quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Que bonito é

*Por Maurício Neves, do seu blog no site oficial do Flamengo



O Philco Transglobe sobre a escrivaninha, a mil quilômetros do Rio de Janeiro. A voz de Waldir Amaral aparecia e sumia entre os chiados. Meu pai, no surrado banco de assento de couro, organizava a coleção de moedas e fitava o rádio. Eu, cinco anos, minúsculo na poltrona que me parecia imensa, deduzia de seu olhar e do bigode levemente retorcido a seriedade do momento. O jogo se aproximava do final e o Flamengo precisava de um gol.

Fez-se nítida a voz de Waldir: - Prepara-se Zico, bateu pingado na pequena área... É goooool do Flamengo! Gooool do Flamengo, me parece Rondinelli entrando de cabeça! Estão desfraldadas as bandeiras do Mengão! Quarenta e um minutos em cima da pinta, é uma loucura no Mário Filho! (...) Rondinelli... Três é a camisa dele, indivíduo competente o Rondinelli, uma cuca legal, um golaço para o Flamengo! Teeem peixe na rede do Vasco da Gama, choooveu na horta do Mengão!

Meu pai saltou do banco e socou o ar, é gol!, gritou, enquanto eu o assistia com a certeza de que a história estava acontecendo diante de meus olhos.

Quando ele me puxou da poltrona, fiquei gigante em seus braços. Olhos nos olhos, e seus olhos faiscavam de tanto Flamengo.

Ele pulava pela sala enquanto ecoava o samba pós gol da Rádio Globo: - Que bonito é... A bandeira tremulando, a torcida delirando, vendo a rede balançar...

Obrigado, Rondinelli. Três de dezembro de 1978. Foi a primeira vez que vi o Flamengo nos olhos do meu pai. E que bonito é.

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