Há necessidade de reformular. Repensar a forma como é gerido o clube, de um modo geral. Desenvolver, de uma vez, a consciência de que estamos, ainda, a léguas de distância de outros clubes muito mais organizados e estruturados. Essa palavra, estrutura, que causa urticárias em alguns, é a chave.
Também acho que o elenco deve sofrer uma reformulação (os jogadores são os menos responsáveis, mas também o são). Simplesmente porque o clube não tem condições de manter todos esses jogadores. Mal pagos (ou não pagos), não rendem e são execrados. Há ainda os que já esgotaram o “prazo de validade”, acomodaram-se e precisam de novos ares. E há os fracos tecnicamente, mesmo.
Mas é preciso cuidado. Derrotas como a de sábado tendem a ensacar todo mundo em um mesmo balaio de mulambos. A visão entorpecida torna indistinguíveis joio de trigo, branco de preto, e a irresistível vontade de mandar todos ao inferno pode fazer com que se perca jogadores que ainda poderão ser úteis. Então, equilíbrio, principalmente de avaliação, é fundamental.
Recorrendo à história, que é o escopo dessa coluna e costuma ensinar mais do que parece, seguem algumas “avaliações” de torcedores e/ou diretores do clube sobre determinados jogadores. Essas opiniões normalmente surgiam após alguma derrota contundente ou mesmo após uma atuação ruim do time.
Raul: goleiro ultrapassado, velho, cansa de tomar gols fáceis, não pula nas bolas. Pior que o reserva também é fraco. O Flamengo deveria ir atrás de um goleiro.
Leandro: uma avenida. Lento, corre todo torto, não marca direito. E adora uma festinha, um barzinho.
Marinho: esse beque não reúne condições de vestir a camisa do Flamengo. Um dos piores zagueiros que aqui passaram. Caneleiro, “duro”, facilmente envolvido pelos adversários.
Mozer: parece ser bonzinho, mas tem que mostrar mais. Grandão, desengonçado, pelo chão é fraco. Pelo menos ainda é novo.
Júnior: onde já se viu um lateral não marcar? Falha demais, às vezes se desconcentra do jogo. Quando pega um ponta arisco, é um desespero.
Andrade: pipoqueiro, lerdo, fraco na marcação, sem raça. O Vítor marca muito melhor, devia ser o titular.
Adílio: não sabe chutar, não sabe cabecear. Futebol improdutivo, de driblinho e toquinho. Quando alguém encosta e chega junto na marcação, some do jogo.
Tita: desagregador, jogador nocivo ao grupo. Cisca muito pelo lado do campo, não é objetivo. O Flamengo deveria trazer um ponta aberto e negociar essa “maçã podre”.
Nunes: grosso, tosco, pra cada gol que faz perde dez. Nitidamente destoa do resto do time. Pra piorar, também é criador de caso.
Lico: jogador que não fede nem cheira, igual a muitos por aí. Pra que contratar alguém com 30 anos se o Flamengo está cheio de garotos bons de bola?
(Agora, a parte que eu acho mais interessante):
Zico: jogador de Maracanã, pipoqueiro, sempre “amarela” em jogos importantes. Isso quando não está machucado. É o que dá criar esses “jogadores de laboratório”. Na hora que mais se precisa dele, sempre arrebenta um músculo. Até sabe fazer gol, mas já querer compará-lo com o Dida é sacanagem. O Flamengo, com esse rapaz, não vai a lugar nenhum.
Todos esses “comentários” foram publicados, ou ouvidos, ANTES de 1981. Esses 11 jogadores formaram o melhor time da história do clube.
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