quinta-feira, 31 de março de 2011

Prezada presidente Patrícia Amorim


Antes de mais nada, quero registrar que considero que sua gestão à frente do Flamengo teve um sensível up grade em relação a seu primeiro ano de mandato. Faço votos que a experiência que a sra. vem adquirindo na condução dos enormes problemas e na complexidade que é administrar um clube como o nosso, permitam que suas realizações e conquistas a transformem numa líder diferenciada, que entre para a história da Gávea por grandes conquistas e mudanças rumo ao topo. Que, aliás, sempre foi e será nosso lugar de direito.

Quero, no entanto, que a senhora conheça pelo menos um ponto de discordância que tenho em relação a sua postura na presidência do Flamengo. Trata-se de pecar ( e acertar ) por ação e nunca por omissão. A omissão já nos custou bastante caro e nos causou vários danos, sendo um deles, irremediável e inaceitável, a forma como Zico foi abandonado e sofreu um boicote declarado dentro dos poderes da Gávea, sem que a senhora tenha saído em sua defesa e lhe dado a retaguarda para fazer frente aos absurdos que contra ele foram cometidos. Infelizmente, isso é passado. Mas, se não foi feito o movimento correto na época, para que o nosso maior ídolo e esperança pudesse efetuar seu trabalho completo, há de servir pelo menos como exemplo de como não agir nunca mais.

Há uma situação semelhante acontecendo agora: são os desdobramentos do caso Adriano ( que também é passado para nós ) sobre o Flamengo de hoje, com seu elenco, sua comissão técnica e seus poderes. Esta é a hora de não pecar por omissão, presidente. Seja cristalinamente clara, tome posição, defenda os interesses do Flamengo. Temos um técnico, com suas qualidades e seus defeitos, mas que tem que ter o respaldo do clube para poder dar prosseguimento a seu trabalho. A menos que a senhora já esteja decidida a substituí-lo, o que parece à maioria dos que se manifestam sobre o assunto, um risco e uma temeridade a esta altura do ano. No entanto, essa é uma prerrogativa sua, como mandatária principal. Portanto, presidente, defina-se. É o Luxemburgo ou não? Se é, passou da hora de deixar isso claro e acabar com as muitas “presepadas” que membros do Conselho e até presidentes de poderes estão fazendo, com claras intenções de tumultuar seu mandato, sabe-se lá com que fins e por quais motivações.

Presidente, o Flamengo está às portas de tempos fartos, em recursos, qualidade de atletas e oportunidades de mercado. É a hora da estadista que se esconde dentro do seu cargo se revelar. A senhora está recebendo quase como um presente, uma oportunidade única. Não peque por omissão. Opte por pecar pela ação, mesmo que ela esteja, Deus queira que não, equivocada. Aja presidente, antes que todos os bons ventos que sopram para nós levem para longe as melhores oportunidades de nos transformarmos em um clube de classe mundial. Lembre-se que ainda somos os primeiros, mas temos adversários que sabem como trabalhar para, em nossa inação, em nosso “vácuo”, nos ultrapassar. Esse perigo é real. E pode ser enfrentado. Mas nunca com omissão, que é o caminho inexorável do fracasso e da mediocridade.

SDSRN.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Calúnia do Rúbio Negrão – Welingtólogo PhD

Eu quis, mas, pensando bem, se não presta pra Internazionale, pro Roma, Cruzeiro, Vasco, São Paulo, Palmeiras e pro próprio Corinthians, não pode prestar pro Mengão.

Posso analisar o “Caso Adriano” com absoluto conhecimento de causa, porque garanto que a minha rotina é infinitamente mais desbragada do que a do jogador mais desvairado, Adrianesco ou não. Mas, apesar dos meus excessos, procuro sempre bater o meu ponto aqui no blog, postar a minha caluniazinha no dia certo, na minha horinha tradicional, etc.

O ambiente tenso entre torcida, dirigentes e treinador do Flamengo prova que Adriano se tornou um atleta, ou melhor, um boleiro capaz de causar problemas a um clube mesmo quando não está jogando nele. Quando o Imperador está livre no mercado, fato cada vez mais comum em anos recentes, os dirigentes do Flamengo começam a analisar: “O que vai causar mais confusão por aqui: contratar ou não contratar esse cara?”

Agora, o cara em questão terá sua última e derradeira chance de jogar profissionalmente num time grande. Ou vai ou racha. Mesmo os corintianos que aprovaram a sua contratação estão pra lá de ressabiados. Pra mim, vai terminar como reserva do veterano e sempre sequinho Liedson.

Fato absolutamente normal, pois Adriano não consegue mais jogar aquele futebol esplendoroso que o consagrou. Nas condições atuais, o que vai fazer é um “feijão com arroz” bem temperadinho, com um ovo frito por cima, farofa, três caipirinhas, quatro brejas, duas doses duplas de um 12 anos, e depois um licorzinho de anis pra rebater. E olhe lá!

Eu acho que o Flamengo tem mais é que se preocupar em prorrogar o contrato do Thiago Neves, que termina no fim do ano. Encaixou no time e, mais importante, no elenco como uma luva! Mas não preciso ficar repetindo aqui as qualidades do rapaz para justificar a minha sugestão.

E outra: apesar de Adriano ser um ídolo rubro-negro, com lugar marcado na história do Clube pela sua importante participação na conquista do hexa, lamento muuuuuuuuuuuuuito, mas muuuuuuuuuuuuuito mais não termos trazido o Montillo, do que termos desprezado o que sobrou daquele Adriano que um dia conhecemos. Montillo, TN7 e R10 seriam imparáveis (pena que aparentemente também impagáveis).

Agora, sem mais prolegômenos (não se envergonhe: também não sei bem o que é, mas acho que já comi uma vez no Porcão), vamos ao Duplex Toc Zen.


Duplex Toc Zen

1 - Globo.com: “Adriano vai jogar no Corinthians. O atacante aceitou o contrato oferecido pelo Timão e disse sim para defender o Alvinegro até o fim de 2012”: Em nome de uma informação mais acurada, esclareço: “até o fim de 2012” dá, mais ou menos, uns 10 jogos.

2 - Ronabo danado: O Feiomêno, nas horas vagas o homem mais carismático do mundo, só levou o Impegador para o Corinthians para que ninguém dissesse que deixou de preencher uma única lacuna sua.


3 - A gente sabe que situação no Oriente Médio tá braba quando...: ...o Caio Jr. prefere vir treinar o Botafogo a ter de ficar por lá.

4 - Rogério Cênico: Dos 100 gols, gostaria de saber quantos foram de pênalti e quantos de falta. Tá me cheirando a um 80/20, e isso o Lomba também faz.

5 - Globo.com: “Freio no xodó: Luxa coloca Negueba de novo nos juniores”: “Gracias, profesor Luxemburgo.” – Arévalo Ríos.

6 - Por falar em juniores: O Negueba voltou pra base, mas quem deveria ter voltado é o Welington. Pena que tenha estourado a idade.

7 - Rodrigo Alvim: Gostei por ter tido uma chance. Ficou meses mais encostado do que eu, mas se portou dignamente, fechado com o grupo, sem tumultuar o ambiente. Tinha que ter entrado na zaga só pra ter a chance de demonstrar o porquê de o lendário Mozer ter elogiado tanto a sua passagem por Portugal.

8 - Sincretismo moreno: Já que o Flamengo está virando um terreiro, ou um CT de macumba, melhor seria contratar logo o Pai Joel.

9 - Álcool, amor e paixão: O AAdriano queria tanto vir pro Mengão porque sabia que era o único time cuja torcida ainda seria capaz de motivá-lo a continuar jogando futebol.


51 - Uma dose a mais: O Adriano em forma, focado e com os salários rigorosamente em dia é um dos melhores atacantes do mundo. Só que aos 29 anos, rico, gordo, triste e cada vez mais mal-assessorado, isso não vai rolar.

11 - Suplente de Joel: Em 2008, Caio Jr. substituiu Joel no Flamengo. Agora, em 2011, substituiu Joel no Putfire. Ou seja, nem treinador do tipo titular ele é. Pra ser o reserva oficial do Joel não seria melhor trabalhar logo como seu auxiliar?

12 - Calúnia!: “Será que o RNT está trabalhando?” - bcb. Eis que entro no Echo pra ver o que está rolando, e me deparo com uma acusação pesada e totalmente leviana, sem qualquer embasamento! bcb, só acuse outrem quando tiver provas que corroborem seus argumentos, caso contrário acabará levando um belo dum processo! Se espelhe no Ricardo Ferreira, que procurou ver o lado bom das pessoas ao dizer: “Fiquei sabendo que o Trolhoso está na Chatuba, hoje a turma toda está lá: Adriano, V. Love, e as Mulheres-Salada-de-Fruta...” (Aviso aos difamadores de plantão: a minha participação como calunista do blog não é tecnicamente considerada trabalho uma vez que não é remunerada.)

13 - Diretamente da Coluna do Hermínio Correa: “Os gritos únicos, que amedrontavam os adversários, se transformaram em “mamonas” e “poropopós” e não tarda surgirá mais uma cópia qualquer de um outro modismo que lhe convenha. Pior: Antes responsável por incendiar o time em campo principalmente nos momentos de dificuldade, hoje é uma torcida fria, passiva.” Penso da mesma forma. A única coisa que as musiquetas toscas que hoje cantam nas populares inflamam são as laringes dos torcedores que tem que cantá-las pra puxar o saco de alguns capos das organizadas. Fui educado na base de 90 minutos de “Meeeeeeeeengoooooooo!”, com 15 minutos de descanso pra molhar a garganta. Isso tudo sem falar que o Hermínio ainda descobriu um novo talento, porque esse tal de Nelson Rodrigues escreve que é uma beleza! É isso aí! Tem que botar essa garotada pra postar!

14 - Ingratidão: A UNIMED gasta os tubos pra levar o Conca, Emerson, Deco, Diego Cavalieri, Belletti, Marquinho, Júlio César e Rodriguinho pro FluminenC, e aí vai o Unifred no Giro Esportivo da Tupi de ontem à noite mandar um “O Santos tem o melhor elenco do Brasil”... Ora, faça-me o favor! Como diria o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, “Respeita os doentes!”.

E nada mais faço.

Crítica da Crítica

*Por Julio Cesar, do Blog Tua Glória é Lutar


Há dois posts atrás, Triplex defendeu de forma virulenta o valor da vaia. Como grande rubro negro, e patrão do blog, devo, no mínimo, respeitar o que ele diz. Não significa que concordarei, mas o respeito nunca vai faltar.

Por isso, respeitosamente, discordo em vários pontos do que ele diz sobre a vaia. Disse lá no meu blog individual que críticas e vaias podem e devem ser feitas, contanto que, antes de abrir a boca ou emitir o assovio, o cara raciocine por pelo menos 10 segundos. Tudo bem, torcedor é paixão, não tá ali pra pensar, é direito dele a vaia etc.

Mas repito, não questiono a importância da crítica, mas sim o momento em que ela deve ser feita.

Foram as vaias DIRECIONADAS que fizeram o Flamengo reagir perante o Madureira? Não, o que determinou o empate, além dos valores individuais de D. Mauricio, Deivid (sim, ele) e T. Neves, foi o recuo excessivo do time suburbano. Não que nós não tivéssemos culhão pra resolver o jogo, longe disso. Temos time qualificado pra enfrentar qualquer um de igual pra igual. Mas, convenhamos, não fosse a "acomodada" do time de Conselheiro Galvão, provavelmente teríamos amargado uma goleada vexatória. O comportamento do time em campo apontava isso.

Logo, não fossem circunstâncias do jogo, a vaia quando Wellington pegava na bola, além de não ter resolvido nada, colaborariam decisivamente para que o time se perdesse mais e mais em campo.

Ao contrário, se no momento de perigo os presentes ao estádio cantassem e vibrassem como autênticos rubro negros, quem sabe o moral do time se elevasse, e não precisaríamos contar com a "peidada" do Madura?
Sinto falta daquela torcida do Flamengo de 2007, que num dos momentos mais difíceis da nossa história abraçou um time que era vice-lanterna do campeonato, até que ele alcançasse o terceiro lugar do Brasileirão.

Por outro lado, não me traz nenhuma boa recordação as "cobranças" de pretensos "representantes" da torcida do Flamengo na Gávea há um tempo atrás.

Só um exemplo de que crítica pode e deve ser feita, mas com critério e inteligência.

AVANTE FLAMENGO!

Flamengo negocia com a Record Por Vinicius Paiva

Daqui a cerca de uma hora, o Conselho Fiscal do Flamengo estará reunido com representantes da Rede Record, tendo como objeto a proposta de R$ 100 milhões feita pela emissora paulista ao clube. Trata-se de um valor referente aos direitos de transmissão das partidas do Flamengo em TV aberta, tão somente. A título de comparação, o Corinthians fechou com a Rede Globo por valores próximos a este, mas que incluíam transmissão em TV fechada, pay per view, direitos de celular e internet.


Durante a reunião, o Conselho Fiscal solicitou minha autorização para leitura da coluna “Cotas de TV: como são e como ficariam”, escrita por mim aqui neste espaço. Segue o link: http://flamengonet.blogspot.com/2011/03/cotas-de-tv-como-sao-e-como-ficariam.html . Naturalmente, autorizei a leitura.


Já que um texto aqui do Blog da Flamengo Net será utilizado, me sinto bastante à vontade para divulgar neste mesmo espaço a carta-proposta que a Rede Record protocolou no Flamengo sexta-feira passada.


Todo mundo já fechou com a Globo. Gera algum estranhamento que o Flamengo ainda não tenha feito o mesmo. Principalmente quando se atribui a negociação do patrocínio-master ao desfecho deste imbróglio.


A seguir, cenas dos próximos capítulos.


E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com


Twitter: www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)

A crítica

Existe um conceito - subjetivo, no meu entender - que fala de uma tal crítica construtiva e/ou destrutiva.

Pois bem, serei curto, grosso e breve. Eu acho certo SIM vaiar o time, ainda mais quando está um lixo tático. Ainda mais quando temos um treinador que se perdeu no tempo e quer inventar para parecer mais genial do que o Ronaldinho e o Thiago Neves.

Acho errado taxar a vaia de burra. A vaia foi inteligente, pois o time estava (está) uma merda. "Ah, mas estamos invictos". Sério? O time tá mal armado, tá correndo errado, torto, sem noção. E a vaia burra foi o que fez o time sair do armário e - pelo menos - empatar o jogo contra o poderoso Madureira.

A vaia, nesse ponto, foi necessária. E sempre será. O grito das adrianetes eu não avalio. Adriano é de outro time, e eu não falo por eles. Falo pela torcida do Flamengo.

Concordo com o texto do Bernardo Costa, publicado no Urublog. Criticar não é torcer contra. E nesse ponto, questiono: vamos continuar com essas atuaçõezinhas bizarras pra ganhar de 1xo do Boavista? Isso é passível de aplausos? Se é, então eu é que não entendo nada de futebol.

Tem que vaiar, tem que reclamar. Pois o mundo de hoje é livre para constatar e contestar. E quem tiver bolas, que seja homem e vire o jogo. O Flamengo vaiado de domingo, perdendo por 3x1, entendeu o recado. Como bem diz o @urublog, se não sabe brincar, não desce pro playground.

O blog FlamengoNet, há não muito tempo atrás, tinha um sistema de comentários que era uma zona. Fomos criticados, teve gente reclamando, vaiando nosso trabalho. Falo por mim: eu ficava puto. E não sosseguei enquanto o torcedor voltou a vir aqui comentar, discutir, e manter a casa limpa. Foi uma vaia ao nosso trabalho, que encarei de forma construtiva, mesmo parecendo destrutiva. E acertamos - e ainda estamos acertando - a casa.

Se o jogador do Flamengo não tiver culhão para ouvir vaias, que vá embora. Nossa torcida é apaixonada, chora, ri e reclama. E, no meu entender, a reclamação é pertinente à qualidade do futebol apresentado.

Reitero: burrice é discordar e não reclamar. O torcedor tem essa ferramenta: a vaia. Pois, infelizmente, o nosso treinador é humilde somente a ponto de ouvir a sua própria voz. Que ele mude, que ele queira realmente evoluir, que eu paro de reclamar.

E nada mais digo.

terça-feira, 29 de março de 2011

UMA BANDEIRA PARA JOSÉ DE ALENCAR



*Texto do brother Maurício Neves, publicado originalmente no melhor blog do Mengão, o @urublog do também irmão Arthur Muhlemberg.

Depois de uma luta de treze anos contra um câncer, morreu José Alencar.

Não faltarão homenagens para o vitorioso empresário do setor têxtil, para o político respeitado por todos, para o homem público de rara dignidade.

Mas o que fica aqui é a homenagem ao grande rubro-negro José Alencar. Ainda menino, ouviu Ary Barroso contar que Valido subiu mais alto do que Argemiro e marcou o gol do primeiro tricampeonato. Corria o ano de 1944 e José Alencar já era irreversivelmente Flamengo, lá nas Minas Gerais, onde o vermelho e preto eram imaginados através das ondas de rádio.

Como toda uma geração de brasileiros distantes da capital do país, José Alencar era um rubro-negro de ouvido. Encantou-se pelas histórias que Domingos da Guia, Biguá, Modesto Bria, Zizinho, Silvio Pirilo e Vevé escreveram com os pés.

Talvez por isso tenha vivido com uma paixão digna de Moderato, de quem ouviu histórias na infância. Enfrentou as adversidades como se fosse Perácio, herói nos campos e na tomada de Monte Castelo. José Alencar testemunhou os atos de paixão e bravura de Índio, Henrique, Evaristo, Almir, Doval, Reyes, Rondinelli, todos os mundialistas e ainda Ronaldo Angelim.

José Alencar é um rubro-negro que ouviu o gol de Valido e viu o gol de Angelim.

Viveu e morreu como um autêntico flamengo: lutando. Vamos juntar às homenagens que se seguirão pelos próximos dias o vídeo de José Alencar recebendo os hexacampeões em Brasília, em 2009. Uma aula de rubro-negrismo.

Descanse em paz, José Alencar. Você estará sempre conosco. Essas torcidas que tantos rostos homenageiam em suas bandeiras, bem que poderiam estampar sua face corajosa em uma imensa bandeira que tremule bem alto, mostrando ao mundo que este é o time dos homens mais bravos e corajosos do mundo.

Obrigado, Zé. Tua glória foi lutar.

Mauricio Neves (@flapravaler)

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos. Após mais um empate contra um adversário inexpressivo (ao menos valeu a capacidade de reação), a impressão é de que, se o onze titular já exibe um esboço de bom futebol, o treinador ainda não conseguiu encontrar no elenco as peças corretas para a reposição de eventuais ausências. Se é que essas peças existem...

Seja como for, aí vai mais uma historinha dos Alfarrábios. Boa leitura.

A Alvorada do Sonho

1939. O Flamengo, após doze anos de jejum, enfim caminha para a conquista do Campeonato Carioca. O time de Domingos, Leônidas, do goleiro Walter, do zagueiro Newton Canegal (todos de Seleção), dos argentinos Volante, Valido e Gonzalez, e da grande contratação do ano, o ítalo-argentino Raimondo Orsi (primeiro ganhador de Copa do Mundo a atuar pelo Flamengo), vai dominando amplamente a temporada. Apenas o Botafogo ainda tenta, com muita dificuldade, acompanhar o ritmo flamengo, mas o campeonato já se aproxima do final, e o rubro-negro segue mantendo confortável vantagem na ponta. A mais longa espera da história flamenga vai chegando ao seu final.

O iminente título flamengo dá um importante sopro na imagem do clube, muito desgastada com a ainda recente indigência dos anos 30. O Flamengo se torna o time da moda, o objeto de desejo, admiração e inveja. Ninguém está indiferente à equipe de listras rubro-negras, a melhor do país, com meia seleção brasileira em seu elenco. Leônidas, no auge da carreira, ganha um prêmio atrás do outro, tem tratamento de estrela de primeira grandeza. Domingos arrasta suspiros idolatrados por onde passa. O Flamengo, a cada jogo, arrebanha multidões cada vez maiores em estádios superlotados, com gente pendurada em marquise, em árvore, gente arrombando portão, enfim. Todo mundo de repente quer ser Flamengo, quer ver o Flamengo. Os garotos sonham em jogar no Flamengo. Entre eles, um menino franzino de Niterói...

* * *

Em Niterói, um jovem de 18 anos divide o seu tempo ajudando o pai no trabalho, batendo bola nas peladas da rua e do clube e torcendo pelo Flamengo nas ondas do rádio. Todo mundo considera o garoto muito talentoso, bom de bola mesmo, “você devia procurar um clube, você sabe das coisas”. Encorajado, o menino vai atrás do América. O treinador rubro não o deixa nem entrar em campo, “muito franzino”. Vai no São Cristóvão. Começa bem, mas põe a bola entre as pernas do zagueiro Afonsinho, tenente de polícia, jogador de seleção e líder do time. Na jogada seguinte, leva um coice de Afonsinho, rebenta o joelho e sai do treino. Outra frustração. Desiludido, o garoto volta à sua vidinha normal, experimentando a alegria de ver seu Flamengo quase campeão e colecionando troféus de campeonatos de bairro. Até que num desses torneios, um olheiro do Flamengo põe-lhe vista grande.

Com a penúria dos anos 30, o Flamengo começara a criar uma rede de olheiros pelo Rio de Janeiro e arredores, com o objetivo de recrutar jogadores habilidosos e ainda desconhecidos. Seria o arcabouço de um trabalho de base que mais tarde se tornaria mais estruturado e logo renderia frutos. Um desses olheiros, dando uma checada num baba de Niterói, gosta do que vê e chama o garoto, quer testar no Flamengo? O menino a princípio titubeia, “esse negócio de fazer testar em clube não dá certo”, mas acaba aceitando. Tenta não criar expectativa, medo de nova frustração, mas por dentro o garoto arde. Sua paixão flamenga braseia-lhe o corpo incontrolavelmente.

No dia combinado, lá está o garoto, todo engomado, camisa brilhando, par de chuteiras impecavelmente polidas. Só que o menino tem uma inesperada companhia. Outros jovens como ele estão na Gávea, às dúzias, aos magotes. Todos são orientados a sentar ao redor do campo enquanto se inicia o treino dos profissionais. O menino nem pisca os olhos. Lá estão Leônidas, Domingos, todos eles. Fascinado, o garoto não consegue balbuciar nada, está petrificado. Eles ali, tão pertinho... O treino segue, o tempo vai passando, e Flávio Costa não faz a menor menção de colocar nenhum daquela rama de garotos que está ali sequiosa por uma migalha, uma mísera chance. Concentrado no treino e na reta final do campeonato, que nem cogita perder, Flávio não parece muito disposto a ficar testando garoto a essa altura dos acontecimentos. Eles que olhem e salivem pelos craques que estão ali à sua frente.

Acontece que o garoto, apesar de modesto e fascinado, guarda certa altivez. E, após se acostumar com o ambiente mágico ao seu redor, já começa a mostrar alguma impaciência, que vai virando desânimo. O tempo passa, e passa, e passa. O menino logo percebe que ali, naquele dia, não vai acontecer nada. O jeito é terminar de assistir ao treino e voltar pra casa. Terá valido pelas histórias pra contar aos vizinhos e à família. Enfim, é a vida. O garoto vai se perdendo nessas divagações enquanto rabisca o chão com um graveto. Súbito, o milagre.

Leônidas tenta uma jogada mais audaciosa, estica demais a perna e sente. Flávio, assustado, tira o craque de campo. Ainda faltam dez minutos. O treinador pensa um pouco e grita “Quem é o rapaz de Niterói?”, berro que rebenta como uma chicotada nos ouvidos do menino. Não pode ser, é comigo, só pode ser comigo, incrível, isso não tá acontecendo, é um sonho... “Sou e..e... eu, sim senhor

“O senhor vai entrar no lugar do Leônidas. Tem dez minutos pra mostrar o que sabe.”

Do Leônidas... logo do Leônidas... pô, mas o cara podia ter botado um reserva no lugar do Leônidas e me posto no meio dos suplentes. Logo do Leônidas... Eu, substituindo o craque do time... A cabeça do jovem fervilha, incandesce, mas o menino logo consegue voltar à razão. Pensa, “dez minutos é nada, se eu ficar tocando bolinha aqui não vai acontecer nada. Tenho que mostrar mais do que isso”. O menino já tem a idéia exata do que tem que fazer. Nisso, recebe a primeira bola.

O garoto ajeita, livra-se do primeiro marcador. Tem um bom espaço à frente. Arranca. Valido pede. Não. A bola é minha, deixa ela comigo. O menino segue, outro zagueiro vem na cobertura. Leva uma caneta. O menino não solta a bola nem a decreto. A arrancada é cortante, em diagonal, a bola sempre grudada em seu pé. Já está na área. Só o goleiro à frente. O keeper sai do gol, esbaforido. O menino meneia o corpo e põe o arqueiro no chão. Gol vazio. Toquinho. Palmas, muitas palmas. “Aê, garoto!”

Bola seguinte. É, tem essa coisa de sorte. Sorte nada, quer ver? O garoto recebe, gruda de novo a bola no pé e recita mais uma vez sua arrancada em diagonal, cerzindo a defesa adversária. Entra na área, o goleiro à sua frente de novo. Dessa vez fica no gol. O menino não vacila, manda uma bomba no canto. Outro gol, mais palmas. Flávio Costa, marcial, não esboça qualquer reação. Mas sorri discretamente.

Termina o treino. Flávio chega no garoto, “passe aqui amanhã, no mesmo horário.” É a senha, o menino está aprovado no teste. O sonho de jogar no Flamengo começa a virar um esboço, um rascunho de algo palpável, tangível. O jovem se despede de Flávio. Quando já vai virando as costas, o treinador pergunta: “mas qual o seu nome?”, “é Tomás, sim senhor”. E Tomás volta a tomar o rumo de casa, onde irá contar à turma de Niterói sua aventura na Gávea. O menino Tomás, o pequeno Tomás, o Tomazinho da turma das peladas, o Zizinho pro pessoal mais chegado.

E que, muito em breve, será o Zizinho do Flamengo.

segunda-feira, 28 de março de 2011

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa

Parece profético: "O Flamengo é maior que tudo e todos"


Olá pessoal.

Leiam, reflitam:

"Corria o ano de 1911. Vejam vocês: — 1911! O bigode do kaiser estava, então, em plena vigência; Mata-Hari, com um seio só, ateava paixões e suicídios; e as mulheres, aqui e alhures, usa­vam umas ancas imensas e intransportáveis. Aliás, diga-se de pas­sagem: — é impossível não ter uma funda nostalgia dos quadris anteriores à Primeira Grande Guerra. Uma menina de catorze anos para atravessar uma porta tinha que se pôr de perfil. Con­venhamos: — grande época! grande época!

Pois bem.

Foi em 1911, tempo dos cabelos compridos e dos espartilhos, das valsas em primeira audição e do busto uni­lateral de Mata-Hari, que nasceu o Flamengo. Em tempo retifi­co: — nasceu a seção terrestre do Flamengo. De fato, o clube de regatas já existia, já começava a tecer a sua camoniana tradi­ção náutica. Em 1911, aconteceu uma briga no Fluminense. Dis­cute daqui, dali, e é possível que tenha havido tapa, nome feio, o diabo. Conclusão: — cindiu-se o Fluminense e a dissidência, ainda esbravejante, ainda ululante, foi fundar, no Flamengo de regatas, o Flamengo de futebol.

Naquele tempo tudo era diferente. Por exemplo: — a tor­cida tinha uma ênfase, uma grandiloqüência de ópera. E acon­tecia esta coisa sublime: — quando havia um gol, as mulheres rolavam em ataques. Eis o que empobrece liricamente o fute­bol atual: — a inexistência do histerismo feminino. Difícil, muito difícil, achar-se uma torcedora histérica. Por sua vez, os homens torciam como espanhóis de anedota. E os jogadores? Ah, os jogadores! A bola tinha uma importância relativa ou nula. Quantas vezes o craque esquecia a pelota e saía em frente, ceifando, dizimando, assassinando canelas, rins, tórax e baços adversá­rios? Hoje, o homem está muito desvirilizado e já não aceita a ferocidade dos velhos tempos. Mas raciocinemos: — em 1911, ninguém bebia um copo d’água sem paixão.

Passou-se.

E o Flamengo joga, hoje, com a mesma alma de 1911. Admite, é claro, as convenções disciplinares que o fute­bol moderno exige. Mas o comportamento interior, a gana, a garra, o élan são perfeitamente inatuais. Essa fixação no tempo explica a tremenda força rubro-negra. Note-se: — não se trata de um fenômeno apenas do jogador. Mas do torcedor também. Aliás, time e torcida completam-se numa integração definitiva. O adepto de qualquer outro clube recebe um gol, uma derrota, com uma tristeza maior ou menor, que não afeta as raízes do ser. O torcedor rubro-negro, não. Se entra um gol adversário, ele se crispa, ele arqueja, ele vidra os olhos, ele agoniza, ele san­gra como um césar apunhalado.

Também é de 1911, da mentalidade anterior à Primeira Gran­de Guerra, o amor às cores do clube. Para qualquer um, a cami­sa vale tanto quanto uma gravata. Não para o Flamengo. Para o Flamengo, a camisa é tudo. Já tem acontecido várias vezes o seguinte: — quando o time não dá nada, a camisa é içada, des­fraldada, por invisíveis mãos. Adversários, juizes, bandeirinhas tremem então, intimidados, acovardados, batidos. Há de che­gar talvez o dia em que o Flamengo não precisará de jogadores, nem de técnicos, nem de nada. Bastará a camisa, aberta no ar­co. E, diante do furor impotente do adversário, a camisa rubro-negra será uma bastilha inexpugnável."

Nelson Rodrigues, em À sombra das chuteiras imortais. Texto publicado originalmente na Revista Manchete Esportiva, do dia 26/11/1955.

"...Mas sempre existiu uma coisa que me deixa perambulando entre o mistério e o pânico. Aliás, não é "coisa" coisa nenhuma. É metafísica. É o Sobrenatural de que tratava Nélson Rodrigues. É perturbante. É aquela massa uniforme pulando do outro lado. 23 minutos, 1x3, e eles não paravam de pular; ninguém saía do seu aperto; ninguém ia embora. Eles nunca vão embora. Eles nunca arredam o pé. Eles não se sentam, não param de gritar. Eles não sossegam. Me perseguem, me sufocam, me habitam os pesadelos e me causam pânico. Quando eu olho para o outro lado é isso que eu sinto. Eles acreditam mais do que os outros. Mais do que eu e todos os outros juntos.

E disso, meus caros, eu tenho que reconhecer, chega dá medo. Eles jogam com 12. E jogar com 12 deveria ser proibido. Deixar seus ingênuos meninos andando de um lado para o outro, desfilando o seu repertório de categoria e classe, só porque vestem um manto, como eles costumam se referir, foi uma imprudência. E esse foi mais um Fla X Flu para a história. Dentro do táxi, uma frase de uma criança de sete anos ficou estalada no meu tímpano:

"Papai, eu tenho nojo deles".- Eu também tenho filho...

É só o que posso dizer hoje. Mas se não fossem eles essa mágica não existiria."

Cláudio Lampert

Seja crítico, quero que pense: Será que hoje, Nelson Rodrigues, Cláudio Lampert ou qualquer outro, escreveria o mesmo?

Essa Nação descrita acima, sempre foi sinônimo de força, entrega, devoção, amor incondicional ao Flamengo. Houve um tempo em que esse amor se expressava de maneira única: Na força do grito “MMMEEEEENNNNGGGOOOO”, na capacidade de fazer tremer o mais forte dos adversários, no poder de transformar a atmosfera do Maracanã e levar o Flamengo às mais épicas vitórias. Época de sincronismo de camisas girando, ou das mãos espalmadas ao alto. Tempos de originalidade, de uma torcida que ditava as tendências nas arquibancadas brasileiras.

Hoje, a torcida do Flamengo é chata. Comum. E agora começa a dar mostras de ignorância.


Será que vale pedir para a Nação respeitar diretoria e jogadores?


Os gritos únicos, que amedrontavam os adversários, se transformaram em “mamonas” e “poropopós” e não tarda surgirá mais uma cópia qualquer de um outro modismo que lhe convenha. Pior: Antes responsável por incendiar o time em campo principalmente nos momentos de dificuldade, hoje é uma torcida fria, passiva.

A imortalizada camisa 12 é agora a torcida das vaias invariáveis. Vaia burra, aquela que existe por existir. E essa mesma torcida, que antes abraçava o time, que instigava o perna de pau a compensar sua falta de técnica com raça, hoje dá de ombros a decência e esperneia por um ídolo.

Pense por um minuto: Você colocaria Adriano, ao lado de Zico, Evaristo, Leandro, Reyes, Junior, Dida, Rondinelli, Valido?

A torcida do Flamengo precisa parar e se reencontrar em sua essência. Precisa abandonar as pedras, largar a crítica vazia e ser ela o elo de força necessário. Mais do que zagueiro, atacante, lateral ou técnico novos: O Flamengo precisa reencontrar a força que só existe quando time e torcida caminham juntos.

Sem isso, o Flamengo sempre estará em crise.

Grande Abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

Twitter: @herminio_correa


sábado, 26 de março de 2011


FLAMENGÔMETRO nº 43

COM PROFESSOR, SEM IMPERADOR

Depois do Plano B de Luxa não funcionar, e o empate chato da semana passada nos deixar em terceiro no grupo, é a hora de voltarmos ao plano A, com nossa dupla TN7+R10, "desfalcados" de nossos guerreiros Willians e Renato. Ando um pouco sem paciência com o "ladrão" Willians, que conseguiu a proeza de isolar duas bolas em lances frontais, e perder um terceiro da pequena área. Ainda verei um dia um técnico que chegue para o Willians e dê a seguinte instrução: "Meu filho, você não sabe chutar, então não chute!". Embora a falta da nossa dupla de craques tenha sido algo a se lamentar no jogo com a Cabofriense, acho que mesmo com eles teríamos problemas. O Flamengo está penando para fazer gols em todos os jogos. É só lembrar que das vitórias no Carioca, em pelo menos 5 delas (Americano, Resende, Nova Iguaçu, Boavista e Bangu) foi vencidas com gols chorados no finzinho. Contra América, Olaria e Boavista o ataque funcionou, mas a defesa entregou a rapadura e dificultou, ou então o time perdeu o ímpeto antes de emplacar goleadas mais tranquilas. Um elenco como o Flamengo não pode fazer menos gols que o Boavista. Espero que os garotos Lorran e Galhardo dêem conta do recado e nos ajudem a derrotar o Madureira. O Flamengômetro deu uma ligeira queda, em função da sucessão de empates, e seguimos com 86%, o que não é ruim, convenhamos.
Breves comentários sobre a novela Adriano:
1- O cara não é mercenário nem traíra, tentou voltar, mas o Flamengo não quis. Ponto final.
2- A diretoria e o técnico tem todo direito em fazer suas escolhas e opções. Se não acham que os problemas do Adriano compensam a sua qualidade, é coerente que não o queiram. O que não significa que necessariamente estejam certos, ou que eu concorde com isso.
3- Como o Adriano é imprevisível, eu não arrisco uma opinião definitiva, se o Flamengo agiu ou certo ou errado. Infelizmente o julgamento disso será algo meramente emocional, condicionado aos resultados. Se ele foi bem no Corinthians, a corneta vai tocar; se o Flamengo continuar ruim de artilharia, a gritaria vai ser geral; se o Fla-Luxa prosseguir "sem freio" e ganhando títulos, a pressão vai ser menor, ou se o Adriano aprontar das duas lambanças em Sampa, aí a Diretoria vai poder dormir tranquila.
4- Eu acho simplesmente irritante a parcialidade da imprensa: se o Adriano vem pro Flamengo, é gordo, bandido, depravado e decadente; se vai pro Corinthians, é supercraque, artilheiro e indispensável.

sexta-feira, 25 de março de 2011

MARIO FILHO, O CRIADOR DAS MULTIDÕES
EXPOSIÇÃO NO CRJ DO PAVÃO/PAVÃOZINHO



A Dona Rosa Produções apresenta entre os dias 25 de março e 24 de abril de 2011 a exposição “MARIO FILHO, o criador das multidões”, no CRJ – Centro de Referência da Juventude Cantagalo, Pavão/Pavãozinho. Na abertura para convidados, às 18 horas do dia 24, acontecerá uma mesa redonda sobre o genial jornalista, inventor da crônica esportiva e que dá o nome ao maior estádio de futebol do mundo. Estarão debatendo e falando sobre Mário Filho, Oscar Maron Filho, diretor do documentário sobre a vida de Mario Filho e curador convidado da exposição, Mario Neto jornalista, Mauricio Murad, sociólogo e criador do núcleo de sociologia do esporte; Nelson Rodrigues Filho, jornalista e sobrinho de Mario Filho. Ivan Cavalcanti Proença, mestre em literatura, e Sérgio Cabral, jornalista e escritor.

Com patrocínio da OI e Prefeitura do Rio/Cultura - Lei de Incentivo do ISS, a exposição que contará com 42 painéis fotográficos(*), proporciona uma grande viagem cronológica pelas crônicas do jornalista. Contará ainda com publicações e fotos históricas de 1933 a 1978. Ícones como Pelé, Leônidas da Silva, Domingos da Guia, e outros grandes craques, além de vários times cariocas, estarão visualmente retratados. O visitante ainda terá acesso a depoimentos em vídeo exibidos em TV, com várias personalidades, jornalistas, sociólogos e torcedores.



Neste vídeo com edição inédita de 24 minutos, que aborda Mario Filho como cronista, escritor, sociólogo, empreendedor e brasileiro, veremos depoimentos de: Carlos Heitor Cony, Ivan Cavalcanti de Proença, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, Maurício Murad, Sergio Cabral, Mario Neto, Francisco Carlos Teixeira, João Máximo, Nelsinho Rodrigues, Helio Fernandes, Antonio Olinto, João Havelange e Luis Mendes.

Além dos painéis e vídeos, a exposição contará com som ambiente com trilha sonora original. Para o publico infantil terão mesas de futebol de botão, e jogadores da comunidade ensinando embaixadinhas.

A entrada é franca e o acesso é pelas ruas: Alberto de Campos ou Barão da Torre – metrô em Ipanema, através do elevador do CIEP ou elevador panorâmico. O Horário de visitação da exposição é de 25.03 a 24.04 das 09 às 18h., de segunda a sexta, e sábado das 09 as 13h. Durante o período da exposição ocorrerão diversas atividades paralelas, como torneio de futebol para jovens e adolescentes e até campeonato de futebol de botão para a garotada.

Agendamento para visitação escolar: informações com Key Tetra, no CRJ pelos telefone: (21) 2332.2081, de 2ª. a 6ª. feira das 13 as 17h.

Maiores informações com Mariana Marinho, produtora executiva - Dona Rosa Produções: 21.2246-3927/ 7805.6098 - contato@donarosafilmes.com.br ou Radamés Vieira, jornalista, 21.3826.6686 ou 21.9350.5353 – radamés@globo.com


Serviço

Mario Filho, o Criador das Multidões
Realização: Dona Rosa Produções
Patrocínio: Oi e Prefeitura do Rio/Cultura – Lei de Incentivo do ISS
Coordenação Geral e Produção Executiva: Mariana Marinho
Curador convidado: Oscar Maron Filho
Design da exposição: Luiz Fernando Bastos

CRJ – Centro de Referência da Juventude Cantagalo, Pavão, Pavãozinho
Endereço: Rua Alberto de Campos, 12 (Ciep de Ipanema/ Brizolão)
Telefone: (21) 2332-2081
Abertura: 24 de Marco, às 18h
Temporada pública: de 25 de Marco a 24 de abril de 2011
Horário de visitação: de segunda-feira a sexta-feira das 9h às 18h./ sábado das 09 as 13h.
Entrada franca

Assessoria de Imprensa Contato Dona Rosa Produções
Radamés Vieira Mariana Marinho
Tel: (11) 3826.6686 ou 21.9350.5353 Tel.: 21.2246-3927/ 7805.6098
E-mail: radamés@globo.com E-mail: contato@donarosafilmes.com.br

(*) Os painéis expostos narram a expectativa criada quando da chegada da primeira bola de futebol ao Rio de Janeiro em 1987, a disputa entre remo e futebol, a época romântica do amadorismo, a criação da mística do Fla x Flu, o lado humano dos craques, o amor pela camisa do clube, os meninos e suas peladas, o anedotário, a ascensão do negro, do mulato e do cafuso na sociedade brasileira através do futebol, a paixão do torcedor brasileiro encantado com a bicicleta de Leonidas da silva e seus improvisos em passo de samba.


COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

Adriano no Corinthians. E agora?

Não preciso mais escrever por que eu não era a favor mesmo do retorno de Adriano ao Flamengo. Se ele não vem, eu apoio a decisão, acho que é isso aí mesmo. E, me pensando assim, não teria por que me sentir mal com sua provável (ao contrário do que eu imaginava) contratação pelo Corinthians, certo? Bem, mais ou menos.

Também já escrevi sobre a pressão que sofriam Luxemburgo e Patrícia Amorim pela contratação, e como seria difícil enfrentá-la. Pois bem: eles que se preparem para o que virá em seguida.

As atuações, daqui por diante, estarão sempre sendo comparadas com o desempenho do time com Adriano. Não falo do Corinthians com Adriano; se este der certo, claro, ficará pior para quem está na Gávea, mas isso não é determinante. Estou falando das comparações com o que seria o Flamengo com Adriano - e não com o Adriano real, mas com um Adriano ideal, que certamente destruiria todo mundo se tivesse voltado para ser feliz em seu time de coração. Se o real ainda danar de fazer um bom papel no Corinthians, motivado a provar o erro das pessoas ruins que não quiseram contratá-lo, pior ainda.

E é também com este Adriano ideal que serão comparados todos os atacantes que forem escalados no Flamengo daqui pra frente. Qualquer gol que eles perderem, podem crer, o Adriano faria. Se não arrebentarem, e com o time vencendo, suas vidas ficarão bastante difíceis. Uma recuperação de Deivid no Flamengo, por exemplo, que antes já parecia complicada, agora virou trabalho de Hércules.
É isso: não acho que seria bom se Adriano viesse, mas a vida sem ele também não será simples. À torcida, esta entidade incontrolável, não adianta muito pedir paciência. Então, Luxemburgo, na boa: nunca fui seu fã, não simpatizo muito contigo, mas dê seu jeito de ganhar tudo o que vier pela frente. Se não, você não vai durar muito tempo. E eu não tava muito a fim de ver Joel Santana de volta ao Flamengo.


* * * * * * * * * *

Por circunstâncias do mercado, o Flamengo está prestes a ver entrando em seus cofres uma grana violenta. Não sei como vai acabar toda essa novela envolvendo Globo, Rede TV, Clube dos 13, CADE e todos os etcéteras; mas sei que, independente do resultado, o Flamengo vai ter um enorme aumento em sua arrecadação com venda de direitos de transmissão de seus jogos. E que, muito provavelmente, em algum momento pingará na conta do clube um adiantamento substancial deste dinheiro.

Patrícia, mantenha a cabeça no lugar. Se a negativa do Adriano é em nome de um "projeto", de um Flamengo mais sério e tudo o mais, fique com isso em mente na hora de usar este dinheiro. Não vá gastar tudo tentando dar uma satisfação a quem hoje chora por Adriano. Há um CT a construir, há dívidas de curto prazo a serem equacionadas. Resolvendo elas, não só o dia-a-dia do clube ficará mais tranquilo, mas também os enormes gastos com juros de empréstimos tomados todos os anos em condições adversas para tapar buracos irão diminuir bastante, e o dinheiro vai sobrar mais na frente.

Você realmente está tendo a chance de deixar, ao final de seu mandato, um Flamengo bem melhor do que encontrou. Não desperdice.


- ANDRÉ MONNERAT também escreve no SobreFlamengo (www.sobreflamengo.com.br, facebook.com/sobreflamengo e twitter.com/sobreflamengo)

quarta-feira, 23 de março de 2011

Calúnia do Rúbio Negrão

Heinze que há Díaz ando Bolatti com esse tal de Bottinelli... Milito direto no futebol, e sei que já Tévez muitos argentinos no Flamengo. Alguns jogaram Redondo, outros botaram Saviola no saco e vazaram. Era tudo Peralta.

Mas quem uZanetti sabe que há por aí um Montillo de coohermanos Concategoria. O Internacional, por exemplo, Maxivaloriza os caras porque eles conseguem jogar no Agüero do Beira-Rio, tanto no inverno como no Verón.

Só que Gago e ando pra eles, pois não posso me dar ao Lucho de esperar! Serei Franco: ninguém aqui é Burrito, nem tem cara de Palacio! A torcida, Insúa grande sabedoria, quer o preto no Blanco, e não é Clemente com aquele pereba que arranCarrizo. A galera não é Di María vai com as outras. Na Battaglia do futebol, os embromadores vão rapidinho pro fundo do Pozo.

Então, sugiro que o Pollo coMessi logo a jogar bem no Campeão de Terra Aimar, Garay!

Buonanotte.


Duplex Toc Zen

1 - Matando a cobra sem mostrar o pau: Tem um jogador no Rio de Janeiro que todo mundo vivia dizendo que era bicha. Gente, sem meias palavras. O cara é apenas bichado. (Não digo o nome do atleta porque o Barney me pediu pra guardar segredo.)

2 - “O Cruzeiro tá demais!!!” - Paulo Cezar: Concordo plenamente. Não fosse o Cuca no banco, iria ganhar tudo este ano.

3 - Vascão: O nosso cooirmão tá subindo de produção. Não fosse o Ricardo Gomes no banco, sei não...

4 - O que é a democracia...: Atualmente, a torcida rubro-negra está dividida em dois campos: os “Adrianófobos” e os “Adrianófilos”. Eu bem que queria o AAdriano na Gávea, mamado e tudo, mas temo que nada de bom possa sair de um cara que já mandou um “O presidente ainda sou eu”.


5 - Sobre o R10: “Não quero dribles espetaculares. Quero gol.”  – Artur_SC. Verdade. Se quiséssemos firulas, melhor teria sido contratar o Denílson. A beleza do lance é consequência do mesmo, não a causa. Zico jogava bonito sem dar na bola nem meio toque a mais que o necessário.

6 - “Tem até rato no vestiário” – Muricy Ramalho: Foi a forma elegante que ele encontrou pra dizer que no elenco do Fluminense não tem gatos. Profissionalmente falando, creio eu.

7 - “Mercenário, tudo bem. Agora, rato eu não admito!” – Sheik: Se o Muricy tivesse usado o nome científico Rattus rattus, todo esse desagradável mal-entendido teria sido evitado.

8 - Politicamente correto: Respeitando a crise tricolor, e emulando o exemplo do Muricy, acredito que seja mais elegante parar de dizer que o elenco do FluminenC, perdão, Fluminense está “cheio de jogador bichado que vive no departamento médico”. O mais correto seria dizer: “Assim como os há para aspirantes e juniores, se houvesse um campeonato exclusivamente para jogadores machucados, o Fluminense seria imbatível.”

9 - Homenagens: A exemplo do que fiz com o número 10 do Toc Zen em homenagem ao Zico, estou pensando seriamente em aposentar também o número 43 em homenagem ao Pet. Por mais difícil que pareça eu atingir esse item, é bom deixar avisado para que jamais pensem que eu também aposentei o 80 em homenagem ao Maicon Gaúcho ou o 99 em homenagem ao Deivid.


22 - Adriano Leite Ribeiro: Agora imaginem se a fera se chamasse Adriano Leite de Onça?

11 - As aparências enganam: Com tanta gente boa de bola no Flamengo, é bem possível que, ao chegar ao Brasil, o Imperador estivesse certo de que seria uma grande moleza jogar no seu time de coração. Agora ele já deve ter percebido que será bem difícil jogar em qualquer lugar.

12 - Cinéfilos: E para quem curte uma boa comédia, pra ser assistida com muita descontração, sugiro Fluminense-CÊ x América-MEX daqui a pouco no Bad Sports (canal 98). 

E nada mais faço.

O futebol, a televisão e assuntos correlatos


*Por Pedro Migão, do Ouro de Tolo

O leitor mais assíduo deve se lembrar que em fevereiro escrevi dois artigos comentando a licitação para os direitos televisivos do Campeonato Brasileiro, que seria realizada nos dias circunvizinhos ao carnaval. Também comentei o esforço que a Rede Globo e a CBF estavam fazendo para solapar o processo.

Não deu outra: utilizando-se de suas relações de poder, a dupla conseguiu tornar inócuo o processo, e a licitação acabou realizada apenas "pro forma". Feito isso a Globo partiu para negociar diretamente com os clubes, oferecendo à maioria deles um "pacote fechado" - televisão aberta, fechada, pay per view, internet e telefonia - em um valor abaixo do que poderia ter rendido em licitações separadas.

A Rede Record ofereceu a Corínthians e Flamengo propostas que somente para a televisão aberta superam o montante oferecido ao clube paulista para o total dos direitos. Curiosamente o Corínthians ainda assim optou por assinar com a emissora carioca, abrindo mão de aproximadamente R$ 240 milhões em quatro anos de mandato - que seria a diferença aproximada entre uma e outra proposta.

No momento em que escrevo este texto (noite de terça) o Flamengo ainda não havia assinado, mas tudo leva a crer que seguirá os mesmos passos. Resta esperar quais serão os "benefícios" de dois clubes endividados em jogar pela janela valores que equivaleriam a uma substancial parte do orçamento anual. Como economista, sinceramente não entendo.

Também fica claro que a emissora do Jardim Botânico, em combinação com a Confederação Brasileira de Futebol, empenhou-se em manter a qualquer custo o monopólio televisivo do futebol no país. Com o modelo determninado pelo Clube dos 13 em acordo com as determinações do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a Globo não conseguiria vencer em todas as frentes e, muito provavelmente, perderia o direito para a tv aberta. Em português claro, ela e a CBF "melaram o jogo" quando perceberam que perderiam. E eu avisei isso no Ouro de Tolo.

Pelo menos de acordo com os detalhes fornecidos à imprensa, os contratos individuais assinados com os clubes dão à Globo poder total sobre o campeonato, além do completo monopólio sobre as transmissões e as imagens. Em resumo, ela passa a ser a dona do futebol brasileiro.

Resta saber o que o Cade acha disso, como órgão de defesa da concorrência.

Não se surpreenda, leitor, se os jogos noturnos passarem para as 22:45, como sinalizado em mais de uma ocasião pelo executivo chefe da companhia para esta área. E provavelmente voltaremos à fórmula de disputa denominada "mata-mata", o que a meu ver é um retrocesso tanto esportivo (o melhor clube do campeonato não será o campeão) quanto em termos de gestão - volta-se à perspectiva de haver clubes de férias em setembro, como ocorria anteriormente, o que arruina um bom planejamento financeiro.

Este ano já temos mudanças sutis na tabela de jogos determinadas pela televisão. A principal delas é o fato de termos jogos aos sábados, às 21 horas, para enfrentar a questão da limitação de "slots" disponíveis no pay per view.

Na verdade nem acho tão ruim este horário aos sábados - teoricamente poderia ser encarado como uma espécie de "pré balada", mas o público normal de futebol aos domingos certamente não irá neste horário.

Pelo menos no primeiro turno o Flamengo não foi "premiado" com nenhuma partida agendada para este horário, mas em compensação o clube somente fará uma única partida em um domingo (excetuando-se os clássicos) no Rio de Janeiro: contra o Corínthians. Todas as demais serão aos sábados.

Obviamente, a Globo não é a única culpada por este estado de coisas. A desunião e a falta de visão dos dirigentes dos clubes também tem grande parcela de responsabilidade neste monopólio absoluto que está se tornando o futebol brasileiro. No fim das contas, quem perde é o torcedor.

Vamos aguardar os desdobramentos da questão. Mas só tenho a lamentar a maneira pela qual os fatos se desenrolaram e o que se projeta para o futuro imediato do futebol brasileiro.

A propósito, por falar em futuro imediato e mudando de assunto, pedem-me uma opinião sobre a "novela" Adriano no Flamengo. Penso que o problema dele é muito mais de saúde que de falta de responsabilidade (pelo menos olhando de fora o que me parece é que ele desenvolveu um quadro de alcoolismo, que é uma doença), e que simplesmente rejeitá-lo não é a melhor solução.

A meu ver, o jogador deveria se internar em uma clínica e buscar tratamento contra a doença que, ao que parece, tem. Entretanto, como o imediatismo é um grave problema de nosso futebol, penso que pode-se oferecer um contrato de risco ao atleta e, concomitantemente, auxiliar na recuperação - com cláusulas que protejam o clube em caso de compostamentos incompatíveis com a imagem do Flamengo. Adriano com 50% de sua capacidade é melhor que qualquer atacante em atividade no futebol brasileiro hoje.

Entretanto, percebo que a questão se tornou ponto vital para o técnico rubro negro na afirmação de seu poder dentro do clube e, arrisco-me a dizer, de sua vaidade. Infelizmente este é o tipo de situação onde o radicalismo não é a melhor escolha - embora não signifique que eu seja a favor da saída dele, pelo contrário.
A única coisa certa, ao que parece, é que com estes horários de boate para os jogos o Engenhão (acima) continuará vazio...

P.S. - Ando meio afastado dos fóruns rubro-negros nos últimos tempos. Sendo bem sincero, e pedindo desculpas pelo mau termo, ando completamente sem paciência para este "onanismo contínuo e inacabado" que, em maioria, se tornaram os espaços. Às vezes, simplesmente torcer faz bem.

Texto I:
http://pedromigao.blogspot.com/2011/02/televisao-liga-de-clubes-e-o-brasileiro.html

Texto II:
http://pedromigao.blogspot.com/2011/02/televisao-liga-de-clubes-e-manobras-de.html

terça-feira, 22 de março de 2011

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos. Empate chocho, atuação apática, treinador mexendo mal e dando esporro pra disfarçar, cornetas inflamando, alguns veículos de comunicação insistindo em continuar alimentando a lengalenga Adriano. Esse é o nosso Flamengo, agitado, mesmo tranqüilo... Obama? Hã? Vem pra qual posição? Já joga domingo?

Ah, aproveito para dar os parabéns à turma das Laranjeiras. Virar freguês do Boavista de Bacaxá não é pra qualquer um.

Mas chega de lorota. Falei de corneta aí em cima. Essa semana, conto uma história de um sujeito que exacerbou seu flamenguismo de tal forma que transbordou inclusive os limites do que se convencionaria chamar de bom senso. Um louco. Mas um dos grandes da nossa riquíssima história. Boa leitura.

Bicampeão, na bola e na audácia

1943. Uma das poucas unanimidades no início da temporada é o amplo e ostensivo favoritismo do Flamengo para a conquista do título carioca. Com efeito, a equipe que ganhara o campeonato de 1942 agora está mais encorpada, mais madura (mais “encaixada”, como se diria nos dias de hoje). É verdade que não há mais o atacante Valido, que se aposentara para montar uma gráfica, mas o time dirigido por Flávio Costa continua uma verdadeira seleção, um dos melhores da história flamenga. Nomes como o goleiro Jurandir, os médios Biguá e Jaime, os atacantes Pirilo e Perácio, o grande ponta-esquerda Vevé (extremamente talentoso), e principalmente as estrelas Zizinho e Domingos da Guia formam a base de uma equipe fortíssima, quase impossível de ser batida. E, com a fase de transição vivida pelo Fluminense, o time ainda muito jovem do Vasco, as crises políticas do Botafogo e a irregularidade do América, poucos acreditam que o Flamengo deixará escapar a chance de conseguir o bicampeonato. A conquista, sem maiores dificuldades, de um Torneio Municipal disputado na pré-temporada reforça ainda mais essa impressão.

Começa o Carioca e o Flamengo já mostra as credenciais, ao passar por cima do Botafogo (4-1). Mais algumas vitórias e a liderança já sorri, aconchegante, para o rubro-negro (o campeonato é disputado em pontos corridos). Mas logo virão os percalços.

Tudo começa numa partida contra o América, em que o Flamengo, desconcentrado, atua mal e é derrotado (1-2). Contudo o pior não é o revés (o time segue na liderança), mas a perda do médio argentino Volante. Já veterano, Volante atua na faixa central, imediatamente à frente dos zagueiros, exibindo notável senso de marcação e cobertura. É o ponto de equilíbrio do sistema defensivo. Atua de forma tão característica e peculiar que seu nome virará símbolo da posição. Mas, ao se contundir na partida contra os rubros, Volante resolve, do alto de seus 33 anos, encerrar a carreira.

A perda de Volante é imediatamente sentida. O time perde harmonia, a elogiada linha defensiva do Flamengo se esfarela, jogadores como Artigas e o improvisado Quirino não são capazes de devolver o equilíbrio no meio-campo. O efeito logo se faz sentir no campo. Em cinco jogos, o rubro-negro empata quatro e vê a perigosa aproximação de Fluminense e do surpreendente São Cristóvão. O Flamengo parece prestes a perder o campeonato mais fácil de sua história. Algo precisa ser feito. Urgente. É então que surge o imponderável. Surge Ary Barroso.

Compositor de várias canções célebres, Ary é figura atuante no cenário artístico brasileiro. Mas é como locutor esportivo de rádio (“espíquer”) que Ary se torna conhecido, comentado, execrado e exaltado, quase uma celebridade. Ocorre que o autor de Aquarela do Brasil jamais esconde seu passional amor pelo Flamengo. E faz absoluta questão de deixar isso claro em suas transmissões. Narra as partidas rubro-negras como verdadeiras epopéias do “bem contra o mal”. Em ataques adversários, solta pérolas como “ai meu Deus, não quero nem ver!”, ou “a cidadela dos nossos heróis está em perigo”. Isso quando esses tipos de lance são narrados. Não é raro Ary largar o microfone diante de uma jogada inimiga e somente retomar a transmissão após o perigo ter passado, ou o pior ter acontecido. Irreverente e inovador, Ary sopra uma gaitinha de plástico, dessas de brinquedo, diante de um gol. Ao invés do tradicional grito (gooool), é a gaitinha firili-firiliu que irrompe nas transmissões. E se for gol do Flamengo, a gaita rebenta nervosa por um tempo interminável, apitando como um hino, anunciando ao mundo que o scratch rubro-negro acaba de assinalar mais um tento.

Mas a relação de Ary com o Flamengo transcende a prosaica figura do espíquer irreverente, amado e odiado. Ary participa ativamente do cotidiano do clube, freqüenta a sede, conhece dirigentes e conselheiros, opina ativamente na contratação de jogadores, inclusive no ar. Tornara-se célebre sua perseguição ao atacante Pirilo, contratado para substituir o polêmico Leônidas, negociado por conta de sua indisciplina indomável. Ocorre que Ary era fã incondicional do Diamante Negro, e não perde oportunidade para cornetar Pirilo. Não importa que Pirilo seja o artilheiro máximo do Flamengo, “se fosse Leônidas teria feito ainda mais gols”. A cisma, que se torna quase pessoal, só irá cessar algum tempo depois.

Preocupado, como todos os rubro-negros, com a queda de rendimento da equipe, Ary Barroso vai participar de um espetáculo no Paraguai. Lá, encontra-se com um amigo, e num momento de folga vai assistir a uma partida do campeonato local. Impressiona-se com o que vê em campo. Enlouquece com a atuação de um jovem médio, que se destaca dos demais de uma forma despudorada, até imoral. “O Flamengo precisando tanto de um médio, e esse sujeito aqui, esmerilhando a bola em campo. Não, algo precisa ser feito”. “É, o time deles topa vender, inclusive o Fluminense já andou sondando”. “De jeito nenhum, ele vai pro Flamengo. E é esse ano. Não, é agora. É já!

Terminada a partida, Ary vai ter com o jogador, que se empolga com a ideia de atuar no Brasil. Apressado, interrompe a temporada de shows, aluga um tecoteco, põe o sujeito debaixo do braço e praticamente “seqüestra” o atleta. Cena de filme. Ao descer do avião, o paraguaio calça meião e chuteira e vai treinar. Tem Fla-Flu domingo, e o cabra já tem que ser escalado. É o homem que vai resolver o problema da meia-cancha. Senhoras e senhores, chegou Modesto Bría.

Enquanto a diretoria flamenga resolve, às pressas, com o Nacional-PAR a situação contratual de Bría, Ary insiste com Flávio Costa que o cara é bom, que joga bola, que é craque, que vai resolver o problema. O mau humor de Flávio (normalmente avesso a esse tipo de intervenção) logo se esvai ao primeiro contato de Bría com a bola. Os olhos do treinador brilham, as mãos se esfregam. Não é possível, Bría é ainda melhor que Volante. Marca tão bem quanto o argentino, mas possui técnica refinada, um passe primoroso e ainda chega à frente como homem surpresa. Mas isso é uma pérola, um diamante. O Flamengo, agora, está ainda mais forte que no início da temporada.

Com Bría em campo, o Flamengo transforma o que seria um final emocionante em um passeio no parque. É verdade que empata o Fla-Flu (2-2), mas a seguir começa o baile. Enfia 5-1 no Bonsucesso, depois vai a General Severiano e mói o Vasco dos jovens Ademir, Chico, Isaías & Cia, empurrando 6-2, SEIS a dois, no cruzmaltino, até hoje a maior surra flamenga aplicada no lombo vascaíno. Na última rodada, basta cumprir o protocolo com mais uma amassada, dessa vez 5-0 no Bangu. O Flamengo é o bicampeão carioca. Estava escrito. Estava cantado.

Modesto Bría formaria com Biguá e Jaime a mais famosa linha média da história do Flamengo, uma linha até hoje lembrada pelos mais velhos em suas histórias e escritos. Bría, após encerrar a carreira, iria se tornar treinador e mais tarde olheiro das divisões de base. O paraguaio jamais deixou de trabalhar no Flamengo.

E assim se completa a história do campeonato de 1943. Uma conquista que parecia vir tranqüila, sem maiores dissabores, mas, bem à maneira flamenga, ameaçou virar drama, e se resolveu de uma forma bizarra, emocional, pouco convencional, aos tropicões. Um campeonato bem à feição de uma das mais peculiares figuras da trajetória flamenga. Polêmico, irreverente, passional, louco, encrenqueiro, “homem da gaita”, Ary Barroso recebeu vários adjetivos ao longo de sua vida. Mas, talvez a alcunha que mais se encaixe ao perfil desse mirrado mineiro de Ubá seja desconcertante por sua simplicidade, e pela capacidade de tão bem defini-lo.

Ary Barroso era, antes de tudo, Flamengo.

segunda-feira, 21 de março de 2011

COLUNA DE SEGUNDA-FEIRA
Hermínio Correa



Negueba ontem se escondendo da bola

Empate em jogo sem graça.

Tudo bem que o Flamengo é o campeão da Taça Guanabara, já está nas finais do Estadual, só esperando o adversário das oitavas na Copa do Brasil depois de uma partida relativamente boa, objetiva, contra o Fortaleza.

Ótimo, continua invicto na temporada, com Ronaldinho evoluindo a cada partida.

Ainda vai aquela de que é comum no estadual que o time que ganha o primeiro turno acaba afrouxando no segundo.

Mas, convenhamos, o jogo contra o Cabofriense gerava tão pouca expectativa que ninguém foi ao estádio, e quem foi pelo jeito estava mais preocupado em levar o terceiro cartão amarelo para ganhar uma folga nesses próximos jogos chatos que ainda virão pela Taça Rio.

O Flamengo que vem ganhando sem convencer, e, apesar de seus lampejos de melhora, ontem não jogou nada. Foi um jogo chato, que acaba sendo desprezível buscar por grandes conclusões.

E o mesmo deveria ser feito caso tivesse ocorrido uma goleada. Ou estaríamos dizendo que Ronaldinho e Thiago Neves deveriam estar no banco?

Pois é. Confesso a vocês não estar disposto a tentar fazer grandes análises de um jogo em que a motivação não apareceu.

O pouco que aproveito foi ver Luxemburgo interessado na vitória. E também o fato de assumir a moleza do time, sem fazer comparações com o Barcelona na coletiva.

Fica pelo menos o sinal de alerta: Essa é aquela fase do campeonato que motivação deve se a palavra de ordem. E não tem como mais dar mole contra Madureira, Duque de Caxias, Botafogo e Macaé. Azar o deles.

Barack Obama: “Agora eu sou Mengão!”


Obama feliz com o Manto

Estava lendo algumas mensagens e opiniões pela internet e consegui ler algumas criticando a Patrícia pela entrega do Manto ao Presidente Americano.

É aquela coisa: quando se obtém sucesso, desmerecem. Agora se o cara recebe a camisa do Vasco antes da nossa, já começava a campanha “Fora Patrícia incompetente”, “Marketing inútil”, entre outras.

Fato é que ela conseguiu: Usou de sua criatividade, entregou o Manto ao Obama e fez o nome do Flamengo circular na mídia mundial.

Mais do que “vencer” uma pseudo disputa entre clubes – aliás, começo a gostar da idéia de que o Vasco também consiga entregar sua camisa e assim reavivar a tradição de eterno vice – torço para que executivos da JAC, SANSUNG, HYUNDAI ou seja lá de quem vai patrocinar o clube tenham socado vossas cabeças na parede, pensando: “Minha marca deveria estar ali”

Nossa parcela de culpa

Treino leve ontem nas Laranjeiras, apenas corrida em volta do gramado


Certamente algum leitor do blog, melhor conhecedor da história dos clubes, já soubesse. Eu confesso que descobri essa semana. Enfim...

O Fluminense é esse ninho de ratos por culpa do Flamengo.

É verdade. Quantas vezes não ouvi aquela de que “O Flamengo nasceu do Fluminense”. Nunca concordei, obviamente, mas não imaginava que na verdade é exatamente o contrário.

Se é que alguém não sabe, explico: Em 1901, Oscar Cox juntou uma equipe carioca para disputar duas partidas em São Paulo. Na viagem de volta, decidiram por fundar um clube de futebol, seria o Rio Football Club.

Então distribuíram convites para uma reunião a se realizar em 30 de Novembro de 1901. Já imaginando que isso poderia da “Fluminense”, obviamente ninguém foi e a cidade dormiu em paz naquela noite.

Em julho de 1902, Cox novamente levou amigos para dois amistosos em São Paulo. Obviamente foram duas derrotas.

Era o que faltava. Ficaram incomodados em ser apenas o “time que perdeu”, era um insulto, afinal o time que perde também tem direito a um nome, e decidiram que na volta ao Rio mandariam novos convites para uma reunião, com o objetivo de fundar o Fluminense.

Vinte pessoas compareceram, sendo estes os fundadores do clube. Mas um deles, malandro, estava lá com objetivos maiores. Em sua mente brilhante, sabia que precisaríamos de um rival para tripudiar por toda a história. E fez parte da tal reunião.

Foi assim que Virgílio Leite de Oliveira e Silva, então presidente do Grupo de Regatas do Flamengo, participa da reunião, anuncia Cox como primeiro presidente e assina a lista como um dos fundadores da Ratolândia.

Depois disso ele largou de sacanagem e foi cuidar de coisas maiores, presidindo o Flamengo em 1902, entre 1907 e 1911, em 1913 e 1915.

O resto é história...

Grande Abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!

Twitter: @herminio_correa