domingo, 7 de agosto de 2005

Por que?

Foi um jogo estranho. Confesso que esperava uma partida violenta, muito corrida e com pressão incessante do Fortaleza. Não vi isso. Por outro lado, esperava muito mais consistência no meio e na proteção da nossa zaga. Também não vi. Então o que diabos aconteceu?

Primeiramente, não pode um time sair com 3 volantes e dar tanto espaço para o adversário tocar a bola na intermediária ofensiva. Não pode o técnico dizer que a nova contratação não aguenta mais do que 30 minutos, e colocá-la em campo quando ainda faltava uma hora para terminar a partida. Mudou tão rápido de opinião, ou ele entrou tão facilmente em forma? Também não dá para tirar um atacante e botar o Felaipe, assim como não dá para demorar tanto para tirar o Souza. Finalmente, não dá para ter uma postura tão letárgica, em tudo diferente do time que jogou as últimas três partidas. Jogar fora de casa e assistir o meio campo adversário tocar a bola com a tranquilidade de quem joga altinha no Posto 9 é convite à derrota.

Finalizado o breviário de nossos erros, vejamos o resto do jogo. O Fortaleza dominou naqueles momentos após o segundo gol, mas não houve uma clara e esmagadora superioridade. Os erros técnicos de sempre se repetiram: dificuldade de finalização, pouca força no ataque e uma atuação "desequilibrada" de alguns dos principais jogadores, como Jean, Souza e Leo Moura. O primeiro (que achei um dos melhores em campo) começou bem, fazendo ótimas jogadas pela esquerda, mas logo afunilou e encontrou muitas dificuldades para fazer jogadas de fundo. Souza tem talento, demonstrou isso no lance do gol, mas tem pouca mobilidade e prende demais a bola. Quando cansa, transforma os ataques do time em verdadeiras elocubrações filosóficas sobre o destino da bola, sua natureza, sua ontologia, etc. Leonardo é bom lateral e sabe cruzar, mas insiste demais em cortar para o meio,além de acreditar que tem mais futebol do que realmente tem. Sobre o Diego, considero-o bom jogador, que pode tranquilamente ocupar vaga de titular no meio. Mas não estava em boa forma, e visivelmente fora do esquema ainda. A zaga não foi pavorosa, mas falhou no primeiro gol, além de bater cabeça em alguns momentos.

Não foi uma atuação desesperadora, mas me deixou preocupado com a nossa "evolução". Hoje em dia, para um torcedor do Flamengo ter firmeza no time, precisa assistir a umas 15 partidas seguidas com boas atuações, pois qualquer vacilo desanima. Felizmente, a missão não é impossível. O campeonato está extremamente irregular, uma verdadeira gangorra. O ideal seria terminar o primeiro turno naquela zona intermediária da tabela, do Coritiba pra cima.A fórmula? Dedicação, organização tática, consciência da mediocridade e São Judas Tadeu. O último não costuma nos abandonar, mas até a sua paciência tem limite.

Flamengo Net

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