terça-feira, 26 de julho de 2005

PERDAS E GANHOS


Meu primeiro filho fez de 1979, ao nascer, meu primeiro ano iluminado. Outubro de 1980, ganhou uma irmã e eu achava que não podia ser mais feliz. Mas podia. Não só porque eles continuaram chegando, uma em 1982 e o derradeiro em 1984, mas também porque havia ventos de uma alegria quase inexcedível, soprando da Gávea em direção aos quatro cantos do Brasil, com grandes espetáculos, coreografias da torcida que queimaram minhas retinas como ferro em brasa, loucuras de amor pela paixão de uma nação, imensa, majestosa, inchada de orgulho e embriagada de felicidade, em seu colorido rubro e negro. Guto é o nome do meu primogênito. Vivendo sua infância no interior de São Paulo seu entusiasmo de moleque o levou a se encantar, para meu mais profundo desgosto, por uma camisa verde, anabolizada por italianos que fizeram história tanto por seus bichinhos que encantaram telespectadores com suas pequenas bocas sujas de leite, quanto por escândalos e processos de repercussão mundial. Não consegui salvar o mais novo, que se apaixonou por uma camisa quase rubronegra, não fosse o branco de seu escudo tricolor. Seu segundo time, apenas o segundo, é o Flamengo. Não é o suficiente, mas que hei eu de fazer quanto ao amor que há de bater no peito de meus filhos e filhas? O mais velho, no entanto, rendeu-se, finalmente. Assim que passou a infância, o Flamengo o conquistou. É uma amor que vive de lembranças, de glórias passadas. Uma única vez, já adulto, visitou o Rio, tão longe da cidade onde moramos : era semana de campeonato nacional, jogo no Maracanã, Flamengo e Botafogo. Viu uma derrota, mas não se arrependeu. Continua, como eu, amando o Flamengo e se desesperando por suas desventuras.
Às vezes escreve nos comentários do BLOG, alguns hão e ter lido alguma coisa assinada por Guto Bata. É ele, 26 anos de idade, apaixonado por um amor que não é correspondido. Desde que ele se tornou torcedor, por volta de 10, 12 anos atrás, o Flamengo não ama seus torcedores como eles o amam. Tornamo-nos, todos, protagonistas de um amor platônico, solitário, unilateral. Nem a família do amor de nossas vidas nos trata mais bem, eles nos desprezam, nos ignoram, fazem pouco de nossa paixão. O Flamengo é deles.
A mim ainda me resta a lembrança dos anos de amor correspondido, uma inesquecível lua de mel. E ao Guto, coitado? É uma pena, filho.

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