quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Grandeza não se proclama, se impõe


Lá no início do ano, a presidente do Flamengo Patrícia Amorim criticou o então vice de futebol Marco Braz ao dizer que ele deveria "falar menos e agir mais". Chegamos ao final do ano e aquele conselho ainda serve para a própria dirigente.


O Flamengo possui mais de 30 milhões de torcedores, um orçamento astronômico e tinha, até pouco tempo, o maior orçamento do Brasil entre clubes de futebol (afinal, Ronaldo "come" boa parte do patrocínio corinthiano). E com tudo isso, esse ano seus dirigentes bradaram muito e mostraram muito pouco resultado.


Falou-se em supertime e até a penúltima rodada a briga era para não cair. A presidente ligou para um jornalista para garantir que Felipão estava vindo e ele veio, para o Palmeiras. E lá pelo início do ano ela disse que a briga pela oficialização de 87 "estava só começando" e ao ver a CBF sem reconhecer meses depois de nada fazer, o que fez? Enviou uma nota oficial assinada por todos os seus vices. Certamente, Ricardo Teixeira nem deve estar dormindo de tanta preocupação.


Ao perder (mais uma) negociação no ano, o clube decidiu agir. E o que fez? Vejam vocês, enviou (mais uma) nota oficial tornando oficialmente Eduardo Uram, empresário de boa parte dos jogadores do elenco, persona non grata no clube. A insônia já deve ter atingido o empresário que deve estar às lágrimas com essa mensagem.


Na vida você não berra dizendo que é isso ou aquilo. Você deixa claro com atitudes. Cito Fernando Pessoa:


Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

Seria bom se ao invés de enviar notas sobre um problema com a CBF, os dirigentes agissem com algo mais além de receber salários por qualquer cargo no clube dos 13. Melhor ainda se em vez de dizer que o empresário A ou B não é bem vindo, simplesmente parassem de fazer negócios com ele.


Do jeito que está, só falta mesmo dar uma coletiva aos prantos renunciando à presidência para a piada ficar completa. Menos choro e mais compostura, Patrícia. O Flamengo deve ser grande em cada atitude e em cada dirigente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010


Calúnia do Rúbio Negrão – Especial de Fim de Ano (Se o Rei Roberto tem, por que não eu?)

“Checo muito bem quando dou informação. Sou meio covarde. Na dúvida, não blogo. Perco audiência e mantenho a confiança de quem lê o blog faz tempo. Basta ver quantas vezes banquei alguma contratação e ela não se concretizou. Claro que pode acontecer. O jornalismo é uma luta constante contra os erros.” – Vitor Birner

Disse bem. Mas como em tudo na vida há o "outro lado", onde também habitam certos “jornalistas”, que só sobrevivem na função por três razões:

1) Merchans: os fatos são apenas um pano de fundo para uma profusão de produtos, muitas vezes de qualidade e/ou procedência duvidosas (será que ainda não esvaziaram o contêiner da Tekpix?);

2) A sede de “bombas”: há um público que adora um boato (no qual me incluo), porque sonhar com o Messi vestindo a 10 rubro-negra é a única alegria que terá na vida;

3) O sigilo de fonte: de acordo com o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, o jornalista tem o direito de resguardar o sigilo de fonte. Ou seja: o “jornalista” em questão não é obrigado a revelar que a fonte do furo que deu sobre a vinda do Cris Ronaldo pro Flamengo foi um tataravó que lhe contou num sonho.

Para o item 1, a solução é tão simples quanto econômica: não comprem nenhum produto vendido mediante “testemunhal” ou qualquer outro artifício que interrompa o programa que estão acompanhando. (Os intervalos comerciais tradicionais entre os blocos do programa são aceitáveis. Intoleráveis são os “testemunhais” e “recadinhos” no MEIO DOS PROGRAMAS.)

Agora, quanto aos itens 2 e 3, sugiro que não se iludam nem se deixem iludir pelos abundantes boatos que inundam a mírdia escrotiva, cujo único propósito é evitar que os jornais e sites esportivos sejam obrigados a dar férias coletivas de dois meses a todos os seus jornalistas e “jornalistas”.

Ou seja: por conta da inércia física e mental que aflige a nossa família urso, não estamos curtindo boatos tão elaborados quanto estão os torcedores do Chorinthians, Palmoles, Sentos e SPFW. Mas, por outro lado, graças ao recesso futebolístico, com todos os jogadores de férias em processo de engorda, teremos um mês inteirinho sem o risco de vergonhas maiores no Flamengo, pelo menos no futebol, porque o esporte olímpico eu quero mais é que se dane.

Ou seja: se a humanidade sobreviveu ao cigarro, ao álcool, ao Vasco e ao telemarketing, com certeza irá resistir à mírdia escrotiva boateira.

Ou seja: na tarde de segunda-feira passada, meio sem querer, fiz um pequeno experimento no Echo da Flamengonet. Vi o vídeo do lateral-esquerdo Ávine do Bahia lá no YouTube, e gostei do cara (profissionalmente falando). Aí, postei o link pra galera dar uma olhada. Resultado: quem entrou no Echo na noite de segunda, percebeu que o estranho nome Ávine foi citado por vários co-comentaristas, o que pode ter dado a impressão de que Ávine estaria nos planos do Flamengo, apesar de este fato não ter qualquer embasamento. Agora imaginem um singelo “Flamengo tenta Ávine” num Twitter com 900 seguidores...

Duplex Toc Zen

1 - Mensagem de fé e esperança: Todos concordam que destruir é mais fácil do que construir. Então, se 2010 foi o ano da destruição, a parte fácil do “pocesso”, como será 2011, o ano da construção, a parte difícil da bagaça?

2 - Retórica: O Flamengo só pensa em “Vander”, a Traffic só pensa em “Vender”.

3 - Nomenclatura: O comentarista Antonio (nome de craque!) Paulo visitou o Bira da Federação do RJ para checar quais jogadores estavam com os contratos vencendo em 31/12/2010, e garimpou o nome Wellington de Jorge Estanislau Paeckart. Vejam como jogador de futebol não bate bem da bola. O cara usa “Wellington” quando podia usar “Estanislau”... É por isso que não decola.

4 - Fierro & Kleberson: “Podia mandar lá para o Pyongyang ou para o Ahmadinejad! Eles não estão querendo umas bombas?” – Bruno. Verdade. E esses dois serviriam até pra fazer bomba atômica, porque já estão enriquecidos.

5 - Ronaldinho Gaúcho: Não sei que manobras financeiras estão fazendo para contratá-lo, mas apesar de não ser engenheiro, tenho uma sugestão para gerar receita. Basta o craque começar a vender bijuteiras para a garotada da base.

6 - Jogo das Estrelas 1: Se em 2009, com o Mengão disputando o hexa, com todo o elenco focado, e com toda a torcida energizando, o Adriano atrasava direto nos treinos, alguém aqui achou que iria vê-lo jogar um simples amistoso?

7 - Jogo das Estrelas 2: Mas orgulho mesmo deve ter sentido o Celso Barros ao ver o Emerson com a camisa da Bradesco Seguros.

8 - Retrospectiva concisa de 2010: Como a Série A teve só 39 jogos, e o ano, 365 dias, deu pra evitar o pior.

9 - Brasil-sil-sil!: Indiscutivelmente, o Brasil continua sendo o país do futebol. Não tem pra Espanha, Inglaterra, Itália ou Argentina. Onde mais um clube da terceira divisão tem time pra faturar o título da primeira?

2010 - Nova aposentadoria: Após aposentar o número 10 do Toc Zen, acabo de aposentar o ano de 2010 do meu calendário. Passarei a chamá-lo de 2981.

11 - Ano estranho: 2010 foi um ano muito escroto. Atípico. Basta ver quem foi o campeão brasileiro.

12 - Tudo bem que a nossa base é estéril, mas...: Onde está escrito que só por ter presidenta mulher o Flamengo virou barriga de aluguel?

13 - Patministração: A administração da Pat tá tão na pior, mas tão na pior, que até o cara que escolheu o “experiente” “treinador” Dunga pra dirigir o Brasil numa Copa do Mundo tirou onda com ela.

14 - CBF x Flamengo: A CBF só reconhece 5 dos 6 títulos nacionais do Flamengo? Pois a partir de agora eu também só reconheço 5 dos 6 mandatos do Ricardo Teixeira!

15 - RT, RMP, KL, ESS, ETC: Ser Flamengo é mesmo uma mania mundial. Até quem odeia, é.

16 - Tem rival que é cego: A gente aqui reclamando que o Flamengo não tem bons olheiros... Pior o Botafogo, que espera os olheiros do Flamengo escolherem a baranga pra depois entrar na briga pela contratação...

17 - Dança do Créu: Se o Thiago Neves realmente vier, vai ter que se redimir do seu passado antiflamenguista: já que dançou o Créu na velocidade 10, agora vai ter que repetir a dança dando a ré.

18 - 2010: Aos detratores da Pat, peço que analisem imparcialmente o saldo deste ano que se funda, ou melhor, se finda, e admitam que, pelo menos, ela chegou muito perto de uma grande vitória para o Mengão: ela quase nos poupou da disputa da próxima Copa Sul-Americana.

19 - Ano novo: Definitivamente, apesar do 10, 2010 não foi um ano Zico. Torçamos então para que 2011 seja um 11 Julinho Uri Geller ou Romário, e não um 11 Emerson ou Marcelinho Paraíba.

20 - Agora, 2011 (Maestro, “Starting Over” do John Lennon, please): Aos amigos (co-comentaristas da Flamengonet), clientes (vascaenses, botafoguistas e tricolentos) e fornecedores (empresários com jogadores encalhados) desejo que em 2011 o Raul, Leandro, Mozer, Juan, Júnior, Andrade, Adílio, Zico, Tita, Nunes, Júlio César e Romário voltem a ter 22 anos, e joguem mais dez temporadas no Flamengo, comigo no time fazendo o terceiro zagueiro, com a camisa 0. No mais, tendo um chão pra dormir, e dinheiro pra bebida, tá tudo em casa.

E nada mais faço.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Depois de um ano....

Por Lucas Dantas

Fazia tempo que eu não escrevia aqui. Um ano, acho. Mas tinha um motivo para voltar, algo que falei em dezembro de 2009. Lá embaixo vocês vão entender.

Fiz uma pergunta via Twitter, aproveitando essa Mega Sena.

Se ganhasse os 190 mi da Mega, vc terminaria o CT, contrataria alguém, uma terceira opção, ou foda-se o Fla da Paty?

Recebi algumas respostas interessantes, mas o principal é que ninguém confia nessa diretoria. Não é de surpreender, visto o ano 2010 que o Flamengo teve. Mas considerando a hipótese que estamos falando de muita grana (muita mesmo) e que seria em prol do Flamengo, eu esperava que a galera pelo menos considerasse uma boa ajuda. Nada...

Algumas mensagens merecem destaque. A seguir:

CeloCRF @lucasdantas #4, compraria o boné super-faturado de R$149.99

Que boné? Nem vi em loja alguma, mas imagino que devam estar pedindo isso. Afinal, somos uma torcida abastada, rica, de elite, num país de primeiro mundo com salário mínimo a R$2.000,00...

alextriplex @lucasdantas Eu abriria uma confecção para fazer camisetas com "fora pat", "fora leoncio", "fora helinho e adjacentes", e ficaria mais rico.

Original. E aposto que venderia muito sim. O povo gosta de ver o circo pegar fogo. E também adora esse papo de camisetas, haja vista que é a única coisa que clube brasileiro sabe fazer quando se trata de marketing de futebol. Não existem opções, só camisas para os flagelados.

daniel_bonn @lucasdantas Compraria um avião e jogaria em algum arranha céu com toda a diretoria do Flamengo

Discordo veemente. Quem ia limpar a rua cheia de destroços? E quem ia pilotar o avião nessa missão suicida?

sobreflamengo @lucasdantas Entregar dinheiro na mão deles é que eu não faria mesmo. Proporia talvez um belo contrato pra tocar um programa de sócios.

Uma boa sugestão, mas nosso amigo Monnerat sabe que qualquer programa para sócios pode implicar em votos contra a atual diretoria, não? Será que aceitariam?

tatimcb @lucasdantas Eu terminaria o CT e ajudaria o Fla de alguma outra forma.

A Tatiane foi a única que pensou em ajudar o CT. (Única não, depois eu mostro).

adrianobmoura @lucasdantas Nenhuma das 3. viraria sócio, subornaria todos os conselheiros, me tornaria presidente e aí sim faria as melhorias necessarias

Olha a ideia do Adriano. Eu já pensei nisso, mas boa parte dos conselheiros já é rica, então não sei se ele conseguiria aplicá-la.

Lubrial @lucasdantas Flamengo é maior que a Paty Amadorim.

E meu xará finalizou com uma frase enigmática. Quis dizer que ajudaria apesar da Patrícia?

As outras respostas foram dos variados xingamentos para a presidenta e outros diretores. Não convém escrever aqui. O incrível é que mesmo com a possibilidade de fazer algo pelo Flamengo, e grana de sobra, o pessoal não quis saber de ajudar a atual diretoria.

Eu faria o CT e colocaria nele o nome CT Carlinhos. E faria o possível para que as pessoas soubessem que foi feito na gestão Amorim, mas não pela gestão Amorim. Mas eu faria porque sempre pensei que o futuro do clube para pela base. Na entrevista que fiz com o Zico para a Placar, disse isso a Ele que concordou e foi além. “Se pudesse, eu tocaria só a base e deixaria os profissionais para outra pessoa”.

Aliás, eu acho incrível como o Flamengo se foca apenas e tão somente no esquema “peneira-olheiro-empresário”. O Milan realiza aqui no Brasil (e em diversos países) um troço chamado Camp Milan ou coisa do tipo. Uma colônia de férias onde o objetivo, além de lucrar com os altos valores, é conseguir um zigoto de craque e já segurar. Por que o Flamengo não faz algo parecido? Dinheiro? Patrocinadores bancam. Espaço? Granja Comary. Data? Férias de janeiro. Objetivo? Poderão conseguir garotos cujas famílias não estão desesperadas para receber qualquer trocado de empresário. Sei lá se essa idéia funciona, mas o Milan não faz à toa e dá lucros.

Bom, tudo isso acima foi apenas para dizer que eu não esqueci o que disse no ano passado nesse mesmo espaço. Após a eleição da Patrícia, eu disse que voltaria aqui em dezembro de 2010 para mostrar como o ano foi bom.

É, hehehehe, me ferrei.

E meu "pai" Mario Cruz avisou, avisou, avisou.....

Mas como sou homem e não fujo do que falo, to aqui.

Milhões de explicações podem ser dadas para o que aconteceu esse ano, mas nenhuma por mim. Eu não fiz nada lá. Quem tem que explicar é a presidente e seus comandados. É lógico que alguns atos não podem ser esquecidos.

Eu sempre disse que Patrícia tinha até o fim da participação na Libertadores antes de fazer qualquer mudança na equipe. O time caiu antes da Copa e ela ganhou um mês para trabalhar. Trouxe o Zico. Mas como o próprio me disse e depois sacramentou em entrevista ao Urublog, “não havia autonomia”. Com isso, o futebol não andou. E o Galinho saiu (ou foi saído) e o time só se salvou do rebaixamento na penúltima rodada.

Fator Bruno, Adriano fazendo o que queria, brigas políticas, Zico-marionete...digam o que quiserem. O que importa é que o retrato final de 2010 é de um time campeão brasileiro, tri-carioca e favoritíssimo ao bi da Libertadores que terminou o ano fazendo conta para não cair e vendo seu maior ídolo brigado com a diretoria que O acusou de roubar o clube. Sem contar que a construção do CT voltou à já usada ideia da sacolinha com a torcida.

Eu tinha esperanças na gestão Amorim. No futebol, ela jogou a responsa para outros e não deu certo. Se continuar nessa toada em 2011, não sei não. Um ano se passou sem absolutamente nenhum avanço na área da profissionalização do futebol. Colocar diretor remunerado não significa nada. Isso o Marcio Braga e até o Edmundo fizeram. Mas mexer efetivamente, trabalhar pela mudança, dar sinais de que essa é a meta, isso eu não vi. E falar de Ronaldinho Gaúcho não é nenhum tipo de sinal de profissionalismo. Muito pelo contrário.

Feliz 2011.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

2010 – O Ano do Macaco Neurótico



* Do brothaço e amigo de coração Benito "Muhlemberg" di Paula, do excepcional Urublog.

Feliz Natal a todos os amigos que nos acompanharam durante o ano. Muita paz, saúde, rango na mesa e bons vinhos. São os votos do amigo Triplex, Mari e Alice.

Fiquem com Deus.

Alex do triplex - O ditador.

Ok, ok, se você acredita no poder curativo dos cristais, em pulseirinha power balance e em horóscopo chinês não precisa me xingar de burro. Qualquer débil mental com uma pós vagabunda em marketing é capaz de pesquisar e descobrir que o ano do macaco na milenar astrologia chinesa só vai começar com a lua nova de 8 de fevereiro de 2016. Relevem esse deslize astrológico intencional, mas havia uma missão a ser cumprida.

Era preciso fazer uma retrospectiva sobre esse detestável 2010 que se em breve se encerra e não havia nada melhor pra ilustrar o desempenho do Fuderoso Flamengo #1 Entre os Primatas do que os nossos simpáticos e folgazões primos peludos. Infelizmente, a própria natureza do subgênero retrospectiva não nos permite mais ficar tentando tapar o sol com a peneira.

Melhor assumir logo que o ano pra nós foi um mico atrás do outro antes que algum engraçadinho da arcoirizada sem vergonha e mal vestida o faça. E vamos logo com isso, como dizem na Gringolândia, vai ser mais divertido que um barril de macacos.

Mico Numero 1: Perder a Taça Guanabara

Apesar de ser um fenômeno muito raro, cujos intervalos entre suas ocorrências são comparáveis ao avistamento de certos cometas, perder taças Guanabara faz parte, é do esporte. Nós, rubro-negros, já somos todos bem crescidinhos e aprendemos a aceitar a vida como ela é. Entretanto, o Mengão perder TG pro Foguinho depois da implantação do profissionalismo em 1939, sob quaisquer condições, é inaceitável. Mico indiscutível.

Mico Numero 2: Perder o Carioca

Ao contrário de competições mais equilibradas, onde se enfrentam equipes quase tão boas quanto o Flamengo, no Carioquinha só tem os mortos de fome que compõem nossa vasta, longeva e fiel clientela municipal. Não há desculpa. Mesmo quando foram roubados, perseguidos e discriminados pela impiedosa sociedade de consumo, os atletas do Flamengo jamais poderiam perder duas vezes no mesmo ano para o Foguinho-Sem Ônibus. O Mengão, por morar mais perto da praia, se vestir muito melhor e por ser tudo o que é, tem obrigação de ganhar essa competição pelo menos uma vez ao ano. Perde-la será sempre um mico-leão dourado.

Mico Numero 3: Jogar a Libertadores como se fosse o Carioca

Vamos logo esclarecendo uma coisa, ninguém tem obrigação de ganhar a Libertadores. É uma competição cascuda, eliminatória e impiedosa. Mas existe sempre a obrigação de disputa-la com o empenho, a dedicação e a seriedade proporcionais à importância da competição. Apesar da aparente motivação que os jogadores tentaram passar nas entrevistas e nas declarações à imprensa a realidade foi bem outra. O que os jogadores nos mostraram foram expulsões idiotas, ausência de treinamentos e até mesmo de partidas, atuações bizarras no Maracanã e total ausência de brilho nas partidas disputadas fora de casa. Desde a primeira fase que o Flamengo claudicou e só foi se mantendo na competição na base da cagada. Deus nos livre de ficar disputando a xexelenta Copa do Brasil, mas pra jogar Libertadores assim é melhor ficar em casa. Mega Mico

Mico Numero 4: Se Perder na Fogueira das Vaidades

Não dá pra entender como o Flamengo, desde 1912 um verdadeiro Olimpo futebolistico, acostumado a alinhar entre suas fileiras deuses, semi-deuses e popstars do mundo da bola, se deixou chamuscar pelas labaredas da fogueira das vaidades que ardeu livremente na Gávea em 2010. Adriano faltou ao treino, Pet brigou com Marcos Braz, fulaninho brigou com o Andrade, que brigou com a Patrícia, que brigou com Adriano porque a zona estava demais e assim passamos o ano. Com briguinhas estúpidas transmitidas em tempo real para delírio da arcoirizada. Um mico comportamental e administrativo que nos leva imediatamente ao mico seguinte.

Mico Numero 5: Perder a Guerra da Comunicação

Não se iludam, os repórteres que vão diariamente à Gávea ou ao Ninho do Urubu não vão atrás de boas notícias. Seguindo as recomendações de suas editorias eles vão atrás de sangue. A vida é assim e o Flamengo tem a obrigação de saber administrar essa volúpia pela tragédia e pela catástrofe, que é o que vende jornal. Não é uma tarefa fácil, mas existem ferramentas, técnicas e estratégias para tal. Durante o ano inteiro o Flamengo apanhou do monstro da mídia. Não foram poucas as vezes em que o Flamengo, seus atletas ou dirigentes se viram emparedados pela mídia. Logo o Flamengo, protagonista de nascença, agiu como um timinho desacostumado aos holofotes se deixando pautar pela imprensa, e às vezes até pela torcida. Quando deveria ser o contrário. Mico Parrudo.

Mico Numero 6: Perder a Guerra dos Gabinetes

Nem no ano negro de 1995, ou no igualmente aziago 2005, o Flamengo foi tão mal sucedido em tudo que emanou dos gabinetes de seus mandatários. Todo ano a politica ferve na Gávea e atrapalha mais do que ajuda, mas em 2010 o Flamengo não se planejou, contratou mal e demitiu pior ainda. Um King Kong administrativo que só foi superado pelo mico seguinte.

Mico Numero 7: Perder o Zico

A terceira chegada de Zico ao Flamengo foi um acontecimento que tinha tudo para ser a aurora de uma nova era no clube. Um novo tempo de profissionalismo, seriedade e respeito à instituição com o futebol sob a supervisão do nosso maior ídolo. Para nossa eterna depressão deu tudo errado e depois de muitas frustrações, decepções e traíragens o ídolo maior deixou o Flamengo cuspindo marimbondos. Zico saiu derrotado, não no campo onde sempre foi um vencedor, mas pela pressão dos atores da politica rasteira e fisiológica que se pratica hoje na Gávea. Um dos maiores micos dos 115 anos de glória do Flamengo.

*******************************************************************************************************************************

Esse é o miserável resumo do ano. Como se pode facilmente comprovar, não houve em 2010 nada que prestasse para ser guardado. A não ser as lições para que esses erros jamais voltem a ser repetidos. 2010 foi um ano tão sem vergonha que nos faz até mesmo rever nossos desejos para o ano que vem chegando. De acordo com a minha proverbial modéstia descobri que preciso de muito pouco pra ser feliz. Ano que vem é lógico que é Rumo ao Hepta!, mas só peço uma coisa: em 2011 eu quero um Flamengo sem mico.

Feliz Natal pra vocês.

Siga o Urublog no Twitter: http://twitter.com/Urublog

Mengão Sempre

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Exorcizando 87

Paulo Lima, de Nova York

A CBF nos reconheceu "oficialmente" como penta, ignorando o título de 87. A decisão, certamente, pautará, mais uma vez, os jornais e a mídia esportiva, novamente resgatando os personagens do imbróglio, repercutindo com os dirigentes e com a presidenta, criando factóides e, mexendo, futricando, revirando o assunto de todas as maneiras. Parece inesgotável. É um saco.

Somos hexa, gente. E ponto final. Vox populi, vox dei. Se os torcedores de outros times e alguns jornalistas acham que não somos, e julgam que os Robertões da vida têm mais valor do que a Copa União, que deixemos pensar assim. Não é o reconhecimento oficial que nos tira o mérito e o valor da conquista, certo?

De toda forma, acho que o reconhecimento do "octa" santista e palmeirense acaba por ter grande valor para o Flamengo. Com cinco ou seis brasileiros, ainda estamos a no mínimo 2 títulos de diferença. Em cinco anos, deixamos de ser hegemônicos, tivemos um título "oficialmente" retirado do palmarès e, de quebra, outros ainda ganharam 3 ou 4 no tapetão.

O que isso quer dizer? Não há mais razão para insistir no assunto. Muito se lutava por reconhecimento de 87 porque, desta forma, seguiríamos no topo deste ranking, ao lado do São Paulo. Vamos ser sinceros. Isso não existe mais. Não faz mais sentido. Sendo assim, não falemos mais nisso. Abandonemos isso. 87 está em nossos corações, e pronto. Aconteceu há 23 anos. 23 anos! É hora de olharmos para frente, rumo a reconstruir nossas vitórias e reconquistar nossa preponderância. Taça de bolinhas? Façam-me o favor. Quero é mais dois ou três troféus novos, isso sim.

É verdade: a gestão atual em nada nos dá otimismo para seguir em frente. Ao contrário: nos estimula e nos dá forças mais para lutar por um título do passado do que a torcer, de coração, para que eles venham a partir de agora.

Mas isso não dará em nada, acabou. Vamos exorcizar esse fantasma e fazer, e logo, o Flamengo de amanhã.

Você sabe o que é o Asterisco?


Asterisco é um termo que vem do latim asteriscum e do grego ἀστερίσκος. É o nome do sinal de pontuação * usado para marcar um rodapé no texto. Mas o Asterisco significa muito mais do que isso.

O Asterisco significa que houve um ano em que todos os clubes de futebol desse país assumiram a sua grandeza, colocaram de lado suas desavenças e trabalharam juntos para fortalecer o esporte ao invés de uma confederação vendida e corrupta. É a lembrança cabal que mesmo com chances de obter um título perdido, dirigentes agiram como cavalheiros e mantiveram sua palavra e acordo até o fim.

É parte da memória do futebol brasileiro. O Asterisco não era um jogador, mas também vestiu a camisa 10 para marcar o último título nacional do maior ídolo do time mais querido do Brasil. Para marcar a despedida do maior jogador de uma geração.

O Asterisco é uma cicatriz de guerra. De luta moral, ética e renhida. É visto como um adereço de grande valor mesmo por torcedores de outros times. O Asterisco é pintura de guerreiro, conquistada no campo de batalha sem nenhuma necessidade de apoiar A ou B em qualquer disputa eleitoral. O Asterisco está lá no título de 87 do Clube de Regatas do Flamengo.

O seu time tem essa taça?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


Calúnia do Rúbio Negrão

O Ministério da Saúde adverte: até 2012, a camisa tarja preta ao lado só pode ser usada sob rigorosa supervisão médica.

Todos os dias, quando vou ao botequim comer o meu pão com manteiga na chapa, e beber a minha genebra, muita gente me aborda, e enquanto vou autografando guardanapos e camisas rubro-negras, sempre ouço a pergunta que jamais se cala: “Como você consegue manter o bom humor? Como você ri da situação atual do Flamengo?”

Daí, eu penso: "Se consigo rir até da minha, não vou rir da do Flamengo?"

Mas depois respondo, entre mordidas no sanduba, e talagadas em cada nova dose do elixir de zimbro. Mora na filosofia agora: “O futebol é mais surpreendente fora de campo do que dentro dele.”

Traduzindo: “O futebol é mais surpreendente fora de campo do que dentro dele.”

Simples assim.

Senão vejamos: certa vez, formamos um ataque dos sonhos com Edmundo, Romário e Sávio. (Não, o Alex Soneca não fazia parte do ataque dos sonhos.) Aí, toda a torcida tranquila, apostando entre si qual dos três seria o artilheiro do campeonato, de quanto venceríamos as partidas, quem humilharíamos com goleadas históricas, o escambau.

Deu em nada.

Anos depois, exatamente neste ano de 2010, contratamos Deivid e Diogo, dois conhecidos matadores para formar uma dupla de ataque de respeito.

Deu no que deu.

Por outro lado, me lembro com nostalgia quando contrataram um rapaz que, se não me falha a memória, foi caixa de supermercado até os 21 anos, e ostentava o sugestivo nome de Liedson. Quando a contratação foi anunciada, ninguém se empolgou. Na verdade, ninguém nem acreditou.

Mas o cara fazia gol até de boomda.

Resumo da ópera-bufa: não adianta se empolgar nem se deprimir com nome algum. O que importa é que o time “encaixe”, foque (no bom sentido) e receba em dia, seja ele formado por medalhões ou ilustres desconhecidos, craques ou perebas, jovens ou ex-jogadores em atividade.

Aí, após a minha explanação, todos no boteco olham para mim, e dizem em uníssono: “Porra, Negão! Bebendo a esta hora?”

Duplex Toc Zen

1 - CBF 1: Agora que reconheceu os torneiros disputados antes de 1971 como títulos nacionais, só digo uma coisa: a cada dia que passa, a CBF está se tornando mais irrelevante.

2 - CBF 2: Mesmo após reconhecer diversos quadrangulares e torneios de bocha como campeonatos brasileiros, eu não acho, ao contrário do nosso Conselho Diretor, que seja o momento de pleitear que a CBF também reconheça o nosso lídimo título nacional honesto e extremamente heterossexual de 87. O momento, na minha humilíssima opinião, é de SE LIXAR SE A CBF RECONHECE OU DEIXA DE RECONHECER QUALQUER COISA! Eu, por exemplo, não reconheço a própria CBF.

3 - Novo empresário na área: Ronabo quer porque quer levar o Adriano para o Corinthians. Mas tudo não passa de uma cortina de fumaça. O que ele quer mesmo é levar o Fierro.

4 - Patministração: “Imbatível, Cielo vence 100m livre e volta a unificar títulos mundiais” – Globo.com. Taí a cereja no bolo de 2010, e... Ei, peraí! EM 2010 NÃO TEVE BOLO!

5 - Pior que tá num fica?: Após aturarmos o Felipe Chinelo, hoje temos que aturar o Superchinelinho.

6 - E por falar em chinelinhos...: O Emerson declarar que é vascaíno explica o motivo de ele não ter conseguido frequentar o nosso departamento médico mais do que o Felipe Chinelo: vice de novo!

7 - O bom velhaco, aliás, velhinho: A exemplo do Sentos e do Palmoles, aquele time japonês, o Asco Cagama, também devia aproveitar o espírito natalino da CBF, que desandou a distribuir títulos nacionais neste fim de ano (eu ainda não recebi o meu, pô!), e reivindicar o reconhecimento do vice-campeonato da Taça Brasil de 1965. Um time que é bivice-campeão mundial (1998 e 2000) terá, com certeza, seu apelo estudado com muito carinho.

8 - Aliás...: Chega a parecer que o Asco Cagama não disputa campeonatos, e sim vice-campeonatos. O Ministério da Saúde adverte de novo: ser vice, vicia.

9 - Finalmente um craque na Gávea: Relógio de brilhantes, tatuagens, boné de aba reta, iPod com som alto no ouvido, dentes de ouro... É o Ronaldinho Gaúcho? É uma grata revelação da nossa base? Não. É David Teague chegando pro nosso basquete!

2013 - Felipe: Taí. A torcida tanto pediu um substituto pro Bruno, que contrataram um substituto pro Bruno, e agora temos, finalmente, um substituto pro Bruno. (Pra mim, não sendo o Felipe Chinelo, qualquer Felipe tá de bom tamanho.)

11 - Piada pronta, em dois tempos: Esta deu no “Enquanto a bola não rola” da Rádio Globo, em 12/12/10: “Acho que Ronaldinho Gaúcho e Felipão dariam certo no Palmeiras porque ambos são gaúchos, e entre eles o relacionamento é diferente.” No programa de 19/12 veio o arremate: “Ah, e o Grêmio também já mostrou interesse...”

12 - Bosco Ferreira, comentarista e zoólogo: “Como se vê, eles continuam hibernando. Sequer assumiram a presidência para a qual foram eleitos.” Os ursos, a saber, são: Catatau Léo, Colimério Ferraz, Poohtrícia Amorim e Luiz Augusto Carinhoso. (Bosco, se no verão eles já estão nessa lombeira, imagina essas feras no inverno!)

13 - E por falar em hibernação...: Se os nossos irmãos ursos resolverem abrir negociação com o expert em inércia Alex Soneca, vão começar hoje e concluir só no final de 2012.

14 - Futebol é um detalhe: O Flamengo quis repatriar o Emerson, mas a UNIMED venceu o leilão. Depois, o Mengão ventilou o nome do Thiago Neves, e a UNIMED está quase lá. Agora, periga a OLK também ir parar no FluminenC. O Celso Barros só não sabe em que posição esse tal de OLK joga.

15 - Ainda 87: Espero que a derrota do Interracional para o Mazembe esclareça definitivamente para os arcoirenses a razão pela qual o Mengão, apesar de infinitamente superior, não se arriscou a jogar contra o Scort Recife em 87. Futebol não é xadrez. Vai que a molambada, que nada tinha a perder, ganha?

16 - Pé-quente ou pé-frio?: A Pat não é pé-fria, como muitos pensam. O Flamengo ter se mantido na Série A, com aquele timeco de Série B, revela uma presidanta muito da pé-quente. Pé-frio é o presidente do Interracional, Vitório Píffero. Ou seria “Péffrio”?

17 - Mora na filosofia 2: “Resistimos aos mandatos de ESS, do Velloso, do KL e muitos outros nos primórdios do Clube. Haveremos de sobreviver a Patrícia Amorim.” – C. Eduardo – Campos/RJ.

18 - “Ainda bem que o ano acabou” – Pat: Ainda é cedo para dizer isso. Essa frase só terá a dramaticidade necessária no fim de 2012.

19 - Compras de fim de ano: Com as despesas que estou tendo com presentes, minha única chance de não estourar o cartão é ser ressarcido pelo bom velhinho. Agora, se for verdade que Papai Noel não existe, Topo Gigio.

20 - Natal gordo: Peru, panetone, chocotone, bacalhoada, rabanada, espumante, nozes, castanhas, leitão... Haja pré-temporada em janeiro!

E nada mais faço.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Parabéns, @urublog



The Man.

Antes tarde do que nunca, te parabenizamos pelo Bi campeonato na Categoria Voto Popular. O Blog mais votado entre todos os concorrentes. O Top Blog do Brasil 2010.

O FlamengoNet tem orgulho de ter Benito "Muhlemberg" Di Paula como nosso amigo e colagorador.

Parabéns, brother, você merece.


Alfarrábios do Melo

1950. O futebol brasileiro vive grande momento, às portas da Copa do Mundo que está para começar. A seleção brasileira vem em grande fase, no ano anterior conquistara o Sul-Americano, e suas atuações recentes motivam o torcedor, animado especialmente com seu craque maior, o ponta-de-lança Zizinho, estrela do Flamengo. Mas Zizinho não parece contente. Sente-se desprestigiado no clube de coração. Não recebe salário compatível com sua condição de astro de primeira grandeza, e tantos anos de serviços prestados. Inteligente, manifesta seu descontentamento de forma sutil, após não conseguir resposta positiva da diretoria, que considera seu salário “justo”. E logo a história vaza para os jornais, sem grande estardalhaço.

O Bangu, clube modesto situado no bairro suburbano de mesmo nome, está em ascensão. Possui planos ambiciosos, quer se tornar grande, no mesmo patamar dos cinco maiores clubes da cidade. E começa a investir num elenco forte para a disputa do Campeonato Carioca, além de cavar um convite para uma importante excursão no exterior. Consciente de que Zizinho anda com muxoxos no Flamengo, o dirigente banguense Guilherme da Silveira Filho marca um encontro com o presidente rubro-negro, Dario de Mello Pinto.

“Gostaria de lhe parabenizar pelo convite à excursão, o Bangu merece”, começa Dario, “obrigado, é muita gentileza de sua parte, estamos nos reforçando para representar o Brasil à altura”, “tenho certeza que vocês conseguirão”, “é, mas se a gente tivesse um Zizinho as coisas seriam mais fáceis”, “impossível, Zizinho é nosso ídolo”, “é, uma pena que ele é inegociável”, “não, aqui no Flamengo ninguém é inegociável”, “nem o Zizinho?”, “Silveirinha, presta atenção: vendemos o Leônidas e fomos bi, vendemos o Domingos e fomos tri. A gente disputa campeonato com qualquer jogador”, “então ponha preço no Zizinho, quanto ele vale?”, “quinhentos mil”, “tudo bem, fechamos nesse valor”.

Incrédulo, o vaidoso dirigente flamengo observa Silveirinha puxar o talão de cheques e preencher uma folha com o valor estipulado. O que iniciara como um mero jogo de palavras termina como um dos mais inacreditáveis negócios já consumados por uma diretoria de um clube de futebol. Zizinho, o maior jogador da história do Flamengo antes de Zico, tido como um dos maiores craques do nosso futebol, é vendido a um clube emergente endinheirado por um preço muito abaixo do valor de mercado.

Ao tomar conhecimento da história, Zizinho jura nunca mais atuar por seu clube do coração. Vai jogar no Bangu e anos depois no São Paulo, onde mantém intacta sua imagem de craque e gênio. E todas as vezes em que enfrentar o Flamengo, sairá de campo com todos os prêmios de melhor da partida. A Nação, enfurecida, quebra, queima, esbraveja, submerge o clube em profunda crise. Mas alguns anos se passarão, e mais um tricampeonato chegará. Com outros jogadores. E o clube seguirá grande, resistindo a quem o dirige. Como sempre acontece em sua história. Até o dia em que o ciclo vicioso se romperá.

Saudações flamengas. Desejo a todos um Feliz Natal e um Ano Novo pleno de conquistas para a Nação Rubro-Negra, aproveitando para avisar que os Alfarrábios retornarão dia 11 de janeiro.

Quanto ao texto, espero que gostem. E aproveitem as metáforas. Há várias.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Carta à comunidade FlamengoNet

Olá amigos, Saudações Rubro Negras!

Nessa última semana nós, administradores do blog, entramos em uma discussão ferrenha e extremamente saudável sobre nossos posicionamentos, pontos de vista, enfim, nossa forma de expressar opinião.

As opiniões emitidas pelos diferentes colunistas do blog refletem muito do que foi o ano de 2010 para o Flamengo, dentro e fora de campo. Iniciamos o ano com o orgulho renovado com o Hexacampeonato. E com o passar dos dias fomos encarando inúmeros tropeços e crises, até terminarmos brigando contra um até então adormecido fantasma do rebaixamento.

Se o torcedor Rubro Negro encerrou 2009 expressando a alegria pelo fim de uma fila de 17 longos anos sem o título brasileiro, bastou um 2010 com inúmeras crises para que esse sentimento perdesse espaço para a insatisfação.

Esse foi um ano em que vimos alguns sonhos frustrados dentro das quatro linhas, vimos nossos atletas em páginas policiais. Vimos até mesmo o inimaginável que é ver seus ídolos, como Andrade e Zico, abandonados ou desprivilegiados por pessoas que estão dentro do Flamengo. E independente de corrente política, não há como assistir a isso tudo sem um posicionamento crítico, sem um grito, sem repúdio.

E aí pensamos: Isso faz do FlamengoNet um blog de oposição? Posso lhes dizer que não, afinal não somos conduzidos por qualquer linha política interna, tampouco aceitaremos isso.

Desde sua criação, o FlamengoNet possui uma identidade que, por mais óbvia que pareça, se resume em um princípio: Amor incondicional ao Flamengo.

É exatamente isso que diariamente tentamos expressar, de forma democrática, pluripartidária. Não à toa, a administração do blog é composta por cinco diferentes cabeças, cada um com sua visão política, mas todos cheios sem dúvida, de um mesmo sentimento que é esse imenso amor ao Flamengo.

Nem oposição, nem situação, somos unicamente Flamengo.

Se esse ano nosso discurso foi mais pesado, foi reflexo de um posicionamento crítico aos insucessos de gestão, seja lá em que nível eles tenham ocorrido.

Esse espaço continua e continuará sendo um ponto de encontro para as discussões que envolvam o Flamengo, sem distinção ou privilégio de ideologias. Aqui, todos têm voz ativa: Nas conquistas ou nos fracassos.

O importante é promover, através do blog, posicionamentos e idéias que tornem o Flamengo cada vez maior.

Aproveitando o fim de ano, normalmente um momento de reflexões, reforçamos nossas esperanças por um Flamengo cada dia melhor.

E assim desejamos desde já muito sucesso a todos aqueles que em seus diferentes níveis e cargos, tem a condução do clube em suas mãos. Saibam que com a mesma força que criticamos estaremos aqui, aplaudindo de pé, cada passo de sucesso dado pelo Flamengo nos próximos anos.

Antecipo também o desejo de boas festas e excelente ano novo a todos nossos companheiros e amigos que nos acompanham a cada post. Vocês são a razão de ser do FlamengoNet.

Um grande abraço e Saudações Rubro Negras, hoje e sempre!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

O silêncio, o goleiro e o elogio

Bastou a diretoria andar pelas esquinas sem falar alto para uma boa contratação aparecer. Enquanto os barrigueiros - aqueles que usam e abusam do "teria dito, teria falado, blá, blá, blá. Volto mais tarde" e que gostam de fazer jornalismo pra pobre - vinham com o ex-goleiro do Palmeiras como nossa nova contratação, na surdina apareceu Felipe, para, no dia seguinte, ser apresentado no site oficial do clube.

Espero que tenham aprendido, e principalmente visto como a eficiência e eficácia andam lado a lado. Ponto para a diretoria.

Sobre o goleiro Felipe, acho que tem tudo pra nos dar alegrias. Já se declarou rubro-negro algumas vezes - e isso SEMPRE pesa - e está no nível de todos os bons goleiros que atuam no país. Está acostumado a pressão e aporrinhação, e, o mais importante, tem personalidade forte. Não faz o gênero que entra mudo e sai calado. De minha parte, gostei da contratação.

E o elogio é para a diretoria. Já deixei bem claro que não sou e nunca serei oposição ao clube. Sou oposição, sim, a quem resolver administrar o Flamengo como se fosse uma cozinha suja. Quando eu tiver que bater, vou bater. E quando tiver que elogiar, como hoje, elogiarei. Se todas as negociações forem assim, sem aquela papagaiada de setorista transformando o clube no picadeiro do palhaço Carequinha, certamente conseguiremos contratar com qualidade. Nessa de hoje, bola dentro da diretoria. Não obstante eu considere um ano de contrato muito pouco. Se o goleiro se criar, se fizer o que esperamos dele, vai se valorizar, e, em dezembro, é tchau.

Bom vindo, Felipe. Agora sim você poderá dizer que joga para a MAIOR TORCIDA DO MUNDO.

Bom fim de semana a todos.

E nada mais digo.

Sigam minhas atrocidades no twitter: @alextriplex


ASCENSÃO E MORTE DE UM TORCEDOR RUBRO-NEGRO

Antes de tudo, cumpre esclarecer que nem estou com intenções suicidas, e JAMAIS mudarei de time. Quero apenas organizar uma série de pensamentos que vêm assombrando meu combalido cérebro, e que à luz dos acontecimentos deste ano tristonho merecem algum tipo de elaboração.

Refiro-me a um tipo particular de torcedor do Flamengo, ao qual pertenço, compreendido nos limites um tanto vagos da geração que fica entre os trinta e os quarenta anos, ou seja, aquela geração de flamenguistas que começou a torcer justamente no apogeu dos anos dourados da Era Zico. Graças a uma circunstância etária fortuita, comecei a acompanhar futebol justamente na Copa de 1978 e naquele campeonato carioca que se encerrou na cabeçada mitológica do Deus da Raça. Fui habituado a torcer para um time que: ganhava títulos em sequência; aplicava goleadas implacáveis; demolia tabus; cedia pencas de jogadores para a Seleção Brasileira; batia recordes; era um modelo de organização e eficiência; formava craques em todas as suas divisões, do “dente-de-leite” ao profissional; entrávamos em qualquer campeonato para brigar pelo título.

Crescemos comemorando títulos e vitórias, e mesmo quando estes não vinham, pois no futebol é impossível vencer sempre o tempo todo, sabíamos que após uma ou outra fase ruim, viriam novas conquistas. Assim sendo, esta geração comemorou as glórias dos anos fantásticos de 1978 a 1983; chorou a venda do astro-maior Zico para o Udinese; sofreu com os insucessos de 1983 a 1985, e com o êxodo de jogadores para a Europa; comemorou o retorno do Galinho e a consolidação de uma nova fornada de craques mais jovens; comemoramos e legitimamos na marra o tetracampeonato de 1987; sofremos com o desmonte de 1989; assistimos ao maestro Júnior liderar mais uma legião de pratas-da-casa para reconquistar o caneco brasileiro. Isto era o Flamengo, era o nosso Flamengo, nas vitórias frequentes e nas derrotas ocasionais. Mesmo os eventuais insucessos e dificuldades eram apenas tempestades passageiras que serviam apenas para abrilhantar os novos triunfos que se seguiam.

Alguma coisa aconteceu, e não sei precisar quando e como. Acho que em algum momento, entre 1993 e 1995, algo sujo, podre e contagioso infectou o Gigante. Talvez tenha sido o desmonte ocorrido neste período, pulverizando o nosso último bom plantel de juniores, que foram todos virar ídolos em outros times. Ou talvez a explosão galopante das dívidas que prejudicaram nossa capacidade de financiar contratações e manter elencos com um mínimo de profissionalismo. Talvez tenham sido as contratações tresloucadas da “era glacial” de Kleber Leite, que terminaram por sepultar uma filosofia baseada na formação de craques, e apelar para supercontratações de impacto. O Flamengo tornou-se refém de credores, de empresários de reputação duvidosa, de interesses subterrâneos, de jogadores afeitos ao estrelismo e viciados em regalias e privilégios, e de uma casta de parasitas que encastelou-se nos altos escalões da administração, muitas vezes divididos em facções , ora em eterna disputa fratricida, ora em alianças oportunistas. Talvez 1995 seja um ano mesmo simbólico, já que no Brasileiro daquele ano, o Flamengo pela primeira vez correu sério risco de ser rebaixado, algo impensável na década anterior. Desde então viriam novos altos e baixos, e ainda ganharíamos muitos títulos, dois tricampeonatos estaduais, uma supercopa com tintas heróicas, culminando nas conquistas recentes da Copa do Brasil, e finalmente, do Hexacampeonato, após um jejum que parecia eterno. Nossa última geração de jogadores – emblematicamente formada por pouquíssimos jogadores formados na Gávea – vinha se saindo muito bem: conquistaram títulos além da esfera estadual, e por três anos seguidos vinham brigando pelas primeiras colocações no Brasileiro. Conquistamos o Hexa e parecíamos ver uma luz no fim do túnel. Seria o resgate das glórias flamengas do nosso maiúsculo passado ?

NÃO.

A luz no fim do túnel era uma locomotiva vindo na nossa direção. O que antes era a norma, acabou virando a exceção. Se o Flamengo até 1995 parecia um time destinado às vitórias, com percalços eventuais, nos anos que se seguiram ele se transformou num clube manchado pelos vexames e pela incompetência, com as glórias passando a ser episódicas e circunstanciais. Tudo o que havia de bom pairando no horizonte esvaiu-se no ar, e atravessamos 2010 como passageiros de um expresso do horror. É como se este novo flamengo de letras muito minúsculas quisesse torturar nossa alma torcedora para nos lembrar que vivemos em outros tempos, e que o FLAMENGO da nossa infância não passa de um mero fantasma dos natais passados. Um clube-fantasma evaporando-se no ar, e levando consigo seus torcedores-fantasmas. Sinto-me totalmente identificado com o marasmo apontado pelo Paulo Lima, numa definição magistral de nossa situação. Aquele torcedor de oito anos de idade que eu era em 1978, que tanto gritou e chorou pelo Flamengo, e seus milhões de irmãos e irmãs flamengos espalhados pelo mundo, entrou em coma em 1995, e após uma dolorosa agonia de quinze anos, parece estar prestes a ter sua morte cerebral diagnosticada. Nascerá um novo torcedor em seu lugar, acostumado ao marasmo e à mediocridade, indiferente e cínico, pois estará consciente de que não se deve esperar muito. Talvez seja apenas a maturidade dos meus quarenta anos fazendo-me enxergar a realidade como ela é, despertando-me das ilusões do futebol. Talvez isto me torne mais apto a sobreviver neste mundo, onde não posso ignorar que o futebol é uma das muitas engrenagens de uma rede intrincada de podres poderes, onde agem muitas forças ocultas (e muitas nem tão ocultas assim), e onde se misturam de forma explosiva comércio, esporte, política, religião (com igrejas ávidas pelos polpudos dízimos dos atletas), e, não posso deixar de citar, os tentáculos do crime organizado. Sei que o Flamengo não é a única vítima desta mediocrização do futebol, e em nossa crise há um forte componente conjuntural, que aflige todos os clubes como um todo: incapacidade de competir economicamente com os clubes europeus, vulnerabilidade à ganância dos empresários; estruturas administrativas amadoras e decadentes; grupelhos de dirigentes que se perpetuam em seus cargos, nas federações e na CBF.

Cabe aos profissionais que formam o Clube de Regatas do Flamengo, dentro e fora das quatro linhas, se reorganizar e trabalhar muito para fazer com que esta idade das trevas se encerre o quanto antes, e que se inicie uma nova era de grandeza. Não espero muito daqueles que atualmente mandam no clube, mas sigo torcendo - como bom "torcedor" - por uma utópica ressurreição. Utopias existem para isso: nos apontar a direção a ser seguida.


quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Essa tal de reformulação

É comum em algum momento clubes de futebol, mesmo os vencedores, reformularem suas equipes para manter o time na ponta. Existem pouquíssimos casos de reformulações bem feitas na era dos pontos corridos. Desde 2005, o Flamengo tentou mudar um grupo só alcançando uma disputa, de fato, pelo título no inglório ano de 2008. A derrota naquele ano acabou fortalecendo torcida e grupo para o hexa no ano seguinte. São quatro anos para um título brasileiro, três estaduais e uma Copa do Brasil.

Tricampeão brasileiro, o clube do Morumbi demorou a engatar sua reformulação. Engatou um terceiro lugar em 2009 (rá!) e ficou fora da libertadores depois de sei-lá-quantos-anos-consecutivos. Esse ano tiveram três técnicos e resolveram apostar em Carpegiani para recomeçar do zero usando as divisões de base do clube, abandonadas na era Muricy.

O melhor exemplo nesses anos talvez seja o internacional. Campeão da Libertadores de 2006, teve um 2007 ruim e recomeçou tudo em 2008 abrindo mão de medalhões que, segundo dizem, se sentiam donos do clube. Em 2009 por muito, muito pouco mesmo não foram campeões brasileiros, mas se classificaram para Libertadores que venceram esse ano. Como constante: o Internacional nunca se desfez de um jogador antes de ter seu provável substituto. Alex se foi um ano depois da chegada de Giuliano ao Beira-Rio, por exemplo. Independente do trágico final dessa história (Kidiaba que o diga), o colorado tem duas libertadores em quatro anos e uma Sul-Americana para confirmar o sucesso de seu planejamento.

Em todos os exemplos bem-sucedidos há critérios indispensáveis. Contratos longos, buscar aumentar o nível técnico e manter quem está bem para dar tempo dos novatos se entrosarem. Até aqui, reformulação inexiste na Gávea. O que existe é a saída de alguns jogadores sem que haja seus substitutos. É esperar para ver quem será a cara do novo time.

******

Fala-se muito de Éverton e Diego Cavalieri chegando nos próximos dias. Não seriam as minhas prioridades, mas caso se confirme são dois bons nomes. Só vale lembrar que mesmo sendo jovem, Éverton chegaria por empréstimo, condição que só deveria trazer quem jogasse em altíssimo nível. Não é o caso.

******

Update: pelo que se falou durante o dia, esqueçam o Cavalieri.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010


Calúnia do Rúbio Negrão

Comunicado de falecimento. A quem interessar possa.

Cumpre ao consternado sequestrador (que prefere manter seu nome em sigilo) de Manuel Joaquim Cabral Filho da Pontes comunicar o falecimento deste aos seus familiares, amigos, clientes e fornecedores.

Apesar de ter sido tratado de forma digna, o decente cidadão sucumbiu tal qual um esfaimado tratado a pão de ló. Dignidade demais atrapalha.

Este anúncio não está sendo veiculado em um jornal de grande circulação em virtude da absoluta falta de recursos para tal, uma vez nenhum lucro foi auferido pelo sequestrador a título de resgate.

Assim sendo, o sequestrante solicita aos leitores e comentaristas do blog da Flamengonet que divulguem o trágico desfecho deste triste imbróglio, que se arrastou por meses, e que teria sido bem menos traumático se o sequestrado fosse um pouco mais pé-quente.

Caso alguém venha a lamentar a perda do de cujos (melhor “de cujos” do que “deu cujos”, postumamente falando), o sequestrador gostaria de reafirmar que o refém sempre foi muito bem tratado, vindo a falecer não de frio, doença ou maus-tratos, mas sim de profundo tédio causado pelo futebol apresentado pelo Flamengo por ocasião dos últimos jogos do Brasileirão 2010 (tédio que só não foi mais avassalador graças às zapeadas que ele dava para a TV Senado quando eu saía para buscar mais vermute na geladeira).

Mesmo assim, o Sr. Filho da Pontes fez tudo o que pôde para livrar o Flamengo de uma humilhação semelhante a que sofria, só que na Série B. Ele torceu, gritou, rezou e suportou todos os tormentos e privações sempre de maneira nobre e honrada, mesmo quando o Val Baiano ia pro jogo.

O Sr. Filho da Pontes pode ter partido prematuramente, mas pelo menos foi poupado de ver seu clube de coração ser ultrapassado pelo Fluminense na disputa pelo posto de segundo time em importância do Rio de Janeiro.

Além disso, deixou uma lição eterna para as gerações futuras. Diz-se que “onde come um, comem dois”, mas o sequestrado provou a falsidade dessa afirmação capciosa. Ainda mais quando aquele que come, come pouco e mal pakarai! Aqui em casa, quer dizer, na casa do sequestrador, nem ele mesmo come direito, que dirá um refém ocioso morgando o dia inteiro no quarto de empregada!

Portanto, não foi assassinato. Foi eutanásia.

Porém, o sequestrante aproveita para ressaltar que nada tinha contra o refém. Ele foi aduzido com o único intuito de chamar a atenção do mundo para a possibilidade de rebaixamento do Flamengo à época. Foi a forma encontrada de conscientizar os atletas do referido Clube de que aquele mesmo drama poderia ocorrer a algum ente querido.

Melhor dizendo: caso o Flamengo caísse, o refém também, por assim dizer, “cairia”, e um substituto à altura seria providenciado...

Agora que o Sr. Filho da Pontes se foi, o sequestrador passa a torcer pela queda de todo o Conselho Diretor do Clube, para que a sua morte não tenha sido em vão.

Nota do Rúbio Negrão: Aos que estão revoltados por eu ter matado o refém, só respondo uma coisa: Agatha Christie matou Hercule Poirot. Conan Doyle matou Sherlock Holmes. Angeli matou Rê Bordosa. Bruno matou as chances na Copa de 2014. Ora, então por que eu também não posso matar meu personagem? Só porque sou pobre e desempregado?

Ainda tentei vender os direitos autorais do mesmo para algumas editoras, mas ninguém quis comprar porque ele é vascaíno, um hábito socialmente mais reprovável que o fumo.

Aí, o refém virou um parasita social aqui na minha gaveta. Não tomava banho, não comia, não bebia, não respirava, não se mexia, vivia em letargia... até parecia a Pat depois de uma overdose de adrenalina.

Mas quem garante que eu realmente matei o refém? Em função do atual recesso futebolístico, quando jornais, revistas e sites não podem ficar vazios, há por aí uma outra versão dessa história, segundo a qual o meu refém se encontra em Bali, curtindo adoidado os dólares que furtou do meu cofre antes de fugir na véspera do último Flamengo x Cruzeiro.

Acredite em qual das duas preferir. Como diria Pirandello, “Assim é se lhe parece”.

E só pra esclarecer: o Flamengo não está contratando nenhum Pirandello.

Acho.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RESTABELECENDO AS VERDADES DOS FATOS.


Caros,

Na reportagem constante deste Link http://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2010/12/11/flamengo-fecha-o-ano-com-evolucao-de-receitas-apesar-do-fracasso-no-futebol.jhtm , ficamos com a falsa impressão que nosso Marketing teve, durante o ano de 2010, um desempenho auspicioso.

Conforme ressalta o título, procuraremos, de forma sucinta, restabelecer a verdade dos fatos.

Para tal, destacamos quatro pontos básicos em nossa análise:

a) As receitas de 2008 e 2009 mantiveram-se, relativamente, estáveis graças a dois fatores do conhecimento de todos - Nike e Petrobrás. A luta por melhores oportunidades para o Clube foi árdua, destacadamente no que diz respeito a contratos condizentes com o Fornecedor de Material, bem como, com o Patrocinador Master. Somem-se à mesma, as sabotagens empreendidas por Conselheiros do clube, que eram da Oposição e hoje estão na Situação. Ou seja, aqueles que hoje alardeiam o aumento das receitas, são exatamente aqueles que atacaram o que foi realizado em 2008/2009;

b) O aumento das receitas de patrocínios em 2010 é, obviamente, reflexo dos contratos fechados e assinados pela gestão anterior com a Olympikus e com a Batavo. O contrato com a Olympikus começou a vigorar em junho de 2009, ou seja, apenas metade de seu valor foi apropriado naquele ano. O valor total, R$ 22 milhões, só pode ser computado em 2010. No caso da Batavo (R$25 milhões) o contrato foi fechado há exatamente um ano - entre o Natal de 2009 e o Ano Novo. Em nenhum dos casos houve qualquer intervenção da atual diretoria para alcançar esse resultado, pelo contrário, muitos dos atuais dirigentes, como já ressaltamos, eram ferrenhos defensores da Nike e da Petrobras. Com relação à Batavo, é de conhecimento geral que, dada à atual administração irresponsável do contrato, a empresa já comunicou que não tem intenção de renovar. Desnecessário ressaltar quanto nos causa espécie a suspensão dos três últimos pagamentos do contrato em vigor.
O valor real arrecadado com patrocínios pelo Flamengo em 2010, foi publicado pelo Meio & Mensagem - http://www.mmonline.com.br/noticias.mm?url=Futebol_gerou_R__374_milhoes_em_patrocinio - esta semana, em seu ranking de patrocínios de clubes e totaliza R$ 57 milhões, dos quais R$ 47 milhões foram gerados pelos contratos acima citados com a Batavo e a Olympikus.

c) Com relação às receitas de licenciamento, já vinham crescendo desde 2009. Tal crescimento foi fruto da contratação em 2008 de pessoas especializadas em Licenciamentos para o Departamento de Marketing, bem como, no implemento de uma política de auditorias constantes quanto ao desempenho dos contratos. Além disso, o contrato com a AmBev, no valor de R$ 2 milhões, com impacto nesse crescimento, começou a ser negociado em 2009. A negociação não foi finalizada em 2009, em razão dos quatro clubes envolvidos não chegaram a um acordo.

d) Finalmente, a única linha de receita que, de fato, reflete o ano de 2009 é a de bilheteria, por ser apurada ao longo do ano. Essa sim é mérito da atual gestão.

Quanto às projeções para 2011, vale perguntar: o Flamengo conseguirá um Patrocinador Master no mesmo patamar? Conseguirá, em um estádio menor, com forte rejeição do torcedor e um time tecnicamente inferior, incrementar suas receitas de bilheteria?

É necessário aguardarmos o fechamento de 2011, para podermos avaliar o resultado da atual gestão no Marketing Rubro-Negro.


Extremamente lamentável é a postura de alguns, em se apropriar, indevidamente, do trabalho dos outros e alardear como de seu próprio mérito.

Aguardemos.
SRN


Mario Cruz
Sócio Emérito.

Alfarrábios do Melo

Saudações flamengas a todos.

Dida, Leonardo Silva, Juan, Manoel; Fabiano, Ibson, Wagner, Thiago Neves, Everton; Kleber, Forlán. Pouco mais de uma semana de inatividade, e já dá pra escalar um time bem razoável, apenas com o que foi ventilado na imprensa com rumores, especulações, fofocas ou simples engordas promovidas por empresários. Um troço insuportável, simplesmente impossível de comentar. E nem falei de Adriano, Júnior César, Ciro...

Essa semana eu resgato um débito antigo, cumprindo um compromisso assumido neste post. Com certa surpresa, apurou-se que o jogo mais mencionado nos comentários foi a primeira partida da final da Mercosul-99, Flamengo 4-3 Palmeiras. Eu imaginava que o jogo do tri (gol do Pet) iria ser quase unânime. Mas, como nada que envolve Flamengo é previsível, aí vai, como prometido, um post sobre o jogo da Mercosul. Então, boa leitura.

1999. Imerso em forte crise, decorrente da melancólica e prematura eliminação de um Campeonato Brasileiro que chegou a liderar, cujo ápice foi o escândalo com prostitutas em Caxias do Sul, o Flamengo demonstra mais uma vez sua incrível capacidade de se reerguer, e em um mês já está novamente disputando um título, às voltas com a final da Copa Mercosul. Mas poucos acreditam no rubro-negro, especialmente pela força do adversário, o temido e poderoso Palmeiras.

O alviverde paulista possui uma equipe equilibrada, sob o comando do cada vez mais prestigiado Luiz Felipe Scolari, multicampeão no Grêmio, de onde traz o lateral Arce e o atacante Paulo Nunes. Jogadores experientes, como Júnior Baiano, César Sampaio e Zinho alinham-se a nomes em ascensão, casos do goleiro Marcos, do meia Alex e do atacante Euler. A cereja do bolo é o colombiano Asprilla, estrela internacional célebre por seu talento e suas confusões fora de campo. Enfim, um time fortíssimo, atual campeão da Libertadores, que busca a supremacia absoluta do continente vencendo também a Mercosul (torneio do qual é o atual campeão).

O Flamengo, em baixa após Caxias, busca remontar a base campeã estadual. Sem Romário e Fábio Baiano, sumariamente afastados (o apoiador será perdoado no ano seguinte), o time aposta nos jovens Juan, Lê, Reinaldo e Leonardo Inácio, amparados pelos experientes Clemer, Célio Silva e Leandro Ávila, além de Athirson, Maurinho e Rodrigo Mendes. No ataque, o contestado Leandro Machado disputa vaga com o carismático Caio, xodó da torcida, destaque com gols importantes, mas que só rende quando entra no decorrer dos jogos. O onze flamengo, comandado por Carlinhos, possui alguma qualidade. Mas é aguerrido, e está mordido com o adversário, que o eliminara da Copa do Brasil em partida polêmica. Está magoado com a pilhéria, o sarcasmo, a ironia. E a história mostra que não é inteligente zombar de um Flamengo humilhado.

As trajetórias das duas equipes acentuam o favoritismo palmeirense. Após um início claudicante, os paulistas atropelaram quem apareceu pelo caminho, com direito a goleadas de 7-0 no Racing e históricos 7-3 no Cruzeiro. O Flamengo se classificou na bacia das almas, ao golear o Universidad Chile por 7-0, num jogo místico. Nas Semifinais, impôs-se ao Peñarol, saindo com a vaga na marra após a violência uruguaia.

A primeira partida final será no Maracanã. Em obras, para a disputa do Torneio de Verão patrocinado pela Fifa que será disputado em janeiro (sem representatividade ou legitimidade, pois não contará justo com o Palmeiras, campeão da Libertadores), o estádio tem sua capacidade reduzida, e apenas 20 mil ingressos são colocados à venda. Lamentável, pois os dois times jogarão bola digna das mais ilustres jornadas vividas pelo velho templo.

O Flamengo vai a campo cauteloso, três volantes, Caio no banco. Mesmo assim, começa a partida de forma arrasadora, busca encurralar desde o início. Preguiçoso, autoconfiante e algo arrogante, o Palmeiras se deixa dominar. O resultado é rápido, com cinco minutos Reinaldo perde boa chance, Marcos manda a escanteio. Na cobrança de Iranildo, a bola é escorada, atravessa toda a área e aparece limpa para Juan fulminar de cabeça e abrir o placar. Flamengo 1-0.

O gol dá confiança ao jovem time flamengo, mas o respeito ao adversário é vivo. O time recua, o Palmeiras passa a dominar, cria chances, acossa Clemer. Cada minuto se torna angustiante para o torcedor flamengo, mas justo quando a agonia parece perto do fim, surge uma falta do lado direito do ataque palmeirense. Falta um minuto para o intervalo. Arce cruza, Clemer sai estabanado e esbarra em Célio Silva. A bola ri do goleiro desastrado e se oferece a Júnior Baiano, que manda pro gol vazio. É o empate palmeirense, e em igualdade os dois times descem pro vestiário.

Sabendo que o resultado não o favorece, Carlinhos saca o apagado Iranildo e coloca Caio, que irá atuar mais recuado. A alteração dá certo, o time volta mais aceso, e um belíssimo voleio de Caio, obrigando Marcos a voar a córner, incendeia o estádio. Mas o Palmeiras não se abala, assusta em contragolpes. O jogo fica interessante, franco, aberto. A garotada flamenga tenta imprimir velocidade, o visitante quer cadenciar a bola. Desse duelo entre o ímpeto e a classe surgirá um dos mais impressionantes momentos que o futebol terá sido capaz de proporcionar. Algo mágico, intenso, alucinante, orgiástico. Simplesmente inesquecível.

22 minutos, escanteio para o Palmeiras. Arce na cobrança, Caio escora mal, Galeano manda de volta pra área, Asprilla, esperto, se antecipa a Clemer e entra de cabeça. É a virada palmeirense. O estádio, atônito, sente o golpe, o time se atordoa, o Palmeiras agora parece senhor do jogo e do campeonato. Toca a bola manhoso, os flamengos batem cabeça. A apressada transmissão paulistana já fala em goleada. Mas Reinaldo apanha uma bola na intermediária, abaixa a cabeça e corre. Corre, deixa Júnior Baiano pra trás, cruza torto, a bola se perde, Leandro Machado vai buscar e cruza. Caio vem na corrida e escora com precisão, no contrapé de Marcos, empatando a partida, aos 25’. Bastaram três minutos para a reação flamenga.

Mas o balé ainda está apenas no começo. Empolgado, o Flamengo avança suas linhas e se descuida. Uma bola perdida no meio será fatal. Zinho recebe e chama Asprilla, que avança com a bola e olha. O passe é mortal, açucarado, tenro, encontra Paulo Nunes inteiramente livre para rolar no canto. Temos 27’, e o Palmeiras está novamente na frente. Sua torcida festeja, tripudia, os jogadores dão pulinhos comemorando. O Flamengo dá a saída, toca uma correria nervosa, Caio recebe e busca a tabela com Leandro Machado, que faz a parede e devolve ao xodó, que entra como uma flecha e arremata seco, no canto. 28’, o Flamengo empata novamente o jogo, que vira uma loucura lúbrica de gols, uma luta aberta de boxe com franca troca de golpes. O estádio, excitado, grita, não está lotado mas dane-se, o barulho é infernal, aos 29’ Caio entra livre mas se atrapalha com a bola e perde a chance da virada.

Agora o jogo é todo flamengo. A garotada de Carlinhos verdadeiramente acua o gigante palmeirense em seu campo, Felipão enche o time de volantes e zagueiros, quer segurar o empate. Mas o Flamengo está implacável, cria uma chance atrás da outra. A improvável virada parece iminente. Até que, aos 39’, surge um escanteio.

Athirson cobra, Arce afasta de cabeça. Célio Silva pega a sobra, livra-se de Alex e devolve a Athirson. O cruzamento sai melífluo, sensual. Reinaldo, o garoto Reinaldo, roça de cabeça, o suficiente para que a bola esboce uma trajetória matreira, que engana completamente o “monstro” Marcos, inerte, estático, incrédulo como um gigante abatido. A bola vai repousar placidamente ao pé da trave, aconchegada mansa dentro do gol. Um quadro lírico, que contrasta com a festa infernal de uma torcida, que com 20 mil é capaz de fazer do Maracanã uma panela. Isso é Flamengo, porra!

Após o quarto gol, não há força da natureza capaz de tirar a vitória do Flamengo. Jogadores, comissão técnica, torcedores, São Judas, todo mundo defende a cidadela flamenga, e súbito o poderoso Palmeiras se torna pequeno. Como pequenos se tornam todos os que vivem o dissabor de afrontar a sagrada comunhão entre o Flamengo e sua imensa Nação. É nesse momento que se percebe porque aquilo que seria uma mera instituição esportiva se torna uma religião, um fator de identidade, uma razão de vida.

Poucos dias mais tarde, a garotada flamenga irá calar um estádio e confirmar o título da Mercosul em outra ciranda de gols. Mas, mais importante do que mais uma conquista internacional, é a demonstração de que, por mais que tripudiem, que tentem diminuir sua grandeza, que procurem tratá-lo como uma banal agremiação, o Flamengo sempre, a seu tempo, ressurge ainda mais forte, ainda mais poderoso, ainda mais invejado, amado, odiado e cultuado.

Porque existem clubes de futebol. E existe o Flamengo.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Por que o Corinthians não é (nem nunca será) um Flamengo
Por Vinicius Paiva


Peço licença aos colegas que escrevem hoje para uma pequena e extraordinária manifestação. Como muitos já perceberam, o grande assunto do dia - segundo a grande mídia - fugiu do escopo “contratações e especulações”, assunto intrinsecamente relacionado a estes tempos de pouco futebol e muita boataria. Os principais veículos de comunicação, capitaneados pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, repercutiram o novo “estudo” da Crowe Horwath RCS, onde o Corinthians superaria o Flamengo em valor de mercado. Não apenas o Corinthians, diga-se. O São Paulo também supostamente se encontra à frente do rubro negro: R$ 749,8 milhões para o alvinegro paulista, R$ 659,8 milhões para o tricolor e R$ 625,3 milhões para o rubro negro.

Seria tudo muito bonito, bem feito e cheio de critérios – 18 no total, entre eles “dados financeiros históricos” (?), pesquisas com torcedores, hábitos de consumo, dados sócio-econômicos e até mesmo presença ao estádio. Se não fosse por uma coisinha.

Crowe Horwath RCS: R = Raul / C = Corrêa / S = Silva.

Raul Corrêa da Silva, sócio fundador e presidente da companhia, como se verifica em http://www.rcsauditores.com.br/port/equipe.html é ninguém menos que o DIRETOR DE FINANÇAS DO SPORT CLUB CORINTHIANS PAULISTA.

Duvidam? http://www.corinthians.com.br/portal/clube/default.asp?categoria=Diretoria

Não adiantaria contratar bons profissionais como Amir Somoggi (gerente responsável pelo “estudo”, e um dos principais profissionais de marketing do setor). Não adiantaria ter as costas quentes perante a mídia, fazendo-a divulgar a informação como se fora uma verdade absoluta, sem o menor questionamento ou apuração. Se este fosse um país sério, JAMAIS um instituto presidido por um diretor de clube de futebol teria alguma credibilidade para pubicar “estudos” que advogassem em causa própria.

Só que este não é um país sério. É o Brasil, da mídia paulistizadora, concentrada na sede do mercado publicitário (São Paulo) e que enxerga o país como uma mera e inexpressiva extensão do filet mignon paulistano. Este é o Brasil da paranóia do Ibope – paulistano, é claro. E é também o país do abjeto processo de corintianização, que faz com que todos os veículos – praticamente sem exceções – vibrem e atuem em prol do objetivo de destronar o Flamengo do posto de maior e mais importante clube de futebol. O bastão, afinal, precisa ser passado ao Corinthians, tendo como cereja do bolo a liderança no mais cobiçado dos rankings: o de maior torcida do Brasil – quiçá, do mundo. O que explicaria que este posto seja ocupado por um representante do “resto do país”, afinal?

Quando eu digo que não existem exceções na mídia, isto inclui a dona Rede Globo, antiga parceira e a quem muitos (do arco-íris) atribuem a responsabilidade da enorme popularidade do Flamengo. Pura bobagem, considerando que a avassaladora paixão pelo Flamengo remete ao início do século passado, mas enfim. Vejam a escala de transmissão do Campeonato Paulista 2011 – em que o Corinthians será veiculado em TODAS as rodadas, num total de 16 jogos (sendo 8 para toda a rede da Globo SP) e comparem com a escala de transmissão da Taça Guanabara – 2 jogos do Flamengo em 6 rodadas – e entendam do que estou falando.

O problema é que as justificativas dadas para a “supremacia corintiana” beiram a xenofobia, ao supervalorizarem o contingente de torcedores classes A e B do time paulista – quase tão popularesco quanto o Flamengo. O Corinthians tem a maior torcida no estado mais rico e ponto, isto lhes basta. Em termos de renda per capita, Vitória-ES é a capital mais rica do país, seguida por Brasília. Em ambas o Flamengo possui maioria absoluta de torcedores? Danem-se. Dentre os cinco estados mais ricos do Brasil (sob a mesma ótica do PIB per capita), o Flamengo é absoluto em quatro deles (Distrito Federal, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Espírito Santo)? Danem-se. Afinal, “existe vida fora de São Paulo?”, questionam.

Mas mesmo com tantas e reiteradas mentiras ventiladas na mídia na esperança de se tornarem verdade, eles não conseguem. Ao menos, até hoje passaram longe de conseguir. O Corinthians não é um Flamengo. Desde 1982, quando a Placar veiculou a histórica e antológica capa que ilustra esta coluna, tendo como jornalista responsável pela matéria o corintiano Juca Kfouri.

E por que o Corinthians não é um Flamengo? Eis a pergunta de um milhão de dólares, meus caros. O Corinthians não é um Flamengo simplesmente porque existem mais mistérios entre o céu e a terra do que julga nossa vã filosofia. Quanto mais eles nos batem, mais fortes ficamos – pesquisas entre jovens e crianças (http://tiny.cc/fdz9y) comprovam o que digo. Além do mais, apesar do recente recrudescimento dos times do Rio de Janeiro, o próprio futebol carioca – bi-campeão brasileiro - esboça uma reação que precisa ser reconhecida. Mas acima de tudo, o Corinthians não é um Flamengo porque paixão não se compra. E eles, que tanto se gabam por serem apaixonados, no fim das contas acreditam mesmo é que o poderio econômico pode e deve se refletir na supremacia sentimental. Mas não pode. E nem deve.

É por isso que, desde os famosos “quarenta minutos antes do nada” até daqui a mil anos, o Flamengo há de continuar a ser aquilo que sempre foi: algo que nada, nem ninguém, pode ser maior.

E-mails para a coluna: viniciusflanet@gmail.com

Twitter: www.twitter.com/viniciusflanet (@viniciusflanet)