Até a bola teve pena
Como todos já esperavam, o Flamengo foi derrotado mais uma vez pelo Atlético, em Curitiba. Não houve goleada porque o time deles também é fraco, mas o que se vê do Flamengo, é pior.
Em constantes conversas com torcedores, percebo que aliada à raiva e expectativa de ver o Mais Querido naufragar, existe uma pena pelo que fizeram com um clube da dimensão do Flamengo. Como puderam colocá-lo nessa situação calamitosa, sem comando e perspectiva?
Hoje, o Flamengo, mais do que a raiva e o recalque que passava aos demais, dá pena. É muita gente sofrendo e até mesmo o mais sádico dos torcedores rivais, às vezes baixa a bola na gozação. A imprensa também, já cansada de ano após ano cantar as mazelas que drenam as últimas forças do clube, os problemas estruturais, os centenários nomes incompetentes que mandam e desmandam no clube e o paternalismo com os jogadores indignos de sequer usar a piscina do clube como sócios. Até mesmo a implacável e cruel imprensa já muda seu discurso, para algo mais brando, que não machuque tanto o torcedor/leitor.
Já vi times que goleavam o Flamengo, para depois contar a história por anos a fio. Hoje fazem um gol, depois outro e deixam o tempo passar. Têm pena dos jogadores, antigamente conhecidos como guerreiros, mas hoje meros fantasmas vestidos com um Manto rubro-negro maculado por dezenas de marcas alienígenas. Até o Lubrax, tradicional símbolo de uma era de ouro do Flamengo, saiu da barriga, indo para uma lateral da camisa, em tamanho reduzido como o time.
Árbitros, esses que nós sempre xingávamos por estarem roubando e impedindo o Flamengo de ganhar mais e mais, hoje são esquecidos. Nem perdem seu tempo prejudicando o time. Deixam a bola rolar, literalmente. Sabem que é questão de tempo para o gol sair. Os carrascos de preto também têm pena do Flamengo de hoje e nós lembramos de xingá-los. Já estamos convencidos que o problema é o time.
Mas ontem, no jogo contra o Atlético Paranaense, eu vi algo que me chocou. No segundo gol deles, a bola não tocou a rede. Depois de chutada, chegou a ser defendida pelo goleiro, mas rolou em direção à meta. Bateu na trave e parou, exatamente no local onde se define como "entrou por inteira no gol". A bola, que tantas alegrias deu ao Flamengo, não quis estufar a rede, outra antiga amiga do time. A bola pensou "chega, eles já sofrem demais. Não posso fazer isso com quem sempre me tratou bem e a quem eu tanto dei alegrias" e parou, logo após a linha. Até a bola teve pena desse Flamengo.
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
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