Após uma longa e tenebrosa temporada longe de sua casa o Flamengo retorna ao Maracanã nesse sábado disposto a tirar a barriga da miséria. As milhares de latas de Neston compradas pelo braço carioca da Maior Torcida do Mundo não deixam dúvidas quanto ao apetite da massa por uma vitória.
“O FLAMENGO não é somente um clube, uma agremiação esportiva. O Flamengo é uma religião, uma seita, um credo, com sua bíblia e seus profetas maiores e menores. O Flamengo é um amor, uma devoção, uma eterna comunhão de sentimentos. Por eles muitos deram a vida, alienaram a liberdade, destruíram amizades, arruinaram lares, com homicídios e suicídios. O Flamengo, o flamenguismo, para ser mais exato, é uma cardiopatia. O Flamengo dá febre, dá meningite, dá cirrose hepática, dá neurose, dá exaltação de vida e de morte. O Flamengo é uma alucinação.
Deveria ser feita uma Lei Federal que obrigasse o Flamengo a jogar todos os dias, em todos os lugares do Brasil e ganhar sempre. Quando o Flamengo ganha, há mais amor nos morros, mais doçura nos lares, mais vibração nas ruas, a vida canta, os ânimos se roboram, o homem trabalha mais e melhor, os filhos ganham presentes. Há beijos nas praças e nos jardins, porque a alma está em paz, está feliz. O Flamengo não pode perder, não deve perder. Sua derrota frustra, entristece, humilha e abate. A Saúde, a higiene nacional exigem que o Flamengo vença, para o bem de todos, para a felicidade geral, para o bem-estar nacional.”
É uma pena que a tradição esculhambativa brasileira somada à inação natural dos nossos probos legisladores não tenha transformado em letra da lei o desejo do Juiz Eliezer Rosa. Ao contrário, ao invés de promover o bem estar de parcela significativa da população nacional com jogos diários do Flamengo os podres poderes que regem feudalisticamente esse torrão chamado Brasil ainda cometem todas as patranhas ao seu alcance para que o Flamengo não dê o ar de sua graça.


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