sexta-feira, 29 de julho de 2005

Que coisa, pai

Li agora que morreu Jair da Rosa Pinto, jogador da seleção brasileira vice-campeã do Mundo em 1950. Não o vi jogar; o conheço apenas do tanto que meu pai me fala dele.

Meu pai não desistiu ainda de ser rubro-negro. Anda com camisa com o escudo por aí, vai ao Plebeu assistir jogo quando só está passando no pay-per-view (como fez ontem...), coisas do gênero. Mas é desiludido com o futebol. Diz ele que o que se vê hoje tá muito longe do que ele assistiu durante a maior parte de sua vida - o que dá pra imaginar, já que eu mesmo tenho essa impressão e não tenho nem metade da idade dele. Fora isso, conseguiram fazê-lo se afastar do Maracanã. Me lembro da última vez em que fomos juntos, para um Flamengo x Corinthians - o Renato Gaúcho ainda jogava no nosso time! Ele entrou no bolo pra comprar ingresso pra nós e de lá só conseguiu sair por cima - o levantaram e foram passando ele por sobre as cabeças do povo para que pudesse sair, como se fosse um show de rock. Assistiu à partida com um dedo da mão quebrado.

Com certeza Jair da Rosa Pinto é o jogador de que meu pai mais me contou lembranças (já contou algumas vezes a história de uma excursão de um time inglês por aqui, agora me escapa o nome, que o Flamengo bateu com gols de falta do "Jajá", sem que o goleiro gringo sequer se mexesse) . Muito por encontrá-lo volta e meia em encontros de sua antiga turma - sempre voltava de lá, depois de muita cerveja, contando de conversas com o ex-craque, em que se lamentavam do que é o futebol e o Flamengo de hoje.

Jair foi enterrado ontem, aqui no Rio de Janeiro, só com a bandeira do Vasco sobre o caixão, colocada por um torcedor que lá estava. Nem a diretoria do Flamengo nem a do Vasco mandaram representantes ou lembraram de homenageá-lo.

Enfim.

* * * *

Acho que se o juiz tivesse esquecido de terminar o jogo e ele estivesse rolando até agora, ainda estaria 0x0.

Flamengo Net

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