
Dezoito anos da falta que Ele nos faz
Ele já havia executado o último drible e cobrado a última falta: um drible tocando a bola por entre as pernas do marcador e uma falta comum para Ele, impossível para o goleiro. Depois, como se precisasse liberar a bola para o usufruto dos mortais, fez um longo e perfeito lançamento para Renato Gaúcho marcar um gol. Foi o último toque de Zico na bola com a camisa do Flamengo, retratado na foto ao lado.
Antes de o jogo recomeçar, Zico foi saudado pela torcida, pelos seus companheiros e pelos seus adversários.
Antes de o jogo recomeçar, a placa de substituição com o número dez foi erguida contra o céu azul.
Antes de o jogo recomeçar, Zico desceu a escada para o vestiário. Flamengo, adeus.
No final da tarde de dois de dezembro de 1989, em Juiz de Fora, o futebol de verdade acabou. Desde então, vivemos de saudade.
E o jogo nunca mais recomeçou.

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