quarta-feira, 26 de dezembro de 2007


O URUBU QUE FILOSOFA

Quais são as expectativas para o Flamengo em 2008? Não possuindo bola de cristal nem possuindo dons divinatórios, não posso prever o que acontecerá. Mas prestes a completar trinta anos como torcedor, eu tenho minhas próprias idéias sobre o que está acontecendo com o nosso time.

É inegável que Joel Santana foi responsável pelo brilhante desempenho no Brasileiro, mas acho que não teria conseguido isso sem o papel avassalador da Torcida, que começou a lotar o Maracanã quando o Flamengo ainda agonizava na zona de rebaixamento. Foi a pressão dos torcedores que fez com que um time repleto de precauções defensivas partisse para cima dos adversários (até por que o defensivismo não é privilégio do Natalino: os times que vieram nos enfrentar no Maraca sempre se armaram na defesa)

O que esperar do nosso time após as últimas convocações? O que no espera na Libertadores?

1. Não nego que os jogadores recém-convocados sejam bons. Mas me incomoda esta verdadeira tara em armar times com dezoito volantes. Até agora ninguém falou em arranjar um camisa 10 com características ofensivas e armadoras. Como jogaremos? Com quatro volantes jogando a bola pro lado, esperando que os dois laterais defendam, cubram, corram, ataquem, cruzem e façam gols?

2. Renato Augusto não tem o menor cacoete de atacante. Não entendo porque nenhum técnico enxerga isso. Não é artilheiro, chuta mal, e apesar de lampejos de craque, não é a solução para o ataque. Além disso, dificilmente ficará muito tempo, tenho certeza que acabará negociado para algum timinho do exterior.

3. Por enquanto não tenho grandes esperanças na conquista da Libertadores. Todo mundo fala desta Copa como se fosse uma Copa do Brasil ou um Carioca. Não é. Não é. Não, definitivamente, não é. Vi grandes times do Flamengo, que botariam no chinelo qualquer time brasileiro atual, não conseguirem ganhar a dita copa. No Campeonato Brasileiro, o nosso excelente desempenho foi fruto de um modelo de pontos corridos aliado a um longuíssimo campeonato. Numa fórmula assim, qualquer time que time quase todos os jogos em casa, vai subir na tabela. Além disso, nosso sucesso foi chegar entre os primeiros, e não ser campeão. Se o objetivo é apenas estar entre os primeiros, este desempenho funciona. Mas nosso desempenho fora de casa foi RIDÍCULO. Só vencemos fora dois rebaixados, América e Paraná, além do Goiás, que fez de tudo para ir para a Segunda Divisão e não conseguiu.

4. Na Libertadores não basta ganhar os jogos em casa. Se jogarmos como no Brasileiro, vamos apanhar de todo mundo fora de casa. Na Libertadores, o time tem que jogar tão bem fora como dentro. Indo lá fora, temos que ter condições de ganhar ou empatar. Quando perder, perder de pouco, e ter condições de em casa reverter placares complicados. Isso é que me preocupa. Ganhamos muito no Maracanã, mas com um time apinhado de volantes, quase todas as nossas vitórias foram suadas e sofridas, geralmente 1x0. Isso na Libertadores talvez não seja suficiente.

5. Outro problema com nosso time é pouca capacidade de reação, principalmente quando longe do Rio de Janeiro: bastou o adversário botar um gol na frente, que ganha o jogo.

6. Também é importante montar um elenco forte, se possível para manter-se na disputa do Carioca paralelo. Nos últimos anos em que o Flamengo priorizou Libertadores, deu vexame no Estadual. Montar um elenco forte significa contratar opções para várias posições. Não adianta nada contratar um grande nome apenas, pois se machuca ou fica suspenso, voltaremos a usar o elenco ruim de antes. É claro que eu sei que fazer inúmeras mega-contratações não significam necessariamente um time vitorioso. Mas confesso que as contratações do Fluminense parecem muito melhores que as nossas. Não vejo na diretoria do Fla nenhum interesse em buscar atacantes ou armadores habilidosos. Por falar nisso, de onde a UNIMED tira tanto dinheiro? O dinheiro que os contribuintes de um plano de saúde pagam não deveria custear somente serviços hospitalares?

7. Jamais existirá grupo fácil na Libertadores. Não caiam na bobeira de comemorar “grupo mole”. Só será tornado fácil se o time fizer por onde.

8. Em suma, acho que muito coisa boa aconteceu com o Flamengo, e há motivos suficientes para ansiar por um ótimo 2008. Mas devemos estar vigilantes sem jamais abandonar o realismo.

Flamengo Net

Comentários