sexta-feira, 29 de abril de 2011

Para conhecimento da Magnética

Recebemos o e-mail do torcedor Ricardo (sócio OFF-RIO de Vitória) - preservo o sobrenome por respeito - na tarde desta quinta-feira. Uma atitude simples, que não deve ter custado mais do que um DDI, mas que deveria ter sido feito pelo clube.

Não. As always, um torcedor tomou a frente. Mas pouco importa a lerdeza do clube. O que vale é o que está escrito. As torcidas adversárias podem chorar. Aquele timeco que se diz rubro-negro, idem. Vão processar a Fifa. Quero rir um pouco...

Segue o e-mail do Ricardo, na íntegra.


Amigos,

Compartilho com vocês algo que fiz pelo flamengo esta semana e que muito me deixa satisfeito.

Entrei em contato com o diretor jurídico da CBF, Dr. Carlos Eugenio Lopes, e solicitei que a CBF atualizasse no site a lista dos campeões brasileiros desde 1959, incluindo nosso Mengao em 1987. Isto foi atualizado ontem à noite. Confiram:


De posse disso, preparei um ofício e enviei por fax a sede da FIFA na Suíça hoje às 5 da manhã, solicitando que atualizassem também seu site, reconhecendo os 6 títulos do Mengao. Pois às 13hs o conteúdo havia sido atualizado. Confiram aí:


Sentimento de dever cumprido total! Tudo pelo Mengão e agora que venha a taça das bolinhas...


E nada mais digo.

Eu no twitter: @alexsout e @alextriplex

COLUNA DE SEXTA-FEIRA - André Monnerat

O adversário da decisão de domingo
O que dá pra falar do Vasco, freguês preferencial do Flamengo que tentará mudar a história dos últimos... quantos anos mesmo?

Depois de um começo de temporada muito ruim com um time treinado por PC Gusmão, com jogadores descontentes com o técnico e um esquema que contava com Carlos Alberto como homem-chave, o Vasco mudou muito para a Taça Rio. É outro treinador, outro esquema, outro elenco. Hoje, trata-sede uma equipe inconstante – até mesmo dentro de uma mesma partida, alterna momentos muito bons com momentos muito ruins -, ainda com diversos defeitos, mas já com recursos interessantes. Enquanto o Flamengo segue regular em seus resultados, mas sem nunca mostrar um futebol que realmente empolgue, o Vasco é o contrário: volta e meia tropeça ou leva mais sustos do que deveria, mas em seus melhores momentos mostra um jogo bem mais interessante de se ver do que o rubro-negro.



A dificuldade de manter por muito tempo o que dá certo

Taticamente, Ricardo Gomes tenta um esquema com marcação adiantada e as diversas linhas jogando próximas umas das outras – os volantes perto dos meias, os zagueiros perto dos volantes -, para diminuir o campo para o adversário e reduzir o espaço para ele trabalhar. Luxemburgo andou comparando há um tempo as suas opções com as do Barcelona atual, mas a comparação é mais válida para esta tentativa do técnico do Vasco. O time consegue seus melhores momentos quando consegue se encaixar neste esquema.

Mas a explicação da irregularidade do Vasco passa justamente pela dificuldade em manter esta marcação pressão por muito tempo, algo que pouquíssimas equipes no Mundo são capazes de fazer. E quando o esquema afrouxa, os defeitos defensivos do Vasco aparecem bastante. Os dois volantes – Rômulo e Felipe Bastos – não são exatamente cães de guarda, bem pelo contrário; funcionam quando o time está compacto e o espaço pro adversário fica naturalmente reduzido, mas quando as linhas se afastam e eles ficam mais expostos para marcar diretamente, a coisa se complica bastante. A zaga acaba ficando desprotegida e, justamente por isso, o Vasco foi o time grande a sofrer mais gols dos pequenos, mesmo na Taça Rio (foram 10 em seis jogos, uma média bastante alta).

Ofensivamente, quando o time está bem, consegue manter bastante a posse de bola e mostra um futebol interessante de se ver – mas chuta pouco a gol e, quando conclui, costuma perder muitos gols. Diego Souza, até agora, não achou seu lugar no campo e participa pouquíssimo das partidas. Por isso, a criação depende muito mesmo da movimentação de Éder Luís e, principalmente, dos passes imprevisíveis de Felipe.


Felipe

Felipe, pela importância neste time, merece uma análise à parte. Ao longo da carreira, muitos técnicos preferiram colocá-lo em funções onde seus dribles vistosos apareciam mais (de maneira pouco produtiva, muitas vezes) do que sua principal qualidade: a visão de jogo e a facilidade no passe vertical entre os defensores. Hoje não é o caso e ele tem atuado mesmo como o principal armador do time. Quando se aproxima dos atacantes, seu drible até se torna perigoso para abrir espaço na defesa do adversário – não para ele mesmo concluir, mas sim pra obrigar algum defensor a sair na cobertura e, neste momento, servir um companheiro que fique livre. Mas, em outros momentos, ele recua para buscar a bola na linha dos volantes e participar da saída da defesa. É quando costuma acontecer do volante adversário sair para acompanhá-lo e alguém se aproveitar exatamente deste espaço que se cria para receber o passe do próprio Felipe. É um movimento manjado e perigoso deste time do Vasco.

Mas Felipe, ao mesmo tempo em que é uma grande arma do Vasco, também acaba sendo uma fraqueza. Pela dependência que o time tem dele, basta anulá-lo para ter meio caminho andado, e ele hoje já não tem esta mobilidade toda para escapar de uma marcação mais pesada. Além disso, invariavelmente ele morre nos últimos 20 minutos de jogo. Nesta fase do jogo, Ricardo Gomes inicialmente o substituía por Jefferson, que agora nem no banco fica mais. Mas, convencido de que o nível não se mantém mesmo, ultimamente ele o tem deixado em campo até o fim. De qualquer forma, normalmente o rendimento do time cai e, pra melhorar, ele costuma contar com Bernardo, que tornou-se xodó da torcida e é mesmo bom jogador. Mas as características são bem diferentes – Bernardo é um meia ofensivo carregador de bola, perigoso perto do gol adversário, e não um passador e organizador de meio-campo – e Ricardo Gomes costuma colocá-lo não no lugar do próprio Felipe, mas mais à frente, tirando Diego Souza ou mesmo um dos atacantes.



Cuidado com Galhardo

Não sei se Léo Moura poderá jogar domingo. Mas, se Galhardo seguir no time, é bom que se tomem cuidados extras pelo seu lado, pois ele não foi bem na marcação em nenhum dos três últimos jogos. Ramon não joga o que os vascaínos achavam que ele joga já há muito tempo, mas é o lateral mais perigoso deles no apoio e joga por aquele setor. E se Ricardo Gomes for esperto e colocar Éder Luís pra usar sua velocidade por ali, pode criar muitos problemas.


O quanto pode pesar a sina dos vices?

A Maldição do Vice costuma sim ter peso nestas decisões contra o Vasco. Não diretamente pelos jogadores, que normalmente nem têm nada a ver com isso, mas pela torcida; os vascaínos costumam ir ao estádio nestes jogos já achando que vai dar merda (justificadamente...) e, na primeira dificuldade, começam a se desesperar e criar um clima ruim para o time no jogo. É claro que isso pode voltar a acontecer neste domingo.

Mas, desta vez, a torcida deles deve estar em mesmo número dos rubro-negros no Engenhão, graças à divisão de ingressos por setor, e o clima entre eles anda mais positivo. Estão animados com seu time, acreditando – ao contrário de várias das decisões anteriores – que são mesmo melhores. E ainda contribui para a “onda positiva” deles a notícia da volta de Juninho Pernambucano, que ajuda a criar um clima de otimismo para o futuro do time e do clube. Cabe ao Flamengo, durante o jogo, se impor e fazer voltarem às memórias deles todas as suas lembranças ruins destas últimas décadas.



Juninho Pernambucano

Aproveitando que falo do Vasco, um comentário rápido sobre a volta de Juninho Pernambucano.

É claro que Juninho poderia ter tido ainda mais “amor ao Vasco” e voltado antes de ir ganhar seu dinheiro no Oriente Médio. É claro que ele tem previstos prêmios por produtividade no contrato que podem ser bem grandes. Também parece que pode ter participação em possíveis receitas de marketing que se criem por sua volta.

Mas fato é que, garantido mesmo, ele só terá do Vasco 650 reais mensais. Quantos jogadores por aí que se dizem rubro-negros, tendo ou não passagens anteriores pelo clube, não vivem falando que “sonham em jogar no Flamengo”, mas se lamentam por “não ser possível”, “não conseguir viabilizar” e coisas do gênero? Vocês já imaginaram algum destes fazendo algo como Juninho está fazendo agora?

Não acho nem razoável que se peça isso de qualquer jogador por aí que se diga “Flamengo desde criancinha”. É o trabalho deles e ninguém pode exigir que outra pessoa resolva trabalhar de graça, ou perto disso. Mas que a atitude dele é maneira pra quem é vascaíno, isso é.



- ANDRÉ MONNERAT escreve também no SobreFlamengo (www.sobreflamengo.com.br e twitter.com/sobreflamengo)

quinta-feira, 28 de abril de 2011

SOCIEDADE E TRANSPARÊNCIA


Tenho uma grande curiosidade para saber como o Flamengo está pagando uma Folha mensal que, segundo comentários aqui mesmo no BLOG, passa de R$ 4 milhões por mês.
Até janeiro, tínhamos a última parcela do contrato master com a Batavo. Mas os salários de fevereiro ( venceram 25/03 ) e março ( venceram 25/04 ), devem se aproximar de R$ 9 milhões. De onde saiu essa grana? Tendo a acreditar que a Traffic pode estar adiantando o dinheiro ao Flamengo, por conta da procura interminável de um novo patrocinador principal. Se estiver, nada mais justo. Mas, a que custo? Estaremos vendendo a alma para comprar o sossego a curto prazo? Minha maior preocupação é com a molecada. Espero, na verdade rezo, para que não estejamos empenhando nosso futuro, que germina na base, nesses poucos meses de uma parceria cujos termos são desconhecidos, entre o Flamengo e a Traffic. O fato é que eles são profissionais e nós não. Nesse tipo de “sociedade”, com raras exceções, os “amadores” costumam levar a pior. Espero que haja aqui uma exceção. Mas não custa cobrar, para que os responsáveis fiquem espertos. O ideal seria que fosse totalmente transparente, mas isso seria pedir demais, né?

Obs: Comecei a escrever este Post na 3a feira cedo e, no fim da tarde, vi que o Antonio Paulo externou a mesma dúvida num comment. Ainda bem que não sou só eu que me preocupo.

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Vamos nos encaminhando para a metade do mandato da presidente Patrícia Amorim e nada do CT. É outra coisa para a qual foi prometida total transparência a partir da campanha dos tijolinhos e nada.
Entrei no site e olhei o Regulamento da campanha. O item 6.3 diz o seguinte: “O saldo da arrecadação dos recursos bem como sua atualização será auditado, que irá garantir a correção na aplicação destas. Todas as informações relevantes serão publicadas através do website www.flamengo.com.br para consulta por qualquer interessado” ( precisamos urgente de um revisor nos textos do site, hem? ). Talvez eu não tenha sabido procurar direito, mas não achei essas informações relevantes em lugar nenhum.

Nesse jogo de volta contra o Horizonte me encheram os olhos as presenças simultâneas de 4 garotos da base em parte do tempo. Não temos visto isso há quanto tempo? Pois o Ninho do Urubu é nossa maior aposta para transformar isso em regra e não exceção. Só que precisa deixar de ser promessa e virar realidade. O que é que está “pegando”?

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Calúnia do Rúbio Negrão

Não tem mais bobo no futebol.

Os que concordam com essa afirmação, acham uma pena que também não tenha mais chinelinho, picareta, vampiro, traíra e mercenário no futebol, mas admitem que não ter mais bobo já é um progresso.

Para esses, eu simplesmente pergunto: “E boleiro que fica jogando PES no PlayStation o dia todo é o quê? Intelectual de esquerda?”

Baseados nisso, muitos asseguram que o dito popular “não tem mais bobo no futebol” é falso. Há bobos sim, e muitos, só que não são quem a gente pensa que são.

Contra o Horizonte, por exemplo, o bobo era pra ter sido o time cearense, mas quem desempenhou o papel, e com desenvoltura, foi o Flamengo. Os primeiros 5 minutos prometiam uma goleada história, tamanha a facilidade que o Mengão encontrava para chegar na cara assustada do goleiro horizonteiro. Quando marcamos o primeiro tento, na minha opinião já meio tardio, a surpresa foi a comemoração comedida e coletiva do Wonderley, o único cara no elenco que tem a vocação do gol.

Naquele momento, até pensei em ir adiantar o serviço para o dia seguinte: ver se as folhas estavam nascendo na árvore defronte à minha janela, se a lua estava se movendo, se o vento ventava, etc.

A decisão já estava quase tomada quando o David Braz tentou partir no meio o tal do Siloé, o Pipico dos caras. Penalidade máxima, burra, perébica e grosseira. Imediatamente tirei o dedo do botão da TV. O gol do Horizonte me pôs de volta ao jogo.

1 a 1, primeiro tempo acabando e os cearenses dando botes atabalhoados, porém sempre traiçoeiros. Apesar das bolas que mandamos nas traves adversárias, estou suficientemente tarimbado para saber que bola na trave não mexe em placar. Tenho menos medo de bolas na trave do que daquelas bolas vadias que vivem a pregar peças em clubes honestos e decentes.

O segundo tempo foi o que se viu: TN7 nervoso, tentando resolver sozinho, R10 não tentando resolver sozinho, a defesa levando um sufoco do Siloé (pra quem já sofreu nos pés de um tal de Anapolina, Siloé é um nominho pra lá de desgraçado!), e uma cera escandalosa dos horizontenses.

E o pior de tudo foi que nem deu pra culpar o Deivid.

Só que depois do Engenhazzo aplicado no FluminenC, tá tudo perdoado.

Eu sou um sentimental.


Duplex Toc Zen

1 - Férias forçadas: Na Roma, Adriano jogou apenas cinco vezes no campeonato italiano, ficou a maior parte do tempo na reserva, e teve o contrato rescindido. Depois, contratado pelo Corinthians, teria de perder 6 quilos para estrear. Só que se machucou, e agora ficará 5 meses de molho. Ou seja, tem caras que nascem virados pra lua .

2 - Forçadas e remuneradas!: Isso sem falar que a nova contusão ocorreu depois da assinatura do contrato com os gambás. Eu devo ser o único que não cobra pra não trabalhar...

3 - Vascã-ão-ão: O semestre não está perdido, porque, pelo menos, o vice tá garantido.

4 - Fla 5 x 4 Flu: Pensaram que pegariam outro Argentinos Juniors, mas pegaram os Brasileiros Seniors.

5 - Linha do tempo: Nos primeiros vexames, o Botafogo se limitava a ficar de mimimi. Nos fracassos seguintes, começou o chororô. Hoje em dia, parte direto pra porrada. Ou seja, esse clube não precisa de um bom técnico nem de bons jogadores. Esse clube precisa é de um bom psiquiatra.


6 - “Com a eliminação da Copa do Brasil, o Botafogo vai ficar mais de um mês sem jogar. Eliminado também do Carioca, o Glorioso terá que aguardar o Brasileiro para ter um jogo oficial. O Palmeiras, no dia 22 de maio, é o próximo adversário.” – Globo.com: Precisa gozar?

PRECISA SIM:


7 - Roubada?: Se o R10 não começar a jogar bola, serão 4 longos e dispendiosos anos... Prefiro não pensar que levamos um tombo do Assis.

8 - “Mercenas”: Se mecenas é quem banca artistas, homens de letras ou de ciências, “mercenas” é quem banca... mercenários! Se liga, Emerson, pra não abordar a pessoa errada.

9 - Emercenário ou não é?: Um cara que abre mão de ser o camisa 10 do atual campeão brasileiro para vestir uma 39 do Mengão merece ou não uma terceira chance?

24 - Melhor um time machista que bichista: Falando em numeração, visitem http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2011/01/flamengo-divulga-numeracao-oficial-para-temporada-2011.html e percebam como o número 24 foi sutilmente ignorado na numeração oficial para 2011...

11 - Invictus: Se jogando um futebol sem graça, burocrático e chato de assistir o Flamengo está invicto há tantos jogos, imaginem se e quando o time engrenar! É gol no Barcelona!

12 - O zagueirão Gustavo mostrando quem é: http://vodpod.com/watch/5810128-gustavo-boavista-v-fluminense. E o Roby Porto também, no falsete escandaloso. Roby Porto, quem diria...

13 - Pirataria inversa: Sexta-feira passada, foi postado um Triplex Top Ten por um tal de Alex do Triplex lá no Urublog. Considerei a sátira ao meu Duplex Toc Zen como uma homenagem. Mesmo assim, alerto os meus leitores: recusem originais!

14 - O Fluzão em uma palavra?: Créu.

Nada mais faço, bom jogo e SUADAções Rubro-negras a todos!


FLAMENGÔMETRO nº 49

BANDEIRÃO 1x1 BANDEIRINHA (nos pênaltis...)

Tudo parecia conspirar contra o Flamengo naquela tarde cinzenta: time em crise, ausência do principal jogador, enfrentar um adversário supermotivado em estado de graça, Fluminense, o "time da moda", uma espécie de "Restart do futebol brasileiro", contusão do capitão e jogador mais regular do time com poucos minutos, temporal, faltas de luz sucessivas e um gol sofrido de maneira ilegal, imoral, ilegítima e hedionda. Estávamos na lona, à espera do golpe de misericórdia. Mas veio o segundo tempo, e o Flamengo voltou diferente, e mesmo com todas as suas deficiências, foi para cima, buscou o jogo, imprensou os tricolores em seu campo, martelou até conseguir o gol e poderia ter virado se Diego Maurício após uma jogada sensacional não tivesse concluído de forma precipitada sem perceber que o Botinelli aparecia livre na pequena área. Logo depois, com coração na boca, assistimos ao jogador do Flu isolar uma chance escancarada de gol, e mais uma vez fomos para os pênaltis. Mais uma vez nosso goleiro brilhou, e apesar dos sustos de Renato e Thiago, chegamos a mais uma final de turno, mantendo a chance de liquidar o campeonato no próximo domingo. A invencibilidade continua, mas os problemas também, e agora nossa prioridade volta a ser a Copa do Brasil, quando teremos que buscar uma vitória (ou um empate com mais de um gol) para passarmos adiante. Como reagirá o time num campo apertado no interior cearense, contra um adversário que demonstrou ser tão enjoado aqui no Rio? O Flamengo de Luxemburgo é imprevisível. O que o futuro nos reserva? O Flamengômetro segue em queda, caindo para 73%, resultado do acúmulo de empates, mas o time mostrou espírito de luta, e é isso que o rubro-negro espera de seu time. Entrar com disposição e seriedade, encarnar a alma flamenga, que pode transformar piás em Júniores, maurinhos em Leandros, lês em Adílios e, porquê não? - wanderleys e diegos em Imperadores.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Alfarrábios do Melo

“Ser flamenguista é muito bom.” (Wanderley Luxemburgo)


Saudações flamengas a todos.

Mantendo a lógica recente, o Flamengo mandou para o espaço o time de guerreiros de boutique, calando mais uma vez uma imprensa que já se ensaiava toda animadinha, na ânsia de eleger apressadamente um novo time queridinho. Oras, esse “supertime” do Fluminense passou o semestre inteirinho apanhando de bacaxás e fazendo vergonha na Libertadores, decepcionando em casa, fora, nos campos, casas ou construções. De repente, por obra de uma casualidade e de combinações interessantes de resultados (ano passado vivemos isso, não é?) se vê novamente na briga, consegue finalmente uma boa vitória e passa a ser tratado como um realmadrid, um manchester, recebendo numa bandeja de prata, com tapete vermelho e champanhe um favoritismo absoluto e unânime contra um adversário que, olha só, ainda está INVICTO, mero detalhe para vendedores de jornal e cronistas coloridinhos. Pois o Flamengo, com os contestados Alvim, Fernando, Wellinton e adjacências, tratou de colocar as coisas no seu devido lugar. Mas que os convivas do Mickey Mouse não se desesperem, afinal não vão ser eliminados pela LDU esse ano...

* * *

Semana passada, o Simões Lopes publicou um Flamengômetro em que levantava uma questão bastante interessante: estaria o Ronaldinho Gaúcho se “bebetizando”?

Eu penso que o Bebeto poderia ter sido, em função de seu talento único, uma superestrela com o status de um Romário, um Ronaldo. De bola para isso ele dispunha, embora não fosse, a meu ver, propriamente um gênio. Mas, por conta de escolhas equivocadas em momentos específicos da carreira (a conturbada saída do Flamengo, o excessivo tempo de permanência no Deportivo, o melancólico pinga-pinga no final), sua trajetória não deslanchou.

Mesmo assim, e com todas as características citadas no post do Simões, com as quais eu concordo (o Bebeto nunca foi mesmo de chamar jogo ou microfone), há que se ressaltar que, mesmo assim, o baianinho foi protagonista de pelo menos quatro momentos cruciais para o Flamengo.

Foi decisivo nas Semifinais e na Final do Brasileiro-87, cintilou na Final do Estadual-86, marcando gol e enlouquecendo a torcida com uma série de embaixadinhas de cabeça (se repete isso hoje, haja patrulha...), foi o craque da sensacional Final da Taça Rio-86 com dois gols e foi o melhor em campo na decisão da Taça Guanabara-89, marcando um dos gols do título.

Ou seja, o Ronaldinho Gaúcho, com todo o seu nome, status e talento fantástico, ainda está no início da sua trajetória flamenga. De qualquer forma, já marcou gol decisivo em pouco tempo. Quem sabe se domingo não podemos ver o Dentuço fazendo gol e se juntando a Valido, Rondinelli ou Pet, por exemplo?

* * *

Por fim, nessa semana decisiva em que o Flamengo está a 90 minutos de coroar uma justíssima conquista (foi, longe, o melhor time do campeonato, com todos os problemas), pontuo uma ironia que tenho reparado.

Quando o Flamengo trouxe Ronaldinho, Thiago Neves e mais alguns coadjuvantes, logo a presença do Luxemburgo e uma outra série de coincidências invocaram 1995. No entanto, o decorrer dos jogos vai mostrando que esse início de ano está mais parecido com outra temporada, justo a do ano seguinte, 1996. Naquela temporada, o Flamengo somente perdeu um mísero jogo em todo o primeiro semestre (pro Inter na Copa do Brasil, numa arbitragem desastrosa do esquecível Dacildo Mourão), foi campeão estadual invicto, e no segundo semestre foi vítima de certa supervalorização do elenco e do alucinante rodízio de jogadores que vigorava na Gávea.

De qualquer forma, estamos novamente vivendo situação análoga à de 1996. Naquele ano, o contexto era o seguinte: o Flamengo havia iniciado mal a temporada, com Joel Santana tendo dificuldades para encontrar uma formação que encaixasse Romário, Sávio, Amoroso junto a nomes como Márcio Costa e Ronaldão. Com problemas na lateral-esquerda, recorreu ao garoto Gilberto (irmão do Nélio, vindo do América), que estourou e foi a revelação da competição. Amoroso jamais se firmou, e passou todo o Estadual revezando posição com o jovem Iranildo. O volante argentino Mancuso era habilidoso e tinha bom passe, mas gostava de uma porrada. O irrequieto Marques e o talentoso Zé Maria (contratado às pressas) completavam o bom elenco.

O time iniciou a Taça GB ganhando jogos aos trancos, com viradas heróicas ou gols nos descontos, mas aos poucos foi se ajustando. O ponto alto era a afinada dupla de ataque formada por Sávio e Romário, que andava em forma exuberante, obcecado pela perspectiva de disputar as Olimpíadas. Ajudado pela má fase dos rivais (o Botafogo vivia forte crise interna, o Fluminense começara a desmontar o elenco do ano anterior e o Vasco também começava quase do zero, com um time totalmente novo), o Flamengo atropelou um a um, e até ganhou a Taça Guanabara com facilidade, ao bater o Vasco por 2-0. Na Taça Rio, o time começou a viver certo desgaste e acomodação, andou perdendo pontos bobos (vencia o Botafogo por 2-1, Romário quis fazer gol de toquinho sozinho com o goleiro, no contragolpe tomou o empate, aos 48 do segundo tempo), mas voltou à briga após uma épica vitória num Fla-Flu, 1-0 jogando com nove (gol do Marques). Na penúltima rodada, o Vasco conseguiu empatar em 0-0 com o Barreira de Bacaxá em São Januário, dando ao Flamengo a vantagem do empate no jogo final, o que seria decisivo.

A final foi tensa, nervosa. O Vasco jogou solto, como franco-atirador. Joel tirou o Flamengo de sua característica e recuou demais o time, que sofreu intensa pressão (bola na trave, Roger fechando o gol), e somente tomou as rédeas do jogo nos 20 minutos finais, quando o Vasco finalmente desanimou. E o Flamengo inclusive poderia ter vencido, não fosse um inacreditável impedimento de Iranildo marcado no último lance da partida.Mas, de qualquer forma, o 0-0 deu o título invicto ao melhor time do Estadual.

Que a história se repita no domingo.

Libertadores 81 - O dono da bola

Numa ocasião como essa, vale a pena parafrasear Luciano : "Não há palavras para descrever (o gol de) Zico".

Passaremos horas, dias, meses e anos para achar a palavra certa. Eu nunca consegui, mas, ao mesmo tempo, acredito que Ele mereça a homenagem eterna. Ainda mais quando se fala do ano de 1981. O FlamengoNet agradece ao nosso craque maior, não somente por tudo, mas por ter respondido às perguntas.

1 - O ano de 81 representou o topo do mundo para o Flamengo. Em que momento (ou em que jogo) o elenco teve a certeza de que time algum seria capaz de "nos" tirar do caminho?

"Acho que aquele jogo no Serra Dourada contra o Atlético Mineiro foi o fiel da balança. Quem passasse ali teria grande possibilidade de conquistar o título, já que Flamengo e Atlético, sem dúvida, eram as 2 melhores equipes da América do Sul e a base da Seleção Brasileira".

2 - Quando Nunes fez o terceiro gol contra o Liverpool o que passou na sua cabeça?

"De que praticamente éramos os novos Campeões do Mundo. Seria muito difícil reverter aquela situação".

3 - De todos os adversários enfrentados em 81qual foi o mais difícil e por quais motivos?

"O Atlético Mineiro. Tinha um elenco maravilhoso."

4 - Dos seus gols em 81qual teve maior importância?

"O segundo de falta, contra o Cobreloa, na decisão em Montevidéu. Ali se consolidava o título da Libertadores."




Obrigado, mais uma vez, ao amigo Mário Cruz, rubro-negro de carteirinha, que nos ajudou nessa conversa com Deus.

E nada mais digo.

Eu no twitter: @alexsout e @alextriplex

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Desculpa, foi sem querer.

Neste dia, em 1982, vencemos o Grêmio no Olímpico por 1x0 e conquistamos o Bicampeonato Brasileiro.

Quando fazia gols contra seus rivais, Renato Gaúcho colocava o dedo na boca mandando a torcida se calar. Cansou de dizer “muitos dos meus apartamentos foram comprados graças aos bichos que ganhei nas vitórias sobre o Internacional”.

Edmundo fazia gols no Flamengo e dançava jocosamente após cada um deles. Dizia “essa mulambada não ganha da gente nem a pau”.

Viola imitava porcos, pescava e provocava seus adversários como podia. Vampeta inventou o apelido “Bambi”. Tudo isso no passado ficou.

Se hoje não temos jogadores do talento de um Renato ou um Edmundo, no campo da personalidade a coisa é bem diferente. Quer dizer, é pior e mais amplificada. Arrisco-me a dizer que há cota de jogador pensante por time. O resto é composto de robôs que só sabem dizer “professor”, “graças a Deus”, “sonho jogar na Ucrânia” e “com certeza”. Robôs esses programados pelos seus empresários antes de saírem de casa para os treinos.

O futebol está chato, isso não é novidade, mas desde que alguém resolveu transformar os campos em conventos, o esporte mudou mais do que quando proibiram os goleiros de segurarem a bola recuada com as mãos. O jogador faz aquele gol contra o maior rival aos 47 do segundo tempo e garante a vitória. Corre, tira a camisa e pula no alambrado pra explodir sua alegria. Toma cartão porque é proibido mostrar essa extrema felicidade. O outro faz um golaço, bota uma máscara dele mesmo e leva cartão. Uma máscara só por jogador, por favor.

Onde vamos parar? Não sou nenhum adepto da ideia de voltarmos aos tempo bárbaros, acho também que preciso passar um exemplo para a sociedade e os jogadores são um bom canal, se corretamente utilizados, mas transformar o futebol numa creche simplesmente não funciona! Os jogadores continuam fazendo as burradas (no sentido de desrespeitar a lei), continuam batendo mais nas canelas do que na bola e vão perdendo cada vez mais seus traços de personalidade – se é que já tinham algum. Quem perde com isso é o público, que cada vez mais critica e perde o encanto com o esporte. Se ao menos fossem craques ou inteligente com a bola...

Eu sei que o futebol no mundo civilizado é assim, e em outros esportes também, então a crítica é geral. Não digo que devemos liberar geral, anarquia, vamos virar carros e tacar fogo em ônibus. Não, não é isso. Acho que deveriam rever a regra e isso tem que partir dos jogadores. Eles NUNCA são escutados na hora de decidir uma bobagem nova e o jogo só existe por causa dos atletas! Que mal há em colocar uma máscara da própria cara na hora de comemorar um gol? O que pode trazer de errado uma mensagem “fiz esse gol por causa de Jesus, que me deu um passe açucarado” escrita na camisa? Ninguém vai começar uma Jihad por causa de um gol, ou vai?

Porém, os jogadores são como água e óleo. Não se misturam. É o mais autêntico cada um por si. Na hora do pagodinho, da festinha, do churrasco, é uma beleza. É um monte de jogador sem camisa junto em quarto de hotel brincando em webcam. Mas quando precisa discutir algo mais sério, seja regulamento esdrúxulo ou jogo ao meio dia para satisfazer televisão, o discurso é sempre o mesmo “se Deus quiser, estou aqui para jogar, com certeza”.

Os caras preferem falar besteira no twitter. Legal, colocam para fora, mas logo depois são cometidos por algum tipo de “peso na consciência” (ou recebem alguma ligação telefônica dando esporro) e pedem desculpas, apagam, ameaçam desligar as contas. Não é mais fácil aprender a pensar um pouco antes? Existe o que pode e o que não pode dizer em público. Se bem que eu não sei mais o que se encaixa na categoria do “pode”.

Chamar de Florminense não pode. Mostrar que é um completo analfabeto “em pró ao grupo” pode. Pegar uma mísera parte do morro de dinheiro que ganha por mês e pagar um professor particular para aprender a escrever e saber que faz frio e não tem feijão na Ucrânia não rola. Fazer tudo o que o empresário diz é o principal.

Não é só culpa das regras ou do politicamente correto que o futebol está chato. Começa pelos próprios jogadores mesmo. Dada a falta de educação básica que a maioria é acometida, somada à patrulha dos empresários que devem analisar até o papel higiênico nos banheiros, fica difícil esperar algo diferente mesmo. Vão sendo todos doutrinados até que chegará o dia que um jogador fará um gol e, de cabeça baixa, envergonhado, pedirá desculpas à torcida e time adversários.

COLUNA DE SEGUNDA FEIRA
HERMÍNIO CORREA

Aos trancos e barrancos

Olá pessoal,

Mais uma partida no sufoco. Tem sido assim, principalmente nessas últimas atuações, seja pela Taça Rio ou Copa do Brasil. Mais uma classificação obtida apenas na sofrida disputa por pênaltis. Mas esse é o atual Mengão que, mesmo sem o brilhantismo esperado, mesmo na base do aperto, segue despachando adversários e está a uma vitória do título estadual;

A atuação do Flamengo nesse clássico não deve ser vista apenas como mais uma partida em que suas já conhecidas dificuldades reapareceram. A meu ver, merece uma definição mais específica: Foi o clássico da superação.

Superação de quem carregou ao campo o peso da desconfiança, pelo péssimo resultado obtido contra o Horizonte na Copa do Brasil. Superação de quem perdeu a presença de Maldonado na marcação, de Ronaldinho na criação e de Léo Moura no apoio. Superação de quem saiu atrás no placar, contou com uma atuação espetacular de Felipe, impedindo um placar mais desfavorável principalmente em um primeiro tempo em que tivemos maiores dificuldades. Superação de Willians e Renato, que fizeram boa partida. Superação de quem no segundo tempo se organizou pelas modificações, foi atrás do resultado e saiu de campo contabilizando mais uma partida para sua série de invencibilidade nesta temporada.

Esse é o Flamengo. Que insiste em jogar menos do que pode, menos do que qualquer torcedor espera. Mas segue firme, a noventa minutos do título estadual.

Final da Taça Rio

É um novo clássico, bem diferente daquele disputado na Taça Guanabara. Além da importância da partida, dessa vez os momentos são bens diferentes, com o adversário estando melhor do que no início da temporada, com um futebol mais solto nesse segundo turno.

Em uma decisão, vários fatores podem ser decisivos, e um deles é o fator psicológico. Há anos o Vasco vem acumulando vices em disputas contra o Flamengo, o que pode gerar uma pressão extra para os lados de São Januário. Além disso, o adversário é que entra com a obrigação da vitória já que é essa sua única chance de impedir o título antecipado do Flamengo.

Já o Flamengo, precisará dar um tempo no estadual. Precisa focar primeiro em sua partida de quarta porque...

Copa do Brasil

... tem antes uma parada a resolver contra o Horizonte, pela Copa do Brasil. E lá no Ceará precisará da mesma dose de superação demonstrada no clássico de ontem, já que entra em campo na pressão, começa a partida desclassificado, caso persista o 0 a 0.

Novamente sem Ronaldinho e Léo Moura e com a obrigação de fazer gols.

Poucos poderiam apostar nisso, mas após superar o atual campeão Brasileiro, o Flamengo tem contra o Horizonte sua mais importante partida no ano até o momento.

É a grande prova de fogo do Flamengo na temporada. Jogo em que somente manter a invencibilidade, poderá ser pouco.

E convenhamos, respeitadas as rivalidades locais, a Copa do Brasil é o grande objetivo do clube nesse primeiro semestre. Se estamos a uma partida de mais um título estadual, um resultado positivo contra o Horizonte nos colocará a seis jogos da Libertadores 2012.

Comentário final

Ontem, no clássico Paranaense que decidiu o estadual, o zagueiro Manoel - do Atlético Paranaense - foi expulso de campo com sete minutos de jogo, após acertar o rosto do adversário em uma disputa de bola.

Isso, somado ao bom futebol do Coritiba, foram determinantes para o resultado de 0x3, dentro de casa.

E o que isso tem a ver com o Flamengo?

Manoel recebeu pelo menos duas sondagens do Flamengo, sendo uma no final de 2010, a segunda já no período de pré temporada. E desde então, o zagueiro não mais se acertou dentro de seu clube, ficou alguns jogos na reserva e parece ontem ter jogado por terra o clima necessário para sua permanência.

Em que pese as negociações com Juan, e se é que o interesse do Flamengo em Manoel persiste, a oportunidade é essa.

Grande abraço, até segunda e Saudações Rubro Negras, sempre!


twitter: @herminio_correa


domingo, 24 de abril de 2011

Uma frase, vários pensamentos


BONDE DA TROSOBA DO MENGÃO SEM FREIO VIOLENTA SISTEMA DIGESTIVO DO TIME DE GUERREIROS.

E nada mais digo.

sábado, 23 de abril de 2011



FLAMENGÔMETRO nº 48

VANDERLEI NO LIMITE

É realmente sui generis um time que chega a 23 jogos invicto maltratando e irritanto tanto a sua torcida. Vanderlei já está com seu futuro traçado por linhas muito bem definidas: só se manterá no Flamengo se ganhar o Carioca ou a Copa do Brasil, independente de ter culpa ou não, de estar certo ou errado, de ser competente ou incompetente. Parece que o bonde está sem freio, mas na direção errada. Com a pressão cada vez maior, maiores serão as chances de Ronaldinho ficar cada vez mais apagado, e já são 23 jogos sem uma formação definida, e sem o ajuste de suas peças em um todo equilibrado. Eu fico muito intrigado com o fato de que os jogadores dribladores estão distribuídos por todos os clubes do futebol brasileiro... menos no Flamengo. Aqui, ninguém, consegue dar mais que um drible, e geralmente na direção errada. As jogadas estão previsíveis: até mesmo uma das nossas maiores armas, as descidas do Léo Moura, ficaram mecânicas e inofensivas; ele roda pra cá, roda pra lá, e simplesmente joga a bola para o meio da área, sem sequer olhar para onde está jogando a bola. Nossa dupla de zaga é uma piada, parecem jogadores de totó. O William continua aparecendo na frente para exterminar nossas parcas chances de gol. O Flamengo se desarruma sempre que toma um gol e, de forma mais bizarra ainda, se desarruma também quando FAZ o gol. O jogo de quarta parecia tranquilo, fizemos 1x0, uma goleada parecia se desenhando. De repente, o atacante deles arranca com a bola, faz fila, e lá estamos nós com mais um empate. Para piorar nosso adversário ressurgiu das cinzas, e agora está de bem com a torcida e vai como favorito para a semifinal. O que talvez até seja bom, já que acaba com o clima de oba-oba que rondava o Flamengo. Bastou uma vitoriazinha suada contra o Botafogo, quando o time jogou mal, praticamente não passou do meio de campo o segundo tempo inteiro, mas deu sorte de chegar ao 2x0, para que o oba-oba recomeçasse.
Luxemburgo e seus comandados chegaram à seguinte situação: não são favoritos na semifinal, e se não ganharem o segundo turno, acho que não serão favoritos na final; conseguiram se complicar na Copa do Brasil antes mesmo de enfrentar um adversário de primeira divisão.
Só nos resta torcer que o Fla-Flu mantenha sua tradição de tantas vezes favorecer o adversário mais desacreditado, e para que o time desperte de sua sonolência e mostre que o Flamengo voltou a ser o Flamengo. Domingo, quatro horas da tarde, lá estarei eu, em frente à TV, torcendo pelo meu time, pelo técnico que critico, pelos jogadores que não gosto, e contra o meu próprio pessimismo.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ANTI-CLÍMAX

Me perdoem os muito otimistas. Até ontem ainda dava para entender que alguns se sentissem incomodados com as críticas, afinal o time está na final do carioquinha, segue vivo na Copa do Brasil e, last but not least, continua invicto.
Mas depois desse jogo intragável, não é possível que ainda acreditem que estamos no caminho certo. Se alguém ainda acha isso, ou entende muito mais de futebol do que eu ou está se auto-enganando. Porque o time está claramente num processo de involução que está se acelerando. Estamos chegando a um estágio em que ninguém mais consegue jogar bem. E a tendência é piorar, porque não há nenhuma liderança nesse grupo, tipo a do Fábio Luciano. Eles estão, claramente, perdendo a confiança e o auto-controle. Acho que a cobrança do pênalti pelo R10 e o descontrole do TN ontem são exemplos disso. Pior, estamos em pleno processo de fritura dos garotos. O DM e o Negueba estão correndo sérios riscos de entrarem naquela fase de viniciuspachequização. A defesa vai afundando jogo a jogo e levando o futebol do Leo Moura junto. È visível que o Felipe está, a cada jogo, mais inseguro. Já-já vai fazer uma partida daquelas e cair na boca do povo.
Não consigo ver o trabalho do Luxa. Pelo contrário, a impressão que dá é que ele desarruma o esquema propositalmente. Das duas, uma: ou ele perdeu totalmente a mão ou está envolvido numa estratégia absolutamente incompreensível para o futuro do time neste resto de ano.
Domingo é uma prova de fogo. Ou bem estancamos essa queda livre e reiniciamos a decolagem ou vamos deixar claro que o time não tem futuro a curto prazo. Para um ano que começou com contratações do nível de R10 e TN é um anti-clímax e tanto.

quarta-feira, 20 de abril de 2011


Calúnia do Rúbio Negrão

Tudo bem que o Cariocão ainda não tenha terminado oficialmente. Mas como qualquer pessoa de bom senso, que sabe o fim da história cada vez mais sem graça, não pretendo aborrecê-los com assuntos resolvidos. Deixemos esses temas secundários para os quinta-colunistas escrotivos que infestam rádios e TVs pelaí.

Rubro-negro que é rubro-negro está sempre à frente do seu tempo, e já está respirando os ares do Brasileirão que se aprochega. Portanto, a seguir, uma breve projeção das possibilidades do time grande e dos 3 times médios cariocas no certame:

O Bonde do Mengão ruma ao hepta a toda velocidade. Só precisa se lembrar de não passar do ponto, uma vez que está sem freio.

O Botafogo, não satisfeito com um time frágil, resolveu contratar um treinador à altura da equipe. Só não é um sério candidato ao rebaixamento porque aquilo ali não é coisa séria.

Já o Fluminense montou um belíssimo catadão de luxo que, aparentemente, já deu muito mais do que tinha que dar. Se é difícil conquistar o Brasileirão montando o time no decorrer da competição, imaginem desmontando!

Quanto ao Vasco, só posso ficar muito feliz por nosso corrimão, aliás, coirmão já estar conseguindo se impor sobre times das Séries B e C! Se continuar assim, acabará se tornando um verdadeiro “terror das empregadas”!

E antes que me acusem de esnobismo, esclareço que nada tenho contra as domésticas. Eu mesmo tenho uma.

(Esta introdução foi dedicada ao co-comentarista Jean, que elogiou o meu iniciozinho.)


Duplex Toc Zen

1 - Nossos cooirmãozinhos: O Cariocão, pelo menos, serviu para observar algumas revelações dos clubes de menor investimento do Rio de Janeiro. Contratá-los não será difícil em função das perspectivas nulas que têm atuando por suas equipes atuais. Dois bons jogadores de times pequenos que indico ao Mengão são o Thiago Galhardo do Bangu, e aquele Dedé do Vasco.

2 - “O numero 6 do toc zen é um ensinamento para toda humanidade!!” – J. Mario: Na Calúnia passada, o J. Mario se referiu à máxima “Não trabalho, e não cobro por isso”. Permitam-me explicar minha vã filosofia. Se não trabalho, não cobro. Afinal, se eu não trabalhasse e ainda cobrasse, que tipo de ser humano eu seria? Um deputado federal?

3 - De goles e goleadores: A vantagem de contratar um centroavante alcoólatra é a certeza de que ele sempre será chato, abusado e valente, inclusive dentro de campo.

4 - Nem na raça: O FluminenC só vai conseguir uma vaga na próxima fase da Libertadores se for pelo sistema de cotas para minorias.


5 - E outra: O FluminenC não arruma vaga na próxima fase da Liberta nem se esse Argentino, em vez de “Juniors”, fosse “Juniores”.

6 - Wonderley: Acredito piamente que se o Luxa efetivar o Wonderley durante o Brasileiro, ele será um dos artilheiros do campeonato, no melhor estilo Dimba, Souza, Washington e Josiel. Tem o perfil, até porque o único bonde realmente sem freio do elenco é ele.

7 - Falando nele...: Andam dizendo que o Wonderley é o talismã do Luxa. Injustiça. Pra mim, ele é bem mais que um simples pé de coelho. Do jeito que comemora os gols, ele é o próprio coelho.

8 - “Thiago Neves é um jogador comum, que vem jogando bem.” – Jorge Nunes: “Quando acabar, o maluco sou eu.” – Raul Seixas.

9 - “Eu sempre vou querer jogar.” – Renato Biônico, aliás, Atômico: “P#t@ M&rd*, tamos f*d%dos!” – Henrin.


13 - E o Botafogo ficou pra próxima...: ... Encarnação.

11 - Mais uma infâmia: “Só não sou um completo fracasso porque sou fortinho.” – RNT0. 

E nada mais faço.

terça-feira, 19 de abril de 2011






FLAMENGÔMETRO nº 47

NÃO À BEBETIZAÇÃO DE RONALDINHO

Não entendam isso como desdém em relação as grandes qualidades do nosso ex-ídolo Bebeto, seu talento para a artilharia, seu toque refinado, e seu comportamento impecável dentro e fora dos campos. Mas o bom baiano Bebeto padeceu durante toda sua carreira de um incômodo defeito que o atrapalhava muito: sua excessiva timidez e vulnerabilidade à pressão que levaram muitas vezes a um acomodamento e um certo descontrole emocional. Enquanto outros craques como Zico, Renato, Romário, e até mesmo Adriano chamavam a responsabilidade para si, mesmo quando não estavam bem, na base do "joga pra mim que eu resolvo", em Bebeto a responsabilidade era um peso grande demais, ele sumia, aceitava passivamente a marcação. Depois que quase três meses jogando com o Manto Sagrado, eu confesso que, temerosamente, começo a sentir uma certa "bebetização" no Ronaldinho - torço para estar enganado. Um gênio com o futebol que ele tem não pode abrir mão ser mais decisivo, mais eficiente, mais definidor - e não entendam isso como uma crítica precipitada ao pênalti perdido. Erros acontecem, o que me incomoda é que ele vem colocando seu potencial em prática. Para um jogador já veterano e experiente como ele, lidar com o pressão de ser o nº1 do time deveria ser algo corriqueiro.
Também incomoda a dificuldade que o time vem tendo para fazer gols: em quase todos os jogos, o primeiro tempo termina em zero. Com tantas partidas, seria de se esperar uma evolução no time, que parece estagnado, amarrado, preso, dependendo de lampejos ou acertos esporádicos. O jogo com o Horizonte traz este perigo: um ataque estranhamente ineficiente contra um adversário desconhecido que será todo defesa. Como o Flamengo irá se portar? Vanderlei está conseguindo detectar os pontos fracos para consertá-los?
A queda no Flamengômetro é o resultado do acúmulo de empates, que acabaram baixando o aproveitamento. Os valores ainda são relativamente altos, 77%, mas a curva em descendente preocupa.
ps: leio agora que Luxa pretende escalar o time com Renato na esquerda, e Wanderley e Negueba no ataque. Uma formação interessante, espero que dê certo.

O deficitário Estadual 2011
Por Vinicius Paiva

Seguem estatísticas de público e renda do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro-2011 até o presente momento, seguido por algumas colocações seu a respeito:





Fonte: http://www.fferj.com.br/Sitenovo/2008/Campeonatos2011/Carioca/Scoutcarioca.asp , e atualizações do colunista. Os dados referentes aos clubes pequenos foram atualizados até a penúltima rodada da Taça Rio.

Conclusões

1) Até o encerramento da fase de grupos da Taça Rio, ratifica-se a máxima do Flamengo como “trem-pagador do futebol carioca”. O clube teve arrecadação e média de público duas vezes superiores aos segundos colocados, além do maior ticket médio do torneio. No entanto, muito desta liderança se deve à estréia de Ronaldinho (numa partida com lotação máxima diante do Nova Iguaçu, no Engenhão), somada à final da Taça Guanabara – já que o Flamengo é o único dos grandes a ter jogado uma decisão. Não fossem estes elementos, suas médias de público e renda seriam absolutamente comparáveis às de Fluminense, Vasco e Botafogo. Ou seja, teríamos números sofríveis.

2) A média de público do Estadual - na casa dos 2 mil pagantes por jogo - é miserável e requer providências urgentes. Desde que foi abolido o esquema de troca de notas fiscais por ingressos, as médias despencaram. O bom desempenho dos clubes cariocas em torneios nacionais, nos últimos anos, contribui para um esvaziamento do Estadual – enxergado como “torneio menor”. Tudo isto torna injustificável um ticket médio na casa dos R$ 25 (no caso dos 4 grandes). Esta é a mesmo média de preços cobrados no Brasileirão, Libertadores e outros torneios bem mais importantes e chamativos. O Arbitral realizado pela Federação de Futebol do Rio de Janeiro – antes do início do campeonato – é absolutamente insensível ao desconsiderar a baixa demanda e a menor propensão dos torcedores a frequentarem estádios contra equipes de pequeno porte. Não é tolerável que partidas como Flamengo x Madureira sejam jogadas com setores a R$ 40, conforme verificado nos últimos dois anos. Não por acaso, período do mais absoluto fiasco de público.

3) Ainda neste sentido, há algumas semanas foi publicado excelente estudo de Lucas Camargo no blog Olhar Crônico Esportivo: http://glo.bo/gm91ub. As conclusões – de que uma redução no número de clubes seria um benefício ao campeonato, elevando suas médias de público e sua atratividade – são irrefutáveis. Principalmente em tempos de Maracanã fechado, o que faz desabar a média de frequentadores ao estádio. Até porque, é líquido e cristalino que o Engenhão não caiu nas graças do torcedor do Rio de Janeiro. A verdade é que um torneio que nos últimos anos se sustentou pelo status de “mais charmoso do Brasil” joga pelo ralo sua imagem ao vender Brasil afora tantas partidas com estádios às moscas.

4) Apesar de todos os (muitos) defeitos do Carioca, resta claro que seu período deficitário terminou domingo. A partir de agora, a possibilidade de casa cheia em todos os jogos leva a expectativa de arrecadação a mais de R$ 1 milhão/jogo. Sendo assim, se vencer a Taça Rio e eliminar a necessidade de mais dois jogos, a arrecadação do Flamengo deve facilmente superar os R$ 6 milhões. Caso a Taça Rio tenha outro dono, as duas últimas e decisivas partidas devem levar a arrecadação dos jogos do rubro negro à casa dos R$ 9 milhões.

5) Uma pena que, se o período de vacas magras do Estadual se acabou, o mesmo não se pode dizer da Copa do Brasil. Dificilmente a partida de amanhã, contra o Horizonte-CE no Engenhão, supere os 10 mil pagantes.


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Segundo o Lancenet, o Flamengo receberá R$ 420 milhões por 4 anos da Globo (R$ 105 milhões/ano, em média), mas com um imediato adiantamento de R$ 44 milhões: http://bit.ly/dJFBw2. Ouso dizer que o Flamengo nunca viu tanto dinheiro de uma só vez em toda a sua história. Basta lembrar que até os idos de 2007, as receitas do clube eram inferiores a R$ 100 milhões. Este adiantamento representa cerca de 50% das receitas ANUAIS de poucos anos atrás.

Torno aqui a fazer um pedido à nossa digníssima presidente Patrícia Amorim: parcimônia, Patrícia. Não jogue este dinheiro fora com loucuras, contratações de impacto e coisas do gênero. Estes recursos não pertencem a você, pertencem a todos nós. Com R$ 14 milhões você certamente finalizaria um dos melhores Centros de Treinamento do Brasil, e ainda restariam vultosos R$ 30 milhões para pagamento de dívidas de curto prazo. Assim, nossas receitas deixariam de ser penhoradas, liberando recursos de patrocínio que estão por vir. E o clube veria sua dívida reduzida em 10%. Definitivamente, seria digno de uma estátua na Gávea...


E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Twitter: www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos. Seguindo sua tradição de se recusar a seguir roteiros lineares, o Flamengo terá à sua frente um Fla-Flu decisivo, pelas Semifinais da Taça Rio. Melhor assim. Esse time tem dado respostas mais interessantes em jogos teoricamente mais difíceis.


Mas antes tem Copa do Brasil. E essa semana deixo a segunda parte da história da conquista de 2006. A primeira parte está aqui. Na área em negrito, link para vídeo. Então, boa leitura.

Copa do Brasil 2006 – Parte II


A convincente vitória contra o ABC devolve à Gávea um ambiente de tranqüilidade e otimismo há muito tempo ausentes. Com efeito, apesar da fragilidade do adversário, a forma como o time se impôs na partida dá a todos a sensação de que o trabalho de Waldemar Lemos possui boas perspectivas de dar frutos. E nas Oitavas de Final o adversário será o tradicional Guarani, de Campinas.

O Bugre campineiro vive uma das mais caóticas fases de sua existência. Mergulhado em graves dificuldades financeiras, o time amarga o recente rebaixamento para a Segunda Divisão do futebol paulista. A equipe, recheada de juniores e jogadores inexpressivos, tem como principais nomes o veterano Zé Elias, ex-Corinthians, e o lateral-direito Mariano, que anos mais tarde irá se destacar no Fluminense. Fragilizado e em crise, o Guarani é o adversário ideal para um Flamengo que novamente se permite vislumbrar dias melhores.

E a torcida, percebendo o bom momento que se aproxima, comparece em bom número, 17 mil ao Maracanã, para a primeira partida. O time é basicamente o mesmo que venceu o ABC, tendo como novidade a volta de Diego Souza. Contundido, Ronaldo Angelim cede a vaga ao contestado Fernando, o lateral Juan segue barrado, e a revelação Vinícius Pacheco finalmente se firma no ataque. Mas nenhum desses jogadores, nem os elogiados Renato, Jônatas, Leonardo Moura e Luizão, será o nome mais comentado ao final da partida no Maracanã. O grande fato novo do primeiro semestre de 2006 estará sentado no banco, aguardando sua vez. Chegou a hora de Obina.

O baiano Obina volta a ser relacionado para o banco de reservas em função de uma contusão do Tigre Ramirez. Contratado em 2005, após explodir no Vitória (um dos principais artilheiros do Brasileiro-04), até começa bem no Flamengo, com bom número de gols (o mais importante nos 2-1 sobre o badalado Santos de Robinho), mas vai afundando diante da péssima fase da equipe. Para piorar, Obina se acomoda com o mau momento, engorda e seu futebol, que depende muito da forma física, some de vez. Fora de forma, suas limitações técnicas são ainda mais expostas, o que acentua a irritação da torcida, que o elege um dos culpados pela deprimente campanha no Brasileiro-05. É encostado e colocado fora dos planos. A Ponte Preta sonda, o negócio evolui, mas Joel Santana resolve apostar no baiano, colocando-o no banco. Vem o gol salvador contra o Paraná e o início da fama de predestinado. Mas em 2006, Obina segue preterido por Waldir Espinoza, e somente com a chegada de Waldemar Lemos o baiano volta a dispor de algumas oportunidades.


O Flamengo já vence o Guarani por 2-0, com gols de Luizão (em bela cabeçada) e Leonardo Moura (aproveitando bonito passe de Renato). Luizão sente mais uma de suas intermináveis contusões e sai de campo. É a vez de Obina, que dentro de campo assiste a Fernando cometer mais uma de suas pixotadas, permitindo ao Guarani reduzir a desvantagem. Mas é apenas um susto. Muito melhor e soberano em campo, o Flamengo continua apertando e chega ao terceiro gol com Renato, em uma devastadora cobrança de falta. Fim do primeiro tempo, Flamengo 3-1.

Na segunda etapa, o Flamengo continua apertando, quer resolver logo a classificação, o jogo está muito fácil. Cria chances, perde gols, vai desenhando a goleada diante de um adversário apático e entregue. É quando o imponderável, o inesperado, o inusitado resolve transformar aquela que seria apenas mais uma goleada num momento antológico, especial, esotérico até.

Nove minutos. O Flamengo evolui pelo lado direito do ataque, vem o cruzamento, bola à meia altura, sem muita força, em direção a Obina. O baiano arruma o corpo, a bola dócil se oferece, Obina está totalmente livre, empolga-se, inclina-se e prepara o voleio. O estádio se levanta, todos pressentem que a jogada nada terá de banal. Obina, o renegado, o rejeitado, o encostado, vai marcar de bicicleta, vai escrever com letras maiúsculas e douradas seu nome na história do sacrossanto templo Maracanã. Mas algo dá errado...

Às vezes é tênue a linha entre o divino e o picaresco, o mágico e o farsesco. O nirvana de Obina se esfuma quando as atrapalhadas pernas do baiano se embolam e a bola é duramente golpeada pela canela do camisa 18. Envergonhada, a pelota sobe, e sobe, e sobe, foge daquele momento constrangedor. A platéia resigna-se em muxoxos e risos. Mas o enredo ainda não termina. Exaurida pela força da gravidade, a bola volta ao campo de batalha e se torna objeto de uma luta de esbarrões, sopapos e empurrões, até ser novamente atingida por um cambaleante Obina, que se esbarra aos trambolhões fazendo a redonda seguir uma errática trajetória de fliperama até que, por um insondável desígnio místico, vai parar dentro do gol, muito a contragosto. Estupefata, a torcida não sabe como reagir, dado o inacreditável desfecho do lance. Até que explode em risadas e se põe a gritar o nome do intrépido Obina, de forma irônica. Mas a partir dali, exatamente daquele momento, irrompe o embrião de uma nova relação entre Obina e a Nação Flamenga, que nunca mais será a mesma. Surge o anti-herói, o Cantinflas, o novo Fio, a figura que irá, com seu carisma às avessas, reaproximar o Flamengo de sua Nação, numa relação de amor, rejeição, afeto e desprezo que irá durar alguns anos. No dia seguinte, nas semanas seguintes, nos meses seguintes, em cada boteco, cada esquina, a última do Obina será assunto de alguma roda de papo flamenga. Começa a surgir a figura do xodó. Tudo por conta do chapliniano lance do quarto gol flamengo.

O Flamengo ainda consegue mais um gol, numa bela jogada de Juan (que entrara na segunda etapa), que responde às vaias da torcida da melhor forma e começa a mostrar o futebol dos tempos do Fluminense. Com a vitória de 5-1, o rubro-negro viaja tranqüilo a Campinas para a partida de volta. Alterado por Waldemar, o time nitidamente se poupa, é derrotado (0-1) em partida de nível técnico sofrível, que poderia ter outro desfecho se a equipe contasse com um pouco mais de sorte (e vontade). Mas não importa, a vaga nas Quartas de Final está atingida.

Assim, a Copa do Brasil começa a afunilar, somente restam oito equipes. Além do Flamengo, seguem os tradicionais Fluminense, Vasco, Cruzeiro, Santos, o azarão Volta Redonda e a grande surpresa da competição, o Ipatinga, que trucidou o Botafogo com dois chocolates (3-0 e 3-1). Além desses, o próximo adversário do rubro-negro é um velho conhecido, coadjuvante e freguês de inúmeras jornadas decisivas, das quais invariavelmente sai derrotado e atribui o insucesso aos mais criativos fatores, exceto ao mais óbvio, sua inferioridade diante do Flamengo.

Sim, o Atlético Mineiro está novamente no caminho.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Mengão Campeão do Mundo agora é trintão - Júnior

Entrevistamos um dos ícones do nosso maior título até hoje. Na realidade, não foi bem uma entrevista, mas um bate-bola rápido, leve, para ilustrar - mais uma vez - a maior glória do Clube de Regatas do Flamengo.

Meu muito obrigado ao Mário Cruz, amigo de todas horas que se prontificou a me ajudar na empreitada. E meus agradecimentos ao maior lateral esquerdo que - Graças a Deus - vi jogar. Espero que gostem, e aviso: vem mais por aí.

1 - O ano de 81 representou o topo do mundo para o Flamengo. Em que momento (ou em que jogo) o elenco teve a certeza de que time algum seria capaz de "nos" tirar do caminho?

Como disse na resposta do e-mail, foi um ano mágico. Acredito que quando entramos nas partidas finais contra o Cobreloa, tínhamos plena consciência do que éramos capazes. Em condições normais, não teria tido nem o terceiro jogo, e talvez por tudo que aconteceu no jogo de Santiago, o título da Libertadores teve um sabor especial. Time por time, nem passava por nossas cabeças perder aquele título, éramos muito superiores, mesmo o Cobreloa sendo uma boa equipe.

Nós tínhamos algumas informações do Liverpool,que ajudaram no jogo. Porém, a determinação de se ganhar o Mundial era muito maior do que qualquer torcedor podia imaginar. Sabíamos que de repente não teríamos outra oportunidade como aquela e com aquela geração! Ainda bem que nosso "sofrimento" só durou 45 minutos,o resto foi só festa!!

2 - Quando Nunes fez o terceiro gol contra o Liverpool, o que passou na sua cabeça?

Eu queria era estar junto a minha família e dividindo com a nossa torcida aquele momento. Se na conquista da Libertadores já foi uma festa maravilhosa, imagina o que estava acontecendo no Rio e em todo Brasil com o Flamengo campeão mundial...

3 - De todos os adversários enfrentados em 81, qual foi o mais difícil e por quais motivos?

O adversário mais difícil, em 81, seria teoricamente o campeão europeu, no caso o Liverpool. Eles tinham jogadores das seleções inglesa, irlandesa e escocesa, e tinham ganho de times que faziam a base do futebol alemão e italiano.

4 - Dos gols em 81, qual teve maior importância?

O gol mais importante de toda campanha em 81 foi o do Zico, no terceiro jogo contra o Cobreloa, lá no Uruguai.



Ali afastamos qualquer possibilidade dos chilenos tentarem alguma reação. Nos trouxe calma e tranqüilidade até o Galo fazer o segundo de falta. A importância daquele gol teve muita coisa ligada ao emocional da equipe naquele momento, principalmente depois da batalha de Santiago!!

E nada mais digo.

Eu no twitter: @alexsout e @alextriplex

Sóciologia. O estudo da falta de campanha de sócios no Flamengo.

Neste dia, em 1962, nasceu Élder, campeão brasileiro em 1983.

Quem aqui é sócio? Não quero saber, é só uma pergunta jogada ao vento. O que eu quero saber é se o Flamengo se importa mesmo com isso. Tecla velha e surrada? Sim, mas infelizmente para quem lê meus textos, eu insisto muito nela porque acredito piamente que o futuro do clube passa pelos sócios.

Não, essa não é uma crítica à gestão Patricia Amorim. É apenas uma constatação depois de alguns estudos que realizei recentemente.

Como parte de um trabalho que peguei pra criar, pude ver de perto como o Figueirense pulou de 7 mil para 12 mil sócios em menos de um ano, sem ganhar nenhum título. O mais próximo foi o vice da Série B, em 2010. São 12,8 mil sócios pagantes, número que acredito ser maior ou bem próximo ao que o Flamengo tem hoje. Clube, repito, que não conta com Ronaldinho nem ganhou nenhum título.

Além disso, o Figueira duplicou sua receita, multiplicou por 10 sua cota de TV para exibição dos jogos, renegociou todos os contratos e conta com cerca de 900 produtos licenciados. Ok, e daí? Daí que para chegar a esse ponto, o time contratou - isso mesmo, contratou - gente de mercado com metas, salários, obrigações e experiência em projetos anteriores, o tradicional currículo.

O Flamengo nesta e em qualquer gestão que veio antes se apoia em nomes clássicos da política do clube, surrados, conhecidos e batidos. Por exemplo, Velloso comandando o futebol....

Queremos ser um Figueirense? Não é isso que estou escrevendo. Mas e se eu citar o Barcelona?

Aí estarei falando de 172 mil sócios, sendo 60 mil só na cidade, outros 80 mil na Catalunha e o resto espalhado pelo mundo. De novo, cento e setenta e dois mil sócios. E sabem quantos desses votam para presidente? Todos os que forem maiores de idade. Todos. Sim, todos os que quiserem votar. E a categoria mais cara de sócio custa 78 por ano!

Aí sempre lembro daquele ex-dirigente que disse em entrevista ao Sobre Flamengo "a chance de o conselho aprovar que um sócio que paga 15 reais por mês possa votar para presidente é nula".

Você, sócio OFF-Rio, já sabe como votará nas próximas eleições? Nem você, nem ninguém.

A quantidade de vantagens que um sócio do Barcelona tem é coisa de ficção científica. Tem até creche para os pequenos em dias de jogos enquanto seus pais vão ao estádio. Tem a história dos carnês, que é complexa demais para colocar num texto aqui, facilidades mil para compra de ingressos (praticamente sem cambistas atrapalhando), e tudo mais o que o principal "investidor" de um clube poderia ter.

Aqui ainda vemos gente reclamando que não recebeu certificado de tijolinhos.

Já foi dito muitas vezes que para mudar alguma coisa, é preciso ser sócio e participar ativamente. Mas o Flamengo, ao contrário do Figueira e do Barcelona, não faz campanha por isso. O preço do título é abusivo, mas o contribuinte também pode votar, o que já muda bem de figura. Tem lá no site o link e as informações (menos o estatuto, que a página dá erro). E só.

Ontem o Flamengo empatou um jogo ganho, Ronaldinho edmundiou um pênalti no final, ok, já sabemos, agora é contra o Fluminense. Rumo ao 32º. Disso o pessoal pode falar à vontade, mas os jogos vêm e vão todas as semanas. O que não muda é o Flamengo lá e sua obrigação para com os torcedores e sócios, e vasco-versa. O futuro continua sempre dependendo dos sócios.

Por isso, nunca é demais dizer Seja Sócio. Não é pela Patrícia hoje, nem pelo Marcio Braga ontem ou por sei lá quem amanhã. É pelo Flamengo, sempre.


PS: Por favor!! O "sóciologia" no título é um trocadilho!!!!