Síndrome de Hardy
Não deixa de ser chocante. Faltam 10 rodadas, estamos no bolo da briga para fugir do rebaixamento e quase todo mundo já entregou os pontos. "Vamos cair", "Desse ano não escapamos", "Vai ser duro voltar", "Tem que torcer para melar essa porra e ter virada de mesa", "Não adianta técnico novo". "Não dependemos mais de nós", bla-bla-bla.
Parece síndrome de Hardy, aquela hiena pessimista e desanimada do desenho animado "Lippy e Hardy", da Hanna & Barbera, que sempre falava: "Ó dor, ó vida, ó céus, ó azar, isso não vai dar certo".
Hardy parece o atual torcedor do Flamengo, que - salvo exceções - já aceitou como inevitável o possível descenso.
Está certo que não temos, objetivamente, muita coisa em que se fiar. Não temos nenhum jogador genial, o Flamengo é o pior ataque e um dos times que menos venceu. Além do mais, para escapar sem depender dos demais, será preciso um aproveitamento de 60%, o que ainda não aconteceu neste campeonato.
Por outro lado, os 6 a 1, dolorosos, provocaram uma mudança, não a que desejamos, mas uma mudança. Por mais que pairem desconfianças sobre Kleber Leite, que saiu da presidência do clube sob a alcunha de "Ice man", tido como pé-frio, uma coisa não há de se negar: ele tem iniciativa. E parece que está buscando soluções.
Além do mais, temos pela frente adversários diretos nessa briga: Vasco, Coritiba, Botafogo, Juventude e Paysandu. Nenhum deles pode ser apontado como favoritíssimo. São jogos em que temos condições reais de vencer. Para isso, será preciso revestir cada jogo com a importância devida - a de jogos decisivos.
A chegada de Kleber e sua aproximação com a CBF deve causar um efeito imediato sobre a atuação dos árbitros, boa parte deles ruins, como demonstraram os jogos novamente realiados, mas por estranha coincidência, quase sempre ruins contra o Flamengo.
A situação é preocupante, muito, mas ainda não é desesperadora. Passa a ser, sim, no momento em que a torcida, para evitar desilusões, decreta de antemão que tudo continuará dando errado. São todos Flamengo, claro, mas deixem para o arco-íris a energia negativa.
Não venho aqui passar recibo de iludido, muito menos propor pacto de qualquer espécie, do gênero "vamos poupar o time". Devemos criticar, ferozmente, tudo que mereca ser criticado e formar uma corrente para que uma nova visão assuma o comando do clube de 2006/08.
Mas por favor, não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo. Somos Flamengo, porra!
quinta-feira, 20 de outubro de 2005
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