Um Balanço do Semestre
Findo o primeiro semestre (graças à interrupção precoce ocasionada pela Copa), hora de fazer o balanço. Vamos a ele.
1) A pré-temporada, tão alardeada como indício de seriedade e profissionalização, não funcionou. Nossa participação no Estadual foi pífia, e se dois times caíssem, estaríamos correndo risco inédito. Fica a lição: sem um bom treinador e uma equipe bem preparada fisicamente, de nada adianta inventar repousos, spas, Granja Comary etc.
2) Chegamos ao fim do primeiro semestre sem um time base definido. O Waldemar tinha um, mas com sua saída ele foi novamente remexido. Sem entrar (ainda) no mérito da troca dos treinadores, é evidente que não é boa coisa levar meses simplesmente para montar um time, com titulares e reservas.
3) Continuo não entendendo adequadamente a estrutura de futebol do Flamengo. Temos Kleber Leite, mas Helinho participa de reuniões e Marcos Braz tem poder também. Um treinador foi demitido por, entre outras razões, não escalar jogadores contratados pelo comando do futebol. Pergunta: numa estrutura profissionalizada, qual o limite da ingerência dos diretores sobre a comissão técnica? Esses diretores agem movidos pela pressão da torcida ou buscam metas de longo prazo, e cobram em cima delas?
4) Waldemar era um técnico contraditório. Por um lado, fez o que todos queriam: organizou uma equipe base, deu confiança aos jogadores e criou um padrão de atuação para o time. Por outro, demorava a mexer na equipe, era pouco ousado e tendia a apostar em jogadores caseiros que eram sua "base eleitoral" no clube. Na média, não estava indo mal. Pergunta: por que a demissão naquele momento exato? Por que contratar alguém que, desde seu primeiro dia, já estava ameçado de cair a qualquer hora? Cada derrota do Waldemar era motivo para pedirem sua cabeça.
5) Ney Franco é um mistério ainda. É ousado, não tem compromissos com a rapaziada do Ipatinga (já barrou Diego Silva) e está tentando usar todos os jogadores disponíveis. Contudo, não é tarimbado e rende melhor ao longo prazo, quando lhe deixam montar em paz um time equilibrado, brigador e regular. Pergunta: os diretores vão deixar ele trabalhar nos moldes que estava acostumado? Ou contrataram um técnico que aposta na regularidade esperando encontrar um mágico?
6) Não temos jogadores tão ruins. Luizão, Leo Moura, Sávio, Jônatas e Angelim fazem uma espinha dorsal razoável. Mas quando eles estarão juntos numa equipe, de forma ordenada e com bom preparo físico? Se conseguirem, vejo um segundo semestre esperançoso. Não confio em Peralta, embora seja habilidoso, e acho Toró muito novo ainda. Renato é um razoável terceiro homem de meio, mas armador ou atacante só em cabeças insólitas. Juan é irregular demais, e mesmo Renato Silva, que teve boa temporada em 2005, está complicando.
7) No balanço final, a batata está com o Ney Franco. Botar os jogadores citados acima em forma e jogando de forma coletiva é a sua missão. Enfrentar as pressões e vencer a Copa do Brasil lhe deixarão em situação boa. Vejamos a equipe que o comandante irá montar, nessa segunda pré-temporada.
quinta-feira, 8 de junho de 2006
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