segunda-feira, 26 de novembro de 2007

UMA PALAVRA AMIGA AOS INIMIGOS

Sim, eu imagino o que vocês devem estar sentindo hoje. Sim, vocês mesmos, que passam o ano inteiro ocultos sob o manto multiforme das sete cores do arco-íris anti-rubro-negro. Por mais um ano de campeonato brasileiro vocês acalentaram o sonho pervertido de ver o FLAMENGO rebaixado para a Segunda Divisão. E até que vocês começaram muito bem, assistindo ao calvário d’O Mais Querido na zona pantanosa do rebaixamento. Do alto de suas ótimas colocações na tabela, riam e se divertiam com o flagelo do temido inimigo. "Os últimos serão os Primeiros", diz o adágio popular, e ele jamais foi tão (ironicamente) adequado. Enquanto torciam e ululavam montando patéticos sites para secar o Gigante Ébano-Escarlate e para antecipar a comemoração de tão esperado rebaixamento.

E...

Que mais uma vez não veio... e... ironia das ironias... o vilipendiado arqui-inimigo da Arco-Íris não só escapou das últimas posições, como caminhou a passos largos em direção ao topo, atropelando a tudo e todos, e ultrapassando botafoguenses, vascaínos e tricolores, tornou-se não só o melhor time do Rio no campeonato, como conseguiu a impossível classificação para a Libertadores.

O CHORO BOTAFOGUENSE

Num ano que o Botafogo quase venceu o Carioca, quase chegou às finais da Copa do Brasil, quase foi campeão (simbólico) do primeiro turno do Brasileiro, e quase chegou à Libertadores, eu quase não sei o que dizer para eles. Eles até se portavam bem no Brasileirão, até que a Dodogate fez o cafezinho (desculpem o trocadilho) esfriar. Além disso, neste ano, o time alvinegro consolidou um novo mascote: o Frango, o qual formará uma bela dupla com a Franga dos tricolores. Enxuguem as lágrimas e levantem a cabeça, afinal de contas, para uma torcida acostumada a ganhar um título por década, o campenato carioca de 2006 já basta para uma felicidade bem duradoura.

O CHORO TRICOLOR

O time das três cores e dos três rebaixamentos entrou no campeonato sem grandes objetivos, já que haviam conseguido vencer uma Copa do Brasil (diga-se de passagem, sem jogar bem quase nenhum jogo, e contando com a dose cavalar de sorte que acompanha Renato Gaúcho) e estavam na Libertadores. Assim, só tinham duas metas possíveis: ser campeões ou não serem rebaixados. Oscilaram pra cima e pra baixo, chegaram a temer uma nova queda, e até sonharam em brigar pelo título, mas acabaram empacando no meio da tabela. Foi então que o técnico Renato finalmente conseguiu descobrir um objetivo capaz de motivar o elenco: Ser o melhor dos Cariocas. Coitados... foi justamente neste momento em que o FLAMENGO começou a subir feito foguete e estraçalhou a última esperança dos fluminenses. Pelo menos restava a eles o consolo de que eram os únicos cariocas na principal competição sul-americana. Afinal de contas, o Flamengo tinham pouquíssimas chances de chegar lá também. Eles então passaram a ocupar mesas redondas com uma discussão acalorada sobre o tom correto da listra vermelha de sua camisa. Aliás, vermelha, não, grená! Ou seria bordeaux? Borgonha? Carmesim? Ah, deixa pra lá, como eu ia dizendo restava a eles torcer para que o Mengão não chegasse à Libertadores.

Pena, restava. Mais choro e ranger de dentes. Levantem as cabeças, orgulhem-se de mais um ano sem precisar de viradas de mesa pra escapar de divisões inferiores.

O CHORO VASCAÍNO

Começaram o ano a reboque dos mil gols romarianos, e até que ensaiaram grandes alegrias com a inesperada e sortuda ascensão do time comandado por Celso Roth. Freqüentaram por longo tempo a zona de classificação para a Libertadores, mas após dois confrontos contra o arqui-rival (num dos quais mesmo com um homem a mais não conseguiram sequer o empate) o Time da Virada portou-se como uma carruagem virando abóbora, e despencou tanto, que por muito pouco não chegaram à Segunda Divisão... Eu até que tinha mais coisas para falar sobre eles, mas como pode ser visto nos outdoors espalhados pela cidade, no momento a Turma da Fuzarca está mais preocupada em realizar uma nova eleição do que pensar no desempenho do time. Tudo devido à nobre e honrada lisura do mui venerável líder Eurico Miranda (vide foto), que implantou no Vasco um sistema eleitoral realmente revolucionário. Porque a tristeza neste rosto cruz-maltino? Rejubilem-se, Romário chegou aos mil gols, não houve nenhum vice este ano, e vocês continuam aliados do presidente da Federação Carioca... Alegria!

ADENDO 1: OS DOIS APÓSTOLOS HOMÔNIMOS

São Judas Tadeu e São Judas Iscariotes. O primeiro, padroeiro das causas impossíveis, tornou-se o santo protetor da grande MASSA RUBRO-NEGRA (perdoem-me a redundância das maiúsculas), que este ano bateu todos os recordes, lutando contra tudo e todos. O segundo veio a tornar-se o arquétipo dos traidores. Melhor imagem não haveria para descrever o papel da diretoria do São Paulo, um clube que no auge de uma merecida conquista de bicampeonato, resolveu tripudiar de nós, e renegar o título do Brasileiro de 87. Um campeonato fruto da rebeldia do Clube dos Treze, então presidido pelo presidente do próprio São Paulo. O que Flamengo e Inter fizeram naquele ano, não foram decisões arbitrárias e isoladas de dois times, mas estavam corroborados por um colegiado dos treze maiores times do país. Que o Sport reclame, tudo bem, mas que o São Paulo venha subir nas tamancas, isso é asqueroso. Aliás, por falar nisso, este bafafá todo serviu para revelar que o malfadado cruzamento só foi possível devido à traição sorrateira de Eurico Miranda (vide foto acima), que assinou algo sem consultar os outros.

ADENDO 2: UM BREVE MOMENTO

Era o dia 13 de outubro de 2007. Enfrentávamos o enjoado Paraná no estádio da Vila Capanema. Onze minutos do segundo tempo, e o jocoso árbitro Alício Pena Júnior resolve subitamente inventar um pênalti colossalmente absurdo a favor do Paraná. Josiel, artilheiro do campeonato, coloca a bola na marca da cal, e prepara-se para bater. O destino parecia traçado, e de forma cruel. Graças a um erro do juiz, o Paraná abriria o marcador e provavelmente mais uma vez perderíamos um jogo fora de casa. Fora e com televisionamento direto. Triste sina repetitiva.

O artilheiro bate. Mal. Bruno defende, e neste momento, simbolicamente, o FLAMENGO ressuscitou, no jogo e no campeonato. Mesmo sem jogar bem, nós conseguimos um golzinho suado, e arrancamos três preciosos pontos. A partir deste momento o FLAMENGO viria a conquistar exatos 21 pontos. Sempre suados. E sempre preciosos. Nos faltasse um pontinho sequer, e nossa classificação ainda estaria ameaçada. Ainda falta muito para sermos o que fomos no passado, mas pelo menos a GRANDEZA foi trazida de volta.

O GIGANTE MAIS UMA VEZ ACORDOU, E ESTÁ SORRINDO.


Post scriptum: acho que jamais me cansarei de rever no youtube o replay dos gols do FLAMENGO no Corinthians, com a narração emocionada e imparcial de Kléber Maischato, digo, Machado.

http://www.youtube.com/watch?v=une1-ciSzM0

Flamengo Net

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