Espere! Escute-me! Não me apedreje de cara! Afinal, aqui é um espaço democrático! Ou não?
Pois se fosse em São Januário, falando "Seríamos nós os flamenguistas?", seria eu capaz de ser execrado, banido, linchado, excomungado, fuzilado, antes de sequer expor minha opinião... Esta pode ser a evidência nº 1 da negação da minha tese. Ou não...
Há alguns meses me surgiu esta dúvida e demorei a transcrevê-la, partilhá-la com outros seres dotados de inteligência, que possam compreendê-la... (Esta pode ser a evidência nº 2 da negação da minha tese)
Só para motivar a argumentação, quantos americanos concordam com a política externa de W. Bush? Quantos iraquianos gostavam, mesmo, de Saddam? Quantos terroristas acreditam, de fato, que estão promovendo uma guerra-santa contra o Satã que vem do ocidente? Quantos americanos acreditam que a sociedade americana é a mais justa que existe? E quantos soviéticos acreditavam que a "Mãe-Rússia" era então mais justa que as sociedades ocidentais? Quantos argentinos nos acham FDP? E o que nós achamos deles?
Daí que sempre tive a idéia do Vasco como um time que embora tivesse seus valores (lembrem-se: isto é acima de tudo, um tratado científico-sociológico!), gozava de um comportamento muito relacionado à sua diretoria. Prepotente, truculento, falastrão, que se utiliza dos mais questionáveis - para não dizer escusos - recursos, dentro e fora de campo, para se locupletar. Intimida jogadores e despreza a imprensa. E a torcida? Esta, regra geral, parece acatar tal comportamento como probo, nos melhores interesses do clube, ostentando não raramente, a empáfia de sua diretoria. Algo como um fanatismo cego.
E o que isso tem a ver com o nosso Mengão?
Nada. Tirando, talvez, alguns momentos de fanatismo cego, e certa empáfia que a História de nossa Nação nos permite, nossa diretoria está longe de se impor em qualquer lugar. Talvez se iguale apenas por criar alguns (grandes) constrangimentos... E é disto que estou falando: Diante da história das duas instituições, quem deveria gozar de menos prestígio junto à imprensa? Que time, mesmo com todas as adversidades, tem comentaristas esportivos reconhecidamente seus torcedores, como críticos mordazes? Quem deveria arremalhar desafetos nas Federações? Na CBF? Entre os árbitros e comissões de arbitragens? Na imprensa, de forma generalizada? Desprezado pelos jogadores que não aceitam pra lá se transferir? Por técnicos que mandam a mulher atender ao telefone e dizer que não estão? Que time sofre a "perseguição" de ex-jogadores, ineptos no clube, que se tornam craques e carrascos quando saem? Que time vive há anos com uma equipe imersa num mar de mediocridade? Que time assiste à "doce vingança" de técnicos que saem escorraçados depois de tantos fracassos? Qual time vive cercado por histórias de panelas e "corpos-moles" de jogadores em seu elenco? Que time é acusado de superproteger sua "prata da casa", a ponto de se acharem intocáveis e, invariavelmente, alimentar a criação de tais panelas? Que time já foi classificado como "time punheteiro" pelo Alexotan, em plena Playboy? Qual time leva goleadas seguidas, sem se abalar? Qual time é humilhado, fora, em casa, em campo neutro e amanhece como se nada tivesse acontecido? Que time dá tantas alegrias, tão seguidamente, para as torcidas adversárias? Que time tem uma diretoria de dar inveja ao Tabajara? Que time, com a imensidão da torcida que tem, não usa seu potencial de marketing em prol do clube?
O vasco, para mim, dada a rivalidade, é a antí-tese de tudo de bom no futebol. Hoje nem há tanto esse sentimento. São tantos que se vangloriam de nossa desgraça, que não dá para eleger só um...
Eu não nego minha identidade rubro-negra. Com orgulho. Orgulho de quem conquistou tudo que conquistou, com méritos. Orgulho de quem acredita que a força da instituição é maior do que os omissos, os covardes e os descomprometidos que a poluem. Com altivez. Altivez de quem é o que a torcida adversária gostaria de ser. Altivez de quem incomoda a imprensa-torcedora ou mercenária.
Mas neste contexto, pergunto: Então? Será que somos nós que estamos errados? Seríamos nós os vascaínos?

|