terça-feira, 21 de agosto de 2007

Estádio da Gávea

A Casa do Flamengo

Ser o clube com a maior torcida do Brasil traz vantagens incomparáveis ao Flamengo, vantagens das quais nem o clube e nem um de seus 35 milhões de torcedores abrem mão. Independentemente do momento que atravessa ou da posição na tabela é o Flamengo que sempre aparece mais, que dá mais ibope, que arrasta maiores multidões aonde quer que vá nesse Brasil. Dizer que o Flamengo vende mais é restringir o toque de Midas do Flamengo ao comércio varejista e desprezar o fato facilmente verificável que o Flamengo é como um colosso que quando se move, seja para onde for, gera demanda, aumenta a produção e cria empregos. Quando o Flamengo e sua torcida caminham na mesma direção podem povoar desertos e aumentar a arrecadação de impostos de qualquer anecúmeno nesse país. No tempo em que o amor à camisa era nosso maior patrimônio Nelson Rodrigues disse que “o Flamengo é uma força da natureza”. Os tempos de materialismo sem vergonha que vivemos demonstraram que o Flamengo é também uma força econômica.

É essa grandeza do Flamengo e de sua torcida o principal motivo para que todos os aqueles que se consideram rivais do Flamengo cultivem úlceras incuráveis. O pior para os nossos rivais é que entre as vantagens do Flamengo estão também milhões de simpatizantes que não entram na conta das pesquisas de torcidas, mas que acabam sempre querendo o bem do Flamengo e de seus torcedores. Como tudo na vida o pacote de vantagens tem também seus efeitos colaterais. O pior deles, sem nenhuma sombra de dúvida, é que o Flamengo tem também os seus antipatizantes. Ao mesmo tempo em que os seis jovens remadores lá em 1895 começaram a traçar o destino de glórias do Flamengo nascia um galho novo na amaldiçoada árvore da plutocracia, o anti-flamenguismo.

Desde então o anti-flamenguismo foi regado com a inveja e adubado com o preconceito social dos que lutam para que uma elite inculta mantenha seus privilégios indevidos. Muitos dos antipatizantes usam seus mandatos parlamentares como escada para se pendurar nesse galho estéril e dali tentar auferir vantagens inconfessas. Nem era preciso confessar nada, pois quem não tem escrúpulos em deixar de fazer o serviço pelo qual é regiamente pago pelos contribuintes para tentar atrapalhar o Flamengo e sua torcida não merece mais do que o ostracismo que se reserva aos iníquos.

Foi só o Flamengo começar a treinar futebol no antigo campo da Rua do Russel, ainda no tempo da I Guerra, que sempre houve gente que do alto de sua tribuna na Câmara Municipal não era capaz de ver a crescente favelização dos morros da cidade, a ausência dos serviços públicos como saúde, educação e segurança. Esses problemas não foram resolvidos pelos nobres edis de então, mas houve quem encontrasse tempo para considerar uma indecência que os players do team do Flamengo treinassem seus shoots no Russel, atraindo crianças, idosos, pobres e desempregados para um parque público. O nome desses vereadores que não queriam pobres em parques se perderam na poeira do tempo, mas o Flamengo foi em frente com seus treinos e continuou cada vez mais popular.

Em 1935, o déficit habitacional aumentara a favelização na cidade-capital, os serviços públicos e o transporte coletivo eram precários e atendiam a poucos e os vereadores também não foram capazes de resolver esses problemas que se agravavam a cada dia. Mas quando o Flamengo ganhou do prefeito interventor Pedro Ernesto seu terreno no então brejo da Gávea o anti-flamenguismo ressurgiu para impulsionar quem achasse que o Flamengo e sua já descomunal torcida não deveriam receber tal benesse. Hoje ninguém mais tem certeza se existiam mesmo vereadores em 1935, mas a Gávea virou sinônimo de Flamengo. A expansão da cidade em direção ao Flamengo transformou o antigo brejo em um dos bairros mais valorizados da cidade.

Em 2007 o Flamengo se lança com todo seu peso e importância à tarefa de terminar o que começou em 1939 e nunca terminou: o seu próprio estádio na Gávea. Construir o seu estádio é um direito que o Flamengo adquiriu quando recebeu o terreno. Notem que em 1935 um estádio não precisava ter saídas de emergência, banheiros e rampas para deficientes. Também não precisava ter lojas, bares e outras conveniências para o público para que fosse economicamente viável. O tempo do esporte amador e sem patrocínio já passou e os estádios se modernizaram, o público se modernizou, até o prefeito do Rio se modernizou.

Mas como se ainda estivessem em 1915 existem vereadores com muito tempo ocioso que preferem fechar os olhos à favelização que em plena Zona Sul avança sobre a Mata Atlântica a poucos metros de seus comitês eleitorais na Rocinha, que nada fazem para impedir a degradação dos serviços públicos da cidade, mas que do alto do galho seco do anti-flamenguismo tentam se colocar entre o Flamengo e o direito inalienável que sua torcida conquistou. Será que alguém tem alguma dúvida de que lado estão os mocinhos dessa estória?

É a história da cidade do Rio de Janeiro que nos mostra que o preconceito social, o elitismo, o racismo, a inveja e o anti-flamenguismo sempre andaram de mãos dadas na tarefa de atrasar o lado do Flamengo e assim atingir o povão que é o alicerce do Mais Querido. Mas mostra também que eles nunca venceram o Flamengo. E nunca vão vencer. O Estado de Direito prevalecerá e o povo do Flamengo terá o seu estádio, a sua casa na Gávea.

Mengão Sempre

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