Notas sobre uma Noite na Arena
Senhores, ontem resolvi conhecer a tal "Arena Petrobrás", conhecida em tempos remotos como "Estádio dos Ventos Uivantes". E posso dizer o seguinte: é uma absoluta irresponsabilidade jogar um Flamengo e Botafogo em lugar semelhante.
Como se sabe, a Ilha só tem uma entrada. Como a PM vai separar as rotas dos torcedores e evitar os confrontos ? Dentro, o estádio é pequeno, com três grandes arquibancadas montadas, o que torna complicado alojar as organizadas de forma segura, já que um simples morteiro cruza o campo todo. Enfim, vai ser um problema, e temo pelo pior.
Dito isso, confesso que foi ótimo voltar a ver um jogo ao vivo e reencontrar a torcida. O sofrimento torna-se menos solitário, e o inacreditável bom humor que persiste em não nos largar propiciou momentos hilários. Incentivo não faltou. Diante da situação atual, até um carrinho de Rodrigo Arroz virou motivo para aplauso, como se qualquer mínimo ato que evocasse uma perdida mística rubro negra fosse merecedor de entusiasmo.
Sobre o jogo em si, foi difícil. O time marcou bem, tentou imprimir velocidade, esforçou-se, mas a falta de capacidade de criação e finalização do time chega a ser algo comovente. Não à toa, Jean parece ser o símbolo desse momento. Luta, corre e busca a linha de fundo com a mesma paixão com que isola bolas na arquibancada.
Finalmente, o que dizer de Roth? A opção por Fabiano na cabeça de área foi até interessante, e nosso herói se portou bem na marcação, não comprometendo. Contudo, ninguém entendeu a substituição de Jônatas por Robson, assim como o comportamento tático de Leonardo Moura, que insistia em cortar para o meio ao invés de buscar o fundo. A incapacidade de organizar as saídas de bola no contra ataque era visível, o que transformava a forte marcação no meio (que nos permitiu algumas boas roubadas de bola) numa inutilidade. Qual o sentido de uma marcação agressiva, se ela não é seguida por um contra ataque veloz e eficiente?
Fim de jogo, van para o centro do Rio. A esticada na Lapa permitiu esfriar a cabeça e a garganta, além de contribuir para devastar o orçamento que havia restado. Eu poderia ter ficado em casa, pensei. Bobagem. Assistir jogo do Flamengo ao vivo deixou de ser lazer para mim há muito tempo. Hoje, é uma mistura de obrigação moral, estoicismo e hábito arraigado. Assim como viver no Rio.
sexta-feira, 29 de julho de 2005
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