Claro que eu torço, como a maioria. Mas não tenho muitas ilusões. Para mim esse é mais o time do Ricardo Teixeira. O homem que dirige o futebol brasileiro há décadas e em cuja gestão não se moveu uma palha para impedir que os maiores clubes, os celeiros inesgotáveis dos craques para nossas incontáveis máquinas de jogar futebol, fossem arrastados inexoravelmente em direção à mediocridade, à indigência e, em alguns casos, à extinção.
Perguntinha objetiva: quando seremos capazes de gerar, nos clubes semi-falidos que se arrastam nos Campeonatos Brasileiros e nas Copas do Brasil, com o nível técnico menos que sofrível de hoje, o que se reflete nas médias cada vez mais ridículas de público, quando conseguiremos formar neles uma nova geração de jogadores do mesmo nível dos do passado? Mais que isso, de atletas que estejam realmente identificados com o país, sentindo-se verdadeiramente representantes do estilo de jogo do Brasil, preocupados antes com a emoção do que com a ciência exata da matemática financeira?
Quando os garotos saem cada vez mais cedo para o exterior, finalizando sua formação fora do Brasil é cada vez menos o verdadeiro futebol brasileiro que está indo com eles. Já se vê um pouco isso num Kaká ou num Adriano.
Você consegue enxergar, em todos os clubes brasileiros somados, pelo menos meia dúzia de promessas de craques para o futuro? No Flamengo, no Cruzeiro, no São Paulo, no Santos, no Internacional? Eu me esforço e não consigo. O símbolo do atual estágio de nosso futebol caseiro é a convocação do Mineiro. O "craque" que ainda joga no Brasil. E o Rogério Ceni, mas goleiro nunca foi o nosso ganha pão no futebol.
Olho essa seleção, onde há quatro jogadores formados no Flamengo e não vejo neles uma forte identidade com a escola brasileira de futebol e nem com a emoção e a alegria de ser rubronegro, como houve no caso do Dida, do Zagalo, do Leandro, do Mozer, do Aldair, do Junior e, principalmente, do Zico.
Claro, há uma enorme culpa dos dirigentes dos clubes. O Flamengo paga um preço insuportável por isso. Mas a CBF, principalmente ela, é madrasta. E daquelas perversas, dos contos de fadas da nossa infância. Menos ainda se esforça o governo, taí a TIMEMANIA que é a última das últimas das prioridades do Congresso e do Executivo.
Ainda vamos lamentar muito por esse crime que se está cometendo contra a única atividade em que conseguimos atingir excelência a nível mundial: quando não formos mais o país do futebol e nos dissolvermos na mediocridade geral, nos tornando mais um no meio da multidão. Perigamos ser, como os demais, "tudo japonês". Banzai, Zico!

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