Sociobiologia
Para a messiânica, sebastianista e desconectada da realidade fática torcida do Flamengo um dos maiores defeitos do Campeonato Brasileiro é a sua reduzida e insuficiente cota de Fla x Flus. Nesse campeonato chato e equilibrado com tantos times parelhos e sem graça produzindo índices escandinavos de emoção só mesmo os poucos clássicos como esse, prenhe de tradição e história, conseguem se destacar na soporífera e hipertrofiada competição. Sem qualquer patriotada afirmo que esse descomunal Fla x Flu é muito maior que Campeonato Brasileiro, aliás, o antediluviano embate entre os Irmãos Karamazov do futebol já se provou maior do que qualquer campeonato do planeta. A disputa que remonta a 1915 já amadureceu, desenvolveu linguagem própria e segue sua lógica muito particular, que só os iniciados nos mistérios dessa rivalidade são capazes de desfrutar. E por último, mas não menos importante, exatamente como viemos demonstrando ao longo da semana o Terceirense teme o Flamengo.
No que diz respeito ao bombado jogo da noite de quinta-feira a nota dominante foi, para surpresa de ninguém, a superioridade rubro-negra. Não falo daquela superioridade natural e congênita do rubro-negro que se manifesta em todos os campos do conhecimento humano, mas sim da esmagadora superioridade numérica com que o Flamengo miniaturizou, reduziu e quase fez sumir o serelepe time burguês, no campo e nas arquibancadas. Para cada incauto tricolor que teve disposição de botar a cara o Flamengo destacou 5 ou 6 torcedores dispostos a gritar mais alto, a correr mais rápido, a chegar mais longe. Dentro das 4 linhas a superioridade genética do Flamengo ficou ainda mais evidente. Para os que ainda tem dúvidas sobre o a Teoria Darwiniana, o determinismo sociobiologico e a imutabilidade do destino traçado pelos genes existem dois caminhos: encarar os dois grossos volumes da Nova Síntese de Edward O. Wilson ou constatar sem grande esforço que para o Flamengo vencer 11 FlormineCes bastam 8 flamenguistas na linha e 1 no gol. Assim conquistamos nossa centésima trigésima seguda vitória sobre o Flor, aumentando a nossa vantagem para 12 partidas. Uma dúzia completa pra facilitar a contabilidade dos flamenguistas que gostam de apostar cervejas com os fregueses tricolores.
Para quem não sabia o que era o Flamengo até o mês passado Maxi Biancucci mostrou que tem bons genes. Brioso e cheio de marra, o argentino-paraguayo mostrou personalidade ao envergar com naturalidade o Manto 10. O cara chamou o jogo pra ele e partiu para cima com a bola dominada sem medo, no melhor estilo da escuela argentina. Depois de marcar seu gol o cara foi pra galera com tudo, conquistando a torcida na bola e na moral. O infeliz Luiz Alberto já marcou algumas sessões de RPG e shiatsu para realinhar a coluna cervical, transformada em mola pelos comes humilhantes que ele levou do Maxi.
Tão humilhantes que o grosso e mal agradecido zagueiro partiu pra ignorância e andou dando uns tapas e cascudos no argentino. Nessa hora Joel Prancheta de Oiro mostrou que é técnico sagaz e vivido nas mumunhas do futebol. Antes que a violência tricolor imperasse e que Maxi desse uns catiripapos no covarde tricolor, Joel sacou o melhor jogador da família Messi e fez entrar Bacon, isto é, Obina, faturando mais uns pontinhos com a massa ignara. A essa altura da partida era tudo uma questão de raça e não fica nem bem discorrer sobre um assunto em que o Garambone foi definitivo em sua crônica pós jogo.
Pegando emprestado o gancho dos 300 prefiro destacar que até o momento em que o parcial e tecnicamente limitado soprador de apito deu por encerrada a contenda o monumental Flamengo permaneceu 301 dias sem vencer um clássico. Um recorde medonho que não quero jamais ver batido. Tenho fé e esperança de que essa anomalia que tanta dor causou não se repetirá jamais. Se por desgraça isso voltar a ocorrer já sabemos como acabar com a inhaca. É só marcar mais um Fla x Flu.
Mengão Sempre
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
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arthur_muhlenberg
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