATLÉTICO-MG 2-3 FLAMENGO (1987, Campeonato Brasileiro, Semifinal, Mineirão/MG)

Desacreditado, o Flamengo chegou às Semifinais após uma arrancada iniciada com o retorno de Zico ao time. Mesmo assim, poucos acreditavam que a equipe fosse capaz de eliminar o Atlético-MG de Telê, então o time da modinha, invicto, o mais limpinho e tal. A primeira partida, em que o Flamengo venceu aos trancos, numa bola que Bebeto chutou errado, e que, a rigor, merecia a derrota (Zé Carlos fez várias defesas sensacionais) reforçou essa impressão. No entanto, o Mineirão engalanado com mais de 100 mil presenciou do que o Flamengo é capaz nos grandes dias. Altivo, agressivo e contundente, o rubro-negro assumiu o controle do jogo, abriu 2-0 e poderia ter chegado a uma goleada sem precedentes, mas começou a desperdiçar uma chance após a outra. Descontrolados, os atleticanos invadiram campo, jogaram pedra, tiveram jogador expulso (voadora em Zico), mas na segunda etapa começaram a ganhar moral com a inacreditável incapacidade flamenga de matar o jogo. Até que, em cinco minutos, chegaram ao empate, num pênalti camarada e numa jogada individual. Ainda restava meia hora, e tudo indicava a virada, até pela saída de Zico (o melhor em campo), contundido. Foi então que surgiu a estrela de Renato, o craque do campeonato, que numa arrancada absurda foi desviando do que lhe aparecia pela frente e só parou nas redes de João Leite porque tinha humildade em gol. Vitória espetacular, antológica, incomparável, e o caminho para o tetra brasileiro estava escancarado à frente da Gávea.

domingo, 24 de outubro de 2010


Flamengo x Vasco

Ganhando hoje não mudamos de posição na tabela, mas ganhar do Vasco é melhor do que ganhar qualquer posição na tabela.

Comente o jogo aqui.
Ilustração de Pablo Lobo

sábado, 23 de outubro de 2010










FLAMENGÔMETRO nº 20
LUXA DE LUXO

E Vanderlei segue aos poucos ajustando o Flamengo. Com ele, o Flamengômetro voltou a subir depois de muito tempo, atingindo a marca dos 55% (3 vitórias, 6 empates e 2 derrotas). O placar dilatado contra o Inter foi até um pouco exagerado. Começamos muito mal, abrimos o placar com o pênalti bobo, não melhoramos e aí o Renato acertou aquela cobrança. Seguimos sem muito brilho, e mal começou o segundo tempo, metemos o terceiro e fechamos o caixão. Fechamos? Vanderlei tratou de blindar o time, terminando com quatro volantes, algo que eu abomino, mas que talvez se justificasse pela situação emergencial em que nos metemos. De qualquer forma, a melhora time é indiscutível, e o padrão tático imposto por Vanderlei começa sobrepujar as deficiências técnicas individuais.
O Flamengo tem que tratar a partida de domingo contra o Vasco como uma Decisão, com D maiúsculo. Para o bom entendedor, meia palavra basta.

NOTAS FLAESTATÍSTICAS

1- Ano passado com o mesmo número de rodadas, estávamos com 48 pontos, o que corresponderia este ano à 4ª colocação.
2- Petkovic tem 92 jogos em Brasileiros, Toró tem 99 a Renato Abreu 92. Torozinho a um passo do centenário.
3- Com 33 gols somos agora o quarto pior ataque da competição ficamos à frente de Prudente (28), Ceará (25), e Guarani (31) e igualamos Atlético/PR e Goiás, estando a um gol de igualar Vasco e Vitória, e a três de empatar com o Palmeiras.






Fala que eu te escuto



E nada mais digo.

Os 70 anos do Rei do Futebol


Na minha opinião, ele não tem adjetivos que ilustrem o que fez no futebol.


Na opinião DELE, para o deleite daquele jornalista que se diz rubro-negro mas que gosta de falar merda, Zico foi quem mais se aproximou dele, em entrevista concedida ao Esporte Espetacular em 14 de setembro de 2003 (obrigado, Pablo). Em suma, o Príncipe do futebol recebeu a coroa das mãos do Rei (caberia um nada mais digo aqui).

Meus parabéns, Pelé, e acredito que a recíproca da honra de ter vestido o Manto Sagrado seja verdadeira.
Para os que não viram, algumas imagens no vídeo. Cabe lembrar que foi a grande partida que o Júlio Cesar jogou pelo Mengão. O lance do terceiro gol é simplesmente sensacional.



P.S.: Esse jogo explica um pouco da raivinha que as galinhas sentem pela Nação Rubro-Negra.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Panorama pós-caos
Por Vinicius Paiva

Vem chegando o Verão, e o término do Brasileirão. Eu, sumido deste espaço nas últimas três semanas por conta de uma monografia de pós-graduação que me consumiu, enxergo neste “recesso branco”, uma oportunidade. Oportunidade de fazer a análise da situação do Flamengo, tendo em mãos o panorama político e financeiro de um dos períodos mais atribulados deste fatídico ano de 2010.

As últimas semanas evidenciaram a derrocada do Flamengo, culminando com um dos episódios mais lamentáveis de nossa história, a renúncia de Zico do cargo de diretor de futebol, após pressões por parte do Conselho Fiscal. Surpreendentemente, por vias tortas (como tudo o que se refere ao Flamengo), tais turbulências levaram à contratação do treinador que sempre foi tido como “sonho de consumo” da torcida. Como consequência, veio a reação no campeonato, com resultados que afastaram as possibilidades de descenso e apaziguaram a Gávea. Ou melhor, apaziguaram Vargem Grande, bem ao gosto de Vanderlei Luxemburgo.

Antes de tudo, gostaria de deixar claro que mesmo a contratação de Luxemburgo, eu atribuo à “gestão Zico”. O próprio treinador, em entrevista ao programa “Bem Amigos”, descreveu seus primeiros contatos com o clube como sendo intermediados por Zico, ainda na condição de responsável pelo futebol. Sendo assim, mesmo que a ratificação do acordo com Luxa tenha ocorrido na “gestão Patricia” (uma vez que a presidente acumulou a diretoria de futebol, antes de delegá-la a Luiz Augusto Veloso), para mim, o principal responsável pela ascensão recente do Flamengo é Zico.

Ainda neste sentido, já que eu não havia manifestado minha opinião neste espaço, reitero meu total desprezo à figura da presidente Patrícia Amorim. Na minha opinião – reitero, opinião de Vinicius Paiva – nossa presidente é uma digna representante da histórica tradição de dirigentes cretinos no comando do Clube de Regatas do Flamengo. Seu retrato são os discursos de voz amena e palavras de união perante a mídia (que a exalta simplesmente por ser mulher, sabe-se lá por quê), mas repleto de punhaladas às costas. O próprio Zico, acusado por Patrícia de covardia ao “sucumbir a uma pressão que ela aguentou”, foi uma de suas vítimas.

Feito o desabafo, vejamos os resultados práticos da irregularidade. Faltando 8 rodadas para o fim do campeonato, o Flamengo se aproxima da “zona morta” da tabela – aquela em que o clube não enxerga maiores pretensões nem de descenso, nem de Libertadores. Sejamos honestos, mesmo que o Flamengo vença seus 5 jogos em casa, alcançaria inóspitos 52 pontos. O Atlético-PR, atual integrante do G-6, possui JÁ POSSUI 46 pontos. Ou seja: ou o Flamengo vence seus 8 jogos, ou Feliz-2011. E por mais que eu seja da teoria de que “quando o Flamengo inicia uma reação, ela só termina ao final do campeonato”, convenhamos que 2 vitórias em 3 partidas não configura propriamente uma reação.

As consequências já podem ser sentidas nos cofres – e poderão vir a ser ainda mais. Após arrecadarmos mais de R$ 12 milhões em bilheterias no campeonato de 2008, e atingirmos R$ 14 milhões no título nacional de 2009, este ano o Fla mal ultrapassou a marca dos R$ 6 milhões arrecadados. Como comparação, o Corinthians está a menos de R$ 2 milhões de quebrar nosso recorde de arrecadação de bilheteria em 2009.

No quesito “patrocínios”, apesar da renovação com o BMG para 2011 (por R$ 9 milhões anuais, R$ 1 milhão a mais do que o atual valor) e do bom encaminhamento com a Tim (por R$ 2,2 milhões), a patrocinadora-master do clube, Batavo, já anunciou sua retirada da camisa para o próximo ano. Convenhamos que os R$ 21 milhões pagos pela empresa de laticínios podem fazer falta, apesar da postura auto-confiante do vice-presidente de marketing Henrique Brandão, que afirma só negociar valores na casa dos R$ 24 milhões/ano. Tendo perdido a condição de atual campeão nacional, além da valiosíssima exposição na Libertadores, o mercado se pergunta quais seriam os argumentos plausíveis do Flamengo para demandar valorização de 15% em sua marca.

Já a venda de camisas, que começou 2010 em alta, arrefeceu ao longo do ano e verificou em setembro seu pior momento. Segundo coluna de Ancelmo Góis, do jornal O Globo, foram 15 mil unidades vendidas no mês – 180 mil peças, anualizando. Um baque, se compararmos com as quase 1,3 milhão de camisas vendidas em 2009. O ritmo atual de vendas, a bem da verdade, equivale ao total de camisas vendidas pela Nike em 2008. Naquele momento, a multinacional se encontrava em litígio com o clube, e a torcida, já sabida do advento da Olympikus, simplesmente deixou de adquirir produtos da marca. À época, foram exatamente 180 mil camisas vendidas.

Em resumo, podemos concluir que o Flamengo involuiu em diversas áreas. Desde as vendas de camisas (equivalentes ao patamar de 2008), passando pelas receitas de bilheteria (que regrediu a patamares de 2007), culminando com o atual ocupante da diretoria de futebol. Neste caso, a involução chegou ao patamar de 1994. É que talvez os mais novos não saibam, mas o sr. Luiz Augusto Veloso, presidente no biênio 1993-1994, foi o responsável pelo início da galopante dívida do clube (hoje na casa dos R$ 300 milhões), além de se desfazer, a preço de banana, do elenco campeão brasileiro de 1992. Á época, o São Paulo (com Junior Baiano), o Palmeiras (com Djalminha), o Grêmio (com Paulo Nunes) e o Corinthians (com Marcelinho) agradeceram um bocado.

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010


Calúnia do Rúbio Negrão


Sabem aqueles dias em que o calunista senta perante sua máquina, fica olhando para o monitor mais vazio que a garrafa de 51 ali ao lado, sem ter idéia de onde nem como começar? Pois é. Felizmente hoje não é um desses dias!

Então, sempre pautado pela lei do menor esforço, e amparado pela Lei de Franchising, vamos a mais um...

Duplex Toc Zen

1 - Jonas do Grêmio: Sempre gostei desse cara (profissionalmente falando), desde os tempos do Santos. Tem um cabelo legal, além do faro de gol. Bem que eu pedi a sua contratação no ano passado, quando ele estava morgando lá no Grêmio. Isso prova que entendo de futebol, e não sou apenas mais um rostinho bonito no universo blogueiro.

2 - Montillo 1: É o Conca com paralisia facial periférica. Se o ator do cinema mudo Buster Keaton era conhecido como “cara de pedra”, e o engenheiro financeiro Doutor Leite, como o “cara de pau”, Montillo é o “cara de boomda” (Já Romário é simplesmente “o cara”). Muitos entre nós, espadas, ainda lamentam que Montillo não tenha vindo para o Mengão, mas atleta que comemora gol jogando a camisa do clube no chão, ou fazendo cara de boomda jamais dará certo no Mais Querido.

3 - Montillo 2: No dia em que esse rapaz jogar sem fazer cara de boomda com certeza será pego no exame antidoping com uma uma superdosagem de gás do riso.

4 - Ronabo 1: “Ronaldo, vamos jogar, o Coringão não é o seu spa!Assim cantou a Fiel. Meus queridos co-comentaristas: quem muito lê e bastante escreve acaba aprendendo muitas palavras, sendo que a maioria delas a gente desconfia que nunca vai usar. Eu, por exemplo, nunca pensei que algum dia usaria a palavra “desbragado”. Mas vou usar agora, posto ser cabível: Ronabo, você é um desbragado!

5 - Ronabo 2: Certa feita, o ze do QUIABO disse que eu sempre colocava o Ronabo no meio. Exagero. Jamais coloco o Ronabo no meio porque nunca confundi “Ronabo” com “Norabo”.

6 - Ronabo 3: Ah, mas não concordo com o ze do QUIABO mesmo! Até parece que abuso de citar o Ronabo... Não sei de onde ele tirou isso. Ronabo... Ronabo... Já falei do Ronabo hoje?

7 - Zico: Como não conseguiu consertar de dentro, agora tenta arrumar de fora mesmo, expondo à Justiça e ao público as verdadeiras faces dos bilontras que habitam a Gávea. Isso é que é um patriota da nação! Uma nação, infelizmente, ainda terceiro-mundista, mas uma senhora nação! E o que essa nação mais espera é o novo Dia do Fico, ou melhor, do Zico: “Se é para o bem de todos, e infelicidade geral dos ladrão, diga ao povo que Zico!”

8 - Serra x Dilma: Não sei qual dos dois será melhor para o Flamengo. Vença quem vencer, o mais importante é que continuará a existir no Brasil a imprescindível figura da primeira-dama. Só estou um pouco curioso pra saber quem será a primeira-dama da Dilma.

9 - Bicharlyson: Foi expulso de novo. Mas o SPFW não perde nada com as expulsões do tresloucado rapaz: com ele dentro ou fora de campo, o time continua apenas com 10 homens.

10 - Flamengo 1: Infelizmente, o Mengão está ao léu. Ao Capitão Léo. De positivo somente o fato de o Flamengo estar sempre na vanguarda: há mais de 20 anos o Clube vem rompendo com a chata ditadura do politicamente correto. Lá dentro é tudo politicamente errado MESMO!

11 - Flamengo 2: E já que voltou a ser zona, eu quero mais é Ronaldinho Gaúcho, Adriano, Bruno Souza, Marcinho, Cazalbé, Vagner Love e Felipe Chinelo, este mesmo se só puder voltar a jogar daqui a 90 dias, por conta de uma fissura na unha do dedo mínimo da mão direita (a mão com que ele coça o saco em campo).

12 - Luxa: “Hoje tem um cara berrando, dando esporro, cobrando, na beira do campo. E melhor, um cara com baita currículo. Não tem mais nenhum estagiário medroso com cara de bunda. Isso faz uma enorme diferença.” – Thiago Freire. Verdade. Os jogadores jogam mais tranquilos quando sabem que tem alguém no banco “pensando o jogo” por eles. O Luxa cobra caro pelos serviços, mas treinador baratinho acaba sendo visto pelo jogador mais abastado como seu empregadinho. Fato. Ponto. È vero. Nada mais digo.

13 - Deivid: Vocês não acham o Deivid a cara do Renato Gaúcho, só que careca? Sem falar que também parece estar sempre com um drops na boca...

14 - 1987 em 2010: Libertadores para o G3 ou para o G4? Esse imbróglio muito me lembra o embrulho daquela Copa União. A Conmebol e a CBF realmente se merecem. Mas pra não dizerem que eu só critico, aqui vai uma sugestão para dirimir de vez essa baderna: que tal colocar em jogo a última vaga para a Libertadores entre o quarto colocado da Série A e o segundo classificado da Série C, sendo que o vencedor também se sagraria campeão brasileiro de 2010?

15 - Emerson Ipanema: Foi só o Emerson dar uma exclusiva sem censura após mais de 40 dias de SPA remunerado, que acabou torcendo o tornozelo. Falar cansa, né? E outra: enquanto o seu xará Fittipaldi corria pra frente, o Sheik anda pra trás, sempre na contramão da história. Senão vejamos: saiu do Flamengo, e perdeu a chance de ser hexa brasileiro pelo Maior e Mais Querido. Foi pro FluminenC, e o time está caindo pelas tabelas... E pensar que já fui fã desse cara.

16 - Emerson Havaianas: “Jogador alcoolizado? Já. Não aprovo, vi na época que eu jogava no Flamengo, né?” Sei, Emerson. E jogador chinelinho, bichado e mercenário? Você também viu no Flamengo? Você aprova? Ora, melhor cair pelas tabelas o Adriano do que o Flamengo, certo?

E nada mais fácil.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Alfarrábios do Melo

Olá, saudações flamengas a todos. E chegou a bonança, após dez meses de tempestade... mas será que ainda haverá graça nesta temporada? Vai ter arrancada? (está parecendo). Seja como for, antes de deixar o texto da semana, permito-me dar dois pitaquinhos:

1 – Z-4 é o cacete;
2 – Quantos pontos nos separam do Fluminense mesmo?

Observando as recentes peripécias do nosso digníssimo Val Baiano, que, contrariando todas as expectativas enfim se mostrou útil e importante (a ponto de ser um desfalque lamentado por alguns, ora vejam...), lembrei-me de uma história semelhante, que também envolve descrença, superação e a incrível capacidade da Nação de encontrar ídolos nos jogadores mais insólitos (o Obina é um exemplo recente). E é essa trajetória, que vem lá dos tempos do primeiro tri, que conto agora. Boa leitura.

A Reviravolta de Quirino

1944. O ano mal se inicia e a torcida rubro-negra está apreensiva e assustada com os insistentes rumores de que seu ídolo maior, o zagueiro Domingos da Guia, está sendo negociado com o Corinthians. Os dirigentes flamengos negam veementemente a possibilidade e realmente não parecem muito dispostos a vender o craque. Mas, quando os paulistas desembarcam na Gávea e oferecem a assombrosa quantia de 700 contos de réis, um valor fora de qualquer referência no mercado da bola, a diretoria do Flamengo não se vê diante de outra alternativa. É muito dinheiro, e Domingos, já com 32 anos, já vislumbra próxima uma merecida aposentadoria (embora ainda atue em altíssimo nível). Assim, o negócio é fechado e a crise tem início.

Domingos era considerado uma das chaves para a busca do inédito tricampeonato estadual, que o Flamengo tentará na temporada. Seu estilo refinado, sua habilidade inverossímil para um zagueiro, sua capacidade de entortar atacantes adversários mesmo dentro de sua própria pequena área, arrancando suspiros em corações mais fracos (e nos mais fortes também), e acima de tudo a sua recusa em recorrer a chutões, tudo isso fez de Domingos um dos jogadores mais populares do país. Agora, o Flamengo se vê órfão do craque. Protestos na porta da Gávea, apupos nos primeiros jogos da temporada, uivos de lamentação. A Nação está triste. E desmotivada.

E a insatisfação aumenta quando se percebe que o substituto de Domingos será o esforçado Quirino. Revelado no Atlético-MG, Quirino foi parar no Bonsucesso e, por esses mistérios insondáveis da bola, chamou a atenção de Flávio Costa, que o levou ao Flamengo. Ao conferir as primeiras apresentações de Quirino, ninguém entende onde diabos o treinador estava com a cabeça. Totalmente desengonçado, quase dois metros de altura (e outros dois de largura), chuteira 44 bico largo, pés chatos e abertos, Quirino passa facilmente por um estivador, um leão de chácara. Jamais por um jogador de bola.

E desde cedo Quirino e a bola deixam bem claro a inviabilidade de qualquer tipo de entendimento. Agressivos, rejeitam-se mutuamente, é comum partirem para as agressões mútuas. Quirino espanca a bola sem dó, não quer contato, manda-lhe o mais longe possível. Sai daqui, e tome bicuda, porrada, espanada. Cheia de hematomas e sangrando, a bola se vinga, nega-se a Quirino, recusa-se a domesticar. E o agride com narigadas, caneladas, jocosamente passa-lhe entre as pernas, enfim. Assistir aos convescotes de Quirino com a bola é uma experiência deprimente, especialmente diante da intimidade lasciva de Domingos da Guia com a arte de jogar futebol. Preocupados, dirigentes acenam a Flávio Costa a possibilidade de trazer reforços. O treinador se recusa e banca Quirino. Fortes emoções estão à vista.

O início da temporada não é fácil. O Flamengo sofre várias derrotas, muitas delas contundentes, e o tricampeonato já começa a ser visto com pessimismo na Gávea. O ataque segue fortíssimo (com nomes como Zizinho, Pirilo, Perácio e Vevé), e o time ainda tem destaques como o goleiro Jurandir, o defensor Biguá e o médio Bria. Mas a defesa sente demais a falta de Domingos, que além de referência técnica era o refúgio moral da equipe, que sentia segurança no craque. Quirino logo é responsabilizado pelos maus resultados, é rejeitado pela torcida e ridicularizado pela imprensa. A diretoria age rápido e traz da Argentina o zagueiro Coletta, tentando solucionar o problema.

No entanto, Coletta não dá certo. Seu futebol é leve demais para um zagueiro, o sistema de marcação desmorona de vez. Sem falar que o argentino possui especial tendência a viver machucado, sempre desfalcando a equipe. Já com certa má vontade em relação ao reforço, Flávio decide manter Quirino no time. Vai ter que ser com Quirino mesmo.

O Flamengo começa bem o campeonato, mas sofre com desfalques e vai perdendo pontos importantes. Uma derrota contundente para o Botafogo parece por fim ao sonho do tri, mas após esse jogo o grupo, com os brios feridos, começa a enfileirar vitórias em seqüência, iniciando uma das já célebres arrancadas na reta final. E nesse entretempo, começa a se dar um fenômeno interessante: a massa rubro-negra, após se deliciar em risadas com a falta de jeito de Quirino, começa a perceber no zagueiro algumas qualidades. Com efeito, Quirino se atira aos lances de forma comovente, corre como um esfomeado, empapa a camisa de suor em cada treino, cada jogo, mesmo amistoso. A grande área é seu território, sua casa, e ninguém lá entra sem sua permissão, nem a bola. Não, ninguém corre mais que Quirino, ninguém folga com Quirino. Pode não jogar bola, mas demonstra um fervor quase religioso à camisa que defende. Ao perceber, o torcedor começa a ver Quirino com outros olhos. E o despreza. Mas se apaixona.

O Flamengo chega à última rodada precisando vencer o Vasco, na Gávea. A história todos conhecemos, o tri chega já perto do fim, na mitológica cabeçada do febril e aposentado Valido. Mas antes, no decorrer da partida, a zaga flamenga precisa se defender do verdadeiro bombardeio imposto pelo ataque vascaíno, que formará nos anos seguintes o “Expresso da Vitória”, o melhor time formado pelo bacalhau. Quirino agride a bola, mastiga e cospe fora de sua área nomes como Ademir Menezes, Lelé e Chico. É tosco. É rudimentar. Mas funciona. E emociona. A cidadela flamenga segue imaculada, e pela primeira vez no ano o Vasco sai de campo sem marcar gols. O Flamengo é tricampeão, graças ao sacro gol de Valido. E a heróis como Quirino.

Nas comemorações que varam as ruas do Rio, a Nação se curva em reverência a Zizinho, Valido, Perácio, entre outros. Mas, carinhosa e jocosa, confere ao humilde Quirino tratamento especial. Em transe, rebatiza o jogador, entoando um coro que se tornará famoso nos campos cariocas nas temporadas seguintes.

A partir de agora, é QUIRINO DA GUIA.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010


PAPO DE SEGUNDA - Luciana Zogaib


Faz tempo que não dou um boa noite pra Nação com tamanha satisfação... O Mengão finalmente parece ter voltado a ser um time de futebol, fez o que já é de praxe e despachou os Uruguaios do Norte com uma saraivada de gols.

Venceu, convenceu e já prometeu o bacalhau. E o domingão promete... É dia galera, dia de almoçar o bacalhau e lotar o Engenhão. A melhora do time foi nítida, ganhamos 7 dos 9 últimos pontos disputados e temos pela frente um freguês de carteirinha.

E, na atual situação, terminarmos entre os 10 já será um bom feito. Mas, se a galera lá de cima resolver olhar pro lado, cuidado, Mengão atropela.

E, até o momento, o que fica de melhor do ano de 2010 é Diego Maurício!!!

Desde o primeiro dia que vi esse garoto em campo já foi diferente. Sofreu um pênalti e demonstrou em campo toda a sua emoção ao vestir o Manto. Eu, recém mamãe, emotiva, confesso que me arrepiei. De lá pra cá sempre que entra incomoda muito o adversário, azucrina, ousa e dá sentido a esse ano pra lá de macumbado.

A semana tem tudo para ser perfeita com concentração máxima e treinamentos em período integral. Haja lombo, bacalhau...


SRN


COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa




Olá pessoal, Saudações Rubro Negras!

Como há algum tempo não se via, sábado o Mengão jogou bem e atropelou o Internacional de maneira incontestável, a ponto de permitir ao torcedor cantar que "O Campeão voltou"!

Só que no futebol, o próximo jogo sempre é o mais importante, ainda mais em semana de clássico.

O Flamengo de Luxemburgo tem sido de renascimento. Aos poucos reaparecem a confiança, a organização tática, o bom futebol, os gols, as vitórias. Mas se ainda há alguma desconfiança, nada melhor do que vencer o próximo confronto, contra o eterno vice, para enfim afirmar que sim, esse é o Flamengo das conquistas.

Semana de Flamengo e Vasco exige treino, dedicação, concentração, apoio incondicional.

Esse deve ser o clima.

Grande abraço, até segunda, e Saudações Rubro Negras, sempre!

sábado, 16 de outubro de 2010

Tipo assim

Vocês já repararam que, quando falta assunto, ou até mesmo argumento, alguns mandam o assustador "tipo assim"?

Pois bem, o meu tipo assim de hoje vai pra parte da torcida do Flamengo.

Sério, que torcida é essa que, ao primeiro passe errado, começa a reclamar?

Que torcida é essa que tá num mimimi de merda, numa chatice desenfreada, que só sabe reclamar? Porra, é sério mesmo. Tem horas que nego parece a torcida que cabe numa kombi.

Fizemos 1x0, fizemos 2x0, fizemos 3x0. E pra que serve isso?

Definam-se: ou jogamos pra vencer, com estratégia, mas sem espetáculo, ou vamos pro abafa, resolver tudo em 45 minutos, e depois perdemos de virada no gás.

Definam a prioridade hoje: é vencer e correr atrás da Libertadores - sim, É NOSSA OBRIGAÇÃO ACREDITAR NA LIBERTADORES - ou ficar pensando nos 45 pontos, naquele (outro) mimimi de merda de rebaixamento?



Querem discutir zr, rebaixamento, esses assuntinhos toscos, procurem outro lugar. Ou outro post. No meu não, se faz o favoire. Eu sou Flamengo. E rubro-negro que se preza nem pensa nessas paradas. Ou vocês já viram enterro de anão?

Enfim, coloquem a cabeça no lugar, e passem a pensar com o rubro-negrismo que nos é peculiar. Conta de rubro-negro é, e deve ser sempre, pras cabeças

E, antes de terminar, sugiro a leitura do nosso amigo Maurício Neves no blog do Lédio. Vale a pena a leitura.

E nada mais digo.

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