quinta-feira, 31 de maio de 2012

É PC Coutinho quem deveria cair






Um bom dirigente de futebol sabe de suas limitações, contrata bons profissionais e atua como fiscal e supervisor exigindo que as metas pré-acordadas sejam alcançadas e nas crises trabalha sempre para apagar incêndios ao invés de aumentá-los. Não é o caso de PC Coutinho, vice de futebol do Flamengo.

Coutinho não chegou ao clube por competência, mas simplesmente por uma questão política. Filho do técnico Cláudio Coutinho, é mais um elemento que Patrícia Amorim, desde 2010 interessada apenas em se reeleger vereadora e presidente, coloca no poder para colher votos. Ainda assim, ele poderia ter aproveitado a situação para fazer jus ao nome da família. Infelizmente, ao contrário do pai, um técnico com idéias revolucionárias nos anos 80, PC é o típico dirigente amador no melhor estilo conselheiro-síndico.

Em mais uma situação de amadorismo berrante, o dirigente foi flagrado falando com torcedores abertamente que Ronaldinho Gaúcho está suspenso, em meio a insinuações de que o meia está mesmo rompendo relações. Para quê? Não ajuda nada ao time, atrapalha o bom trabalho de Zinho e prejudica muito mais o técnico Joel Santana, o menor dos problemas do clube. Agora, Coutinho conseguiu jogar gasolina no incêndio e piorar uma situação nada boa. Imaginem Assis usando esse vídeo em um processo judicial?

Muito antes de Joel Santana ou Ronaldinho Gaúcho, é PC Coutinho quem deveria cair (disse isso semanas atrás). Se o Flamengo sofre nesta temporada não é pelos profissionais pagos pelo futebol, mas pela mais absoluta sucessão de trapalhadas dos dirigentes amadores, indicados sempre por critérios políticos. E nunca por sua competência. Pobre Flamengo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Adidas: Nem Tudo Que Reluz é Ouro



XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na madrugada de hoje recebi por email esse estudo destrinchando a proposta "milionária" da Adidas. Apesar do autor preferir se manter incógnito vale a pena dar uma lida com atenção para entender direito esse B.O..
Caros Sócios e Torcedores Rubro-Negros.
Recentemente, o blog do Jornalista Renato Maurício Prado publicou, em primeira mão (muito embora a mesma proposta tenha sido objeto de notícias na imprensa à cerca de três meses atrás), que o Flamengo levou ao conhecimento de sua parceira, fornecedora de material esportivo Olympikus, uma proposta “milionária” de R$ 350 milhões por dez anos de contrato, feita pela empresa alemã Adidas.
Nesse contexto, a presente análise tem por objetivo levar o leitor ao entendimento técnico e objetivo da referida proposta, bem como, da sua comparação com o atual contrato em vigor com a Olympikus, permitindo assim que se faça um juízo de valor à luz dos fatos.
Para tal, será preciso inicialmente, que o leitor entenda a mecânica de funcionamento de um contrato do gênero, que difere em muito da simplicidade do contrato padrão de patrocínio. Em seguida, será possível comparar as duas alternativas (Adidas x Olympikus) com base nos valores reais de cada uma, fugindo-se à armadilha de comparar “banana com abacaxi”. Finalmente, a presente análise oferecerá uma conclusão técnica e objetiva à luz dos números.
1 – A NATUREZA DE UM CONTRATO DE FORNECIMENTO DE MATERIAL
Qualquer contrato de fornecimento de material a uma equipe profissional de futebol (seja ela o Flamengo, o Corinthians, o Santos, o Barcelona, o Manchester United, ou qualquer outro clube) é composto de três partes, como se fossem três contratos em um: - fornecimento de material às equipes desportivas do clube; - Licenciamento, que permite à empresa fornecedora vender produtos (as réplicas dos uniformes e outros produtos normalmente têxteis) com a marca do clube no mercado; - - patrocínio, que remunera a utilização da marca do fornecedor no uniforme do clube e a visibilidade conseqüentemente proporcionada a essa marca.
Anatomia de um Contrato de Fornecimento de Material no Futebol


Historicamente, no início, quando do surgimento dos primeiros contratos do gênero (no começo da década de 70), os clubes recebiam apenas o fornecimento de material, já que não era comum a venda da camisa oficial no comércio e, nem ao menos, a marca do fornecedor aparecia no uniforme, não se entendia essa relação como uma entre patrocinador e patrocinado.
Com o passar do tempo, a partir da década de 80, os clubes passaram a reivindicar também, remuneração pela exposição da marca do fornecedor no uniforme, bem como, pelo direito, exclusivo, dado ao fornecedor de se dizer fornecedor oficial daquela equipe.
Finalmente, na década de 90, os clubes passaram a receber além da cota de material, um valor (fixo e posteriormente variável na forma de royalties) como remuneração pela venda de produtos (na época, restrito à réplica da camisa oficial) no varejo.
Na medida em que o tempo passou, cada vez mais o componente de licenciamento tornou-se fator essencial em um contrato do gênero. Com o fim da inflação, o crescimento econômico, além do boom econômico causado pelo surgimento de 40 milhões de novos consumidores na economia brasileira, recém saídos da pobreza, criou-se um novo mercado para consumo de bens duráveis e não duráveis. Esse novo consumidor consome avidamente produtos de vestuário, destaque aí para a camisa (ou camisas) do seu clube de coração. Estava criado um terreno fértil para a explosão de consumo dos produtos licenciados dos clubes, especialmente as réplicas de seus uniformes.
A Evolução dos Contratos de Material Brasileiro
Nesse contexto o Flamengo chegou à expressiva marca de 1,2 milhões de camisas vendidas apenas no primeiro semestre da parceria com a Olympikus, uma quantidade verdadeiramente espetacular, especialmente quando se observa que os maiores clubes europeus vendem entre 1,2 milhões e 1,5 milhões de peças ano.
Assim, é provável que em 2010, o Flamengo tenha sido o recordista mundial de venda de camisas, embora não se possa determinar com certeza.
Os Maiores Vendedores de Camisas do Futebol Mundial (Europeu) Em quantidade Média de Camisas Vendidas Ano

2 - COMPARANDO OS CONTRATOS (PROPOSTA ADIDAS X CONTRATO OLYMPIKUS)
Uma vez contextualizado o ambiente onde se insere um contrato de fornecimento de material, o leitor poderá entender melhor quais aspectos são relevantes na hora de analisar alternativas.
O passo seguinte é resumir e adaptar os valores e outros benefícios gerados por ambos os contratos, de modo a que sejam comparáveis. Assim evitaremos comparar “banana e abacaxi”. Para tal é necessário que se calcule o valor de ambas as alternativas, na mesma data e mesma moeda.
Além disso, é importante analisar benefícios intangíveis, especialmente aqueles ligados à distribuição, fator chave para o sucesso de um contrato do gênero sob a ótica econômica.
Inicialmente, destacamos os valores reais do contrato do Flamengo com a Olympikus, retirados da minuta de contrato aprovada pelos Conselhos do Clube, quando de sua assinatura. Trata-se, portanto, de fato e não especulação. Vamos a eles.
Olympikus, valores anuais em 2009. :
a) Patrocínio – R$ 5 milhões; b) Material Fornecido ao Clube – 106 mil peças de vestuário x preço médio de atacado (R$ 66,00) = R$ 7 milhões; c) Licenciamento – Garantia mínima em royalties ano – R$ 8 milhões (o equivalente à venda de 1,1 milhões de peças) d) Verba de Marketing para o Clube – R$ 1 milhão. e) Total Geral = R$ 21 milhões de reais.
Aqui, duas considerações importantes. Com relação ao item C, a garantia mínima significa que, na hipótese do clube vender mais de 1,1 milhões de peças ano (o que ocorreu já no primeiro semestre de contrato), haveria remuneração adicional. Calcula-se que o clube tenha recebido, adicionalmente, ao final do primeiro ano de contrato (2010), por essa razão, cerca de R$ 4,5 milhões.
Uma questão muito importante é que o contrato possui cláusula de correção monetária anual. Em uma conta simples, com um IGPM acumulado ao longo dos primeiros três anos de contrato, de cerca de 19%, o contrato atual do Flamengo com a Olympikus, já seria em 2012, corrigido, de (R$ 21 milhões x 1,19) = R$ 25,1 milhões ano.
Se considerarmos que faltam dois anos para o fim do contrato, bem como, que a proposta da Adidas vale apenas para 2014, considerando-se uma inflação média de 4% ao ano, 2013 e 2014, podemos estimar que ao final do contrato (2014) a Olympikus estará pagando ao Flamengo R$ 27,1 milhões/ano ao Flamengo.
É a esse valor que a proposta da Adidas deve ser comparada.
Considerando-se que os dados da referida proposta sejam verdadeiros (R$ 35 milhões/ano, por 10 anos), podemos estimar que a proposta esteja dividida em:
a) Material fornecido – As mesmas 106 mil peças ano, porém ao preço médio praticado pela Adidas (R$ 100), como ocorreu recentemente, quando da renovação da empresa alemã com o Fluminense FC. Ou seja – 106 mil X R$ 100 = 10,6 milhões em material. b) O restante, distribuído entre garantia mínima de royalties e patrocínio, totalizando – R$ 24, 4 milhões.
Assim sendo, em resumo para comparação:
Comparativo dos Valores Fixos - Adidas x Olympikus
Valores R$ milhões/ano, em 2014.
Parceiro Material Dinheiro Fixo Total
Adidas 10,6 24,4 35,0
Olympikus 9 18,1 27,1

Portanto, a diferença de fato, entre o atual contrato com a Olympikus e a proposta da Adidas é de R$ 7,9 milhões/ano, a favor da empresa alemã, algo em torno de 29%.
Entretanto, ainda existe um fator importante a ser considerado. Uma vez que parte do valor pago é variável e que não consta no quadro anterior, é fundamental, mesmo que não seja possível determiná-lo com certeza, avaliar o potencial de cada uma das propostas para a geração de receitas variáveis. Lembrando novamente que, como já citado, apenas em 2010, o Flamengo recebeu mais de R$ 4 milhões em royalties adicionalmente ao contrato, em função do volume expressivo de vendas.
Receitas de royalties decorrem das vendas no varejo. Normalmente os clubes recebem cerca de 10% sobre o preço de atacado da peça vendida.
As vendas, por sua vez, guardam relação direta com preço e distribuição (os dois Ps de marketing, mais importantes nesse segmento). Como, no caso do Flamengo, o preço tende a ser semelhante, seja qual for o fabricante, a variável chave para o desempenho das vendas e, conseqüentemente, da receita variável recebida pelo clube, será a Distribuição. Isso é ainda mais verdadeiro para um clube popular como o CRF.
A capacidade de distribuir é função direta de três fatores: - a rapidez na concepção e desenvolvimento dos produtos (já que a dinâmica desse mercado é sujeita a flutuações rápidas e repentinas, pelas demandas causadas por grandes vitórias, derrotas ou títulos); - a capacidade de fabricação; e, - o número de pontos de venda.
Em resumo, para se obter sucesso em termos de volume de vendas, no caso de uma marca como o Flamengo, o parceiro deverá ser ágil em conceber e lançar produtos, ágil em fabricar e possuir grande e eficiente rede nacional de distribuição.
Muito embora seja difícil estimar o potencial de venda variável de cada um dos contratos aqui analisados, dada a natureza subjetiva dos mesmos, é perfeitamente possível analisar os dados relacionados a cada um dos três fatores, para Olympikus e Adidas.
Assim sendo, vamos à comparação:
Comparativo dos Fatores Chave para a Geração de Receita Variável.
Olympikus x Adidas.

Parceiro Fábricas Próprias Concepção dos Produtos Pontos de Venda no Brasil
Adidas ZERO Feita na Alemanha. Prazo: concepção ao lançamento, 3 a 6 meses. Cerca de 1.200
Olympikus 21 Feita no Brasil. Prazo: concepção ao lançamento 15 dias.     Cerca de 10.000
Fica claro que existe uma enorme diferença entre a capacidade de conceber, fabricar e distribuir das duas empresas. É natural que isso tenha forte impacto sobre a receita variável gerada por cada contrato para o Flamengo, especialmente em momentos de grandes vendas (grandes vitórias, títulos, lançamentos de novos produtos, etc.).
Claro, há de se considerar que a Adidas possui distribuição Global e a Olympikus não.
Aliás, um dos aspectos positivos citados na imprensa sobre a proposta da empresa alemã, seria exatamente o acesso do Flamengo à distribuição internacional. Será que isso procede? É público e notório que marcas globais como Adidas e Nike, trabalham sempre, apenas um pequeno grupo de clubes europeus, em sua rede de distribuição internacional.
Recentemente, um episódio envolvendo a Sociedade Esportiva Palmeiras, patrocinada pela Adidas, demonstrou bem essa política. O Palmeiras se queixou publicamente que, apesar de ter sido em 2010 um dos seis maiores vendedores de camisas de futebol com a marca Adidas, não teve acesso à distribuição Global, sendo preterido por equipes européias que venderam muito menos camisas naquele ano.
A Adidas se defendeu, alegando que o critério que determina o mix de produtos em suas lojas internacionais são os pedidos dos lojistas e não sua vontade própria. Curiosamente, no caso do Flamengo, parece ser diferente. Fica a pergunta, estaria a Adidas disposta a assumir, de forma objetiva, quantificável e por escrito, com multa pesada por descumprimento, o compromisso de distribuir camisas do Flamengo em todas as suas lojas internacionais, de forma idêntica ao que faz com clubes como Chelsea, Real Madrid, e Bayern?
Voltando à hipotética inclusão do Flamengo no “Grupo A” dos clubes atendidos pela Adidas, como citado pela imprensa, podemos imaginar como isso se daria. O chamado Grupo A ou de Elite, é formado pelas três ou quatro marcas de clubes mais prestigiados, atendidos mundialmente pela Adidas, são eles: Bayern Munich, Chelsea e Real Madrid.
Tais clubes recebem dois tipos de tratamentos diferenciados:
a) Acesso à distribuição Global da Adidas (como analisado anteriormente); e, b) Remuneração bem acima da média das outras equipes.
Uma vez que já avaliamos a questão da probabilidade de inclusão do Flamengo no grupo de elite de distribuição global da Adidas, vamos direcionar nosso foco para a remuneração recebida pelas equipes do Grupo A da Adidas, de modo a verificar se, uma vez aceita a proposta de R$ 35 milhões/ano, estaria o Flamengo incluído no referido grupo por esse critério.

“Grupo A” dos Clubes de futebol patrocinados pela Adidas.
Valor do patrocínio convertido para R$ Milhões/ano
Fonte: Sportcal (maior banco de dados de informações sobre patrocínios esportivos do mundo). Valores em Euros, convertidos para Real à taxa de 2,49. Obs.: O contrato com o Real Madrid estará encerrado em 2012 e deverá ser renovado com grande aumento de valor. Uma breve análise, nos mostra de forma muito clara, que uma proposta de R$ 35 milhões/ano, nem de longe credenciará o Flamengo a ingressar no Grupo A da Adidas. Na verdade, o Flamengo ficará atrás de clubes como o Ajax e o Lyon, que integram um grupo de importância secundária, a nível global, para a Adidas. Finalmente, é possível concluir que a diferença entre os contratos é de R$ 8 milhões/ano, e que deve diminuir sensivelmente, graças a diferença da capacidade de gerar receitas variáveis entre as empresas, com grande vantagem para a Olympikus (como demonstrado). É possível ainda, concluir que outros ganhos para o clube, embutidos na proposta da Adidas, como acesso a sua rede global de distribuição e inclusão no seleto grupo dos clubes mais bem pagos pela marca alemã, não procedem ou não podem ser comprovados. Nesse momento, é necessário voltar nossa atenção para o que talvez seja o ponto mais importante desta análise, o prazo de duração do contrato. O futebol brasileiro, e mais que isso, a economia brasileira, passa por um momento muito especial. No caso do futebol o incremento das receitas de marketing ao longo dos últimos anos deve prosseguir, ainda que ajustes no modelo possam e devam ocorrer ao longo do caminho. Nos últimos oito anos, a receita anual com patrocínios dos clubes brasileiros cresceu de US$ 42M para US$ 182M. Em 2014, o valor projetado pelo mercado para essa receita é de US$ 371M. Entre 2003 e 2014, o crescimento acumulado, projetado, é da ordem de espantosos 800%.  
Receita Total dos Clubes Brasileiros com Patrocínios, US$ Milhões.
Fonte: Crowe Horwath RCS. Ainda que seja provável uma diminuição nesse ritmo de crescimento, todas as projeções indicam que, nos 10 anos subseqüentes (2014-2024) exatamente o período da proposta feita pela Adidas, essa taxa de crescimento deverá permanecer muito alta.   Claro que este fato tem profundas implicações para o contrato, se celebrado por 10 anos como proposto. Fica evidente que muito antes do fim do contrato, mesmo corrigido pela inflação, o valor da proposta estará muito aquém do seu valor de mercado. Se, por exemplo, o crescimento das receitas de marketing no futebol brasileiro no período 2014-2024, for metade do crescimento no período 2004-2014 o contrato sofrerá uma perda de 400%!!! Celebrar um contrato dessa natureza, em um momento como este, com a Adidas, Olympikus ou qualquer outro parceiro, por dez anos, prevendo apenas a correção monetária seria claramente desastroso para o Flamengo, com gravíssimas conseqüências futuras para o clube.  
3 - CONCLUINDO
É preciso decidir considerando todos os fatos, de maneira técnica e objetiva.
Nossa conclusão é:
a) Os valores fixos entre o que pagará a Olympikus em 2014 e o que se propõe a pagar a Adidas na mesma data, são muito mais próximos do que tem sido divulgado, cerca de 30% de diferença pró Adidas. Resta saber se a Olympikus estaria interessada em cobrir essa diferença para renovar.
b) Além disso, está claro que existe uma grande defasagem entre a capacidade de cada empresa gerar receitas variáveis para o Flamengo. Tal fato, precisa ser considerado na análise das propostas.
c) Finalmente, o prazo de 10 anos de contrato seria um desastre completo para o Clube, não importando o parceiro, em função do momento do mercado brasileiro.
Espero ter podido contribuir através dessa análise, para que conselheiros e torcedores rubro negros possam entender e julgar o que é melhor para o Flamengo.
Saudações Rubro-Negras.

Mengão Sempre

Dê uma curtir lá na Fanpage do Urublog no Facebook.


Siga o Arthur no Twitter: http://twitter.com/Urublog


FRAGIL CRISTAL
Será que alguém esperava que R10 ia re-editar seu futebol de melhor do mundo no Flamengo? Duvido, ninguém esperava isso.
Será que havia alguma dúvida de que o grande diferencial dele era o potencial de marketing e um upgrade técnico modesto no grupo? Dúvida nenhuma, era nisso que todos acreditavam.
Será que alguém se iludiu de que ele havia se tornado rubro-negro fanático e iria colocar o coração em campo a cada partida ou treino? Claro que não, ninguém tinha essa ilusão.
Recapitulando: ele tinha que fechar com a torcida – ele fechou, desde a festa de recepção na Gávea, desde o Flamengo é Flamengo.
Ele tinha que ser artilheiro – ele foi, fez muitos gols e fez gols importantes.
Ele tinha que virar referencia em campo – ele virou, fez grandes jogadas, foi o personagem do jogo do ano contra o Santos, foi importante para o campeonato invicto, foi personagem de reportagens e tudo o mais.
Ele tinha que assumir a figura de ídolo e superstar para alavancar projetos de marketing que permitissem o financiamento do projeto ousado de financiamento de sua contratação – ele assumiu, conseguiu até voltar a ser convocado, não faltava a nenhuma atividade, elogiava o Flamengo, cultivava a paixão da garotada Brasil afora.
Onde é que a coisa degringolou, então?
Simples, na ( má ) gestão de um “contrato” de alto potencial mercadológico e econômico mas de características frágeis, em função de seu futebol em decadência ( mas ainda diferenciado ) e de sua personalidade introvertida. Era um projeto com prazo de validade, que dependia de uma ação rápida e ousada, para alavancar as inúmeras possibilidades de receitas tanto pra ele como para o clube. Na inação, na lentidão, na má gestão, o projeto começou a fazer água.
Ele está a um ano e 4 meses no clube e nesse período o pagamento de seus vencimentos esteve em atraso mais da metade do tempo. Na primeira vez a queda de seu futebol coincidiu com a suspensão dos pagamentos e serviu para desgastar o antigo treinador e colocar uma pulga atrás da orelha da massa. Mas havia, então, um bode expiatório – a Traffic. E a nossa presidene foi esperta em colocar esse bode na sala, e fazer passar batido o primeiro round dessa briga. Só que o cristal já estava trincado. Mas ainda era colocado em cima da mesa como peça de decoração de luxo. Sem contrato de patrocínio master, sem licenciamento de produtos capitalizando o astro, sem outros contratos para financiar seu astronômico salário, nova seca e o rapaz aprofundou sua desmotivação. E virou uma bola de neve, ele passou a ser crescentemente hostilizado, foi se desmotivando ainda mais, a ira da torcida aumentou até chegar ao clímax do Fora R10.  O cristal se partiu de vez. E o menos culpado de tudo é ele, muito embora não seja inocente. Todo mundo sabia que ele não era Flamengo, que se tratava de uma relação comercial: eu jogo acima da média, faço gols, dou passes, inflo o ego do clube e da nação, minha imagem é capitalizada, vocês faturam, me pagam, todo mundo fica feliz. Quem quebrou esse cristal foi a Presidente e seu estafe. Já dizia aquele sábio ditado: quem não tem competência, não se estabelece. Tudo leva a crer que isso não tem mais conserto.
 #QueremosONossoFlamengo

terça-feira, 29 de maio de 2012

Calúnia do Rúbio Negrão


Escrevo estas mal traçadas linhas ainda sem saber se o mundo realmente acabou, conforme estava previsto, ou não. Se ainda estou aqui só de teimosia, de pirracento que sou, sofrendo alucinações rivotrilianas de que meus parentes, amigos, leais detratores e aquele que tem me causado mais sofrimentos do que todos juntos, o Flamengo, ainda existem.

Caso o mundo ainda não tenha acabado, coisa em que estou começando a acreditar porque bateu uma fome ronaldesca-fenomenesca, lamentarei bastante, mas levantarei a cabeça, e encararei tudo como mais um fracasso no meu espaçoso panteão.

Cresci assistindo ao Fantástico, que naquela época devia ter como linha editorial encerrar cada domingo com uma matéria sobre o fim do mundo. E cresci achando que o fim do mundo seria algo ruim, que traria dor ao invés de aliviá-la.

Como eu estava enganado! Nunca como hoje imaginei o fim dos tempos como uma bênção, tão grande que agora nem sei bem se a mereço.

Estou me abrindo com vocês, heterossexualmente falando, porque considero o Blog da Flamengonet, o Pontapé e o Flama do Flamengo os meus segundos lares na internet (o primeiro é o site slutpornextremehardcore.com, mas essa é outra história). Digo do fundo do coração: este ano só prevejo duas alegrias para todos nós: a primeira, escapar do rebaixamento, e a segunda, sem sustos.

Confesso estar desonrientado. Arrogante, já fui contra a escalação de três volantes no time, mas hoje, mais maduro e ponderado, defendo a escalação de cinco, e isso sem que os dois laterais ousem se aventurar no ataque! Agora, meu amigo Joel, EU é que defendo a retranca!

Porém, mesmo com o meu topete arriado, não posso deixar de protestar. A anarquia faz parte do meu ser. E quem disso duvidou, não resistiu a uma rápida espiada no meu quarto sem vomitar na saída.

Assim sendo, inspirado pelo @alextriplex, e encorajado pelo @vinicapettini, @RenatoCroce e @BlogSerFlamengo virei o meu avatar no Twitter de ponta-cabeça em protesto ao caos na Gávea. Bem sei que uma andorinha (ainda por cima bêbada) não faz verão, mas o meu trunfo é estarmos no outono. Além disso, se o Marcos Mion e o Danilo Gentili, por exemplo, conseguem mobilizar os tuiteiros em torno de bobagens monumentais, a Nação Rubro-Negra não pode e não deve permanecer de braços cruzados vendo o barco ir a pique. Temos força, coragem e MOTIVOS para protestar contra tudo o que está errado. 

Nos blogs e redes sociais, juntem-se aos bons, aos maus, aos feios, aos bonitos, enfim, unam-se a uma verdadeira Nação, com suas virtudes e defeitos, mas principalmente com o seu amor incondicional pelo Mengão. Hoje, às 20h, virem seus avatares de ponta-cabeça, tuitem os motivos de sua revolta, e usem a tag #QueremosONossoFlamengo.

Nas palavras do @RenatoCroce:

Amigos rubro-negros,

Em resposta a tudo que está acontecendo com o Flamengo (dentro e fora de campo), chamo vocês pra um protesto simples, pacífico e que certamente terá um certo impacto. 

Numa conversa com o amigo @rubionegrao, decidimos fazer um protesto (já aderido por ele) com os nossos avatares nas redes sociais, usando-os de cabeça para baixo. O mesmo seria feito nas imagens principais dos nossos blogs, como fez inicialmente o @alextriplex no blog Flamengo Net, onde inclusive fez um texto explicando o motivo do protesto (http://www.flamengonet.blogspot.com.br/2012/05/de-cabeca-pra-baixo.html ).   

A ideia é mudarmos tudo hoje (29/05) às 20hs e divulgarmos a tag #QueremosONossoFlamengo, para que alcance visibilidade (juntamente com os avatares) e todos os rubro-negros possam expressar suas indignações com a diretoria e com todos esses shows de horrores. Se possível, cada blogueiro poderia fazer o seu próprio texto, explicando para o seu leitor que se trata de uma campanha conjunta, contendo também, claro, suas críticas sobre a situação. O texto do Alex Triplex (acima) pode ser usado como base.

O protesto acabará quando este Flamengo seguir a seriedade e o profissionalismo que o nosso Flamengo merece. E queremos o nosso Flamengo de volta. O objetivo é mostrarmos o poder da torcida do Flamengo nas redes sociais (mais uma vez) em prol do Mais Querido, protestando e cobrando seriedade e profissionalismo desta gestão.

Tudo isso é delicado, pois mexe com a estética do seu blog/perfil e protesta contra a diretoria. É uma questão de opinião, então sintam-se à vontade para não aderi-la. É uma ideia simples, onde muitos entenderão como desnecessário, mas é uma forma de todos os rubro-negros se unirem contra tudo que está acontecendo e sem esforço algum, de frente pro seu próprio computador.

Podemos virar nossos avatares e usarmos uma hashtag, só não podemos virar as costas para essa situação fora de campo, que acaba refletindo dentro. E repetindo, o foco é na diretoria, na gestão do clube. Dentro de campo vamos continuar, mais do que nunca, indo aos estádios, cantando nos 90 minutos e mostrando a força que só essa Nação linda tem.

Como disse meu amigo Rúbio Negrão: "Se uma virada de mesa salvou o Fluminense, uma virada de avatar pode fazer alguma coisa por nós". (Retirado do Blog FlaManolos: http://flamanolos.blogspot.com/2012/05/protesto-nas-redes-sociais.html#ixzz1wHijaqzs)

Agora, cá pra nós: se der bosta, vocês não me conhecem...


Duplex Toc Zen

1 - Samba do afrodescendente deficiente mental: O treinador não pode ser demitido, e monta um time capenga. O elenco não recebe o que lhe é devido, então frita o treinador. A diretoria não faz questão de pagar o salário do “astro” do time porque ele não está jogando nada. E, para completar o quadro promissor, a torcida vira de ponta-cabeça pra ver se consegue enxergar melhor a situação.

2 - De marketing, eu entendo: Se é pra jogador de 1 milhão e 200 mil mensais ficar só batendo faltas e pênaltis, bota logo o Zico!

3 - O SEBRAE informa: A atividade informal que mais deu lucro em 2011 foi jogar com a camisa 10 do Flamengo.

4 - Anos atrás, o Apolinho disse que o time que está vencendo por diferença de dois gols não pode mais deixar o adversário jogar. Tem que esconder a bola, parar o jogo, o diabo: E contra o Inter, o Flamengo esteve nessa situação apenas DUAS VEZES!

5 - Semântica: Entregar-se AOS jogos não é entregar OS jogos.

6 - Hoje, o time do Flamengo é Love e mais dez: Mas isso só quando o Ronaldinho não joga.

7 - E Joel cada vez mais um enigma: Sendo o maior deles saber o que ali é nariz e o que é rosto.

8 - Resumo da ópera-bufa: O time do Flamengo é Love e “maus” dez.

9 - Momento tático: A solução do problema crônico do Léo Moura, a saber, insistir em fugir da linha de fundo, sempre afunilando para o meio, é deslocá-lo pra lateral esquerda.

100 - Antigamente, a Magnética gritava os 90 minutos: Hoje, grita 24/7.

11 - Atualizações astronômicas: Plutão deixou de ser planeta, e R10, de ser astro.


12 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

Pra dizer que o Flamengo não venceu em 87, só tendo nascido ontem, ou ser muito vendido. Ah, ou também um legalista de ocasião.

Pra que tanta polêmica? Não é mais simples nossos gestores pedirem pro Porcão mudar o animal da logo pra um boi ou um tigre?

Sou totalmente contra um porco estampado no manto sagrado. Já o vestindo, sou um pouco mais tolerante.

#ParaUmBrasilMelhor uma anarquia organizada, sem bagunça.

"Adoramos filmes com muitas sequências. Aí, na 4ª ou 5ª, quando mudam os atores, é que a mágica acontece." - Phil Dunphy (Modern Family)

Acho que teria sido uma boa o Porcão no manto, porque com o apoio de uma churrascaria, o Mengão sempre teria uma gordurinha pra queimar.

Vou contar 1 piada ótima q ouvi ontem: Flamengo. Agora outra muito boa q li hoje: Flamengo. Ah, e tem aquela que vou ouvir amanhã: Flamengo.

O Corinthians é a Série B na Libertadores!

Hoje eu não queria ser vascaíno ou tricolor. Aliás, eu não queria nunca!

Cristovão: "Vida que segue. Agora é focar no vice do Brasileirão."

No Gambá x Bacalhau, sempre vence quem cheira mal.

Sabem o que me vem à cabeça quando vejo jogador comemorar gol chupando o dedão?

Contratar R10 foi uma aposta cara, mas válida. Agora, contratar Joel foi um troço de burro, que entrou nos anais de todos os rubro-negros.

Nossos gestores precisam se decidir: ou demitem o Joel (e pagam a rescisão milionária e irresponsável) ou são rebaixados.

Ando tão amargo com o Flamengo, que quando vou dormir não vou "para os braços de Morfeu", mas sim "encher o saco de Morfeu".

"Uso de drogas pode deixar de ser crime." Taí o que o Joel queria!

O Joel é como um busto: não se sabe quando, mas vai cair um dia.

O Fla não precisa de disciplinador. Precisa é de um cara que ensine os boleiros a irem pra gandaia, conseguindo jogar bem. Leia-se Renight.

No auge da irritação dos usuários com os anúncios no YouTube, eles tascam um estrelado por Anderson Silva e Steven Seagall. #IntimidaçãoNão!

"Você pode ir para o vídeo em 5s." E VOCÊS PODEM IR PRA PQP AGORA MESMO!

E nada mais faço. Tô zerado: até meu avatar já virei de ponta-cabeça.

Alfarrábios do Melo



Saudações flamengas a todos.

Eu estou farto de Joel, do morcego e da caterva da Patrícia, que semana passada se esmerou em fazer luzir sua incompetência visceral. Aliás, as peripécias dessa gestão (cof, cof...) têm feito muita gente se distanciar de sua essência flamenga.

Estamos em 2012. É um ano emblemático, em que deveríamos celebrar 100 anos da existência do Flamengo terrestre, aquele que fez irromper uma Nação. A partir de hoje, inicio uma pequena série contando um pouco do que foi o nascimento do futebol do Flamengo.

Boa leitura.

E Se Fez o Caos

1911, novembro. O mais nobre Salão das Laranjeiras está engalanado, repleto de figurões da mais alta sociedade carioca. Champagnes refinados escorrem em delicadas flûtes, acepipes preparados com ingredientes importados das mais seletas regiões de França correm por mãos curiosas, os pesados lustres de cristal iluminam vibrantemente o impecavelmente polido chão de mármore, levemente azulado pelo magistral reflexo que emana dos belíssimos vitrais suspensos nas suas paredes. Todos vestem white-tie e casaca, alguns cortejam discretamente as belas moçoilas ornadas com rendas e sedas diversas, muitas delas entretidas com os acordes de Chopin e Bach que entorpecem espíritos. É dia de festa no Fluminense Football Club.

Mas o clima é tenso.

O Jantar de Comemoração do Título Municipal não conta com a presença de praticamente todo o time campeão. É o cru desfecho de um intenso embate político onde a falta de habilidade tornou inevitável o crescimento de um movimento de cisão. O Fluminense é campeão, mas um campeão sem time. Retrocedamos.

Agosto. Convocada, a Assembléia precisa decidir quem irá substituir as vagas abertas no Ground Committe. Esse Comitê é o responsável por toda a gestão do futebol no campo, num escopo que abrange, entre outras tarefas, a escalação de jogadores, a definição de esquema tático e o regime de treinos. Na sua composição figuram representantes da Diretoria e Sócios, além do Capitão e de mais um jogador da equipe. Uma das vagas foi reposta com rapidez. Mas a outra vaga, destinada a um atleta, será alvo de um acalorado debate e um agudo movimento de articulações, um embate declarado entre a elitista direção do clube e o grupo de jogadores.

A diretoria resolve indicar o Sub-Capitão, Oswaldo Gomes, alinhado com os ideais do clube. A princípio, os jogadores (que também possuem direito a voto na Assembleia) não discordam e parecem apoiar a iniciativa. No entanto, o Capitão Alberto Borgerth percebe que a ideia é isolá-lo, uma tentativa de esvaziar sua importância dentro do grupo. E já pensa em agir.

Borgerth é um dos artilheiros e principais jogadores do fortíssimo time montado pelo Fluminense. Além de exímio atleta, destaca-se por sua liderança natural, carismática e altamente contestadora. Não aceita ordens ou meras imposições grafadas em papel. Quer saber, conhecer o motivo das ordens e contra-ordens que habitam o cotidiano do time. Dotado de uma lucidez política extraordinária, sabe que os enfatiotados “donos” do Fluminense detestam sua postura contestadora de jovem. E percebe que o momento do confronto é chegado.

Com a indicação de Oswaldo Gomes, a voz de Borgerth se tornaria mais isolada dentro do Ground Committe, e o Capitão consegue demonstrar aos outros jogadores (muitos deles colegas seus de Faculdade) o risco de aceitar o cenário imposto. Matreiramente, é construída a candidatura de outro jogador, Joaquim Guimarães. A eleição é renhida, disputada, apertada voto a voto, e após empate no primeiro turno os diretores conseguem, após adotar um conveniente critério de desempate por idade (não previsto no Estatuto), emplacar o nome de Oswaldo Gomes. A retaliação aos jogadores não demorará.

Setembro. O Fluminense está às portas do título, bastando uma vitória simples contra o frágil Rio Cricket, o que deverá ser mera formalidade para uma equipe que até aqui venceu todos os jogos. O Ground Committe se reúne e, para estupefação geral, lança a escalação para a partida. Alberto Borgerth, titular absoluto do ataque tricolor, está barrado para a entrada do ZAGUEIRO Ernesto Paranhos, que atuará improvisado na frente. É uma manobra grotesca, gratuita, uma tentativa de demonstração de força pela força que é recebida da pior forma possível pelos jogadores.

Quebrando todo e qualquer tipo de protocolo, o time simplesmente risca o nome de Paranhos e devolve a tábua com a escalação ao Ground Committee. A forte crise derruba um membro do Comitê e obriga a Assembleia de Sócios a intervir, confirmando a escalação original e mantendo Borgerth barrado. Revoltados, os jogadores ameaçam entrar em greve, mas resolvem, pela honra pessoal, defender o título do Fluminense antes de qualquer atitude mais concreta.

Antes da partida, a foto (que será a oficial do título) é tensa, os jogadores apresentam semblantes fechados, crispados. Cumprem sua obrigação, goleiam o Rio Cricket por 5-0 e confirmam o campeonato para as Laranjeiras. Mas ninguém comemora. Vai explodir a bomba.

Poucos dias depois, Alberto Borgerth, juntamente com o goleiro Baena, os zagueiros Píndaro e Nery, os médios Galo e Lawrence e os atacantes Orlando, Amarante e Gustavo de Carvalho anunciam que estão se desligando, em caráter irrevogável e irreversível, do Fluminense. Informam que irão cumprir a tabela que resta (partida contra o América), e após o jogo não pertencerão mais ao quadro do clube das Laranjeiras. Vários amigos e parentes tentam demover os atletas, mas a decisão já está tomada. Está desmontado o supertime do Fluminense.

Enquanto o Jantar Comemorativo segue esvaziado no suntuoso Salão Nobre das Laranjeiras, Borgerth discute com seus colegas o destino do grupo dissidente. Ideias como reativar o Rio Football Club (espécie de segundo time do Fluminense) ou fundar o São Paulo Football Club (por conta da origem de muitos dos jogadores) logo são descartadas. Também não é aceita a sugestão de ingressar no Botafogo, o maior rival do tricolor. Os jogadores não querem ser vistos como párias ou traidores. Pensa-se no Paysandu, mas o ultra-conservador clube somente aceita ingleses. Até que Borgerth se encontra com José Agostinho Pereira, principal idealizador da criação do Flamengo, clube de remo já vitorioso em seus 16 anos de vida. Da conversa surge a ideia.

Por que vocês não vêm para o Flamengo?”

Sim, o Flamengo. A ideia parece perfeita. O Flamengo é um clube amigo, muitos jogadores remam lá, inclusive o próprio Borgerth é Patrão (uma espécie de Capitão) em uma guarnição e já foi campeão pelo rubro-negro (sim, os jogadores se dividem entre o futebol e o remo nestes tempos amadores). Borgerth lança a sugestão, que é acolhida com entusiasmo pelos colegas.

Vamos para o Flamengo.”

Mas antes é preciso convencer os remadores e sócios do Flamengo, que a princípio são contrários à ideia de se abrir um Departamento para a prática de um esporte que julgam efeminado. As conversas são intensas, incessantes, e a ajuda de José Agostinho acaba se tornando decisiva. O fato de muitos remadores serem amigos e colegas da turma de Borgerth também ajuda a amaciar a Diretoria flamenga.

É Véspera de Natal. Os debates são acalorados, mas o consenso logo surge. O Remo aceita a chegada dos atletas rebeldes, mas impõe algumas condições, sendo o uso de uniformes diferenciados a mais famosa. Nasce o Departamento de Esportes Terrestres do Flamengo. O futebol carioca ganha um novo protagonista. Vai ter início a mais rica trajetória de uma instituição esportiva já surgida no Brasil, uma saga de dor, luta, brio, glória, amor, ardor e muita, mas muita emoção.

Alberto Borgerth, juntamente com seus companheiros, será destaque, craque, goleador, campeão, ídolo. Anos mais tarde, largará o futebol para se dedicar à profissão de médico, como é praxe no amadorismo dos anos 1910. Alguns anos depois, voltará ao Flamengo, onde será presidente, mostrando a mesma veia contestadora e desafiadora de seus tempos de jogador. Conseguirá reconstruir um time em ruínas e estará à frente do clube em um dos mais importantes e celebrados títulos de sua história, o Carioca de 1927. Seu nome estará gravado, para sempre, na Galeria dos mais ilustres rubro-negros.

Porque Alberto Borgerth nasceu Flamengo. Mesmo antes do Flamengo nascer.


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Flamengômento nº '123

FLAMENGÔMETRO nº 123
SEM COMPUTADOR, SEM GRÁFICO, SEM PRESIDENTE, SEM TÉCNICO, SEM TIME, SEM VITÓRIAS, ETC.

Peço desculpas aos colegas pela não publicação do último Flamengômetro, pois estou sem computador em casa desde terça passada, e não posso sequer acessar meus arquivos e bancos de dados. Tudo o que eu poderia falar sobre o time já deve ter sido dito. Quatro pontos perdidos em duas rodadas, e o time vai se especializando em entregas rápidas. SEDEX, chama o Joel "`Pode To Be" Santana para garoto-propaganda.

sábado, 26 de maio de 2012

sexta-feira, 25 de maio de 2012

TozzaCAM Nº 10


#TozzaCAM Nº10

Participação:

André "Tozza" Tozzini - @TozzaAndre
Pablo dos Anjos - @PabloWSC

Convidados:

Carlos Alexandre Monteiro - @Milvezesfla
Patrick Selener - @Patrick_1972

Blog Mil Vezes Flamengo - http://milvezesflamengo.blogspot.com

Pauta:

- O paradoxo: Juan, Renato Augusto, Ibson...por que o clube busca jogadores com raiz Rubro-Negra e despreza (ou estraga) a molecada que hoje desponta?

- O "Maior do Mundo": como lidar com a grandiosidade do Flamengo? Até que ponto a visão folclórica e apaixonada não pode ser prejudicial - como, por exemplo, os jogadores de categorias de base que já pensam ser os reis da cocada preta por serem do Flamengo?  

E duas perguntas que fizemos para a galera: 

- O que te impede de ser sócio do Flamengo? Que soluções podemos dar pra isso mudar? 

- Se você fosse presidente do Flamengo, que mudança ESTRUTURAL (ou seja, não vale do tipo "tirar R10") você faria?



quinta-feira, 24 de maio de 2012

De cabeça pra baixo

Dizem que toda forma de protesto é válida. Eu já penso que o ideal seria comprar o título, rezar pro estatuto não achar uma brecha, e em alguns anos ter o poder de mudar o clube.

Mas não podemos ficar quietos, esperando o mundo acabar, mudar ou algo do gênero.

Nosso banner ficará de cabeça pra baixo, em homenagem à ZONA que o clube está, em protesto ao caos instaurado desde o dia 7 de dezembro de 2009.

Punir jogador e irmão? Tá, tudo bem. Mas os caras recebem? Levaram sei lá quantos meses pra acertar os recebimentos de 2011, e agora começam 2012 tomando "espera um pouco" atrás de "espera mais um pouco". Não explica nem justifica a atitude de Assis. 

O clube, por sua vez, se mantém uma bagunça. E o pior: a torcida, que sempre foi apaixonada, agora se cala. Um e outro reclamam aqui e acolá, mas a torcida maciça, aquela que canta nos estádios, vira as costas pra crise e finge que não vê. Não tem faixa de protesto contra a diretoria, não tem cantos contra dirigentes. É a omissão da presidente caindo no gosto - como atitude - da torcida. 

Você, torcedor, que tem vergonha na cara, passe a vaiar a diretoria. Passe a reclamar do que eles estão fazendo com o clube. 

Ou é proibido??

Nada mais digo.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Calúnia do Rúbio Negrão


Com a sensacional vitória sobre o São Paulo, o Botafogo começou com o pé direito sua firme caminhada rumo a lugar nenhum. Além disso, tenho uma teoria segundo a qual o Vasco não tem vocação pra primeiro, e...

Não. Para com isso, Negrão! O que estou fazendo? Usando a velha tática do cara que comeu um boi falar do que comeu um javali, seu Rúbio Negrão? Você é melhor do que isso! (Tudo bem, não sou, mas pra efeito de Calúnia, por ora fico sendo.)

Bem, já que justamente agora a minha sempre indiferente consciência resolveu se manifestar, sinto-me obrigado a sejer honesto, como o homem vacinado e analfabetizado que sou. Preciso tocar na ferida, e vou logo avisando que se trata de uma ferida feia e purulenta. Segurem-se em suas cadeiras, porque lá vou eu, com todas as letras: “O time do Flamengo está mal.”

“Descobriu o Brasil, o imbecil!”, dirão os meus leais detratores, sem se dar conta de que o mal de que falo não é aquele saudável mal de fundo de poço, aquele mal que chega a causar um certo alívio pela perspectiva da melhora iminente, o mal confortável que acalenta esperanças. Não, esse time ainda não chegou ao fundo do poço. Desgraçadamente, está longe disso.

O mal que acomete o time do Flamengo não é a enfermidade de paciente em quarto particular, mas doença se alastrando em enjeitado de UTI, a quem nem a enfermeira visita, a quem ela não dá remédio.

Esse remédio, no caso, seria uma administração profissional, voltada para o carro-chefe do Clube, a saber, o futebol profissional masculino heterossexual de primeira divisão, com ênfase numa gestão patrimonial equilibrada e calcada, sobretudo, na revelação, aproveitamento satisfatório, e posterior comercialização de jogadores oriundos da base, apesar de eu não ter entendido patavina do que eu quis dizer.

Ou seja, uma panaceia que garantirá o Nobel de Medicina ao pesquisador que um dia vier a descobri-la.

Perdoem-me, amigos e detratores, por hoje ter deixado a minha lendária leveza na lixeira do meu desktop. Tenho recebido seguidos unfollows de seguidores no Twitter, que, aparentemente, deixaram de aturar o meu humor fraco e metido a rir de si mesmo. Lamento, de verdade, mas no dia em que eu perder a contundência (até contra mim mesmo), passarei a ser um simples Negueba, que parece não chutar a bola, e sim ser chutado por ela.

É isso. Nada a acrescentar. O bicho tá muito feio, e não estou me referindo ao Ronaldinho nem ao Love. O homem que podia botar a bola no chão, e tentar organizar o caos, Joel, está mais perdido que cego em teste de degustação de cerveja em comercial de TV. Mas só pra vocês não dizerem que eu apenas critico, deixo aqui uma sugestão bastante prática: o Joel tem mesmo que colocar a rapaziada numa retranca furiosa, ferrolhão mesmo, porque nessa equipe, jogando como time pequeno, eu ainda acredito!


Duplex Toc Zen

1 - “Acho bom que parte da torcida ainda cultive essa marra sem justificativa tão tradicional do rubro-negrismo. Futebol, no fim das contas, não serve pra nada, só pra nos distrairmos... Não há mal em se iludir e acreditar no time, mesmo que as evidências mostrem o contrário.” – Romero: Tu me consolaste.

2 - Já fomos treinados pelo Tromba: E agora, finamente, pelo restante do elefante.

3 - Querem ver o Joel se suicidar?: Deem-lhe Xavi, Iniesta, CR7 e Eto’o. 

4 - E o zagueiro Arthur Sanches?: Também voltou pros juniores?

5 - Enquanto há clubes “escondendo” juniores dos predadores europeus...: Há outros os “escondendo” da própria torcida.

6 - “Aí que você vê quando o dedo do técnico é importante, o conjunto do LAU é muito bom, taticamente é do caralho, individualmente os caras deixam a desejar, se bobear não vamos ver mais o Vargas fazendo diferença.” – Helio Santoro: Daí deduzimos que investir num bom treinador não serve apenas pra ganhar títulos, mas também pra aumentar o valor venal dos atletas do clube.

7 - “Nunca gostei dele [R10], mesmo no Barcelona.” – Jean: Nem eu, só que, como bom murista, eu tinha medo de dizer.

8 - Nunca se machuca, raramente é expulso, não pega banco...: O custo x benefício do R10 só não é melhor porque ele joga.

9 - Ainda creio numa grande partida do R10: A sua própria, do Flamengo, o mais rápido possível.

171 - Pensávamos que, no Rio de Janeiro, Ronaldinho Gaúcho viraria Ronaldinho Carioca: Só que virou Ronaldinho Baiano.

11 - O Mengão sempre na vanguarda do futebol: Enquanto os rivais, durante as partidas, ainda praticam o manjado rodízio de faltas, o Mengão já está prestes a introduzir o rodízio de carnes.

12 - E daí, Boca 1x0?: O Fluminense não perde. Vira purpurina.

13 - E o Alex Silva, hein?: Tá arrebentando no Cruzeiro.

14 - Finalmente revelado porque o Herrera rechaçou o repórter da Globo, após ter marcado 3 gols num jogo: Ele pensou que queriam que vestisse a camisa do Inacreditável. 


15 - Twitter Cassetadas da semana (em tempo real só em @rubionegrao):

Eu podia estar matando, roubando e estuprando, mas tô aqui tuitando.

O Twitter é, realmente, um dos grandes mistérios do Universo.

Amigos rubro-negros com saco de assistir Vasco x Corinthians, decidam-se, porque secar 2 times na mesma partida pode ser contraproducente.

Alô você que está na rua, às 0h 30min, bem em frente ao meu prédio! Caso me siga no Twitter, vou te dar um toque: VAI TROCAR CAÇAMBA NA PQP!

Por que só 1 heroína nos Vingadores? Por que não a Mulher-Maravilha, a Supergirl? Hã? Porque são da DC? Tá. Machistas sempre têm 1 resposta.

Essa tática que o Joel adotou contra o Sport tava boa de usar contra o Barcelona.

A pessoa que não tem noção, geralmente também não tem sentimentos. Pode receber quantos "passa fora!" forem necessários, na boa, sem mágoa.

De que adianta ser o oitavo homem mais rico do mundo... e usar uma peruca?

"Xuxa revela ter sofrido abuso durante infância." E, assim, volta para a mídia.

E a Xuxa cantando também não é abuso? Ora, tenham santa paciência!

"Brasileiro trabalhará 150 dias do ano só para pagar impostos." E 215 só para pagar as contas.

A única possibilidade que vejo do R10 desequilibrar é entrando em campo completamente bêbado.

"Música para quê? Não, eu não peço música, não." Passei a admirar o Herrera.

Se esses troços da Globo ainda fossem legais, criativos, vá lá. Mas João Babacão, pedir música... Orra, cês são melhores que isso!

Finalmente revelado o nome do "Qualquer Um" pro lugar de Wellinton: Thiago Medeiros.

Ronaldinho anda sorumbático que ele só! Mas não é nada disso do que estão pensando. O Aurélio os espera, ansioso.

#PergunteaoCachoeira: Como alguém chamado Cachoeira vai conseguir provar que é cascata?

O problema de anunciar uma churrascaria na camisa é que os jogadores podem não gostar da concorrência.

E nada mais faço, o que é bem melhor do que fazer e... nada!

Alfarrábios do Melo


Saudações flamengas a todos,

Enfim começou o Brasileiro. De forma chocha, com velhos problemas recrudescendo. Um desses problemas, novamente uma demonstração cristalina da incapacidade de Ronaldinho Gaúcho se motivar a jogar futebol a um nível que transceda tibiamente a caricatura de seu talento. Quem frequenta esse espaço já sabe que isso em nada me surpreende.

De qualquer forma, mais uma vez o nosso morcego andou se estranhando com Painho, o que suscitou várias reportagens e comentários já especulando uma possível saída do sujeito, que, segundo alguns, talvez seria até mesmo a principal solução para os problemas do time.

Sem querer entrar nesse mérito aqui no texto, essa perspectiva de rescisão contratual me fez relembrar como o Flamengo tratou a saída de alguns dos principais jogadores de sua história. Alguns finais são felizes, outros nem tanto. Boa leitura.

LEÔNIDAS DA SILVA
Um dos maiores ídolos da história do Flamengo chegou ao clube em 1936, após passagens por Vasco, Botafogo e Peñarol, além do Bonsucesso, onde iniciou a carreira (e chegou à Seleção Brasileira). Marrento e muito encrenqueiro, acumulou gols, idolatria e muitas confusões por onde passou, e evidentemente no Flamengo conseguiu amplificar todos esses atributos. Principal responsável pelo histórico título de 1939, onde o Flamengo quebrou o maior jejum de sua história (12 anos), Leônidas ajudou a fazer da sua já numerosa torcida uma Nação. Tratado como estrela, sabia de sua condição diferenciada, e a utilizava para negociar contratos e participações em amistosos. Quando os termos da sua remuneração não lhe pareciam adequados, sempre surgia uma conveniente contusão para prolongar a negociação. Mas, com o tempo, as idissincrasias de Leônidas começaram a cansar a torcida e, principalmente, os dirigentes, especialmente após a perda do campeonato de 1940. Já no início de 1941, Leônidas sofreu séria contusão no joelho e foi obrigado assim mesmo a atuar em um amistoso (no qual andou em campo e o time levou de sete). Mesmo com a comprovação da gravidade da lesão, a diretoria cansou de seu comportamento e o negociou apressadamente com o São Paulo, numa transação extremamente rumorosa e que causou revolta entre os torcedores (notadamente Ari Barroso). O Diamante Negro foi ídolo no clube paulista, mas o Flamengo, mais apaziguado e unido, partiu para seu primeiro tricampeonato.

DOMINGOS DA GUIA
Um dos maiores zagueiros (talvez o maior) da história do futebol brasileiro rapidamente se apaixonou pelo Flamengo quando chegou em 1936. Futebol clássico, refinado, quase incompatível para a função que igualmente exercia com rara maestria, Domingos conseguiu a proeza de ser campeão na Argentina, no Uruguai e no Brasil. Pelo Flamengo, foi protagonista nas conquistas de 1939, 1942 e 1943. Era o maior ídolo de um time estelar (um dos melhores da história flamenga), quando uma proposta milionária do Corinthians fez com que o Flamengo o negociasse. Os altos valores e a já avançada idade de Domingos amenizaram a dor da perda, ainda assim muito forte. No Corinthians foi ídolo, mesmo sem conseguir repetir a passagem gloriosa pelo rubro-negro. E no Flamengo, sua ausência foi sentida demais, sendo um dos fatores para que a conquista do tricampeonato em 1944 fosse ainda mais sofrida e árdua.

JAIR DA ROSA PINTO
Integrante do famoso Expresso da Vitória vascaíno, Jair desentendeu-se com a diretoria cruzmaltina e em 1947 se transferiu para o Flamengo, onde teve passagem breve, mas marcante. Em um período pobre em conquistas, destacou-se com seu futebol leve e seu chute venenoso (especialmente exibido no célebre amistoso em que o Flamengo derrotou o Arsenal por 3-1). Entretanto, em um clássico com o Vasco em 1949 o rubro-negro vencia por 2-0, e Jair recebeu um lançamento limpo, mas, sozinho diante do goleiro adversário, perdeu um gol inacreditável. O lance revigorou o adversário, que se motivou para buscar a virada e a goleada (2-5). Revoltada, a torcida passou a queimar camisas no estádio, no que se tornou célebre como “o jogo das camisas queimadas”. Após o jogo, espalhou-se a lenda de que Jair teria atuado de corpo mole. Sem clima para continuar no clube, Jair foi negociado em termos apressados com o Palmeiras, onde foi multicampeão e ídolo. Ainda teria passagem vitoriosa também pelo Santos. E o Flamengo, ainda mais carente de craques, demoraria um pouco para montar um time competitivo.

ZIZINHO
O maior craque flamengo antes do surgimento de Zico foi negociado contra a vontade, em um episódio triste e lamentável. Os presidentes de Flamengo e Bangu discutiam amenidades, quando o dirigente flamengo comentou algo sobre o fato de nenhum jogador do clube ser inegociável. Esperto, o cartola banguense pressionou, e conseguiu arrancar um compromisso de venda de Zizinho. Dessa forma, o maior ídolo da época, o melhor jogador brasileiro em atividade, aquele que se tornaria o craque da Copa do Mundo de 1950 acabava de sair do seu clube de coração, indo jogar no modesto Bangu, onde se destacou a ponto de ter sua convocação para o Mundial de 1954 pedida por muitos (era o melhor jogador brasileiro na época). Sintomática foi sua primeira exibição contra o ex-clube, onde, em uma das maiores atuações individuais da história do Maracanã, quase fez nevar na goleada de 6-0, um crime passional contra seu time de um coração apunhalado e sangrado. Zizinho encerraria a carreira no São Paulo, onde igualmente brilhou. E o Flamengo seguiria por mais anos delicados.

DIDA
Tricampeão carioca, campeão do Rio-SP, campeão de vários torneios internacionais, o maior artilheiro flamengo antes de Zico construiu larga e sólida passagem pelo rubro-negro. Em 1963, já às vésperas de completar 30 anos, desentendeu-se com o treinador Flávio Costa e foi negociado com a Portuguesa, já durante o Carioca. No clube paulista, conseguiu a impressionante marca de 54 gols em uma temporada, mostrando que ainda reunia plenas condições de atuar em alto nível. O Flamengo, mesmo sem o craque, conseguiu conquistar o Carioca daquele ano, em uma partida histórica contra o Fluminense.

ZICO
O maior, melhor, mais vitorioso, mais idolatrado, principal artilheiro e referência do Flamengo foi negociado em 1983, logo após a conquista do tricampeonato brasileiro (a transação já estava amarrada antes). O rubro-negro não queria perder a oportunidade de auferir lucro com sua saída (dali a dois anos Zico receberia passe livre) e não dificultou o assédio da Udinese. Consumada a saída, a Gávea viveu dias de fúria, choro e catarse coletiva poucas vezes possível conceber em uma organização esportiva. O efeito foi tão contundente que o time esfarelou-se, passando a perder jogos tolos, a ser goleado por rivais muito mais fracos, a atuar em um Maracanã às moscas. Nem a renúncia do presidente que ancorou a negociação foi suficiente para aplacar a fúria e a histeria coletiva. Zico teria boa passagem pelo clube italiano, atrapalhada pela fragilidade da equipe. O Flamengo somente retomaria o caminho dos títulos e das conquistas após o retorno do Galinho, em 1985.

ROMÁRIO
O marrento baixinho foi contratado em uma negociação polêmica em rumorosa, em 1995. Subvertendo toda e qualquer noção de hierarquia, passou a fazer da Gávea sua residência, e quem se punha em seu caminho era implacavelmente expelido, de jogadores a dirigentes. Não por acaso, a “Era Romário” foi opaca em títulos, e em 1999, farta dos excessos do jogador, a diretoria resolveu adotar uma “solução final”, demitindo-o estabanadamente após mais uma farra. Romário foi reforçar os rivais, onde trilhou trajetória vitoriosa. O Flamengo, já imerso em uma administração caótica, preparava-se para viver o pior período de sua história.

Uma boa semana a todos.

Flamengo Net

Comentários