LÉGION ÉTRANGÈRE
De forma que resolvi deixar a realidade conduzir esta minha relação de amor com o Flamengo. Vou ser mais realista que o rei, tudo que vier de bom, daqui para a frente, é lucro. Se não vier, é a realidade, sou realista, certo?
Não sei se a pressão arterial e o batimento cardíaco vão seguir meu realismo, minha racionalidade. Espero não morrer por isso, mas por via das dúvidas, vou providenciar um isordil e deixá-lo à mão. Serão nove jornadas de realismo puro. Nada me surpreenderá, nem o inferno nem o safar-se dele. Mas que a direção do Flamengo merece o fogo eterno, o sofrimento atroz, o esquecimento definitivo, todos eles, sem exceção, ah isso merece. Já a massa rubro negra, principalmente os mais humildes, aqueles que nada têm de valioso, aqueles que foram esquecidos pelo destino e por quem faz o destino, aqueles que guardam o Flamengo como seu único patrimônio, seu solitário tesouro, esses não merecem esse castigo a mais. Pena que tantos privilegiados pela sorte, na direção do clube ou jogando no time, não se dêem conta de quão mesquinhos são ao lidar com esse amor onipresente pelo Flamengo de forma tão displicente, ao tratarem com tal desdém suas obrigações, ao demonstrarem tanto desapego, tanta indiferença, ao não se entregarem inteiros, nem que seja para justificar medianamente os valores que vêm recebendo todos os meses, como qualquer mercenário nas areias de um deserto africano qualquer faria, e com certeza faria melhor e com mais raça e paixão.

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