Para conhecimento da Magnética
sexta-feira, 29 de abril de 2011
COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André MonneratO adversário da decisão de domingo
O que dá pra falar do Vasco, freguês preferencial do Flamengo que tentará mudar a história dos últimos... quantos anos mesmo?
Depois de um começo de temporada muito ruim com um time treinado por PC Gusmão, com jogadores descontentes com o técnico e um esquema que contava com Carlos Alberto como homem-chave, o Vasco mudou muito para a Taça Rio. É outro treinador, outro esquema, outro elenco. Hoje, trata-sede uma equipe inconstante – até mesmo dentro de uma mesma partida, alterna momentos muito bons com momentos muito ruins -, ainda com diversos defeitos, mas já com recursos interessantes. Enquanto o Flamengo segue regular em seus resultados, mas sem nunca mostrar um futebol que realmente empolgue, o Vasco é o contrário: volta e meia tropeça ou leva mais sustos do que deveria, mas em seus melhores momentos mostra um jogo bem mais interessante de se ver do que o rubro-negro.
A dificuldade de manter por muito tempo o que dá certo
Taticamente, Ricardo Gomes tenta um esquema com marcação adiantada e as diversas linhas jogando próximas umas das outras – os volantes perto dos meias, os zagueiros perto dos volantes -, para diminuir o campo para o adversário e reduzir o espaço para ele trabalhar. Luxemburgo andou comparando há um tempo as suas opções com as do Barcelona atual, mas a comparação é mais válida para esta tentativa do técnico do Vasco. O time consegue seus melhores momentos quando consegue se encaixar neste esquema.
Mas a explicação da irregularidade do Vasco passa justamente pela dificuldade em manter esta marcação pressão por muito tempo, algo que pouquíssimas equipes no Mundo são capazes de fazer. E quando o esquema afrouxa, os defeitos defensivos do Vasco aparecem bastante. Os dois volantes – Rômulo e Felipe Bastos – não são exatamente cães de guarda, bem pelo contrário; funcionam quando o time está compacto e o espaço pro adversário fica naturalmente reduzido, mas quando as linhas se afastam e eles ficam mais expostos para marcar diretamente, a coisa se complica bastante. A zaga acaba ficando desprotegida e, justamente por isso, o Vasco foi o time grande a sofrer mais gols dos pequenos, mesmo na Taça Rio (foram 10 em seis jogos, uma média bastante alta).
Ofensivamente, quando o time está bem, consegue manter bastante a posse de bola e mostra um futebol interessante de se ver – mas chuta pouco a gol e, quando conclui, costuma perder muitos gols. Diego Souza, até agora, não achou seu lugar no campo e participa pouquíssimo das partidas. Por isso, a criação depende muito mesmo da movimentação de Éder Luís e, principalmente, dos passes imprevisíveis de Felipe.
Felipe
Felipe, pela importância neste time, merece uma análise à parte. Ao longo da carreira, muitos técnicos preferiram colocá-lo em funções onde seus dribles vistosos apareciam mais (de maneira pouco produtiva, muitas vezes) do que sua principal qualidade: a visão de jogo e a facilidade no passe vertical entre os defensores. Hoje não é o caso e ele tem atuado mesmo como o principal armador do time. Quando se aproxima dos atacantes, seu drible até se torna perigoso para abrir espaço na defesa do adversário – não para ele mesmo concluir, mas sim pra obrigar algum defensor a sair na cobertura e, neste momento, servir um companheiro que fique livre. Mas, em outros momentos, ele recua para buscar a bola na linha dos volantes e participar da saída da defesa. É quando costuma acontecer do volante adversário sair para acompanhá-lo e alguém se aproveitar exatamente deste espaço que se cria para receber o passe do próprio Felipe. É um movimento manjado e perigoso deste time do Vasco.
Mas Felipe, ao mesmo tempo em que é uma grande arma do Vasco, também acaba sendo uma fraqueza. Pela dependência que o time tem dele, basta anulá-lo para ter meio caminho andado, e ele hoje já não tem esta mobilidade toda para escapar de uma marcação mais pesada. Além disso, invariavelmente ele morre nos últimos 20 minutos de jogo. Nesta fase do jogo, Ricardo Gomes inicialmente o substituía por Jefferson, que agora nem no banco fica mais. Mas, convencido de que o nível não se mantém mesmo, ultimamente ele o tem deixado em campo até o fim. De qualquer forma, normalmente o rendimento do time cai e, pra melhorar, ele costuma contar com Bernardo, que tornou-se xodó da torcida e é mesmo bom jogador. Mas as características são bem diferentes – Bernardo é um meia ofensivo carregador de bola, perigoso perto do gol adversário, e não um passador e organizador de meio-campo – e Ricardo Gomes costuma colocá-lo não no lugar do próprio Felipe, mas mais à frente, tirando Diego Souza ou mesmo um dos atacantes.
Cuidado com Galhardo
Não sei se Léo Moura poderá jogar domingo. Mas, se Galhardo seguir no time, é bom que se tomem cuidados extras pelo seu lado, pois ele não foi bem na marcação em nenhum dos três últimos jogos. Ramon não joga o que os vascaínos achavam que ele joga já há muito tempo, mas é o lateral mais perigoso deles no apoio e joga por aquele setor. E se Ricardo Gomes for esperto e colocar Éder Luís pra usar sua velocidade por ali, pode criar muitos problemas.
O quanto pode pesar a sina dos vices?
A Maldição do Vice costuma sim ter peso nestas decisões contra o Vasco. Não diretamente pelos jogadores, que normalmente nem têm nada a ver com isso, mas pela torcida; os vascaínos costumam ir ao estádio nestes jogos já achando que vai dar merda (justificadamente...) e, na primeira dificuldade, começam a se desesperar e criar um clima ruim para o time no jogo. É claro que isso pode voltar a acontecer neste domingo.
Mas, desta vez, a torcida deles deve estar em mesmo número dos rubro-negros no Engenhão, graças à divisão de ingressos por setor, e o clima entre eles anda mais positivo. Estão animados com seu time, acreditando – ao contrário de várias das decisões anteriores – que são mesmo melhores. E ainda contribui para a “onda positiva” deles a notícia da volta de Juninho Pernambucano, que ajuda a criar um clima de otimismo para o futuro do time e do clube. Cabe ao Flamengo, durante o jogo, se impor e fazer voltarem às memórias deles todas as suas lembranças ruins destas últimas décadas.
Juninho Pernambucano
Aproveitando que falo do Vasco, um comentário rápido sobre a volta de Juninho Pernambucano.
É claro que Juninho poderia ter tido ainda mais “amor ao Vasco” e voltado antes de ir ganhar seu dinheiro no Oriente Médio. É claro que ele tem previstos prêmios por produtividade no contrato que podem ser bem grandes. Também parece que pode ter participação em possíveis receitas de marketing que se criem por sua volta.
Mas fato é que, garantido mesmo, ele só terá do Vasco 650 reais mensais. Quantos jogadores por aí que se dizem rubro-negros, tendo ou não passagens anteriores pelo clube, não vivem falando que “sonham em jogar no Flamengo”, mas se lamentam por “não ser possível”, “não conseguir viabilizar” e coisas do gênero? Vocês já imaginaram algum destes fazendo algo como Juninho está fazendo agora?
Não acho nem razoável que se peça isso de qualquer jogador por aí que se diga “Flamengo desde criancinha”. É o trabalho deles e ninguém pode exigir que outra pessoa resolva trabalhar de graça, ou perto disso. Mas que a atitude dele é maneira pra quem é vascaíno, isso é.
- ANDRÉ MONNERAT escreve também no SobreFlamengo (www.sobreflamengo.com.br e twitter.com/sobreflamengo)
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Até janeiro, tínhamos a última parcela do contrato master com a Batavo. Mas os salários de fevereiro ( venceram 25/03 ) e março ( venceram 25/04 ), devem se aproximar de R$ 9 milhões. De onde saiu essa grana? Tendo a acreditar que a Traffic pode estar adiantando o dinheiro ao Flamengo, por conta da procura interminável de um novo patrocinador principal. Se estiver, nada mais justo. Mas, a que custo? Estaremos vendendo a alma para comprar o sossego a curto prazo? Minha maior preocupação é com a molecada. Espero, na verdade rezo, para que não estejamos empenhando nosso futuro, que germina na base, nesses poucos meses de uma parceria cujos termos são desconhecidos, entre o Flamengo e a Traffic. O fato é que eles são profissionais e nós não. Nesse tipo de “sociedade”, com raras exceções, os “amadores” costumam levar a pior. Espero que haja aqui uma exceção. Mas não custa cobrar, para que os responsáveis fiquem espertos. O ideal seria que fosse totalmente transparente, mas isso seria pedir demais, né?
Obs: Comecei a escrever este Post na 3a feira cedo e, no fim da tarde, vi que o Antonio Paulo externou a mesma dúvida num comment. Ainda bem que não sou só eu que me preocupo.
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Vamos nos encaminhando para a metade do mandato da presidente Patrícia Amorim e nada do CT. É outra coisa para a qual foi prometida total transparência a partir da campanha dos tijolinhos e nada.
Entrei no site e olhei o Regulamento da campanha. O item 6.3 diz o seguinte: “O saldo da arrecadação dos recursos bem como sua atualização será auditado, que irá garantir a correção na aplicação destas. Todas as informações relevantes serão publicadas através do website www.flamengo.com.br para consulta por qualquer interessado” ( precisamos urgente de um revisor nos textos do site, hem? ). Talvez eu não tenha sabido procurar direito, mas não achei essas informações relevantes em lugar nenhum.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
“Ser flamenguista é muito bom.” (Wanderley Luxemburgo)
Saudações flamengas a todos.
Mantendo a lógica recente, o Flamengo mandou para o espaço o time de guerreiros de boutique, calando mais uma vez uma imprensa que já se ensaiava toda animadinha, na ânsia de eleger apressadamente um novo time queridinho. Oras, esse “supertime” do Fluminense passou o semestre inteirinho apanhando de bacaxás e fazendo vergonha na Libertadores, decepcionando em casa, fora, nos campos, casas ou construções. De repente, por obra de uma casualidade e de combinações interessantes de resultados (ano passado vivemos isso, não é?) se vê novamente na briga, consegue finalmente uma boa vitória e passa a ser tratado como um realmadrid, um manchester, recebendo numa bandeja de prata, com tapete vermelho e champanhe um favoritismo absoluto e unânime contra um adversário que, olha só, ainda está INVICTO, mero detalhe para vendedores de jornal e cronistas coloridinhos. Pois o Flamengo, com os contestados Alvim, Fernando, Wellinton e adjacências, tratou de colocar as coisas no seu devido lugar. Mas que os convivas do Mickey Mouse não se desesperem, afinal não vão ser eliminados pela LDU esse ano...
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Semana passada, o Simões Lopes publicou um Flamengômetro em que levantava uma questão bastante interessante: estaria o Ronaldinho Gaúcho se “bebetizando”?
Eu penso que o Bebeto poderia ter sido, em função de seu talento único, uma superestrela com o status de um Romário, um Ronaldo. De bola para isso ele dispunha, embora não fosse, a meu ver, propriamente um gênio. Mas, por conta de escolhas equivocadas em momentos específicos da carreira (a conturbada saída do Flamengo, o excessivo tempo de permanência no Deportivo, o melancólico pinga-pinga no final), sua trajetória não deslanchou.
Mesmo assim, e com todas as características citadas no post do Simões, com as quais eu concordo (o Bebeto nunca foi mesmo de chamar jogo ou microfone), há que se ressaltar que, mesmo assim, o baianinho foi protagonista de pelo menos quatro momentos cruciais para o Flamengo.
Foi decisivo nas Semifinais e na Final do Brasileiro-87, cintilou na Final do Estadual-86, marcando gol e enlouquecendo a torcida com uma série de embaixadinhas de cabeça (se repete isso hoje, haja patrulha...), foi o craque da sensacional Final da Taça Rio-86 com dois gols e foi o melhor em campo na decisão da Taça Guanabara-89, marcando um dos gols do título.
Ou seja, o Ronaldinho Gaúcho, com todo o seu nome, status e talento fantástico, ainda está no início da sua trajetória flamenga. De qualquer forma, já marcou gol decisivo em pouco tempo. Quem sabe se domingo não podemos ver o Dentuço fazendo gol e se juntando a Valido, Rondinelli ou Pet, por exemplo?
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Por fim, nessa semana decisiva em que o Flamengo está a 90 minutos de coroar uma justíssima conquista (foi, longe, o melhor time do campeonato, com todos os problemas), pontuo uma ironia que tenho reparado.
Quando o Flamengo trouxe Ronaldinho, Thiago Neves e mais alguns coadjuvantes, logo a presença do Luxemburgo e uma outra série de coincidências invocaram 1995. No entanto, o decorrer dos jogos vai mostrando que esse início de ano está mais parecido com outra temporada, justo a do ano seguinte, 1996. Naquela temporada, o Flamengo somente perdeu um mísero jogo em todo o primeiro semestre (pro Inter na Copa do Brasil, numa arbitragem desastrosa do esquecível Dacildo Mourão), foi campeão estadual invicto, e no segundo semestre foi vítima de certa supervalorização do elenco e do alucinante rodízio de jogadores que vigorava na Gávea.
De qualquer forma, estamos novamente vivendo situação análoga à de 1996. Naquele ano, o contexto era o seguinte: o Flamengo havia iniciado mal a temporada, com Joel Santana tendo dificuldades para encontrar uma formação que encaixasse Romário, Sávio, Amoroso junto a nomes como Márcio Costa e Ronaldão. Com problemas na lateral-esquerda, recorreu ao garoto Gilberto (irmão do Nélio, vindo do América), que estourou e foi a revelação da competição. Amoroso jamais se firmou, e passou todo o Estadual revezando posição com o jovem Iranildo. O volante argentino Mancuso era habilidoso e tinha bom passe, mas gostava de uma porrada. O irrequieto Marques e o talentoso Zé Maria (contratado às pressas) completavam o bom elenco.
O time iniciou a Taça GB ganhando jogos aos trancos, com viradas heróicas ou gols nos descontos, mas aos poucos foi se ajustando. O ponto alto era a afinada dupla de ataque formada por Sávio e Romário, que andava em forma exuberante, obcecado pela perspectiva de disputar as Olimpíadas. Ajudado pela má fase dos rivais (o Botafogo vivia forte crise interna, o Fluminense começara a desmontar o elenco do ano anterior e o Vasco também começava quase do zero, com um time totalmente novo), o Flamengo atropelou um a um, e até ganhou a Taça Guanabara com facilidade, ao bater o Vasco por 2-0. Na Taça Rio, o time começou a viver certo desgaste e acomodação, andou perdendo pontos bobos (vencia o Botafogo por 2-1, Romário quis fazer gol de toquinho sozinho com o goleiro, no contragolpe tomou o empate, aos 48 do segundo tempo), mas voltou à briga após uma épica vitória num Fla-Flu, 1-0 jogando com nove (gol do Marques). Na penúltima rodada, o Vasco conseguiu empatar em 0-0 com o Barreira de Bacaxá em São Januário, dando ao Flamengo a vantagem do empate no jogo final, o que seria decisivo.
A final foi tensa, nervosa. O Vasco jogou solto, como franco-atirador. Joel tirou o Flamengo de sua característica e recuou demais o time, que sofreu intensa pressão (bola na trave, Roger fechando o gol), e somente tomou as rédeas do jogo nos 20 minutos finais, quando o Vasco finalmente desanimou. E o Flamengo inclusive poderia ter vencido, não fosse um inacreditável impedimento de Iranildo marcado no último lance da partida.Mas, de qualquer forma, o 0-0 deu o título invicto ao melhor time do Estadual.
Que a história se repita no domingo.
Libertadores 81 - O dono da bola
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Desculpa, foi sem querer.
Neste dia, em 1982, vencemos o Grêmio no Olímpico por 1x0 e conquistamos o Bicampeonato Brasileiro.
Quando fazia gols contra seus rivais, Renato Gaúcho colocava o dedo na boca mandando a torcida se calar. Cansou de dizer “muitos dos meus apartamentos foram comprados graças aos bichos que ganhei nas vitórias sobre o Internacional”.
Edmundo fazia gols no Flamengo e dançava jocosamente após cada um deles. Dizia “essa mulambada não ganha da gente nem a pau”.
Viola imitava porcos, pescava e provocava seus adversários como podia. Vampeta inventou o apelido “Bambi”. Tudo isso no passado ficou.
Se hoje não temos jogadores do talento de um Renato ou um Edmundo, no campo da personalidade a coisa é bem diferente. Quer dizer, é pior e mais amplificada. Arrisco-me a dizer que há cota de jogador pensante por time. O resto é composto de robôs que só sabem dizer “professor”, “graças a Deus”, “sonho jogar na Ucrânia” e “com certeza”. Robôs esses programados pelos seus empresários antes de saírem de casa para os treinos.
O futebol está chato, isso não é novidade, mas desde que alguém resolveu transformar os campos em conventos, o esporte mudou mais do que quando proibiram os goleiros de segurarem a bola recuada com as mãos. O jogador faz aquele gol contra o maior rival aos 47 do segundo tempo e garante a vitória. Corre, tira a camisa e pula no alambrado pra explodir sua alegria. Toma cartão porque é proibido mostrar essa extrema felicidade. O outro faz um golaço, bota uma máscara dele mesmo e leva cartão. Uma máscara só por jogador, por favor.
Onde vamos parar? Não sou nenhum adepto da ideia de voltarmos aos tempo bárbaros, acho também que preciso passar um exemplo para a sociedade e os jogadores são um bom canal, se corretamente utilizados, mas transformar o futebol numa creche simplesmente não funciona! Os jogadores continuam fazendo as burradas (no sentido de desrespeitar a lei), continuam batendo mais nas canelas do que na bola e vão perdendo cada vez mais seus traços de personalidade – se é que já tinham algum. Quem perde com isso é o público, que cada vez mais critica e perde o encanto com o esporte. Se ao menos fossem craques ou inteligente com a bola...
Eu sei que o futebol no mundo civilizado é assim, e em outros esportes também, então a crítica é geral. Não digo que devemos liberar geral, anarquia, vamos virar carros e tacar fogo em ônibus. Não, não é isso. Acho que deveriam rever a regra e isso tem que partir dos jogadores. Eles NUNCA são escutados na hora de decidir uma bobagem nova e o jogo só existe por causa dos atletas! Que mal há em colocar uma máscara da própria cara na hora de comemorar um gol? O que pode trazer de errado uma mensagem “fiz esse gol por causa de Jesus, que me deu um passe açucarado” escrita na camisa? Ninguém vai começar uma Jihad por causa de um gol, ou vai?
Porém, os jogadores são como água e óleo. Não se misturam. É o mais autêntico cada um por si. Na hora do pagodinho, da festinha, do churrasco, é uma beleza. É um monte de jogador sem camisa junto em quarto de hotel brincando em webcam. Mas quando precisa discutir algo mais sério, seja regulamento esdrúxulo ou jogo ao meio dia para satisfazer televisão, o discurso é sempre o mesmo “se Deus quiser, estou aqui para jogar, com certeza”.
Os caras preferem falar besteira no twitter. Legal, colocam para fora, mas logo depois são cometidos por algum tipo de “peso na consciência” (ou recebem alguma ligação telefônica dando esporro) e pedem desculpas, apagam, ameaçam desligar as contas. Não é mais fácil aprender a pensar um pouco antes? Existe o que pode e o que não pode dizer em público. Se bem que eu não sei mais o que se encaixa na categoria do “pode”.
Chamar de Florminense não pode. Mostrar que é um completo analfabeto “em pró ao grupo” pode. Pegar uma mísera parte do morro de dinheiro que ganha por mês e pagar um professor particular para aprender a escrever e saber que faz frio e não tem feijão na Ucrânia não rola. Fazer tudo o que o empresário diz é o principal.
Não é só culpa das regras ou do politicamente correto que o futebol está chato. Começa pelos próprios jogadores mesmo. Dada a falta de educação básica que a maioria é acometida, somada à patrulha dos empresários que devem analisar até o papel higiênico nos banheiros, fica difícil esperar algo diferente mesmo. Vão sendo todos doutrinados até que chegará o dia que um jogador fará um gol e, de cabeça baixa, envergonhado, pedirá desculpas à torcida e time adversários.
COLUNA DE SEGUNDA FEIRA
HERMÍNIO CORREA
Aos trancos e barrancos
Olá pessoal,
Mais uma partida no sufoco. Tem sido assim, principalmente nessas últimas atuações, seja pela Taça Rio ou Copa do Brasil. Mais uma classificação obtida apenas na sofrida disputa por pênaltis. Mas esse é o atual Mengão que, mesmo sem o brilhantismo esperado, mesmo na base do aperto, segue despachando adversários e está a uma vitória do título estadual;
A atuação do Flamengo nesse clássico não deve ser vista apenas como mais uma partida em que suas já conhecidas dificuldades reapareceram. A meu ver, merece uma definição mais específica: Foi o clássico da superação.
Superação de quem carregou ao campo o peso da desconfiança, pelo péssimo resultado obtido contra o Horizonte na Copa do Brasil. Superação de quem perdeu a presença de Maldonado na marcação, de Ronaldinho na criação e de Léo Moura no apoio. Superação de quem saiu atrás no placar, contou com uma atuação espetacular de Felipe, impedindo um placar mais desfavorável principalmente em um primeiro tempo em que tivemos maiores dificuldades. Superação de Willians e Renato, que fizeram boa partida. Superação de quem no segundo tempo se organizou pelas modificações, foi atrás do resultado e saiu de campo contabilizando mais uma partida para sua série de invencibilidade nesta temporada.
Esse é o Flamengo. Que insiste em jogar menos do que pode, menos do que qualquer torcedor espera. Mas segue firme, a noventa minutos do título estadual.
Final da Taça Rio
É um novo clássico, bem diferente daquele disputado na Taça Guanabara. Além da importância da partida, dessa vez os momentos são bens diferentes, com o adversário estando melhor do que no início da temporada, com um futebol mais solto nesse segundo turno.
Em uma decisão, vários fatores podem ser decisivos, e um deles é o fator psicológico. Há anos o Vasco vem acumulando vices em disputas contra o Flamengo, o que pode gerar uma pressão extra para os lados de São Januário. Além disso, o adversário é que entra com a obrigação da vitória já que é essa sua única chance de impedir o título antecipado do Flamengo.
Já o Flamengo, precisará dar um tempo no estadual. Precisa focar primeiro em sua partida de quarta porque...
Copa do Brasil
... tem antes uma parada a resolver contra o Horizonte, pela Copa do Brasil. E lá no Ceará precisará da mesma dose de superação demonstrada no clássico de ontem, já que entra em campo na pressão, começa a partida desclassificado, caso persista o 0 a 0.
Novamente sem Ronaldinho e Léo Moura e com a obrigação de fazer gols.
Poucos poderiam apostar nisso, mas após superar o atual campeão Brasileiro, o Flamengo tem contra o Horizonte sua mais importante partida no ano até o momento.
É a grande prova de fogo do Flamengo na temporada. Jogo em que somente manter a invencibilidade, poderá ser pouco.
E convenhamos, respeitadas as rivalidades locais, a Copa do Brasil é o grande objetivo do clube nesse primeiro semestre. Se estamos a uma partida de mais um título estadual, um resultado positivo contra o Horizonte nos colocará a seis jogos da Libertadores 2012.
Comentário final
Ontem, no clássico Paranaense que decidiu o estadual, o zagueiro Manoel - do Atlético Paranaense - foi expulso de campo com sete minutos de jogo, após acertar o rosto do adversário em uma disputa de bola.
Isso, somado ao bom futebol do Coritiba, foram determinantes para o resultado de 0x3, dentro de casa.
E o que isso tem a ver com o Flamengo?
Manoel recebeu pelo menos duas sondagens do Flamengo, sendo uma no final de 2010, a segunda já no período de pré temporada. E desde então, o zagueiro não mais se acertou dentro de seu clube, ficou alguns jogos na reserva e parece ontem ter jogado por terra o clima necessário para sua permanência.
Em que pese as negociações com Juan, e se é que o interesse do Flamengo em Manoel persiste, a oportunidade é essa.
Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!
twitter: @herminio_correa
domingo, 24 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
VANDERLEI NO LIMITE
É realmente sui generis um time que chega a 23 jogos invicto maltratando e irritanto tanto a sua torcida. Vanderlei já está com seu futuro traçado por linhas muito bem definidas: só se manterá no Flamengo se ganhar o Carioca ou a Copa do Brasil, independente de ter culpa ou não, de estar certo ou errado, de ser competente ou incompetente. Parece que o bonde está sem freio, mas na direção errada. Com a pressão cada vez maior, maiores serão as chances de Ronaldinho ficar cada vez mais apagado, e já são 23 jogos sem uma formação definida, e sem o ajuste de suas peças em um todo equilibrado. Eu fico muito intrigado com o fato de que os jogadores dribladores estão distribuídos por todos os clubes do futebol brasileiro... menos no Flamengo. Aqui, ninguém, consegue dar mais que um drible, e geralmente na direção errada. As jogadas estão previsíveis: até mesmo uma das nossas maiores armas, as descidas do Léo Moura, ficaram mecânicas e inofensivas; ele roda pra cá, roda pra lá, e simplesmente joga a bola para o meio da área, sem sequer olhar para onde está jogando a bola. Nossa dupla de zaga é uma piada, parecem jogadores de totó. O William continua aparecendo na frente para exterminar nossas parcas chances de gol. O Flamengo se desarruma sempre que toma um gol e, de forma mais bizarra ainda, se desarruma também quando FAZ o gol. O jogo de quarta parecia tranquilo, fizemos 1x0, uma goleada parecia se desenhando. De repente, o atacante deles arranca com a bola, faz fila, e lá estamos nós com mais um empate. Para piorar nosso adversário ressurgiu das cinzas, e agora está de bem com a torcida e vai como favorito para a semifinal. O que talvez até seja bom, já que acaba com o clima de oba-oba que rondava o Flamengo. Bastou uma vitoriazinha suada contra o Botafogo, quando o time jogou mal, praticamente não passou do meio de campo o segundo tempo inteiro, mas deu sorte de chegar ao 2x0, para que o oba-oba recomeçasse.
Luxemburgo e seus comandados chegaram à seguinte situação: não são favoritos na semifinal, e se não ganharem o segundo turno, acho que não serão favoritos na final; conseguiram se complicar na Copa do Brasil antes mesmo de enfrentar um adversário de primeira divisão.
Só nos resta torcer que o Fla-Flu mantenha sua tradição de tantas vezes favorecer o adversário mais desacreditado, e para que o time desperte de sua sonolência e mostre que o Flamengo voltou a ser o Flamengo. Domingo, quatro horas da tarde, lá estarei eu, em frente à TV, torcendo pelo meu time, pelo técnico que critico, pelos jogadores que não gosto, e contra o meu próprio pessimismo.
quinta-feira, 21 de abril de 2011
ANTI-CLÍMAXMe perdoem os muito otimistas. Até ontem ainda dava para entender que alguns se sentissem incomodados com as críticas, afinal o time está na final do carioquinha, segue vivo na Copa do Brasil e, last but not least, continua invicto.
Mas depois desse jogo intragável, não é possível que ainda acreditem que estamos no caminho certo. Se alguém ainda acha isso, ou entende muito mais de futebol do que eu ou está se auto-enganando. Porque o time está claramente num processo de involução que está se acelerando. Estamos chegando a um estágio em que ninguém mais consegue jogar bem. E a tendência é piorar, porque não há nenhuma liderança nesse grupo, tipo a do Fábio Luciano. Eles estão, claramente, perdendo a confiança e o auto-controle. Acho que a cobrança do pênalti pelo R10 e o descontrole do TN ontem são exemplos disso. Pior, estamos em pleno processo de fritura dos garotos. O DM e o Negueba estão correndo sérios riscos de entrarem naquela fase de viniciuspachequização. A defesa vai afundando jogo a jogo e levando o futebol do Leo Moura junto. È visível que o Felipe está, a cada jogo, mais inseguro. Já-já vai fazer uma partida daquelas e cair na boca do povo.
Não consigo ver o trabalho do Luxa. Pelo contrário, a impressão que dá é que ele desarruma o esquema propositalmente. Das duas, uma: ou ele perdeu totalmente a mão ou está envolvido numa estratégia absolutamente incompreensível para o futuro do time neste resto de ano.
Domingo é uma prova de fogo. Ou bem estancamos essa queda livre e reiniciamos a decolagem ou vamos deixar claro que o time não tem futuro a curto prazo. Para um ano que começou com contratações do nível de R10 e TN é um anti-clímax e tanto.
quarta-feira, 20 de abril de 2011
terça-feira, 19 de abril de 2011
Também incomoda a dificuldade que o time vem tendo para fazer gols: em quase todos os jogos, o primeiro tempo termina em zero. Com tantas partidas, seria de se esperar uma evolução no time, que parece estagnado, amarrado, preso, dependendo de lampejos ou acertos esporádicos. O jogo com o Horizonte traz este perigo: um ataque estranhamente ineficiente contra um adversário desconhecido que será todo defesa. Como o Flamengo irá se portar? Vanderlei está conseguindo detectar os pontos fracos para consertá-los?
A queda no Flamengômetro é o resultado do acúmulo de empates, que acabaram baixando o aproveitamento. Os valores ainda são relativamente altos, 77%, mas a curva em descendente preocupa.
ps: leio agora que Luxa pretende escalar o time com Renato na esquerda, e Wanderley e Negueba no ataque. Uma formação interessante, espero que dê certo.
Por Vinicius Paiva
Seguem estatísticas de público e renda do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro-2011 até o presente momento, seguido por algumas colocações seu a respeito:
Fonte: http://www.fferj.com.br/Sitenovo/2008/Campeonatos2011/Carioca/Scoutcarioca.asp , e atualizações do colunista. Os dados referentes aos clubes pequenos foram atualizados até a penúltima rodada da Taça Rio.
Conclusões
1) Até o encerramento da fase de grupos da Taça Rio, ratifica-se a máxima do Flamengo como “trem-pagador do futebol carioca”. O clube teve arrecadação e média de público duas vezes superiores aos segundos colocados, além do maior ticket médio do torneio. No entanto, muito desta liderança se deve à estréia de Ronaldinho (numa partida com lotação máxima diante do Nova Iguaçu, no Engenhão), somada à final da Taça Guanabara – já que o Flamengo é o único dos grandes a ter jogado uma decisão. Não fossem estes elementos, suas médias de público e renda seriam absolutamente comparáveis às de Fluminense, Vasco e Botafogo. Ou seja, teríamos números sofríveis.
2) A média de público do Estadual - na casa dos 2 mil pagantes por jogo - é miserável e requer providências urgentes. Desde que foi abolido o esquema de troca de notas fiscais por ingressos, as médias despencaram. O bom desempenho dos clubes cariocas em torneios nacionais, nos últimos anos, contribui para um esvaziamento do Estadual – enxergado como “torneio menor”. Tudo isto torna injustificável um ticket médio na casa dos R$ 25 (no caso dos 4 grandes). Esta é a mesmo média de preços cobrados no Brasileirão, Libertadores e outros torneios bem mais importantes e chamativos. O Arbitral realizado pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro – antes do início do campeonato – é absolutamente insensível ao desconsiderar a baixa demanda e a menor propensão dos torcedores a frequentarem estádios contra equipes de pequeno porte. Não é tolerável que partidas como Flamengo x Madureira sejam jogadas com setores a R$ 40, conforme verificado nos últimos dois anos. Não por acaso, período do mais absoluto fiasco de público.
3) Ainda neste sentido, há algumas semanas foi publicado excelente estudo de Lucas Camargo no blog Olhar Crônico Esportivo: http://glo.bo/gm91ub. As conclusões – de que uma redução no número de clubes seria um benefício ao campeonato, elevando suas médias de público e sua atratividade – são irrefutáveis. Principalmente em tempos de Maracanã fechado, o que faz desabar a média de frequentadores ao estádio. Até porque, é líquido e cristalino que o Engenhão não caiu nas graças do torcedor do Rio de Janeiro. A verdade é que um torneio que nos últimos anos se sustentou pelo status de “mais charmoso do Brasil” joga pelo ralo sua imagem ao vender Brasil afora tantas partidas com estádios às moscas.
4) Apesar de todos os (muitos) defeitos do Carioca, resta claro que seu período deficitário terminou domingo. A partir de agora, a possibilidade de casa cheia em todos os jogos leva a expectativa de arrecadação a mais de R$ 1 milhão/jogo. Sendo assim, se vencer a Taça Rio e eliminar a necessidade de mais dois jogos, a arrecadação do Flamengo deve facilmente superar os R$ 6 milhões. Caso a Taça Rio tenha outro dono, as duas últimas e decisivas partidas devem levar a arrecadação dos jogos do rubro negro à casa dos R$ 9 milhões.
5) Uma pena que, se o período de vacas magras do Estadual se acabou, o mesmo não se pode dizer da Copa do Brasil. Dificilmente a partida de amanhã, contra o Horizonte-CE no Engenhão, supere os 10 mil pagantes.
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Segundo o Lancenet, o Flamengo receberá R$ 420 milhões por 4 anos da Globo (R$ 105 milhões/ano, em média), mas com um imediato adiantamento de R$ 44 milhões: http://bit.ly/dJFBw2. Ouso dizer que o Flamengo nunca viu tanto dinheiro de uma só vez em toda a sua história. Basta lembrar que até os idos de 2007, as receitas do clube eram inferiores a R$ 100 milhões. Este adiantamento representa cerca de 50% das receitas ANUAIS de poucos anos atrás.
Torno aqui a fazer um pedido à nossa digníssima presidente Patrícia Amorim: parcimônia, Patrícia. Não jogue este dinheiro fora com loucuras, contratações de impacto e coisas do gênero. Estes recursos não pertencem a você, pertencem a todos nós. Com R$ 14 milhões você certamente finalizaria um dos melhores Centros de Treinamento do Brasil, e ainda restariam vultosos R$ 30 milhões para pagamento de dívidas de curto prazo. Assim, nossas receitas deixariam de ser penhoradas, liberando recursos de patrocínio que estão por vir. E o clube veria sua dívida reduzida em 10%. Definitivamente, seria digno de uma estátua na Gávea...
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Saudações flamengas a todos. Seguindo sua tradição de se recusar a seguir roteiros lineares, o Flamengo terá à sua frente um Fla-Flu decisivo, pelas Semifinais da Taça Rio. Melhor assim. Esse time tem dado respostas mais interessantes em jogos teoricamente mais difíceis.
Mas antes tem Copa do Brasil. E essa semana deixo a segunda parte da história da conquista de 2006. A primeira parte está aqui. Na área em negrito, link para vídeo. Então, boa leitura.
Copa do Brasil 2006 – Parte II
A convincente vitória contra o ABC devolve à Gávea um ambiente de tranqüilidade e otimismo há muito tempo ausentes. Com efeito, apesar da fragilidade do adversário, a forma como o time se impôs na partida dá a todos a sensação de que o trabalho de Waldemar Lemos possui boas perspectivas de dar frutos. E nas Oitavas de Final o adversário será o tradicional Guarani, de Campinas.

O Bugre campineiro vive uma das mais caóticas fases de sua existência. Mergulhado em graves dificuldades financeiras, o time amarga o recente rebaixamento para a Segunda Divisão do futebol paulista. A equipe, recheada de juniores e jogadores inexpressivos, tem como principais nomes o veterano Zé Elias, ex-Corinthians, e o lateral-direito Mariano, que anos mais tarde irá se destacar no Fluminense. Fragilizado e em crise, o Guarani é o adversário ideal para um Flamengo que novamente se permite vislumbrar dias melhores.
E a torcida, percebendo o bom momento que se aproxima, comparece em bom número, 17 mil ao Maracanã, para a primeira partida. O time é basicamente o mesmo que venceu o ABC, tendo como novidade a volta de Diego Souza. Contundido, Ronaldo Angelim cede a vaga ao contestado Fernando, o lateral Juan segue barrado, e a revelação Vinícius Pacheco finalmente se firma no ataque. Mas nenhum desses jogadores, nem os elogiados Renato, Jônatas, Leonardo Moura e Luizão, será o nome mais comentado ao final da partida no Maracanã. O grande fato novo do primeiro semestre de 2006 estará sentado no banco, aguardando sua vez. Chegou a hora de Obina.

O baiano Obina volta a ser relacionado para o banco de reservas em função de uma contusão do Tigre Ramirez. Contratado em 2005, após explodir no Vitória (um dos principais artilheiros do Brasileiro-04), até começa bem no Flamengo, com bom número de gols (o mais importante nos 2-1 sobre o badalado Santos de Robinho), mas vai afundando diante da péssima fase da equipe. Para piorar, Obina se acomoda com o mau momento, engorda e seu futebol, que depende muito da forma física, some de vez. Fora de forma, suas limitações técnicas são ainda mais expostas, o que acentua a irritação da torcida, que o elege um dos culpados pela deprimente campanha no Brasileiro-05. É encostado e colocado fora dos planos. A Ponte Preta sonda, o negócio evolui, mas Joel Santana resolve apostar no baiano, colocando-o no banco. Vem o gol salvador contra o Paraná e o início da fama de predestinado. Mas em 2006, Obina segue preterido por Waldir Espinoza, e somente com a chegada de Waldemar Lemos o baiano volta a dispor de algumas oportunidades.

O Flamengo já vence o Guarani por 2-0, com gols de Luizão (em bela cabeçada) e Leonardo Moura (aproveitando bonito passe de Renato). Luizão sente mais uma de suas intermináveis contusões e sai de campo. É a vez de Obina, que dentro de campo assiste a Fernando cometer mais uma de suas pixotadas, permitindo ao Guarani reduzir a desvantagem. Mas é apenas um susto. Muito melhor e soberano em campo, o Flamengo continua apertando e chega ao terceiro gol com Renato, em uma devastadora cobrança de falta. Fim do primeiro tempo, Flamengo 3-1.
Na segunda etapa, o Flamengo continua apertando, quer resolver logo a classificação, o jogo está muito fácil. Cria chances, perde gols, vai desenhando a goleada diante de um adversário apático e entregue. É quando o imponderável, o inesperado, o inusitado resolve transformar aquela que seria apenas mais uma goleada num momento antológico, especial, esotérico até.
Nove minutos. O Flamengo evolui pelo lado direito do ataque, vem o cruzamento, bola à meia altura, sem muita força, em direção a Obina. O baiano arruma o corpo, a bola dócil se oferece, Obina está totalmente livre, empolga-se, inclina-se e prepara o voleio. O estádio se levanta, todos pressentem que a jogada nada terá de banal. Obina, o renegado, o rejeitado, o encostado, vai marcar de bicicleta, vai escrever com letras maiúsculas e douradas seu nome na história do sacrossanto templo Maracanã. Mas algo dá errado...

Às vezes é tênue a linha entre o divino e o picaresco, o mágico e o farsesco. O nirvana de Obina se esfuma quando as atrapalhadas pernas do baiano se embolam e a bola é duramente golpeada pela canela do camisa 18. Envergonhada, a pelota sobe, e sobe, e sobe, foge daquele momento constrangedor. A platéia resigna-se em muxoxos e risos. Mas o enredo ainda não termina. Exaurida pela força da gravidade, a bola volta ao campo de batalha e se torna objeto de uma luta de esbarrões, sopapos e empurrões, até ser novamente atingida por um cambaleante Obina, que se esbarra aos trambolhões fazendo a redonda seguir uma errática trajetória de fliperama até que, por um insondável desígnio místico, vai parar dentro do gol, muito a contragosto. Estupefata, a torcida não sabe como reagir, dado o inacreditável desfecho do lance. Até que explode em risadas e se põe a gritar o nome do intrépido Obina, de forma irônica. Mas a partir dali, exatamente daquele momento, irrompe o embrião de uma nova relação entre Obina e a Nação Flamenga, que nunca mais será a mesma. Surge o anti-herói, o Cantinflas, o novo Fio, a figura que irá, com seu carisma às avessas, reaproximar o Flamengo de sua Nação, numa relação de amor, rejeição, afeto e desprezo que irá durar alguns anos. No dia seguinte, nas semanas seguintes, nos meses seguintes, em cada boteco, cada esquina, a última do Obina será assunto de alguma roda de papo flamenga. Começa a surgir a figura do xodó. Tudo por conta do chapliniano lance do quarto gol flamengo.

O Flamengo ainda consegue mais um gol, numa bela jogada de Juan (que entrara na segunda etapa), que responde às vaias da torcida da melhor forma e começa a mostrar o futebol dos tempos do Fluminense. Com a vitória de 5-1, o rubro-negro viaja tranqüilo a Campinas para a partida de volta. Alterado por Waldemar, o time nitidamente se poupa, é derrotado (0-1) em partida de nível técnico sofrível, que poderia ter outro desfecho se a equipe contasse com um pouco mais de sorte (e vontade). Mas não importa, a vaga nas Quartas de Final está atingida.
Assim, a Copa do Brasil começa a afunilar, somente restam oito equipes. Além do Flamengo, seguem os tradicionais Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Santos, o azarão Volta Redonda e a grande surpresa da competição, o Ipatinga, que trucidou o Botafogo com dois chocolates (3-0 e 3-1). Além desses, o próximo adversário do rubro-negro é um velho conhecido, coadjuvante e freguês de inúmeras jornadas decisivas, das quais invariavelmente sai derrotado e atribui o insucesso aos mais criativos fatores, exceto ao mais óbvio, sua inferioridade diante do Flamengo.
Sim, o Atlético Mineiro está novamente no caminho.











