sábado, 25 de junho de 2005

Da Camisa e do Flamengo atual

Senhores, a boa e velha discussão voltou. O post do Lucas suscitou, como sempre, mais polêmicas. Uma inclusive com um grande amigo meu, entusiasta ferrenho da mística rubro negra e da eficiência real desse mito na nossa História.

Há tempos atrás, escrevi que a solução para o time era "assumir" sua mediocridade. Queria dizer com isso que não adianta entrar em campo de salto alto, achando que algum Deus oculto irá nos presentar com um momento de graça, e fazer com que nosso limitado elenco se comporte como um esquadrão. Há que se jogar no limite, o tempo todo, com a plena consciência de que as inúmeras limitações que nos afetam prejudiquem-nos o mínimo possível. Isso é "assumir a mediocridade".

O Lucas tocou num ponto fundamental. De uns tempos para cá, passamos a acreditar que, chegando nas finais, tudo poderia acontecer, pois a camisa pesaria e iluminaria torcida e jogadores. Isso se soma ao oba oba da imprensa ("Maracanã lotado", etc), que é por todos encampado, o que termina por transformar os jogos finais em formalidades meramente destinadas a realizar o que os deuses já teriam decididos.Na prática, o resultado disso foi um time apático na final da Copa do Brasil de 2004, totalmente avesso à tradição de raça e superação que marca nossa História. Nesse caso, um "mito" jogou contra outro "mito".

Nas condições atuais, baixar a bola e encarar o presente é a melhor forma de incorporar, de forma não delirante, uma parte desse "mito". Se a camisa não joga sozinha, como o Lucas bem falou, é hora talvez de os jogadores levarem à sério a herança de raça e superação de outros elencos e momentos. Não virão grandes contratações, e salvo eventuais Mossorós, o time será este. Que ele então, assuma sua mediocridade e jogue 110% o tempo inteiro. Nessa atitude está a chave para se desfazer das fantasias e para recuperarmos algo de nossa tradição que possa servir ao atual momento.

Ainda há, portanto, espaço para certos "mitos", desde que eles não signifiquem uma cortina de fumaça que nos faça ver em Fernando um Rondinelli, ou em Obina um Doval. Basta que eles nos façam ver em 11 jogadores o que eles realmente são, mas parecem por vezes não se darem conta disso: atletas limitados que vestem a camisa do Flamengo. O peso que eles devem sentir, portanto, não é o do oba oba ou das ilusões, mas da responsabilidade. Nessa equação está a possível redenção momentânea. Porque para tirar o clube da encrenca em que está metido, há que se apelar a mitos e esforços ainda maiores.

Flamengo Net

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