Da arte de perder jogos
O Flamengo vem se especializando em perder, mesmo quando, supostamente, "equilibra a partida". Hoje em dia, vencer um jogo parece ser uma tarefa hercúlea para os jogadores que vestem a camisa de um time que outrora foi o Flamengo.
Vão dizer que foi equilibrado, e que o Flamengo teve mais posse de bola e controle do jogo, assim como contra o Fortaleza. E daí? Sim, e daí???? De que adianta lotar o meio campo e transformar a equipe numa máquina de toques de bolas improdutivos na intermediária? Qual o sentido de escalar um lateral esquerdo como terceiro zagueiro, diante da profusão de volantes? Para "liberar" o Fabiano na lateral esquerda, enquanto o Leonardo Moura embolava mais ainda pelo meio? Qual o propósito de escalar um atacante apenas, que é conhecido mundialmente por ter extremas dificuldades de chutar uma bola que ultrapasse o goleiro adversário? Se a idéia era escalar um meio campo brigador, por que o contra ataque do time é tão improdutivo e mal posicionado, tornando a tarefa de roubar bolas uma inutilidade?Eu digo: perder, da forma mais eficiente possível. Celso Roth preparou o time com cuidado e atenção, com esse nobre objetivo: perder.
Vão dizer que o Goiás chegou pouco. É verdade, mas sempre chegou com velocidade, e tentando os chutes de fora da área. Roni e Tabata quase marcaram assim. Enquanto isso, Renato e Leo Moura se engalfinhavam numa competição para ver quem chutava mais bolas na barreira. Sim, porque chutar com a bola rolando, nem pensar. Na direção do gol, então,seria criminoso.
Um dia ainda vão escrever um belo trabalho psicológico sobre a relação dos atuais jogadores do Flamengo com o gol. Nunca, desde que os ingleses criaram o esporte, viu-se um conjunto de indivíduos com um medo tão atávico diante de duas balizas. Comportam-se como um indígena na cidade grande, um mineiro diante do mar pela primeira vez, um tricolor na frente de uma mulher, um mendigo em Mônaco. Com o mais absoluto assombro, como se não acreditassem na existência de coisa tão maravilhosa e incompreensível. O gol para eles é uma coisa encantada, mágica, quase divina. Cada gol que esse time faz deveria ser comemorado como a chegada do homem à Lua.
Finalmente, espero que esse jogo tenha ensinado Roth. É bom comandante, sério, mas está convicto de que escalações esdrúxulas levarão o Flamengo a algum lugar, como se apenas o irracional fizesse algum sentido tático para seus comandados. Não adianta, Roth. Ao perpetuar tais idéias, você estará apenas moldando o time para a nobre e pouco honrosa arte de perder jogos. De maneira incomparável e incontestável. Caso tenha dúvidas, consulte a pesquisa no post abaixo, coordenada pelo blogueiro Serginho Atallah.
segunda-feira, 15 de agosto de 2005
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