Força do adversário está no seu cartel colombiano
É num trio colombiano que está a espinha dorsal do Atlético Paranaense, a penúltima pedra no caminho do Flamengo para a vaga na Copa Libertadores. Os bons desempenhos do goleiro Viáfara, do volante Valencia e, principalmente, do meia-atacante David Ferreira consolidam o sucesso de uma estratégia internacional do clube de Curitiba, que há anos vem olhando com atenção para atletas não muito conhecidos dos países vizinhos - notadamente da Colômbia.
Quem já viu alguns jogos do Atlético certamente conhece as qualidades de Ferreira. O baixinho tem boa técnica, velocidade e excelente controle de bola, o que faz dele alvo constante de faltas nas imediações da grande área. Criativo, o jogador tem facilidade para enxergar espaços vazios e armar bons ataques, além de ter senso de oportunismo e finalizar com eficiência. Marcou 12 gols besta temporada. Não por acaso, é sonho de consumo do Fluminense para a Libertadores de 2008.
Valencia, ex-América de Cali e com passagens pela seleção sub-20, está há menos tempo no Centro de Treinamento do Caju, mas já caiu nas graças dos atleticanos. Assisti ao vivo a vitória do Furacão sobre o Vasco. E o volante é simplesmente incansável no desarme.
Contratado no início do ano, Viáfara passou boa parte do Campeonato Brasileiro na reserva do goleiro Guilherme. Assumiu a posição no início do returno e, em agosto, foi confirmado como titular pelo então novo técnico Ney Franco. O mineiro não parece decepcionado, principalmente depois de uma atuação de Viáfara em Caxias do Sul, onde o colombiano fez grandes defesas e garantiu o empate diante do Juventude.
Ney Franco, aliás, é um dos responsáveis pela ascensão dos paranaenses. Assumiu uma equipe em turbulência, próxima da zona de rebaixamento, e assim como Joel, teve um início complicado, encarando dois jogos difíceis fora de casa (contra Inter e Santos). No entanto, logo acertou o prumo. O clube fez as pazes com a torcida e recuperou o instinto mortífero em sua Arena - o Atlético de Ney Franco conseguiu sete vitórias seguidas em casa, igualando a marca da equipe vice-campeã nacional em 2004.
Sob o comando do ex-técnico do Flamengo, o índice de aproveitamento do Atlético subiu para 58,3%, percentual superior ao do Santos em todo o campeonato (55%). O ex-técnico do Flamengo também conseguiu dar mais estabilidade à defesa atleticana. Depois dos 5 a 0 impostos pelo Náutico, no estádio dos Aflitos, no dia 28 de setembro, o Furacão não perdeu mais. Está invicto há oito jogos, nos quais sofreu somente três gols, ambos fora de casa: um no empate com o Cruzeiro e dois em outro empate, com o Corinthians. Por outro lado, a equipe passou a marcar um número de gols abaixo da média histórica em seu caldeirão. É a mão de Ney Franco.
Para o jogo deste domingo, o treinador revelado pelo Ipatinga tem duas opções. Uma é apostar num esquema mais ousado, o 4-4-2, escalando Ferreira no meio e colocando dois atacantes natos na frente (o ídolo Alex Mineiro, que passou por um longo período de inatividade, e o ex-cruzeirense Marcelo, que vem de boas atuações). Outra, mais provável, é usar o 3-5-2 que vem garantido solidez à defesa. Nesse caso, Ferreira atuará mais adiantado, ao lado de Alex Mineiro.
O Atlético-PR tem alguns pontos fracos. Os laterais Jancarlo e Michel são fortes e voluntariosos, mas contam com poucos recursos técnicos. Entre os zagueiros, apenas Danilo transmite segurança. No meio, falta um jogador com mais criatividade. Pelo lado esquerdo, Netinho parece um tanto dispersivo como meia-esquerda, o que muitas vezes faz Ney Franco recorrer ao suplente Ramon, aquele mesmo que passou por Vasco, Botafogo e Fluminense. Pelo lado direito, Claiton - aquele mesmo que irritava a torcida do Flamengo - faz as vezes de meia-direita. Carimba todas as bolas, mas sem muita imaginação.
Ney Franco, que conhece bem a base do time do Flamengo, certamente deve trancar as laterais. Juan e Léo Moura não terão vida fácil. No meio, o técnico deve usar Netinho quase como um segundo ala, para combater Ibson e fechar o caminho para as investidas de Léo Moura. A válvula de escape deve ser Claiton. Por incrível que pareça, o jogador é admirado pelos dirigentes e torcedores do Atlético, tanto pela sua liderança como pelo futebol que vem apresentando. Deve ser ele a principal peça para puxar os contra-ataques com Ferreira. O colombiano tem em Alex Mineiro uma boa opção pelos dois lados.
Jogando sem pressão, o Atlético tem sua classificação bem encaminhada para a Copa Sul-Americana. Precisa de apenas três pontos, que possivelmente serão conquistados na última rodada, em Curitiba, contra um São Paulo já em férias. Mas tem armas para aprontar no Rio, onde nunca venceu o Flamengo. Todo cuidado é pouco.
sábado, 24 de novembro de 2007
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