Três lados de uma mesma história.
1 - Fabiano Eller decide abandonar seu clube no Qatar, vem para o Fluminense e poucos meses depois, vai embora. O clube recebe de indenização, um valor inferior ao estipulado em contrato, sob a desculpa de "se não for agora, não receberá nada no final".
2 - Íbson sai do Flamengo por 2 milhões de euros. Metade desse valor é em crédito com o clube português Porto. Íbson ainda tinha contrato com o Flamengo e saiu sob a desculpa de "se não for agora, não receberá nada no final".
3 - O Santos segura Robinho. Recebeu uma proposta de 30 milhões de euros pelo jogador, mas como tem uma multa rescisória de 50 milhões de dólares, não quer liberar o jogador, que ameaça prejudicar o clube, com a desculpa "se não for agora, não receberá nada no final".
4 - A Internazionale de Milão recusa oferta escandalosa do Real Madrid pelo atacante Adriano (cria da Gávea). Eles receberiam 50 milhões de euros, mais o passe do Ronaldo Fenômeno e de outro jogador. A Inter recusou e acabou o papo. Ninguém usou a desculpa "se não for agora, não receberá nada no final".
Os quatro casos acima ilustram como a cabeça dos clubes funciona hoje em dia e a submissão total aos empresários. Fabiano Eller e Íbson pertencem ao mesmo empresário, Eduardo Uram, que faz a festa sempre ameaçando os clubes com a desculpa "se não for agora, não receberá nada no final" e os clubes, ávidos por qualquer esmola, aceitam sem pestanejar. Aí eu pergunto: o que é um milhão de euros, diante da dívida do clube ou da possibilidade de perder um jogador importante que pode conquistar título$ e fã$?
Tudo bem que um Íbson só não faz verão, mas com ele o time estaria bem melhor abastecido hoje e você nunca sabe no que vai dar. Ele arrebentou na sua temporada de estréia em Portugal. Mas, graças aos dirigentes submissos e tolerantes, ganhamos um milhão de euros que serviu para trazer de volta o Fernando e o Jean. O crédito? Vamos continuar esperando o algum jogador do Porto querer vir para o Flamengo. Enquanto isso, o dinheiro fica lá...
Mais impressionante que achar normal essa venda, é querer empurrar essa desculpa para a torcida. Eu não quero um milhão de euros para o time. Isso não reforça nada, basta ver onde estamos agora. Quero um time decente e forte. Quero que o Flamengo faça como o Santos está fazendo. Segure o jogador. Ah, ele vai embora no final e o Flamengo não vai receber nada? Primeiro: quem garante que essa será a única oferta pelo atleta durante todo esse tempo? Segundo: se o cara for bom mesmo, não vale a pena segurá-lo para disputar títulos, ao invés de contratar a xepa do futebol a pedido de treinador que nem sabe se vai ficar até o fim do ano? Nunca vi empresa nenhuma abrir mão de seus talentos na primeira proposta que apareça, quando há um contrato em vigor.
O Santos está certíssimo. Respaldado pela lei, segura seu craque o quanto quiser. O jogador fica fazendo beicinho e diz que não joga. Azar, está sendo descontado no gordo salário e queimando o filme. Além disso, fica sem jogar e perde ritmo de jogo. Daqui a pouco, o Real Madrid pode cansar e desistir. E sem contar que ainda pode se prejudicar para a Copa. O Santos perdeu? Outras propostas virão. E mesmo que o venda agora, conseguirá uma fortuna. Aí sim, poderá reforçar o time e torna-lo mais forte do que já é hoje. Não estamos falando de um milhão de euros apenas.
O Santos sabe que com Robinho, terá o melhor jogador do Brasil no time e a garantia de disputar títulos. Sem Robinho, terá um fortuna para gastar como quiser e se o fizer direito, continuará na ponta do futebol brasileiro. Tal como a Inter. A proposta é absurda, mas o time sabe que poderá ganhar mais dentro e fora de campo mantendo o Adriano.
Mas o Flamengo não. Se desfaz dos jogadores por qualquer milhão de euros que apareça para reforçar o time porcamente. E o pior, acha normal.
sexta-feira, 15 de julho de 2005
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