Sobre a Guerra Civil
Colegas,
tá certo, muitas nações foram forjadas a partir de guerras civis cruentas, mas será que a nossa precisa passar por isso?
A cizânia está instalada, e tal como nas guerras civis, as acusações de "falta de patriotismo" e "falta de espírito crítico" pululam aqui e ali. O evento causador de tudo foi a hoje famosa "cartilha do Leal", agora complementada pelo "questionário do Leal". Sinceramente, não me identifico propriamente muito com nenhum dos dois lados nesta guerra, mas ao mesmo tempo estou com todos. Não entenderam? Talves porque não haja lados!
Deixando claro minha opinião: não gostei da cartilha nem do questionário. Achei o primeiro infantil, algo redundante, por vezes cômico ("os jogadores devem ampliar a visão periférica" ou " manter o uniforme asseado"), e o segundo burocrático demais. Aliás, não é melhor obter informações como aquelas em conversas francas com os jogadores e pela observação criteriosa dos treinos? Por vezes, atitudes mais discretas podem ser mais eficazes, além de não colocarem os jogadores na situação de "pupilos" --coisa que muitos não gostam. Quanto à comparação com o Luxemburgo, gostaria de lembrar a todos que Luxa sempre foi ridicularizado por suas manias, ternos, fala empolada, etc, e isso só diminuiu depois de muitos títulos. Portanto, não vale a lembrança "ah, se fosse o Luxemburgo todo mundo achava lindo". Pois é, não é o Luxemburgo.
Dito isso, vamos deixar claro uma coisa? Não estou pedindo a cabeça de Leal. Vou torcer pelo cara pelas próximas semanas, porque não há outra opção, e não há possibilidade dele pedir demissão nas próximas horas. Acho que, a despeito de tudo, há possibilidade dele fazer um trabalho decente. Não estou achando a diretoria tão incompetente quanto dizem neste início de ano, ano passado ela foi bem pior. Há alguns sinais positivos, em especial um certo clima "low profile" (mil perdões!!!), sem grandes fanfarronadas. Não creio que dizer isso me torna um cúmplice da mediocridade ou um ingênuo que não vê os desmandos e as tragédias que assombram a Gávea. Menos, né? Não acho que estejamos dividos aqui entre "ingênuos" e "sagazes", nem entre "rubro negros de verdade" e "falsos rubro negros". Há, sim, diferentes maneiras de sentir a paixão comum, que é o Flamengo. Não cabe, portanto, pedir que os críticos sejam mais "Flamengo", porque a raiva deles tem a mesma origem que o sentimento de "proteção" alimentado pela ala dos "lealistas". Ambos são apaixonados, e é isso que realmente importa aqui. Paixão. Nisso, estou com todos.
E paixão, é claro, descamba pra bate boca, opiniões insufladas, etc. Que bom. Não estamos num blog chapa branca. Então vamos preservar o melhor desta paixão comum e evitar os seus excessos, que nos fazem ver inimigos nas fileiras ao lado. Não é possível que a crítica seja identificada com as intrigas políticas internas ao clube, nem que o otimismo seja visto como expressão de ingenuidade acéfala. Não sou leal a Márcio Braga, Dimba, Jovem, Raça, Edmundo Santos, Fla-Futebol, nada disso. Sou leal a minha paixão e a minha parca inteligência, e espero que da combinação delas eu continue sendo um apaixonado, mas nunca um obtuso. Creio que como todos aqui. Abraços.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2005
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