Semana turbulenta nos mercados internacionais. Uma crise de crédito nos EUA interrompe o recente boom das bolsas ao redor do mundo e faz com que quedas não vistas desde o 11 de setembro pipoquem na Ásia, Europa e Américas. O Fed e o Banco Central Europeu foram obrigados a intervir e injetaram centenas de bilhões de dólares no mercado interbancário apenas na última semana.
Mas, pera aí... Hoje é quinta-feira, dia de Fla-Flu. E quem liga pra o que o Ben Bernanke vai fazer pra salvar a economia mundial? O Flamengo está na zona de rebaixamento (com 3 jogos a menos, é verdade) e nada, absolutamente nada, poderia ser mais importante que uma vitória hoje sobre a tricolada.
Após mais um dia tenso no trabalho por conta da volatilidade nas bolsas ao redor do mundo, rumei seguro para o Maraca. Já fazia um tempinho, desde antes do Pan, que não assistia o Mengão de perto. E chegando nas imediacões do Mário Filho já era nítida a supremacia numérica rubro-negra. Mas pera aí... Não somos nós que estamos na zona de rebaixamento? Não foi o Fluminense que acabou de ter um de seus mulambos convocados para a seleção? Não foram eles que acabaram de garantir uma vaga na Libertadores? Não vai o Fed cortar logo os juros antes da próxima reunião? Tsss...nada disso importa. Nós somos Flamengo, a maior torcida do mundo, não ligamos pra nada disso e estamos em maioria sempre.
O Maracanã está mais bonito, é verdade. Os placares eletrônicos substituídos por telões dão outra cara ao Maior Estádio do Mundo. E ao fundo, claro, aquele mar rubro-negro esmagando aquela pontinha verde-grená-gay de alguns gatos pingados tricolores.
O Mengão entra em campo, camisa homenageando o Mundial - o time, nem tanto. Mas hoje era dia de Flamengo, mesmo tendo um safado de um juiz ladrão tentado estragar a festa. O Mengão começa mandando no jogo, como nao podia deixar de ser, mas sem muito poder ofensivo. Tinha a posse da bola, dominava o Fluminense, mas nao ameaçava muito o gol tricolor. E assim foi todo o 1o tempo, até que no finalzinho, o Juan avança pela esquerda, mete um bolão para o Messi, quer dizer, para o Maxi, e o argentino toca pelo alto, com categoria, na saída do goleiro. Mengão 1 a 0, festa no intervalo.
Vem o 2o tempo, e o jogo segue na mesma... O Fluminense agora um pouquinho mais ousado embalado pela constante ajuda do homem de preto, que insiste em só mostrar cartões amarelos para o time do Flamengo. Logo, logo Juan é expulso. Um pouco depois foi a vez de Roger. O jogo, tal como os mercados durante a semana, viram rápido de cara. O que parecia dominado, tornou-se perigoso em instantes, por conta de forcas exógenas. A diferença é que se os mercados tem o Fed, que nem sempre salva, o Mengão tem a sua torcida, e essa nunca deixa de atuar quando é chamada à responsabilidade. Se o Fluminense tinha 2 jogadores a mais (além do juiz), o Flamengo tinha 50 das 60 mil pessoas presentes do seu lado e gritando sem parar. Bastavam os pós-de-arroz pegarem na bola e uma vaia enlouquecedora esgotava qualquer chance de sucesso do ataque tricolor.
O apito do juiz selou mais uma vitória autenticamante rubro-negra, de raça, de sangue, de camisa.
E ao final da festa, só restaram duas certezas:
que quem tem Maxi e Obina, nao precisa nem de Messi nem de Etoo... e
que a bolsa cai, os mercados despencam, mas o Flamengo é sempre o Flamengo, tendo um, dois ou quantos forem a menos...


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