quarta-feira, 28 de março de 2007

Algumas considerações sobre o Panteão Rubro-Negro
Quem não acha o assunto interessante, pode parar de ler e não precisa postar comentários aqui no estilo "Ouvi agora na Rádio Globo que o Angelim não jogar". Mas creio que a sugestão postada aqui da criação de uma Academia Rubro-Negra do Futebol é de grande valor e tem que ser levada a sério, principalmente se quisermos um dia ter um estádio e mais ainda preservar a memória do que é o Flamengo como instituição.
A Lei Pelé um dia vai acabar com todos os clubes, menos com o Flamengo. Porque o Flamengo ainda terá o Panteão, local ao qual levaremos nossos netos para conhecer o zagueiro que derramou seu sangue no Mineirão, o atacante que enfiou a cara na lama para fazer um gol (não, não é o repugnante que veste o pano de chão hoje em dia) ou o lateral que fez um golaço no último minuto de um Fla-Flu decisivo.
Enquanto isso, crianaças que torcem pelos outros clubes passarão a infância com saudades dos "seis meses em que o Carlos Alberto jogou pelo Fluminense" ou "pelos oito meses em que o Liédson jogou pelo Corinthians antes de ir para Portugal" ou mesmo "por aquele iniciozinho de carreira do Robinho no Santos". Coisas do tipo. Mas só o Mengão terá o PANTEÃO.
Para tanto, é preciso que todos entendam de uma vez: o PANTEÃO não é uma compilação dos melhores. De maneira nenhuma. É claro que há coincidências como o Zicaço, nosso melhor jogador. Mas, che catzo, alguém tiraria o Galinho do Panteão depois dele ter saído correndo para encher o Guina de porrada em 1978? Claro que não.
Para se entender o que é o PANTEÃO, basta ver, por exemplo, que Aldair estaria fora e Rondinelli dentro. Mesmo sendo Aldair cracaço e Rondi um zagueiro mais ou menos. A diferença é que o Deus da Raça banhou o gramado do asqueroso Mineirão com seu sangue, estava em coma durante nosso primeiro título brasileiro e ainda mandou o Leão para a puta que o pariu com uma cabeçada certeira em 1978. Fora a personalidade marcante dele.
Jamais, por exemplo, em tempo algum, se ainda primamos pela defesa do heterossexualismo, poderia ser incluído um Bebeto no PANTEÃO rubro-negro. Seria uma falta de responsabilidade atroz, coisa de maluco. Como incluir no PANTEÃO um sujeito que sai do CÓSMICO Mengão e vai beijar boca de Eurico lá no vaso sanitário de São Cristóvão? Não que Andrade e Rondinelli não tenham ido para o Vasco um dia - mas o que importa são os créditos acumulados anteriormente e as coisas que são feitas contra nós depois. O equilíbrio entre essas duas coisas é que define tudo. E que exclui, por exemplo, o técnico dos Imundos, Renato Gaúcho. Um herói em 1987? Sim. Mas e depois? Sem contar que não podemos dividir ídolos com o Grêmio.
Houve quem criticasse a inclusão de Anselmo. Certamente um torcedor que em 1981 ainda devia estar na encarnação anterior, como pastor de cabras em um vilarejo da Hungria. Ora, por um momento único, rápido, Anselmo lavou a alma de milhões de rubro-negros, sentando a porrada santa e justa nos cornos de um zagueiro chileno filho da puta, que passou o jogo anterior inteiro com uma pedra na mão direita, abrindo os supercílios rubro-negros.
Não há história similar à dele. Não há time no mundo que tenha colocado um sujeito em campo para dar um soco no inimigo. Anselmo nos redimiu e entrou para o PANTEÃO. E de lá jamais sairá.
Para encerrar, a minha lista: Zico, Raul, Leandro, Marinho, Mozer, Lico, Nélio, Júnior, Nunes, Andrade, Adílio, Geraldo, Julio César Uri Geller, Toninho Baiano, Doval, Rondinelli, Anselmo, Fio Maravilha, Carpegiani, Biguá, Bria, Jaime, Reyes, Carlinhos, Valido, Joel, Evaristo, Dequinha, Zagallo, Jordan, Almir Pernambuquinho, Pirilo, Dida, Zizinho, Tomires, Pavão, Leônidas, Perácio, Luisinho das Arábias (o que provou ser melhor que Pelé) e Mozer.

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