As mãos que seguram Roth
Um trabalho bem feito é sempre recompensado. E é exatamente a competência de um excelente profissional o que segurou até aqui a permanência de Celso Roth no comando do Flamengo. O preparador físico Humberto Ferreira chegou ao clube indicado pelo atual treinador para substituir Toninho Oliveira (cuja incompetência ajudou, e muito, a derrubar o antecessor de Roth). Pegou um elenco em péssimas condições físicas. Poucos eram os jogadores com o percentual de gordura abaixo de 11%. E olha que Cuca trabalhava em dois períodos! Hoje a situação do elenco é bem diferente.
É voz corrente na Gávea que as reações com um jogador a menos contra Juventude e Coritiba seguraram o emprego de Celso Roth. Se deixarmos de lado os discursos fáceis que exaltam "a superação dos jogadores que colocaram o coração na ponta das chuteiras" e analisarmos a situação, encontraremos outras respostas bem interessantes. Até porque não há "determinação" ou "superação" que sobrevivam à falta de condições físicas.
No Brasileiro do ano passado, quando Cristiano Nunes, hoje no Fluminense, era o preparador físico do Flamengo, apresentávamos uma triste estatística: éramos o clube que mais viradas havia sofrido no campeonato. Sair na frente para o time de Abel e Cristiano não significava muita coisa. Neste ano, marcamos primeiro apenas três vezes: nos jogos contra Figueirense, Vasco e Botafogo. E vencemos todas as partidas sem nem levarmos gols.
Além desta curiosa estatística, outros fatos chamam a atenção. O domínio físico que o time apresenta sobre a maioria de seus adversários no segundo tempo dos últimos jogos é flagrante. Foi assim domingo passado contra o Botafogo. Foi assim nas reações improváveis - mas insuficientes - contra Coritiba e Juventude. E também na vitória sobre o Vasco e no empate com o Palmeiras.
Humberto Ferreira acertou também ao aproveitar melhor o ótimo fisiologista que tem o Flamengo. Paulo Figueiredo andava meio largado na Gávea. Isso apesar de ser considerado um dos melhores do país, ter servido à Seleção em duas Copas do Mundo e participado ativamente da recuperação de Ronaldo para a Copa de 2002. Paulo era claramente sub aproveitado pelos preparadores anteriores, para desgosto de treinadores como Cuca e Ricardo Gomes. Com Humberto, o trabalho de Paulo voltou a ser mais bem utilizado. E os resultados começaram a aparecer. No elenco do Flamengo, hoje em dia, apenas três jogadores apresentam um percentual de gordura superior a 11%. Os atacantes Obina e Bruno Rosas e o recém-chegado Diego. O melhor resultado é de Leonardo Moura: 9,1% de gordura. Não é por acaso que o lateral consiga correr daquele jeito. E não é só isso. Fazia mais de um ano que o Cybex, aparelho fundamental na avaliação, preparação e recuperação de jogadores estava quebrado. Com o apoio de Roth e a insistência de Humberto, finalmente o departamento de fisiologia conseguiu junto à diretoria os R$ 40 mil necessários para o conserto.
Como o acaso parece ter ajudado Celso Roth a enterrar de vez o esquema rico em zagueiros e volantes, mas paupérrimo em inspiração, é bem provável que tenhamos bons motivos para sonhar com vôos maiores no Campeonato Brasileiro. O time está em franca evolução. Técnica, psicológica e ainda física. Segundo Humberto, ainda há muito que fazer, mas o trabalho já começa a aparecer. E trabalho bem feito é sempre recompensado.
quarta-feira, 3 de agosto de 2005
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