segunda-feira, 25 de agosto de 2008

TEXTO DA SEMANA - Joe Kliment ("Carioca")

Salve a torcida do Nordeste


Com o apelido de Carioca no Blog do maior time do mundo, fica evidente minha origem. Recentemente, por motivos profissionais, fui "exilado" para Fortaleza, no Ceará. Em se falando de exílio, ficou logo evidente que se Napoleão fosse esperto, mesmo, escolheria a Terra do Sol, e não Elba, que por sinal deve ser muito sem graça.

A cidade é bela, praias indescritíveis, povo hospitaleiro e comida de comer rezando e lambendo os dedos. A grande supresa, no entanto, veio de outra forma. No nosso amado Rio de Janeiro, berço da Nação, onde ensina a história que o brado de independência foi dado no Estádio Mário Filho, é corriqueiro encontrar pessoas trajando as cores do Mengão.

Vermelho e preto em Ipanema é tão comum quanto a marca da Coca-cola em botequim de esquina. Ao saber do meu destino, me preocupei em procurar pela internet informações sobre onde poderia assistir aos jogos, dividir informações rubro-negras, enfim, falar do único futebol que nos interessa, o CRF. Imaginava, em minha ignorância, que encontraria apenas um ou outro torcedor do Flamengo, travestido de Ceará, Fortaleza ou qualquer outro time local.

Quanta arrogância, a minha. Logo na chegada ao aeoroporto sou brindado com um taxista rubro-negro. Não havia dúvidas, vestia a camiseta da Raça Rubro-Negra. Ao passear pelas praias, entre uma e outra água de côco, me senti na rampa do Maracanã. Camisas rubro-negras iam e viam em todas as direções. Quinta, dia do jogo contra o Grêmio, vejo um moreno apressado, arrastando a namorada para atravessar a rua. Como ele também trajava o Manto, perguntei se o jogo ia passar na TV aberta. "Rapaz, se vai passar eu não sei, mas a turma tá se reunindo na casa do fulano, e se você quiser já está convidado. Vai ter churrasco, cerveja e mulher, mas só entra se for torcedor do Flamengo".

Já conhecendo a beleza das mulheres cearenses, resolví salvar meu casamento e assistir ao jogo no hotel. Amigos, depois de uma vitória como essa, seria natural encontrar ainda mais pessoas nas ruas trajando o manto, mas não tanto como o que encontrei. Em cada esquina, nos quiosques, shopping centers, enfim, em cada canto, uma camisa do Flamengo. Outros times? Bem, uma ou outra.

Me sinto em casa. Ou melhor, estou em casa.

É preciso que nós, cariocas, percamos essa soberba de acharmos que a torcida do Flamengo é no Rio, e que nos outros estados tem apenas um punhado de simpatizantes. Conversando com os cearenses, ficou claro que é o contrário. São Flamenguistas, e alguns apenas simpatizam com os clubes locais. Esse pessoal merece nosso respeito, e fico feliz em dizer que hoje, sou um homem mudado. Parabéns, torcedores nordestinos, e obrigado. Me ensinaram, com sua simplicidade, a dimensão do que é ser Flamengo.

* Joe Kliment, o "Carioca", 44 anos - 40 de Flamengo -, é consultor de tecnologia e empresário, mora no Rio e passa uma temporada em Fortaleza (CE).

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