quarta-feira, 26 de outubro de 2005

LÉGION ÉTRANGÈRE

Nunca fui um pessimista. Tampouco posso me gabar de ser otimista. Sou muito racional, crítico, principalmente a meu próprio respeito. Não é que já me peguei achando que talvez a culpa seja minha, já que comecei a participar do BLOG em meados do anos passado e desde então foi só sofrimento? Depois a racionalidade repõe tudo em seu eixo e a perspectiva volta à posição mais sensata: sou realista. Somos piores que ano passado, que já era ruim, isso foi dito num POST de janeiro ou fevereiro, quando eu estranhei o fato do PVC ( o jornalista ) achar que o time não corria o risco de rebaixamento. Nunca acreditei no Obina, comentei antes da primeira partida dele, em outro POST. Fui a favor da efetivação do Andrade desde o começo do ano, talvez equivocadamente, mas não sei se teria sido melhor ou pior, só não consigo deixar de pensar que o comando exercido por uma pessoa que passa pela ininterrupta destruição de sua auto-estima, como a diretoria fez questão de providenciar para o Tromba, não poderia mesmo ter um final diferente. Estranho vai ser se, terminado o campeonato, ele permanecer na Gávea. Neste momento até entendo, é hora de não contribuir em nada com a turbulência ao redor da nau rubronegra. Qualquer marola a mais, pode ser a causa do naufrágio.
De forma que resolvi deixar a realidade conduzir esta minha relação de amor com o Flamengo. Vou ser mais realista que o rei, tudo que vier de bom, daqui para a frente, é lucro. Se não vier, é a realidade, sou realista, certo?
Não sei se a pressão arterial e o batimento cardíaco vão seguir meu realismo, minha racionalidade. Espero não morrer por isso, mas por via das dúvidas, vou providenciar um isordil e deixá-lo à mão. Serão nove jornadas de realismo puro. Nada me surpreenderá, nem o inferno nem o safar-se dele. Mas que a direção do Flamengo merece o fogo eterno, o sofrimento atroz, o esquecimento definitivo, todos eles, sem exceção, ah isso merece. Já a massa rubro negra, principalmente os mais humildes, aqueles que nada têm de valioso, aqueles que foram esquecidos pelo destino e por quem faz o destino, aqueles que guardam o Flamengo como seu único patrimônio, seu solitário tesouro, esses não merecem esse castigo a mais. Pena que tantos privilegiados pela sorte, na direção do clube ou jogando no time, não se dêem conta de quão mesquinhos são ao lidar com esse amor onipresente pelo Flamengo de forma tão displicente, ao tratarem com tal desdém suas obrigações, ao demonstrarem tanto desapego, tanta indiferença, ao não se entregarem inteiros, nem que seja para justificar medianamente os valores que vêm recebendo todos os meses, como qualquer mercenário nas areias de um deserto africano qualquer faria, e com certeza faria melhor e com mais raça e paixão.

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