Uma Vez Flamengo, Sempre Flamengo.
Quando eu ainda era um moleque, criei um lema:
“Na Minha Família, Quem Não É Flamengo, Não Nasce !”
Todos os descendentes o repetem e afirmam, que, realmente; “Não nasce, nunca nasceu e não nascerá nunca!”
Hoje, editando o vídeo, com fotos e filmagens, do jogo de ontem contra os bambis, mais uma vez, não me contive e chorei. Minha mulher, passando pela porta do meu Stúdio, vendo meus olhos cheios de lágrimas, aproximou-se e parou, em frente ao meu computador e também ficou admirando aquela beleza, que é a Torcida........digo,.....a Nação Rubro-Negra, festejando.
Ela, que não se espanta com minhas emoções à flor da pele, comentou: “_É demais, mesmo! Os Flamenguistas são alegres e fanáticos. Eu não vejo ninguém de outro time fazendo a festa que os Flamenguistas fazem.”
Não duvidem do que vou contar. Quando nos conhecemos, de longe, minha mulher me via sempre desfilando com o Manto Sagrado e, depois de um longo tempo de paquera à distância, nas ruas do bairro, quando fomos apresentados, minhas duas primeiras perguntas foram:
“_Você torce por qual time?
“_Bem, eu não sou fanática como você, que eu vejo quase todo dia vestido com a camisa, mas eu também sou Flamengo.”
Fiz a segunda pergunta:
“_Qual seu nome?”
Se ela dissesse outro time, JURO, eu saberia que não era Ela, a Mulher da Minha Vida! Mas, sendo eu um bom rapaz, honesto, trabalhador, Deus não me negaria a benção, de construir um Lar 100% Rubro-Negro Flamenguista.
Por toda a minha existência, nessa passagem por este planeta, várias vezes já me perguntei: “Meu Deus; Porque eu nasci tão Flamenguista?”
Erraram aqueles que já disseram que foi por influência do meu amado, querido e saudoso Pai.
O velho Almir era sim, um Flamenguista dos mais arretados, assim como velho Mário, seu Pai, meu Avô, (hoje, ambos integrantes da facção Fla-Paraíso Celestial). Apesar de terem sido Flanáticos, sempre me consideraram “mais que todos”.
Desde que me entendo como vivente, acompanho histórias de Vitórias e até, de algumas derrotas, que se apequenam, diante da grandeza de tantas Glórias do Flamengo.
Fui crescendo e, mesmo sendo criança, vendo, vivendo, sentindo e guardando no peito, as imagens, de grande número de pessoas, umas mais abastadas, outras mais humildes, mas, todas, vestidas com o Manto Sagrado, nas esquinas, nos ônibus, nos carros, em todos os mais improváveis lugares. Isto sempre me chamou à atenção, pois eu, sendo um desses milhões, que guarda a Camisa do Flamengo, sempre, no lugar mais especial do armário de roupas e que sempre a vestiu e usou como uma roupa de Missa, um terno de gala, uma Sagrada Vestimenta e não, simplesmente, uma camisinha qualquer, eu sentia que havia um “que” de diferente, um certo tom de afronta, no fato de mostrá-la em público. Algo como quem diz: “_Eu sou Flamenguista. Faço parte da Seita Rubro-Negra.”
Eu via festas, via alegria, via camaradagem, onde quer que se juntassem pessoas Flamenguistas. Via fraternidade, no convívio Rubro-Negro. Via emoção, via lágrimas, via “união”, nas alegrias e nas tristezas, coisa que nunca percebi, nos poucos encontros de outras torcidas, que tive o desprazer de ver, de longe.
Com 8 anos, eu na arquibancada do Maraca, depois de um gol do Flamengo, num jogo dificílimo, fui erguido no colo por um homem que nunca havia visto na vida e ele, ainda que emocionado, pulando, comemorando, teve a presteza de me socorrer, proteger e me ajudar a não rolar escadaria abaixo, com a euforia da multidão. Acalmados os ânimos, para a nova saída, ele me recolocou no chão, ao lado de meu Avô e gritou pra mim:
“É GOL DO MENGÔÔÔÔ !!!!!!!”
Realmente, naquela torcida havia algo diferente. Um sentimento humano, afetuoso, que eu admirava e com ele me identificava.
Aí, um belo dia e foi justamente após uma derrota do Flamengo, que eu descobri a grande diferença, entre ser Flamenguista e ser,...................ou melhor, e não ser Flamenguista.
Chegando do colégio, desci do ônibus e era obrigatório passar em frente à padaria do bairro, onde o portuga, vascaíno (Deus o tenha) apesar de um bom amigo, era uma espécie de meu “inimigo número um”. Mal me viu, já começou a me sacanear. E a sacanear cada Flamenguista que entrava no estabelecimento, onde também havia uns dois a três torcedores de cada outros times.
Aí, eu comecei a rir, falando a todos:
“_Engraçado,...meia dúzia de sofredores. Dividindo por três clubezinhos, dá uma média de dois pra cada. E só nesse tempo que eu estou aqui, já entraram 30 vezes mais de Flamenguistas a maioria vestida com o Manto Sagrado e isso, na derrota.
Realmente, a Nação Rubro-Negra é diferente de tudo.
O arco-íris diz que, “Flamenguista é igual a pardal, tem em todo lugar e não serve pra nada”.
Em parte é verdade e em parte é mentira.
Verdade é que, “tem em todo lugar”.
Mentira é que, “não serve pra nada”. Serve sim.
E, já que eles querem nos ofender, vamos lá:
O pardal tem uma importância significativa, no equilíbrio da natureza, pois, cumprindo sua parte na cadeia alimentar, ele se alimenta de “insetos e restos de toda sorte” e os insetos sim, estes são nocivos ao homem. Por esta comparação, se os Flamenguistas são os pardais, quem são os “insetos” ???? “ O resto”.
E como “não serve pra nada” ?... se o Flamengo, provado por pesquisa, é a ”Marca de Maior Valor Comercial” e o coração pulsante do nosso País e o Flamenguista, é a mais pura expressão da Brasilidade, da alegria, da espontaneidade, da miscigenação do nosso povo e este último atributo, é a prova mais clara de que Somos Todos Irmãos, inclusive eles, do arco-íris, pois, certamente, o destino de todos é chegar a ser uma só raça, na cor da pele, pois que, já o são, como “raça humana”.
Indo mais além, se o Maracanã é um dos principais cartões postais do Rio de Janeiro e do Brasil para o mundo, em todo o mundo se sabe que a cor da pele do Maracanã, do Rio de janeiro e do Brasil, é Vermelha e Preta.
Dizem que, na torcida do Flamengo, só tem preto (como o arco-íris, preconceituosamente afirma), pobre, ladrão, gay, assaltante e outros, qualificados das piores espécies.
Isso sim, é verdade. Concordo. Digo que é vero, porque já conheci vários Flamenguistas com tais predicados.
Nas alas Flamenguistas, encontramos; pretos, pobres, ladrões, assaltantes.......e tem mais, que eu vou acrescentar à lista; A Nação Rubro-Negra tem; louros, mulatos, ruivos, sanseis, índios, tem bandidos de colarinho branco, estupradores, estelionatários, punguistas, seqüestradores, cafetões, etc, etc, etc....e não são poucos.
Mas, se é pra ser dita a verdade, pessoas assim, existem em todas as torcidinhas.
Só que, a Nação Rubro-Negra, contabiliza em número muito maior. Porque não é uma “torcida”, é uma “Nação”!!!
E é justamente isso que faz a diferença. Existe menos, onde se tem menos e, existe mais, onde se tem mais. Por isso, os outros têm “torcidas”,......”torcidinhas”,.........nós “SOMOS”, a “Nação”. A “Nação Rubro-Negra”.
Mas então, é daí que vem todo esse amor que sinto, esse meu Flanatismo, essa minha obsessão, pelo Clube de Regatas do Flamengo??
Vem do anseio “espiritual”, de me elevar, de me integrar às coisas de Deus e do mundo, por Ele criado. Vem do meu fraterno amor pela humanidade, vem do desejo íntimo de partilhar, de dividir com meus irmãos da terra, as alegrias e as dificuldades, que a vida nos apresentar.
Pensei, pensei, pensei....e deduzi:
Meu corpo, só responde, ao Amor que sente a minha alma. Minha alma é que Flamenguista Flanática. Quando chegar meu dia de devolver à Terra, este meu corpo, que à ela pertence e Ela me retornar ao pó, minha alma continuará Flamenguista e, Flamenguista voltará, por tantas outras encarnações, quanto o Criador achar que ela ainda precise.
E assim, eu entendi porque o hino do Flamengo diz; “Uma Vez Flamengo, Sempre Flamengo”.
É uma questão de estágio, na evolução espiritual. Chega a um ponto em que se nasce Flamenguista. Esta então, é a primeira vez. E, em se tratando da escala na evolução espiritual, este processo não sofre retrocesso.
E é por isso, que todo mundo sabe que:
“Uma Vez Flamengo.......!”
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
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