domingo, 30 de outubro de 2011
O preço da imbecilidade
Diante das circunstâncias de como todo esse processo do jogador ter assinado com o Flamengo se desenvolveu(até caixas de som botaram no gramado do Olímpico pra anunciar o craque) os gremistas se colocaram na posição de traídos pelo craque, que preferiu assinar com o clube de maior visibilidade e torcida do Brasil do que com o clube gaúcho.
Até aí tudo na maior normalidade se não fosse o clima hostil que tomou conta de Porto Alegre durante as ultimas semanas. A cidade está toda pichada com os dizeres: "R10 rato", "R10 sujo" entre outros adjetivos. Uma turma mandou confeccionar centenas de faixas com a palavra "$PILANTRA$" e está vendendo a R$ 5,00 com campanha na internet. Mas quando você acha que imbecilidade tem limite vem outra parte da torcida e inventa isso aqui. De acordo com o ótimo texto do amigo Adriano Lima integrantes de uma organizada fizeram uma bandeira com a frase: "Se beber não nade". Como o próprio texto explica o pai do Ronaldinho morreu tragicamente afogado na piscina da casa que o Grêmio deu de presente a familia Assis, e segundo consta estava alcoolizado.
Eu teria uma dezena de argumentos pra falar dessa turma que prefere cantar o hino do Rio Grande ao Nacional e que adora colar a bandeirinha do estado na traseira do carro mas não to afim de polemizar mais. Cabe apenas uma pergunta: essa imbecilidade toda, essa ignorância, ajuda em alguma coisa?
Os caras tão correndo um sério risco do Ronaldinho daqui a pouco entrar mais mordido do que nunca e massacrar a equipe gaúcha com requintes de crueldade, de fazer como o Galinho fazia, enfiar a faca e rodar.
O homem ta animado, como podemos observar no video abaixo.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Pule de Dez

Neymar é o jogador preferido das mulheres: pesquisa da Sport+Markt, que tem como clientes multinacionais e clubes, mostra que ele é hoje o queridinho de 28,8% delas. Em seguida vêm Ronaldinho Gaúcho (25,5%) e Kaká (4,6%). O santista desbancou o galã do Real Madrid, que em 2010 era o líder, com 19%. Ronaldinho lidera no público masculino (26%). A agência entrevistou 8.235 torcedores (5.764 homens e 2.471 mulheres). Fonte: Coluna Mônica Bergamo – Folha de São Paulo – 27/10/2011”
Talvez nem fosse preciso fazer uma pesquisa para identificar esses dados. Nas últimas convocações da seleção, ficou bastante claro que o carisma de R10 continua altíssimo, e a imagem de Neymar pedindo a ele que acenasse para o pai nas arquibancadas de Vila Belmiro ao fim daquele jogaço dos 5X4 eliminaria qualquer dúvida que ainda restasse.
Por outro lado basta entrar no site deles para aprender, logo na primeira linha, que “Maior empresa de marketing esportivo da América Latina, a Traffic atua também dentro das quatro linhas. Gerencia clubes no Brasil e nos Estados Unidos e lidera grupos de investidores na carreira de jovens jogadores.”
Já no Globoesporte GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro ficamos sabendo que:
“Clube mais popular do país, o Flamengo lidera também o ranking nos quesitos escolaridade e renda familiar mensal. Isto foi o que revelou a pesquisa "Datafolha" realizada entre os dias 14 e 18 de dezembro de 2009. Dos torcedores que declararam ter renda mensal superior a dez salários mínimos, 20% são rubro-negros. O segundo colocado é o Corinthians, que tem 14%. São Paulo e Palmeiras têm 10%.
Quando o assunto é escolaridade, o Flamengo também lidera entre os torcedores que têm ensino superior: 17%. O Corinthians tem 13%, e o São Paulo 11%. O Tricolor paulista, aliás, conseguiu seu maior percentual nesta faixa (ensino fundamental - 6% - e ensino médio - 9%).”
Somando tudo isso e usando a lógica a conclusão mais óbvia é que essa combinação Flamengo + R10 + Traffic deveria ser pule de dez em termos de sucesso mercadológico e retorno financeiro para os participantes, certo?
Quem puder que explique, então, onde é que essa maionese desandou. Porque essa preferência pelo R10 no Brasil, a expertise da Traffic em marketing e a popularidade e alto poder aquisitivo e escolaridade da torcida do Flamengo não produziram um case de sucesso pra ninguém ( exceto, talvez, para a família Assis ). De resto o Flamengo nem patrocinador master decente conseguiu, nenhuma grande campanha usando a imagem do craque foi lançada, não se aproveitou nem a incrível maré de bonança que vive a economia brasileira desde que o Flamengo o contratou e tampouco o altíssimo potencial que a Copa do Mundo e as Olimpíadas permitem, a quem saiba usar esses temas de forma adequada, foi capitalizado, pelo clube ou pela Traffic. Que acabou mudando de presidente, talvez exatamente por isso. Já d.Patrícia parece seguir firme e forte no colégio eleitoral da Gávea.
É muita zebra junta em um espaço de tempo limitado. O que mais assusta é que parece todo mundo acomodado nesse “mico” empresarial. O pior é que o Flamengo ganhou o carioca invicto e só. Saiu da Copa do Brasil de forma melancólica, saiu da Sulamericana de forma vexatória e vai dando mostras preocupantes de que não vai ter fôlego para o hepta. Talvez uma Libertadores como consolação. E a hype do tema R10 no Fla vai passando. Que desperdício.
Entrevista com Zico
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Flamengômetro 87 - O Exército de Brancaleone
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Calúnia do Rúbio Negrão
Saudações flamengas a todos.
A estranha campanha do Flamengo nesse final de Campeonato Brasileiro tem feito boa parte da torcida perder-se em pensamentos, dúvidas e questionamentos. O mau desempenho de alguns titulares aliado à promissora participação de alguns garotos (notadamente Muralha, Luís Antônio e agora Thomás) faz com que muita gente brade pelo aproveitamento imediato de todos os jovens. Eu concordo que esse time e esse esquema andam precisando de um sopro, sim. Mas é preciso ter calma, penso. Justamente por causa da pressa em subir esbaforidamente jogadores da base, muitos talentos foram perdidos precocemente. Guris que entraram aos poucos, renderam bem e por conta disso foram rapidamente alçados à condição de soluções. Sem estrutura física e emocional pronta, sumiram. Felipe Melo, Andrezinho, Bujica, Fabiano, Roger (goleiro) entre tantos outros.
Não sou contra o aproveitamento de jovens da base, muito pelo contrário. A essência flamenga passa por uma robusta usina de prospecção de garotos, meninos que aprendem desde cedo o que é padecer e desfrutar da penosa delícia de ser Flamengo. A questão é a necessidade de critério e calma para subir, no tempo certo, as revelações que surgem. E a consciência de que nem todo garoto promissor vai ser um craque incontestável.
Para ilustrar, trago uma interessante história ocorrida no auge da Era Zico. Boa leitura.
Estrela? Nem todos
1982. O Flamengo vive o auge de seu prestígio e de sua reputação. Melhor time do mundo, atual campeão de TODOS os troféus em disputa no cenário nacional e internacional, o rubro-negro se prepara pro clássico contra o Fluminense, pela Taça GB (vencerá por 3-0 num chocolate histórico, com direito a torcedor ajoelhado pedindo clemência a Zico). Enquanto isso, viaja a Assunção, onde derrota o Olimpia (2-0) em um amistoso atendendo a mais um dos inúmeros convites que surgem para assistir ao Campeão do Mundo. Enquanto isso, uma reportagem da Revista Placar chama a atenção: já estará sendo preparado o novo Zico?
Independente do improvável surgimento de um novo gênio como o Galinho, a matéria é ilustrativa, ao mostrar a força e a organização da gestão da base flamenga, onde luminares como Dida, Henrique, Silva e Carlinhos, todos ídolos rubro-negros, auxiliam na seleção e formação de talentos. Oito jovens, quase um time, são apontados como os mais promissores da safra, meninos que, avalia-se, terão plena condição de, no futuro, integrarem o elenco profissional do Flamengo. E mesmo de serem titulares. Mas os dias vindouros mostrarão que nem todos explodirão.
Um dos mais festejados é o centroavante Afrânio, muito habilidoso, indicado por ninguém menos que o próprio Sr. Antunes, pai de Zico. Outro jovem aguardado com certa expectativa é o meia China, dotado de boa capacidade de marcação. Mais um garoto bem recomendado é o meia-esquerda Adílson Heleno, jogador técnico, que cadencia o jogo e possui um chute extremamente forte. Mas nenhum desses terá vida longa no Flamengo. China e Adílson ainda terão certa projeção em centros menores (especialmente no Vitória-BA). Adilson conquistará a Copa do Brasil de 1989 pelo Grêmio, mas não conseguirá se firmar em nenhum clube.
Outro jovem muito aguardado é o atacante Wallace, garoto parrudo com boa presença de área e excelente poder de finalização, avalizado pelo seu próprio pai, Silva, um dos grandes goleadores flamengos dos anos 60. Wallace será lançado em 1986, fará algumas partidas pelo time principal, mas não resistirá à má fase da equipe na Taça Guanabara. Negociado, perambulará pelo país e pelo exterior até retornar ao Flamengo em 1994, em mais uma passagem apagada.
O meia Élder será um dos mais bem sucedidos. Versátil e capaz de ocupar espaços, fechar o meio e chegar com consistência à frente, Élder será aproveitado já em 1983 por Carlos Alberto Torres, sendo peça importante na conquista do tricampeonato brasileiro. Perderá espaço no segundo semestre em função do vendaval que assolará a Gávea após a venda de Zico, mas voltará a ser utilizado com frequência nos dois anos seguintes, até uma grave contusão abreviar sua trajetória no clube. Élder ainda atuará em outros centros (Cruzeiro, por exemplo), sem jamais repetir o excelente futebol do fulminante início de sua carreira.
Mas nenhuma decepção será mais emblemática que a do meia-atacante Gilmar, o Popoca. Camisa 10 de todos os times da base, em um determinado momento chega a chamar tal atenção que faz parte da torcida flamenga vir mais cedo ao estádio para vê-lo atuar. Técnico, muito habilidoso, dono de um arremate preciso e venenoso (primor em cobranças de falta), Gilmar rapidamente ganha projeção. É titular e principal jogador da Seleção Brasileira que conquista o Mundial de Juniores no México, em 1983. No ano seguinte, será o artilheiro e o melhor jogador das Olimpíadas em que o Brasil conquistará a medalha de prata. No Flamengo, é lançado com cuidado, participando bastante dos jogos da equipe em 1984, sem sofrer tanta pressão. E faz bons jogos. Mas em 1985, quando finalmente recebe a chance de envergar o sonhado Sacro Manto 10 Flamengo, suas atuações começam a decair. Surgem os primeiros muxoxos, as primeiras vaias. Com o retorno de Zico, volta ao banco. Zico se machuca, Gilmar volta a ser titular. Mas o encanto se quebra, Gilmar é um dos mais cobrados pelas opacas atuações de um time que não decola. E se apaga. O Popoca ainda permanecerá no Flamengo algum tempo, sempre como coadjuvante, até ser finalmente negociado e peregrinar por Ponte Preta, Botafogo, São Paulo, sem jamais chegar ao patamar que seu refinado futebol prometia.
Caso curioso é o do atacante Gaúcho. Portentoso cabeceador, boa posição de área, alguma velocidade e muita coragem, Gaúcho é apontado como o sucessor de Nunes. Ironicamente, terá trajetória idêntica à do João Danado. Será dispensado das divisões de base, explodirá em outro clube (Palmeiras) e acabará recontratado pelo Flamengo anos mais tarde, onde será ídolo, goleador e protagonista de várias conquistas, como o Brasileiro de 1992.
Por fim, para ilustrar como o futebol pode ser traiçoeiro às vezes, justamente o jogador visto com menos entusiasmo na matéria será o de mais sucesso. Garoto mirrado, franzino, muito técnico, um drible desconcertante, o menino é visto como talentoso, mas muito tímido e deficiente nas finalizações. Será trabalhado e lançado somente em 1986, mas sua ascensão será rápida. Deslocado para a ponta-esquerda, barrará o experiente Marquinho e não demorará para assumir o posto de titular, que não perderá mais. Surpreenderá a todos com sua personalidade e capacidade de entrega, sendo um dos pilares táticos de Carlinhos na conquista do tetracampeonato brasileiro de 1987. Ainda ganhará mais um Brasileiro, em 1992, já como um dos líderes do time. Copa do Brasil, Estaduais, o garoto
Enfim, o balanço das trajetórias dos jovens apresentados na matéria mostra que o saldo é positivo. Três desses sonhadores garotos chegaram ao título brasileiro pelo Flamengo, mais dois deles conseguiram ser titulares do clube e os demais não tiveram êxito. Não surgiu nenhum Zico, é verdade, e jamais surgirá.
Mas, se a cada safra de jovens, o Flamengo conseguir revelar um novo Zinho, o trabalho terá obtido êxito.
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
domingo, 23 de outubro de 2011
sábado, 22 de outubro de 2011
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Falta de cultura sul-americana explica fracassos do Flamengo
Andrade falhou, Zagallo também e nem mesmo Rogério conseguiu passar de LaU ou vencer uma Libertadores. Você pode culpar Vanderlei Luxemburgo, os jogadores, presidentes ou o seu comentarista favorito. A verdade é que o Flamengo em um passado recente só foi bem em uma única competição intercontinental: a extinta copa Mercosul (equivalente à sul-americana) com Carlinhos, Lê e cia.
Apenas um time pode ser campeão dessas competições e de todos os outros eliminados só o Flamengo segue uma rotina constante de eliminações vexaminosas. Viradas improváveis (em 2008), perda de vaga para times reservas (em 2009) e, eventuais crises de elenco (em 2007). Em todas essas derrotas o culpado era o técnico, o jogador-problema ou o(a) presidente. Mudaram todos os atores, mas o desfecho é sempre o mesmo.
Se a única constante é o Flamengo, é óbvio o que deve mudar. Tradição o clube teve apenas na era Zico, mas fora dela fracassou diversas vezes. É bem óbvio que há dificuldades para triunfar onde times como o Internacional acumularam diversas glórias em dez anos (nesse período o Flamengo conseguiu, finalmente, ultrapassar as oitavas de final da Libertadores o que não conseguia desde os anos 90).
Culpem o elenco, os jogadores, a torcida... A verdade é que falta ao Flamengo a noção do que são essas competições intercontinentais, como os seus times vêem esses jogos e até mesmo o funcionamento da arbitragem. Quantas dessas eliminações não foram marcadas por expulsões tolas? Se há clubes como o Boca e o Inter que sempre entram fortes nessas competições, alguma(s) coisa(s) fazem que as gestões rubro-negras não fizeram.
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Havia menos de dez mil pagantes no Engenhão para assistir LaU triunfar no Engenazzo. Fica a lição para a diretoria de que não adianta jogar em casa e abrir mão do fator torcida. Se é que essa diretoria ainda se importa com isso.
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Calúnia do Rúbio Negrão
Vai pra cima deles Mengo!!!!!
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terça-feira, 18 de outubro de 2011
Saudações flamengas a todos.
Tendo conquistado 10 dos últimos 12 pontos em disputa, o Flamengo entrou novamente na briga pelo título, exatamente na reta final. Mas a difícil tabela e o futebol, digamos, pragmático apresentado pelo time de Luxemburgo ainda não empolgam. Ademais, contra o imprevisível Santos de Neymar, não teremos nossas estrelas maiores. Mas isso pode ser bom.
Uma olhada rápida, mesmo que desatenta, na trajetória flamenga mostra que esse é o tipo de jogo em que o rubro-negro cresce e ganha força. Exemplos há aos cachos. Evidentemente, essa tradiçao por si só não garante nada, e pensar que a história vai fazer o trabalho sozinha não é o pensamento mais adequado. De qualquer forma, tenho certeza absoluta que no próximo domingo poderá faltar muita coisa em campo. Mas em nenhum momento sentiremos falta da luta e da entrega que tanto fazem o Flamengo peculiar.
Como aperitivo, deixo um texto sobre um dia em que o próprio Santos sentiu o que é enfrentar um Flamengo inferiorizado e mordido. Boa leitura.
O Flamengo em Luvas
2005. O Flamengo vive o auge dos anos de chumbo, um dos piores momentos de sua história. Falido, quebrado e sem um time que sequer se aproxime de algo que lembre sua envergadura histórica, o rubro-negro vai colhendo resultados impensáveis até para o mais pessimista de seus torcedores. Faz um Estadual grotesco, onde chega a ser goleado e sucessivamente derrotado por equipes de aluguel, diante de um Maracanã atônito. Treinadores, como o despreparado Júlio César Leal e o intransigente Cuca, são dizimados como moscas por uma diretoria perdida, aparvalhada e sem nenhuma perspectiva de melhoria a curto prazo. Para o Campeonato Brasileiro que já se inicia, a única meta é manter um resto de dignidade.
E, sob o rígido comando do gaúcho Celso Roth, o início flamengo até surpreende. Roth monta um esquema compatível com a pobreza técnica de seu elenco, faz o Flamengo praticar um futebol indigente, mas de certa forma eficiente. E consegue juntar um empate (1-1) no Maracanã contra o forte Cruzeiro, vence o Figueirense (1-0) em Florianópolis e é derrotado (0-1) pelo Internacional no Beira-Rio. Uma campanha modesta, que não anima, mas que projeta a equipe para o meio da tabela, mediocridade que flui como um bálsamo para uma Nação sofrida e descrente. As cassandras, sempre presentes para banhar-se nos despojos, apontam, risonhas: vem aí o Santos de Robinho.
O Santos inicia o Brasileiro de forma arrasadora. Três jogos, três vitórias, liderança absoluta e o melhor futebol da competição. O treinador Alexandre Gallo (que substitui Oswaldo de Oliveira, de fraca passagem) monta um time coeso, liderado pelos experientes Ricardinho, Deivid e Léo. Ainda se reforça com a contratação do goleiro Henao, sensação do Once Caldas campeão da Libertadores-04. Mas a grande estrela é mesmo Robinho, que vive o auge da carreira e está de partida para o Real Madrid. O time é considerado amplo favorito para o confronto contra o Flamengo. Há quem fale em goleada.
Celso Roth, consciente das severas limitações do time, monta um sistema de jogo fundamentado numa retranca insana, com três zagueiros (Henrique, Rodrigo Arroz e Fabiano) e dois volantes (Da Silva e Jônatas). A armação fica a cargo do jovem Fellype Gabriel. O garoto China e o recém-contratado Renato Abreu (uma das poucas boas surpresas da temporada) são os alas. Na frente, o já contestado Obina irá formar dupla com Jean, que estreia após ser emprestado pelo Cruzeiro. No gol, o promissor Diego vem sendo elogiado, apesar de mostrar uma preocupante irregularidade. É essa a equipe que o Flamengo prepara para mandar a campo. Aliás, campo novo. Com o (enésimo) fechamento do Maracanã para obras, é erguida uma Arena na Ilha do Governador, parceria com o Botafogo e a Petrobras. E o estádio está pronto para uso. E será aberto pela primeira vez ao público.
Desconfiada, a torcida flamenga não enche o novo estádio, mas comparece em número razoável. E canta a plenos pulmões, criando um clima positivo para o jogo que irá iniciar no final da tarde. Na verdade, muita gente na Gávea anda mordida com algumas manchetes de jornais paulistas (e mesmo cariocas) exaltando em excesso o time de Robinho e ignorando solenemente o time flamengo. E juram briga até o final.
Contrariando as expectativas, o Flamengo inicia o jogo avançando suas linhas e buscando o gol. Assanhado e surpreso com os berros de sua Nação, o time vai pra dentro do Santos e busca imprimir velocidade. Erra muito, mas não nega luta a seu torcedor. Morde, ganha todas as bolas. Com apenas dois minutos, Jean cruza e Obina, de cabeça, quase abre o placar. Logo depois, Renato bate escanteio e Henao salva com um tapinha que tira a bola da cabeça de Jean. O Flamengo exerce uma pressão sufocante e absurdamente surpreendente.
Mas o Santos tem mais futebol. Aos poucos e calmamente, seus jogadores vão encontrando seus espaços, e não é difícil acertar a marcação diante da aridez de talento nas fileiras rubro-negras. O volante Da Silva é capaz de passar rodadas inteiras sem acertar um passe, Fellype Gabriel e Jean oferecem muita disposição mas parecem correr, e correr, e correr em vão, Obina já começa a ficar isolado na frente, o lateral China mostra muita regularidade, defendendo e atacando de forma igualmente ineficaz, Renato está nitidamente deslocado e fora de função, e os inseguros zagueiros revezam-se na distribuição de faltas e chutões a esmo. O Santos apenas mantém a posse de bola, buscando irritar o time da casa e encaixar um contragolpe que defina a partida.
Num desses contragolpes, Bovio entra riscando pela intermediária flamenga e lança Deivid, que está inteiramente livre e fuzila, uma chance cristalina de gol. Mas Diego faz uma defesa espetacular, manda a escanteio e arranca aplausos do estádio. O primeiro tempo acaba sob os gritos de “Diego, Diego.”
Segundo tempo, a partida se torna mais aberta. O Santos deixa de lado a postura passiva e vem pra matar o jogo. Mas o Flamengo tenta repetir a pressão inicial. Fellype Gabriel faz boa jogada e lança Obina, que manda um míssil, interceptado com extrema dificuldade por Henao.
Animado, o Flamengo vai pra cima e abre o time. Demais. É o erro, a deixa que o Santos tanto espera. Robinho arruma espaço, deixa Rodrigo Arroz e Fabiano pra trás e serve Deivid, que está livre e apenas empurra pro gol. Santos 1-0, aos 9'. Parece que vai começar o espetáculo.
Desorientado, o Flamengo corre nervoso e à toa. E abre rombos, avenidas, crateras. Agora a bola é esticada para Deivid, que ganha na corrida, invade a área e vai marcar o segundo. Mas Diego faz defesa sensacional. A bola volta pra Deivid, que chuta de novo. Outra grande defesa de Diego. Uma aura diferente começa a pairar sobre o goleiro flamengo.
O estádio começa a esboçar os primeiros muxoxos, o Santos domina amplamente a partida. Numa rara trama pelo meio, alguém encontra Obina vindo buscar jogo. O baiano se reta e resolve tentar definir o lance sozinho. Passa por um zagueiro e manda a bomba, de longe. O projétil uiva na frente de Henao e explode na gaveta, indefensável, preciso, mortal. O Flamengo empata e enlouquece o jogo.
Agora Gallo mexe no time santista, abre a equipe. O Santos vem pro embate direto. E começa o bombardeio. Fabiano vem pela direita, entra na área e manda pro gol, Diego voa e agarra a bola de forma inacreditável e sobrenatural. A torcida sente a presença de São Judas Tadeu no estádio, ele está ali, materializado nas luvas de Diego. O bastião inexpugnável de Nelson Rodrigues começa a se corporificar na frágil figura de Diego. Ricardinho cobra falta preciso, de curva, forte, no canto. Diego espalma, outra fulgurante defesa. Cada intervenção de Diego levanta todo um país, que não tira os olhos do campo, da TV, do rádio. Ricardinho encontra Deivid completamente solto e à vontade na área, Deivid capricha e manda um balaço no ângulo, o intransponível Diego espalma, córner. Ninguém consegue crer no que está diante de seus olhos. A invencibilidade de um goleiro, algo só possível em contos infantis, aparece ali, numa partida de futebol profissional. Ninguém e nada, absolutamente nada, vazará Diego nessa tarde-noite.
O desfecho se aproxima. Jean arranca pelo meio da defesa santista e rola para Jônatas, que desloca Henao e manda pra rede, já aos 41'. Numa sensação de torpor que não vive há muito tempo, a Nação enlouquece com a virada flamenga. Ainda canta, dança e grita, quando o Santos dá a saída, Robinho dribla e toca a Ricardinho, daí a Danilo, que dribla dois zagueiros e está na cara do gol, sozinho diante de um monstro. Diego arremessa-se aos pés do atacante e defende, mais uma vez de forma exuberante. E o Santos desiste. E o jogo termina. E o Flamengo vence. A sensação da mídia, o Super Santástico, é derrotado pelo bando molambo flamengo. 2-1.
2005 seguirá difícil, terminará dramático, pleno de humilhações, desilusões e uma miraculosa ressurreição que sinalizará novos tempos. Mas na memória do torcedor estará reservado sempre um carinhoso espaço para esse dia mágico, uma passagem em que, por um átimo em uma era negra, o Flamengo reviveu seus mais típicos e gloriosos dias, ignorando a pretensa grandeza rival e atirando-se à luta com a bravura e a coragem dos vencedores. E quando um Flamengo guerreiro se une com sua Nação, a força dessa comunhão se torna imbatível, invencível, sobrenatural. E todo e qualquer adversário treme e soçobra.
Assim mostraram, naquela tarde, as luvas de Diego.
YOUTUBE: FLAMENGO 2-1 SANTOS – Gol Obina, Defesas Diego

















