sexta-feira, 11 de novembro de 2005

Inveja e saudades

Entrar em campo sabendo que precisa vencer. A torcida, confiante, sem parar de pular e cantar, faz daquele estádio um templo mítico, um local temido. A maioria do time, deve-se observar, não é de jogadores tecnicamente brilhantes. Eles sabem, porém, o valor de se vestir a camisa, a tradição e glória que representam aquelas cores, a energia que ela emana para que persigam o gol desde o primeiro minuto e, uma vez obtido o tento, partam obsessivamente para marcar o segundo. E se sofrem o empate, vão atrás do resultado que interessa e fulminam o adversário em questão de minutos, levando a torcida e o ídolo de sempre à loucura, deixando os adversários completamente baratinados, sob um barulho ensurdecedor e um tremor que assusta ainda mais quem já entra em campo ciente de aquele final estava escrito. O frango do goleiro, o cochilo da defesa, tudo isso é o quê senão o papel de coadjuvante previsto no script de mais um conto de glória internacional.

Estou falando do Boca Juniors. Ontem à noite, ao acompanhar os 4 a 1 aplicados pelos argentinos, devo admitir que senti inveja. Inveja e saudades. Saudades de um Flamengo que se perdeu no tempo, em algum lugar, e que nós temos o dever de resgatar. Saudades de um tempo em que a existência ou não do descenso no campeonato seria apenas um tema desprezível, porque simplesmente temos time e culhões para brigar pelo título e os melhores campeonatos. Saudades de uma torcida sem medo de ser feliz, que está ao lado da equipe na alegria ou na tristeza porque esta o representa na sua bravura e destemor. Saudades de jogadores como Nunes, o nosso Palermo (guardadas as proporções a favor do João Danado), destes caras que parecem talhados para vestir eternamente a camisa do seu time.

Sim, meus caros, eu quero o meu Flamengo de volta.

Flamengo Net

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