terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Balanço 2007

Flamengo Campeão Carioca

Ainda sob os efeitos alucinógenos da épica conquista da Copa do Brasil 2006 sobre o nosso cliente preferencial, o Flamengo entrou no Campeonato Carioca desse ano cheio de esperanças, já que após 5 longos anos só olhando, estaríamos disputando a Libertadores da América mais uma vez. Os reforços Roni, Clayton, Juninho Paulista (arghh) e uma Impatigada sortida e indigna de menção, a manutenção do técnico Ney Franco e o espírito otimista que então imperava indicavam que o Flamengo ia encarar seriamente a temporada.

E dessa vez com planejamento e método, palavras que quando desconectadas da ação são absolutamente vazias, mas que foram repetidas exaustivamente pelos big shots na Gávea durante os primeiros meses do ano. Sem opções e sedenta por títulos, a torcida comprou o pacote mineiro completo e apoiou a República do Pão de Queijo. Tudo indicava que o Carioca 2007 seria uma ótima preparação para o maior torneio do continente.

Dentro desses pensamentos cor-de-rosa, vencer a Taça Guanabara e garantir logo uma vaga na final do campeonato Carioca era o primeiro objetivo a ser perseguido. E como não era nada do outro mundo, até que não houve grandes dificuldades para consegui-lo, malgrado a falta de vitórias em clássicos, algumas atuações canhestras contra minitimes e uma ridícula e inaceitável goleada sofrida para o Madureira, em Moça Bonita. Na semifinal, contra o eterno vice a decisão por pênaltis ejetou naturalmente o bacalhau da disputa e nos colocou na final contra o improvável tricolor suburbano. Um Madureira que só chegou à final da TG graças à primeira das muitas amareladas do, então ainda muito incensado pela imprensa, time de boneca, desta feita contra o noviço e inofensivo Boavista de Bacaxá.

A final em duas partidas contra o Madureira só reservou surpresas no ridículo 0 x 1 do primeiro jogo. Na segunda partida a ordem natural das grandezas futebolísticas foi restabelecida e o chocolate vingador de 4 x 1 na noite de 7 de março deixou tudo em seu devido lugar. Flamengo Campeão da Taça Guanabara pela dezesétima vez. Nada surpreendente. Já estávamos na final do estadual e poderíamos nos concentrar apenas na Libertadores, que a esta altura do campeonato já estava rolando. Com as habituais manifestações de supremacia e hegemonia da nossa torcida o Rio de Janeiro se coloriu de vermelho e preto, ruas tiveram seu trânsito impedido pelos torcedores e o Manto Sagrado foi, como sempre, a peça de roupa mais popular da cidade.

Enquanto lutávamos ingloriamente na Libertadores, enfrentando com excesso de cautela timinhos absurdamente limitados e considerando empates com times de baseball como bons resultados, a Taça Rio rolava e logo logo o Flamengo se alijou da disputa. Poupando jogadores, se guardando para a fase seguinte da Liberta, o que acabou se tornando uma enorme decepção, o Flamengo disputou o segundo turno do Carioca à meia-bomba, sem empolgar ninguém, com uma preocupante anemia no ataque e ainda sem vencer clássicos (ganhar do América já não vale mais nada).

Lamentavelmente fora da Liberta, nos restava vencer o Carioca e foi com alegria que a torcida soube que nos caberia enfrentar na decisão do estadual o time da moda, o queridinho dos jornalistas e nosso velho freguês, o cavalo paraguaio que (já sabíamos então) não ganha naaadaaa. Na primeira partida saímos atrás, e como sói acontecer com os grandes times, fomos atrás do placar, conseguindo empatar e manter as esperanças no título. Apesar do inoportuno, injusto e injustificado favoritismo do Botafogo, concedido graciosamente pela crônica esportiva, o Flamengo na última partida do Carioca conseguiu ser mais Flamengo do que nunca.


Começou apanhando, se reorganizou durante a partida e com um golaço de Renato Augusto levou a decisão pros pênaltis. O final do evento todos já sabem: Flamengo Campeão Carioca de 2007. Uma conquista onde a atuação impecável e decisiva da torcida mais importante do Brasil já prenunciava que 2007 seria um ano memorável. E olha que o ano ainda não tinha chegado nem na metade.

Mengão Sempre


Ilustração: Pablo Lobo

Flamengo Net

Comentários