sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Cosa Nostra



2011 foi um ano de perdas pessoais profundas. Coisa de marcar a alma. A chegada do novo ano não traz, realmente, nenhuma perspectiva especial de melhora, pelo menos não que esteja à vista, que seja palpável.
Tudo que um torcedor poderia esperar seria ter um refúgio ou paliativo para suas dores no clube de seu coração. É, pode ser uma fuga, mas isso também faz parte, a gente precisa de algum refresco de vez em quando, senão acaba pirando. E é o contrário.
As tristezas com o momento do clube só aumentam. Eu ainda entendia ( embora discordando ) a possibilidade da re-eleição como uma conseqüência de algumas coisas que andei lendo, dando conta de que pelo menos para os sócios que freqüentam e atletas as coisas iam bem. Aí li o texto do Henrin. Sou sócio, off-Rio. Portanto, não freqüento clube. Não tenho como opinar, me guio pela leitura intensiva de tudo que diz respeito ao Flamengo. E, ultimamente, só ando lendo coisas ruins.
Cheguei a ter a esperança renovada quando os valores do novo contrato com a TV foram divulgados. Antes de começar a valer, no entanto, essa esperança morreu, com os absurdos que tenho lido em todo lugar.
O mais triste é esse cenário desanimador em que o clube é dominado por “famiglias”, no melhor estilo da Máfia Siciliana. A única diferença é que eles não se matam para tomar o poder, pelo menos não fisicamente. Preferem faze-lo metaforicamente, pela destruição sistematizada de tudo que tenha sido conseguido pelo grupo anterior. Isso é frustrante e se reflete nos resultados, em todos os níveis, mas aparece mais no futebol. E vamos adiando o sonho de potência dominante por absoluta incompetência e falta de compromissos reais com a instituição, em detrimento de projetos pessoais, em todos os níveis.
Muitos se associaram, alguns começam a se interessar pelo grupo que surgiu aqui mesmo neste espaço, os sócios-pelo-flamengo. É nossa única esperança. Talvez seja uma quimera ou utopia, mas cabe apenas a nós acreditarmos que é possível alterar essa estrutura ultrapassada e viciada. Antes que ela consiga o seu propósito, que seguramente é o de exaurir os recursos e possibilidades do Flamengo, até que ele acabe. Não podemos deixar.
Feliz 2012 a todos!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Calúnia do Rúbio Negrão

Eu até desejaria um feliz 2012 a todos os leitores, mas, sejemos cinseros: eu seria um ludibrioso, porque isso, infelizmente, não depende de mim. O ano de 2012 ser feliz, ou não, é de um relativismo além dos meus dons “embromísticos”.

Em outras palavras, desejar um feliz 2012 aos saciados culés espanhóis chega a ser desprovido de sentido, mas aos famintos flamenguistas do mundo inteiro passa a beirar o incomensurável. Porque um “feliz 2012” digno do nosso apetite é quimérico.

Mas não me enxerguem como um pessimista. Nem todo fracassado o é. Se não acredito que estejamos no limiar de um 1981, também não creio que o novo ano será, digamos assim, um novo 2001. Então, em vez de me perder em vãs conjecturas e presunções, deixem que, pelo mesmo preço, mas sem passar recibo, eu divague sobre algo que vi e vivi: o ainda presente 2011.

Numa análise superficial, o ano que irritantemente teima em não terminar, poderia passar por mágico para o Flamengo, posto que o começamos cantando a linda canção popular “Vice de novo” no Cariocão, e o terminamos da mesma forma, no Brasileirão.

Porém, tirando isso, 2011 não passou de um ano pra lá de convencional, com seus 365 dias de arrastadas 24 horas cada, com o desumano agravante de os feriados de Natal e Confraternização Universal terem sido lamentavelmente desperdiçados em domingos ainda por cima sem futebol.

Isso pra quem trabalha, claro.

Na mais feliz das hipóteses, a primeira metade deste 2011 entrará para a história na seção de épicos, pela contratação de Ronaldinho, e a segunda metade, como gênero erótico, pela mesma razão.

Foi um ano assim-assim mesmo. Ambíguo. Desastroso para alguns, e proveitoso para outros. Desastroso foi para aqueles cujo objetivo era o hepta, e proveitoso, para os que sonhavam com o retorno à Libertadores em 2012. Ou para os que faturaram dinheiro com o Clube. Ou para os que curtem ganhar Cariocões em cima do Vasco. Ou mesmo para os saudosistas que desfrutaram um emocionante revivalismo do, este sim histórico, 1981.

Para mim, que neste momento estou com a palavra (vocês logo a terão de volta no Echo), 2011 não foi desastroso nem proveitoso. 2011, para mim, não passou de um ano airoso. Foi honroso e digno. Nem precisou o mundo ter acabado para nos livrar de alguma tragédia. O Universo não precisou alterar o seu curso enfadonho em nome de um bem maior. E isto demonstra a nossa maturidade: não encher o saco do Universo.

Tudo bem, não estivemos no Japão levando de quatro na frente de todo o mundo, mas também passamos bem longe do temível Z4, que acalenta um tesão inexplicável por nós.

Mas, no geral, está tudo em paz na Nação, sem falar que amanhã ainda vai rolar um Zicão inédito.


Duplex Toc Zen

1 - Jogo das Estrelas: Vão me dizer agora que  R11 tá escalado?

2 - Ôôôô, o Imperador voltôôô...: ... A fazer lambança.

3 - Aliás: Pela retumbante repercussão midiática da mais recente lambança adrianística, o autor da mesma já deve ter vazado do Corinthians há muito tempo, e provavelmente está muito bem acertado com outro time. Carioca, é claro.

4 - Os europeus é que estão certos: Lugar de boleiro em fim de ano é dentro de campo, jogando bola. Ócio é pra quem sabe.

5 - Economia de guerra: O time que se aventurar a contratar o Adriano não vai mais precisar analisar a relação custo x benefício, e sim a susto x malefício.

6 - E se for pra projetar o time titular pra 2012, o meu já tá aqui, na ponta da língua: Felipe, LATERAL-DIREITO, ZAGUEIRO, ZAGUEIRO, LATERAL-ESQUERDO; Aírton, VOLANTE, Luiz Antônio, MEIA, Ronaldinho, ATACANTE. Contratações pontuais, pois.

7 - Luxa Facts 1: O Luxa não aprecia apenas as grifes italianas, mas também a culinária: imbroglio, vendetta, capo, schema...

8 - Luxa Facts 2: O Luxa se preocupa tanto com o bem-estar dos boleiros que evita ao máximo colocar o R11 no banco por medo de que este se torne um idoso sedentário.

9 - Luxa Facts 3: O Luxa não acredita mais em numerologia, pois não conseguiu impedir um garoto da base de ganhar espaço entre os profissionais ao mudar o seu nome de Muralha pra Luiz Phillipe.

% - Luxa Facts 4: O Luxa prefere contratar jogadores desconhecidos porque quando time galáctico dá errado, a culpa é sempre do treinador.

11 - Luxa Facts 5: O Luxa não tira o R11 do time só pra provar que se tivesse tido um treinador com a sua filosofia quando era jogador, jamais teria sido reserva do Júnior.

12 - Luxa Facts 6: O Luxa defende que a posição mais ingrata do futebol não é a de goleiro, mas a de reserva do Júnior.

13 - Luxa Facts 7: Realmente, Luxemburgo, com seus parcos 2.586 km², ficou pequeno pra abrigar tanto ego. O sobrenome ideal seria, por exemplo, Estadosunidosdamerica.


14 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

Pelo andar da carruagem rubro-negra rumo a 2012, pelo menos vou economizar uma boa grana de pay-per-view.

Olha, carro usado é pra quem tem grana pra gastar. Durango feito eu tem que ter carro zero, que não dê manutenção.

Se Papai Noel for um velhinho de barba branca e que se veste de vermelho, matei ano passado quando tentaram invadir minha casa pela chaminé.

Em 2011 o mundo só não acabou por azar.

Participei de um amigo secreto tão secreto, mas tão secreto, que nem me avisaram onde foi.

Levando em conta que mundo vai acabar em 2012, até que as vendas do Natal estão fracas.

Dica de compras: como o mundo vai acabar em 2012, parcelem tudo em 12x.

Com a idade que eu tenho, se o Papai Noel não vier este ano de novo, É PORQUE NÃO EXISTE MESMO!

"Justiça proíbe pagamento de 14º e 15º salários a dep. estaduais em GO" Pro número de meses q eles trabalham, o próprio 13º salário já é 20º

Se o Papai Noel fosse mesmo um bom velhinho, ele não me daria lenços todos os anos.

"Luxemburgo vê Flamengo ‘engessado’ e lento nas contratações." Humpf! Até parece que ainda não viu o Mengão jogando...

"Luxemburgo acha Flamengo 'engessado' e lento nas contratações." Vai ver é por causa dos jogadores pretendidos.

A grande valorização que os jogadores do Barcelona tiveram após o título mundial atrapalhou bastante as contratações do Mengão.

Minha geladeira já está abastecida pro Natal: muita fé e esperança em melhores dias.

A única maneira do Natal do Mengão ser gordo é contratando o Adriano.

Ou disparou o alarme da Car Sistem no carro aqui em frente, ou o ladrão que tá fazendo o "serviço" é mais lento que o Renato Abreu!

É duro ter que dar caixinha de Natal pra um zelador que ganha mais do que eu.

Ganhei mais uma caixa de lenços este ano. Ou Papai Noel não existe, ou é pão-duro bragarai!

#MeuNatalEstaSendo o melhor dos últimos 6 meses!

Pra quem via o Adriano com desconfiança, ele provou que continua matador.

Como só falta 1 semana pra terminar o ano, o mais certo é deixar pra acabar o mundo em 2012, pra não causar transtornos a quem vai viajar.

Farei uma lista de boas resoluções para 2012 assim que acabar de cumprir as de 1999.

O Twitter maximizou minha capacidade de não fazer nada.

Pra quem pediu um iPhone 4, ganhar uma caixa de lenços Presidente... Pior que ainda me lembrou da Pat.

Quem diria que eu não ficaria rico em 2011!

E nada mais fiz em 12 meses.

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos. Essa semana, deixo a segunda e última parte da minha lista de maiores viradas que presenciei o Flamengo impor aos adversários. Nos negritos, links para vídeos.

Aproveito para desejar a todos um Feliz 2012, e que nosso Mengão nos faça felizes.


Embalado pelo hexacampeonato brasileiro, o Flamengo recebe Wagner Love de braços abertos e monta o Império do Amor, com Adriano. Mas peças importantes saem, e Andrade tem dificuldade para reconstruir o esquema de jogo. No primeiro clássico do ano, o time leva um baile do Fluminense de Conca e Mariano e desce para o intervalo com uma derrota de 1-3, um barulho infernal nas arquibancadas tricolores. Um placar de cinco ou seis não seria exagerado. Até que Andrade, em uma de suas melhores atuações como treinador, saca o lento Petkovic e o inacreditável Fernando, lançando Willians e Vinícius Pacheco, e mandando o time avançar. As alterações dão resultado, o Flamengo parte pra cima e em atuação de gala de Adriano e Kleberson, exibe o poder de fogo do Império do Amor e vira de forma espetacular para 5-3, mesmo com 10 jogadores (Álvaro é expulso). Ao som de um olé profundo e jocoso, a temporada parece promissora. Mas a substituição de Petkovic deixará marcas. E será só o começo...

O Flamengo busca se reconstruir na temporada de 2004, após o vendaval pós-ISL. Mas é difícil, e um time barato e recheado de veteranos e juniores é montado para o Estadual. Logo de cara, um Fluminense “galáctico”, com Romário, Edmundo, Roger, Léo Moura e grande elenco, favoritíssimo para conquistar tudo o que disputar. O Flamengo sai na frente com Jean, mas Romário empata antes do intervalo. Na volta, o Fluminense é mais agressivo e domina. E logo vira a partida, novamente com Romário. A torcida tricolor ainda comemora, quando o infernal Romário lança o zagueiro Rodolfo, que aumenta para 3-1, já aos 19'. A fatura parece liquidada, a barulhenta torcida tricolor começa a entoar o olé e gritar “é chocolate”, quando o bando Flamengo se morde, se inebria e parte pra cima de forma suicida. E a alma flamenga se personifica no improvável Felipe, que joga a partida de sua vida e vive, ao menos uma vez, a sublime sensação de ser Flamengo. E Felipe diminui, aos 24'. Pressentindo a virada, a Nação Flamenga acende, sufoca, empurra o time. Meros dois minutos se passam, e uma bola é cruzada, o contestado e vaiado lateral Roger acerta a cabeçada e empata, enlouquecendo o Maracanã. Menos de cinco minutos depois, Felipe, imparável, lança Roger, de novo Roger, o carrasco Roger, que tira do goleiro e vira o jogo. Flamengo 4-3 Fluminense. Enquanto a seita tricolor ganha o rumo de casa, o Maracanã salta e pula aos gritos de “Poeira, levantou poeira”. A sensacional vitória irá impulsionar o limitado time dirigido por Abel a um impensável título estadual. E a “poeira” marcará uma época.

Sob o olhar perplexo de 90 mil almas, Zico vai descendo o túnel. A coxa esquerda travou, contratura. Fora de combate, o Galinho assiste ao vareio de bola imposto pelo improvável Coritiba, que de forma inacreditável, já vence por 2-0 em pleno território sagrado flamengo. Mais um gol, e a vaga para a final irá se desvanescer. Antigos traumas (Santa Cruz-75 e Palmeiras-79) começam a ser revividos. A pretensiosa frase de Mário Juliato “preciso de três, mas posso ganhar de cinco” irá se materializar? Mas a lógica flamenga prima por nunca se revestir de lógica. E justo o pior jogador em campo naqueles primeiros 30' chama a responsabilidade para si, pede bolas, dá esporro e começa a comandar a virada. Não aceita sair dali derrotado. Nunes pega uma bola perdida, enterra a cara no chão, passa por quem aparece pela frente, manda a bomba, diminui e acorda o estádio. Logo depois, Tita está pronto para finalizar, mas Nunes toma-lhe a bola e emenda outra porrada, outra bomba, é o empate. Enfrentar o Flamengo no Maracanã pode ser um inferno, o que Juliato logo percebe. Carlos Alberto, que substitui Toninho, toma uma bola em sua intermediária e corre, corre, corre sedento de glórias, corre mais e acerta uma pedrada que arromba a gaveta paranaense. A virada está consumada, e ainda estamos no primeiro tempo. Na segunda etapa, mais calmo, o Flamengo impõe seu jogo e faz a massa cantar. Aumenta a contagem num belíssimo gol de Anselmo e sacramenta a vaga para a final. O Coxa ainda irá diminuir, mas o Flamengo já é finalista, pela primeira vez. Está aberto o caminho para a conquista do primeiro Brasileiro.

O Santos acaba de conquistar a Libertadores e já vislumbra o “Jogo do Século” contra o Barcelona. Mandará a campo seu time titular, com Ganso, Ibson, Arouca, Borges e especialmente o celebrado, exaltado e incensado Neymar, um dos poucos jogadores de talento a emergirem em um duro período de entressafra. O Flamengo de Ronaldinho, Thiago Neves e Luxemburgo ainda está invicto, mas está errático, vence mas não convence. Vila Belmiro lotada, todos anseiam por um show de Neymar. E o garoto do topete dá aos seus fãs o entretenimento pedido. Deita e rola sobre a defesa flamenga, impõe-se de forma quase humorística ao quebradiço sistema defensivo rubro-negro. Em 25', o Santos abre 3-0, com direito a gol de placa de Neymar. É um massacre. Fatalistas temem o pior. Coisa de sete, oito, talvez mais. Mas o Flamengo segue tocando bola, parece imune ao revés. O time não se desequilibra, não se descontrola. E começa a explorar a fragilidade da defesa santista. O jovem Luís Antônio começa a fazer estragos, Thiago Neves está motivado e se mexe incessante. Deivid perde gols inacreditáveis mas faz boa partida. E há Ronaldinho. O dentuço diminui aos 28'. Três minutos depois, Thiago Neves escora belo cruzamento e põe de novo o Flamengo no jogo. Mas Neymar segue imarcável e sofre pênalti. Quando Elano parte para a bola e desperdiça a cobrança, a virada começa a se desenhar. E a Vila Belmiro se cala diante do empate, cabeçada precisa de Deivid. 3-3, ainda no primeiro tempo. Na volta do intervalo, os times se fecham um pouco, mas Neymar ainda encontra espaço para colocar novamente o Santos na frente, 4-3. É quando, enfim, Ronaldinho resolve roubar a cena e assumir seu protagonismo. Empata numa cobrança de falta moleque e pitoresca, bestial. E, quando o Flamengo já domina a partida, estaca no coração santista o gol da virada, num toque sutil. Em uma noite mágica e antológica, o Flamengo muda uma história, inverte o roteiro e torna coadjuvantes os candidatos a estrela. Foi breve, mas foi intenso. Pelo menos uma vez em 2011, foi Flamengo.

O Rio de Janeiro ainda chora a brusca e trágica morte de Elis Regina. Mas a vida segue, e tem jogão no Maracanã, é feriado de São Sebastião. 90 mil irão se encontrar com o Campeão do Mundo, no clássico contra o São Paulo. O jogão promete, metade da Seleção de 1982 está em campo. Mas o Flamengo sem ritmo de jogo é surpreendido na primeira etapa por um São Paulo que se impõe de forma irretocável, marca pressão e esconde a bola. O meia Renato, reserva de Zico na Seleção, é o dono das ações no meio-campo e rege a “Máquina” paulista, junto com Mário Sérgio. Raul aparece com várias defesas, salvando o time de uma goleada. Fim do primeiro tempo, São Paulo 2-0, dois de Serginho, fora o baile. A imprensa paulista exulta, “este é o campeão do mundo?”. Abatida e silenciosa, a torcida ensaia apupos. Mas na segunda etapa algo irá mudar. Carpegiani saca Chiquinho (Tita estava contundido) e põe o volante Vítor, que irá cuidar de Renato e soltar Andrade pro jogo. Além disso, há o ânimo. Mordido e envergonhado, o Flamengo volta do vestiário comendo grama. A Nação sente e vai jogar junto. E ali, em uma calorenta tarde de verão carioca, vai acontecer de novo a imortal aliança entre um time e seu povo. Um estádio inteiro irá empurrar o Flamengo à glória, à vitória, à conquista, numa pressão que irá crescendo em ondas até o limite do suportável. Andrade e Lico não erram nada a olho nu. Adílio entorta quem aparece pela frente. E Zico, sempre oportunista, irá comandar uma das mais sensacionais viradas de toda a história do Flamengo. Em cerca de 30 minutos, o melhor time do mundo transforma um princípio de vexame em uma virada histórica. Quando Zico, sempre Zico, o incomparável Zico, crava sua cabeçada no contrapé de Valdir Peres, um país inteiro se orgulha e berra a plenos pulmões a alegria de ser rubro-negro. Afinal, o Flamengo é o Dono do Mundo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Complemento

* Por um descuido na edição das fotos, o texto original do e-mail do amigo André Dória não foi publicado no post http://flamengonet.blogspot.com/2011/12/flamengo-de-pai-para-filho-um-milagre.html. Segue abaixo o e-mail:


Caros,

Era pelo menos isso que estava escrito, com letra da minha mãe na contra-capa deste album de fotos 8x12... Exatos 11848 dias depóis, achei essas fotos, nos pertences flamengos de meu pai.

Seguem em anexo fotos que eu já tinha falado com o Mauricio alguma vez há coisa de uns 3 ou 4 anos, e que eram dadas como perdidas pra mim. O Mau disse que nunca me perdoaria por isso...

Porém, no doloroso processo de esvaziamento de gavetas e pertences de meu pai, as achei exatamente na penúltima vez que estive no apartamento em que viveu até o dia de sua morte no ano passado. Agora, o apartamento já inicia o ano alugado, e o destino me brindou com isso.

Encaro ter achado isso como uma honra e um presente de Natal. Todas as fotos amadoras, em bom estado de conservação, no album, direitinho. Na hora, a felicidade me fez ligar pro Pablo pra falar do achado, que compartilho com vocês.

Nas fotos (eu com a rubro negro 7 e meu irmão com a blusa do Brasil), vemos achados como o nosso Claudio Coutinho, Tita, Toninho, Adilio, Junior ao melhor estilo Black Power, Zico (que por motivos óbvios nem perto consegui chegar, apesar de ter todas as chances do mundo, mas por ficar literalmente anestesiado com o evento)... E uma das coisas mais curiosas: um moleque que eu nem sei quem é, obviamente, aparece em duas fotos, com a camisa do nosso maior freguês de 1981 (fotos 11 e 18). Nada me tira da cabeça que aquela blusa é do Liverpool (a blusa é Umbro e o distintivo eu acho que é daquele time da moda na Europa do fim dos anos 70 e início dos 80).

Prezados, me desculpem por encher a caixa de e-mails dos senhores, mas a emoção me tomou pesado ontem, e vejo o quanto estou envelhecendo. Eu chorei por coisas como essas ontem. Copiosamente. 

Abraços a todos,

André Dória

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Flamengo de pai para filho: um milagre de Natal


*Por Maurício Neves de Jesus, com acervo de fotos de André Dória

Atribui-se a Bill Shankly, lendário treinador do Liverpool, a seguinte frase: “O futebol não é uma questão de vida e morte. É muito mais importante do que isso”.
Shankly não está mais entre nós, faleceu um pouco antes da decisão do Mundial de 1981 entre Flamengo e Liverpool. Mas quem passa por Anfield Road, pode ver sua estátua em frente ao estádio, a dizer que o futebol é a coisa mais importante da vida mesmo após a vida.
Lembrei-me da frase de Bill Shankly ao receber o e-mail que reproduzo abaixo, de meu amigo André Dória. Assim como tantos de nós, André herdou o amor pelo Flamengo de seu pai. Wilson Baptista da Fonseca Dória criou os filhos sob o manto do rubro-negrismo.
Ano passado, o Dória – como era mais conhecido entre os amigos – faleceu. André encontrou entre os pertences do pai várias preciosidades rubro-negras. Um exemplar intacto do álbum gigante da Manchete Esportiva sobre o Flamengo campeão do mundo. Também com estampa do título mundial, uma toalha de banho, ainda lacrada. Long plays com as narrações de gols do melhor Flamengo de todos os tempos.
Pequenos tesouros flamengos que, ao invés de guardar, André confiou aos meus cuidados, em um dos gestos que mais me emocionou ao longo dessas quatro décadas de vida rubro-negra.
Porém, uma coisa André não havia conseguido encontrar. Já há alguns anos ele me contou de uma tarde que passou na Gávea, em 1979, junto com seu irmão Alexandre Dória, hoje um oficial Fuzileiro Naval, que herdou a carreira militar que o pai fez no Exército, também como oficial. Havia um álbum de fotos com registros deles junto aos jogadores, mas André não conseguia localizar o álbum. Imperdoável, disse eu, na esperança de que André revirasse cada gaveta desse mundo em busca das fotos.

Ontem, 22 de dezembro de 2011, exatos 11.849 dias após aquela mágica tarde na Gávea (contados em uma Planilha Excel), ao fazer a penúltima visita ao apartamento onde o Dória viveu até nos deixar, André encontrou o tal álbum com várias fotos 12x8. Dezoito fotos de uma tarde de inverno na Gávea em 1979, mais precisamente um 14 de julho de 1979 conforme escrito na contra-capa do álbum.

A emoção da descoberta só pode ser medida através das palavras do próprio André. Uma emoção rubro-negra que ensina que o Flamengo é muito mais do que um time de futebol. É uma força que nos aproxima ainda mais de quem amamos durante toda a vida e, como comprova este milagre natalino de as fotos terem sido encontradas, até mesmo após a vida.
Abaixo, três gerações rubro negras na foto: Vô Dória acompanhando a estréia do neto Enzo no Maraca. Missão cumprida.

Obrigado, Dória.

Obrigado, André.

Feliz Natal, Flamengo.
Abaixo, todas as fotos do acervo de André Dória.












quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Orçamento apertado não justifica falta de ambição do Flamengo



Se o clube tem apenas dez milhões para trabalhar - embora seja curioso que os esportes olímpicos, com muito menos arrecadação, terão uma verba maior para 2012 - então que atinja suas metas com organização. O Flamengo sabia  - ou deveria saber - que teria menos dinheiro para trabalhar, mas começou a trabalhar tarde demais. Como sempre fez, especialmente na gestão Patrícia Amorim que há dois anos tem um péssimo timing para contratações.

Repare que em 2010, Deivid e Diogo foram inscritos não só no último dia de inscrições para reforços, mas também nos últimos minutos do último dia. Da mesma forma em 2011, enquanto a presidente se gabava de não precisar de patrocinadores a falta de dinheiro fez as contratações de Airton (estreou no meio do primeiro turno) e Alex Silva (só começou a jogar no fim do primeiro turno) demorar demais. Juntos, os dois poderiam ter garantidos alguns pontos que poderiam ter mudado a história do rubro-negro no oscilante ano de 2011.

Enquanto isso, perceba que o São Paulo negociou com o bom meia Cícero para trazê-lo apenas pelos salários, o Internacional começou a negociar com Dagoberto em setembro - que poderia ocupar o lugar de Thiago Neves pela metade dos salários - e o Santos trouxe Borges com parte dos salários pagos pelo Grêmio. E o Flamengo sequer é capaz de olhar para o futuro e perceber que já deveria ter assegurado um zagueiro ou atacante para 2012. Não adianta olhar para o mercado depois que o campeonato acaba e desrespeitar a lógica capitalista das comissões. Clubes com arrecadações menores começam a trabalhar antes e saem em vantagem.

Dirigentes do Flamengo podem exaltar a serenidade, a paciência ou a responsabilidade da gestão atual para justificar a sua mais completa falta de ambição e visão, às portas da Copa Santander Libertadores, mas a verdade é outra. Falta competência e visão para o Departamento de Futebol do Clube, terceirizado para um profissional com histórico medíocre em competições internacionais.

Vale lembrar: a profissionalização do futebol era bandeira da candidata Patrícia Amorim que entregou toda a organização em um triunvirato marcado pela passividade de Luiz Augusto Velloso, responsável por vender o futuro do clube nos anos 90 para outros clubes, Michel Levi, o vice de finanças que mais fala de futebol no Brasil, e Vanderlei Luxemburgo, que dispensa comentários.

Pode ser que falte dinheiro. Mas falta principalmente trabalho, competência e respeito pelos torcedores. Perto de 2012, o Flamengo vê os efeitos de 2010 ainda bem presentes.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Novo colunista do FlamengoNet

O Blog da FlamengoNet apresenta seu mais novo colunista: André Tozzini, mais conhecido como Tozza, participava do DNA Rubro-Negro e comandava, ao lado dos amigos Fábio Gil, Rafael Burity e Bernardo Biruleibe, o Livecast, um grande sucesso na blogosfera rubro-negra. 

Com muita alegria anunciamos a vinda do Tozza pro nosso time, e a ele desejamos sucesso e vida longa no FlamengoNet.

 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Erramos

Temos como critério não editar posts, muito menos antes destes serem publicados pelos autores. Acreditamos na liberdade (responsável) de expressão, mas ao mesmo tempo estamos cientes que essa política abre chance para um número maior de equívocos.

Foi o que aconteceu com o post “É marketing ou piada”, publicado no dia 14 de dezembro. Diferentemente do que o post afirma, a camisa usada pela presidente do clube, Patricia Amorim, não é objeto de pirataria.

Checamos a informação e uma fonte nos garantiu que a camisa listrada, com as cores da Mangueira e o escudo do Flamengo, foi confeccionada especialmente para a ocasião como uma homenagem da escola de samba à primeira mandatária do clube, a quem desde já manifestamos nosso pedido de desculpas. E que a camisa não foi nem será comercializada. 

Além disso, averiguamos que o clube tem direito de usar a marca para eventos especiais, mesmo que não seja através da parceira fornecedora de material esportivo, desde que sem fins comerciais.


Isso posto, acreditamos que, ao usar uma camisa não disponível no mercado, a presidente do clube involuntariamente pode ter dado uma inadvertida contribuição para que os piratas apliquem a ideia de juntar os simbolos de duas grandes paixões brasileiras numa só camisa, exatamente como a camisa exibida na festa. Sobretudo porque estamos em momento de aquecimento do período carnavalesco. 

Reiteramos o compromisso do blog da FlamengoNet com seus leitores e com todos aqueles que sejam citados nos nossos textos. Manter o torcedor com a informação correta é, acima de tudo, um de nossos deveres.


Calúnia do Rúbio Negrão


E finalmente chegamos àquela época o ano inteiro aguardada por todos os homens de fé e boa vontade sobre a Terra: a temporada dos leilões, vulgarmente conhecida como “Mercado da Bola”.

Um momento em que o torcedor se realiza ao ver seu clube finalmente formar o time dos sonhos: um dia sonha com este, outro dia com aquele...

Um tempo em que o homem forte do futebol rubro-negro goza as férias, e, de quebra, das nossas caras...

Sim, um período ansiosamente esperado pelo R10, porque o frenético ir e vir dos atletas passa a ser socialmente tolerado...

Mas, sejendo cinsero, acho que a dificuldade maior do Flamengo nem é contratar novos jogadores, mas se livrar dos antigos. Ou seja, o clube que contrataria um medalhão que não foi bem na Gávea em 2011 não é exatamente o mesmo clube em que esse medalhão que não foi bem na Gávea em 2011 toparia jogar. Ainda há um complicador: o tal medalhão que não foi bem na Gávea em 2011 também não o foi em 2010 e em metade de 2009.

A grande realidade é que não é fácil contratar pontualmente. A única garantia de se fazer uma contratação cirúrgica é comprar jogador bichado. Fora isso, é loteria. Ou pior: Mega-Sena.

Porque não acredito em “destaque do Brasileirão”. Dimba o foi. Souza e Josiel também. Não que eu abomine apostas. Eu não tenho é grana para fazê-las. Mas admito que toda contratação tem seu componente de acaso. O mui incensado Bruno, do Figueirense, por exemplo, dará certo no Fluminense? É uma aposta. Resta saber se paga 5:1 ou 35:1. Jogou bem em 2011, sim, mas por onde andará aquele também lateral-direito Vítor, do Goiás, que arrebentou em 2009?

Para corroborar minha opinião (e realizar um sonho antigo de algum dia usar essa palavra difícil em público), cito um exemplo mais próximo de nós, rubro-negros: em 2005, um outro lateral, André Santos, destaque do mesmo Figueirense, veio para o Flamengo para vestir a camisa do Maestro Júnior. Só que mandou mal, e começou a descer a ladeira: foi para o Atlético-MG, passou pelo Corinthians, Fenerbahçe, Arsenal, e acabou na Seleção do Mano, vestindo a camisa do Michel Bastos!

Corroborei ou não corroborei? Eu corroboro mesmo!

Então.

Agora, triste mesmo é perceber que por mais que o Flamengo gaste o que tem e o que jamais terá com Montillo, Love, TN7 e R10, não vai ficar igual ao Barcelona de 2011, e muito menos parecido com o Mengão de 81. E mesmo que fique, o poderio financeiro do nosso Mais Querido Clube não permitirá que o sonho dure mais do que 6 meses.

Ah, mas em se tratando de futebol, nunca se sabe! Se o vetusto senhor Sobrenatural de Almeida possibilita há tempos os gols mais improváveis, eis que Inácio Imponderável é doravante o patrono das contratações venturosas.

Isso sem falar que, pelo menos em 2012, teremos mais facilidades por parte dos nossos adversários, pois ninguém mais terá aquele “sangui nuzóios” pra ganhar do time de Luxa e Ronaldinho.

Já ganharam.


Duplex Toc Zen

1 - Revelada a cartada final do Corinthians para tentar nos superar em número de torcedores: Abrir uma filial na China!

2 - Flamengo renova com Renato: Eu adoraria crer que o R11 ficará para trás, e  que entrará em campo a nova versão R12, mas sou agnóstico.

3 - Luxa Facts 1: O Luxa só não sonha em treinar o time do Barcelona porque não saberia em que posição encaixar o Renato.

4 - Luxa Facts 2: O Luxa se chama Vanderlei Luxemburgo porque foi o nome mais longo e pomposo que ele arrumou, sem ter que cair no ridículo, tipo Austregésilo Misericordioso.

5 - Luxa Facts 3: O que atrapalha a renovação no time do Flamengo é a vaidade do Luxa, porque quanto mais jovens forem os jogadores, mais velho ele vai parecer.

6 - Luxa Facts 4: Ao contrário do que todos imaginam, o jogo preferido do Luxa não é o futebol, mas o pôquer. Tanto que ele só trabalha em clubes que permitem que ele dê as cartas.

7 - Luxa Facts 5: O Luxa deixou de comparecer aos jogos trajando ternos finos para tentar passar a ideia de que o R11 é apoiado pelo povão, e achincalhado somente pelas elites.

8 - Luxa Facts 6: O Luxa sempre responde às perguntas sorrindo porque o assédio da mídia massageia o seu ego, e ele sente cócegas.

9 - Luxa Facts 7: O Luxa adora contratar jogador desconhecido porque aprendeu no Real Madrid que nome não ganha jogo.

2º - Luxa Facts 8: A diferença entre o Flamengo do Luxa e o Vasco é que, apesar de ambos terem conseguido seus objetivos no Brasileirão, somente uma torcida ficou satisfeita.

11 - Luxa Facts 9: “Síndrome de Estocolmo” é quando a vítima se afeiçoa do algoz. Quando o treinador se afeiçoa do pereba é “Síndrome de Luxemburgo”.

12 - “Lamento as atitudes de Pelé em campo contra os zagueiros. Fiquei triste com Pelé, porque não esperava que batesse até no rosto dos zagueiros portugueses (em duelo pela Copa das Nações, em 1964). Vocês não lembram das maldades dele, não é? Não se pode reclamar. Para levar vantagem, Pelé era muito violento às vezes. Não tiro seu valor nem sua categoria.” – Eusébio: Definitivamente, o Neymar é o novo Pelé. Pelo menos no quesito “bater no adversário sem o juiz ver”. Ninguém me tira da cabeça que se o Luiz Antônio tivesse continuado a fazer o nosso lado direito após aquela vitória barcelônica por 5x4 sobre o Santos, quando foi vitimado por Neymar, teríamos chegado bem mais longe no Brão (por “mais longe” entendam 3 ou 4 posições acima na tabela, ou seja, a 1ª). Ah, e pra provar que sou totalmente imparcial, o R10 também adora dar entradinhas maldosas nos adversários. Mas ele pode.

13 - Questão de fé: Boleiro que é boleiro não acredita em Papai Noel, só em Mamãe Chuteira.


14 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

"Câmara aprova projeto da 'Lei da Palmada'." Doravante popularmente alcunhada "Lei da Cachorra."

Graduação do riso no Twitter: kkkk = sorriso, kkkkkk = riso, kkkkkkkk= riso alto, kkkkkkkkkkk = gargalhada, kkkkkkkkkkkkkkkkk= tecla travada

Lei da Palmada aprovada. Mas... e roubar? Continua podendo?

"Britânica não pode chorar por alergia a água." Basta ela jamais torcer pelo Botafogo.

"Dirigente do Fla sai confiante de reunião sobre R10: 'Falta pouca coisa'." Pouca coisa pra quê?

A preferência por nomes no mercado nacional se deve ao lema: "Grana suja se lava em casa."

"Fla renova com Renato por um ano." Pronto. Agora só falta definir os outros 10.

"Multidão vai à Avenida Paulista conhecer a iluminação de Natal." Ou seja, o Aeroporto de Guarulhos e o Rio Tietê às moscas.

Djalma Beltrami: depois ainda tem gente que fica nervosa quando se coloca em dúvida a honestidade dos árbitros.

Virou moda se despedir do CQC? Antes, cool era estar dentro.

Para abrir a temporada brazuca de 2012, sugiro o clássico Santos x Vasco.

Para o bem de sua coluna, presenteie com vale-presente #FicaDicaNoel

O Mengão precisa de um 9 de peso (sem ser o Adriano). #FicaDicaNoel

Ah, e o Barcelona foi campeão do mundo. Não foi um show de bola. Foi um show de bullying.

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos. Em tempos sem futebol, só resta ler manchetes com especulações infinitas ou assistir aos gols do Barcelona. É tempo também de fazer nossas listas “top-10” disso, daquilo. Nessa semana e na próxima, deixarei a minha lista “Top-10” das grandes viradas que acompanhei nesses mais de trinta anos professando minha fé flamenga. Fazer lista é divertido, cada um tem a sua.
Nos títulos em negrito, há links para vídeos. Boa leitura.

GRANDES VIRADAS – PARTE I

Nem o mais pessimista rubro-negro imaginava que, apenas um ano após o hexa, o clube voltaria a conviver com o lodaçal da ameaça ao rebaixamento. Mas, num ano tumultuado em que absolutamente tudo dá errado, um time abatido, desmotivado e perdido precisa quebrar um jejum de sete jogos. A Zona do Rebaixamento se aproxima. O adversário, o lanterna Prudente, não assusta. Mas a crise é tão profunda que qualquer adversário é sério. O jogo é equilibrado, de péssimo nível. Já no segundo tempo, o Prudente abre a contagem, em falha do inacreditável zagueiro Jean. Sem alternativas, o time vai pra cima, pressiona, cria chances, mas a bola teima em não entrar. Vão a campo Petkovic, Diego Maurício e Maldonado, e aí o jogo finalmente muda. O chileno acerta belíssimo lançamento e o Drogbinha empata, já aos 40'. Chegam os descontos, o Flamengo segue brigando, segue buscando a vitória, segue Flamengo como em poucas vezes no ano. Já aos 49', último lance, córner. Pet cobra, há um tumulto, e Toró, meio sem jeito, acerta um chute enviesado, a bola entra tímida. Uma virada heroica e sensacional, que mais tarde se mostrará fundamental para evitar o maior vexame da história do clube.

Roberto Lemgruber é dado a práticas de curandeirismo (diz-se capaz de curar alcoolismo à distância). Apregoando feitos aqui e ali, ganha certa notoriedade. Entediado, resolve aplicar seus pretensos dons às previsões esportivas. Jogarão Flamengo x América, e Lemgruber, como bom botafoguense, crava: “dá América”. O jogo começa, o Flamengo sai na frente com Bebeto, mas, desmotivado (já está classificado para a Segunda Fase), permite a virada. O América tem um bom time, com Moreno, Polaco, Cleo (ex-Inter e Flamengo), Luisinho e o jovem ponta Maurício (que fará sucesso no Botafogo), domina a partida e tudo indica uma goleada. Até que, a dez minutos do fim, Lemgruber chega nas Tribunas. “a energia indica ampla prevalência astral para o América. Vejo humilhação e dor.” A imprensa baba e se encanta com a figura. Mas algo dá errado. Aos 39', Bebeto recebe bola alçada na área e acerta lindo voleio, empatando a partida. Na saída de bola, o América se atrapalha, na retomada o Flamengo solta a cavalaria, a torcida vai junto e o atacante Chiquinho, quando ia marcar, é deslocado pelo estabanado zagueiro Serginho, A bola espirra, desvia do goleiro e entra. É a virada, aos 40'. Sem saber direito como explicar os meandros da “prevalência astral”, Lemgruber deixa o estádio de fininho, anônimo...


O Flamengo inicia a temporada de 2002 como terminou 2001. Em crise. Os veteranos reforços contratados (Leonardo e Juninho) não dão liga, Edílson e Petkovic já estão de saída, a sensação é de desmonte. Garotos como Andrezinho, Felipe Melo, Rocha, Anderson Luiz, Fabiano Cabral e Roma vão sendo lançados e carbonizados. O treinador Carlos Alberto Torres não resiste às goleadas sofridas no Rio-São Paulo e é demitido. Entra João Carlos, de relativo sucesso no Japão. O time vai mal na Libertadores, já perde pontos importantes. A sensação é de completa bagunça. Nesse contexto, chega a partida contra o Corinthians de Gil, Deivid e Ricardinho, amplo favorito, cheio de bons jogadores e dirigido por Carlos Alberto Parreira. Talvez pelo nível do adversário, talvez mordido pelo tom das críticas, o Flamengo entra em campo eletrizado, enlouquecido, inflamado. Abre 2-0, dois gols de Leandro Machado. Calmamente, o Corinthians vai aos poucos impondo seu futebol, começa a dominar a partida e vai construindo a virada. Quando Deivid marca o terceiro gol corintiano, já restam pouco mais de 15' para o final. Resignada, a torcida ameaça silenciar, mas Juan empata a seguir. É então que o Flamengo esquece suas limitações, esquece o adversário e se descobre Flamengo. A garotada parte pra cima, vai deixar a vida em campo. E o indecifrável atacante Roma, o “Romário de 1,99” acerta um chute belíssimo e vira a partida, já perto do fim. A festa, o desabafo da nação flamenga é belíssima e comovente. E o improvável Roma vive seu dia de heroi.

Terrivelmente desfalcado, Jair Pereira improvisa uma defesa com quatro zagueiros de área (W.Gottardo, Jr Baiano, Rogério e Andrei) e nenhum lateral de ofício. A coisa, evidentemente, dá errado e o Fluminense de Ézio e Lira abre 2-0 com facilidade. Olé, calcanharzinho, toquinho, a torcida tricolor deita e rola. Nem o gol de Paulo Nunes, no finzinho do primeiro tempo, assusta. Até que Jair Pereira tira um zagueiro, coloca Djalminha e incendeia o jogo. De forma inacreditável, o Flamengo ressuscita em campo e cai pra dentro do adversário com uma fome de anteontem. Depois de muita pressão, Gaúcho acerta belíssima cabeçada e empata o jogo. Já aos 38', o Maestro Júnior, que é o dono da partida, coroa sua belíssima exibição com um tiro contundente e definitivo. Flamengo 3-2. A vitória espetacular tem pouco efeito prático, mas a festa da Nação com a vitória assombra a imprensa.

O Vasco de Roberto, Geovani e Romário é o queridinho da imprensa. Campeão da Taça GB, virtual campeão estadual. O Flamengo perde muitos titulares (contusões e Copa) e recorre aos garotos. Zinho, Ailton, Zé Carlos, Aldair, vão ganhando espaço. Decisão da Taça Rio, o favorito é o Vasco, mas o Flamengo sai na frente, Bebeto de falta. Mas Romário empata a seguir. Jogo nervoso, no segundo tempo Roberto põe os cruzmaltinos na frente. Parece o fim. O Flamengo se solta, se abandona à frente, pressiona, aperta e enfim um pênalti, a 15' do final. Bebeto cobra mascado, a bola entra devagarinho e enfarta dezenas. Agora é tudo ou nada, o Flamengo segue em cima, o Vasco perde o controle emocional (Roberto é expulso) e já nos minutos finais o galego Júlio César bate cruzado e decreta a virada e o título. Flamengo 3-2 e campeão da Taça Rio. Algumas semanas depois, o time irá se impor de novo e conquistar o Estadual em cima do mesmo Vasco.

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